Quando ontem referi que os dois inquilinos que por aqui andam não são de confiança, eu tinha razão. Em cada ovário há 10 folículos com menos de 10 mm. Digamos que a dormência continua por cá. Por causa disso, hoje não faço Orgalutran, retomo amanhã e mantenho 150 UI de Puregon. Sexta volto a fazer ecografia.
O resultado de hoje causa-me alguma preocupação, confesso.
Há novidades em relação à aspiração. Os tecidos foram enviados para Genética e o cariótipo do embrião era normal. No meu processo estava mencionado 46 XX, o que significa que era uma menina. Nada mais se sabe além disso. Esta era a resposta que eu queria obter para ter a certeza da transferência de apenas um embrião, se houver fecundação. Ver aquela nota escrita que transforma uma ideia assexuada de um aglomerado de células em algo concreto, deixou-me abatida. Tinha dentro de mim uma menina, a minha filha, que o meu próprio corpo arrancou. Ela era aquela manchinha preta que vi apenas uma vez, num dia em que fui às urgências, e nem o pai a chegou a ver. Essa é a melhor memória visual que conservo dela, as outras imagens do que sucedeu depois desse dia também as guardo na mente, com uma mágoa desmedida.
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terça-feira, 24 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 5
Às 8 horas estarei a picar o ponto no hospital para fazer o primeiro balanço destes 5 dias de injeções. A forma como reagem os ovários é sempre motivo de preocupação para mim, porque estes dois não são de fiar...
O Orgalutran é tramado. Acaba-se de tirar a agulha, começa logo a comichão misturada com dor e o aparecimento de uma mancha vermelha. São minutos em que tenho de me controlar para não friccionar a zona. Neste momento a cor da pele voltou ao normal mas continua aqui uma pequena protuberância.
Pareceu-me voltar a sentir a presença do ovário direito. Daqui a umas horas o mistério estará desvendado.
Ainda a propósito do fim de semana passado, há algo que quero partilhar. Quando se reencontra amigos e estes perguntam "Então, que contas?" ou "Novidades?", chega uma altura em que se torna difícil responder. Por vezes, enquanto aguardo que o sono chegue, ponho-me a pensar na vida. Tenho refletido nessas duas questões que me têm sido colocadas com alguma frequência. Fiz um balanço dos episódios mais relevantes destes 6 anos e meio e não há muito a destacar, porque a vida tem andado em stand by. Esse exercício de ter alguns segundos para responder se tenho novidades, faz-me lembrar a altura em que na escola os professores da área das línguas nos pediam para fazermos composições acerca das nossas férias. Os meus pais não tinham condição económica que nos permitisse gozar férias. Se havia período que eu detestava era mesmo esse, porque estava sempre em casa, num sítio onde o tempo morria. Ter de fazer uma composição acerca das férias era torturar-me, então punha a imaginação a trabalhar e inventava. Neste momento, se tiver de falar de alguma coisa que não seja a infertilidade, não sobra praticamente nada. É tão difícil responder... Essas perguntas curtas e inofensivas têm um peso incomensurável porque mostram, mais uma vez, como estou refém desta doença. Tenho mesmo de me libertar.
O Orgalutran é tramado. Acaba-se de tirar a agulha, começa logo a comichão misturada com dor e o aparecimento de uma mancha vermelha. São minutos em que tenho de me controlar para não friccionar a zona. Neste momento a cor da pele voltou ao normal mas continua aqui uma pequena protuberância.
Pareceu-me voltar a sentir a presença do ovário direito. Daqui a umas horas o mistério estará desvendado.
Ainda a propósito do fim de semana passado, há algo que quero partilhar. Quando se reencontra amigos e estes perguntam "Então, que contas?" ou "Novidades?", chega uma altura em que se torna difícil responder. Por vezes, enquanto aguardo que o sono chegue, ponho-me a pensar na vida. Tenho refletido nessas duas questões que me têm sido colocadas com alguma frequência. Fiz um balanço dos episódios mais relevantes destes 6 anos e meio e não há muito a destacar, porque a vida tem andado em stand by. Esse exercício de ter alguns segundos para responder se tenho novidades, faz-me lembrar a altura em que na escola os professores da área das línguas nos pediam para fazermos composições acerca das nossas férias. Os meus pais não tinham condição económica que nos permitisse gozar férias. Se havia período que eu detestava era mesmo esse, porque estava sempre em casa, num sítio onde o tempo morria. Ter de fazer uma composição acerca das férias era torturar-me, então punha a imaginação a trabalhar e inventava. Neste momento, se tiver de falar de alguma coisa que não seja a infertilidade, não sobra praticamente nada. É tão difícil responder... Essas perguntas curtas e inofensivas têm um peso incomensurável porque mostram, mais uma vez, como estou refém desta doença. Tenho mesmo de me libertar.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Dia 10 da FIV 1
Uma das etapas está concluída. Terminei oficialmente o Puregon e Orgalutran. Este último, hoje decidiu ser bastante resistente a atravessar a pele.
Amanhã encerro a temporada de injeções com Decapeptyl, às 22 horas.
Acordei melhor que ontem, não tive tonturas ao longo do dia, nem senti enjoos. A dor no peito e barriga atenuou um pouco.
Já disse hoje que estou feliz? Não?! Então digo: estou feliz e otimista!
Amanhã encerro a temporada de injeções com Decapeptyl, às 22 horas.
Acordei melhor que ontem, não tive tonturas ao longo do dia, nem senti enjoos. A dor no peito e barriga atenuou um pouco.
Já disse hoje que estou feliz? Não?! Então digo: estou feliz e otimista!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Dia 9 da FIV 1
Hoje foi dia de novidades mais ou menos previsíveis.
Estou a hiperestimular e tenho mais de 30 folículos! Não sei dados certos, porque vi a folha de longe e o espaço destinado aos folículos estava totalmente preenchido, sendo que dá para colocar 32 valores.
Ao contrário do que esperava a ecografia não foi dolorosa. Quem a fez foi um médico que nunca tinha visto naquele serviço. Perguntou-me se sentia dores, mal começou a fazer o exame. Como tenho muitos folículos é normal andar dorida.
Esta manhã acordei com tonturas e assim tenho estado durante o dia.
Ele disse-me para aguardar para ir ao gabinete da médica. A minha cabeça começou a traçar vários cenários possíveis. O primeiro era de que poderia ser para falar acerca da punção, depois tentei mentalizar-me que por algum motivo a FIV ia ser cancelada, imaginei também que os ovários tinham entrado em colapso e que a situação era irreversível. Como nunca consegui levar um tratamento até ao fim, a minha mente prepara-se mais depressa para um ponto final antes do tempo, do que para um progresso.
Quando entrámos no gabinete uma das médicas perguntou-me a brincar se sentia que estava a explodir. Eu respondi que tinha dores desde terça à noite. Alertou-me logo, receosa, de que não poderá ser feita transferência de embriões neste ciclo, devido à hiperestimulação. Devemos dar tempo aos ovários para recuperarem, até porque o risco de a situação piorar com a transferência é ainda maior.
Compreendo perfeitamente que tenha de ser assim, devemos ser racionais, mais do que nunca.
A punção vai ser feita na próxima segunda-feira. Em termos de terapêutica vou passar para 100 UI de Puregon e Orgalutran, hoje e amanhã. Por causa da hiperestimulação não vou aplicar Pregnyl, mas sim Decapeptyl (2 ampolas de pó para uma de líquido) no sábado, às 22h.
Apesar de sentir cada vez mais dor não consigo deixar de estar feliz!
Estou a hiperestimular e tenho mais de 30 folículos! Não sei dados certos, porque vi a folha de longe e o espaço destinado aos folículos estava totalmente preenchido, sendo que dá para colocar 32 valores.
Ao contrário do que esperava a ecografia não foi dolorosa. Quem a fez foi um médico que nunca tinha visto naquele serviço. Perguntou-me se sentia dores, mal começou a fazer o exame. Como tenho muitos folículos é normal andar dorida.
Esta manhã acordei com tonturas e assim tenho estado durante o dia.
Ele disse-me para aguardar para ir ao gabinete da médica. A minha cabeça começou a traçar vários cenários possíveis. O primeiro era de que poderia ser para falar acerca da punção, depois tentei mentalizar-me que por algum motivo a FIV ia ser cancelada, imaginei também que os ovários tinham entrado em colapso e que a situação era irreversível. Como nunca consegui levar um tratamento até ao fim, a minha mente prepara-se mais depressa para um ponto final antes do tempo, do que para um progresso.
Quando entrámos no gabinete uma das médicas perguntou-me a brincar se sentia que estava a explodir. Eu respondi que tinha dores desde terça à noite. Alertou-me logo, receosa, de que não poderá ser feita transferência de embriões neste ciclo, devido à hiperestimulação. Devemos dar tempo aos ovários para recuperarem, até porque o risco de a situação piorar com a transferência é ainda maior.
Compreendo perfeitamente que tenha de ser assim, devemos ser racionais, mais do que nunca.
A punção vai ser feita na próxima segunda-feira. Em termos de terapêutica vou passar para 100 UI de Puregon e Orgalutran, hoje e amanhã. Por causa da hiperestimulação não vou aplicar Pregnyl, mas sim Decapeptyl (2 ampolas de pó para uma de líquido) no sábado, às 22h.
Apesar de sentir cada vez mais dor não consigo deixar de estar feliz!
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Dia 5 da FIV 1
Nice to meet you, Orgalutran!
Tenho no lado esquerdo da barriga os sinais da invasão do Orgalutran. Vermelhidão local, prurido, uma pequena tumefação na zona da picada. A maior espessura da agulha comparativamente com a do Puregon notou-se na ligeira resistência oferecida aquando iniciei a administração do dito, contudo não foi doloroso.
Sou propensa a desenvolver reações alérgicas a algumas coisas com relativa facilidade e esta foi instantânea. A bula refere para a frequência de casos, especialmente na primeira aplicação.
A minha barriga está a ficar enfeitada com marcas de picas e tons azulados de hematomas.
Amanhã há mais!
Tenho no lado esquerdo da barriga os sinais da invasão do Orgalutran. Vermelhidão local, prurido, uma pequena tumefação na zona da picada. A maior espessura da agulha comparativamente com a do Puregon notou-se na ligeira resistência oferecida aquando iniciei a administração do dito, contudo não foi doloroso.
Sou propensa a desenvolver reações alérgicas a algumas coisas com relativa facilidade e esta foi instantânea. A bula refere para a frequência de casos, especialmente na primeira aplicação.
A minha barriga está a ficar enfeitada com marcas de picas e tons azulados de hematomas.
Amanhã há mais!
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Dia 1 da FIV 1
Fazendo um pequeno rewind à preparação... Iniciei Yasmin no primeiro dia da última menstruação e suspendi 14 dias depois, ou seja, a 5 de fevereiro. Desta vez não tive a hemorragia de privação.
Fomos esta manhã ao HSJ para fazer a ecografia, ter consulta, tirar sangue e ter uma mini-aula acerca de injetáveis.
A única informação que consegui captar durante a ecografia é que o meu endométrio está muito fino. Isso explica a ausência de menstruação.
Na consulta fomos informados acerca das diferenças entre IIU e FIV. Foram-nos também entregues as declarações de consentimento alertando para o risco de hiperestimulação e de gravidez gemelar. Tivemos também de indicar qual o número máximo de embriões a transferir, sendo que a legislação atual permite até três. Devíamos também mencionar se autorizávamos doação de embriões a outros casais inférteis e/ou para efeitos de estudos científicos e, no caso de consentirmos a doação a outros casais, se permitíamos a divulgação da nossa identificação.
Como tenho hipotiroidismo tive de fazer colheita de sangue para avaliar o nível de TSH.
Iniciei hoje o plano de tratamento com 150 UI de Puregon, às 21 horas. No dia 14, à mesma hora, começarei também a administrar Orgalutran. A partir de domingo serão então duas injeções, cada uma de um lado diferente da barriga.
No dia 16 farei ecografia de monitorização.
O Orgalutran vem em seringas individuais, com a preparação já feita. O maior cuidado a ter é na remoção do ar contido na ampola.
Para quem não tem uma ideia dos preços dos injetáveis aqui ficam os montantes dos que mencionei acima, com todas as comparticipações previstas:
Puregon 900 UI - 98,79€
Orgalutran 0,25 mg - 48,66€
Continuo a tomar Dikirogen que tem um custo aproximado de 35€/mês.
Vivi esta manhã com um distanciamento maior do que imaginava há um ano, pois a minha cabeça estava naquilo que se passava no seio familiar, com a morte da minha avó. A maior preocupação era conseguir sair do hospital a horas decentes para poder fazer a viagem até à terra e ir ao funeral.
Fomos esta manhã ao HSJ para fazer a ecografia, ter consulta, tirar sangue e ter uma mini-aula acerca de injetáveis.
A única informação que consegui captar durante a ecografia é que o meu endométrio está muito fino. Isso explica a ausência de menstruação.
Na consulta fomos informados acerca das diferenças entre IIU e FIV. Foram-nos também entregues as declarações de consentimento alertando para o risco de hiperestimulação e de gravidez gemelar. Tivemos também de indicar qual o número máximo de embriões a transferir, sendo que a legislação atual permite até três. Devíamos também mencionar se autorizávamos doação de embriões a outros casais inférteis e/ou para efeitos de estudos científicos e, no caso de consentirmos a doação a outros casais, se permitíamos a divulgação da nossa identificação.
Como tenho hipotiroidismo tive de fazer colheita de sangue para avaliar o nível de TSH.
Iniciei hoje o plano de tratamento com 150 UI de Puregon, às 21 horas. No dia 14, à mesma hora, começarei também a administrar Orgalutran. A partir de domingo serão então duas injeções, cada uma de um lado diferente da barriga.
No dia 16 farei ecografia de monitorização.
O Orgalutran vem em seringas individuais, com a preparação já feita. O maior cuidado a ter é na remoção do ar contido na ampola.
Para quem não tem uma ideia dos preços dos injetáveis aqui ficam os montantes dos que mencionei acima, com todas as comparticipações previstas:
Puregon 900 UI - 98,79€
Orgalutran 0,25 mg - 48,66€
Continuo a tomar Dikirogen que tem um custo aproximado de 35€/mês.
Vivi esta manhã com um distanciamento maior do que imaginava há um ano, pois a minha cabeça estava naquilo que se passava no seio familiar, com a morte da minha avó. A maior preocupação era conseguir sair do hospital a horas decentes para poder fazer a viagem até à terra e ir ao funeral.
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