Não menstruei após o Decapeptyl, como é costume. Fiz ecografia esta manhã, o endométrio estava linear, prontinho a receber o Estrofem. Recomecei os dois comprimidos diários, volto ao Cartia e a dúvida das médicas era em relação ao Lepicortinolo. Há casos em que traz vantagens, noutros tem um efeito contrário ao pretendido. Elas receiam que eu seja desses casos. Quando disse que foi na TEC do corticoide que se viu um saquinho sem qualquer dúvida, a médica decidiu arriscar novamente no Lepicortinolo. Falei outra vez no Lovenox e, para já, não acham que possa trazer benefícios. Na próxima terça-feira volto a fazer ecografia.
Mais um ano letivo finda e agora é altura de tratar da preparação de alunos para o exame nacional. O horário de trabalho está organizado de outra forma e estou fisicamente cansada. Ando muito absorvida nesta missão mas neles acresce o sentimento de responsabilidade e o medo de bloquearem em algo tão determinante na definição das suas escolhas. Daqui a uma semana será o famigerado exame de 11° ano. A partir daí estarei mais disponível para passar cá mais vezes e arrebitar um pouco a atividade escrita.
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quinta-feira, 14 de junho de 2018
sábado, 21 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 2
Depois de passar os olhos pelo folheto informativo do Puregon percebi o motivo da prescrição do Cartia. Uma das possíveis complicações da Síndrome de Hiperestimulação Ovárica é a formação de coágulos que entram na corrente sanguínea. Obrigada, queridas médicas, estou-vos inteiramente grata!
A pica de ontem já me deixou ligeiramente marcada e hoje, milagrosamente não sangrei. Ainda é cedo para sentir alguma coisa diferente, daqui a uns dias não devo caber nas calças. Os vestidos vão ser os meus maiores aliados.
Comparando o meu corpo com a altura em que fiz a primeira FIV, estou num estado que apelido de "mais" em diversos aspetos: larga, pesada, cabelo branco, hirsutismo. Olho para mim e penso "ao ponto que chegaste!" Tenho uma parte muito relevante de culpa. Sinto-me desmotivada, revoltada. Quando o peso da infertilidade sair de cima dos meus ombros, nem vou acreditar. Estou presa há tanto tempo nisto, que acho que vou ter dificuldade em "descobrir-me" novamente. Preciso de dar um enorme suspiro de alívio por me livrar deste fardo.
Pode soar a ingratidão exprimir-me desta forma, quando estou a usufruir de uma oportunidade de dar um pontapé à infertilidade. Mas revolta-me ter de passar por algo tão contranatura; revolta-me ler diariamente notícias de atrocidades cometidas por progenitores que não sabem honrar o seu papel de pais; revolta-me ter de sofrer física e psicologicamente para tentar fintar uma doença malvada, sem ter garantias de que o vá conseguir; revolta-me ter perdido três filhos, como se alguém estivesse a fazer troça de mim; revolta-me saber que o sofrimento não terminou. Se calhar tudo isto não passa de egoísmo. Para finalizar, revolta-me a ambivalência que a infertilidade causa.
A pica de ontem já me deixou ligeiramente marcada e hoje, milagrosamente não sangrei. Ainda é cedo para sentir alguma coisa diferente, daqui a uns dias não devo caber nas calças. Os vestidos vão ser os meus maiores aliados.
Comparando o meu corpo com a altura em que fiz a primeira FIV, estou num estado que apelido de "mais" em diversos aspetos: larga, pesada, cabelo branco, hirsutismo. Olho para mim e penso "ao ponto que chegaste!" Tenho uma parte muito relevante de culpa. Sinto-me desmotivada, revoltada. Quando o peso da infertilidade sair de cima dos meus ombros, nem vou acreditar. Estou presa há tanto tempo nisto, que acho que vou ter dificuldade em "descobrir-me" novamente. Preciso de dar um enorme suspiro de alívio por me livrar deste fardo.
Pode soar a ingratidão exprimir-me desta forma, quando estou a usufruir de uma oportunidade de dar um pontapé à infertilidade. Mas revolta-me ter de passar por algo tão contranatura; revolta-me ler diariamente notícias de atrocidades cometidas por progenitores que não sabem honrar o seu papel de pais; revolta-me ter de sofrer física e psicologicamente para tentar fintar uma doença malvada, sem ter garantias de que o vá conseguir; revolta-me ter perdido três filhos, como se alguém estivesse a fazer troça de mim; revolta-me saber que o sofrimento não terminou. Se calhar tudo isto não passa de egoísmo. Para finalizar, revolta-me a ambivalência que a infertilidade causa.
quinta-feira, 19 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 1
The beginning! E que começo!
Hoje foi daquelas manhãs em que se chegava a um ponto em que já não havia posição possível para sentir conforto, mesmo não sendo o plástico das cadeiras desagradável de todo. Há partes do hospital a léguas (numa perspetiva negativa) das condições oferecidas pela zona de Medicina de Reprodução. A questão aqui é que saí às 15 horas quando a hora marcada para lá estar foi às 9h30. Olhei para os pulsos, tentada em fazer-lhes algo. Eram 11h50 quando passei para a sala de espera de ecografia. Às 13 horas chegou finalmente a minha vez de ir para a marquesa. Estava tão anestesiada da espera, que nem me apercebi do desconforto que ela proporciona às pernas. Já falei deste detalhe várias vezes. Tenho a certeza que quem passou largos minutos em escrutínio de catacumbas naquela marquesa, em concreto, sabe ao que me refiro. Quem me dera que fosse como a da sala das punções/transferências...
Começou a ecografia, passado um bocadinho disse a médica "Os seus ovários estão carregadinhos! Só num ovário estou a contar 21. É provável que hiperestimule. Sabe que com doses baixas os ovários podem não reagir, então a única hipótese é garantir que trabalhem, só que vão responder em excesso." Na folha de contagens estavam 21 potenciais candidatos de um lado e 26 do outro. A máquina de fazer pipocas vai voltar em força. Uau... Que entusiasmo estou a sentir só de me lembrar daquilo que passei. Tenho de me mentalizar que não me posso queixar, porque há muitas mulheres que gostavam de ter uma pequena fração daquilo que produzo, é a realidade. Mas dói e não é pouco. Acarreta também consequências chatas que demoram a normalizar. Além do mais pode não servir para nada. Com o cenário que se avizinha, por volta do início de agosto poderei fazer TEC.
Voltei em seguida para a sala de espera.
Algum tempo após a eco fomos chamados para a consulta e foi-nos entregue o plano de ataque para os próximos dias. Puregon 150 UI até segunda-feira, nesse mesmo dia acrescento Orgalutran. Por via oral é Acfol, Eutirox (esse é até partir para outra dimensão) e a novidade desta estimulação, o Cartia. Usei o Cartia em processos de transferência e agora também fará parte da estimulação. Não sei exatamente qual o seu contributo nesta fase, mas estou por tudo. Foram feitos pedidos de análises para atualização e voltei a bater na tecla da aspiração. A Diretora disse que ainda não havia nada e parecia que ia deixar o assunto morrer. Quando falei que estava a ponderar apresentar uma reclamação, porque me tinha sido garantido que o conteúdo foi para análise, lembraram-se que a amostra pode ter sido enviada para Genética em vez de Anatomia Patológica. Quando vai para este último departamento, os resultados são disponibilizados na base de dados, na Genética não é assim. Têm de entrar em contacto com eles. Como era hora de almoço ninguém iria atender, então ficou um lembrete no meu processo para ligarem para lá. Se na próxima terça souber que nada deu entrada, apresentarei reclamação. Perguntei se os embriões podiam ser congelados individualmente e expliquei que, uma vez que não sei o resultado da aspiração, vamos experimentar transferir apenas um embrião. Expliquei a minha desconfiança de o sistema imunitário rejeitar organismos estranhos e, quem sabe, transferindo apenas um embrião, estou a reduzir a hipótese de rejeição. A Drª S. disse que há situações de resposta imunitária em que os corticóides trazem vantagens, noutros casos até prejudicam e isso nunca se saberá. Questionei também se não se justificará usar o Lovenox. Apesar de não ter trombofilias não se opuseram, tendo em conta o elevado número de TEC que realizei sem resultados favoráveis. Relativamente à possibilidade de o embrião da última gravidez ter algum tipo de trissomia, caso haja confirmação, o hospital não oferece nenhum tipo de resposta na seleção de embriões, só fora. Foram dizendo que com 38 anos e todo o meu historial, as minhas hipóteses de sucesso são reduzidas.
Não saí abatida, porque não ouvi nada inesperado. Estou plenamente consciente de que será muito difícil alguma vez dar certo, é a realidade. As evidências dos próximos tempos serão a confirmação que esta luta não tem qualquer tipo de produtividade comigo.
Regressámos à sala de espera, depois fomos às enfermeiras.
Agora um pequeno momento de serviço público:
Há um shopping junto ao hospital e ao hotel Ibis, o Campus S. João. Tem uma farmácia com o mesmo nome do espaço e, mesmo sem sermos sócios da APF, temos 10% de desconto imediato nos injetáveis para estimulação. Foram 15€ a menos que paguei. Essa poupança já ajuda na aquisição da medicação que se toma em altura de transferências.
Estou a voltar à suposta "pontaria" em vasos com o Puregon. Sangro, mesmo fazendo prega e a agulha é finíssima. Não sei o motivo.
O dia foi cansativo, apesar da manhã ter sido uma verdadeira "seca", como dizem os miúdos.
Hoje foi daquelas manhãs em que se chegava a um ponto em que já não havia posição possível para sentir conforto, mesmo não sendo o plástico das cadeiras desagradável de todo. Há partes do hospital a léguas (numa perspetiva negativa) das condições oferecidas pela zona de Medicina de Reprodução. A questão aqui é que saí às 15 horas quando a hora marcada para lá estar foi às 9h30. Olhei para os pulsos, tentada em fazer-lhes algo. Eram 11h50 quando passei para a sala de espera de ecografia. Às 13 horas chegou finalmente a minha vez de ir para a marquesa. Estava tão anestesiada da espera, que nem me apercebi do desconforto que ela proporciona às pernas. Já falei deste detalhe várias vezes. Tenho a certeza que quem passou largos minutos em escrutínio de catacumbas naquela marquesa, em concreto, sabe ao que me refiro. Quem me dera que fosse como a da sala das punções/transferências...
Começou a ecografia, passado um bocadinho disse a médica "Os seus ovários estão carregadinhos! Só num ovário estou a contar 21. É provável que hiperestimule. Sabe que com doses baixas os ovários podem não reagir, então a única hipótese é garantir que trabalhem, só que vão responder em excesso." Na folha de contagens estavam 21 potenciais candidatos de um lado e 26 do outro. A máquina de fazer pipocas vai voltar em força. Uau... Que entusiasmo estou a sentir só de me lembrar daquilo que passei. Tenho de me mentalizar que não me posso queixar, porque há muitas mulheres que gostavam de ter uma pequena fração daquilo que produzo, é a realidade. Mas dói e não é pouco. Acarreta também consequências chatas que demoram a normalizar. Além do mais pode não servir para nada. Com o cenário que se avizinha, por volta do início de agosto poderei fazer TEC.
Voltei em seguida para a sala de espera.
Algum tempo após a eco fomos chamados para a consulta e foi-nos entregue o plano de ataque para os próximos dias. Puregon 150 UI até segunda-feira, nesse mesmo dia acrescento Orgalutran. Por via oral é Acfol, Eutirox (esse é até partir para outra dimensão) e a novidade desta estimulação, o Cartia. Usei o Cartia em processos de transferência e agora também fará parte da estimulação. Não sei exatamente qual o seu contributo nesta fase, mas estou por tudo. Foram feitos pedidos de análises para atualização e voltei a bater na tecla da aspiração. A Diretora disse que ainda não havia nada e parecia que ia deixar o assunto morrer. Quando falei que estava a ponderar apresentar uma reclamação, porque me tinha sido garantido que o conteúdo foi para análise, lembraram-se que a amostra pode ter sido enviada para Genética em vez de Anatomia Patológica. Quando vai para este último departamento, os resultados são disponibilizados na base de dados, na Genética não é assim. Têm de entrar em contacto com eles. Como era hora de almoço ninguém iria atender, então ficou um lembrete no meu processo para ligarem para lá. Se na próxima terça souber que nada deu entrada, apresentarei reclamação. Perguntei se os embriões podiam ser congelados individualmente e expliquei que, uma vez que não sei o resultado da aspiração, vamos experimentar transferir apenas um embrião. Expliquei a minha desconfiança de o sistema imunitário rejeitar organismos estranhos e, quem sabe, transferindo apenas um embrião, estou a reduzir a hipótese de rejeição. A Drª S. disse que há situações de resposta imunitária em que os corticóides trazem vantagens, noutros casos até prejudicam e isso nunca se saberá. Questionei também se não se justificará usar o Lovenox. Apesar de não ter trombofilias não se opuseram, tendo em conta o elevado número de TEC que realizei sem resultados favoráveis. Relativamente à possibilidade de o embrião da última gravidez ter algum tipo de trissomia, caso haja confirmação, o hospital não oferece nenhum tipo de resposta na seleção de embriões, só fora. Foram dizendo que com 38 anos e todo o meu historial, as minhas hipóteses de sucesso são reduzidas.
Não saí abatida, porque não ouvi nada inesperado. Estou plenamente consciente de que será muito difícil alguma vez dar certo, é a realidade. As evidências dos próximos tempos serão a confirmação que esta luta não tem qualquer tipo de produtividade comigo.
Regressámos à sala de espera, depois fomos às enfermeiras.
Agora um pequeno momento de serviço público:
Há um shopping junto ao hospital e ao hotel Ibis, o Campus S. João. Tem uma farmácia com o mesmo nome do espaço e, mesmo sem sermos sócios da APF, temos 10% de desconto imediato nos injetáveis para estimulação. Foram 15€ a menos que paguei. Essa poupança já ajuda na aquisição da medicação que se toma em altura de transferências.
Estou a voltar à suposta "pontaria" em vasos com o Puregon. Sangro, mesmo fazendo prega e a agulha é finíssima. Não sei o motivo.
O dia foi cansativo, apesar da manhã ter sido uma verdadeira "seca", como dizem os miúdos.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Nova temporada - TEC 4
Assim como numa série televisiva regresso à rotina. Não há muitas alterações no script, daqui a uns episódios vão integrar no elenco as personagens mini-nós 7 e 8.
Andei foragida dos teclados durante este interregno para me dedicar um pouco a... mim. Precisava desta licença, porque durante demasiado tempo deixei de lado o meu equilíbrio. Se em janeiro andava cheia de ideias, planos, suposições, dúvidas, decidi deixar tudo isso de parte e focar-me em me, myself and I. Tive de o fazer...
Estou grata por todo o feedback que recebi entretanto, lamento não ter respondido a ninguém. Nos próximos dias vou inteirar-me das novidades das mulheres maravilhosas que também fazem parte deste mundo estranho.
Agora vamos aos factos. Contactei o hospital para saber se tinha luz verde para recorrer ao meu velho amigo Provera. Após aprovação veio o primeiro dia de sangue vivo, liguei novamente para o piso 3 e assim agendei ecografia para o terceiro dia do "ciclo". A suposta data seria amanhã, contudo esta manhã fui brindada com uma chamada para perguntar se podia ser ainda hoje, porque amanhã vai reinar o caos na Medicina de Reprodução. O meu coração sorriu com a proposta e lá fui, feliz da vida, para o hospital. Finalmente ia esclarecer algumas dúvidas e dar início a esta nova temporada.
Quem fez a ecografia foi a diretora do serviço e a dita "reunião de equipa" referida no telefonema do famigerado dia 30 de janeiro deve ter sido a microconversa de aproximadamente 10 segundos, que aconteceu entre essa mesma médica e outra que entretanto foi à sala de ecografia. Eu estava de um lado do biombo a vestir-me e elas do outro lado, a trocar impressões.
Na consulta fui logo informada que poderia iniciar hoje os 2 comprimidos diários de Estrofem e o ácido fólico. Lembrei que há mais de um ano que não fazia controlo da TSH e T4, ela confirmou no computador e acabou por pedir novamente as análises às imunidades (toxoplasmose, ISTs). Enquanto a médica preenchia a nova folha para acrescentar ao processo verifiquei que ela estava a escrever que esta seria a terceira TEC. Corrigi-a e quando ela viu as folhas que estavam para trás, verificou que havia umas quantas erradas, porque alguém colocou que tinha feito uma transferência na FIV. Tal não aconteceu porque hiperestimulei, nunca fiz uma transferência a fresco. Quando caiu na realidade que esta é a quarta TEC foi ver se já tinha feito despiste às trombofilias. Disse então que, apenas de forma empírica e porque não faz mal nenhum, desta vez vou acrescentar o ácido acetilsalicílico, ou seja, Cartia. Comecei também hoje e daqui a pouco mais de uma semana, o meu organismo vai estar a receber 9 comprimidos diariamente.
Fiz há tempos uma estimativa da quantidade de comprimidos que tomo desde a preparação de uma TEC até ao dia do beta e são mais de 200. Entrando também o Cartia na fórmula, em pouco mais de 30 dias, é só fazer as contas... Se o resultado do beta for positivo, esta medicação manter-se-á até às 12 semanas de gravidez.
Esta ligeira alteração no protocolo deixou-me mais animada, era algo que já gostava de ter tentado na transferência anterior. Não é garantia de sucesso mas diminui um pouco a sensação de impotência.
Mencionei que como soube o resultado da TEC 3 por telefone, não tive relatório da mesma. Ela ficou admirada de não terem enviado pelo correio e algures no meu processo vagueava a folha que deveria ter sido expedida. Lá estava TEC nº 2 quando deveria ser 3 e ao lado da assinatura da profissional que o fez, uma gralha na data.
Questionei o que acontecerá na eventualidade de os 6 embriões que restam terem o mesmo destino dos anteriores. Pensei que ia ter alta, pelo número elevado de TECs sem resultado e pela idade tardia, mas afinal não! Está previsto ter oportunidade de fazer outra FIV e o melhor é que pode ser logo a seguir à última TEC, porque o critério de um ano de espera que usam é relativamente à data da última estimulação. Como tive um número anormal de embriões, na altura em que farei a derradeira transferência (caso necessite) já terão passado praticamente 2 anos desde a estimulação. Aquilo que eu pensava inicialmente era que consideravam a data da transferência mais recente, ou seja, só com 39 anos faria nova FIV. Eu e o meu marido já falávamos de tentar no privado caso fosse dada alta ao terminarem os embriões ou tivéssemos de aguardar outro ano até nova FIV. Com a quantidade de mini-nós que obtivemos teria gasto uma pequena fortuna entre criopreservações e transferências. Há muitos anos, ainda antes de haver uma decisão mútua de termos filhos, consegui juntar uma parcela destinada apenas a PMA que teria esgotado com a minha dúzia se o tratamento tivesse sido realizado no privado. Estávamos a deixar essa quantia reservada para nos dar suporte, nos primeiros tempos, no caso de virmos a ser bem sucedidos no HSJ. A notícia de hoje deixou-me mais confortada, porque significa que posso adiar a ida ao privado, uma vez que será tudo seguido.
Aproveitei a consulta para perguntar como vou identificar que entrei na menopausa. Se alguém deu de caras apenas com este post e não leu o que está atrás, deve pensar que é muito óbvio. Comigo não é assim, não funciono como a maioria das mulheres. Vou ter de me basear na idade média em que as mulheres portuguesas entram na menopausa, ou seja, 50 anos e nessa altura paro de tomar Provera durante uns 3 meses. A seguir faço análise à FSH e se esta tiver um valor aumentado, voilà, eis-me no fim do prazo de validade! Daqui a 13 anos debruço-me sobre isso.
O programa das festas prevê que volto ao hospital no dia 10 (espero não ser surpreendida pela greve) e estou a apontar a TEC para a semana de 15 a 19 de maio.
Mais uma voltinha, mais uma viagem...
Andei foragida dos teclados durante este interregno para me dedicar um pouco a... mim. Precisava desta licença, porque durante demasiado tempo deixei de lado o meu equilíbrio. Se em janeiro andava cheia de ideias, planos, suposições, dúvidas, decidi deixar tudo isso de parte e focar-me em me, myself and I. Tive de o fazer...
Estou grata por todo o feedback que recebi entretanto, lamento não ter respondido a ninguém. Nos próximos dias vou inteirar-me das novidades das mulheres maravilhosas que também fazem parte deste mundo estranho.
Agora vamos aos factos. Contactei o hospital para saber se tinha luz verde para recorrer ao meu velho amigo Provera. Após aprovação veio o primeiro dia de sangue vivo, liguei novamente para o piso 3 e assim agendei ecografia para o terceiro dia do "ciclo". A suposta data seria amanhã, contudo esta manhã fui brindada com uma chamada para perguntar se podia ser ainda hoje, porque amanhã vai reinar o caos na Medicina de Reprodução. O meu coração sorriu com a proposta e lá fui, feliz da vida, para o hospital. Finalmente ia esclarecer algumas dúvidas e dar início a esta nova temporada.
Quem fez a ecografia foi a diretora do serviço e a dita "reunião de equipa" referida no telefonema do famigerado dia 30 de janeiro deve ter sido a microconversa de aproximadamente 10 segundos, que aconteceu entre essa mesma médica e outra que entretanto foi à sala de ecografia. Eu estava de um lado do biombo a vestir-me e elas do outro lado, a trocar impressões.
Na consulta fui logo informada que poderia iniciar hoje os 2 comprimidos diários de Estrofem e o ácido fólico. Lembrei que há mais de um ano que não fazia controlo da TSH e T4, ela confirmou no computador e acabou por pedir novamente as análises às imunidades (toxoplasmose, ISTs). Enquanto a médica preenchia a nova folha para acrescentar ao processo verifiquei que ela estava a escrever que esta seria a terceira TEC. Corrigi-a e quando ela viu as folhas que estavam para trás, verificou que havia umas quantas erradas, porque alguém colocou que tinha feito uma transferência na FIV. Tal não aconteceu porque hiperestimulei, nunca fiz uma transferência a fresco. Quando caiu na realidade que esta é a quarta TEC foi ver se já tinha feito despiste às trombofilias. Disse então que, apenas de forma empírica e porque não faz mal nenhum, desta vez vou acrescentar o ácido acetilsalicílico, ou seja, Cartia. Comecei também hoje e daqui a pouco mais de uma semana, o meu organismo vai estar a receber 9 comprimidos diariamente.
Fiz há tempos uma estimativa da quantidade de comprimidos que tomo desde a preparação de uma TEC até ao dia do beta e são mais de 200. Entrando também o Cartia na fórmula, em pouco mais de 30 dias, é só fazer as contas... Se o resultado do beta for positivo, esta medicação manter-se-á até às 12 semanas de gravidez.
Esta ligeira alteração no protocolo deixou-me mais animada, era algo que já gostava de ter tentado na transferência anterior. Não é garantia de sucesso mas diminui um pouco a sensação de impotência.
Mencionei que como soube o resultado da TEC 3 por telefone, não tive relatório da mesma. Ela ficou admirada de não terem enviado pelo correio e algures no meu processo vagueava a folha que deveria ter sido expedida. Lá estava TEC nº 2 quando deveria ser 3 e ao lado da assinatura da profissional que o fez, uma gralha na data.
Questionei o que acontecerá na eventualidade de os 6 embriões que restam terem o mesmo destino dos anteriores. Pensei que ia ter alta, pelo número elevado de TECs sem resultado e pela idade tardia, mas afinal não! Está previsto ter oportunidade de fazer outra FIV e o melhor é que pode ser logo a seguir à última TEC, porque o critério de um ano de espera que usam é relativamente à data da última estimulação. Como tive um número anormal de embriões, na altura em que farei a derradeira transferência (caso necessite) já terão passado praticamente 2 anos desde a estimulação. Aquilo que eu pensava inicialmente era que consideravam a data da transferência mais recente, ou seja, só com 39 anos faria nova FIV. Eu e o meu marido já falávamos de tentar no privado caso fosse dada alta ao terminarem os embriões ou tivéssemos de aguardar outro ano até nova FIV. Com a quantidade de mini-nós que obtivemos teria gasto uma pequena fortuna entre criopreservações e transferências. Há muitos anos, ainda antes de haver uma decisão mútua de termos filhos, consegui juntar uma parcela destinada apenas a PMA que teria esgotado com a minha dúzia se o tratamento tivesse sido realizado no privado. Estávamos a deixar essa quantia reservada para nos dar suporte, nos primeiros tempos, no caso de virmos a ser bem sucedidos no HSJ. A notícia de hoje deixou-me mais confortada, porque significa que posso adiar a ida ao privado, uma vez que será tudo seguido.
Aproveitei a consulta para perguntar como vou identificar que entrei na menopausa. Se alguém deu de caras apenas com este post e não leu o que está atrás, deve pensar que é muito óbvio. Comigo não é assim, não funciono como a maioria das mulheres. Vou ter de me basear na idade média em que as mulheres portuguesas entram na menopausa, ou seja, 50 anos e nessa altura paro de tomar Provera durante uns 3 meses. A seguir faço análise à FSH e se esta tiver um valor aumentado, voilà, eis-me no fim do prazo de validade! Daqui a 13 anos debruço-me sobre isso.
O programa das festas prevê que volto ao hospital no dia 10 (espero não ser surpreendida pela greve) e estou a apontar a TEC para a semana de 15 a 19 de maio.
Mais uma voltinha, mais uma viagem...
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