terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Polimorfismo do PAI-1

Polimorfismo do PAI-1 (4G/5G) heterozigoto. Ainda estou a tentar perceber o que é e as suas implicações. O facto de ser heterozigótico significa que herdei do meu pai ou mãe. Sendo de apenas um deles é mais favorável do que se fosse de ambos.

O resultado foi-me entregue na confusão do corredor do hospital de dia. A hematologista apenas disse que realmente poderá influenciar os resultados desfavoráveis que houve até ao momento. Deu-me a indicação de que deverei mostrar a quem me acompanha na infertilidade, pois lá saberão o que é mais apropriado fazer.

Resta-me aguardar pela primeira semana de janeiro, que será quando vou fazer a ecografia que antecede a preparação da terceira TEC e saber se há algo de novo a fazer tendo em conta este diagnóstico.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Primeiro feedback - Hematologia

Soube os resultados das análises que fiz na semana passada. Até ao momento nada anormal, à exceção de uma alteração em 38% dos linfócitos, que a médica disse poderem ser resultado de uma infeção. Ela desvalorizou essa sinalização no relatório.

A estratégia seguinte consistiu em desvendar eventuais mutações. Como procurei alguém que já estivesse inserido nos meandros do HSJ, valeu-me essa vantagem para o novo passo que dei. A hematologista pediu que passasse hoje pelo Hospital de Dia no HSJ, onde habitualmente se encontra à terça-feira, para validar uma consulta e fazer a colheita de sangue. Disse que seria fácil de encontrar pois anda sempre pelos corredores de um lado para o outro. Constatei que é verdade e a conclusão a que cheguei é que quem precisa mais de férias do que eu, é a própria médica. Será que a sua recomendação é uma espécie de transposição nos outros daquilo que ela sente a seu respeito?

Ao chegar ao segundo piso visualizei rostos cuja condição me é bem familiar. Há uns 15 anos que não me encontrava no meio de tantos doentes oncológicos concentrados num espaço. Foi um pouco difícil regressar a um ambiente daquele género. A médica era incansável a atender todas as solicitações com que era bombardeada, de cada vez que passava no corredor. Estava bem disposta, cheia de genica e procurava descomplicar tudo. Agradou-me a sua forma de agir e o trato afável com todos, fossem pacientes, enfermeiros ou auxiliares.

Para tornar a manhã um pouco mais dentro da normalidade numa entidade pública tinha de haver bloqueios burocráticos. Primeiro dirigi-me à receção da unidade de hematologia para marcar a consulta. Em seguida tive de ir ao balcão central validar a consulta. Ao verificarem o meu processo viram que o centro de saúde de onde provenho é de uma freguesia que não faz parte da área de influência do HSJ. Para poder ter consulta de hematologia deveria ter autorização por causa do condicionamento geográfico. Voltei ao Hospital de Dia para falar com a médica a fim de obter a dita autorização. Ela foi à área administrativa lá do piso perguntar se não podia ser ela a autorizar. Responderam-lhe que não, deveria ser o diretor do serviço, que naquele momento se encontrava em Ginecologia. Só na ausência dele poderia haver autorização por parte de outrem. Ela disse que então assinaria a autorização, indicando que o diretor não estava presente e os administrativos deixaram o pedido à sua responsabilidade. Voltei ao balcão central onde finalmente a consulta foi marcada. Regressei ao Hospital de Dia para que a médica emitisse as requisições das análises. Ela não o conseguiu fazer logo, pois apesar de marcada, a consulta não fora validada. A Dra Incansável foi à área administrativa tratar do assunto, só depois emitiu o bendito documento.

Dirigi-me finalmente à sala X, sim, é mesmo X a designação da sala da colheita, onde fui atendida por profissionais igualmente simpáticas e bem dispostas. Quando me questionaram acerca da razão das análises, a enfermeira que me tirou sangue perguntou se levava a mal que falasse acerca do assunto. Respondi que não tinha qualquer problema e quando dei por mim, tinha quatro ou cinco enfermeiras à minha volta extremamente interessadas e curiosas em perceber como funcionavam os tratamentos, se era doloroso, há quanto tempo andava nesta luta. Dei uma micro palestra acerca de PMA, durante a qual me apercebi quão pouco informados estão os próprios profissionais de saúde mas, acima de tudo, as mulheres sobre este assunto. Desconheciam a existência de prazos legais no que diz respeito ao limite de idade, número de tratamentos permitidos, quantidade de embriões a transferir, tempos de listas de espera. Têm a ideia generalizada que o HSJ é talvez o melhor hospital público do norte relativamente à PMA. Uma das enfermeiras também está a realizar tratamentos, há menos tempo que eu, ainda não chegou a uma fase tão avançada. Ficaram aterradas quando respondi que andava nisto há 5 anos. Foram uns minutos de enorme alívio, pois senti que tudo aquilo era genuíno e não uma conversa de circunstância. Fizeram-me prometer que daqui a alguns meses irei lá aparecer a mostrar sinais de boas notícias e devo-lhes realmente isso, pois o cenário que elas veem diariamente naquela área do hospital é o oposto criação de vida, é a luta contra a morte.

Na altura em que fui chamada para o interior da sala de colheitas foi-me dada uma folha à qual não reparei inicialmente. Quando saí, vi que era uma requisição para a análise de algumas mutações. Ao chegar novamente junto da médica ela perguntou-me o que fazia com aquela requisição na mão, ao que respondi que me foi devolvida logo que entrei na sala, mas nada me foi dito. Ela ficou na dúvida se o sangue para aquelas análises tinha sido ou não colhido, tive de regressar à sala X, a enfermeira ligou à colega que tinha feito a devolução da folha e esta respondeu que no computador aparecia a mensagem "não autorizado". A enfermeira foi falar com a médica para desbloquear a situação e saber que e quantos tubos de sangue eram necessários. Fui picada no braço esquerdo para ficar a combinar com o direito. Hoje só deixei três tubinhos e 3 horas do dia.

Olhando para o tamanho que este post já tem, uma parte significativa é sobre o calcorrear os corredores do hospital, sobe e desce pisos, tão somente para marcar uma consulta e colher sangue. Isto faz-me lembrar um sketch dos Gato Fedorento relacionado com burocracia numa escola.

A próxima fase é aguardar 3 semanas e à partida dia 20 de dezembro volto à azáfama do Hospital de Dia, onde será dada a sentença. Valorizo o facto de a médica ter dito para voltar ao HSJ e não ter mandado marcar consulta no hospital privado onde a consultei. Se tudo correr conforme esperado, saberei antes da próxima TEC se há algo de errado ao nível de trombofilias.

Desta vez a hematologista disse que poderia vir uma gravidez espontânea no sapatinho, já não dei importância, ela passa dias horríveis no hospital, tenho de lhe dar um desconto! O mais importante é que seja uma boa profissional e está a prová-lo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Consulta de hematologia

Atendendo ao facto de contabilizar um negativo e um positivo que terminou em perda, decidi antecipar-me aos preceitos do sistema público e consultar uma hematologista para fazer despiste a trombofilias.

O decorrer da consulta teve uns momentos que ainda não sei muito bem como avaliar.

Antes de fazer marcação estive a pesquisar acerca de quem iria escolher e os meus critérios foram analisar quem está ligado a hematologia clínica há algum tempo e, se possível, que trabalhasse no HSJ. Supunha que quem obedecesse a este último critério estivesse um pouco por dentro dos formalismos daquela instituição e quem sabe habituado a contactar com utentes provenientes do piso de Medicina da Reprodução.

Havia nomes de profissionais que trabalhavam na área embora recentemente e outros com carreira consolidada. Sem desconsiderar o profissionalismo e qualidade de quem é mais jovem até porque toda a gente merece crédito, achei que neste momento devia selecionar um(a) médico(a) experiente. Nos hospitais privados existentes aqui à volta há vários hematologistas cuja atividade profissional está mais voltada para a oncologia e não era isso que procurava. No meio da oferta existente destacou-se um nome, que além de se diferenciar em hemato-oncologia, a sua especialidade é em hematologia clínica e trabalha no HSJ. Como tem acordo com a seguradora em que tenho o meu plano de saúde, acabei por marcar consulta e na segunda-feira passada lá fui eu.

Depois de fazer um breve enquadramento acerca do que me tinha levado lá, a primeira coisa que ouvi foi que as trombofilias causam complicações num estado mais avançado de gravidez e não logo no início.

Se eu tivesse transferido um embrião de cada vez poderia até ser prematuro andar nesta investigação, contudo o que me leva a fazer já isto é o facto de 4 embriões terem sido sacrificados. Não quero fazer em janeiro outra TEC, em que comprometo mais 2 embriões, sem ter conhecimento se há algo mais que posso melhorar para aumentar as hipóteses de sucesso.

Referi que tinha SOP e hipotiroidismo primário e a médica queria justificar a perda com o hipotiroidismo. Não vou dizer que é impossível, porque este distúrbio hormonal aumenta a possibilidade de aborto. Sendo a TSH monitorizada regularmente e sabendo que da minha parte não falho um dia de Eutirox, o hipotiroidismo passa a ser um não-problema. No que diz respeito à SOP que me tira o sono há vinte e tal anos não me pronuncio, porque o meu caso é complexo e há associações entre SOP e aborto espontâneo. O mecanismo que conduz a esta reação do organismo ainda não está bem definido, por isso esse terreno é algo pantanoso.

A primeira abordagem que a médica quis fazer foi aferir alguns parâmetros que excluem aquelas análises que são dispendiosas e não comparticipadas. Em função dos resultados será então tomada uma decisão sobre o que fazer a seguir.

A listagem de itens a averiguar foi a seguinte:

- hemograma com plaquetas;
- Exame morfológico do sangue periférico;
- aPTT - Tempo Parcial de Tromboplastina Ativada;
- tempo de protrombina (INR);
- fibrinogénio (fator I);
- proteína C total (funcional);
- proteína S total (funcional);
- anticoagulante lúpico (LA);
- ferritina;
- ferro (siderémia);
- ácido fólico;
- vitamina B12;
- 25-hidroxi-vitamina D (25-Hidroxicolecalciferol) [Calcidiol] [vitamina D];
- Ac. anti-cardiolipina (IgG);
- Ac. anti-cardiolipina (IgM);
- Ac. anti-beta 2 glicoproteína I (IgG);
- Ac. anti-beta 2 glicoproteína I (IgM).

De tudo isto, o seguro de saúde não comparticipou apenas o parâmetro mais barato. Deixei cinco tubinhos de sangue no hospital logo depois da consulta.

Agora os pormenores awkwards da consulta.

A dada altura, quando falava acerca da minha preocupação em querer estar prevenida antes de fazer a próxima TEC, a médica disse que devemos saber quando chega a altura de decidirmos parar de insistir naquilo que não resulta. Acrescentou que há outras formas de sermos pais, ainda que os filhos não sejam biológicos. Não lhe deve ter parecido apropriado no momento usar o termo "adoção", mas mais valia tê-lo feito em vez de andar com rodeios, a insinuar que devíamos pôr um ponto final nisto, pois não vai dar em nada. Questiono-me se quando lhe aparece um paciente da área de oncologia, seja em estado terminal ou não, lhe diz que não vale a pena lutar, porque a vida além da morte pode ser muito mais estimulante.

A cereja no topo do bolo surgiu quando aquela palavrinha começada por A veio como justificação para o fracasso. Sim, ANSIEDADE, o maldito vocábulo. Só tive vontade de lhe pedir para me receitar o ansiolítico milagroso. Estava a terminar de ter esse pensamento quando a fórmula mágica chegou e qual foi? A médica rematou com aquele clássico: TIRAR FÉRIAS! Que pena tenho eu daqueles desgraçados que estão impossibilitados de fazer férias, porque a natureza impedi-los-á de procriar.

Já passei por vários profissionais da área de infertilidade e nenhum deles mencionou que o meu problema se resolvia com umas férias para tratar a ansiedade malvada.

À partida o resultado das análises já estará disponível na sexta-feira e no dia 28 saberei o que se seguirá.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

5 anos

Chegou o mês do quinto infeliz aniversário da maior frustração da minha vida. Não há dia em que a infertilidade esteja ausente dos meus pensamentos.

Depois de termos incorrido na oficialização de um pedido de ajuda médica, estava consciente da enorme dificuldade que teria pela frente. Infelizmente não estou surpreendida de estarmos a finalizar 2016 sem haver a concretização deste sonho. Não deixo, no entanto, de me sentir revoltada e mais uma vez vem à cabeça o inevitável PORQUÊ? Tem havido alguns progressos, admito... Nada disso é significativo, pois cada ciclo é diferente, um positivo que acabou mal não garante que a tentativa seguinte seja diferente de mais um fiasco.

Nestes 5 anos, do ponto de vista do acompanhamento médico realizaram-se os seguintes procedimentos:

- 6 intenções de coito programado recorrendo ao citrato de clomifeno (Dufine) em doses crescentes que chegaram aos 3 comprimidos. Não passaram mesmo de intenções, pois os ovários dormiram profundamente;
- 2 projetos de IIU que culminaram em cancelamentos;
- 1 FIV que resultou em Síndrome de Hiperestimulação Ovárica e 12 embriões;
- 1 TEC de 2 embriões negativa;
- 1 TEC de 2 embriões positiva que se ficou por uma gravidez bioquímica.

Tudo isto, que não é praticamente nada para 5 anos é fruto dos muitos tempos de espera a que o Serviço Nacional de Saúde sujeita os seus utentes. As políticas de natalidade que se apregoam são claramente insuficientes e exprimem uma antítese do que acontece ao nível das IVG.

Estou mais velha, reparei há dias que depois dos desenvolvimentos dos últimos meses tive um acréscimo considerável na quantidade de cabelo branco, continuo a dar colo apenas à minha menina de 4 patas, a minha motivação e confiança vão esmorecendo. O meu interior está amargurado, sinto cada vez mais dificuldade em conviver com os meus amigos de há anos e que torcem para que tudo dê certo, os meus pensamentos direcionam-se sempre para esta coisa maldita.

Um dos fatores que me faz levantar um pouco a cabeça a cada contratempo é saber que há casais que estão a travar lutas ainda mais duras que a minha e mesmo assim não desistem. Não quero pôr um ponto final nisto sem ter a consciência de que fiz tudo o que me era possível. Este não seria certamente o momento de o fazer apesar de me doer o coração pelas contrariedades que enfrentei. Tenho ainda cerca de um ano e 8 embriões para fazer um balanço decisivo. Não desejo de todo que esse dia chegue, pois será sinónimo de ainda mais sofrimento.

Não é altura de parabenizar, é mais de condolências.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Depuração

Começou na quinta-feira da semana passada. Ao contrário do que pensava está a ser bastante pacífica, marcada apenas por algumas dores no primeiro dia. Os coágulos são de pequenas dimensões, parece que nada de excecional aconteceu anteriormente.

Depois da primeira TEC o cenário era mais estranho, os coágulos abundavam em quantidade e tamanho.

Ia esquecer-me de referir que as perdas terminaram logo após a suspensão da medicação. Curioso, não? Li o folheto informativo de todos eles e nenhum refere a possibilidade de hemorragia.

Ora vislumbro com otimismo a chegada de janeiro, ora penso que esta seria a entrada na oitava semana, se não estou enganada (quero fugir um pouco das contas para atenuar a frustração).

Atrevi-me a comprar uma coisa na minha gravidez relâmpago. Não cheguei a usar ao aperceber-me do início das perdas. A tensão mamária estava a incomodar-me e tinha a sensação que a barriga ia rapidamente mostrar-se. Adquiri um creme simples que está fechado numa gaveta à espera de conhecer a luz do dia. Não o abri para evitar a oxidação prematura, pois os poucos minutos de felicidade que poderia ter foram constantemente abalados pelas palavras convictas que ecoavam na minha cabeça. Quando olhava para aquela embalagem pensava que tinha cometido um ato de masoquismo. Quem, no seu perfeito juízo, compraria um creme hidratante para aplicar numa barriga aliás, num corpo condenado desde o dia do positivo ao fracasso? Fi-lo, não sei porquê. Se calhar era a minha teimosa esperança a dizer que se o mantivesse imaculado até ter a certeza que não iria ser usado, serviria para cuidar de mim na gravidez resultante da TEC seguinte.

Prometo que se a próxima transferência não der em nada vou dar-lhe uso mesmo assim.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Veredito

Numa rapidez atípica, assim que chegámos ao hospital dirigimo-nos, pela primeira vez os dois, para a sala de espera da zona de ecografia. Poucos minutos depois entrámos na sala da marquesa desconfortável.

O meu marido assistiu à caça do mini-nós perdido, contudo a busca foi infrutífera. Finda a pesquisa no útero o objetivo seguinte foi descartar uma gravidez ectópica. A esse nível também nada foi encontrado, felizmente. Os toques nos ovários foram tudo menos agradáveis.

Seguiu-se colheita de sangue para tirar qualquer dúvida existente relativamente à progressão/retrocesso da hormona beta-HCG.

Como é habitual em dia de beta, por volta das 12h30 regressámos ao HSJ para saber as notícias.

"Esteve quase lá mas ainda não foi suficiente. Teve o que se chama uma gravidez bioquímica. O valor da beta-HCG está a regredir."

Não foi nada que não estivesse à espera. Não sei explicar a razão mas à medida que os minutos passavam no consultório comecei a sentir um alívio o que, à primeira vista, parece uma crueldade. Passei de um estado de revolta e conformismo a um regresso de confiança. O facto de o desfecho ter sido formalizado trouxe-me o sossego que não senti nestas semanas desde o primeiro beta.

Olhando para o que aconteceu, com a cabeça mais fria, penso na hipótese mais frequente associada a este tipo de situação de aborto. Uma percentagem significativa destas perdas prematuras deve-se a uma seleção natural que o nosso corpo faz a embriões com problemas genéticos.

Foi-me entregue o relatório da TEC. A última medição realizada ao endométrio era de 8,3 mm de espessura. Relativamente à ecografia de hoje a cavidade uterina estava vazia, os ovários sem alterações, sem imagens anexiais suspeitas. O beta hoje foi de 29,82.

Agora as novidades. A próxima TEC será já em 2017. Inquiri, de forma intencional, se ia haver alterações no protocolo da sua preparação. A médica voltou com a história do Decapeptyl. Questionei qual o objetivo primordial desse fármaco e ela respondeu o que eu queria ouvir. Lá veio a justificação de garantir a inatividade dos ovários. Foi aí que referi que nunca menstruei com o Decapeptyl e há 22 anos que os meus ovários não trabalham espontaneamente. Finalmente alguém parou para me ouvir! Perante o que disse, a médica perguntou de quantos dias era o meu ciclo, ao que relembrei (pela n ésima vez) que não tenho ciclos, só medicada. Depois de todo este tempo e da minha insistência, uma das quatro especialistas por quem passamos, que até é a diretora do serviço, chegou à conclusão que o Decapapetyl não tem qualquer utilidade comigo!

Lutadoras: questionem uma, duas, três, quatro vezes, caso necessário, se alguma vez acharem que há algo no vosso acompanhamento que não faz sentido.

Após a brilhante conclusão ficou definido que vou induzir a menstruação com Provera (somos tu cá, tu lá há décadas), porque no meu caso não tenho outra hipótese. No terceiro dia desse ciclo farei ecografia e iniciarei automaticamente o Estrofem se assim for necessário. Vai ser uma espécie de ciclo natural, com a diferença que não haverá Pregnyl, porque eu não sou pessoa de ovular assim à balda!

O melhor disto é que ficou uma folhinha na parte da frente do meu processo com a indicação de não prescrever o Decapeptyl e o respetivo motivo, não fosse alguém tratar-me como um enlatado de uma máquina que faz sempre a mesma coisa.

Plano de ataque definido, vamos a datas. A primeira semana de janeiro está no horizonte, já à vista. Será aí que farei a primeira eco. É completamente possível nessa altura porque, para variar, quem manda nos meus pseudo-ciclos sou eu. Só preciso de fazer contas para prever, com um bom rigor, quando devo tomar o Provera para fazer acontecer magia vermelha. Vou atrever-me até a definir como objetivo a realização da TEC no dia em que completo 37 invernos, que é na segunda semana desse lindo mês. A transferência não será feita em dezembro pois haverá limpeza das condutas de ar condicionado no laboratório, que é obrigatória. É completamente compreensível essa situação e, por outro lado, o período natalício acaba por ser mais tranquilo.

Esta tempestade da gravidez ainda não terminou. Estou com perdas de sangue contínuas, embora pequenas, desde 2 de outubro. Poderei ainda sofrer dores intensas que não deverei ignorar, caso surjam. Desconfio também que daqui a uma semana, quando menstruar, haverá um dilúvio intercalado de enormes coágulos e sofrimento à mistura. A hemorragia não poderá prolongar-se por muito tempo sob pena de ficar anémica com tanta libertação de sangue ao longo de várias semanas consecutivas.

Em relação ao feedback neste período conturbado vou responder individualmente a cada guerreira que tanta força me tem dado, mas compreendam que já não será hoje. Estão no meu coração, não me esqueço de vocês e continuo sempre a emanar energia positiva para as vossas batalhas diárias.

Parte de mim está de luto, mas continuo na luta. A força anda aí.

domingo, 9 de outubro de 2016

Resignação

Após o turbilhão destas semanas e a constatação do fracasso está na hora de respirar fundo (mais uma vez), concluir o protocolo e seguir em frente.

Aquela fome que me acordava deixou de existir desde ontem e depois da ecografia passou a haver a libertação de pedacinhos muito pequenos de tecido que não quero pensar muito no que possam ser.

A emoção que julgamos que vai acontecer quando se faz uma transferência de embriões é relativamente acentuada na primeira vez. Depois de começarem os tropeções a expectativa vai surgindo em fases cada vez mais tardias. Não sei como vou estar da próxima vez, é tão estranho.

Estou a começar a erguer a cabeça, mentalizar-me para sexta-feira, preparar-me para colocar questões acerca do próximo plano de ataque.

Algum dia vai dar certo.

sábado, 8 de outubro de 2016

Empty nest, so far

Depois de ontem não ter havido perdas de sangue, hoje elas voltaram, com a intensidade a que me tenho habituado. Às 20h30, contudo, passaram a sangue vivo.

Fomos às urgências de obstetrícia do HSJ onde fui logo atendida, ao contrário do que aconteceu na semana passada no Pedro Hispano. A hipotética gravidez deveria estar em 5 semanas e 4 dias o que, em situações normais, possibilitaria pelo menos a visualização do saco gestacional. Estavam duas médicas a observar o ecrã. Procuravam, procuravam, procuravam,... Estiveram a descartar a eventualidade de desenvolver uma gravidez ectópica.

Veredito: nada visível. Apenas algo muito, mas mesmo muito ténue que pode não ser nada. Segundo a médica ou o desenvolvimento está a ser lento e daqui a uns dois dias já será possível detetar alguma coisa ou então não há embrião. A única coisa que posso fazer é aguardar pela ecografia de dia 14 onde será feita uma avaliação definitiva. As hemorragias não indiciam nada de concreto, a razão para a sua existência é aquilo que tantas vezes se ouve. Pode ser bom ou mau sinal.

É muito triste o que está a acontecer mas em simultâneo é um alívio pois infelizmente é um pequeno peso que me sai de cima. Como deduzi ontem, o resultado de 1-2 semanas obtido no teste Clearblue mostra que a hormona beta-HCG está a desaparecer do corpo (que pode demorar de 4 a 6 semanas). Não posso dizer que foi bom enquanto durou, não me foi dada essa oportunidade. Foram 4 os filhos que perdemos até agora.

Copo meio cheio ou meio vazio

Esta situação do teste que fiz de manhã faz-me pensar que se calhar mais valia ter ficado quieta e ter-me limitado a aguardar pela ecografia de dia 14.

Não sei exprimir como me sinto. É um misto de choque, desilusão, raiva, esperança muito reduzida, resignação, impotência, falta de chão,...

Tomei a decisão de esquecer qualquer tipo de teste qualitativo ou quantitativo até apurar, de uma vez por todas, o que se passa. Estou a fazer tudo direitinho como é suposto, não vá haver algo miraculoso.

Quem sabe não estou a fazer tempestade num copo de água? A única vez que alguém usou essa expressão para um membro da minha família "só" resultou no pior desfecho possível, passados 16 meses. Pode ser que agora seja só mesmo um alarmismo.

Porquê copo meio cheio?

Porque durante pelo menos, alguns dias, sei que houve vida cá dentro o que constitui um avanço. Pode ser um bom sinal para situações futuras.
Hoje andei de calculadora na mão a fazer estimativas de hipotéticos valores de beta, para esta altura, com base nos dois resultados que tive. Se estes aumentarem nas proporções previstas para este período, é plausível que o Clearblue não assinalasse 3 ou mais semanas, porque não atingiria as 2000 mUI/mL que o teste considera para este patamar. Isto significa que a minha gravidez pode não ser um caso totalmente perdido. Custa-me admitir esta hipótese mas é a última que me resta.

Ver o copo meio vazio

Na noite que antecedeu o beta tive o sonho de gravidez mais lúcido de sempre. Tinha realizado o beta, o resultado era positivo e sentia uma felicidade indescritível. A realidade foi mais amarga e trouxe-me até este limbo de emoções que poderá ter fim daqui a uma semana.

Quando saí ontem do trabalho fui à farmácia do Norteshopping comprar Estrofem e o famigerado Clearblue que me deixou num trapo. Apesar de ter estado o dia inteiro com algumas perdas de sangue, andava a precisar comprar um soutien mais confortável por causa destes últimos desenvolvimentos. Fui a uma loja experimentar um que acabei por não adquirir por ser pequeno, apesar de ser o maior tamanho. Atrevi-me em seguida a passar pelo corredor das lojas infantis. Não consegui sequer olhar para as montras, porque o desânimo era gigante. Aquela zona não me pertencia, era uma intrusa naquele meio. Finalizei a minha rápida incursão no shopping na loja Zippy, que está junto à escada rolante mais próxima do parque onde estacionei o carro. Entrei. Fui diretamente ao fundo da loja espreitar carrinhos e berços. Ao contrário do que é habitual em mim, não comecei com o meu espírito analítico a fazer comparações dos modelos expostos. Parecia que havia um calhau dentro do meu peito. Alguns segundos depois aquele ambiente estava a incomodar-me e apressei-me a sair em direção ao carro.

Às vezes parece que ando a brincar à maternidade. Faço uns tratamentos, as coisas vão rolando de diferentes formas mas no fim volta tudo à condição do nada. Vem aquele pensamento de que por mais malabarismos faça, ter um filho é um direito que me será sempre negado.

Não devia estar com toda esta carga negativa. Estou a ser injusta com quem me lê e dá tanto apoio. Perdoem-me.

Apesar destas desilusões me deitarem abaixo tenho discernimento suficiente para prosseguir a luta, mesmo que me arrase consecutivamente.

Melhores dias virão.

Para aumentar a incerteza em relação a tudo, hoje não houve praticamente perdas nem pontadas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Game Over

Grávida 1-2. Acho que diz tudo. Nem me dei ao trabalho de ir fazer outro beta.

Vou manter todos os cuidados e medicação como se nada tivesse acontecido, aguardar pela ecografia para saber se há alguma coisa a fazer relativamente à expulsão dos embriões e mentalizar-me que lá para janeiro ou fevereiro a saga volta a repetir-se.

Seria sorte a mais depois de cancelamentos, hiperestimulações e negativo conseguisse levar a cabo uma gravidez sem saber o que é uma perda gestacional. Ainda há algumas coisas que não aconteceram e em 4 palhetas posso conhecê-las todas. Se calhar os 12 embriões obtidos inicialmente nem chegam para tudo o que aí vem! A única coisa que me poderá travar será a idade, pois em teoria ainda tenho direito a duas FIV. Em janeiro já vão chegar os 37 anos...

Logo à noite escrevo mais um pouco.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Mais perdas

Reinava a serenidade, a esperança que tudo estava a correr bem quando hoje dei de caras com ele: o sangue de cor entre o rosa e acastanhado, em maior quantidade que nos outros dias.

A particularidade é que desta vez, sempre que me limpo, lá está ele, não apenas no pensinho como anteriormente. A perda tem sido de abundância constante ao longo do dia, indolor e nada mais que isso. O suficiente para ter já um Clearblue Digital para fazer amanhã de manhã e confirmar se aparece a mensagem "+3 semanas" para dar algum alento. Se a mensagem for diferente, ainda de manhã farei um beta, desde que não surja "Não grávida".

Ontem, em conversa com a minha mãe ela dizia, com razão, que andei mais de 20 anos à espera que surgissem sangramentos espontâneos e agora que é a fase da minha vida em que não os quero de maneira nenhuma, lá vêm eles importunar-me.

Sempre achei que se um dia engravidasse todas as etapas iam ser sofridas até ter um filho nos braços. Para já a minha previsão está a confirmar-se. Apesar de tudo continuo com esperança que daqui a trinta e tal semanas estarei quase a dar as boas vindas ao melhor de nós.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Serenidade

Aquela serenidade que tinha no início da TEC está a invadir-me novamente. Sinto-me em paz, aquilo que é da minha responsabilidade para que dê certo está a ser feito, só me resta aguardar pela ecografia.

Não vi vestígios de sangue nem notei nada de diferente que me possa deixar alarmada.

A minha menina está refastelada no sofá a dormir perto de mim, com aquele ar tranquilo de quem está bem com a vida. Ela é muito especial, nasceu desprovida de olhos mas o seu coração vê a léguas. É perfeitinha nos seus momentos de traquinice, mimos, voracidade e naqueles abraços que só ela sabe pedir e dar. A sua adoção foi das melhores coisas que me aconteceu.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

5 semanas

Conforme referi ontem, encontrei um site que permite estimar o tempo de gestação, bem como alguns dados que lhe estão associados.

O endereço é http://www.ivf.ca/duedate.php?rating_5[]=5

Como os embriões transferidos eram de 3 dias e a TEC foi realizada a 16 de setembro, coloquei no simulador o dia 13. Penso não estar a falhar no raciocínio.

A primeira coisa que coincidiu foi na data indicada para o beta. Se apenas um dos mini-nós ficou por cá, a data prevista para o parto (DPP) é 6 de junho. Na eventualidade de serem gémeos então o dia apontado é 15 de maio.

São também dadas algumas informações relativamente ao desenvolvimento do embrião/feto, transições dos trimestres e períodos estimados para a realização de rastreios. Haverá certamente sites que são ainda mais detalhados. Esta foi a minha primeira incursão na temática, o que me faz começar a pensar um pouco mais que poderei não estar a viver um sonho.

A perda de sangue hoje foi mínima, de longe a longe tenho aquelas pontadas. Não há nada que me diga que há alguma perda eminente. Acho que continuo muito bem acompanhada.

Daqui a 10 dias deverei ver no que se transformou o ponto brilhante da TEC.

Tenho de agradecer novamente às miúdas fabulosas que tanto suporte me têm dado e às novas vozes que também têm trazido uma grande frescura a este mundo que, afinal de contas, já não parece tão sombrio. Acredito que esta partilha trará frutos não só para nós, como numa mudança de paradigma que irá beneficiar os cada vez mais casais que se vão debater futuramente com esta doença.

Vou ser teimosa!

Se tive positivo, vai sê-lo até início de junho de 2017. Tenho dito!

Aquela pequena perda de sangue que continuou esta manhã é sinal de muita vitalidade a revolucionar por cá.

Estamos - eu, o pai e mini-nós - determinados a contrariar cada palavra que ouvimos no gabinete de enfermagem. Isto vai para a frente, sim! Não vamos dar por perdida esta TEC.

Encontrei ontem um site que sintetiza alguma informação que pode ser útil quanto às datas dos trimestres, rastreios e outros dados para quem vez FIV. Irei partilhar amanhã, pois não estou a escrever através do computador e tenho o endereço guardado lá, nos favoritos.

domingo, 2 de outubro de 2016

Cor não te quero ver!

A sensação de fome, que é algo que dificilmente sinto, está a começar a invadir-me desde ontem. Não é por isso que me armo em glutão a devorar tudo o que me aparece à frente, estou bastante contida.

Hoje não tive aquelas pontadas na barriga, pelo contrário. Agora no final do dia verifiquei que começou um pequeno sangramento. Quero acreditar que é apenas o útero a expandir para melhor acolher quem por cá habita.

Faltam 12 dias para a ecografia, o tempo que esperei pelo resultado da TEC. Estes processos são caracterizados por sucessivas contagens decrescentes.

Vai tudo correr bem.

sábado, 1 de outubro de 2016

Chave vencedora

Digo com convicção que estou G-R-Á-V-I-D-A!

Melhor que acertar no Euromilhões foi ver aquele 98,8 no beta que fui buscar esta manhã. Não é um otchentcha e otcho, é superior a isso! Se aquele resultado do primeiro beta tivesse sido realizado exatamente nas mesmas circunstâncias, o valor após 48 horas tinha sido maior que o dobro. É estranho, maravilhoso, inacreditável. Grávida?! Eu?! Deve ser engano...

Sintomas: de vez em quando umas pontadas no fundo da barriga, pouquinha tensão mamária e nada mais.

É mais um passo à frente, contudo não me posso deslumbrar.

Depois desta vitória não posso deixar de pensar em todas as lutadoras que buscam a esperança. Foram 58 meses até chegar ao positivo. Não desistam, por mais tortuoso que seja o caminho. A malvada não é invencível, todos nós sabemos que só não há solução para uma coisa, mas não é certamente a infertilidade.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A propósito das TEC

Na conversa que tive com a enfermeira estivemos a analisar alguns dados relativos às transferências realizadas.

No que diz respeito à primeira transferência, a palheta usada continha dois mini-nós de classe 8A que após a descongelação continuaram a crescer.

Desta vez os dois embriões eram 8B, depois de descongelarem um deles passou a 8A e o outro continuou a desenvolver células. Não foi registado em qual deles foi realizada a eclosão assistida.

Esta manhã fui a um laboratório realizar outro beta, só saberei o resultado amanhã de manhã. Lá paga-se 24,75€, não sendo já possível fazer através de seguro de saúde se não houver uma requisição médica. A enfermeira disse que o valor que obtive no HSJ era muito bom. Quando ficou grávida deu pouco mais de 20 e correu tudo bem. No caso dela foi com uma semana de gravidez, quando fiz o beta estaria de 2 semanas e 1 dia e foi 37,55.

Acredito que continua a haver magia aqui no útero. Estou confiante que o cenário negro que a enfermeira do hospital pintou não vai acontecer.

Aquele "problemazinho" que me levou a recorrer ontem à urgência está em fase de resolução, felizmente! A azia já faz parte da história.

Estou otimista mas há algo estranho em mim pois a ficha da gravidez está a cair a passo de caracol. É daquelas coisas que julgava inatingível aqui em casa.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Rescaldo da TEC 2

Ainda estou em processamento da informação de ontem, pois não tem havido grande oportunidade de pensar no que aconteceu.

Digamos que a violenta diarreia tem sido o fenómeno dominante. Depois da atualização que fiz ontem aqui no blog, ainda fui algumas vezes cumprimentar a sanita, durante a noite houve períodos em que corria para ela a cada meia hora, a manhã continuava igual. Horas de m****, literalmente.

Dada a frequência de dejeções (cerca de 30) tentei várias vezes entrar em contacto com o serviço de Medicina da Reprodução do HSJ para saber se me deveria dirigir a urgência de obstetrícia ou geral. Como não consegui ligar, recorri à linha Saúde 24. O operador desaconselhou a ida ao hospital por causa dos riscos fáceis de infeção. Como no concelho de Matosinhos não havia nenhuma estrutura extra-hospitalar que me podia dar suporte, acabei por ser encaminhada para o Pedro Hispano, na urgência geral, porque os sintomas não justificavam a ida à obstetrícia. Chegada lá, tive prioridade na triagem. Os utentes que dão entrada num serviço de urgência público, provenientes de centros de saúde ou Linha Saúde 24, acedem logo à triagem. A pulseira atribuída obedece aos critérios da triagem de Manchester, que no meu caso foi a amarela (até 60 minutos de espera, teoricamente).

A enfermeira que fez a triagem encaminhou-me para obstetrícia e lá fui para o 3º piso. A sala de espera estava vazia. Durante muito tempo só estava eu, o meu marido e o(s) nosso(s) filhote(s). Chegou entretanto outro casal e o tempo passava... 1h30 depois o meu marido perguntou à assistente se o tempo máximo de espera não era supostamente de 1h. Ela não tinha a certeza ou fez de conta que desconhecia. Por coincidência fui logo chamada mal ela se sentou ao computador. Certamente deve ter usado um chat interno que eles têm para comunicar entre si.

A médica era simpática, atenciosa e comunicativa. Não percebeu o porquê de ter sido enviada para lá. Deve fazer parte do protocolo realizar ecografia, apesar de ambas sabermos que não se iria ver nada. Pelo menos sei que o endométrio está gordinho. Disse-lhe que pretendo realizar amanhã outro beta. Ela não é apologista que o faça pois, como o laboratório é diferente, o resultado pode não servir de comparação com o de ontem. Alegou também que em nada resolve a fragilidade da gravidez, servindo só para aumentar a ansiedade e esta é inimiga da gravidez. Já disse que detesto a palavra ansiedade? Vou fazer o beta sim, se calhar até faço outro na segunda. Assim já há como comparar.

Quanto à diarreia, receitou-me umas saquetas. Aconselhou tomar no máximo duas para evitar ficar com o problema oposto. A dinâmica intestinal está um pouco mais controlada, a azia que sentia ontem não é tão intensa, quase não me consigo sentar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Dia Nim - TEC 2

"Bom, o resultado é positivo. Baixinho, mas positivo". Toda a equipa médica me desejou parabéns, brincou até a dizer que podia trabalhar para a equipa de futebol, uma vez que ainda há 8 mini-nós congelados. Foram prescritas receitas da medicação que vou manter até às 12 semanas, o ambiente era de boa disposição geral.

Os meus olhos estavam com dificuldade em manter-se secos. Permanecia a processar a informação que tinha caído ali, frente a mim e ao meu marido.

"Agora volta no dia 14 de outubro para fazer ecografia. Pode regressar para a sala de espera e vai falar com a enfermeira".

Ouvi ao longo do corredor mais felicitações das enfermeiras e da técnica administrativa que sabiam da boa nova e não me tinham dito nada, safadinhas (no bom sentido)!

Referi há alguns dias que o título do post de hoje seria Dia P ou Dia N.

A conversa com a enfermeira transformou-se num doloroso Nim. Depois de dadas recomendações para estes tempos que se seguirão, comentei com ela que Drª SS (chefe do serviço) disse que o valor era baixinho. Como ela tinha o processo na mão foi espreitar quanto foi o beta (37,55). Ouvi da forma mais direta possível "Esqueça, não vai para a frente." Durante uma fração de segundos algo em mim dizia que a enfermeira estava a brincar comigo. Apercebi-me logo em seguida que não. Continuou dizendo que com base naquilo que tem observado não vai haver evolução e devo começar a mentalizar-me para a realização da próxima TEC. Poderei ter algumas hemorragias até dia 14 e se sentir dores fortes vou logo à urgência de obstetrícia.

Estou apreensiva, para todos os efeitos estou grávida, não sei por quanto tempo mais. Como no HSJ não é feita repetição do beta, sexta-feira vou a um laboratório de análises clínicas ver se há evolução. O meu marido não concordava que o fizesse, mas acabou por dizer que se me fizesse sentir melhor, então deveria avançar.

Agora a parte física...

Quando me fui deitar na noite passada verifiquei que o peito estava a acusar uma ligeira tensão. A constipação já faz praticamente parte da história até apanhar outra. Depois da colheita de sangue comecei a sentir uma dor no esófago que associei à minha gastrite de estimação a anunciar-me que já ando a abusar de medicamentos. A dor no esófago passou a uma azia que perdura até agora, como nunca tive na vida. Se há grávidas que passam por episódios de prisão de ventre, eu estou no oposto. Sou obstipada por natureza mas hoje estou numa situação extrema. Digamos que sou unha e cutícula com aqueles preparados usados antes da realização de colonoscopias. Para quem tem uma ideia do que eles fazem, digo-vos que desta vez não tomei nada disso mas se fizesse hoje, mais uma vez, esse exame, estaria tudo perfeitamente visível. Nunca me aconteceu tal coisa de forma natural. As idas constantes à casa de banho para o xixizinho de grávida estão a ser substituídas pelo libertar de toda a água que tenho e não tenho por outra via... Um filme de terror que já aconteceu 15 vezes hoje!

Volta e meia as pontadas na barriga vão dando sinal.

Mais coisas há a dizer mas será no próximo post.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Dia 12 - TEC 2

É a última vez que escrevo antes de ter conhecimento daquele número que dita o sucesso ou fracasso desta TEC.

Espero poder descobrir que esta é A TEC, aquela que resulta na viragem mais significativa que alguma vez poderia imaginar. Desejo que não seja a conclusão de que afinal são já 4, os filhos que não verei crescer.

Não fiz nenhum teste de gravidez por consideração ao meu marido que tem uma postura muito discreta neste assunto. Raramente fala acerca dele e a única coisa convicta que disse na TEC anterior foi que só saberemos o resultado através da realização única e exclusiva da análise sanguínea. Pensando bem, apesar de gostar de antecipar todos os cenários possíveis e imaginários nos factos que me rodeiam, não me importo de ser surpreendida com a notícia de uma gravidez através de interposta pessoa. Se for para me dizerem outra vez que ainda não foi desta, que remédio tenho eu se não engolir em seco.

Seria indelicado da minha parte não aproveitar este momento para enaltecer, mais uma vez, quem tem vindo a transmitir a sua força através deste espaço. As fantásticas guerreiras a quem me refiro são as seguintes:

Our baby journey
Mateus Maria
Diana Lopes
Mia Bella
Sandra Mateus
Dream
Mylittlefairytale
Gracinha
Ana
PM

Eu, Patrícia, agradeço-vos do fundo do coração.

Encontramo-nos em estados diferentes do combate à maldita, felizmente já há pequeninas vidas a caminho como prova que a coisa ruim não é invencível. Sei que o(s) meu(s) e os vossos chegarão, porque somos mais fortes que a Infertilidade.