Antes de desenvolver o que quer que seja quero agradecer, do fundo do coração, todas as felicitações e sinais de esperança de quem é mais que bem vindo a esta humilde casa. Vocês conseguem trazer-me aquele calorzinho aconchegante de que precisava nesta altura. Não tenho passado por momentos fáceis, a revolta tem andado a consumir-me e a tornar-me insensível.
De facto, fazendo todos os cálculos comparativos dos positivos obtidos até então, este é o melhor resultado. Poderei na próxima semana fazer outro beta para ter uma ideia intermédia de como estão a correr as coisas enquanto não chega o dia da ecografia. Não quero, contudo, ficar obcecada nem deslumbrada. Isto é um tímido começo que rapidamente pode terminar. Tenho de ser contida nas expectativas mas ao mesmo tempo deixar de lado a tendência derrotista que me leva a achar que vai correr sempre mal. Quando se está escaldado é difícil ver que o sol também pode nascer para nós.
Admito que suspeitava da gravidez, custou mais foi saber o valor. Mesmo tendo ideia de que viria um positivo estava determinada em avançar para outra FIV para a consciência ficar definitivamente tranquila. Uma das áreas da minha formação de base é a Química e é nela que neste momento estou a depositar as minhas esperanças para que o meu filho não seja rejeitado.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Beta -TEC 5
Estranhamente não sonhei com nada relacionado com o dia de hoje.
Fiz colheita, soube o resultado e não sei o que pensar. O valor foi 62,74. Tudo bem que só passaram 11 dias. A médica estava mais otimista que eu. Dia 23 faço a ecografia e até lá vou limitar-me a cumprir as coisas sem refletir muito sobre o assunto. Disseram que nem sempre vai correr mal, oxalá estejam certas. Mantenho toda a medicação, serenidade e neutralidade para não me deixar afetar muito.
Fiz colheita, soube o resultado e não sei o que pensar. O valor foi 62,74. Tudo bem que só passaram 11 dias. A médica estava mais otimista que eu. Dia 23 faço a ecografia e até lá vou limitar-me a cumprir as coisas sem refletir muito sobre o assunto. Disseram que nem sempre vai correr mal, oxalá estejam certas. Mantenho toda a medicação, serenidade e neutralidade para não me deixar afetar muito.
Dia 11 - TEC 5
Está a terminar o processo FIV e suas respetivas TEC. Recapitulando no que se transformou, aqui vai uma síntese:
- Hiperestimulação;
- Punção de 25 folículos - fevereiro 2016;
- 3 degeneraram;
- 13 fecundaram;
- 10 embriões criopreservados em D3;
- 2 embriões criopreservados em D5;
- 1ª TEC maio 2016 (2 embriões) - negativa;
- 2ª TEC setembro 2016 (2 embriões) - gravidez bioquímica;
- 3ª TEC janeiro 2017 (2 embriões) - negativa;
- 4ª TEC maio 2017 (2 embriões) - AE às 8 semanas (embrião com desenvolvimento muito lento);
- 5ª TEC outubro 2017 (2 embriões) - descongelados 4 últimos embriões.
As perdas de sangue desapareceram, foram mesmo muito reduzidas, quase nem se notaram. Hoje ainda tive daquelas dores fortes mas não tantas vezes como ontem.
Venha de lá o resultado para poder assumir um pouco mais o controlo à vida, ou não...
Não estou nada nervosa com isto, é estranho. No dia da TEC fiquei calada durante algum tempo, talvez por ter sido confrontada com a realidade de já não haver mais embriões. A verdade é que fui bastante sortuda por ter conseguido transferir 10. Cheguei a um patamar que muitas mulheres gostariam de atingir e não têm essa possibilidade. Posso não ter posto uma criança no mundo mas durante algumas semanas tive a oportunidade de ter células de 10 filhos nossos em contacto comigo. Tenho pena que os outros dois mini-nós não tenham conhecido um ambiente diferente do laboratorial. Para mim eram todos muito especiais, a minha dúzia de pequenos lutadores.
Às 8h00 vou fazer a colheita, por volta da hora de almoço devo saber o resultado. Daqui a umas horas dou novidades.
- Hiperestimulação;
- Punção de 25 folículos - fevereiro 2016;
- 3 degeneraram;
- 13 fecundaram;
- 10 embriões criopreservados em D3;
- 2 embriões criopreservados em D5;
- 1ª TEC maio 2016 (2 embriões) - negativa;
- 2ª TEC setembro 2016 (2 embriões) - gravidez bioquímica;
- 3ª TEC janeiro 2017 (2 embriões) - negativa;
- 4ª TEC maio 2017 (2 embriões) - AE às 8 semanas (embrião com desenvolvimento muito lento);
- 5ª TEC outubro 2017 (2 embriões) - descongelados 4 últimos embriões.
As perdas de sangue desapareceram, foram mesmo muito reduzidas, quase nem se notaram. Hoje ainda tive daquelas dores fortes mas não tantas vezes como ontem.
Venha de lá o resultado para poder assumir um pouco mais o controlo à vida, ou não...
Não estou nada nervosa com isto, é estranho. No dia da TEC fiquei calada durante algum tempo, talvez por ter sido confrontada com a realidade de já não haver mais embriões. A verdade é que fui bastante sortuda por ter conseguido transferir 10. Cheguei a um patamar que muitas mulheres gostariam de atingir e não têm essa possibilidade. Posso não ter posto uma criança no mundo mas durante algumas semanas tive a oportunidade de ter células de 10 filhos nossos em contacto comigo. Tenho pena que os outros dois mini-nós não tenham conhecido um ambiente diferente do laboratorial. Para mim eram todos muito especiais, a minha dúzia de pequenos lutadores.
Às 8h00 vou fazer a colheita, por volta da hora de almoço devo saber o resultado. Daqui a umas horas dou novidades.
domingo, 5 de novembro de 2017
6 anos
Em novembro de 2011 tomámos a decisão de enfrentar o fantasma da infertilidade que pairava à minha volta desde 1994. Partimos logo para o pedido de ajuda especializada. No meu caso seria perda de tempo ficar aquele período regulamentar nos chamados "treinos" infrutíferos antes de pensar em procurar soluções.
Vários cancelamentos, negativos, abortos e 12 embriões depois, eis-nos em vésperas de saber o resultado da última TEC possível para a FIV realizada há 1 ano e 9 meses.
Naquela altura ainda tinha 31 anos, daqui a uns dois meses completarei 38. Se há alturas em que me sinto muito próxima de concretizar o nosso sonho, noutros momentos parece que vejo a esperança a escapar por entre os dedos. Não tem sido nada fácil, é a maior dificuldade que tenho enfrentado na vida. A nossa rotina, o meu percurso profissional, muitas das escolhas que temos feito giram em torno dos tratamentos e da possibilidade de passarmos a ser mais moradores em casa. Quando se faz o balanço de todos os sacrifícios não se vê nada. Quer dizer, vê-se o desgaste provocado pela medicação, pela frustração, tudo aquilo de que se abdicou em prol de uma ideia.
Apesar de tudo, não me arrependo de ter embarcado nesta aventura. Aprendi há muito tempo que há coisas que não surgem de mão beijada, carecem de muita luta. A realidade é que nem sempre se conseguem alcançar. Se me perguntassem há 6 anos se achava que o processo ia ser mais fácil, eu tinha consciência de que ia dar muito trabalho e desilusões.
Passou mais de meia década e o meu colo está vazio.
Vários cancelamentos, negativos, abortos e 12 embriões depois, eis-nos em vésperas de saber o resultado da última TEC possível para a FIV realizada há 1 ano e 9 meses.
Naquela altura ainda tinha 31 anos, daqui a uns dois meses completarei 38. Se há alturas em que me sinto muito próxima de concretizar o nosso sonho, noutros momentos parece que vejo a esperança a escapar por entre os dedos. Não tem sido nada fácil, é a maior dificuldade que tenho enfrentado na vida. A nossa rotina, o meu percurso profissional, muitas das escolhas que temos feito giram em torno dos tratamentos e da possibilidade de passarmos a ser mais moradores em casa. Quando se faz o balanço de todos os sacrifícios não se vê nada. Quer dizer, vê-se o desgaste provocado pela medicação, pela frustração, tudo aquilo de que se abdicou em prol de uma ideia.
Apesar de tudo, não me arrependo de ter embarcado nesta aventura. Aprendi há muito tempo que há coisas que não surgem de mão beijada, carecem de muita luta. A realidade é que nem sempre se conseguem alcançar. Se me perguntassem há 6 anos se achava que o processo ia ser mais fácil, eu tinha consciência de que ia dar muito trabalho e desilusões.
Passou mais de meia década e o meu colo está vazio.
Dia 10 - TEC 5
Precipitei-me ontem quando falei da ausência de perdas. Para já são muito ténues mas estão lá. As dores fortes não se restringem apenas aos segundos que sucedem depois de me levantar. Se estiver em pé, aparecem mesmo que não faça nada de especial. Optei por passar a tarde deitada. Por enquanto, mesmo que esteja sentada, ainda não tenho dores.
Antevejo semanas de incerteza.
Antevejo semanas de incerteza.
Dia 9 (update)
Pouco depois de ter publicado o post anterior fui colocar Progeffik. Quando cheguei à casa de banho vi um pequeno vestígio de sangue acastanhado. Veio umas horas mais tarde que da outra vez. Espero que não se repita o que aconteceu na última TEC, se é para passar pelo mesmo, prefiro logo um negativo.
sábado, 4 de novembro de 2017
Dia 9 - TEC 5
A contagem decrescente está a terminar. Não houve sinais de sangramento mas repetidas vezes, quando me levanto, sou invadida por uma dor bastante aguda no baixo ventre, que incide um bocadinho à direita. O corrimento líquido incolor e inodoro já se instalou e a gastrite deu alguns sinais. Se acho que o resultado vai ser positivo? Não! Tive outrora dores com resultado negativo, assim como o corrimento líquido. A tensão mamária é cada vez mais tardia e ainda é impercetível.
Pensei que a toma prolongada do corticóide me fosse deixar com um ar insuflado como quando era criança e tinha de usar a bomba para a asma. Curiosamente não noto que esteja fisicamente diferente em relação à TEC 4, por exemplo. Na TEC 3 o volume abdominal aumentou significativamente, contudo essa mudança deveu-se apenas à medicação, como veio a ser confirmado no beta.
Em 3 dias, por esta hora, o mistério estará desvendado. À semelhança do que referi em outras ocasiões um positivo não me basta. Não sinto confiança suficiente para lançar foguetes e achar que o assunto está resolvido. Tanta coisa pode acontecer...
Apenas a quem me acompanha por aqui e num dos locais onde trabalho dei conhecimento da existência desta TEC. Mais ninguém que eu conheça sabe. Depois de tanta desilusão o meu marido quis que mantivéssemos de fora a família e amigos no acompanhamento de transferências até haver algo concreto e com uma margem de conforto significativa para podermos anunciar uma boa nova. Esse dia poderá nunca chegar porém manteremos a mágoa entre nós.
Pensei que a toma prolongada do corticóide me fosse deixar com um ar insuflado como quando era criança e tinha de usar a bomba para a asma. Curiosamente não noto que esteja fisicamente diferente em relação à TEC 4, por exemplo. Na TEC 3 o volume abdominal aumentou significativamente, contudo essa mudança deveu-se apenas à medicação, como veio a ser confirmado no beta.
Em 3 dias, por esta hora, o mistério estará desvendado. À semelhança do que referi em outras ocasiões um positivo não me basta. Não sinto confiança suficiente para lançar foguetes e achar que o assunto está resolvido. Tanta coisa pode acontecer...
Apenas a quem me acompanha por aqui e num dos locais onde trabalho dei conhecimento da existência desta TEC. Mais ninguém que eu conheça sabe. Depois de tanta desilusão o meu marido quis que mantivéssemos de fora a família e amigos no acompanhamento de transferências até haver algo concreto e com uma margem de conforto significativa para podermos anunciar uma boa nova. Esse dia poderá nunca chegar porém manteremos a mágoa entre nós.
Dia 8 - TEC 5
Aproxima-se o dia do beta e os níveis de ansiedade são mínimos. Em raras ocasiões tenho dores idênticas às menstruais que duram alguns segundos apenas. Tenho-me queixado tanto do abuso químico a que estou sujeita mas gostava que a minha malinha fosse despejando nas próximas semanas, era muito bom sinal.
Mais uma vez surge a vontade de fazer planos para os próximos tempos mas, como tem sido costume nestes 6 anos, é complicado. Será fácil resolver essa questão se o resultado do beta for negativo e encerrar definitivamente a luta. Tenho de pensar se estou disposta a abdicar de cerca de mais 2 anos de um curso" normal" de vida em benefício de outra saga. A ver bem as coisas, nem sei ao certo o que é isso da normalidade na vida. Se o meu futuro passar pelo envelhecimento sem conhecer o real sentido da maternidade vou ter de aprender a conhecer-me, porque tenho vivido para uma causa fictícia. Tenho privado com o improviso com tanta frequência, logo eu que gosto de sentir controlo sobre o meu quotidiano. Parece que anda tudo do avesso, respondo a solicitações constantes, no entanto sinto-me incapaz de pedir ajuda. Sempre tentei desenrascar-me o melhor que conseguia pelos meus meios, porque quando precisava de realizar alguma coisa que pressupunha a participação de outras pessoas, deparava-me com laxismo ou falta de sentido de responsabilidade. Esta dependência de um sistema que envolve várias pessoas para a concretização do objetivo de sermos pais é exatamente o oposto do que tenho feito na minha existência e isso deixa-me ainda mais frustrada. Isto está a testar os meus limites de tolerância que, diga-se de passagem, têm uma amplitude significativa.
Mais uma vez surge a vontade de fazer planos para os próximos tempos mas, como tem sido costume nestes 6 anos, é complicado. Será fácil resolver essa questão se o resultado do beta for negativo e encerrar definitivamente a luta. Tenho de pensar se estou disposta a abdicar de cerca de mais 2 anos de um curso" normal" de vida em benefício de outra saga. A ver bem as coisas, nem sei ao certo o que é isso da normalidade na vida. Se o meu futuro passar pelo envelhecimento sem conhecer o real sentido da maternidade vou ter de aprender a conhecer-me, porque tenho vivido para uma causa fictícia. Tenho privado com o improviso com tanta frequência, logo eu que gosto de sentir controlo sobre o meu quotidiano. Parece que anda tudo do avesso, respondo a solicitações constantes, no entanto sinto-me incapaz de pedir ajuda. Sempre tentei desenrascar-me o melhor que conseguia pelos meus meios, porque quando precisava de realizar alguma coisa que pressupunha a participação de outras pessoas, deparava-me com laxismo ou falta de sentido de responsabilidade. Esta dependência de um sistema que envolve várias pessoas para a concretização do objetivo de sermos pais é exatamente o oposto do que tenho feito na minha existência e isso deixa-me ainda mais frustrada. Isto está a testar os meus limites de tolerância que, diga-se de passagem, têm uma amplitude significativa.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Dia 7 - TEC 5
Aproxima-se aquele período em que na última transferência me apercebi do início das perdas de sangue. Só aconteceu na TEC 4, se algo semelhante suceder, será por volta de sábado. Não houve nada de diferente em relação a ontem, aqueles instantes de pressão súbita no útero ocorrem, no máximo, umas três vezes por dia.
Amanhã terá passado uma semana, não tem sido complicado passar o tempo. Os mini-nós resistentes, made in fevereiro de 2016 chegaram a conhecer um 2017 sinistro. Tenho as minhas sérias dúvidas de que fiquem por cá até julho de 2018. Por vezes parece que estou a fazer um estudo científico em que a cobaia que nunca dá em nada sou eu, mesmo assim persisto... persisto... sempre a cometer o erro parvo de me sujeitar ao que é praticamente óbvio: a infertilidade está a ganhar-me a léguas e não a irei vencer.
Amanhã terá passado uma semana, não tem sido complicado passar o tempo. Os mini-nós resistentes, made in fevereiro de 2016 chegaram a conhecer um 2017 sinistro. Tenho as minhas sérias dúvidas de que fiquem por cá até julho de 2018. Por vezes parece que estou a fazer um estudo científico em que a cobaia que nunca dá em nada sou eu, mesmo assim persisto... persisto... sempre a cometer o erro parvo de me sujeitar ao que é praticamente óbvio: a infertilidade está a ganhar-me a léguas e não a irei vencer.
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
Dia 6 - TEC 5
Dia 1 de novembro, especialmente para quem vive no norte, sabe o que isso significa. Pelo menos deu para distrair do estado pré-beta e privei algum tempo com a minha mais recente sobrinha de 4 patas, uma pequena rebelde que gosta de deixar as suas marquinhas. É irresistível como o facto de só olharmos para ela é motivo suficiente para partir para o ataque. Tinha saudades de estar com uma gatinha tão pequenina.
Os efeitos da medicação começam a sentir-se. Ligeiro aumento do volume mamário, uma vez por outra alguma pressão no útero devido ao estado "nuvem fofa" em que se deve encontrar. Não é nada que nunca tenha acontecido antes, foi assim em todas as transferências.
Estou a meio do percurso desta TEC, o tempo tem passado relativamente rápido, provavelmente por estar quase sempre ocupada. Tem sido nestes diários que tenho dedicado um pouco dos meus pensamentos TECofílicos. E não, ainda não tomei aquela decisão, nem me tenho debruçado sobre o assunto.
Os efeitos da medicação começam a sentir-se. Ligeiro aumento do volume mamário, uma vez por outra alguma pressão no útero devido ao estado "nuvem fofa" em que se deve encontrar. Não é nada que nunca tenha acontecido antes, foi assim em todas as transferências.
Estou a meio do percurso desta TEC, o tempo tem passado relativamente rápido, provavelmente por estar quase sempre ocupada. Tem sido nestes diários que tenho dedicado um pouco dos meus pensamentos TECofílicos. E não, ainda não tomei aquela decisão, nem me tenho debruçado sobre o assunto.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Dia 5 - TEC 5
Eis-me! Boa noite e obrigada! É mais ou menos isto...
O trabalho rola, a rotina medicamentosa está completamente instalada, a vida segue controlada ao minuto para não descarrilar, pois desenvolvo a minha atividade em vários sítios. Não há muito tempo para analisar se o coração continua a bater, ainda que de forma irregular, como descobri há uns meses, se há pontadas, tensão ou algum sinal de fumo que indique que algo se passa. Ainda bem que está a ser assim, preciso de concentração, porque o meu trabalho é essencialmente intelectual. A única "queixa" que tenho é que no final da manhã senti cansaço na zona dos gémeos, como se tivesse tido cãibras durante a noite. Acumulo medicação diversa que pode interagir e tem os seus efeitos secundários. Com tanta coisa que tomo estou admirada por me sentir tão bem aliás, a gastrite praticamente não se tem manifestado.
Há alguns pensamentos que tenho sobre o rumo desta TEC. A sequência do meu histórico tem sido: negativo - positivo - negativo - positivo. O que me parece lógico, porque procuramos sempre um sentido para este caos interior é que, obviamente, é a vez do negativo. Se, por alguma exceção, voltar a ser positivo, remato automaticamente a ideia com um destino fatal que ainda não experienciei e, nesse âmbito traço diversas possibilidades que não vale a pena referir neste momento. Como se pode ver, nunca concluo o cenário com um final idílico, não consigo.
Mantenho o processo de procrastinação, porque falta-me descobrir o momento ideal para tomar a minha decisão definitiva. Então vou adiando... adiando... Ups! A deadline é daqui a uma semana! Preocupa-me mais esse aspeto do que o resultado do beta, o que é estranho. Tenho de fazer um esforço para ponderar o futuro, analisando o passado. Há alturas em que me irrita ser adulta e esta é uma delas.
O trabalho rola, a rotina medicamentosa está completamente instalada, a vida segue controlada ao minuto para não descarrilar, pois desenvolvo a minha atividade em vários sítios. Não há muito tempo para analisar se o coração continua a bater, ainda que de forma irregular, como descobri há uns meses, se há pontadas, tensão ou algum sinal de fumo que indique que algo se passa. Ainda bem que está a ser assim, preciso de concentração, porque o meu trabalho é essencialmente intelectual. A única "queixa" que tenho é que no final da manhã senti cansaço na zona dos gémeos, como se tivesse tido cãibras durante a noite. Acumulo medicação diversa que pode interagir e tem os seus efeitos secundários. Com tanta coisa que tomo estou admirada por me sentir tão bem aliás, a gastrite praticamente não se tem manifestado.
Há alguns pensamentos que tenho sobre o rumo desta TEC. A sequência do meu histórico tem sido: negativo - positivo - negativo - positivo. O que me parece lógico, porque procuramos sempre um sentido para este caos interior é que, obviamente, é a vez do negativo. Se, por alguma exceção, voltar a ser positivo, remato automaticamente a ideia com um destino fatal que ainda não experienciei e, nesse âmbito traço diversas possibilidades que não vale a pena referir neste momento. Como se pode ver, nunca concluo o cenário com um final idílico, não consigo.
Mantenho o processo de procrastinação, porque falta-me descobrir o momento ideal para tomar a minha decisão definitiva. Então vou adiando... adiando... Ups! A deadline é daqui a uma semana! Preocupa-me mais esse aspeto do que o resultado do beta, o que é estranho. Tenho de fazer um esforço para ponderar o futuro, analisando o passado. Há alturas em que me irrita ser adulta e esta é uma delas.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Dia 4 - TEC 5
Mais um dia passou em que praticamente deu para esquecer que fiz uma transferência. É muito melhor enfrentar o período que antecede o beta se nos distrairmos o máximo possível. Salvo indicação contrária, não voltaria a repetir aqueles dias consecutivos de repouso no sossego do lar, em que a cabeça não faz mais que procurar sintomas, pensar no número de células dos embriões, ficar indecisa entre fazer ou não teste de gravidez. A meu ver, é um tremendo erro. Nem falo dos benefícios físicos da movimentação.
"O psicológico", muitas vezes empregue erradamente como substantivo, quando o que se pretende é falar da condição psicológica, tem uma fatia preponderante na forma como encaramos todos os processos associados ao tratamento da infertilidade. Não estou a ter apoio especializado nesse âmbito, nem tenho conhecimento no terreno que me permita dizer que o mesmo me traria benefícios. Acredito que haja quem lhe reconheça vantagens, assim como quem lhe seja averso por ideias pré-concebidas, como por experiências negativas ou ausência de melhorias. No meu caso, simplesmente não sinto necessidade.
De uma coisa tenho conhecimento de causa, isto não é pêra doce. É uma verdadeira provação que põe em causa toda a harmonia e estabilidade que procuramos. Abala relações, pode destruí-las ou torná-las mais coesas, mexe com a dinâmica do casal, as relações familiares, de amizade e até mesmo com o ambiente profissional. Ou seja, toda a esfera que circunda os agentes envolvidos é revirada e o Eu sente uma sobrecarga difícil de suportar, que pode piorar quando surge o insucesso. A infertilidade dói e é subestimada. É preciso mais sensibilidade para dar um real apoio àqueles corações que sangram de cada vez que tropeçam em mais uma pedra.
Fisicamente comigo está tudo igual, não há sinais de sangue. A minha revolta atenuou um bocadinho, talvez por ter escrito este post.
"O psicológico", muitas vezes empregue erradamente como substantivo, quando o que se pretende é falar da condição psicológica, tem uma fatia preponderante na forma como encaramos todos os processos associados ao tratamento da infertilidade. Não estou a ter apoio especializado nesse âmbito, nem tenho conhecimento no terreno que me permita dizer que o mesmo me traria benefícios. Acredito que haja quem lhe reconheça vantagens, assim como quem lhe seja averso por ideias pré-concebidas, como por experiências negativas ou ausência de melhorias. No meu caso, simplesmente não sinto necessidade.
De uma coisa tenho conhecimento de causa, isto não é pêra doce. É uma verdadeira provação que põe em causa toda a harmonia e estabilidade que procuramos. Abala relações, pode destruí-las ou torná-las mais coesas, mexe com a dinâmica do casal, as relações familiares, de amizade e até mesmo com o ambiente profissional. Ou seja, toda a esfera que circunda os agentes envolvidos é revirada e o Eu sente uma sobrecarga difícil de suportar, que pode piorar quando surge o insucesso. A infertilidade dói e é subestimada. É preciso mais sensibilidade para dar um real apoio àqueles corações que sangram de cada vez que tropeçam em mais uma pedra.
Fisicamente comigo está tudo igual, não há sinais de sangue. A minha revolta atenuou um bocadinho, talvez por ter escrito este post.
domingo, 29 de outubro de 2017
Dia 3 - TEC 5
Estive numa festa de aniversário de um menino maravilhoso que nasceu no mês anterior ao início da minha novela no mundo da infertilidade. Muitas crianças estiveram presentes, a maioria mais novos que ele, com idade para serem amiguinhos das várias crias que eu já poderia ter posto no mundo, desde que entrei nesta luta. Não me incomodou partilhar o mesmo espaço, talvez por estar mentalizada que essa dinâmica frenética faz parte de um mundo paralelo ao meu em que a biologia decretou que sou persona non grata. Pouco depois de chegarmos fomos surpreendidos com um jogo em que eu e o meu marido, na qualidade de recém casados, tivemos de segurar uma pequena bola com as nossas testas enquanto percorríamos uma pista desenhada no chão. Ouvi por duas dolorosas vezes, alto e bom som, por parte de alguém que não faz a mínima ideia da nossa história "de cada vez que a bola cair são trigémeos que vêm!" Claro que não houve qualquer maledicência na expressão daquelas palavras, é apenas fruto da assunção de que as pessoas estão automaticamente aptas a pôr cá fora ranchos de filhos com a mesma facilidade com que se bebe um copo de água. Contudo, na fase em que me encontro, preferia não ter de me lembrar novamente da minha especificidade.
Pelos vistos fiz uma transferência na sexta-feira passada, até vi os dois pontinhos brilhantes a serem colocados no apartamento. Não há nada a assinalar sobre o assunto. Ainda não sinto efeitos da medicação, por vezes a gastrite faz as suas gracinhas mas, regra geral, estou bem. A única coisa que tenho reparado é que passo a vida a abrir embalagens de medicamentos. Tenho um necéssaire destinado apenas a caixas dedicadas à infertilidade que não fecha de tão abarrotado que está. O meu corpo é um contentor de pequenos cilindros e ovinhos que se vão consumindo num organismo que, de natural, já tem muito pouco.
Pelos vistos fiz uma transferência na sexta-feira passada, até vi os dois pontinhos brilhantes a serem colocados no apartamento. Não há nada a assinalar sobre o assunto. Ainda não sinto efeitos da medicação, por vezes a gastrite faz as suas gracinhas mas, regra geral, estou bem. A única coisa que tenho reparado é que passo a vida a abrir embalagens de medicamentos. Tenho um necéssaire destinado apenas a caixas dedicadas à infertilidade que não fecha de tão abarrotado que está. O meu corpo é um contentor de pequenos cilindros e ovinhos que se vão consumindo num organismo que, de natural, já tem muito pouco.
sábado, 28 de outubro de 2017
Dia 2 - TEC 5
Nada como fazer uma vida, o mais normal possível, para esquecer que mais uma TEC entrou no meu currículo. Ando tão alheia ao processo que só hoje me apercebi que o beta está marcado apenas 11 dias após a transferência. Isto é o 8 e o 80. Da última vez foi 15 dias depois.
Faço diariamente um esforço para me recordar de tudo o que tenho de tomar ou se, eventualmente, já tomei. Não costumava ser assim.
Sei que tenho uma decisão a tomar. Estou só a procrastinar um bocadinho para não correr o risco de me precipitar.
Gostava de estar otimista, carregada de esperança, mas não consigo. É só mais um processo que se instalou no meu quotidiano, até estava a estranhar passar tanto tempo ausente da sala de espera do piso 3. Desenvolvi um género de Síndrome de Estocolmo em relação a estes rituais. Recuso-me a equacionar como estarão os embriões, acho que não faz sentido. Quero manter-me neutra, a roçar o fria, como mecanismo de defesa. Evito depositar emoções coloridas pois a infertilidade tem pintado o ânimo em tons de cinzento. Disse em tempos que a desprezava, nada mudou.
Ontem esqueci-me de atualizar a terapêutica que mantenho. É então Eutirox 100, 3 comprimidos de Estrofem, 1 comprimido de Acfol, Progefikk a cada 8h, 1 comprimido de Cartia, 1 comprimido de Lepicortinolo e terça repito 1 comprimido de Molinar. Coisa pouca...
Faço diariamente um esforço para me recordar de tudo o que tenho de tomar ou se, eventualmente, já tomei. Não costumava ser assim.
Sei que tenho uma decisão a tomar. Estou só a procrastinar um bocadinho para não correr o risco de me precipitar.
Gostava de estar otimista, carregada de esperança, mas não consigo. É só mais um processo que se instalou no meu quotidiano, até estava a estranhar passar tanto tempo ausente da sala de espera do piso 3. Desenvolvi um género de Síndrome de Estocolmo em relação a estes rituais. Recuso-me a equacionar como estarão os embriões, acho que não faz sentido. Quero manter-me neutra, a roçar o fria, como mecanismo de defesa. Evito depositar emoções coloridas pois a infertilidade tem pintado o ânimo em tons de cinzento. Disse em tempos que a desprezava, nada mudou.
Ontem esqueci-me de atualizar a terapêutica que mantenho. É então Eutirox 100, 3 comprimidos de Estrofem, 1 comprimido de Acfol, Progefikk a cada 8h, 1 comprimido de Cartia, 1 comprimido de Lepicortinolo e terça repito 1 comprimido de Molinar. Coisa pouca...
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
TEC 5
Mais uma transferência feita, a última que resultou da FIV de fevereiro de 2016. Sim, a última. Pela primeira vez houve problemas na descongelação. Tinha 2 palhetas com 2 embriões em cada uma. Numa das palhetas um dos embriões degenerou. Na segunda palheta um embrião revelou um desenvolvimento anómalo. Tenho comigo um mini-nós em início de compactação e outro já compactado.
Confesso que me passou pela cabeça que esta seria a última TEC da ronda. Não me sinto animada. Até porque tenho de tomar uma decisão até dia 7 de novembro, que é a data do beta. É-me dada a possibilidade de fazer mais uma FIV. A questão é que ainda não sei se tenho estofo para recomeçar. Se durante anos esperei pela oportunidade de fazer tratamentos, agora constato que me sinto esgotada.
Pelo meu marido, enquanto nos forem dadas oportunidades avançamos sempre, desde que eu esteja disposta. Até ao momento foram 13 possibilidades, a maioria delas canceladas. Os 8 cancelamentos não superam os 10 ou 12 embriões perdidos. Estou a tomar atualmente 10 comprimidos por dia e pergunto-me qual o sentido disto? Se calhar a esta hora já não habita vida dentro de mim, ando a persistir numa ideia que nunca irá ter concretização, para no final a vida rolar com um sentimento de incapacidade por não conseguir levar para a frente algo tão primitivo.
Estou a ter verdadeiramente um conflito interior. Tenho raiva de mim, da minha inutilidade, de pensar que todos estes anos não me vão servir de nada e que a minha estúpida teimosia me tem arruinado aos poucos, quando já estava mais que sabido que a maternidade não é para mim. Não devo merecer conhecer esse lado da vida, a pedra no sapato que me incomoda desde os 14 anos vai lembrar-me todos os dias que fui destinada a ser falhada.
Ontem casámo-nos, foi especial, hoje voltei a ser assombrada pela maldita infertilidade que se apoderou de nós. Tenho de pensar o que farei e não me apetece ter de refletir acerca disso. O momento chegou uns meses mais cedo do que supunha e apetece-me ficar letárgica.
Confesso que me passou pela cabeça que esta seria a última TEC da ronda. Não me sinto animada. Até porque tenho de tomar uma decisão até dia 7 de novembro, que é a data do beta. É-me dada a possibilidade de fazer mais uma FIV. A questão é que ainda não sei se tenho estofo para recomeçar. Se durante anos esperei pela oportunidade de fazer tratamentos, agora constato que me sinto esgotada.
Pelo meu marido, enquanto nos forem dadas oportunidades avançamos sempre, desde que eu esteja disposta. Até ao momento foram 13 possibilidades, a maioria delas canceladas. Os 8 cancelamentos não superam os 10 ou 12 embriões perdidos. Estou a tomar atualmente 10 comprimidos por dia e pergunto-me qual o sentido disto? Se calhar a esta hora já não habita vida dentro de mim, ando a persistir numa ideia que nunca irá ter concretização, para no final a vida rolar com um sentimento de incapacidade por não conseguir levar para a frente algo tão primitivo.
Estou a ter verdadeiramente um conflito interior. Tenho raiva de mim, da minha inutilidade, de pensar que todos estes anos não me vão servir de nada e que a minha estúpida teimosia me tem arruinado aos poucos, quando já estava mais que sabido que a maternidade não é para mim. Não devo merecer conhecer esse lado da vida, a pedra no sapato que me incomoda desde os 14 anos vai lembrar-me todos os dias que fui destinada a ser falhada.
Ontem casámo-nos, foi especial, hoje voltei a ser assombrada pela maldita infertilidade que se apoderou de nós. Tenho de pensar o que farei e não me apetece ter de refletir acerca disso. O momento chegou uns meses mais cedo do que supunha e apetece-me ficar letárgica.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Mudança de data
Perto das 14 horas recebi uma chamada da enfermeira. Quando se identificou pensei logo que era para dizer que nenhum dos 4 embriões tinha sobrevivido. Afinal não foi. Era para se certificar do dia em que iniciei o Progeffik. Respondi que foi na segunda à tarde, então tive de aguardar que me contactasse outra vez, porque ia falar com a bióloga. A segunda chamada foi para confirmar que a TEC 5 será na sexta e não amanhã como estava previsto.
Sendo assim, amanhã caso, à tarde vou trabalhar. Sexta faço a TEC, à tarde fico por casa e sábado trabalho. Se não fizesse transferência tínhamos um fim de semana a dois planeado. Como houve este desenvolvimento decidimos não arriscar fazer algumas centenas de quilómetros. Certamente surgirão muitas oportunidades para tirarmos um pequenino tempo apenas para nós, sem preocupações.
Mais uma vez nos deparámos com mudanças de planos. Sinto que vivo na base do improviso, o meu quotidiano é rodeado de planos a, b, c... Esse foi um dos fatores que nos levou a optar por um casamento no extremo da simplicidade. Estamos saturados e a ausência de stress que quisemos impor ao casamento tornam-no especial para nós. Queremos tranquilidade e o facto de termos procedido à remarcação devido à greve da função pública já nos bastou. Por acaso não havia qualquer logística associada à celebração da cerimónia, nem convidados, mas esse pormenorzinho podia ser fonte de grandes complicações.
Sinto-me em paz, era o que mais queria nesta altura.
Sendo assim, amanhã caso, à tarde vou trabalhar. Sexta faço a TEC, à tarde fico por casa e sábado trabalho. Se não fizesse transferência tínhamos um fim de semana a dois planeado. Como houve este desenvolvimento decidimos não arriscar fazer algumas centenas de quilómetros. Certamente surgirão muitas oportunidades para tirarmos um pequenino tempo apenas para nós, sem preocupações.
Mais uma vez nos deparámos com mudanças de planos. Sinto que vivo na base do improviso, o meu quotidiano é rodeado de planos a, b, c... Esse foi um dos fatores que nos levou a optar por um casamento no extremo da simplicidade. Estamos saturados e a ausência de stress que quisemos impor ao casamento tornam-no especial para nós. Queremos tranquilidade e o facto de termos procedido à remarcação devido à greve da função pública já nos bastou. Por acaso não havia qualquer logística associada à celebração da cerimónia, nem convidados, mas esse pormenorzinho podia ser fonte de grandes complicações.
Sinto-me em paz, era o que mais queria nesta altura.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Dois em um
Foi dia de eco e segundo a complicada terminologia médica para estes assuntos de infertilidade, o endométrio está na categoria de "bonito".
A TEC foi marcada adivinhe-se para quando? 26 de outubro, dia em que nos vamos casar! Quando dissemos à médica que era o dia do nosso enlace ela perguntou se queríamos fazer no dia seguinte uma vez que a TEC é programada. Não quisemos adiar, já marcámos a hora de abertura da Conservatória a contar com essa possibilidade, por isso seguimos com a nossa decisão. A brincar respondeu que poderemos vir a dizer que engravidámos no dia do nosso casamento. Era bom que assim fosse e, já agora, que resultasse numa gravidez bem sucedida.
Ando bem disposta, estou feliz!
A TEC foi marcada adivinhe-se para quando? 26 de outubro, dia em que nos vamos casar! Quando dissemos à médica que era o dia do nosso enlace ela perguntou se queríamos fazer no dia seguinte uma vez que a TEC é programada. Não quisemos adiar, já marcámos a hora de abertura da Conservatória a contar com essa possibilidade, por isso seguimos com a nossa decisão. A brincar respondeu que poderemos vir a dizer que engravidámos no dia do nosso casamento. Era bom que assim fosse e, já agora, que resultasse numa gravidez bem sucedida.
Ando bem disposta, estou feliz!
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Declaro aberta nova temporada!
A manhã não foi tão dramática como inicialmente pensei. Consegui sair do hospital às 11h45, o que é excelente em relação ao que é habitual. O endométrio está no sítio, os ovários estão sempre mascarados da mesma forma, ou seja, são dois monos que andam ali a ocupar espaço, o meu ânimo está num nível de nulidade.
Agora vem a lista do que se espera ser uma receita milagrosa, com uma percentagem relevante de empirismo.
De manhã:
- 1 comprimido de Eutirox 100 (eu e ele somos um só até ao fim dos meus dias);
- 1 comprimido de Acfol;
- 1 comprimido de Molinar (vitamina D) daqui a 15 dias tomo mais um comprimido;
- 1 comprimido de Estrofem;
- 1 comprimido de Cartia;
- 1 comprimido de Lepicortinolo (corticóide).
À noite:
- 1 comprimido de Estrofem.
Isto é só o aquecimento, na próxima semana vem mais. Paralelamente estou a tratar da primeira constipação do ano letivo. Trabalhar com alunos tem destas coisas e como sou uma pessoa muito solidária, sempre que algum jovem está constipado, uns dois dias depois comungo do mesmo estado.
Perguntei se era oportuno tomar a vacina da gripe nesta altura em que a TEC está à porta e a médica desaconselhou. Fixe, as próximas semanas prometem.
Vou tomar Molinar e Acfol em vez daqueles suplementos como o Natalben e Matervita, porque na composição têm iodo que para mim não é bom. A minha tiróide que está controlada há tantos anos podia não tolerar muito bem.
Segunda-feira regresso ao hospital para nova ecografia. Pelo meio de tudo isto vou casar durante a próxima semana. Está marcado para o horário de abertura da Conservatória para não atrapalhar muito a vida se tiver de ir ao hospital. Se não for também o dia da TEC ainda vou trabalhar de tarde até à hora de jantar. Tive de alterar a data do casamento, porque os sindicatos da função pública decidiram emitir um pré-aviso de greve no dia em que estava inicialmente agendado. Seria desagradável batermos com o nariz na porta, então não quisemos arriscar. O meu quase oficial marido vai usufruir de licença de casamento, a minha pessoa não pode. Como se pode ver, a vida está um oásis!
Agora vem a lista do que se espera ser uma receita milagrosa, com uma percentagem relevante de empirismo.
De manhã:
- 1 comprimido de Eutirox 100 (eu e ele somos um só até ao fim dos meus dias);
- 1 comprimido de Acfol;
- 1 comprimido de Molinar (vitamina D) daqui a 15 dias tomo mais um comprimido;
- 1 comprimido de Estrofem;
- 1 comprimido de Cartia;
- 1 comprimido de Lepicortinolo (corticóide).
À noite:
- 1 comprimido de Estrofem.
Isto é só o aquecimento, na próxima semana vem mais. Paralelamente estou a tratar da primeira constipação do ano letivo. Trabalhar com alunos tem destas coisas e como sou uma pessoa muito solidária, sempre que algum jovem está constipado, uns dois dias depois comungo do mesmo estado.
Perguntei se era oportuno tomar a vacina da gripe nesta altura em que a TEC está à porta e a médica desaconselhou. Fixe, as próximas semanas prometem.
Vou tomar Molinar e Acfol em vez daqueles suplementos como o Natalben e Matervita, porque na composição têm iodo que para mim não é bom. A minha tiróide que está controlada há tantos anos podia não tolerar muito bem.
Segunda-feira regresso ao hospital para nova ecografia. Pelo meio de tudo isto vou casar durante a próxima semana. Está marcado para o horário de abertura da Conservatória para não atrapalhar muito a vida se tiver de ir ao hospital. Se não for também o dia da TEC ainda vou trabalhar de tarde até à hora de jantar. Tive de alterar a data do casamento, porque os sindicatos da função pública decidiram emitir um pré-aviso de greve no dia em que estava inicialmente agendado. Seria desagradável batermos com o nariz na porta, então não quisemos arriscar. O meu quase oficial marido vai usufruir de licença de casamento, a minha pessoa não pode. Como se pode ver, a vida está um oásis!
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Quinta ronda...
Amanhã adivinha-se uma daquelas manhãs que me vai ocupar várias horas entre salas de espera no HSJ. Quando consegui contactar o piso de Medicina da Reprodução (após umas vinte tentativas realizadas num período de duas horas e meia) fui avisada que amanhã vai ser um dia complicado - como é quase sempre. Mesmo assim, a ecografia ficou marcada para as 9h30. Como é habitual seguir-se-á consulta e eventualmente conversa com a enfermeira sobre o plano terapêutico.
Vou ser honesta no que toca ao meu grau de motivação relativamente a este período. Quero despachar isto. Esta situação está a tornar-se um fardo para mim. Tanto tempo, sacrifício e desgosto estão a esmagar-me aos poucos. Não quero desistir antes de esgotar os embriões que me restam mas também não quero investir mais de mim numa nova estimulação. Como ninguém me pode garantir que a solução milagrosa estará nalgum embrião que resulte de nova FIV, colocarei um ponto final na minha caminhada quando a minha dúzia de mini-nós terminar.
Sei que esta minha decisão é contrária à busca de conforto por parte de quem me lê, contudo estes 6 anos a que somo mais uns 17 (pela minha história clínica) têm-me provocado um desgaste que só eu tenho capacidade para compreender como me afetam.
Para agilizar a TEC 5 é bom que o endométrio cresça devidamente, os embriões descongelem favoravelmente, a medicação surta os efeitos desejados, a nidação seja perfeita. Quanto ao resultado, evidentemente que seja positivo, mas sinceramente estou a borrifar-me para os valores, fiquei traumatizada com isso. O que importa é que desta vez o princípio, meio e fim sejam o que sempre sonhei.
Vou ser honesta no que toca ao meu grau de motivação relativamente a este período. Quero despachar isto. Esta situação está a tornar-se um fardo para mim. Tanto tempo, sacrifício e desgosto estão a esmagar-me aos poucos. Não quero desistir antes de esgotar os embriões que me restam mas também não quero investir mais de mim numa nova estimulação. Como ninguém me pode garantir que a solução milagrosa estará nalgum embrião que resulte de nova FIV, colocarei um ponto final na minha caminhada quando a minha dúzia de mini-nós terminar.
Sei que esta minha decisão é contrária à busca de conforto por parte de quem me lê, contudo estes 6 anos a que somo mais uns 17 (pela minha história clínica) têm-me provocado um desgaste que só eu tenho capacidade para compreender como me afetam.
Para agilizar a TEC 5 é bom que o endométrio cresça devidamente, os embriões descongelem favoravelmente, a medicação surta os efeitos desejados, a nidação seja perfeita. Quanto ao resultado, evidentemente que seja positivo, mas sinceramente estou a borrifar-me para os valores, fiquei traumatizada com isso. O que importa é que desta vez o princípio, meio e fim sejam o que sempre sonhei.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Falta pouco
Sábado inicio o Provera para induzir o ciclo que marcará a TEC 5. Tomei o antibiótico durante 16 dias e com este surgiram efeitos secundários quase imediatos que perduram, se bem que o primeiro está quase resolvido e outro está a manifestar-se. Tive a amarga experiência de conhecer a Cândida, a Albicans, logo no segundo dia da terapêutica com o antibiótico. Houve poucas ocasiões da minha vida em que tomei este tipo de medicamento e desconhecia que um dos efeitos adversos mais frequentes era precisamente esta "amiga" manifestar-se com todo o seu esplendor. Tive de a aniquilar e findo o tratamento com aquelas bazucas do primo da penicilina deparo-me com um problema de urticária nas pernas e braços. Espero que isto passe rapidamente e me dê o sossego necessário para encarar a TEC.
Está previsto ser um ataque feroz, com uma miscelânea de químicos que vai combater muitas frentes. Pretendo voltar a dar cumprimento ao esquema de repouso da última vez que é de ficar por casa apenas no dia da transferência, sem me deitar. Digamos que esta TEC e, eventualmente a próxima, serão o tira-teimas, o vai ou racha com que me deverei despedir desta batalha.
Está previsto ser um ataque feroz, com uma miscelânea de químicos que vai combater muitas frentes. Pretendo voltar a dar cumprimento ao esquema de repouso da última vez que é de ficar por casa apenas no dia da transferência, sem me deitar. Digamos que esta TEC e, eventualmente a próxima, serão o tira-teimas, o vai ou racha com que me deverei despedir desta batalha.
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