domingo, 5 de novembro de 2017
Dia 9 (update)
Pouco depois de ter publicado o post anterior fui colocar Progeffik. Quando cheguei à casa de banho vi um pequeno vestígio de sangue acastanhado. Veio umas horas mais tarde que da outra vez. Espero que não se repita o que aconteceu na última TEC, se é para passar pelo mesmo, prefiro logo um negativo.
sábado, 4 de novembro de 2017
Dia 9 - TEC 5
A contagem decrescente está a terminar. Não houve sinais de sangramento mas repetidas vezes, quando me levanto, sou invadida por uma dor bastante aguda no baixo ventre, que incide um bocadinho à direita. O corrimento líquido incolor e inodoro já se instalou e a gastrite deu alguns sinais. Se acho que o resultado vai ser positivo? Não! Tive outrora dores com resultado negativo, assim como o corrimento líquido. A tensão mamária é cada vez mais tardia e ainda é impercetível.
Pensei que a toma prolongada do corticóide me fosse deixar com um ar insuflado como quando era criança e tinha de usar a bomba para a asma. Curiosamente não noto que esteja fisicamente diferente em relação à TEC 4, por exemplo. Na TEC 3 o volume abdominal aumentou significativamente, contudo essa mudança deveu-se apenas à medicação, como veio a ser confirmado no beta.
Em 3 dias, por esta hora, o mistério estará desvendado. À semelhança do que referi em outras ocasiões um positivo não me basta. Não sinto confiança suficiente para lançar foguetes e achar que o assunto está resolvido. Tanta coisa pode acontecer...
Apenas a quem me acompanha por aqui e num dos locais onde trabalho dei conhecimento da existência desta TEC. Mais ninguém que eu conheça sabe. Depois de tanta desilusão o meu marido quis que mantivéssemos de fora a família e amigos no acompanhamento de transferências até haver algo concreto e com uma margem de conforto significativa para podermos anunciar uma boa nova. Esse dia poderá nunca chegar porém manteremos a mágoa entre nós.
Pensei que a toma prolongada do corticóide me fosse deixar com um ar insuflado como quando era criança e tinha de usar a bomba para a asma. Curiosamente não noto que esteja fisicamente diferente em relação à TEC 4, por exemplo. Na TEC 3 o volume abdominal aumentou significativamente, contudo essa mudança deveu-se apenas à medicação, como veio a ser confirmado no beta.
Em 3 dias, por esta hora, o mistério estará desvendado. À semelhança do que referi em outras ocasiões um positivo não me basta. Não sinto confiança suficiente para lançar foguetes e achar que o assunto está resolvido. Tanta coisa pode acontecer...
Apenas a quem me acompanha por aqui e num dos locais onde trabalho dei conhecimento da existência desta TEC. Mais ninguém que eu conheça sabe. Depois de tanta desilusão o meu marido quis que mantivéssemos de fora a família e amigos no acompanhamento de transferências até haver algo concreto e com uma margem de conforto significativa para podermos anunciar uma boa nova. Esse dia poderá nunca chegar porém manteremos a mágoa entre nós.
Dia 8 - TEC 5
Aproxima-se o dia do beta e os níveis de ansiedade são mínimos. Em raras ocasiões tenho dores idênticas às menstruais que duram alguns segundos apenas. Tenho-me queixado tanto do abuso químico a que estou sujeita mas gostava que a minha malinha fosse despejando nas próximas semanas, era muito bom sinal.
Mais uma vez surge a vontade de fazer planos para os próximos tempos mas, como tem sido costume nestes 6 anos, é complicado. Será fácil resolver essa questão se o resultado do beta for negativo e encerrar definitivamente a luta. Tenho de pensar se estou disposta a abdicar de cerca de mais 2 anos de um curso" normal" de vida em benefício de outra saga. A ver bem as coisas, nem sei ao certo o que é isso da normalidade na vida. Se o meu futuro passar pelo envelhecimento sem conhecer o real sentido da maternidade vou ter de aprender a conhecer-me, porque tenho vivido para uma causa fictícia. Tenho privado com o improviso com tanta frequência, logo eu que gosto de sentir controlo sobre o meu quotidiano. Parece que anda tudo do avesso, respondo a solicitações constantes, no entanto sinto-me incapaz de pedir ajuda. Sempre tentei desenrascar-me o melhor que conseguia pelos meus meios, porque quando precisava de realizar alguma coisa que pressupunha a participação de outras pessoas, deparava-me com laxismo ou falta de sentido de responsabilidade. Esta dependência de um sistema que envolve várias pessoas para a concretização do objetivo de sermos pais é exatamente o oposto do que tenho feito na minha existência e isso deixa-me ainda mais frustrada. Isto está a testar os meus limites de tolerância que, diga-se de passagem, têm uma amplitude significativa.
Mais uma vez surge a vontade de fazer planos para os próximos tempos mas, como tem sido costume nestes 6 anos, é complicado. Será fácil resolver essa questão se o resultado do beta for negativo e encerrar definitivamente a luta. Tenho de pensar se estou disposta a abdicar de cerca de mais 2 anos de um curso" normal" de vida em benefício de outra saga. A ver bem as coisas, nem sei ao certo o que é isso da normalidade na vida. Se o meu futuro passar pelo envelhecimento sem conhecer o real sentido da maternidade vou ter de aprender a conhecer-me, porque tenho vivido para uma causa fictícia. Tenho privado com o improviso com tanta frequência, logo eu que gosto de sentir controlo sobre o meu quotidiano. Parece que anda tudo do avesso, respondo a solicitações constantes, no entanto sinto-me incapaz de pedir ajuda. Sempre tentei desenrascar-me o melhor que conseguia pelos meus meios, porque quando precisava de realizar alguma coisa que pressupunha a participação de outras pessoas, deparava-me com laxismo ou falta de sentido de responsabilidade. Esta dependência de um sistema que envolve várias pessoas para a concretização do objetivo de sermos pais é exatamente o oposto do que tenho feito na minha existência e isso deixa-me ainda mais frustrada. Isto está a testar os meus limites de tolerância que, diga-se de passagem, têm uma amplitude significativa.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Dia 7 - TEC 5
Aproxima-se aquele período em que na última transferência me apercebi do início das perdas de sangue. Só aconteceu na TEC 4, se algo semelhante suceder, será por volta de sábado. Não houve nada de diferente em relação a ontem, aqueles instantes de pressão súbita no útero ocorrem, no máximo, umas três vezes por dia.
Amanhã terá passado uma semana, não tem sido complicado passar o tempo. Os mini-nós resistentes, made in fevereiro de 2016 chegaram a conhecer um 2017 sinistro. Tenho as minhas sérias dúvidas de que fiquem por cá até julho de 2018. Por vezes parece que estou a fazer um estudo científico em que a cobaia que nunca dá em nada sou eu, mesmo assim persisto... persisto... sempre a cometer o erro parvo de me sujeitar ao que é praticamente óbvio: a infertilidade está a ganhar-me a léguas e não a irei vencer.
Amanhã terá passado uma semana, não tem sido complicado passar o tempo. Os mini-nós resistentes, made in fevereiro de 2016 chegaram a conhecer um 2017 sinistro. Tenho as minhas sérias dúvidas de que fiquem por cá até julho de 2018. Por vezes parece que estou a fazer um estudo científico em que a cobaia que nunca dá em nada sou eu, mesmo assim persisto... persisto... sempre a cometer o erro parvo de me sujeitar ao que é praticamente óbvio: a infertilidade está a ganhar-me a léguas e não a irei vencer.
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
Dia 6 - TEC 5
Dia 1 de novembro, especialmente para quem vive no norte, sabe o que isso significa. Pelo menos deu para distrair do estado pré-beta e privei algum tempo com a minha mais recente sobrinha de 4 patas, uma pequena rebelde que gosta de deixar as suas marquinhas. É irresistível como o facto de só olharmos para ela é motivo suficiente para partir para o ataque. Tinha saudades de estar com uma gatinha tão pequenina.
Os efeitos da medicação começam a sentir-se. Ligeiro aumento do volume mamário, uma vez por outra alguma pressão no útero devido ao estado "nuvem fofa" em que se deve encontrar. Não é nada que nunca tenha acontecido antes, foi assim em todas as transferências.
Estou a meio do percurso desta TEC, o tempo tem passado relativamente rápido, provavelmente por estar quase sempre ocupada. Tem sido nestes diários que tenho dedicado um pouco dos meus pensamentos TECofílicos. E não, ainda não tomei aquela decisão, nem me tenho debruçado sobre o assunto.
Os efeitos da medicação começam a sentir-se. Ligeiro aumento do volume mamário, uma vez por outra alguma pressão no útero devido ao estado "nuvem fofa" em que se deve encontrar. Não é nada que nunca tenha acontecido antes, foi assim em todas as transferências.
Estou a meio do percurso desta TEC, o tempo tem passado relativamente rápido, provavelmente por estar quase sempre ocupada. Tem sido nestes diários que tenho dedicado um pouco dos meus pensamentos TECofílicos. E não, ainda não tomei aquela decisão, nem me tenho debruçado sobre o assunto.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Dia 5 - TEC 5
Eis-me! Boa noite e obrigada! É mais ou menos isto...
O trabalho rola, a rotina medicamentosa está completamente instalada, a vida segue controlada ao minuto para não descarrilar, pois desenvolvo a minha atividade em vários sítios. Não há muito tempo para analisar se o coração continua a bater, ainda que de forma irregular, como descobri há uns meses, se há pontadas, tensão ou algum sinal de fumo que indique que algo se passa. Ainda bem que está a ser assim, preciso de concentração, porque o meu trabalho é essencialmente intelectual. A única "queixa" que tenho é que no final da manhã senti cansaço na zona dos gémeos, como se tivesse tido cãibras durante a noite. Acumulo medicação diversa que pode interagir e tem os seus efeitos secundários. Com tanta coisa que tomo estou admirada por me sentir tão bem aliás, a gastrite praticamente não se tem manifestado.
Há alguns pensamentos que tenho sobre o rumo desta TEC. A sequência do meu histórico tem sido: negativo - positivo - negativo - positivo. O que me parece lógico, porque procuramos sempre um sentido para este caos interior é que, obviamente, é a vez do negativo. Se, por alguma exceção, voltar a ser positivo, remato automaticamente a ideia com um destino fatal que ainda não experienciei e, nesse âmbito traço diversas possibilidades que não vale a pena referir neste momento. Como se pode ver, nunca concluo o cenário com um final idílico, não consigo.
Mantenho o processo de procrastinação, porque falta-me descobrir o momento ideal para tomar a minha decisão definitiva. Então vou adiando... adiando... Ups! A deadline é daqui a uma semana! Preocupa-me mais esse aspeto do que o resultado do beta, o que é estranho. Tenho de fazer um esforço para ponderar o futuro, analisando o passado. Há alturas em que me irrita ser adulta e esta é uma delas.
O trabalho rola, a rotina medicamentosa está completamente instalada, a vida segue controlada ao minuto para não descarrilar, pois desenvolvo a minha atividade em vários sítios. Não há muito tempo para analisar se o coração continua a bater, ainda que de forma irregular, como descobri há uns meses, se há pontadas, tensão ou algum sinal de fumo que indique que algo se passa. Ainda bem que está a ser assim, preciso de concentração, porque o meu trabalho é essencialmente intelectual. A única "queixa" que tenho é que no final da manhã senti cansaço na zona dos gémeos, como se tivesse tido cãibras durante a noite. Acumulo medicação diversa que pode interagir e tem os seus efeitos secundários. Com tanta coisa que tomo estou admirada por me sentir tão bem aliás, a gastrite praticamente não se tem manifestado.
Há alguns pensamentos que tenho sobre o rumo desta TEC. A sequência do meu histórico tem sido: negativo - positivo - negativo - positivo. O que me parece lógico, porque procuramos sempre um sentido para este caos interior é que, obviamente, é a vez do negativo. Se, por alguma exceção, voltar a ser positivo, remato automaticamente a ideia com um destino fatal que ainda não experienciei e, nesse âmbito traço diversas possibilidades que não vale a pena referir neste momento. Como se pode ver, nunca concluo o cenário com um final idílico, não consigo.
Mantenho o processo de procrastinação, porque falta-me descobrir o momento ideal para tomar a minha decisão definitiva. Então vou adiando... adiando... Ups! A deadline é daqui a uma semana! Preocupa-me mais esse aspeto do que o resultado do beta, o que é estranho. Tenho de fazer um esforço para ponderar o futuro, analisando o passado. Há alturas em que me irrita ser adulta e esta é uma delas.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Dia 4 - TEC 5
Mais um dia passou em que praticamente deu para esquecer que fiz uma transferência. É muito melhor enfrentar o período que antecede o beta se nos distrairmos o máximo possível. Salvo indicação contrária, não voltaria a repetir aqueles dias consecutivos de repouso no sossego do lar, em que a cabeça não faz mais que procurar sintomas, pensar no número de células dos embriões, ficar indecisa entre fazer ou não teste de gravidez. A meu ver, é um tremendo erro. Nem falo dos benefícios físicos da movimentação.
"O psicológico", muitas vezes empregue erradamente como substantivo, quando o que se pretende é falar da condição psicológica, tem uma fatia preponderante na forma como encaramos todos os processos associados ao tratamento da infertilidade. Não estou a ter apoio especializado nesse âmbito, nem tenho conhecimento no terreno que me permita dizer que o mesmo me traria benefícios. Acredito que haja quem lhe reconheça vantagens, assim como quem lhe seja averso por ideias pré-concebidas, como por experiências negativas ou ausência de melhorias. No meu caso, simplesmente não sinto necessidade.
De uma coisa tenho conhecimento de causa, isto não é pêra doce. É uma verdadeira provação que põe em causa toda a harmonia e estabilidade que procuramos. Abala relações, pode destruí-las ou torná-las mais coesas, mexe com a dinâmica do casal, as relações familiares, de amizade e até mesmo com o ambiente profissional. Ou seja, toda a esfera que circunda os agentes envolvidos é revirada e o Eu sente uma sobrecarga difícil de suportar, que pode piorar quando surge o insucesso. A infertilidade dói e é subestimada. É preciso mais sensibilidade para dar um real apoio àqueles corações que sangram de cada vez que tropeçam em mais uma pedra.
Fisicamente comigo está tudo igual, não há sinais de sangue. A minha revolta atenuou um bocadinho, talvez por ter escrito este post.
"O psicológico", muitas vezes empregue erradamente como substantivo, quando o que se pretende é falar da condição psicológica, tem uma fatia preponderante na forma como encaramos todos os processos associados ao tratamento da infertilidade. Não estou a ter apoio especializado nesse âmbito, nem tenho conhecimento no terreno que me permita dizer que o mesmo me traria benefícios. Acredito que haja quem lhe reconheça vantagens, assim como quem lhe seja averso por ideias pré-concebidas, como por experiências negativas ou ausência de melhorias. No meu caso, simplesmente não sinto necessidade.
De uma coisa tenho conhecimento de causa, isto não é pêra doce. É uma verdadeira provação que põe em causa toda a harmonia e estabilidade que procuramos. Abala relações, pode destruí-las ou torná-las mais coesas, mexe com a dinâmica do casal, as relações familiares, de amizade e até mesmo com o ambiente profissional. Ou seja, toda a esfera que circunda os agentes envolvidos é revirada e o Eu sente uma sobrecarga difícil de suportar, que pode piorar quando surge o insucesso. A infertilidade dói e é subestimada. É preciso mais sensibilidade para dar um real apoio àqueles corações que sangram de cada vez que tropeçam em mais uma pedra.
Fisicamente comigo está tudo igual, não há sinais de sangue. A minha revolta atenuou um bocadinho, talvez por ter escrito este post.
domingo, 29 de outubro de 2017
Dia 3 - TEC 5
Estive numa festa de aniversário de um menino maravilhoso que nasceu no mês anterior ao início da minha novela no mundo da infertilidade. Muitas crianças estiveram presentes, a maioria mais novos que ele, com idade para serem amiguinhos das várias crias que eu já poderia ter posto no mundo, desde que entrei nesta luta. Não me incomodou partilhar o mesmo espaço, talvez por estar mentalizada que essa dinâmica frenética faz parte de um mundo paralelo ao meu em que a biologia decretou que sou persona non grata. Pouco depois de chegarmos fomos surpreendidos com um jogo em que eu e o meu marido, na qualidade de recém casados, tivemos de segurar uma pequena bola com as nossas testas enquanto percorríamos uma pista desenhada no chão. Ouvi por duas dolorosas vezes, alto e bom som, por parte de alguém que não faz a mínima ideia da nossa história "de cada vez que a bola cair são trigémeos que vêm!" Claro que não houve qualquer maledicência na expressão daquelas palavras, é apenas fruto da assunção de que as pessoas estão automaticamente aptas a pôr cá fora ranchos de filhos com a mesma facilidade com que se bebe um copo de água. Contudo, na fase em que me encontro, preferia não ter de me lembrar novamente da minha especificidade.
Pelos vistos fiz uma transferência na sexta-feira passada, até vi os dois pontinhos brilhantes a serem colocados no apartamento. Não há nada a assinalar sobre o assunto. Ainda não sinto efeitos da medicação, por vezes a gastrite faz as suas gracinhas mas, regra geral, estou bem. A única coisa que tenho reparado é que passo a vida a abrir embalagens de medicamentos. Tenho um necéssaire destinado apenas a caixas dedicadas à infertilidade que não fecha de tão abarrotado que está. O meu corpo é um contentor de pequenos cilindros e ovinhos que se vão consumindo num organismo que, de natural, já tem muito pouco.
Pelos vistos fiz uma transferência na sexta-feira passada, até vi os dois pontinhos brilhantes a serem colocados no apartamento. Não há nada a assinalar sobre o assunto. Ainda não sinto efeitos da medicação, por vezes a gastrite faz as suas gracinhas mas, regra geral, estou bem. A única coisa que tenho reparado é que passo a vida a abrir embalagens de medicamentos. Tenho um necéssaire destinado apenas a caixas dedicadas à infertilidade que não fecha de tão abarrotado que está. O meu corpo é um contentor de pequenos cilindros e ovinhos que se vão consumindo num organismo que, de natural, já tem muito pouco.
sábado, 28 de outubro de 2017
Dia 2 - TEC 5
Nada como fazer uma vida, o mais normal possível, para esquecer que mais uma TEC entrou no meu currículo. Ando tão alheia ao processo que só hoje me apercebi que o beta está marcado apenas 11 dias após a transferência. Isto é o 8 e o 80. Da última vez foi 15 dias depois.
Faço diariamente um esforço para me recordar de tudo o que tenho de tomar ou se, eventualmente, já tomei. Não costumava ser assim.
Sei que tenho uma decisão a tomar. Estou só a procrastinar um bocadinho para não correr o risco de me precipitar.
Gostava de estar otimista, carregada de esperança, mas não consigo. É só mais um processo que se instalou no meu quotidiano, até estava a estranhar passar tanto tempo ausente da sala de espera do piso 3. Desenvolvi um género de Síndrome de Estocolmo em relação a estes rituais. Recuso-me a equacionar como estarão os embriões, acho que não faz sentido. Quero manter-me neutra, a roçar o fria, como mecanismo de defesa. Evito depositar emoções coloridas pois a infertilidade tem pintado o ânimo em tons de cinzento. Disse em tempos que a desprezava, nada mudou.
Ontem esqueci-me de atualizar a terapêutica que mantenho. É então Eutirox 100, 3 comprimidos de Estrofem, 1 comprimido de Acfol, Progefikk a cada 8h, 1 comprimido de Cartia, 1 comprimido de Lepicortinolo e terça repito 1 comprimido de Molinar. Coisa pouca...
Faço diariamente um esforço para me recordar de tudo o que tenho de tomar ou se, eventualmente, já tomei. Não costumava ser assim.
Sei que tenho uma decisão a tomar. Estou só a procrastinar um bocadinho para não correr o risco de me precipitar.
Gostava de estar otimista, carregada de esperança, mas não consigo. É só mais um processo que se instalou no meu quotidiano, até estava a estranhar passar tanto tempo ausente da sala de espera do piso 3. Desenvolvi um género de Síndrome de Estocolmo em relação a estes rituais. Recuso-me a equacionar como estarão os embriões, acho que não faz sentido. Quero manter-me neutra, a roçar o fria, como mecanismo de defesa. Evito depositar emoções coloridas pois a infertilidade tem pintado o ânimo em tons de cinzento. Disse em tempos que a desprezava, nada mudou.
Ontem esqueci-me de atualizar a terapêutica que mantenho. É então Eutirox 100, 3 comprimidos de Estrofem, 1 comprimido de Acfol, Progefikk a cada 8h, 1 comprimido de Cartia, 1 comprimido de Lepicortinolo e terça repito 1 comprimido de Molinar. Coisa pouca...
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
TEC 5
Mais uma transferência feita, a última que resultou da FIV de fevereiro de 2016. Sim, a última. Pela primeira vez houve problemas na descongelação. Tinha 2 palhetas com 2 embriões em cada uma. Numa das palhetas um dos embriões degenerou. Na segunda palheta um embrião revelou um desenvolvimento anómalo. Tenho comigo um mini-nós em início de compactação e outro já compactado.
Confesso que me passou pela cabeça que esta seria a última TEC da ronda. Não me sinto animada. Até porque tenho de tomar uma decisão até dia 7 de novembro, que é a data do beta. É-me dada a possibilidade de fazer mais uma FIV. A questão é que ainda não sei se tenho estofo para recomeçar. Se durante anos esperei pela oportunidade de fazer tratamentos, agora constato que me sinto esgotada.
Pelo meu marido, enquanto nos forem dadas oportunidades avançamos sempre, desde que eu esteja disposta. Até ao momento foram 13 possibilidades, a maioria delas canceladas. Os 8 cancelamentos não superam os 10 ou 12 embriões perdidos. Estou a tomar atualmente 10 comprimidos por dia e pergunto-me qual o sentido disto? Se calhar a esta hora já não habita vida dentro de mim, ando a persistir numa ideia que nunca irá ter concretização, para no final a vida rolar com um sentimento de incapacidade por não conseguir levar para a frente algo tão primitivo.
Estou a ter verdadeiramente um conflito interior. Tenho raiva de mim, da minha inutilidade, de pensar que todos estes anos não me vão servir de nada e que a minha estúpida teimosia me tem arruinado aos poucos, quando já estava mais que sabido que a maternidade não é para mim. Não devo merecer conhecer esse lado da vida, a pedra no sapato que me incomoda desde os 14 anos vai lembrar-me todos os dias que fui destinada a ser falhada.
Ontem casámo-nos, foi especial, hoje voltei a ser assombrada pela maldita infertilidade que se apoderou de nós. Tenho de pensar o que farei e não me apetece ter de refletir acerca disso. O momento chegou uns meses mais cedo do que supunha e apetece-me ficar letárgica.
Confesso que me passou pela cabeça que esta seria a última TEC da ronda. Não me sinto animada. Até porque tenho de tomar uma decisão até dia 7 de novembro, que é a data do beta. É-me dada a possibilidade de fazer mais uma FIV. A questão é que ainda não sei se tenho estofo para recomeçar. Se durante anos esperei pela oportunidade de fazer tratamentos, agora constato que me sinto esgotada.
Pelo meu marido, enquanto nos forem dadas oportunidades avançamos sempre, desde que eu esteja disposta. Até ao momento foram 13 possibilidades, a maioria delas canceladas. Os 8 cancelamentos não superam os 10 ou 12 embriões perdidos. Estou a tomar atualmente 10 comprimidos por dia e pergunto-me qual o sentido disto? Se calhar a esta hora já não habita vida dentro de mim, ando a persistir numa ideia que nunca irá ter concretização, para no final a vida rolar com um sentimento de incapacidade por não conseguir levar para a frente algo tão primitivo.
Estou a ter verdadeiramente um conflito interior. Tenho raiva de mim, da minha inutilidade, de pensar que todos estes anos não me vão servir de nada e que a minha estúpida teimosia me tem arruinado aos poucos, quando já estava mais que sabido que a maternidade não é para mim. Não devo merecer conhecer esse lado da vida, a pedra no sapato que me incomoda desde os 14 anos vai lembrar-me todos os dias que fui destinada a ser falhada.
Ontem casámo-nos, foi especial, hoje voltei a ser assombrada pela maldita infertilidade que se apoderou de nós. Tenho de pensar o que farei e não me apetece ter de refletir acerca disso. O momento chegou uns meses mais cedo do que supunha e apetece-me ficar letárgica.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Mudança de data
Perto das 14 horas recebi uma chamada da enfermeira. Quando se identificou pensei logo que era para dizer que nenhum dos 4 embriões tinha sobrevivido. Afinal não foi. Era para se certificar do dia em que iniciei o Progeffik. Respondi que foi na segunda à tarde, então tive de aguardar que me contactasse outra vez, porque ia falar com a bióloga. A segunda chamada foi para confirmar que a TEC 5 será na sexta e não amanhã como estava previsto.
Sendo assim, amanhã caso, à tarde vou trabalhar. Sexta faço a TEC, à tarde fico por casa e sábado trabalho. Se não fizesse transferência tínhamos um fim de semana a dois planeado. Como houve este desenvolvimento decidimos não arriscar fazer algumas centenas de quilómetros. Certamente surgirão muitas oportunidades para tirarmos um pequenino tempo apenas para nós, sem preocupações.
Mais uma vez nos deparámos com mudanças de planos. Sinto que vivo na base do improviso, o meu quotidiano é rodeado de planos a, b, c... Esse foi um dos fatores que nos levou a optar por um casamento no extremo da simplicidade. Estamos saturados e a ausência de stress que quisemos impor ao casamento tornam-no especial para nós. Queremos tranquilidade e o facto de termos procedido à remarcação devido à greve da função pública já nos bastou. Por acaso não havia qualquer logística associada à celebração da cerimónia, nem convidados, mas esse pormenorzinho podia ser fonte de grandes complicações.
Sinto-me em paz, era o que mais queria nesta altura.
Sendo assim, amanhã caso, à tarde vou trabalhar. Sexta faço a TEC, à tarde fico por casa e sábado trabalho. Se não fizesse transferência tínhamos um fim de semana a dois planeado. Como houve este desenvolvimento decidimos não arriscar fazer algumas centenas de quilómetros. Certamente surgirão muitas oportunidades para tirarmos um pequenino tempo apenas para nós, sem preocupações.
Mais uma vez nos deparámos com mudanças de planos. Sinto que vivo na base do improviso, o meu quotidiano é rodeado de planos a, b, c... Esse foi um dos fatores que nos levou a optar por um casamento no extremo da simplicidade. Estamos saturados e a ausência de stress que quisemos impor ao casamento tornam-no especial para nós. Queremos tranquilidade e o facto de termos procedido à remarcação devido à greve da função pública já nos bastou. Por acaso não havia qualquer logística associada à celebração da cerimónia, nem convidados, mas esse pormenorzinho podia ser fonte de grandes complicações.
Sinto-me em paz, era o que mais queria nesta altura.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Dois em um
Foi dia de eco e segundo a complicada terminologia médica para estes assuntos de infertilidade, o endométrio está na categoria de "bonito".
A TEC foi marcada adivinhe-se para quando? 26 de outubro, dia em que nos vamos casar! Quando dissemos à médica que era o dia do nosso enlace ela perguntou se queríamos fazer no dia seguinte uma vez que a TEC é programada. Não quisemos adiar, já marcámos a hora de abertura da Conservatória a contar com essa possibilidade, por isso seguimos com a nossa decisão. A brincar respondeu que poderemos vir a dizer que engravidámos no dia do nosso casamento. Era bom que assim fosse e, já agora, que resultasse numa gravidez bem sucedida.
Ando bem disposta, estou feliz!
A TEC foi marcada adivinhe-se para quando? 26 de outubro, dia em que nos vamos casar! Quando dissemos à médica que era o dia do nosso enlace ela perguntou se queríamos fazer no dia seguinte uma vez que a TEC é programada. Não quisemos adiar, já marcámos a hora de abertura da Conservatória a contar com essa possibilidade, por isso seguimos com a nossa decisão. A brincar respondeu que poderemos vir a dizer que engravidámos no dia do nosso casamento. Era bom que assim fosse e, já agora, que resultasse numa gravidez bem sucedida.
Ando bem disposta, estou feliz!
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Declaro aberta nova temporada!
A manhã não foi tão dramática como inicialmente pensei. Consegui sair do hospital às 11h45, o que é excelente em relação ao que é habitual. O endométrio está no sítio, os ovários estão sempre mascarados da mesma forma, ou seja, são dois monos que andam ali a ocupar espaço, o meu ânimo está num nível de nulidade.
Agora vem a lista do que se espera ser uma receita milagrosa, com uma percentagem relevante de empirismo.
De manhã:
- 1 comprimido de Eutirox 100 (eu e ele somos um só até ao fim dos meus dias);
- 1 comprimido de Acfol;
- 1 comprimido de Molinar (vitamina D) daqui a 15 dias tomo mais um comprimido;
- 1 comprimido de Estrofem;
- 1 comprimido de Cartia;
- 1 comprimido de Lepicortinolo (corticóide).
À noite:
- 1 comprimido de Estrofem.
Isto é só o aquecimento, na próxima semana vem mais. Paralelamente estou a tratar da primeira constipação do ano letivo. Trabalhar com alunos tem destas coisas e como sou uma pessoa muito solidária, sempre que algum jovem está constipado, uns dois dias depois comungo do mesmo estado.
Perguntei se era oportuno tomar a vacina da gripe nesta altura em que a TEC está à porta e a médica desaconselhou. Fixe, as próximas semanas prometem.
Vou tomar Molinar e Acfol em vez daqueles suplementos como o Natalben e Matervita, porque na composição têm iodo que para mim não é bom. A minha tiróide que está controlada há tantos anos podia não tolerar muito bem.
Segunda-feira regresso ao hospital para nova ecografia. Pelo meio de tudo isto vou casar durante a próxima semana. Está marcado para o horário de abertura da Conservatória para não atrapalhar muito a vida se tiver de ir ao hospital. Se não for também o dia da TEC ainda vou trabalhar de tarde até à hora de jantar. Tive de alterar a data do casamento, porque os sindicatos da função pública decidiram emitir um pré-aviso de greve no dia em que estava inicialmente agendado. Seria desagradável batermos com o nariz na porta, então não quisemos arriscar. O meu quase oficial marido vai usufruir de licença de casamento, a minha pessoa não pode. Como se pode ver, a vida está um oásis!
Agora vem a lista do que se espera ser uma receita milagrosa, com uma percentagem relevante de empirismo.
De manhã:
- 1 comprimido de Eutirox 100 (eu e ele somos um só até ao fim dos meus dias);
- 1 comprimido de Acfol;
- 1 comprimido de Molinar (vitamina D) daqui a 15 dias tomo mais um comprimido;
- 1 comprimido de Estrofem;
- 1 comprimido de Cartia;
- 1 comprimido de Lepicortinolo (corticóide).
À noite:
- 1 comprimido de Estrofem.
Isto é só o aquecimento, na próxima semana vem mais. Paralelamente estou a tratar da primeira constipação do ano letivo. Trabalhar com alunos tem destas coisas e como sou uma pessoa muito solidária, sempre que algum jovem está constipado, uns dois dias depois comungo do mesmo estado.
Perguntei se era oportuno tomar a vacina da gripe nesta altura em que a TEC está à porta e a médica desaconselhou. Fixe, as próximas semanas prometem.
Vou tomar Molinar e Acfol em vez daqueles suplementos como o Natalben e Matervita, porque na composição têm iodo que para mim não é bom. A minha tiróide que está controlada há tantos anos podia não tolerar muito bem.
Segunda-feira regresso ao hospital para nova ecografia. Pelo meio de tudo isto vou casar durante a próxima semana. Está marcado para o horário de abertura da Conservatória para não atrapalhar muito a vida se tiver de ir ao hospital. Se não for também o dia da TEC ainda vou trabalhar de tarde até à hora de jantar. Tive de alterar a data do casamento, porque os sindicatos da função pública decidiram emitir um pré-aviso de greve no dia em que estava inicialmente agendado. Seria desagradável batermos com o nariz na porta, então não quisemos arriscar. O meu quase oficial marido vai usufruir de licença de casamento, a minha pessoa não pode. Como se pode ver, a vida está um oásis!
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Quinta ronda...
Amanhã adivinha-se uma daquelas manhãs que me vai ocupar várias horas entre salas de espera no HSJ. Quando consegui contactar o piso de Medicina da Reprodução (após umas vinte tentativas realizadas num período de duas horas e meia) fui avisada que amanhã vai ser um dia complicado - como é quase sempre. Mesmo assim, a ecografia ficou marcada para as 9h30. Como é habitual seguir-se-á consulta e eventualmente conversa com a enfermeira sobre o plano terapêutico.
Vou ser honesta no que toca ao meu grau de motivação relativamente a este período. Quero despachar isto. Esta situação está a tornar-se um fardo para mim. Tanto tempo, sacrifício e desgosto estão a esmagar-me aos poucos. Não quero desistir antes de esgotar os embriões que me restam mas também não quero investir mais de mim numa nova estimulação. Como ninguém me pode garantir que a solução milagrosa estará nalgum embrião que resulte de nova FIV, colocarei um ponto final na minha caminhada quando a minha dúzia de mini-nós terminar.
Sei que esta minha decisão é contrária à busca de conforto por parte de quem me lê, contudo estes 6 anos a que somo mais uns 17 (pela minha história clínica) têm-me provocado um desgaste que só eu tenho capacidade para compreender como me afetam.
Para agilizar a TEC 5 é bom que o endométrio cresça devidamente, os embriões descongelem favoravelmente, a medicação surta os efeitos desejados, a nidação seja perfeita. Quanto ao resultado, evidentemente que seja positivo, mas sinceramente estou a borrifar-me para os valores, fiquei traumatizada com isso. O que importa é que desta vez o princípio, meio e fim sejam o que sempre sonhei.
Vou ser honesta no que toca ao meu grau de motivação relativamente a este período. Quero despachar isto. Esta situação está a tornar-se um fardo para mim. Tanto tempo, sacrifício e desgosto estão a esmagar-me aos poucos. Não quero desistir antes de esgotar os embriões que me restam mas também não quero investir mais de mim numa nova estimulação. Como ninguém me pode garantir que a solução milagrosa estará nalgum embrião que resulte de nova FIV, colocarei um ponto final na minha caminhada quando a minha dúzia de mini-nós terminar.
Sei que esta minha decisão é contrária à busca de conforto por parte de quem me lê, contudo estes 6 anos a que somo mais uns 17 (pela minha história clínica) têm-me provocado um desgaste que só eu tenho capacidade para compreender como me afetam.
Para agilizar a TEC 5 é bom que o endométrio cresça devidamente, os embriões descongelem favoravelmente, a medicação surta os efeitos desejados, a nidação seja perfeita. Quanto ao resultado, evidentemente que seja positivo, mas sinceramente estou a borrifar-me para os valores, fiquei traumatizada com isso. O que importa é que desta vez o princípio, meio e fim sejam o que sempre sonhei.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Falta pouco
Sábado inicio o Provera para induzir o ciclo que marcará a TEC 5. Tomei o antibiótico durante 16 dias e com este surgiram efeitos secundários quase imediatos que perduram, se bem que o primeiro está quase resolvido e outro está a manifestar-se. Tive a amarga experiência de conhecer a Cândida, a Albicans, logo no segundo dia da terapêutica com o antibiótico. Houve poucas ocasiões da minha vida em que tomei este tipo de medicamento e desconhecia que um dos efeitos adversos mais frequentes era precisamente esta "amiga" manifestar-se com todo o seu esplendor. Tive de a aniquilar e findo o tratamento com aquelas bazucas do primo da penicilina deparo-me com um problema de urticária nas pernas e braços. Espero que isto passe rapidamente e me dê o sossego necessário para encarar a TEC.
Está previsto ser um ataque feroz, com uma miscelânea de químicos que vai combater muitas frentes. Pretendo voltar a dar cumprimento ao esquema de repouso da última vez que é de ficar por casa apenas no dia da transferência, sem me deitar. Digamos que esta TEC e, eventualmente a próxima, serão o tira-teimas, o vai ou racha com que me deverei despedir desta batalha.
Está previsto ser um ataque feroz, com uma miscelânea de químicos que vai combater muitas frentes. Pretendo voltar a dar cumprimento ao esquema de repouso da última vez que é de ficar por casa apenas no dia da transferência, sem me deitar. Digamos que esta TEC e, eventualmente a próxima, serão o tira-teimas, o vai ou racha com que me deverei despedir desta batalha.
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Endonews
Como referi ontem, pretendia ir ao hospital esta manhã e assim aconteceu. O resultado da biópsia não estava no sistema, o meu processo estava na secretária da Drª S com a indicação de ver com urgência se havia novidades.
Ainda era cedo quando lá fui e a médica não tinha chegado. A uns metros de casa, no regresso, recebi uma SMS com uma receita eletrónica. Verifiquei na Plataforma de Dados da Saúde (recomendo o registo) a que dizia respeito. Ainda equacionei que tivesse sido a minha médica de família, porque enviei-lhe na semana passada uns relatórios de exames. Não foi, vi que a receita era do HSJ com a prescrição de duas embalagens de ácido clavulâmico + amoxicilina, de 12 em 12h, que associei logo a antibiótico. A primeira ideia que me ocorreu era que o relatório acusava uma endometrite, que normalmente é tratada com antibiótico durante duas semanas. Fui logo à farmácia e aguardei que me telefonassem, pois seria de esperar que me fossem dadas instruções. Eram 13h e ainda nada tinha sido dito, então telefonei eu. Parece que uma enfermeira estava incumbida de me contactar mas antecipei-me. A técnica administrativa (sempre impecável, sem qualquer ironia) foi consultar o meu processo e viu que o relatório mencionava a presença de uns "bichitos" que ela não percebeu muito o que era e o antibiótico servirá como prevenção. O relatório já estava pronto, no entanto o laboratório ainda não o tinha validado no sistema informático, logo não estava acessível às médicas.
O plano de ataque para os próximos dias é cumprir a terapêutica do antibiótico, deixar passar cerca de uma semana e voltar a tomar Provera. Quando menstruar é o costume, ligar a avisar, marcar eco para o 3º dia and so on, and so on...
Enquanto não tenho a consulta do 3º dia do próximo ciclo fico na incógnita acerca do zoo que para aqui anda a causar perturbação.
Frequentemente leio artigos acerca das maleitas relacionadas com a infertilidade e encontrei este que merece leitura http://smegineco.com.br/doc-artigos/50-Femina_v40n6_319-324.pdf
Quando fiz a histeroscopia não foi observado nada relevante, contudo a biópsia tem elevada importância. Posso ter sofrido horrores nessa parte mas só por este resultado já valeu a pena toda a dor. Isto permite-me concluir que a videohisteroscopia, por si só, pode não acrescentar nada na procura de respostas. O conselho que posso dar a este nível é não descartar a biópsia.
A TEC 5 não será este mês no entanto, tendo em conta a notícia de hoje, não me rala. Quero tratar da chacina da bicheza, não é esse tipo de população que quero a habitar o meu hotel.
Ainda era cedo quando lá fui e a médica não tinha chegado. A uns metros de casa, no regresso, recebi uma SMS com uma receita eletrónica. Verifiquei na Plataforma de Dados da Saúde (recomendo o registo) a que dizia respeito. Ainda equacionei que tivesse sido a minha médica de família, porque enviei-lhe na semana passada uns relatórios de exames. Não foi, vi que a receita era do HSJ com a prescrição de duas embalagens de ácido clavulâmico + amoxicilina, de 12 em 12h, que associei logo a antibiótico. A primeira ideia que me ocorreu era que o relatório acusava uma endometrite, que normalmente é tratada com antibiótico durante duas semanas. Fui logo à farmácia e aguardei que me telefonassem, pois seria de esperar que me fossem dadas instruções. Eram 13h e ainda nada tinha sido dito, então telefonei eu. Parece que uma enfermeira estava incumbida de me contactar mas antecipei-me. A técnica administrativa (sempre impecável, sem qualquer ironia) foi consultar o meu processo e viu que o relatório mencionava a presença de uns "bichitos" que ela não percebeu muito o que era e o antibiótico servirá como prevenção. O relatório já estava pronto, no entanto o laboratório ainda não o tinha validado no sistema informático, logo não estava acessível às médicas.
O plano de ataque para os próximos dias é cumprir a terapêutica do antibiótico, deixar passar cerca de uma semana e voltar a tomar Provera. Quando menstruar é o costume, ligar a avisar, marcar eco para o 3º dia and so on, and so on...
Enquanto não tenho a consulta do 3º dia do próximo ciclo fico na incógnita acerca do zoo que para aqui anda a causar perturbação.
Frequentemente leio artigos acerca das maleitas relacionadas com a infertilidade e encontrei este que merece leitura http://smegineco.com.br/doc-artigos/50-Femina_v40n6_319-324.pdf
Quando fiz a histeroscopia não foi observado nada relevante, contudo a biópsia tem elevada importância. Posso ter sofrido horrores nessa parte mas só por este resultado já valeu a pena toda a dor. Isto permite-me concluir que a videohisteroscopia, por si só, pode não acrescentar nada na procura de respostas. O conselho que posso dar a este nível é não descartar a biópsia.
A TEC 5 não será este mês no entanto, tendo em conta a notícia de hoje, não me rala. Quero tratar da chacina da bicheza, não é esse tipo de população que quero a habitar o meu hotel.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Impasse TEC 5
Julgava que as coisas estavam orientadas, agora está uma incógnita.
A menstruação decidiu aparecer na segunda-feira, 5 dias depois de terminar o Provera, quando o normal é 4. Pode ser resultado das biópsias que originaram uma hemorragia prolongada que me deve ter deixado o endométrio muito fino. Liguei nesse dia para o hospital e a técnica administrativa disse que a médica que estava de serviço ia verificar se o resultado da biópsia estava pronto para ver se teria de fazer alguma coisa antes de dar início à preparação da TEC. Não se pôde agendar ecografia na sequência desse pormenor. Fiquei a aguardar chamada ainda nesse dia para receber orientações. O telefonema não aconteceu.
Ontem de manhã voltei a ligar para saber o que fazer e, pelos vistos, alguém mexeu no processo e das duas, uma: ou o resultado ainda não chegou ou a médica esqueceu-se de telefonar. A técnica administrativa informou que estava um casal no gabinete da médica e quando saísse falaria com a Dra L para ver o que se passava. Comprometeu-se a ligar-me logo de seguida. Mais uma chamada que não foi feita...
Para não ser considerada uma melga hoje decidi não dizer nada para ver se alguém tomava iniciativa. Foi o terceiro dia do ciclo, deveria ter feito ecografia e iniciado a medicação, no entanto o meu telemóvel não tocou.
Se o resultado ainda não está pronto podiam dizer-mo que eu compreendia. Deixarem-me pendurada à espera de chamada e não cumprir é muito mau.
Amanhã a chata, em vez de telefonar, vai deslocar-se ao piso 3. Tenho as minhas dúvidas que a TEC seja neste mês.
A menstruação decidiu aparecer na segunda-feira, 5 dias depois de terminar o Provera, quando o normal é 4. Pode ser resultado das biópsias que originaram uma hemorragia prolongada que me deve ter deixado o endométrio muito fino. Liguei nesse dia para o hospital e a técnica administrativa disse que a médica que estava de serviço ia verificar se o resultado da biópsia estava pronto para ver se teria de fazer alguma coisa antes de dar início à preparação da TEC. Não se pôde agendar ecografia na sequência desse pormenor. Fiquei a aguardar chamada ainda nesse dia para receber orientações. O telefonema não aconteceu.
Ontem de manhã voltei a ligar para saber o que fazer e, pelos vistos, alguém mexeu no processo e das duas, uma: ou o resultado ainda não chegou ou a médica esqueceu-se de telefonar. A técnica administrativa informou que estava um casal no gabinete da médica e quando saísse falaria com a Dra L para ver o que se passava. Comprometeu-se a ligar-me logo de seguida. Mais uma chamada que não foi feita...
Para não ser considerada uma melga hoje decidi não dizer nada para ver se alguém tomava iniciativa. Foi o terceiro dia do ciclo, deveria ter feito ecografia e iniciado a medicação, no entanto o meu telemóvel não tocou.
Se o resultado ainda não está pronto podiam dizer-mo que eu compreendia. Deixarem-me pendurada à espera de chamada e não cumprir é muito mau.
Amanhã a chata, em vez de telefonar, vai deslocar-se ao piso 3. Tenho as minhas dúvidas que a TEC seja neste mês.
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Quase em campo
Realizados os exames que tinha planeado fazer, com diagnóstico de algumas coisitas que não são relevantes para a TEC, estou a tomar Provera desde sábado. Isto significa que no próximo domingo vou menstruar, por isso dia 12 de setembro devo fazer ecografia e começar a parafernália de medicamentos aos quais se deve juntar um corticóide.
A médica de família disse que tenho baixo nível de vitamina D. Na TEC anterior isso foi compensado com o Natalben, no entanto não é o mais indicado para mim, pois contém iodo. Esse suplemento pode interferir com a minha tiróide que trabalha a meio gás se não for controlada com o Eutirox. Vou resolver isso de outra forma para não comprometer o funcionamento da dita cuja.
Agora que estou mais tranquila com os rastreios que realizei estou quase a postos para me focar na TEC número... 5...
Durante este período passado entre umas micro-férias, seguido de consultas e exames foi-me perguntado, pelo menos duas vezes, se já estive grávida e quantas vezes. O meu cérebro bloqueou durante uma fração de segundos quando isso aconteceu. A primeira ideia que me veio à cabeça foi "considero uma, duas vezes ou nenhuma?" Nem eu sei muito bem, porque no primeiro caso foi gravidez bioquímica, no segundo houve uma imagem sugestiva de saco embrionário sem grandes certezas. Respondi em ambas as ocasiões que estive grávida duas vezes e antes que fosse assumido que tinha dois filhos, tratei logo de fazer a ressalva que nos dois casos terminou mal. Uma questão aparentemente rotineira e inofensiva faz-me sentir uma incompetente. O assunto não está bem resolvido no meu cérebro e acho impossível que alguma vez venha a estar.
Que expectativas tenho em relação à(s) próxima(s) TEC(s)? Muito próximo de zero, é essa a realidade. Ainda não houve problemas com a desvitrificação, os mini-nós têm-se aguentado sempre bem nesse processo. Não é garantido que continue a ser assim, penso que estou preparada para quase tudo. De uma coisa estou cada vez mais certa, a minha capacidade de andar para a frente está a chegar ao limite.
Perguntaram-me se sinto alguma pressão social para ter filhos. Não, nem por isso. Aliás, ignoro algum tipo de insinuação. Como respondi, é uma vontade intrínseca sem qualquer interferência externa. Outra questão colocada foi se me consigo imaginar a seguir a vida sem filhos. Sim, perfeitamente, é a realidade que melhor conheço, embora de há uns anos para cá com muita frustração. Este estado anímico é, no entanto, fruto de tudo o que tem acontecido nestes quase 6 anos. Acredito que se decidir colocar um ponto final nisto vai haver um período de luto profundo a que se seguirá mais um virar de página em que poderei fazer mudanças na minha existência. No meu caso não se colocará a questão de "privar" o meu marido da oportunidade de viver a paternidade, pois ele é pai há muito tempo. O que poderá acontecer é não termos oportunidade de colocarmos no mundo os nossos filhos. Não serei mãe, aquela visão inquietante de ser velhinha e à minha volta não haver gerações que provieram da minha luta a traçarem o seu projeto de vida angustia-me. Mesmo que o meu marido não tivesse já uma filha, jamais poderia ter sentimento de culpa pela privação desse milagre. A meu ver a união de duas pessoas não tem como fim último a sucessão. Antes dos filhos estamos nós casal que, por alguma razão, decidiu que fazia sentido seguir um caminho comum. Para não criar falsas expectativas fui franca desde o início em relação ao conhecimento que tinha da minha infertilidade, seria desonesta se não o fizesse. Pouco a pouco estou a começar a fazer as pazes comigo mesma e a entrar num processo de aceitação do fracasso que aumenta na mesma proporção da diminuição da esperança.
Se em tempos acreditava que a minha cria ia chegar, infelizmente não posso dizer o mesmo agora.
Após este alongado desabafo ia-me esquecendo de referir que as biópsias feitas na histeroscopia resultaram numa hemorragia que durou 9 dias! Não pensava que fosse durar o mesmo que a menstruação.
Termino este post com aquilo que disse à enfermeira que me fez o teste de gravidez no dia da histeroscopia. A probabilidade de eu ganhar o Euromilhões é maior do que a de conseguir trazer uma criança ao mundo.
A médica de família disse que tenho baixo nível de vitamina D. Na TEC anterior isso foi compensado com o Natalben, no entanto não é o mais indicado para mim, pois contém iodo. Esse suplemento pode interferir com a minha tiróide que trabalha a meio gás se não for controlada com o Eutirox. Vou resolver isso de outra forma para não comprometer o funcionamento da dita cuja.
Agora que estou mais tranquila com os rastreios que realizei estou quase a postos para me focar na TEC número... 5...
Durante este período passado entre umas micro-férias, seguido de consultas e exames foi-me perguntado, pelo menos duas vezes, se já estive grávida e quantas vezes. O meu cérebro bloqueou durante uma fração de segundos quando isso aconteceu. A primeira ideia que me veio à cabeça foi "considero uma, duas vezes ou nenhuma?" Nem eu sei muito bem, porque no primeiro caso foi gravidez bioquímica, no segundo houve uma imagem sugestiva de saco embrionário sem grandes certezas. Respondi em ambas as ocasiões que estive grávida duas vezes e antes que fosse assumido que tinha dois filhos, tratei logo de fazer a ressalva que nos dois casos terminou mal. Uma questão aparentemente rotineira e inofensiva faz-me sentir uma incompetente. O assunto não está bem resolvido no meu cérebro e acho impossível que alguma vez venha a estar.
Que expectativas tenho em relação à(s) próxima(s) TEC(s)? Muito próximo de zero, é essa a realidade. Ainda não houve problemas com a desvitrificação, os mini-nós têm-se aguentado sempre bem nesse processo. Não é garantido que continue a ser assim, penso que estou preparada para quase tudo. De uma coisa estou cada vez mais certa, a minha capacidade de andar para a frente está a chegar ao limite.
Perguntaram-me se sinto alguma pressão social para ter filhos. Não, nem por isso. Aliás, ignoro algum tipo de insinuação. Como respondi, é uma vontade intrínseca sem qualquer interferência externa. Outra questão colocada foi se me consigo imaginar a seguir a vida sem filhos. Sim, perfeitamente, é a realidade que melhor conheço, embora de há uns anos para cá com muita frustração. Este estado anímico é, no entanto, fruto de tudo o que tem acontecido nestes quase 6 anos. Acredito que se decidir colocar um ponto final nisto vai haver um período de luto profundo a que se seguirá mais um virar de página em que poderei fazer mudanças na minha existência. No meu caso não se colocará a questão de "privar" o meu marido da oportunidade de viver a paternidade, pois ele é pai há muito tempo. O que poderá acontecer é não termos oportunidade de colocarmos no mundo os nossos filhos. Não serei mãe, aquela visão inquietante de ser velhinha e à minha volta não haver gerações que provieram da minha luta a traçarem o seu projeto de vida angustia-me. Mesmo que o meu marido não tivesse já uma filha, jamais poderia ter sentimento de culpa pela privação desse milagre. A meu ver a união de duas pessoas não tem como fim último a sucessão. Antes dos filhos estamos nós casal que, por alguma razão, decidiu que fazia sentido seguir um caminho comum. Para não criar falsas expectativas fui franca desde o início em relação ao conhecimento que tinha da minha infertilidade, seria desonesta se não o fizesse. Pouco a pouco estou a começar a fazer as pazes comigo mesma e a entrar num processo de aceitação do fracasso que aumenta na mesma proporção da diminuição da esperança.
Se em tempos acreditava que a minha cria ia chegar, infelizmente não posso dizer o mesmo agora.
Após este alongado desabafo ia-me esquecendo de referir que as biópsias feitas na histeroscopia resultaram numa hemorragia que durou 9 dias! Não pensava que fosse durar o mesmo que a menstruação.
Termino este post com aquilo que disse à enfermeira que me fez o teste de gravidez no dia da histeroscopia. A probabilidade de eu ganhar o Euromilhões é maior do que a de conseguir trazer uma criança ao mundo.
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Check-up
Tenho aproveitado este período entre TECs para fazer uma revisão tipo carro, mas ao meu corpito, porque estava mais que na hora. Desde muito nova que o faço, porque o meu historial clínico e familiar obriga-me a ter esse cuidado. No ano passado não o fiz e este ano estou a deparar-me com notícias pouco animadoras. Planeava tomar o Provera já no dia 26 para dar início à preparação da TEC, contudo decidi adiar umas duas semanas para dar tempo de receber uns resultados. Espero que depois de tudo estar esclarecido possa dedicar-me à TEC, pois será bom sinal.
Confesso que estou com medo, pela primeira vez na vida, do resultado de um exame que tenho de repetir e de outros que vou fazer. A palavra de seis letras começada por C que assombra a minha família e a tem vindo a dizimar, anda a rondar. Tenho vindo a agir no sentido de, na eventualidade de ela andar aqui pelos meus lados, conseguir resolver o assunto para poder cá andar mais uns anos. Ontem uma médica disse-me "boa sorte", a propósito do exame que vou realizar novamente. Foi estranho e preocupante ouvi-lo.
Não seria maluca de me aventurar a realizar outra TEC com este tipo de problema pendente. Antes de proceder ao milagre da vida tenho de garantir que a minha está íntegra. Em vez de fazer a transferência em meados de setembro, deixo para quando souber que está tudo seguro.
É importante não descurarmos a própria saúde, assim como não esquecer que os mesmos fármacos que tomamos para levar os tratamentos a bom porto podem ter efeitos adversos no nosso organismo. Ando também a investigar se os milhares de comprimidos e injetáveis que passaram por mim deixaram sequelas.
Não está a ser uma fase muito entusiasmante...
Confesso que estou com medo, pela primeira vez na vida, do resultado de um exame que tenho de repetir e de outros que vou fazer. A palavra de seis letras começada por C que assombra a minha família e a tem vindo a dizimar, anda a rondar. Tenho vindo a agir no sentido de, na eventualidade de ela andar aqui pelos meus lados, conseguir resolver o assunto para poder cá andar mais uns anos. Ontem uma médica disse-me "boa sorte", a propósito do exame que vou realizar novamente. Foi estranho e preocupante ouvi-lo.
Não seria maluca de me aventurar a realizar outra TEC com este tipo de problema pendente. Antes de proceder ao milagre da vida tenho de garantir que a minha está íntegra. Em vez de fazer a transferência em meados de setembro, deixo para quando souber que está tudo seguro.
É importante não descurarmos a própria saúde, assim como não esquecer que os mesmos fármacos que tomamos para levar os tratamentos a bom porto podem ter efeitos adversos no nosso organismo. Ando também a investigar se os milhares de comprimidos e injetáveis que passaram por mim deixaram sequelas.
Não está a ser uma fase muito entusiasmante...
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Histeroscopia
Outra etapa foi cumprida, falta saber os resultados. Fiz a primeira histeroscopia da minha vida e fiquei a conhecer ao vivo e a cores mais uma entranha do meu corpo. Antes de me preparar para colocar na marquesa tive de fazer um teste de urina para verificar se não estava grávida, porque a última vez que menstruei foi quando abortei. Depois de se concluir que não houve milagre fui pôr-me a postos. Do ponto de vista morfológico não há nada que comprometa uma gravidez, está tudo normal. A histeroscopia foi suportável e o facto de estarmos a visualizar as imagens funciona como elemento distrator tornando a sua realização um pouco mais facilitada. Das biópsias não posso dizer o mesmo... Foram feitas duas, uma a fresco e outra para ser conservada em formol. Sem papas na língua vou dizer que doeu muito. Não consigo descrever o que senti. Se tiver de comparar esta dor com a das colonoscopias que já fiz sem sedação, não sei como organizar o top. O meu marido assistiu a tudo. Tentei manter-me o mais quieta possível para facilitar a recolha das amostras. Estava ciente que aquela dor não se devia a quem estava a executar. A opção pelas biópsias deveu-se às falhas de implantação, sendo também corroborada pelo aspeto normal do útero.
Depois de findo o massacre fiquei durante algum tempo sentada para ver como me sentia. Quando pensava que devia estar quase em condições para me levantar comecei a ficar enjoada e tonta. A enfermeira despejou-me açúcar debaixo da língua, voltou a colocar o oxímetro no dedo e fiquei mais algum tempo sentada para ver se melhorava. Comecei a sentir dores do género das menstruais, continuava fraca. Disseram para me deitar um pouco na cama que se encontra na sala. Pensei que ia desmaiar, via as coisas turvas à minha volta enquanto as pernas tinham dificuldade em sustentar o corpo. Algum tempo após ficar na horizontal comecei a transpirar e a enfermeira deixou a cortina parcialmente aberta para receber um pouco do ar condicionado. A visão foi ficando nítida e as dores no útero intensificaram um pouco. O meu marido foi para a sala de espera, desinfetaram a área onde se faz a histeroscopia e fecharam a cortina para poder chamar outra senhora enquanto eu repousava. Quando concluíram o exame da utente que entrou já me sentia bem.
Levei o relatório para o piso 3 da Medicina de Reprodução, perguntei quando irei realizar a próxima TEC. Se não houver nada que justifique adiamento, em setembro volto ao ataque. O meu processo já estava no arquivo do próximo mês. Será mais cedo do que esperava, tenho de fazer contas para ver quando começo o Provera para menstruar. Neste momento tenho uma hemorragia semelhante à menstruação. Não sei quanto tempo vai durar, felizmente o sofrimento ficou no hospital.
Organizei há pouco o meu historial desde que estou a ser acompanhada no HSJ. Desloquei-me ao mesmo 45 vezes desde dezembro de 2014. No âmbito das consultas de infertilidade, no Pedro Hispano, devo ter ido umas 10 vezes. Se tiver em conta que quase sempre passo uma manhã inteira no hospital foram alguns, os dias da minha vida, que fiquei plantada em salas de espera com a esperança que algum dia isto possa dar certo. A realidade neste momento é que estou cada vez mais convencida que o meu futuro não passará pela maternidade. O útero morfologicamente imaculado deixa-me com a triste ideia de que os embriões devem ter anomalias genéticas. Esgotaremos os 4 que nos restam. Se não resultar, não me sinto com disposição para fazer nova estimulação. Como se diz na gíria, será "chover no molhado" e uma PGS está fora de questão.
Depois de findo o massacre fiquei durante algum tempo sentada para ver como me sentia. Quando pensava que devia estar quase em condições para me levantar comecei a ficar enjoada e tonta. A enfermeira despejou-me açúcar debaixo da língua, voltou a colocar o oxímetro no dedo e fiquei mais algum tempo sentada para ver se melhorava. Comecei a sentir dores do género das menstruais, continuava fraca. Disseram para me deitar um pouco na cama que se encontra na sala. Pensei que ia desmaiar, via as coisas turvas à minha volta enquanto as pernas tinham dificuldade em sustentar o corpo. Algum tempo após ficar na horizontal comecei a transpirar e a enfermeira deixou a cortina parcialmente aberta para receber um pouco do ar condicionado. A visão foi ficando nítida e as dores no útero intensificaram um pouco. O meu marido foi para a sala de espera, desinfetaram a área onde se faz a histeroscopia e fecharam a cortina para poder chamar outra senhora enquanto eu repousava. Quando concluíram o exame da utente que entrou já me sentia bem.
Levei o relatório para o piso 3 da Medicina de Reprodução, perguntei quando irei realizar a próxima TEC. Se não houver nada que justifique adiamento, em setembro volto ao ataque. O meu processo já estava no arquivo do próximo mês. Será mais cedo do que esperava, tenho de fazer contas para ver quando começo o Provera para menstruar. Neste momento tenho uma hemorragia semelhante à menstruação. Não sei quanto tempo vai durar, felizmente o sofrimento ficou no hospital.
Organizei há pouco o meu historial desde que estou a ser acompanhada no HSJ. Desloquei-me ao mesmo 45 vezes desde dezembro de 2014. No âmbito das consultas de infertilidade, no Pedro Hispano, devo ter ido umas 10 vezes. Se tiver em conta que quase sempre passo uma manhã inteira no hospital foram alguns, os dias da minha vida, que fiquei plantada em salas de espera com a esperança que algum dia isto possa dar certo. A realidade neste momento é que estou cada vez mais convencida que o meu futuro não passará pela maternidade. O útero morfologicamente imaculado deixa-me com a triste ideia de que os embriões devem ter anomalias genéticas. Esgotaremos os 4 que nos restam. Se não resultar, não me sinto com disposição para fazer nova estimulação. Como se diz na gíria, será "chover no molhado" e uma PGS está fora de questão.
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