Depois do fiasco da IIU que não chegou a acontecer em julho, dia 28 de agosto regressei ao HSJ para tentar outro tratamento.
A ecografia foi o costume que já estou cansada de ouvir, sendo que desta vez foi prescrito Menopur com uma dose inicial de 112,5 UI. Foi feita também alteração ao suplemento a tomar. Em vez de Ovusitol passei a tomar uma saqueta diária de Dikirogen. Tive nova sessão com a enfermeira para desta vez familiarizar-me com o Menopur. Foi agendado regresso no dia 1 de setembro.
A preparação de Menopur tem uma abordagem mais tradicional, assim como a sua aplicação. Em vez de se usar uma caneta, são utilizadas seringas descartáveis. Até à preparação da solução deve ser mantido no frio, no entanto depois não é necessário desde que a temperatura ambiente não ultrapasse os 30 ºC. Preferi conservá-lo no frigorífico.
Habitualmente sou tolerante à dor, mas com o Menopur só em cerca de duas aplicações é que não senti nada. Desde a introdução da agulha até à injeção do preparado senti dor, perfeitamente suportável, mas com o Puregon isso não acontecia.
Tive mais hematomas e durante algumas semanas a barriga esteve dorida.
No primeiro dia do mês de setembro apresentei-me para a ecografia. Voltei para casa sem nada de animador pois o boicote continuava. A raiva aos meus ovários intensificou-se. A diretora do serviço falou outra vez no drilling e nos benefícios que este teria se fosse combinado com IIU ou FIV, dado que havia uma maior probabilidade dos ovários responderem devidamente à estimulação. Perguntei como é o funcionamento habitual do HSJ ao nível do drilling. Integra-se uma lista de espera para cirurgia que é de 3/4 meses, é dada entrada numa quarta-feira para fazer a preparação, na quinta é o drilling e na sexta é dada alta.
Mantive a dosagem de Menopur e dia 4 tive de voltar à ecografia.
Regressei ao hospital já desanimada para mais uma ecografia. Contudo algo inesperado aconteceu. Do nada passou a haver tudo. No ovário esquerdo tinha um folículo com 8 mm e outro com 12, enquanto no direito havia dois com 10 e outros dois com 11 mm. O endométrio tinha uma espessura de 7,6 mm. Perante esta verdadeira surpresa passei a aplicar 150 UI. A esperança agora residia em conseguir que, no máximo, dois folículos se destacassem para levar a IIU até ao fim.
Dia 6 de setembro fui para aquela que foi a ecografia mais duradoura e incomodativa que realizei até hoje.
Duas estagiárias apanharam-me a jeito sendo que, o que me esperou, foi um estudo profundo que durou uns 20 longos minutos. A marquesa da sala de ecografias não é nada cómoda no apoio para as pernas. Associando isso com uma grande estadia deitada resultaram pernas dormentes, para não falar dos toques constantes nos ovários que não eram nada agradáveis. Depois de encontrados todos os folículos seguiu-se o inacreditável. Para além de se esquecerem completamente que estava ali um ser vivo, iam contando piadinhas, estudavam o que estavam a ver e a dada altura a examinadora das profundezas disse a rir que se tinha esquecido de gravar os dados! O que aconteceu depois? Começar tudo de novo!
A quantidade de valores que estavam a ser ditados começou a preocupar-me, pois o número de folículos dominantes estava a ultrapassar em muito o desejável.
O cenário era este: ovário esquerdo - 10, 10, 10, 11, 12, 14, 15 mm; ovário direito - 11, 12, 13, 13, 14 e 16 mm e o endométrio com 8,9 mm.
Numa última tentativa de conseguir que um ou dois folículos ficassem em condições de fazer a IIU injetei nesse dia 112,5 UI e nos dois seguintes 75 UI.
A 9 de setembro realizou-se a última ecografia que resultou em mais um cancelamento. Tinha 7 ou 8 folículos de bom tamanho, o que significa que corria o risco de ter uma gravidez múltipla. Durante duas semanas deveria proteger-me por causa da possibilidade de ovular. A médica referiu que no ponto em que os ovários se encontravam era muito provável que menstruasse espontaneamente. Caso não acontecesse, em 15 dias deveria voltar a tomar Provera (e assim foi...).
A maior conclusão a tirar destas tentativas falhadas de IIU é que não se consegue encontrar uma dose que controle os meus ovários ao ponto de só desenvolverem aquele máximo de dois folículos.
Perguntei se o passo seguinte era o drilling ou a FIV planeada para fevereiro. A médica disse que iam analisar o meu caso em equipa e se fosse a laparoscopia seria contactada para fazer uma consulta com a finalidade de ficar inscrita na cirurgia, se fosse FIV, por volta de dezembro ou janeiro de 2016 telefonar-me-iam para iniciar a pílula antes de começar as injeções.
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sábado, 26 de dezembro de 2015
Primeira não-IIU
Desde que começou esta longa caminhada senti que algo concreto estava finalmente a acontecer.
Fui chamada para dar início à primeira tentativa de IIU, 5 meses após ter entrado para a lista de espera e não 3 ou 4 meses depois. Apesar das probabilidades serem reduzidas havia dentro de mim uma contida expectativa e apreensão em relação ao tratamento. Finalmente ia descobrir como os meus ovários iam responder aos injetáveis.
Toda a descrição que se segue aplica-se à metodologia usada no meu caso, enquanto utente do HSJ. A forma como cada processo é tratado depende da especificidade de cada paciente, havendo obviamente traços gerais comuns com outras mulheres que se submetem a tratamentos desta índole.
Compareci no hospital no terceiro dia de sangue vivo, a 3 de julho de 2015 (6.ª feira). Comecei por esperar a chamada para uma ecografia a fim de avaliar o estado dos ovários.
No HSJ somos atendidos pelo profissional que está de serviço naquele dia, o que significa que não há um médico fixo por paciente, ao contrário do que acontece na fase inicial, no pavilhão das consultas externas. Durante a ecografia há sempre várias pessoas presentes sejam médicos residentes ou estagiários.
A primeira impressão emitida pela médica que realizou a ecografia foi "os ovários são mesmo poliquísticos!".
Depois da ecografia voltei à sala de espera e aguardei por uma consulta. No gabinete estavam 3 ou 4 profissionais. A médica de serviço viu o meu processo e dado que já tinha passado algum tempo desde a última consulta mandou repetir análises. Aproveitou também avaliar os níveis de TSH, pois tinha aumentado a dose de Eutirox uns meses antes.
Fui informada que iria iniciar nesse mesmo dia a aplicação do injetável Puregon, numa primeira fase 50 UI, sempre às 21 horas. Fiquei de regressar ao hospital no dia 8 (4.ª feira) para monitorizar os ovários.
Voltei para a sala de espera para a recolha de sangue e uma explicação acerca da administração da injeção.
O Puregon é de fácil preparação e manuseio, devendo ser conservado no frigorífico. No hospital foi fornecido o kit com a caneta e algumas agulhas, pelo que na farmácia só é adquirida a ampola. Esta traz sempre um número de unidades adicionais e um guia de tratamento onde é possível fazer o controlo das doses administradas, bem como as que ainda estão contidas na ampola. Só acrescentei uma coluna onde registava de que lado da barriga tinha aplicado, pois convém alternar todos os dias.
Sobre o Puregon não tenho muito a dizer. A aplicação é simples e praticamente indolor. Cheguei a ficar com ligeiros hematomas mas não notei grandes alterações na barriga ou no meu estado de espírito.
Quando fui realizar a primeira ecografia após o início das injeções não houve crescimento de folículos. A dose foi aumentada para 75 UI e soube que teria de voltar a tomar Eutirox 100, pois a TSH estava com o valor de 0,07. Foi marcado regresso dois dias depois.
No dia 10 de julho (6.ª feira) o desânimo apoderou-se de mim. Era a segunda ecografia após início do tratamento, sempre que alguém me fazia ecografia ouvia a mesma expressão "os ovários são mesmo poliquísticos!". Estavam intocáveis, as injeções não resultavam... Mais uma vez a dose foi aumentada passando a injetar 100 UI. Prepararam-me para um eventual cancelamento caso na ecografia seguinte continuasse tudo igual. Foi sugerido que tentasse outra IIU iniciando as injeções com uma dose forte ou que ficasse inscrita para drilling ovárico, pois poderia ser uma boa alternativa para mim.
Dia 13 de julho foi formalizado o cancelamento. Extinguiu-se a pequena centelha que me acompanhou naqueles 10 dias em que uma fina agulha atravessou a minha pele. Perguntei se afinal era para tentar nova IIU ou o drilling. A médica optou por dar uma segunda hipótese a IIU.
Como o próximo ciclo seria em pleno mês de agosto e supostamente o laboratório não funcionava durante duas semanas, a segunda tentativa de IIU foi adiada para o fim desse mês.
Acerca do HSJ tenho algumas considerações a fazer. O Centro de Medicina da Reprodução tem uma excelente coordenação entre os diversos intervenientes (equipa médica, enfermagem e área administrativa). Considero também positiva a presença de mais do que um médico nas ecografias e consultas.
Quem sofrer de impaciência é levado ao limite de cada vez que lá vai, especialmente se for à segunda, quarta ou sexta-feira. Não é nada invulgar ficar uma manhã inteira nas salas de espera. Já me aconteceu ter ecografia marcada para as 10h30 e sair de lá às 14h45, porque é frequente haver apenas um médico de serviço. Posso dizer que de todas as vezes que lá estive, só num dia é que realmente fui atendida atempadamente, nuns impressionantes 15 minutos. Não sei se estes constrangimentos se deveram apenas ao facto de ser pleno verão ou se habitualmente é assim.
Do ponto de vista do atendimento médico, notei que não há muita preocupação em falar com os pacientes, contudo se formos nós a ter iniciativa de questionar, respondem às dúvidas. Esta postura contrasta com os comentários que se leem em fóruns e blogues acerca dos mesmos profissionais, quando estão a trabalhar em entidades do setor privado. Ao contrário do que vai aparecendo escrito sobre quem dirige o serviço, não tenho nada de negativo a apontar, pelo contrário.
Fui chamada para dar início à primeira tentativa de IIU, 5 meses após ter entrado para a lista de espera e não 3 ou 4 meses depois. Apesar das probabilidades serem reduzidas havia dentro de mim uma contida expectativa e apreensão em relação ao tratamento. Finalmente ia descobrir como os meus ovários iam responder aos injetáveis.
Toda a descrição que se segue aplica-se à metodologia usada no meu caso, enquanto utente do HSJ. A forma como cada processo é tratado depende da especificidade de cada paciente, havendo obviamente traços gerais comuns com outras mulheres que se submetem a tratamentos desta índole.
Compareci no hospital no terceiro dia de sangue vivo, a 3 de julho de 2015 (6.ª feira). Comecei por esperar a chamada para uma ecografia a fim de avaliar o estado dos ovários.
No HSJ somos atendidos pelo profissional que está de serviço naquele dia, o que significa que não há um médico fixo por paciente, ao contrário do que acontece na fase inicial, no pavilhão das consultas externas. Durante a ecografia há sempre várias pessoas presentes sejam médicos residentes ou estagiários.
A primeira impressão emitida pela médica que realizou a ecografia foi "os ovários são mesmo poliquísticos!".
Depois da ecografia voltei à sala de espera e aguardei por uma consulta. No gabinete estavam 3 ou 4 profissionais. A médica de serviço viu o meu processo e dado que já tinha passado algum tempo desde a última consulta mandou repetir análises. Aproveitou também avaliar os níveis de TSH, pois tinha aumentado a dose de Eutirox uns meses antes.
Fui informada que iria iniciar nesse mesmo dia a aplicação do injetável Puregon, numa primeira fase 50 UI, sempre às 21 horas. Fiquei de regressar ao hospital no dia 8 (4.ª feira) para monitorizar os ovários.
Voltei para a sala de espera para a recolha de sangue e uma explicação acerca da administração da injeção.
O Puregon é de fácil preparação e manuseio, devendo ser conservado no frigorífico. No hospital foi fornecido o kit com a caneta e algumas agulhas, pelo que na farmácia só é adquirida a ampola. Esta traz sempre um número de unidades adicionais e um guia de tratamento onde é possível fazer o controlo das doses administradas, bem como as que ainda estão contidas na ampola. Só acrescentei uma coluna onde registava de que lado da barriga tinha aplicado, pois convém alternar todos os dias.
Sobre o Puregon não tenho muito a dizer. A aplicação é simples e praticamente indolor. Cheguei a ficar com ligeiros hematomas mas não notei grandes alterações na barriga ou no meu estado de espírito.
Quando fui realizar a primeira ecografia após o início das injeções não houve crescimento de folículos. A dose foi aumentada para 75 UI e soube que teria de voltar a tomar Eutirox 100, pois a TSH estava com o valor de 0,07. Foi marcado regresso dois dias depois.
No dia 10 de julho (6.ª feira) o desânimo apoderou-se de mim. Era a segunda ecografia após início do tratamento, sempre que alguém me fazia ecografia ouvia a mesma expressão "os ovários são mesmo poliquísticos!". Estavam intocáveis, as injeções não resultavam... Mais uma vez a dose foi aumentada passando a injetar 100 UI. Prepararam-me para um eventual cancelamento caso na ecografia seguinte continuasse tudo igual. Foi sugerido que tentasse outra IIU iniciando as injeções com uma dose forte ou que ficasse inscrita para drilling ovárico, pois poderia ser uma boa alternativa para mim.
Dia 13 de julho foi formalizado o cancelamento. Extinguiu-se a pequena centelha que me acompanhou naqueles 10 dias em que uma fina agulha atravessou a minha pele. Perguntei se afinal era para tentar nova IIU ou o drilling. A médica optou por dar uma segunda hipótese a IIU.
Como o próximo ciclo seria em pleno mês de agosto e supostamente o laboratório não funcionava durante duas semanas, a segunda tentativa de IIU foi adiada para o fim desse mês.
Acerca do HSJ tenho algumas considerações a fazer. O Centro de Medicina da Reprodução tem uma excelente coordenação entre os diversos intervenientes (equipa médica, enfermagem e área administrativa). Considero também positiva a presença de mais do que um médico nas ecografias e consultas.
Quem sofrer de impaciência é levado ao limite de cada vez que lá vai, especialmente se for à segunda, quarta ou sexta-feira. Não é nada invulgar ficar uma manhã inteira nas salas de espera. Já me aconteceu ter ecografia marcada para as 10h30 e sair de lá às 14h45, porque é frequente haver apenas um médico de serviço. Posso dizer que de todas as vezes que lá estive, só num dia é que realmente fui atendida atempadamente, nuns impressionantes 15 minutos. Não sei se estes constrangimentos se deveram apenas ao facto de ser pleno verão ou se habitualmente é assim.
Do ponto de vista do atendimento médico, notei que não há muita preocupação em falar com os pacientes, contudo se formos nós a ter iniciativa de questionar, respondem às dúvidas. Esta postura contrasta com os comentários que se leem em fóruns e blogues acerca dos mesmos profissionais, quando estão a trabalhar em entidades do setor privado. Ao contrário do que vai aparecendo escrito sobre quem dirige o serviço, não tenho nada de negativo a apontar, pelo contrário.
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