Até agora, no meu histórico, não tem sido costume haver factos assinaláveis. A viragem significativa poderá ocorrer presumivelmente a partir de quarta-feira. Permanecendo depois dessa altura a ausência de sinais, será fácil prever o que vou ouvir daqui a uma semana. Eu sei que não sentir ou não ver nada (sangue) pode ser sinónimo de positivo, não me incomodava minimamente ser surpreendida dessa forma. De acordo com a minha experiência das três curtas gravidezes houve alguns padrões comuns antes do beta que foram pontadas fortes no útero, perdas de sangue e sensação de fome, esta última mesmo em cima do dia da análise ao sangue. As dores sucederam também em negativos, à exceção do que antecedeu esta transferência, em que nem parece que fiz TEC.
A fase que realmente me tira mais sono vai começar. Resta-me pois, aguardar que o tempo passe.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
domingo, 25 de novembro de 2018
Dia 6 - TEC 7
Não tarda terá passado uma semana desde a TEC. Poderão surgir pequenas perdas de sangue nos próximos dias. Gostava que a época natalícia deste ano fosse pautada por uma energia diferente da do ano anterior. No final de 2017 fui assombrada pela proposta surreal de ser internada no dia de Natal ou de ano novo para fazer aspiração do que restava da minha menina. Acabei por fazê-lo a dois dias da véspera de Natal. O vazio que sentia era gigante enquanto permaneci todas aquelas horas na sala de dilatação. O meu corpo estava gélido e tentei a todo o custo distrair-me com uma revista básica de jogos que me acompanhou tantas vezes nas salas de espera, quer do serviço de Medicina de Reprodução, quer na urgência de Obstetrícia. Curiosamente comprei essa mesma revista no dia em que abortei pela segunda vez, para me manter ocupada enquanto aguardava por um beta que confirmasse que aquela gravidez estava definitivamente sentenciada. Vão perdurando detalhes na memória, olho para trás e penso como esta novela vai longa.
Dia 5 - TEC 7
O dia foi de muito trabalho, com os minutos todos controlados numa cadência que correu bem. Não houve nada de significativo em termos de sensações ou "sintomas", reinou o sossego. A presumível implantação poderá estar a acontecer, só tenho de aguardar.
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Dia 4 - TEC 7
Nas últimas 24 horas não houve sinais de sangue. Algumas vezes senti umas ligeiras dores do género das menstruais e o volume das mamas está a começar a aumentar. Não é novidade nenhuma, quer nos positivos que tive, como nos negativos, por isso a minha expectativa não mudou. A TEC mais atípica até agora foi a anterior.
Esta semana passou a voar, oxalá a próxima também seja assim para em breve poder ter algo mais definido sobre os tempos que se seguem (como se fosse fácil fazê-lo). O plano mais imediato é a marcação de férias. Costumamos tratar do assunto muito cedo para ser mais económico mas, como sempre, desde que entramos neste mundo obscuro, tenho de fazer contas às semanas. Semanas de hipotéticas gestações, supostas DPP, previsões acerca de datas de TEC, possíveis períodos pós-parto, semanas críticas de 6 e 8 semanas de gravidez que me trouxeram más experiências enfim, assuntos que arrastam consigo a infertilidade, mesmo quando planear férias é sinónimo de idealizar coisas boas. Se esta TEC finalmente trouxer frutos e tudo seguir harmoniosamente, não haverá marcação de férias, porque o nascimento será na primeira quinzena de agosto. Nunca desejei passar um último trimestre de gravidez em pleno verão, mas não posso ser esquisita. Não sou daquelas mulheres que consegue planear, ainda antes de conceber, o minuto em que vai parir, por uma questão de jeito. Esse é um luxo que está totalmente fora do meu alcance.
O resultado do beta irá determinar se vamos efetivamente "laurear a pevide" no verão ou aguentar os cavalos mediante a evolução das semanas seguintes. Não sei se somos só nós que fazemos assim no que toca ao planeamento das férias. No meio deste caos gosto sempre de ter pequenos planos definidos para não ter uma sensação permanente que a minha vida está descarrilada.
Esta semana passou a voar, oxalá a próxima também seja assim para em breve poder ter algo mais definido sobre os tempos que se seguem (como se fosse fácil fazê-lo). O plano mais imediato é a marcação de férias. Costumamos tratar do assunto muito cedo para ser mais económico mas, como sempre, desde que entramos neste mundo obscuro, tenho de fazer contas às semanas. Semanas de hipotéticas gestações, supostas DPP, previsões acerca de datas de TEC, possíveis períodos pós-parto, semanas críticas de 6 e 8 semanas de gravidez que me trouxeram más experiências enfim, assuntos que arrastam consigo a infertilidade, mesmo quando planear férias é sinónimo de idealizar coisas boas. Se esta TEC finalmente trouxer frutos e tudo seguir harmoniosamente, não haverá marcação de férias, porque o nascimento será na primeira quinzena de agosto. Nunca desejei passar um último trimestre de gravidez em pleno verão, mas não posso ser esquisita. Não sou daquelas mulheres que consegue planear, ainda antes de conceber, o minuto em que vai parir, por uma questão de jeito. Esse é um luxo que está totalmente fora do meu alcance.
O resultado do beta irá determinar se vamos efetivamente "laurear a pevide" no verão ou aguentar os cavalos mediante a evolução das semanas seguintes. Não sei se somos só nós que fazemos assim no que toca ao planeamento das férias. No meio deste caos gosto sempre de ter pequenos planos definidos para não ter uma sensação permanente que a minha vida está descarrilada.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Dia 3 - TEC 7
Continuo calma e confiante de que permaneço acompanhada de uma pequena vida irreverente, a multiplicar-se a bom ritmo.
Quando vim almoçar fui à casa de banho e fiz aquilo que instintivamente se torna frequente sempre que mergulhamos no mundo das transferências, que é analisar se há sangue. Para minha surpresa, apercebi-me da presença de uma coisinha minúscula sobre a qual não tive qualquer dúvida tratar-se de uma perda hemática. Pode ser um vestígio do ato médico, pois é muito cedo para se dar a nidação. A suposta altura em que esta poderá acontecer será no fim de semana.
A rotina medicamentosa ainda não está completamente interiorizada. Como são menos comprimidos, dou por mim a pensar se não estará a faltar nada mas chego sempre à conclusão que tenho tomado tudo direitinho. No total são "apenas" 8 considerando neste cálculo o Progeffik, e há ainda o bónus da enoxaparina.
Vou tentar manter-me positiva e confiar um pouco mais na capacidade do meu corpo conseguir ser bem sucedido nesta árdua tarefa.
Quando vim almoçar fui à casa de banho e fiz aquilo que instintivamente se torna frequente sempre que mergulhamos no mundo das transferências, que é analisar se há sangue. Para minha surpresa, apercebi-me da presença de uma coisinha minúscula sobre a qual não tive qualquer dúvida tratar-se de uma perda hemática. Pode ser um vestígio do ato médico, pois é muito cedo para se dar a nidação. A suposta altura em que esta poderá acontecer será no fim de semana.
A rotina medicamentosa ainda não está completamente interiorizada. Como são menos comprimidos, dou por mim a pensar se não estará a faltar nada mas chego sempre à conclusão que tenho tomado tudo direitinho. No total são "apenas" 8 considerando neste cálculo o Progeffik, e há ainda o bónus da enoxaparina.
Vou tentar manter-me positiva e confiar um pouco mais na capacidade do meu corpo conseguir ser bem sucedido nesta árdua tarefa.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Dia 2 - TEC 7
É impressionante como estou a passar por isto pela sétima vez. Sou uma repetente que teima em não progredir, raios me partam!
A gastrite está ao rubro há umas semanas, a barriga não está tão colorida como eu imaginava que fosse ficar. Felizmente uma em cada duas injeções não resulta em hematoma. Na primeira semana de Lovenox sentia um ardor intenso que começava pouco depois de administrar o líquido, quando este se estava a espalhar pela barriga. Essa sensação durava alguns minutos, mas atualmente a situação está mais suave.
Vou regressar ao trabalho com uma esperança vã de que irei manter-me serena e não necessitarei de me levantar permanentemente, nem ser solicitada simultaneamente por 5 ou 6 pessoas para executar algo... para ontem... Vou inspirar e expirar muito calmamente.
A gastrite está ao rubro há umas semanas, a barriga não está tão colorida como eu imaginava que fosse ficar. Felizmente uma em cada duas injeções não resulta em hematoma. Na primeira semana de Lovenox sentia um ardor intenso que começava pouco depois de administrar o líquido, quando este se estava a espalhar pela barriga. Essa sensação durava alguns minutos, mas atualmente a situação está mais suave.
Vou regressar ao trabalho com uma esperança vã de que irei manter-me serena e não necessitarei de me levantar permanentemente, nem ser solicitada simultaneamente por 5 ou 6 pessoas para executar algo... para ontem... Vou inspirar e expirar muito calmamente.
terça-feira, 20 de novembro de 2018
TEC 7
Eu e o meu mais recente inquilino encontramo-nos no conforto do lar. Trata-se de um pequeno guerreiro que aguentou bem o frio, não perdeu uma única célula e mostrou garra ao exibir as suas habilidades ao começar a mudar a sua organização. Os pais estão orgulhosos do seu desempenho. Os seus dois irmãos continuam, por isso, no fresco.
Se na transferência anterior a bexiga tardou a encher, desta vez tive de ir à casa de banho esvaziar um pouquinho, uns dois minutos antes da TEC, para não haver um acidente. Pensei que não ia controlar a saída parcial ou até exagerar no volume libertado mas quando a determinação é grande, consegue-se até dominar o ato fisiológico! Mesmo assim, durante os 15 minutos deitada na marquesa, ansiei que o tempo passasse rápido para poder vestir-me novamente e ficar finalmente nas nuvens.
Foi passada uma receita de 6 caixas de Lovenox. Quando vi aquela quantidade fiquei assustada com o nível de confiança implícito naquela folha. 36 seringas vai bastante além da data do beta. Não vou ser desmancha prazeres e começar a imaginar os milhentos cenários que me assolam nestas alturas. Reconheço que esta TEC está a mexer comigo, inclusivamente sonhei na noite passada que me tinha esquecido de tomar o antibiótico, estava desleixada na preparação da bexiga e aconteceu mais alguma coisa que não estava a correr de feição. Quando acordei só pensei que nada daquilo iria ser real.
A medicação é para manter integralmente, vou ficar em casa hoje e amanhã e dia 3 de dezembro há beta.
Desejo muita magia da boa dentro do meu t0.
Se na transferência anterior a bexiga tardou a encher, desta vez tive de ir à casa de banho esvaziar um pouquinho, uns dois minutos antes da TEC, para não haver um acidente. Pensei que não ia controlar a saída parcial ou até exagerar no volume libertado mas quando a determinação é grande, consegue-se até dominar o ato fisiológico! Mesmo assim, durante os 15 minutos deitada na marquesa, ansiei que o tempo passasse rápido para poder vestir-me novamente e ficar finalmente nas nuvens.
Foi passada uma receita de 6 caixas de Lovenox. Quando vi aquela quantidade fiquei assustada com o nível de confiança implícito naquela folha. 36 seringas vai bastante além da data do beta. Não vou ser desmancha prazeres e começar a imaginar os milhentos cenários que me assolam nestas alturas. Reconheço que esta TEC está a mexer comigo, inclusivamente sonhei na noite passada que me tinha esquecido de tomar o antibiótico, estava desleixada na preparação da bexiga e aconteceu mais alguma coisa que não estava a correr de feição. Quando acordei só pensei que nada daquilo iria ser real.
A medicação é para manter integralmente, vou ficar em casa hoje e amanhã e dia 3 de dezembro há beta.
Desejo muita magia da boa dentro do meu t0.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
TEC 7 agendada
O meu endométrio cresceu rapidamente como sempre e a classificação atribuída hoje foi de "maravilhoso". Tem 8,7 mm, ou seja, está no ponto para receber o 12° mini-nós. Vou manter a dose de Estrofem, porque dois comprimidos são mais que suficientes para o ninho estar fofo. Amanhã à noite inicio o Progeffik de 8 em 8 horas, o Lovenox é para continuar, assim como tudo o resto que tomo. A última novidade é a azitromicina (antibiótico) que vou fazer de manhã, no dia da TEC, numa toma única de 2 comprimidos.
A transferência será feita no dia 20, próxima terça, um ano e um dia após o último aborto em que jorrei incessantemente e me senti a mais reles criatura.
A propósito de antibióticos, foi curiosamente na TEC de há um ano que fiz antecipadamente 14 dias de amoxicilina na sequência da tortuosa biópsia que realizei aquando a histeroscopia.
A próxima etapa é aguardar serenamente que o embrião da palheta escolhida pela biológa evolua bem.
Quero muito que resulte. Sou o raio de uma pedra dura que, por mais água que me caia em cima, ainda não fiz jus ao provérbio.
A transferência será feita no dia 20, próxima terça, um ano e um dia após o último aborto em que jorrei incessantemente e me senti a mais reles criatura.
A propósito de antibióticos, foi curiosamente na TEC de há um ano que fiz antecipadamente 14 dias de amoxicilina na sequência da tortuosa biópsia que realizei aquando a histeroscopia.
A próxima etapa é aguardar serenamente que o embrião da palheta escolhida pela biológa evolua bem.
Quero muito que resulte. Sou o raio de uma pedra dura que, por mais água que me caia em cima, ainda não fiz jus ao provérbio.
domingo, 11 de novembro de 2018
Lovenox - a estreia
Em fim-de-semana de castanhas, mau tempo, frio e constipação, estreei-me ontem na administração daquele que quero que me acompanhe durante os próximos 12 meses. Ansiei por este momento, ao longo de TECs consecutivas, e esta alteração de protocolo trouxe-me alguma esperança. Poderá não passar de mais um balde de água fria. Tenho, contudo, de me agarrar a qualquer coisa que me tire desta descrença em mim que transformou uma parte significativa do tempo que tenho passado aqui pelo planeta.
A primeira marca já cá canta, pequena, redondinha e vermelha. Vou tornar-me numa espécie de caderneta onde vou colecionar cromos coloridos de diferentes tamanhos. Nada disso me importa, para ser sincera.
Atualmente encontro-me a tomar dois comprimidos de Estrofem, ácido fólico, aspirina 150 mg, Lovenox 40 e o meu bom e velho amigo Eutirox que há-de perecer comigo.
Sexta-feira, dia 16, farei mais uma ecografia. Estou a adiantar trabalho na medida do possível, porque prevejo que a TEC vá coincidir com mais um pico de trabalho e stress. Nessa altura terei de abrandar o ritmo de alguma forma, daí estar a preparar material para todos os contratempos que surgem quando a atividade laboral está ao rubro.
A primeira marca já cá canta, pequena, redondinha e vermelha. Vou tornar-me numa espécie de caderneta onde vou colecionar cromos coloridos de diferentes tamanhos. Nada disso me importa, para ser sincera.
Atualmente encontro-me a tomar dois comprimidos de Estrofem, ácido fólico, aspirina 150 mg, Lovenox 40 e o meu bom e velho amigo Eutirox que há-de perecer comigo.
Sexta-feira, dia 16, farei mais uma ecografia. Estou a adiantar trabalho na medida do possível, porque prevejo que a TEC vá coincidir com mais um pico de trabalho e stress. Nessa altura terei de abrandar o ritmo de alguma forma, daí estar a preparar material para todos os contratempos que surgem quando a atividade laboral está ao rubro.
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
7 anos
Como me custa perceber que passou tanto tempo... Este fardo está cada vez mais pesado e desconexo. Gostava de olhar para trás e não me arrepender de ter dedicado estes anos todos a uma utopia pois, até ao momento, não passa disso. É normal ao longo da vida realizarem-se sacrifícios em prol de um objetivo. A frustração acontece quando se constata que de nada vale a dedicação e persistência se o propósito não é atingido. Estou frustrada há muito tempo.
Não sei como será o meu estado de espírito daqui a um ano, se estarei a escrever um post intitulado "8 anos". De uma coisa tenho a certeza, não sou a mesma pessoa que era em novembro de 2011. Estou diferente, não sei se melhor ou pior.
Não sei como será o meu estado de espírito daqui a um ano, se estarei a escrever um post intitulado "8 anos". De uma coisa tenho a certeza, não sou a mesma pessoa que era em novembro de 2011. Estou diferente, não sei se melhor ou pior.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
TEC 7 prepara-te, estou a caminho!
Após aguardar as horas da praxe pela ecografia, fui matar saudades da marquesa. O endométrio estava com 6 mm e os ovários tinham o ar sinistro de sempre. Feita a pergunta tradicional da duração dos meus ciclos, ouvi a pérola que me deixa furiosa. "Vai fazer o Decapeptyl." Após dizer, mais uma vez, que não menstruo com aquilo, a médica estava confiante que com os 6 mm muito provavelmente iria menstruar, embora houvesse uma hipótese remota de a espessura regredir (não seria inédito comigo).
Regressei à sala de espera a ferver, a pensar que os 4 meses necessários para que finalmente se pensasse em algo diferente, não tinham resultado em nada de novo. Só me lembrava que se me avisassem antecipadamente que ia voltar tudo ao mesmo, podia ter aproveitado setembro ou outubro para ir a uma clínica pedir outra opinião.
Algum tempo depois fui chamada para consulta. Ainda no corredor a Dra A. M. quis confirmar se era eu que não menstruava. Senti-me um ser humano, finalmente, após perto de 4 anos a ser acompanhada naquela unidade. Ser humano no sentido em que estavam a falar de mim, em particular, e não de "enlatados" que entram na linha de produção do vira o disco e toca o mesmo. Viram o registo da espessura do endométrio e falaram em Decapeptyl, ao que mencionei logo a ineficácia. Sugeriram Provera, como se eu nunca tivesse tentado tal medicamento mas prontifiquei-me a dizer que com esse nunca falhou.
Dei então hoje início ao ácido fólico, Provera e ao segundo dia do ciclo introduzo mais medicação. Serão dois comprimidos de Estrofem, aspirina (desta vez 150 mg) e a novidade, Lovenox 40! Finalmente a enoxaparina que eu sugerira noutras ocasiões e puseram sempre de parte. Não referiram o corticoide. Devem suspeitar que sou dos casos em que o efeito é contrário ao pretendido.
Aproveitei para perguntar relativamente à progesterona que poderia ser insuficiente, só através de análise se poderia aferir e no caso de ser baixa ter-se-ia de recorrer à via intramuscular. A diretora disse logo que lá isso não é feito. Acha até que exageram na quantidade de progesterona que prescrevem.
Quando o alerta vermelho chegar cá ligo para o hospital e por volta do sétimo dia do ciclo faço nova ecografia.
A descongelação é o que me preocupa mais neste momento.
Regressei à sala de espera a ferver, a pensar que os 4 meses necessários para que finalmente se pensasse em algo diferente, não tinham resultado em nada de novo. Só me lembrava que se me avisassem antecipadamente que ia voltar tudo ao mesmo, podia ter aproveitado setembro ou outubro para ir a uma clínica pedir outra opinião.
Algum tempo depois fui chamada para consulta. Ainda no corredor a Dra A. M. quis confirmar se era eu que não menstruava. Senti-me um ser humano, finalmente, após perto de 4 anos a ser acompanhada naquela unidade. Ser humano no sentido em que estavam a falar de mim, em particular, e não de "enlatados" que entram na linha de produção do vira o disco e toca o mesmo. Viram o registo da espessura do endométrio e falaram em Decapeptyl, ao que mencionei logo a ineficácia. Sugeriram Provera, como se eu nunca tivesse tentado tal medicamento mas prontifiquei-me a dizer que com esse nunca falhou.
Dei então hoje início ao ácido fólico, Provera e ao segundo dia do ciclo introduzo mais medicação. Serão dois comprimidos de Estrofem, aspirina (desta vez 150 mg) e a novidade, Lovenox 40! Finalmente a enoxaparina que eu sugerira noutras ocasiões e puseram sempre de parte. Não referiram o corticoide. Devem suspeitar que sou dos casos em que o efeito é contrário ao pretendido.
Aproveitei para perguntar relativamente à progesterona que poderia ser insuficiente, só através de análise se poderia aferir e no caso de ser baixa ter-se-ia de recorrer à via intramuscular. A diretora disse logo que lá isso não é feito. Acha até que exageram na quantidade de progesterona que prescrevem.
Quando o alerta vermelho chegar cá ligo para o hospital e por volta do sétimo dia do ciclo faço nova ecografia.
A descongelação é o que me preocupa mais neste momento.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Enfim contactada!
Classifico estes últimos 4 meses como um slow motion que parecia não terminar. Finalmente a equipa viu, reviu, remexeu, fez malabarismos com o meu processo. Nesta manhã em que tentei diversas vezes ligar para o hospital sem sucesso, quando pegava nas minhas coisas para vir almoçar a casa, o meu telemóvel estava a vibrar. Vi que a chamada era do hospital. Atendi imediatamente e do outro lado falava uma das enfermeiras do serviço. Disse-me para eu organizar a minha vida e escolher quando queria ir ao hospital. Quando tivesse definido data ligaria depois para o HSJ. Respondi na hora que amanhã ou sexta estava perfeito. Viram a agenda para amanhã e ficou marcada ecografia para as 10h para se poder tratar da preparação da TEC. Numa das vezes que contactei para saber se havia notícias dei a indicação que a última vez que menstruei foi quando parei o Progeffik (após o negativo da TEC 6). A enfermeira viu essa anotação e assim evitou-se o questionário do costume.
Fiquei com a pulga atrás da orelha e com a sensação que nada de novo vai ser feito. Pode ser impressão minha mas amanhã já esclareço as dúvidas.
Ando há uns dias com a minha gastrite de estimação on fire. Desta vez sei que é do stress causado tanto pelo trabalho, como pelo vazio de notícias neste tempo todo. À partida, do ponto de vista laboral, as próximas duas semanas vão ser um bocadinho mais calmas para contrastar com o constante reset cerebral e as mil e uma solicitações em simultâneo que a minha atividade exigiu no último mês.
Espero manter-me serena a todos os níveis.
Fiquei com a pulga atrás da orelha e com a sensação que nada de novo vai ser feito. Pode ser impressão minha mas amanhã já esclareço as dúvidas.
Ando há uns dias com a minha gastrite de estimação on fire. Desta vez sei que é do stress causado tanto pelo trabalho, como pelo vazio de notícias neste tempo todo. À partida, do ponto de vista laboral, as próximas duas semanas vão ser um bocadinho mais calmas para contrastar com o constante reset cerebral e as mil e uma solicitações em simultâneo que a minha atividade exigiu no último mês.
Espero manter-me serena a todos os níveis.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
Quando as mudanças surgem
Há dois meses fui a uma entrevista na perspetiva de colaborar num projeto desenvolvido por umas investigadoras de uma instituição de ensino superior do Porto. Iria prestar serviços durante os meses de outubro e novembro, a tempo parcial, mantendo a atividade que já desempenhava noutro local. Tive de ser franca quanto à hipótese de não estar tão disponível como esperado, devido aos tratamentos. A equipa estava sensível para a situação, até porque vários elementos passaram pela infertilidade, embora durante menos tempo que eu. Fui selecionada e apesar de estar consciente que esta experiência poderia coincidir com a realização de nova TEC aceitei arriscar, pois tem sido uma constante conjugar uma mudança com a rotina do hospital. Tem de ser, caso contrário a palavra estagnação teria tomado por completo a minha vida.
Há umas duas semanas pensei com os meus botões que seria uma boa ideia voltar à universidade no próximo ano letivo. Ainda não sabia muito bem em que modalidade e área, então fui ver as necessidades do mercado. Houve um anúncio que me prendeu a atenção pela possibilidade imediata de me proporcionar uma situação laboral mais confortável do que aquela que tinha até então. Nestes últimos anos trabalhei a tempo parcial, em regime de prestação de serviços, para compatibilizar com os tratamentos. Houve pelo meio hipóteses de trabalhar noutros locais, na minha área de formação. Não me senti, contudo, moralmente capaz de aceitar tendo, por exemplo, de me ausentar do serviço logo no dia seguinte à minha apresentação, fazê-lo outra vez na mesma semana e novamente duas semanas depois... Seria injusto tratando-se ainda por cima de uma substituição temporária. Abdiquei de oportunidades e adequei a minha vida profissional ao projeto de maternidade que cada vez mais considero uma ideia. Esta ideia sugou-me e dificilmente se irá materializar. Financeiramente levou-me a um limiar que nunca imaginei atingir com esta idade. Não tinha qualquer hipótese de ser autossuficiente se estivesse sozinha. Mas não estou só neste processo. Somos dois e embora o meu marido dissesse que estávamos a fazer o que devíamos para levar a água ao nosso moinho e que o trabalho dele nos possibilitava levar uma vida digna, não me sentia bem estar anos a fio a viver desta forma. Tendo em conta esta situação arrisquei responder ao anúncio, que correspondia a uma proposta de trabalho a tempo inteiro, com contrato. Fui contactada no dia seguinte e nessa mesma tarde fui entrevistada. Mais uma vez abordei a questão dos tratamentos para perceber a abertura que havia em relação às ausências (que sempre tentei que fossem o mais breve possível). Caso fosse manifestada alguma relutância, punha logo de parte a proposta. Não foi isso que aconteceu. Do outro lado houve compreensão. Expliquei em traços gerais em que circunstâncias é que precisaria de faltar e, convenhamos, não deve acontecer muito mais vezes. Tive de responder se aceitava ou não ficar com o lugar e decidi que sim.
A ideia do regresso ao ensino superior ficou em suspenso. Gostava imenso de o fazer mas não estou ralada com isso, temos de fazer opções.
Quanto a TECs não há nada a dizer. A suposta reunião em que o meu processo seria novamente discutido foi na quarta-feira passada e a ordem é aguardar uma chamada. O meu telemóvel anda tão sossegado que, de vez em quando, pego noutro telefone e ligo para o meu número para saber se está a funcionar. Desde o dia do último negativo paira na minha cabeça um som idêntico ao que é usado para simbolizar a brisa dos locais onde não acontece nada. Ainda pensei que em agosto fosse acontecer alguma coisa, à semelhança do ano passado em que fiz a histeroscopia. Mas não, ninguém se manifestou do lado de lá da Circunvalação. Se as transferências se estavam a fazer menos espaçadas, como me foi dito, então deve ter havido uma reviravolta e vigoram novamente os vários meses. A frequência comigo tem sido a cada 4 meses. Agora com esta ausência de notícias começo a duvidar até que seja feita em outubro, quando completam 4 meses desde a TEC 6. Estamos a 18 de setembro e se fosse para fazer um scratching endometrial suponho que fosse por esta altura.
Ah, ia-me esquecendo de contar. Aquela fase de adolescência que tive em fevereiro e março, pouco tempo depois da aspiração, já passou. Sou novamente eu, a amenorreica, a disfuncional, que menstruou pela última vez no dia 9 de julho, depois de suspender o Progeffik.
Vamos entrar no último trimestre de 2018 e até agora, neste ano civil, fiz apenas uma TEC. Não imaginava que nesta altura fosse estar tão parada ao nível dos tratamentos. 4 meses separam-me dos 39 anos e custa-me perceber isso. Estou desanimada por ver que não falta muito para o ano terminar. A sensação que tenho é que foram dados mais passos para trás do que para a frente. Estes meses, desde a última transferência, têm custado imenso a passar pela incógnita da decisão da famigerada reunião. E a tortura continua com o silêncio do telefone. Não há conclusões acerca de nada, não há datas nem planos que me tenham sido comunicados. A dúvida sobre tudo o que aconteceu nestes quase 7 anos é cada vez maior. Preciso que isto chegue ao fim, seja ele qual for.
Há umas duas semanas pensei com os meus botões que seria uma boa ideia voltar à universidade no próximo ano letivo. Ainda não sabia muito bem em que modalidade e área, então fui ver as necessidades do mercado. Houve um anúncio que me prendeu a atenção pela possibilidade imediata de me proporcionar uma situação laboral mais confortável do que aquela que tinha até então. Nestes últimos anos trabalhei a tempo parcial, em regime de prestação de serviços, para compatibilizar com os tratamentos. Houve pelo meio hipóteses de trabalhar noutros locais, na minha área de formação. Não me senti, contudo, moralmente capaz de aceitar tendo, por exemplo, de me ausentar do serviço logo no dia seguinte à minha apresentação, fazê-lo outra vez na mesma semana e novamente duas semanas depois... Seria injusto tratando-se ainda por cima de uma substituição temporária. Abdiquei de oportunidades e adequei a minha vida profissional ao projeto de maternidade que cada vez mais considero uma ideia. Esta ideia sugou-me e dificilmente se irá materializar. Financeiramente levou-me a um limiar que nunca imaginei atingir com esta idade. Não tinha qualquer hipótese de ser autossuficiente se estivesse sozinha. Mas não estou só neste processo. Somos dois e embora o meu marido dissesse que estávamos a fazer o que devíamos para levar a água ao nosso moinho e que o trabalho dele nos possibilitava levar uma vida digna, não me sentia bem estar anos a fio a viver desta forma. Tendo em conta esta situação arrisquei responder ao anúncio, que correspondia a uma proposta de trabalho a tempo inteiro, com contrato. Fui contactada no dia seguinte e nessa mesma tarde fui entrevistada. Mais uma vez abordei a questão dos tratamentos para perceber a abertura que havia em relação às ausências (que sempre tentei que fossem o mais breve possível). Caso fosse manifestada alguma relutância, punha logo de parte a proposta. Não foi isso que aconteceu. Do outro lado houve compreensão. Expliquei em traços gerais em que circunstâncias é que precisaria de faltar e, convenhamos, não deve acontecer muito mais vezes. Tive de responder se aceitava ou não ficar com o lugar e decidi que sim.
A ideia do regresso ao ensino superior ficou em suspenso. Gostava imenso de o fazer mas não estou ralada com isso, temos de fazer opções.
Quanto a TECs não há nada a dizer. A suposta reunião em que o meu processo seria novamente discutido foi na quarta-feira passada e a ordem é aguardar uma chamada. O meu telemóvel anda tão sossegado que, de vez em quando, pego noutro telefone e ligo para o meu número para saber se está a funcionar. Desde o dia do último negativo paira na minha cabeça um som idêntico ao que é usado para simbolizar a brisa dos locais onde não acontece nada. Ainda pensei que em agosto fosse acontecer alguma coisa, à semelhança do ano passado em que fiz a histeroscopia. Mas não, ninguém se manifestou do lado de lá da Circunvalação. Se as transferências se estavam a fazer menos espaçadas, como me foi dito, então deve ter havido uma reviravolta e vigoram novamente os vários meses. A frequência comigo tem sido a cada 4 meses. Agora com esta ausência de notícias começo a duvidar até que seja feita em outubro, quando completam 4 meses desde a TEC 6. Estamos a 18 de setembro e se fosse para fazer um scratching endometrial suponho que fosse por esta altura.
Ah, ia-me esquecendo de contar. Aquela fase de adolescência que tive em fevereiro e março, pouco tempo depois da aspiração, já passou. Sou novamente eu, a amenorreica, a disfuncional, que menstruou pela última vez no dia 9 de julho, depois de suspender o Progeffik.
Vamos entrar no último trimestre de 2018 e até agora, neste ano civil, fiz apenas uma TEC. Não imaginava que nesta altura fosse estar tão parada ao nível dos tratamentos. 4 meses separam-me dos 39 anos e custa-me perceber isso. Estou desanimada por ver que não falta muito para o ano terminar. A sensação que tenho é que foram dados mais passos para trás do que para a frente. Estes meses, desde a última transferência, têm custado imenso a passar pela incógnita da decisão da famigerada reunião. E a tortura continua com o silêncio do telefone. Não há conclusões acerca de nada, não há datas nem planos que me tenham sido comunicados. A dúvida sobre tudo o que aconteceu nestes quase 7 anos é cada vez maior. Preciso que isto chegue ao fim, seja ele qual for.
terça-feira, 17 de julho de 2018
40 semanas
Era uma vez um casal que, um dia após ter contraído matrimónio, realizou mais uma transferência de embriões. Esse ato médico resultou na terceira gravidez, desse mesmo casal, num intervalo de 13 meses. Hoje, algures no mundo, alguém completa 40 semanas desse estado de graça. Não é o casal referido no início, porque a Mãe Natureza (soberana) entendeu que eles não o merecem.
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Beta - TEC 6
Como contava, o resultado foi negativo. A Diretora disse que o meu caso é complicado e não foi tomada nenhuma decisão sobre o que se segue, porque vão discutir em reunião. Não estou arrasada, era o que esperava apenas.
Penso que virá um scratching endometrial. É algo que também fazem lá e nunca foi tentado comigo. O mais parecido que houve foi a biópsia na histeroscopia, em que engravidei na TEC que fiz a seguir. Virá mais uma dose de sofrimento, não sei se melhor ou pior que a biópsia. Parece que ainda não passei o suficiente para isto dar a volta.
O embrião era excelente e como tenho vindo a dizer, o problema é quando colocam os pequenotes em contacto comigo.
A próxima transferência deverá ser por volta de setembro. Vou manter outra vez em águas de bacalhau os meus planos, para continuar a conseguir compatibilizar a minha vida com o corridinho ao hospital.
Não irei precisar de viajar, daqui a uns dias, munida de medicamentos e pensos XXL para o caso de haver outro aborto.
A única orientação, para já, é aguardar uma chamada que vai acontecer depois de deliberarem alguma coisa. Normalmente é à quarta-feira de manhã que reunem.
Obrigada a todas pelo carinho e o tempo que dispensam da vossa vida para acompanharem esta trajetória completamente irregular.
Penso que virá um scratching endometrial. É algo que também fazem lá e nunca foi tentado comigo. O mais parecido que houve foi a biópsia na histeroscopia, em que engravidei na TEC que fiz a seguir. Virá mais uma dose de sofrimento, não sei se melhor ou pior que a biópsia. Parece que ainda não passei o suficiente para isto dar a volta.
O embrião era excelente e como tenho vindo a dizer, o problema é quando colocam os pequenotes em contacto comigo.
A próxima transferência deverá ser por volta de setembro. Vou manter outra vez em águas de bacalhau os meus planos, para continuar a conseguir compatibilizar a minha vida com o corridinho ao hospital.
Não irei precisar de viajar, daqui a uns dias, munida de medicamentos e pensos XXL para o caso de haver outro aborto.
A única orientação, para já, é aguardar uma chamada que vai acontecer depois de deliberarem alguma coisa. Normalmente é à quarta-feira de manhã que reunem.
Obrigada a todas pelo carinho e o tempo que dispensam da vossa vida para acompanharem esta trajetória completamente irregular.
quarta-feira, 4 de julho de 2018
Dia 13 - TEC 6
Aqui estou, novamente, a umas horas de conhecer mais um resultado. No passado cheguei a iludir-me com alguns sinais que posteriormente se revelaram como efeitos secundários. Hoje houve pouquíssimos instantes em que senti uma ligeira pressão no útero. Admito que, atendendo ao que não notei durante esta espera, um positivo chorudo deixar-me-á atónita. Pézinhos bem colados à terra é o que se exige nesta fase. Em qualquer fase, para ser mais realista. Não sei bem o que pensar, sentir, planear. O que preciso mesmo é de fazer a colheita de sangue e saber se sim, nim ou não.
Mal saiba o resultado e esteja de volta a casa, dou notícias, como sempre fiz.
Mal saiba o resultado e esteja de volta a casa, dou notícias, como sempre fiz.
Dia 12 - TEC 6
Mais do nada. Arrisco dizer que depois de amanhã vou ser confrontada com o terceiro negativo da carreira. É uma hipótese perfeitamente viável, faz parte destes processos, especialmente quando se aposta apenas num embrião. Aceito melhor esse resultado que o sufoco de um positivo que termina mal. O reverso da medalha é que isso significará manter a vida em suspenso até fazer nova TEC, mas aguento outro ano de sacrifício, porque será o último. Estou ávida de mudança, no entanto devo ter mais um pouco de paciência.
Sou seguida no HSJ desde dezembro de 2014. Desde essa altura não tem havido muitos períodos em branco. Têm sido anos intensos de constante descoberta e cada vez mais dúvidas. Tanto foi feito embora não pareça, porque o piso 3 tornou-se como que uma extensão da minha casa onde passo muitas horas. O Hospital Pedro Hispano foi um calhau no meu sapato. De encaminhamento em encaminhamento (com muita incompetência pelo meio), adiamentos de consultas e dificuldade em chegarem à conclusão que o Dufine não é a minha praia, perdi aquela juventude que podia ter dado uma mãozinha preciosa a tudo o que lhe sucedeu. Como não vale a pena chorar sobre o leite derramado, resta-me queimar os últimos cartuxos.
Na primeira consulta que tive no HSJ a médica disse "Não se preocupe que vai engravidar". Ela teve razão, pelo menos três vezes... Podia ter dito "Não se preocupe que vai conseguir ter um filho".
Sou seguida no HSJ desde dezembro de 2014. Desde essa altura não tem havido muitos períodos em branco. Têm sido anos intensos de constante descoberta e cada vez mais dúvidas. Tanto foi feito embora não pareça, porque o piso 3 tornou-se como que uma extensão da minha casa onde passo muitas horas. O Hospital Pedro Hispano foi um calhau no meu sapato. De encaminhamento em encaminhamento (com muita incompetência pelo meio), adiamentos de consultas e dificuldade em chegarem à conclusão que o Dufine não é a minha praia, perdi aquela juventude que podia ter dado uma mãozinha preciosa a tudo o que lhe sucedeu. Como não vale a pena chorar sobre o leite derramado, resta-me queimar os últimos cartuxos.
Na primeira consulta que tive no HSJ a médica disse "Não se preocupe que vai engravidar". Ela teve razão, pelo menos três vezes... Podia ter dito "Não se preocupe que vai conseguir ter um filho".
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Dia 11 - TEC 6
Julgo ter sentido algo semelhante a uma pequena dor menstrual, por duas vezes. De resto, tudo pacífico.
Faltam 3 dias para o primeiro beta de 2018. Este processo arrastou-se devido ao desenvolvimento irregular da última gravidez que me levou ao bloco, depois um momento teenager hormonalmente descontrolado atrasou um pouco mais o início da estimulação. A hiperestimulação essa, já contava com ela. O que me impressionou foi ter feito a transferência sensivelmente dois meses após a punção e não três, como em 2016.
Entrámos no mês 7 do ano, que choque! Não tarda, estamos de volta à época natalícia e quase de seguida os 39 anos chegam. Olho para trás e não vejo progresso. Ambicionava ser mãe pela primeira vez até aos 35 anos. Do desejo à realidade vai um conjunto de experiências fracassadas que me levaram a redefinir ideais. Não estou a matricular nenhuma cria na escola, pelo contrário, continuo a dedicar o meu quotidiano a uma ideia criada, nada palpável. Este vazio de matéria recebe mais amor, atenção e sacrifício que muitos filhos de gente que não merece o ar que consome ao planeta. Só posso estar a receber uma lição, penosa, porém vou ter de aprender algo com tudo o que tem acontecido desde novembro de 2011.
Faltam 3 dias para o primeiro beta de 2018. Este processo arrastou-se devido ao desenvolvimento irregular da última gravidez que me levou ao bloco, depois um momento teenager hormonalmente descontrolado atrasou um pouco mais o início da estimulação. A hiperestimulação essa, já contava com ela. O que me impressionou foi ter feito a transferência sensivelmente dois meses após a punção e não três, como em 2016.
Entrámos no mês 7 do ano, que choque! Não tarda, estamos de volta à época natalícia e quase de seguida os 39 anos chegam. Olho para trás e não vejo progresso. Ambicionava ser mãe pela primeira vez até aos 35 anos. Do desejo à realidade vai um conjunto de experiências fracassadas que me levaram a redefinir ideais. Não estou a matricular nenhuma cria na escola, pelo contrário, continuo a dedicar o meu quotidiano a uma ideia criada, nada palpável. Este vazio de matéria recebe mais amor, atenção e sacrifício que muitos filhos de gente que não merece o ar que consome ao planeta. Só posso estar a receber uma lição, penosa, porém vou ter de aprender algo com tudo o que tem acontecido desde novembro de 2011.
Dia 10 - TEC 6
Há muita informação que retive destes anos de consultas e tratamentos mas existem detalhes dos quais só me recordo quando vou ao histórico de posts publicados no blogue. Já me socorri várias vezes de dados aqui escritos. Dantes tinha registos em papel com as datas de consultas, alterações de medicação, menstruação, porque é frequente as médicas perguntarem. Se continuasse a recorrer a folhas ou agendas o manancial coletado seria vasto. Felizmente este registo digital tem a facilidade de armazenar tudo isso e muito mais, além de possibilitar a partilha da forma como vivo a infertilidade.
Nunca tive pretensões de ocultar ou amenizar aquilo que sinto. Acho que tem de se pôr fim à imagem de que a infertilidade é uma coisa sem importância que se resolve sempre. Que isto é fruto apenas de um estado de ansiedade e que, quando menos esperamos, ou seja, nuns instantes em que não estamos acometidos dessa dita ansiedade dá-se aquilo que toda a gente é naturalmente capaz. Falei já deste assunto nos primórdios do blogue mas passados todos estes anos, ainda oiço vindo da parte de pessoas bem próximas, a referência à dita ansiedade. Essa palavra também está incluída no rol das que gostava de banir do dicionário. Questiono-me por que é que em vez de estar a tomar 9 comprimidos por dia não passo apenas para 2: o Eutirox e um ansiolítico? Aparentemente seria este último o salvador da natalidade da comunidade infértil. Querem ver que a infertilidade é um estado psicológico e não um acometimento físico?
Dá para ver que continua sem acontecer nada de percetível por cá. Sim, comigo está tudo igual. A única coisa diferente é que falta menos tempo para o dia 5.
Nunca tive pretensões de ocultar ou amenizar aquilo que sinto. Acho que tem de se pôr fim à imagem de que a infertilidade é uma coisa sem importância que se resolve sempre. Que isto é fruto apenas de um estado de ansiedade e que, quando menos esperamos, ou seja, nuns instantes em que não estamos acometidos dessa dita ansiedade dá-se aquilo que toda a gente é naturalmente capaz. Falei já deste assunto nos primórdios do blogue mas passados todos estes anos, ainda oiço vindo da parte de pessoas bem próximas, a referência à dita ansiedade. Essa palavra também está incluída no rol das que gostava de banir do dicionário. Questiono-me por que é que em vez de estar a tomar 9 comprimidos por dia não passo apenas para 2: o Eutirox e um ansiolítico? Aparentemente seria este último o salvador da natalidade da comunidade infértil. Querem ver que a infertilidade é um estado psicológico e não um acometimento físico?
Dá para ver que continua sem acontecer nada de percetível por cá. Sim, comigo está tudo igual. A única coisa diferente é que falta menos tempo para o dia 5.
domingo, 1 de julho de 2018
Dia 9 - TEC 6
Chegou o último fim de semana que antecede o beta. A ausência de sinais fisiológicos permanece. Estou curiosa para saber o que isto significa. A rotina medicamentosa está completamente entranhada e pode permanecer por muitas semanas, que não me importo nada.
Estou a entrar nos 6 anos e 8 meses de luta. Fala-se na crise dos 7 anos nas relações dos casais. Neste caso, os 7 anos de frente a frente com esta doença maldita, serão o fim desta guerra em que vou erguer a bandeira branca.
Estou a entrar nos 6 anos e 8 meses de luta. Fala-se na crise dos 7 anos nas relações dos casais. Neste caso, os 7 anos de frente a frente com esta doença maldita, serão o fim desta guerra em que vou erguer a bandeira branca.
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