Nos últimos anos tenho feito o controlo da função tiroideia no hospital, sempre que realizo algum tratamento ou através da médica de família, uma vez que tudo se tem mantido regular.
Há uns meses houve um problema na distribuição do Eutirox pelas farmácias, levando a que este esgotasse em muitas das dosagens que existem. Tomo o Eutirox 100 há uma dúzia de anos ou provavelmente mais. Antes disso era o Thyrax. Esse problema da falta de disponibilidade acabou por me afetar. A hipótese mais razoável que havia para conseguir garantir a dosagem de 100 microgramas de tiroxina sódica, da mesma marca, era adquirir uma embalagem de Eutirox 50 e, em vez de tomar 1 comprimido como faço habitualmente, tomaria 2 para a concentração estar correta. Foi essa opção que tomei e enquanto isso generalizaram-se rumores de que o Eutirox iria sair do mercado. Face a essa (des)informação decidi marcar consulta num novo endocrinologista para saber que medicamento passaria a tomar no caso do Eutirox deixar de ser comercializado. O profissional que escolhi tem como áreas de diferenciação assuntos que me pareciam mais valias para mim como amenorreia, hirsutismo, obesidade, diabetes. Quando terminei a embalagem de Eutirox 50 fui à farmácia, mentalizada para a possibilidade de já nem sequer haver esse disponível. Acabou afinal por voltar a ser feita reposição do 100. Ainda pensei em cancelar a consulta agendada pelo facto de o medicamento estar novamente no mercado mas optei por ir na mesma ao médico. Achei que deveria fazê-lo. Realizada a anamnese em que viajei novamente desde 1995 até à altura em que foi diagnosticado o hipotiroidismo, acabei por falar inevitavelmente da infertilidade. Saí do consultório com uma requisição de análises e uma receita de 3 caixas de Eutirox 100, pois dada a regularidade que persiste há mais de uma década, não seria de prever nenhuma alteração de relevo na TSH. Segundo o médico continuam a existir problemas na venda de algumas dosagens de Eutirox. Comprando as 3 embalagens ficaria abastecida para meio ano, precavendo assim rupturas de stock. Em relação às análises, além da função tiroideia o endocrinologista pediu um estudo da resistência à insulina, algo que nunca foi feito nestes 24 anos em que os problemas hormonais entraram na minha rotina.
Fiz a colheita e os resultados ficaram prontos ontem. Para minha surpresa a TSH está aumentada, um valor de 5,629 quando a referência é entre 0,550 e 4,780. A situação é inédita nestes anos todos depois de me ter mantido estável tanto tempo. Era a última coisa que esperava nesta altura do campeonato. Em relação à insulina e hemoglobina glicosada, penso que entendi o que significam as alterações, mas estou à espera do parecer do médico e a contar com a possibilidade de precisar de metformina. Enviei hoje um mail ao endocrinologista com relatórios de exames que tinha feito no passado e aguardo que me responda o mais rápido possível, porque a questão da TSH não devia estar a preocupar-me nesta altura.
Se for feita uma estimulação com TSH em excesso, o líquido folicular vai conter uma concentração muito elevada dessa hormona, prejudicando a maturação dos ovócitos. Tenho de começar imediatamente a fazer o acerto da tiroxina para não comprometer a colheita de ovócitos. Durante anos tomei bombas hormonais que não afetaram em nada a tiróide. Este ano, que não fiz nenhum tratamento, sou apanhada de surpresa com este desequilíbrio. Não consigo explicar...
Logo que o endocrinologista dê alguma resposta vou enviar também um mail ao Dr. JL da CUF Descobertas para saber se tem alguma recomendação para a fase da estimulação e/ou para a altura da preparação de uma eventual TEC.
Em relação ao tornozelo as coisas estão um pouco em stand-by, porque vou fazer uma RMN na próxima semana. Já não uso as canadianas mas isto não está muito bom. O ortopedista suspeita, pelo que viu no raio-X, que poderá haver uma fissura (não é este o termo correto). Vou continuar com a ortótese e mediante o exame, será definido o plano de fisioterapia.
O ano foi bastante pacífico em comparação com os anteriores. Não teve tempos infinitos passados em salas de espera, a correria entre as idas ao hospital e o trabalho, o estabelecimento de rotinas em que tomava uma variedade considerável de fármacos ou administração de injeções, as desilusões. Há muito tempo que o meu quotidiano não consistia em apenas tomar o Eutirox, que é uma necessidade que me vai acompanhar sempre. Os próximos meses vão ser intensos. Para ser diferente, acresce à PGT-A a recuperação desta entorse complicada.
O desenrolar do processo inerente à PGT-A dá para traduzir num fluxograma. Vários cenários podem acontecer e só há uma ramificação possível que chega ao sucesso. Todas as outras condições vão ter ao fracasso.
Estou de certa forma consciente que vai terminar como começou, ou seja, sem nada. É o mais provável. A chegada do fim está a trazer-me várias inseguranças. Não consegui ainda definir o que vou fazer depois disto, que metas traçar para o meu futuro. Sei que quero compensar os anos em que abdiquei de mim para realizar algo significativo por mim. Acho que tenho valor, contudo não tem sido aproveitado como realmente mereço. Foi uma opção que fiz para poder estar disponível todas as horas que dediquei à infertilidade.
Vou entrar na quarta década de vida. Estou a atribuir uma maior responsabilidade a essa transição do que quando entrei nos trinta, não sei porquê.
Como se pode ver, tenho um turbilhão dentro de mim. Preciso de me encontrar.
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quinta-feira, 29 de agosto de 2019
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Datas
O plano de ataque está definido. Vou tomar pílula contínua até dia 18 de setembro e dia 23 de setembro temos de estar no hospital às 8h30, prontos para passar lá a manhã inteira. Esse é o dia do arranque das injeções. Realizada a estimulação - hiper, certamente - segue-se a punção e o desenvolvimento dos embriões até D5 (os novos e os dois que ainda tenho congelados em D3). Nessa altura é feita a biópsia aos mini-nós e a criopreservação dos mesmos. O departamento de Genética entra em ação e fará o rastreio de aneuploidias. Um mês a um mês e meio depois sabe-se o resultado e, correndo tudo de feição, prepara-se a TEC.
Poderá vir a ser o terceiro ano consecutivo em que a chegada da época natalícia é marcada por uma transferência. As últimas duas vezes não me deixaram boas memórias. Se chegar ao ponto de ter algum embrião para transferir, já será uma boa notícia. Pelas minhas contas, se houver TEC, saberei o resultado do beta o mais tardar na véspera de Natal.
Estes próximos 4 meses vão passar a voar. Enquanto isso irei provavelmente fazer fisioterapia mas só vou ter a certeza dos planos para o meu pé na próxima semana. A propósito do pé e tornozelo, atualmente as suas cores abrangem uma paleta vasta. A minha irmã diz que é uma espécie de unicórnio em que só falta o verde. Preocupa-me é que a mínima pressão em pontos específicos ainda causa dor acentuada. Aguarda-me um longo período de recuperação.
Poderá vir a ser o terceiro ano consecutivo em que a chegada da época natalícia é marcada por uma transferência. As últimas duas vezes não me deixaram boas memórias. Se chegar ao ponto de ter algum embrião para transferir, já será uma boa notícia. Pelas minhas contas, se houver TEC, saberei o resultado do beta o mais tardar na véspera de Natal.
Estes próximos 4 meses vão passar a voar. Enquanto isso irei provavelmente fazer fisioterapia mas só vou ter a certeza dos planos para o meu pé na próxima semana. A propósito do pé e tornozelo, atualmente as suas cores abrangem uma paleta vasta. A minha irmã diz que é uma espécie de unicórnio em que só falta o verde. Preocupa-me é que a mínima pressão em pontos específicos ainda causa dor acentuada. Aguarda-me um longo período de recuperação.
terça-feira, 16 de abril de 2019
Não será também aos 39...
Pelo andar da carruagem não será aos 39 anos que serei mãe, nem em qualquer outra idade, tenho de me convencer disso. Não considero que tenha adiado a maternidade. Estou fora das estatísticas relativas à média de idade em que atualmente se investe nos projetos de parentalidade, fora das tentativas necessárias para se conseguir levar a uma gravidez a bom porto, fora do número médio de perdas gestacionais que afeta cada mulher, fora de muita coisa que envolve (in)fertilidade. Se a diferença nos pode tornar cool, esta é particularmente irritante e arrasadora. Se calhar já devia ter posto um termo a esta tortura há muito tempo. Aquilo que pode ser conotado a força, no meu caso poderá ser mera estupidez, é a conclusão a que chego.
domingo, 10 de março de 2019
Quem diria?!
Quem diria que 1 ano e 2 dias depois, seria surpreendida com a chegada da dita cuja que me falhou mais de 20 anos? Há umas semanas, não mais de duas, senti durante uns dias umas dores ligeiras no fundo das costas, como quando se está com o período. Achei estranho, mas como não visualizei nada, não dei importância. Hoje o alerta vermelho deu sinal e as dores são claramente menstruais. Fiz a aspiração em dezembro de 2017 e no dia da Mulher que se seguiu, fui contemplada com a chegada desse fenómeno que é a menstruação espontânea. Desta vez parei o Progeffik em dezembro, após o fim da gravidez e volto a dar de caras com uma realidade que me era desconhecida. O ET de 39 anos está cada vez mais estranho. A maior surpresa de todas era engravidar espontaneamente ou conseguir levar uma gravidez até ao fim.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Expect the unexpected
A reunião foi intensa. Basicamente foi para darmos o nosso aval para participarmos em algo que vai começar a ser realizado no HSJ - PGT-A. Esta sigla substitui a que era usada antes na técnica de PGS. Pelo que me parece os critérios de acesso serão uma idade a partir dos 38 anos e falhas sucessivas de implantação. Pretende-se verificar a existência de aneuploidias nos embriões e evitar que esses que têm anomalias sejam transferidos provocando grande desgaste no casal. As médicas estão inclinadas para que a maioria dos nossos mini-nós tenha anomalias tendo em conta o número elevado de transferências mal sucedidas e os valores sempre baixos de beta-hCG.
A Diretora já tinha falado comigo sobre esta técnica quando falhou a TEC 4, mas na altura ela referiu que era apenas possível realizar no privado e o valor rondava os 10 mil euros. Para nos terem sugerido esta solução hoje, é porque o SNS deve estar a autorizar o procedimento.
A médica disse que a realização da técnica é muito recente no hospital, está praticamente em fase experimental, pelo que só em abril se partirá para o ataque. A minha participação no entanto vai ter um custo que é uma nova (hiper)estimulação. Neste momento tenho dois embriões D3 que daqui a algum tempo serão descongelados até atingirem D5 para poderem ser biopsados. A próxima estimulação será preparada no sentido de se obter o maior número possível de pequenotes e simultaneamente tentar não entrar em colapso com o descontrolo dos ovários. Os embriões resultantes daí vão também desenvolver até D5. Depois é aguardar uns tempos pelo resultado, recuperar do estado explosivo em que vou estar e ver se as minhas células e as do meu respetivo fizeram magia boa ou da negra.
Falei a respeito da consulta de amanhã e o motivo de a ter marcado. Vai haver uma espécie de sinergia em que irei dar feedback do que acontecerá em Lisboa para que todos possamos andar para a frente e arrumar este assunto. A escolha para a unidade pública que estaria ao meu lado nesta jornada, foi a mais acertada. Sempre achei que um dia ia chegar a essa conclusão. Mesmo que não dê em nada.
Agora burocracias... Num dos posts anteriores mencionei que pedi fotocópias dos exames que tinha feito no hospital para poder levar amanhã à capital. Pois, não recebi nada. Falei com a minha querida Super S. da receção e ela disse que não chegou nenhum pedido à Medicina de Reprodução. Fomos ao balcão do RAI onde tínhamos efetuado a requisição e não havia nada pronto. Já passava das 14 horas, ainda não tínhamos almoçado e a senhora que nos atendeu fez umas chamadas para tentar perceber o que se passava. Disse-nos que, se até às 15 horas ninguém nos telefonasse, poderíamos passar lá novamente às 15h30 para trazer algumas fotocópias que entretanto tivessem tirado. Às 15h20 ligaram-nos a dizer que havia alguns documentos que podíamos levantar. Não veio tudo. Do meu marido entregaram 6 cópias (dele não deve haver mais nada), minhas foram 40 fotocópias e um CD. Algum dia recebemos o resto. Pelo menos já veio o que mais queria.
Agora vou descansar, porque daqui a umas horas estou novamente acordada. Nem sei se vou dormir em condições. Já não vou a Lisboa há bastante tempo e, numa das últimas vezes que lá estive choveu torrencialmente. Amanhã vai ser um dia deveras abençoado.
A Diretora já tinha falado comigo sobre esta técnica quando falhou a TEC 4, mas na altura ela referiu que era apenas possível realizar no privado e o valor rondava os 10 mil euros. Para nos terem sugerido esta solução hoje, é porque o SNS deve estar a autorizar o procedimento.
A médica disse que a realização da técnica é muito recente no hospital, está praticamente em fase experimental, pelo que só em abril se partirá para o ataque. A minha participação no entanto vai ter um custo que é uma nova (hiper)estimulação. Neste momento tenho dois embriões D3 que daqui a algum tempo serão descongelados até atingirem D5 para poderem ser biopsados. A próxima estimulação será preparada no sentido de se obter o maior número possível de pequenotes e simultaneamente tentar não entrar em colapso com o descontrolo dos ovários. Os embriões resultantes daí vão também desenvolver até D5. Depois é aguardar uns tempos pelo resultado, recuperar do estado explosivo em que vou estar e ver se as minhas células e as do meu respetivo fizeram magia boa ou da negra.
Falei a respeito da consulta de amanhã e o motivo de a ter marcado. Vai haver uma espécie de sinergia em que irei dar feedback do que acontecerá em Lisboa para que todos possamos andar para a frente e arrumar este assunto. A escolha para a unidade pública que estaria ao meu lado nesta jornada, foi a mais acertada. Sempre achei que um dia ia chegar a essa conclusão. Mesmo que não dê em nada.
Agora burocracias... Num dos posts anteriores mencionei que pedi fotocópias dos exames que tinha feito no hospital para poder levar amanhã à capital. Pois, não recebi nada. Falei com a minha querida Super S. da receção e ela disse que não chegou nenhum pedido à Medicina de Reprodução. Fomos ao balcão do RAI onde tínhamos efetuado a requisição e não havia nada pronto. Já passava das 14 horas, ainda não tínhamos almoçado e a senhora que nos atendeu fez umas chamadas para tentar perceber o que se passava. Disse-nos que, se até às 15 horas ninguém nos telefonasse, poderíamos passar lá novamente às 15h30 para trazer algumas fotocópias que entretanto tivessem tirado. Às 15h20 ligaram-nos a dizer que havia alguns documentos que podíamos levantar. Não veio tudo. Do meu marido entregaram 6 cópias (dele não deve haver mais nada), minhas foram 40 fotocópias e um CD. Algum dia recebemos o resto. Pelo menos já veio o que mais queria.
Agora vou descansar, porque daqui a umas horas estou novamente acordada. Nem sei se vou dormir em condições. Já não vou a Lisboa há bastante tempo e, numa das últimas vezes que lá estive choveu torrencialmente. Amanhã vai ser um dia deveras abençoado.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
Chamada inesperada
Esta tarde, após as 15 horas, o meu telemóvel deu sinal de atividade vinda do HSJ. Pensei que fosse para informar que as fotocópias que solicitámos estavam prontas, mas o motivo era outro. A equipa analisou o processo e querem reunir connosco no dia 31 (véspera da consulta na CUF Descobertas). Não faço ideia do teor da conversa quando há ainda dois embriões congelados e até ao momento não houve esse tipo de iniciativa. Espero que não seja uma espécie de inquirição por irmos a Lisboa, como se estivéssemos a passar algum atestado de incompetência à equipa ou ao hospital. Pretendo, com a opinião de alguém externo, conciliar estratégias/ideias e não segmentá-las, para que haja coerência de procedimentos com um único fim.
Admito que há pormenores que não me têm deixado totalmente satisfeita com o acompanhamento e sei que os mesmos aconteceram por entupimento do serviço. Falarei sobre eles à Diretora se considerar oportuno. Esses detalhes não põem em causa as capacidades técnicas ou o domínio científico da equipa médica mas ajudam a rotular negativamente o serviço público. Ainda nem sequer estava estabelecido o plano de termos filhos, eu já tinha eleito o HSJ como o local onde queria ver concretizado o desejo de maternidade. Não me perguntem o porquê de ser lá e não noutro centro público aqui da zona, não sei explicar. Nunca cogitei que o CMIN, o Centro Hospitalar de Gaia ou o Hospital de Guimarães tivessem resolvido o meu problema alienígeno. Há algo anormal em mim, só quero ver se outra mente pensa fora da caixa.
Tenho lido tanto ao longo dos anos, à procura de pistas, respostas, casos semelhantes ao meu, mas desde há uns meses fui vencida pela exaustão. Mais uma vez corroboro que vai haver um fim, não muito distante, em que poderei respirar fundo, eventualmente chorar, fazer o luto do tempo que dediquei à infertilidade, fazer o luto pelos meus filhos, libertar-me destas amarras e redefinir objetivos para a vida.
Admito que há pormenores que não me têm deixado totalmente satisfeita com o acompanhamento e sei que os mesmos aconteceram por entupimento do serviço. Falarei sobre eles à Diretora se considerar oportuno. Esses detalhes não põem em causa as capacidades técnicas ou o domínio científico da equipa médica mas ajudam a rotular negativamente o serviço público. Ainda nem sequer estava estabelecido o plano de termos filhos, eu já tinha eleito o HSJ como o local onde queria ver concretizado o desejo de maternidade. Não me perguntem o porquê de ser lá e não noutro centro público aqui da zona, não sei explicar. Nunca cogitei que o CMIN, o Centro Hospitalar de Gaia ou o Hospital de Guimarães tivessem resolvido o meu problema alienígeno. Há algo anormal em mim, só quero ver se outra mente pensa fora da caixa.
Tenho lido tanto ao longo dos anos, à procura de pistas, respostas, casos semelhantes ao meu, mas desde há uns meses fui vencida pela exaustão. Mais uma vez corroboro que vai haver um fim, não muito distante, em que poderei respirar fundo, eventualmente chorar, fazer o luto do tempo que dediquei à infertilidade, fazer o luto pelos meus filhos, libertar-me destas amarras e redefinir objetivos para a vida.
domingo, 13 de janeiro de 2019
39
Ontem entrei nos 39 anos. Não estava entusiasmada, nem tive muito tempo para celebrar a data. Ainda imaginei que hoje pudesse dedicar-me ao ócio e sentir o sol de inverno a alimentar-me com vitamina D mas não tal não será possível. O improviso que comanda a "rotina" e me impede até de planear as 24 horas do próprio dia ditam que este não é definitivamente um fim de semana em que possa fazer algo por e para mim. Pode ser que nos 40 seja diferente. Estou viva e pronta para continuar a enfrentar o futuro, é o que interessa.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
Atualização
Não deve faltar muito para me despedir do meu pequeno. Desde ontem à noite a tonalidade rosada tem feito parte da minha rotina. Também é típico desta altura, após o beta. As minhas perdas gestacionais têm sido precedidas por uma maior atividade intestinal e só agora é que estou a fazer essa associação, porque está a voltar a acontecer. Desde que comecei a ter os sinais coloridos, na semana passada, saio sempre de casa com um penso Tena Lady, daqueles bem generosos, para não ser apanhada desprevenida. Normalmente os episódios infelizes têm acontecido ao domingo, ao final da tarde. Da segunda vez estava na terrinha, em casa da minha mãe e na terceira vez, no meu lar.
Não me sinto segura nem motivada para tratar de assuntos natalícios. Tenho saído praticamente apenas para trabalhar, evitando andar sem necessidade, não vá o problema ser excesso de movimento. Desde que fiz esta transferência tenho sido mais comedida na minha atividade diária, em relação às outras vezes, no entanto não está a surtir efeito.
Isto está a tornar-se um maldito hábito que não fica mais fácil de aceitar. Não me conformo, é impossível encolher os ombros por achar que simplesmente aconteceu ou porque estava destinado ser assim.
Não me sinto segura nem motivada para tratar de assuntos natalícios. Tenho saído praticamente apenas para trabalhar, evitando andar sem necessidade, não vá o problema ser excesso de movimento. Desde que fiz esta transferência tenho sido mais comedida na minha atividade diária, em relação às outras vezes, no entanto não está a surtir efeito.
Isto está a tornar-se um maldito hábito que não fica mais fácil de aceitar. Não me conformo, é impossível encolher os ombros por achar que simplesmente aconteceu ou porque estava destinado ser assim.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
Ideias soltas
Trabalhei todo o dia sem grande oportunidade para pensar no que está a acontecer, porque sou completa e constantemente absorvida e solicitada, o tempo integral. Quando cheguei a casa apercebi-me da minha exaustão. Estou cansada a vários níveis e desapontada comigo. Vou perdendo a capacidade de tomar decisões, porque não sei para onde me virar. Isto está a chegar a um nível anedótico e completamente ridículo.
Mais uma vez está a ocorrer um padrão. Na primeira TEC das FIV 1 e 2 os resultados foram negativos. Na segunda TEC de ambas as FIV os beta-hCG foram na ordem dos trinta e tal. Que ironias mais parvas e sem lógica nenhuma. Essas comparações não acrescentam nada a este mistério das gravidezes relâmpago. Se realmente se confirmar que se trata de outra gravidez bioquímica, desejo ao menos que o assunto encerre rapidamente para tentar passar um Natal mais despreocupado que o ano passado.
Hoje a tensão mamária está a fazer-se sentir com mais intensidade para me lembrar que só vai parar quando menstruar. Este constante incha e desincha provocado pela medicação irrita-me pela quantidade de vezes que aconteceu sem servir de nada. Não funciono pela via natural nem pela artificial. Com os embriões de FIV, o processo mais natural desta história, a novela terminou. Restam os dois manipulados (fruto de ICSI) que não sei no que podem dar.
Vou repousar, o meu cérebro está a entrar em modo de suspensão.
Mais uma vez está a ocorrer um padrão. Na primeira TEC das FIV 1 e 2 os resultados foram negativos. Na segunda TEC de ambas as FIV os beta-hCG foram na ordem dos trinta e tal. Que ironias mais parvas e sem lógica nenhuma. Essas comparações não acrescentam nada a este mistério das gravidezes relâmpago. Se realmente se confirmar que se trata de outra gravidez bioquímica, desejo ao menos que o assunto encerre rapidamente para tentar passar um Natal mais despreocupado que o ano passado.
Hoje a tensão mamária está a fazer-se sentir com mais intensidade para me lembrar que só vai parar quando menstruar. Este constante incha e desincha provocado pela medicação irrita-me pela quantidade de vezes que aconteceu sem servir de nada. Não funciono pela via natural nem pela artificial. Com os embriões de FIV, o processo mais natural desta história, a novela terminou. Restam os dois manipulados (fruto de ICSI) que não sei no que podem dar.
Vou repousar, o meu cérebro está a entrar em modo de suspensão.
domingo, 11 de novembro de 2018
Lovenox - a estreia
Em fim-de-semana de castanhas, mau tempo, frio e constipação, estreei-me ontem na administração daquele que quero que me acompanhe durante os próximos 12 meses. Ansiei por este momento, ao longo de TECs consecutivas, e esta alteração de protocolo trouxe-me alguma esperança. Poderá não passar de mais um balde de água fria. Tenho, contudo, de me agarrar a qualquer coisa que me tire desta descrença em mim que transformou uma parte significativa do tempo que tenho passado aqui pelo planeta.
A primeira marca já cá canta, pequena, redondinha e vermelha. Vou tornar-me numa espécie de caderneta onde vou colecionar cromos coloridos de diferentes tamanhos. Nada disso me importa, para ser sincera.
Atualmente encontro-me a tomar dois comprimidos de Estrofem, ácido fólico, aspirina 150 mg, Lovenox 40 e o meu bom e velho amigo Eutirox que há-de perecer comigo.
Sexta-feira, dia 16, farei mais uma ecografia. Estou a adiantar trabalho na medida do possível, porque prevejo que a TEC vá coincidir com mais um pico de trabalho e stress. Nessa altura terei de abrandar o ritmo de alguma forma, daí estar a preparar material para todos os contratempos que surgem quando a atividade laboral está ao rubro.
A primeira marca já cá canta, pequena, redondinha e vermelha. Vou tornar-me numa espécie de caderneta onde vou colecionar cromos coloridos de diferentes tamanhos. Nada disso me importa, para ser sincera.
Atualmente encontro-me a tomar dois comprimidos de Estrofem, ácido fólico, aspirina 150 mg, Lovenox 40 e o meu bom e velho amigo Eutirox que há-de perecer comigo.
Sexta-feira, dia 16, farei mais uma ecografia. Estou a adiantar trabalho na medida do possível, porque prevejo que a TEC vá coincidir com mais um pico de trabalho e stress. Nessa altura terei de abrandar o ritmo de alguma forma, daí estar a preparar material para todos os contratempos que surgem quando a atividade laboral está ao rubro.
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
7 anos
Como me custa perceber que passou tanto tempo... Este fardo está cada vez mais pesado e desconexo. Gostava de olhar para trás e não me arrepender de ter dedicado estes anos todos a uma utopia pois, até ao momento, não passa disso. É normal ao longo da vida realizarem-se sacrifícios em prol de um objetivo. A frustração acontece quando se constata que de nada vale a dedicação e persistência se o propósito não é atingido. Estou frustrada há muito tempo.
Não sei como será o meu estado de espírito daqui a um ano, se estarei a escrever um post intitulado "8 anos". De uma coisa tenho a certeza, não sou a mesma pessoa que era em novembro de 2011. Estou diferente, não sei se melhor ou pior.
Não sei como será o meu estado de espírito daqui a um ano, se estarei a escrever um post intitulado "8 anos". De uma coisa tenho a certeza, não sou a mesma pessoa que era em novembro de 2011. Estou diferente, não sei se melhor ou pior.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Enfim contactada!
Classifico estes últimos 4 meses como um slow motion que parecia não terminar. Finalmente a equipa viu, reviu, remexeu, fez malabarismos com o meu processo. Nesta manhã em que tentei diversas vezes ligar para o hospital sem sucesso, quando pegava nas minhas coisas para vir almoçar a casa, o meu telemóvel estava a vibrar. Vi que a chamada era do hospital. Atendi imediatamente e do outro lado falava uma das enfermeiras do serviço. Disse-me para eu organizar a minha vida e escolher quando queria ir ao hospital. Quando tivesse definido data ligaria depois para o HSJ. Respondi na hora que amanhã ou sexta estava perfeito. Viram a agenda para amanhã e ficou marcada ecografia para as 10h para se poder tratar da preparação da TEC. Numa das vezes que contactei para saber se havia notícias dei a indicação que a última vez que menstruei foi quando parei o Progeffik (após o negativo da TEC 6). A enfermeira viu essa anotação e assim evitou-se o questionário do costume.
Fiquei com a pulga atrás da orelha e com a sensação que nada de novo vai ser feito. Pode ser impressão minha mas amanhã já esclareço as dúvidas.
Ando há uns dias com a minha gastrite de estimação on fire. Desta vez sei que é do stress causado tanto pelo trabalho, como pelo vazio de notícias neste tempo todo. À partida, do ponto de vista laboral, as próximas duas semanas vão ser um bocadinho mais calmas para contrastar com o constante reset cerebral e as mil e uma solicitações em simultâneo que a minha atividade exigiu no último mês.
Espero manter-me serena a todos os níveis.
Fiquei com a pulga atrás da orelha e com a sensação que nada de novo vai ser feito. Pode ser impressão minha mas amanhã já esclareço as dúvidas.
Ando há uns dias com a minha gastrite de estimação on fire. Desta vez sei que é do stress causado tanto pelo trabalho, como pelo vazio de notícias neste tempo todo. À partida, do ponto de vista laboral, as próximas duas semanas vão ser um bocadinho mais calmas para contrastar com o constante reset cerebral e as mil e uma solicitações em simultâneo que a minha atividade exigiu no último mês.
Espero manter-me serena a todos os níveis.
terça-feira, 17 de julho de 2018
40 semanas
Era uma vez um casal que, um dia após ter contraído matrimónio, realizou mais uma transferência de embriões. Esse ato médico resultou na terceira gravidez, desse mesmo casal, num intervalo de 13 meses. Hoje, algures no mundo, alguém completa 40 semanas desse estado de graça. Não é o casal referido no início, porque a Mãe Natureza (soberana) entendeu que eles não o merecem.
domingo, 6 de maio de 2018
Balanço gelado
Hoje, dia da Mãe, recebi notícias.
O balanço final é de 4 mini-nós criopreservados ao terceiro dia, a iniciar a compactação. Segundo a bióloga são mesmo muito bons. Os restantes permaneceram em cultura até D5 mas não apresentaram qualidade suficiente para serem congelados. Os 4 resistentes destacaram-se, sem qualquer dúvida, em relação aos restantes 11. Perguntei o motivo de ser realizada microinjeção em alguns. Como viram o meu historial de insucesso, acharam que a ICSI poderia trazer benefícios na qualidade dos embriões, dado que na última vez resultaram todos de FIV. No quarteto há 2 mini-nós fruto da FIV (um classe A e outro classe B) e os outros 2 resultaram da ICSI e são classe A. Verificaram também que em relação ao resultado do espermograma que o meu marido realizou (há 5 anos), os valores atuais encontram-se no limite do necessário para que haja taxa de sucesso. A bióloga é da opinião que ainda não terá condicionado a fecundação.
Estou entusiasmada e preocupada ao mesmo tempo. Apesar da minha determinação em transferir um embrião de cada vez, penso sempre no que poderá acontecer ao proceder à descongelação. O fim está mesmo próximo e tenho de me mentalizar que pode ocorrer a situação de não haver sequer uma TEC daqui a uns 3 meses. No máximo, em aproximadamente um ano, termina este tormento. Doravante cada etapa pode ser a última oportunidade. É assustador perceber isso, por outro lado aproximo-me do ponto em que digo "acabou a tortura".
Aproveito muitas vezes o sossego da noite para pensar, pensar, pensar e hoje não foi exceção. Refleti sobre como será a dinâmica cá em casa, daqui a um ano. Imagino que poderão ser alteradas algumas coisas na casa que comprámos a pensar na possibilidade da nossa família alargar. À medida que os filmes vão passando há sempre uma vozinha irritante a dizer que sou uma parva, porque não vai ser preciso fazer nada. Que esta FIV/ICSI é só para me dar mais uma lição que eu não tenho direito a ser Mãe. Que andei a perder anos de sanidade mental e a transfigurar-me apenas por uma ideia. Que pensarei sempre em como seriam os filhos que perdi e questionarei se teria capacidade para os ajudar a serem íntegros e felizes. Que houve magia 28 vezes no ambiente estéril de um laboratório só para me magoar, porque não me era destinada a maternidade. Como odeio essa vozinha!
Perdoem-me mas não consigo pronunciar-me sobre a efeméride. É melindroso fazê-lo sem magoar alguém. Um conselho para quem está no mesmo barco que eu e queira que as horas passem a voar para que chegue o dia de amanhã: desliguem-se das redes sociais e dos meios de comunicação, em geral. Esqueçam este blogue por hoje.
O balanço final é de 4 mini-nós criopreservados ao terceiro dia, a iniciar a compactação. Segundo a bióloga são mesmo muito bons. Os restantes permaneceram em cultura até D5 mas não apresentaram qualidade suficiente para serem congelados. Os 4 resistentes destacaram-se, sem qualquer dúvida, em relação aos restantes 11. Perguntei o motivo de ser realizada microinjeção em alguns. Como viram o meu historial de insucesso, acharam que a ICSI poderia trazer benefícios na qualidade dos embriões, dado que na última vez resultaram todos de FIV. No quarteto há 2 mini-nós fruto da FIV (um classe A e outro classe B) e os outros 2 resultaram da ICSI e são classe A. Verificaram também que em relação ao resultado do espermograma que o meu marido realizou (há 5 anos), os valores atuais encontram-se no limite do necessário para que haja taxa de sucesso. A bióloga é da opinião que ainda não terá condicionado a fecundação.
Estou entusiasmada e preocupada ao mesmo tempo. Apesar da minha determinação em transferir um embrião de cada vez, penso sempre no que poderá acontecer ao proceder à descongelação. O fim está mesmo próximo e tenho de me mentalizar que pode ocorrer a situação de não haver sequer uma TEC daqui a uns 3 meses. No máximo, em aproximadamente um ano, termina este tormento. Doravante cada etapa pode ser a última oportunidade. É assustador perceber isso, por outro lado aproximo-me do ponto em que digo "acabou a tortura".
Aproveito muitas vezes o sossego da noite para pensar, pensar, pensar e hoje não foi exceção. Refleti sobre como será a dinâmica cá em casa, daqui a um ano. Imagino que poderão ser alteradas algumas coisas na casa que comprámos a pensar na possibilidade da nossa família alargar. À medida que os filmes vão passando há sempre uma vozinha irritante a dizer que sou uma parva, porque não vai ser preciso fazer nada. Que esta FIV/ICSI é só para me dar mais uma lição que eu não tenho direito a ser Mãe. Que andei a perder anos de sanidade mental e a transfigurar-me apenas por uma ideia. Que pensarei sempre em como seriam os filhos que perdi e questionarei se teria capacidade para os ajudar a serem íntegros e felizes. Que houve magia 28 vezes no ambiente estéril de um laboratório só para me magoar, porque não me era destinada a maternidade. Como odeio essa vozinha!
Perdoem-me mas não consigo pronunciar-me sobre a efeméride. É melindroso fazê-lo sem magoar alguém. Um conselho para quem está no mesmo barco que eu e queira que as horas passem a voar para que chegue o dia de amanhã: desliguem-se das redes sociais e dos meios de comunicação, em geral. Esqueçam este blogue por hoje.
terça-feira, 1 de maio de 2018
Fecundação
Soube há pouco novidades acerca das pequeninas vidas que se geraram desde o inferno que passei ontem e que ainda está ativo.
Dos 28 oócitos maduros recolhidos, 5 foram microinjetados e os restantes deixados autonomamente a trabalhar juntamente com os espermatozóides do maridão. O balanço, para já, é de 15 mini-nós a lutarem para se manter firmes e saudáveis até ao 3° dia e serem posteriormente colocados no fresco do azoto. Estou feliz por haver embriões, no entanto a quantidade perdeu significado depois de tudo o que aconteceu.
Esta punção bateu a anterior no que diz respeito a sofrimento. O dia de ontem foi muito difícil. Além de toda a dor que invadiu o meu corpo desde as costelas à pélvis, estou pisada no maxilar, dos dois lados, nas extremidades próximas dos lóbulos das orelhas. Parece que fui esmurrada de cada lado. A cor da pele está normal, não há inchaço, mas mal toco lá, que dores! Durante parte da noite tive de manter o tórax elevado com uma almofada adicional, porque tinha dificuldade a respirar. Era difícil permanecer na vertical. Por três vezes tive vontade de espirrar. Felizmente as tentativas falharam, pois o ato de encher o peito de ar para expulsar os espirros deram para antever a violência que se ia gerar nas entranhas. Hoje estou ligeiramente melhor mas longe de me sentir em condições para fazer uma vida normal. Continuo de repouso na cama, quietinha, é onde me sinto melhor.
É dia de aniversário para mim e o meu marido. Só há pouco é que me lembrei disso. Há 9 anos não imaginava que fosse estar assim neste dia. Estou a sofrer, mais uma vez, para lá do limite do razoável, a pensar que muito provavelmente este sacrifício não vai ser compensado. Ando a penar há anos por uma ideia que se calhar não passará disso. Tratar a infertilidade para mim dói a todos os níveis.
Dos 28 oócitos maduros recolhidos, 5 foram microinjetados e os restantes deixados autonomamente a trabalhar juntamente com os espermatozóides do maridão. O balanço, para já, é de 15 mini-nós a lutarem para se manter firmes e saudáveis até ao 3° dia e serem posteriormente colocados no fresco do azoto. Estou feliz por haver embriões, no entanto a quantidade perdeu significado depois de tudo o que aconteceu.
Esta punção bateu a anterior no que diz respeito a sofrimento. O dia de ontem foi muito difícil. Além de toda a dor que invadiu o meu corpo desde as costelas à pélvis, estou pisada no maxilar, dos dois lados, nas extremidades próximas dos lóbulos das orelhas. Parece que fui esmurrada de cada lado. A cor da pele está normal, não há inchaço, mas mal toco lá, que dores! Durante parte da noite tive de manter o tórax elevado com uma almofada adicional, porque tinha dificuldade a respirar. Era difícil permanecer na vertical. Por três vezes tive vontade de espirrar. Felizmente as tentativas falharam, pois o ato de encher o peito de ar para expulsar os espirros deram para antever a violência que se ia gerar nas entranhas. Hoje estou ligeiramente melhor mas longe de me sentir em condições para fazer uma vida normal. Continuo de repouso na cama, quietinha, é onde me sinto melhor.
É dia de aniversário para mim e o meu marido. Só há pouco é que me lembrei disso. Há 9 anos não imaginava que fosse estar assim neste dia. Estou a sofrer, mais uma vez, para lá do limite do razoável, a pensar que muito provavelmente este sacrifício não vai ser compensado. Ando a penar há anos por uma ideia que se calhar não passará disso. Tratar a infertilidade para mim dói a todos os níveis.
segunda-feira, 30 de abril de 2018
FIV 2 - Punção
Que tortura esta! Não sou fã deste ato médico. Tenho a perceção que enquanto ainda dormia as dores tomavam conta de mim. Acordar para a realidade foi mau, muito mau. Como dói! Mais uma vez foram precisas duas doses de paracetamol para melhorar. Das costelas para cima e das pernas para baixo estou porreira. O que resta entre essas duas áreas, ui, ai, quero a minha mãe! Ovários dum raio, mal me consigo manter na vertical.
Esta máquina de pipocas que aqui vos escreve está assim, porque 28 folículos foram aspirados. Sim, 28! Não sei o balanço das outras 4 punções feitas lá hoje, mas as biólogas são capazes de ter algum trabalho nos próximos dias.
Neste momento em que me encontro nas palhas deitada, a minha barriga parece um peixe-balão em volume e rigidez. Devia ter folículos até às costelas, pois mesmo aí tenho dor.
Desta vez não me receitaram Dostinex. Dizem que como fiz Decapeptyl deve ser suficiente. Vou terminar a embalagem de Cartia e intercalar paracetamol com ibuprofeno.
Irei aguardar a menstruação e quando vier comunico para que se possa agendar a ecografia de reavaliação dos ovários. Amanhã vou ter notícias da fecundação. Felizmente é feriado, com o meu interior todo remexido seria muito difícil trabalhar nestas circunstâncias.
Agora vou descansar um pouco desta violência.
Esta máquina de pipocas que aqui vos escreve está assim, porque 28 folículos foram aspirados. Sim, 28! Não sei o balanço das outras 4 punções feitas lá hoje, mas as biólogas são capazes de ter algum trabalho nos próximos dias.
Neste momento em que me encontro nas palhas deitada, a minha barriga parece um peixe-balão em volume e rigidez. Devia ter folículos até às costelas, pois mesmo aí tenho dor.
Desta vez não me receitaram Dostinex. Dizem que como fiz Decapeptyl deve ser suficiente. Vou terminar a embalagem de Cartia e intercalar paracetamol com ibuprofeno.
Irei aguardar a menstruação e quando vier comunico para que se possa agendar a ecografia de reavaliação dos ovários. Amanhã vou ter notícias da fecundação. Felizmente é feriado, com o meu interior todo remexido seria muito difícil trabalhar nestas circunstâncias.
Agora vou descansar um pouco desta violência.
domingo, 29 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 11
Estou satisfeita por chegar a esta fase. Apesar de barriguda e dorida, a passar novamente por este mau estar, a ausência de trabalho dos ovários durante a minha vida reprodutiva é compensada por colheitas anormais de folículos. Seguem-se dias, meses de incertezas a somar a todo o tempo que entretanto tratou de me envelhecer o corpo e reduzir a esperança. Não sou a mesma que era em 2011. Tenho dificuldade em explicar o que mudou em mim, porém estou diferente, sinto-o. Não imaginava ainda estar nesta fase da vida a começar outro tratamento. Desilude-me... O tempo parou e passou a voar. Este antagonismo é estranho mas traduz a confusão que está instalada na mente. A infertilidade é uma treta, aniquila o equilíbrio.
Tenho de agradecer a cada uma por todo o apoio. Irei tratar logo que me seja possível. Paralelamente a isto estou com uns problemas técnicos cá em casa que espero não dêem muita preocupação e trabalho de esfregona. Os próximos dias vão ser penosos e inundações não são compatíveis com um corpo debilitado.
Tenho de agradecer a cada uma por todo o apoio. Irei tratar logo que me seja possível. Paralelamente a isto estou com uns problemas técnicos cá em casa que espero não dêem muita preocupação e trabalho de esfregona. Os próximos dias vão ser penosos e inundações não são compatíveis com um corpo debilitado.
FIV 2 - Dia 10
Decapeptyl injetado, a minha missão está concluída. Sinto alívio por não ter de passar mais por isto e, claro, receio que seja mais um esforço em vão.
Fisicamente não estou tão debilitada nesta fase como da outra vez, contudo, a dor está presente. O volume abdominal também aumentou, deitar-me para o lado direito incomoda bastante, andar de carro em piso irregular não causa uma sensação muito boa. Mesmo assim acho que não está tão mau como na estimulação de 2016.
Esta máquina de crescimento de folículos em tempo recorde vai entrar na reforma. A sua carreira foi peculiar e memorável, pelo menos para mim. Espero que nos próximos anos pense cada vez menos nos ovários e fique em paz com eles.
Começa a minha despedida a esta dinâmica de procura pela fertilidade. Os próximos dias trarão novamente preocupação mas, no que diz respeito a estimulações, coloquei um ponto final.
Fisicamente não estou tão debilitada nesta fase como da outra vez, contudo, a dor está presente. O volume abdominal também aumentou, deitar-me para o lado direito incomoda bastante, andar de carro em piso irregular não causa uma sensação muito boa. Mesmo assim acho que não está tão mau como na estimulação de 2016.
Esta máquina de crescimento de folículos em tempo recorde vai entrar na reforma. A sua carreira foi peculiar e memorável, pelo menos para mim. Espero que nos próximos anos pense cada vez menos nos ovários e fique em paz com eles.
Começa a minha despedida a esta dinâmica de procura pela fertilidade. Os próximos dias trarão novamente preocupação mas, no que diz respeito a estimulações, coloquei um ponto final.
terça-feira, 24 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 6
Quando ontem referi que os dois inquilinos que por aqui andam não são de confiança, eu tinha razão. Em cada ovário há 10 folículos com menos de 10 mm. Digamos que a dormência continua por cá. Por causa disso, hoje não faço Orgalutran, retomo amanhã e mantenho 150 UI de Puregon. Sexta volto a fazer ecografia.
O resultado de hoje causa-me alguma preocupação, confesso.
Há novidades em relação à aspiração. Os tecidos foram enviados para Genética e o cariótipo do embrião era normal. No meu processo estava mencionado 46 XX, o que significa que era uma menina. Nada mais se sabe além disso. Esta era a resposta que eu queria obter para ter a certeza da transferência de apenas um embrião, se houver fecundação. Ver aquela nota escrita que transforma uma ideia assexuada de um aglomerado de células em algo concreto, deixou-me abatida. Tinha dentro de mim uma menina, a minha filha, que o meu próprio corpo arrancou. Ela era aquela manchinha preta que vi apenas uma vez, num dia em que fui às urgências, e nem o pai a chegou a ver. Essa é a melhor memória visual que conservo dela, as outras imagens do que sucedeu depois desse dia também as guardo na mente, com uma mágoa desmedida.
O resultado de hoje causa-me alguma preocupação, confesso.
Há novidades em relação à aspiração. Os tecidos foram enviados para Genética e o cariótipo do embrião era normal. No meu processo estava mencionado 46 XX, o que significa que era uma menina. Nada mais se sabe além disso. Esta era a resposta que eu queria obter para ter a certeza da transferência de apenas um embrião, se houver fecundação. Ver aquela nota escrita que transforma uma ideia assexuada de um aglomerado de células em algo concreto, deixou-me abatida. Tinha dentro de mim uma menina, a minha filha, que o meu próprio corpo arrancou. Ela era aquela manchinha preta que vi apenas uma vez, num dia em que fui às urgências, e nem o pai a chegou a ver. Essa é a melhor memória visual que conservo dela, as outras imagens do que sucedeu depois desse dia também as guardo na mente, com uma mágoa desmedida.
FIV 2 - Dia 5
Às 8 horas estarei a picar o ponto no hospital para fazer o primeiro balanço destes 5 dias de injeções. A forma como reagem os ovários é sempre motivo de preocupação para mim, porque estes dois não são de fiar...
O Orgalutran é tramado. Acaba-se de tirar a agulha, começa logo a comichão misturada com dor e o aparecimento de uma mancha vermelha. São minutos em que tenho de me controlar para não friccionar a zona. Neste momento a cor da pele voltou ao normal mas continua aqui uma pequena protuberância.
Pareceu-me voltar a sentir a presença do ovário direito. Daqui a umas horas o mistério estará desvendado.
Ainda a propósito do fim de semana passado, há algo que quero partilhar. Quando se reencontra amigos e estes perguntam "Então, que contas?" ou "Novidades?", chega uma altura em que se torna difícil responder. Por vezes, enquanto aguardo que o sono chegue, ponho-me a pensar na vida. Tenho refletido nessas duas questões que me têm sido colocadas com alguma frequência. Fiz um balanço dos episódios mais relevantes destes 6 anos e meio e não há muito a destacar, porque a vida tem andado em stand by. Esse exercício de ter alguns segundos para responder se tenho novidades, faz-me lembrar a altura em que na escola os professores da área das línguas nos pediam para fazermos composições acerca das nossas férias. Os meus pais não tinham condição económica que nos permitisse gozar férias. Se havia período que eu detestava era mesmo esse, porque estava sempre em casa, num sítio onde o tempo morria. Ter de fazer uma composição acerca das férias era torturar-me, então punha a imaginação a trabalhar e inventava. Neste momento, se tiver de falar de alguma coisa que não seja a infertilidade, não sobra praticamente nada. É tão difícil responder... Essas perguntas curtas e inofensivas têm um peso incomensurável porque mostram, mais uma vez, como estou refém desta doença. Tenho mesmo de me libertar.
O Orgalutran é tramado. Acaba-se de tirar a agulha, começa logo a comichão misturada com dor e o aparecimento de uma mancha vermelha. São minutos em que tenho de me controlar para não friccionar a zona. Neste momento a cor da pele voltou ao normal mas continua aqui uma pequena protuberância.
Pareceu-me voltar a sentir a presença do ovário direito. Daqui a umas horas o mistério estará desvendado.
Ainda a propósito do fim de semana passado, há algo que quero partilhar. Quando se reencontra amigos e estes perguntam "Então, que contas?" ou "Novidades?", chega uma altura em que se torna difícil responder. Por vezes, enquanto aguardo que o sono chegue, ponho-me a pensar na vida. Tenho refletido nessas duas questões que me têm sido colocadas com alguma frequência. Fiz um balanço dos episódios mais relevantes destes 6 anos e meio e não há muito a destacar, porque a vida tem andado em stand by. Esse exercício de ter alguns segundos para responder se tenho novidades, faz-me lembrar a altura em que na escola os professores da área das línguas nos pediam para fazermos composições acerca das nossas férias. Os meus pais não tinham condição económica que nos permitisse gozar férias. Se havia período que eu detestava era mesmo esse, porque estava sempre em casa, num sítio onde o tempo morria. Ter de fazer uma composição acerca das férias era torturar-me, então punha a imaginação a trabalhar e inventava. Neste momento, se tiver de falar de alguma coisa que não seja a infertilidade, não sobra praticamente nada. É tão difícil responder... Essas perguntas curtas e inofensivas têm um peso incomensurável porque mostram, mais uma vez, como estou refém desta doença. Tenho mesmo de me libertar.
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