Fui acometida por várias pontadas profundas no útero, que duram uma fração de segundos. As mamas estão ainda maiores, doridas ao toque mas o que realmente me incomoda é a gastrite. O Estrofem dá-me cabo do esófago. Andei bem durante muito tempo mas sempre que começo a fazer uma preparação para TEC a desgraçada da inflamação renasce das cinzas atormentando-me dia após dia. Vivo em estado permanente de dor ao longo de todo o esófago.
Decidi que vou realizar o teste na quinta-feira e não antes, porque tenho habitualmente valores baixos de beta. É quase preciso apelar à imaginação para ver uma segunda risca. Se estivesse a ser acompanhada noutro sítio teria indicação para fazer a análise entre quarta e sexta. Como é apenas daqui a uma semana, faço então na quinta o teste de urina. Acho que nessa altura será um resultado mais consistente que duvidoso.
Seja positivo ou negativo, só daqui a uma semana irei perceber o que me aguarda. O beta quantitativo dar-me-á uma primeira resposta.
Estou a tentar desapegar-me e levar isto numa vertente prática. Agora sou eu que quero transformar o processo numa linha de montagem para não pensar muito no assunto. Na realidade não tenho pensado mesmo, pois aquilo com que me tenho deparado no trabalho deixa-me perplexa e a refletir seriamente sobre o que pretendo fazer num futuro muito próximo.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Dia 7 - TEC 8
Alvo como só ele é quando sai do blister, o Progeffik continua assim nos resíduos que deixa. Por mais que o meu cérebro diga "Isso não quer dizer nada. Há tanta gente que não tem perdas antes do beta e está grávida, tu mesma passaste por isso da primeira vez.", é muito difícil manter o otimismo.
À semelhança do que acontece no futebol quando há um clássico e se fazem estatísticas sobre as vitórias históricas de A ou B, na "casa" de uma equipa ou de outra, também me vejo a fazer o meu próprio estudo dos negativos e positivos e em que circunstâncias ocorreram. Por exemplo, as primeiras transferências de embriões de diferentes estimulações (TEC 1 da FIV 1 e TEC 6 da FIV 2) acabaram em negativos, vamos ver se agora será também assim. As segundas transferências dessas estimulações (TECs 2 e 7) resultaram em gravidezes bioquímicas.
Se realmente se confirmar que a única coisa que se passa comigo é a alteração hormonal provocada pela medicação, restam-me duas possibilidades, uma ou nenhuma. Esta TEC poderá ser a última hipótese que tive. Tudo depende da descongelação dos embriões.
Quinta-feira sou capaz de usar aquele teste que comprei na altura do atraso, depois de ter tomado o Provera.
Se o negativo for confirmado no dia 17, gostava que a próxima transferência fosse realizada nos próximos 2 ou 3 meses. O limite cronológico que desejo para finalizar esta história é o termo do ano letivo. Estou num dilema em relação ao meu futuro profissional. Não tirei da cabeça a ideia de voltar a estudar no ensino superior e se o assunto da infertilidade ficar encerrado até lá, tenho ainda possibilidade de me candidatar a alguma coisa, se entender que parte do meu caminho é por aí. Há em mim desejo de mudança, de fazer algo mais consistente do que aquilo que tenho realizado, em que me sinto completamente descartável, por cronicamente estar a substituir pessoas. O mercado de trabalho é mesmo isso, servir-se de pessoas, eu sei. Mas nos moldes em que tenho trabalhado é por demais evidente.
À semelhança do que acontece no futebol quando há um clássico e se fazem estatísticas sobre as vitórias históricas de A ou B, na "casa" de uma equipa ou de outra, também me vejo a fazer o meu próprio estudo dos negativos e positivos e em que circunstâncias ocorreram. Por exemplo, as primeiras transferências de embriões de diferentes estimulações (TEC 1 da FIV 1 e TEC 6 da FIV 2) acabaram em negativos, vamos ver se agora será também assim. As segundas transferências dessas estimulações (TECs 2 e 7) resultaram em gravidezes bioquímicas.
Se realmente se confirmar que a única coisa que se passa comigo é a alteração hormonal provocada pela medicação, restam-me duas possibilidades, uma ou nenhuma. Esta TEC poderá ser a última hipótese que tive. Tudo depende da descongelação dos embriões.
Quinta-feira sou capaz de usar aquele teste que comprei na altura do atraso, depois de ter tomado o Provera.
Se o negativo for confirmado no dia 17, gostava que a próxima transferência fosse realizada nos próximos 2 ou 3 meses. O limite cronológico que desejo para finalizar esta história é o termo do ano letivo. Estou num dilema em relação ao meu futuro profissional. Não tirei da cabeça a ideia de voltar a estudar no ensino superior e se o assunto da infertilidade ficar encerrado até lá, tenho ainda possibilidade de me candidatar a alguma coisa, se entender que parte do meu caminho é por aí. Há em mim desejo de mudança, de fazer algo mais consistente do que aquilo que tenho realizado, em que me sinto completamente descartável, por cronicamente estar a substituir pessoas. O mercado de trabalho é mesmo isso, servir-se de pessoas, eu sei. Mas nos moldes em que tenho trabalhado é por demais evidente.
sábado, 8 de fevereiro de 2020
Dia 6 - TEC 8
Mais um dia a riscar no calendário (menos um até ao dia B). Nada de relevante a assinalar, exceto algumas náuseas que vão dando o ar da sua graça, principalmente a partir do final do tarde. O Estrofem tem destas coisas e só não são mais intensas, porque em vez de o tomar em três períodos do dia, faço 1 comprimido de manhã e 2 à noite, a conselho das médicas. Não tive pontadas no útero ou outro tipo de manifestação.
Os pólenes esses, andam à solta, o meu nariz que o diga. Fazem-me a vida negra...
Ainda não vou a meio desta fase, apesar de achar que estes dias até passaram rapidamente.
Tenho de preparar mais material para a semana que está a chegar. Espero que consiga daqui em diante executar o meu trabalho sem mais improvisos. Além da carência de informações sobre o que fora executado até à minha chegada, constrangimentos de ordem técnica fizeram-me pôr em prática planos B e C, por prever que os mesmos fossem aparecer. A integração plena ainda vai demorar algum tempo, se calhar nem se vai dar, porque paira sempre no ar o caráter temporário da minha colocação. A esta substituição podem seguir-se várias outras até ao fim de maio, em diferentes locais.
Os pólenes esses, andam à solta, o meu nariz que o diga. Fazem-me a vida negra...
Ainda não vou a meio desta fase, apesar de achar que estes dias até passaram rapidamente.
Tenho de preparar mais material para a semana que está a chegar. Espero que consiga daqui em diante executar o meu trabalho sem mais improvisos. Além da carência de informações sobre o que fora executado até à minha chegada, constrangimentos de ordem técnica fizeram-me pôr em prática planos B e C, por prever que os mesmos fossem aparecer. A integração plena ainda vai demorar algum tempo, se calhar nem se vai dar, porque paira sempre no ar o caráter temporário da minha colocação. A esta substituição podem seguir-se várias outras até ao fim de maio, em diferentes locais.
Dia 5 - TEC 8
A primeira parte do período pós-transferência é habitualmente monótono. Não se percebem mudanças de relevo, até porque o efeito da medicação demora uns dias a manifestar-se. Hoje comecei a sentir aquelas pontadas fortes no útero, quando me levanto, e já reparei que este efeito secundário foi mais frequente quando fiz três comprimidos de Estrofem em vez de dois. Chamo-lhe efeito secundário, porque em situações de resultado negativo era igualmente importunada por ele.
O estado de espírito durante a espera pelo beta sofre várias ambivalências. Após o nosso pequeno mundo ser colocado dentro do corpo sente-se alegria, otimismo e esperança. No dia seguinte continuam a lua-de-mel, o sentimento de que é muito cedo para perceber o que quer que seja e a vontade de que o embrião ainda esteja de boa saúde. Nos 3/4 dias seguintes começam os pensamentos relacionados com a nidação. Inicia também a fase de inspecionar cada ida à casa de banho, cada colocação de Progeffik para ver se os resíduos saem brancos ou de outra cor. Procuram-se dores e sensações em cada movimento. A cabeça ora está esperançosa, ora acha que não vai passar de mais um negativo. Depois vem para mim a barreira das perdas. Sempre que surgiram foram sinal de gravidez, por isso se no domingo, no máximo segunda-feira não aparecer nada, será difícil manter-me otimista. Nos 2/3 dias que antecedem o beta a única vontade é de desvendar o mistério, porque o nosso coração precisa de encerrar processos. Quando os resultados foram negativos queria menstruar o mais rápido possível para o corpo normalizar, como forma de luto. Nos positivos, que sufoco! Nunca cheguei a ter o espírito naïf com flores a desabrochar, passarinhos a piar e arco-íris a enfeitar o céu, só porque tinha atingido um positivo. O tapete foi-me arrancado desde logo, positivo atrás de positivo, só para ver que o mundo está longe de ser perfeito. Se voltar a estar desse lado da barricada terei de continuar a manter-me firme, por piores que sejam os prognósticos, não tenho outra alternativa.
O estado de espírito durante a espera pelo beta sofre várias ambivalências. Após o nosso pequeno mundo ser colocado dentro do corpo sente-se alegria, otimismo e esperança. No dia seguinte continuam a lua-de-mel, o sentimento de que é muito cedo para perceber o que quer que seja e a vontade de que o embrião ainda esteja de boa saúde. Nos 3/4 dias seguintes começam os pensamentos relacionados com a nidação. Inicia também a fase de inspecionar cada ida à casa de banho, cada colocação de Progeffik para ver se os resíduos saem brancos ou de outra cor. Procuram-se dores e sensações em cada movimento. A cabeça ora está esperançosa, ora acha que não vai passar de mais um negativo. Depois vem para mim a barreira das perdas. Sempre que surgiram foram sinal de gravidez, por isso se no domingo, no máximo segunda-feira não aparecer nada, será difícil manter-me otimista. Nos 2/3 dias que antecedem o beta a única vontade é de desvendar o mistério, porque o nosso coração precisa de encerrar processos. Quando os resultados foram negativos queria menstruar o mais rápido possível para o corpo normalizar, como forma de luto. Nos positivos, que sufoco! Nunca cheguei a ter o espírito naïf com flores a desabrochar, passarinhos a piar e arco-íris a enfeitar o céu, só porque tinha atingido um positivo. O tapete foi-me arrancado desde logo, positivo atrás de positivo, só para ver que o mundo está longe de ser perfeito. Se voltar a estar desse lado da barricada terei de continuar a manter-me firme, por piores que sejam os prognósticos, não tenho outra alternativa.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
Dia 4 - TEC 8
Acho que aquela pequenina perda de ontem deve ter sido algum resquício resultante da realização da TEC. Hoje não apareceu nada. A progesterona está a começar a atuar nas mamas. Lá vou eu ficar ainda mais insuflada do que o habitual...
O fim de semana será a altura em que poderei ter sinais visuais de alguma implantação, se se repetir o comportamento das três gravidezes anteriores (na primeira não houve sangramento de nidação). Ficarei com a noção do sucesso ou fracasso desta transferência. Ou não... Por enquanto penso que estou calma em relação a este tema da TEC, até porque atualmente não tenho muito tempo para pensar no assunto. A minha animosidade vai estar fortemente influenciada por aqueles dois diazinhos. Falta pouco para esse marco!
O fim de semana será a altura em que poderei ter sinais visuais de alguma implantação, se se repetir o comportamento das três gravidezes anteriores (na primeira não houve sangramento de nidação). Ficarei com a noção do sucesso ou fracasso desta transferência. Ou não... Por enquanto penso que estou calma em relação a este tema da TEC, até porque atualmente não tenho muito tempo para pensar no assunto. A minha animosidade vai estar fortemente influenciada por aqueles dois diazinhos. Falta pouco para esse marco!
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
Dia 3 - TEC 8
O embrião era de 6 dias, no entanto não sei a razão que levou a médica a considerá-lo como sendo de 5. Hoje tive uma pequena perda acastanhada. É muito cedo em comparação com as TECs anteriores, mas atendendo ao número de dias do embrião, a dar-se o início da sua fixação, é nesta altura que deverá começar. Há uma pequena esperança dentro de mim que me acalenta por parecer um bom sinal, contudo não me posso esquecer que outros fatores podem justificar esta perda hemática tão precoce. Tenho de descer à terra e evitar conjeturas sob pena de me desiludir daqui a uns dias.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
Dia 2 - TEC 8
Estou a escrever de fugida, porque encontro-me assoberbada de material a preparar (um pouco às escuras, diga-se de passagem) para amanhã. Aceitei a colocação e agora toca a trabalhar sem qualquer informação deixada por quem estou a substituir, como tem sido habitual. Como as burocracias em papel vão sendo mais reduzidas com o passar dos anos está-se cada vez dependente de acessos virtuais. Estes, por sua vez, exponenciaram a quantidade de "papeis" e "papeizinhos" usados para analisar e fundamentar o útil e o inútil. Os dados de utilizador que eu tanto aguardava durante o dia, que me possibilitariam ter algumas luzes do que foi realizado, não foram enviados. Amanhã vou arrancar com suposições e certamente terei de improvisar, comme d'habitude. Em circunstâncias normais diria que o horário é péssimo e do mais ridículo possível. Em termos de compatibilidade com os horários do hospital, é bastante razoável, por isso o aceitei. Mas não deverá estender-se além de 30 dias.
O meu número 13 poderá estar ainda a gozar de boa saúde, nem tenho tempo de pensar nele. Quero que o dia 17 chegue rapidamente.
Vou agora continuar a trabalhar, sabe-se lá até que horas. O mais provável é que não sirva para nada, porque vou chegar à conclusão que estou a dar um tiro ao lado.
O meu número 13 poderá estar ainda a gozar de boa saúde, nem tenho tempo de pensar nele. Quero que o dia 17 chegue rapidamente.
Vou agora continuar a trabalhar, sabe-se lá até que horas. O mais provável é que não sirva para nada, porque vou chegar à conclusão que estou a dar um tiro ao lado.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
TEC 8
Aqui estou acompanhada do meu mini-nós número 13. Descongelou muito bem e tinha ar promissor. A luz foi ainda mais brilhante que o habitual.
Hoje vou estar sossegadinha, ao contrário de amanhã de manhã em que tenho uma decisão a tomar. Vou apresentar-me numa colocação de trabalho de que tive conhecimento na sexta-feira passada. Consoante as informações que me derem terei de decidir se avanço, havendo inclusivamente a hipótese de começar, passados uns minutos, a exercer funções. Não é a primeira vez que isto acontece. Trata-se uma situação temporária, em que ainda não sei a sua duração. Há uns anos rejeitei, pois no dia seguinte à apresentação teria de faltar, nessa mesma semana iria ausentar-me novamente e alguns dias mais tarde outra vez o mesmo. Coloquei-me na perspetiva de quem aguardava por alguma estabilidade e senti que moralmente estaria a falhar.
Andava a pressentir que isto ia acontecer. No ano passado, que tive um longo período sem tratamentos, não fui confrontada com uma colocação. Desta vez, em que poderia gozar de alguma calma até saber o resultado do beta, estou em contrarrelógio. Tenho hoje e amanhã para me apresentar e decidir se avanço ou não. Posso pedir baixa mas, mais uma vez, se coloca a questão do absentismo. Só poderá ser recrutada outra pessoa para me substituir se a baixa for de 30 dias. Até lá há muita gente que fica pendurada. Outra hipótese é trabalhar, com todo o stress de ter muita coisa pronta para ontem, ambientar-me a um local novo e pessoas novas e faltar as vezes que forem necessárias nos próximos tempos. Por fim, resta-me a solução de há uns anos, que é simplesmente rejeitar, arcando com as consequências de não ter mais possibilidade de obter outra colocação durante este ano letivo. Se o resultado for negativo, procuro trabalho, mesmo que seja noutra área que não a minha. Não tenho problemas com isso, falta é quem esteja disposto a aceitar alguém que não tenha experiência. Caso engravide, independentemente do local onde possa estar a trabalhar, tive já indicação de que a minha gravidez será considerada de risco.
Gostava de não ter de pensar nisto nesta altura mas não seria a minha vida. Estou destinada a estas pontarias do destino.
Dia 17 faço beta. Por enquanto sinto-me neutra, até ao dia de amanhã tenho oportunidade de tentar manter a serenidade.
Hoje vou estar sossegadinha, ao contrário de amanhã de manhã em que tenho uma decisão a tomar. Vou apresentar-me numa colocação de trabalho de que tive conhecimento na sexta-feira passada. Consoante as informações que me derem terei de decidir se avanço, havendo inclusivamente a hipótese de começar, passados uns minutos, a exercer funções. Não é a primeira vez que isto acontece. Trata-se uma situação temporária, em que ainda não sei a sua duração. Há uns anos rejeitei, pois no dia seguinte à apresentação teria de faltar, nessa mesma semana iria ausentar-me novamente e alguns dias mais tarde outra vez o mesmo. Coloquei-me na perspetiva de quem aguardava por alguma estabilidade e senti que moralmente estaria a falhar.
Andava a pressentir que isto ia acontecer. No ano passado, que tive um longo período sem tratamentos, não fui confrontada com uma colocação. Desta vez, em que poderia gozar de alguma calma até saber o resultado do beta, estou em contrarrelógio. Tenho hoje e amanhã para me apresentar e decidir se avanço ou não. Posso pedir baixa mas, mais uma vez, se coloca a questão do absentismo. Só poderá ser recrutada outra pessoa para me substituir se a baixa for de 30 dias. Até lá há muita gente que fica pendurada. Outra hipótese é trabalhar, com todo o stress de ter muita coisa pronta para ontem, ambientar-me a um local novo e pessoas novas e faltar as vezes que forem necessárias nos próximos tempos. Por fim, resta-me a solução de há uns anos, que é simplesmente rejeitar, arcando com as consequências de não ter mais possibilidade de obter outra colocação durante este ano letivo. Se o resultado for negativo, procuro trabalho, mesmo que seja noutra área que não a minha. Não tenho problemas com isso, falta é quem esteja disposto a aceitar alguém que não tenha experiência. Caso engravide, independentemente do local onde possa estar a trabalhar, tive já indicação de que a minha gravidez será considerada de risco.
Gostava de não ter de pensar nisto nesta altura mas não seria a minha vida. Estou destinada a estas pontarias do destino.
Dia 17 faço beta. Por enquanto sinto-me neutra, até ao dia de amanhã tenho oportunidade de tentar manter a serenidade.
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
TEC 8 agendada
Mais uma vez o endométrio não me desiludiu com o seu espessamento. Hoje está com 9mm, em condições para receber o mini-nós número 13. A TEC vai ser na próxima segunda-feira, dia 3 de fevereiro e a análise de beta-hCG está prevista para o dia 17. Apesar do embrião ser de 6 dias (que a médica considerou como sendo de 5), a análise só vai ser feita 14 dias depois. Se for positivo e baixo nessa altura, saberei que virá mais uma das gravidezes a que já me habituei. Amanhã inicio o Progeffik às 16h. A medicação que estou a fazer é a mais simples possível, sem empirismos ou experiências. Temos uma carta na manga que é o facto do cariótipo do embrião ser aparentemente normal. Após a transferência compete ao meu corpito aceitá-lo e deixá-lo crescer feliz e direitinho.
Estou constipada, espero que até à TEC isto se resolva.
Estou constipada, espero que até à TEC isto se resolva.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Estudo Clínico InOvulação - resultado analítico
Foram-me enviados os resultados da colheita que realizei a propósito do Estudo Clínico InOvulação.
A análise foi feita a duas semanas de completar 40 anos. O meu organismo estava limpo de indutores, progestagénios e só fazia a medicação para o controlo do hipotiroidismo.
Alguns dos resultados são os seguintes:
- Prolactina 8,2 ng/mL;
- FSH 5,79 mUI/mL;
- LH 10,40 mUI/mL;
- AMH 10,62 ng/mL.
Vou ter de fazer novamente acerto à medicação para o hipotiroidismo. Desta vez a TSH está abaixo do intervalo de referência. Estava desconfiada que pudesse haver nova alteração. Apercebi-me que o comportamento do meu cabelo é um bom indicador. Como não o pinto há uns anos é fácil detetar mudanças hormonais. Além disso senti nos últimos tempos algumas tonturas. Fico a ver as coisas à minha volta a andar à roda durante uns 2 segundos, mesmo estando sentada. Quando era adolescente e ainda não tinha sido diagnosticado o hipotiroidismo tinha muitas tonturas. Eram tão intensas que, por vezes, ao invés de andar em linha reta no corredor após acordar de manhã, ia em direção às paredes. Amanhã vou tentar ter consulta com a minha médica de família para corrigir outra vez a medicação. Tenho de conseguir normalizar isto nas próximas semanas.
Tenho alterações típicas relacionadas com o meu peso mas, no cômputo geral, não estou surpreendida com os resultados.
A hormona anti-mülleriana é muito elevada. A evidência ecográfica já o mostrava, a analítica corrobora ainda mais.
A prioridade neste momento é garantir que a tiróide entre nos eixos.
A análise foi feita a duas semanas de completar 40 anos. O meu organismo estava limpo de indutores, progestagénios e só fazia a medicação para o controlo do hipotiroidismo.
Alguns dos resultados são os seguintes:
- Prolactina 8,2 ng/mL;
- FSH 5,79 mUI/mL;
- LH 10,40 mUI/mL;
- AMH 10,62 ng/mL.
Vou ter de fazer novamente acerto à medicação para o hipotiroidismo. Desta vez a TSH está abaixo do intervalo de referência. Estava desconfiada que pudesse haver nova alteração. Apercebi-me que o comportamento do meu cabelo é um bom indicador. Como não o pinto há uns anos é fácil detetar mudanças hormonais. Além disso senti nos últimos tempos algumas tonturas. Fico a ver as coisas à minha volta a andar à roda durante uns 2 segundos, mesmo estando sentada. Quando era adolescente e ainda não tinha sido diagnosticado o hipotiroidismo tinha muitas tonturas. Eram tão intensas que, por vezes, ao invés de andar em linha reta no corredor após acordar de manhã, ia em direção às paredes. Amanhã vou tentar ter consulta com a minha médica de família para corrigir outra vez a medicação. Tenho de conseguir normalizar isto nas próximas semanas.
Tenho alterações típicas relacionadas com o meu peso mas, no cômputo geral, não estou surpreendida com os resultados.
A hormona anti-mülleriana é muito elevada. A evidência ecográfica já o mostrava, a analítica corrobora ainda mais.
A prioridade neste momento é garantir que a tiróide entre nos eixos.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
TEC 8 - Em andamento
Longa manhã esta em que, às 9h30, estava a sala de espera cheia. Saí do hospital por volta das 14h. Fiz apenas uma ecografia e tive consulta. A médica estranhou não haver nenhum folículo dominante e relembrei que ela não devia contar com isso. Perguntou o motivo de estar a indicação de ciclo natural se comigo é impossível. Contei a conversa que tive com a enfermeira (a mesma que arrasou a minha primeira gravidez) e a médica tranquilizou dizendo que ainda vou a tempo de começar o Estrofem. Comentou que apesar de não haver nenhum folículo em crescimento tenho os ovários carregadinhos. Pois, aquelas bombinhas relógio só sabem ameaçar mas trabalhar sozinhas, não é com elas.
Conclusão: a nota que a enfermeira deixou no meu processo atrasou a TEC em algumas semanas. Iniciei hoje o Estrofem, faço já 3 comprimidos diários e dia 28 volto a realizar ecografia. Se a mensagem que transmiti ao telefone tivesse sido integralmente ouvida e apreendida, poderia estar a fazer transferência no final desta semana ou no início da próxima. Lá vou ter de adiar mais um bocadinho as decisões que tinha pendentes. Sendo assim, a TEC 8 será em fevereiro, quase um mês depois do que esperava.
Questionei a bióloga acerca dos embriões, porque queria saber se algum dos 3 era o desgraçado que foi congelado, descongelado, biopsado e congelado novamente. Das várias anotações que havia acerca dele, só retive uma palavra "caótico". O coitado teve uma vida desgraçada e por fim era aneuploide. Em relação aos que potencialmente serão viáveis, têm 6 dias, são de classe C e um deles tem alguma fragmentação, embora a bióloga ache que ele até pode desenvolver favoravelmente ao ser desvitrificado. Pessoalmente não deposito muita esperança nesse, vou mentalizar-me que talvez consiga fazer duas transferências. Quero muito conseguir colocar um fim a isto durante este ano. Vou sujeitar-me a mais bombas hormonais, e a todas as flutuações que elas me causam, para ficar bem resolvida comigo mas esta história está a perder todo o sentido. Desejo que o tempo passe rapidamente para transferir o mini-nós número 13.
Conclusão: a nota que a enfermeira deixou no meu processo atrasou a TEC em algumas semanas. Iniciei hoje o Estrofem, faço já 3 comprimidos diários e dia 28 volto a realizar ecografia. Se a mensagem que transmiti ao telefone tivesse sido integralmente ouvida e apreendida, poderia estar a fazer transferência no final desta semana ou no início da próxima. Lá vou ter de adiar mais um bocadinho as decisões que tinha pendentes. Sendo assim, a TEC 8 será em fevereiro, quase um mês depois do que esperava.
Questionei a bióloga acerca dos embriões, porque queria saber se algum dos 3 era o desgraçado que foi congelado, descongelado, biopsado e congelado novamente. Das várias anotações que havia acerca dele, só retive uma palavra "caótico". O coitado teve uma vida desgraçada e por fim era aneuploide. Em relação aos que potencialmente serão viáveis, têm 6 dias, são de classe C e um deles tem alguma fragmentação, embora a bióloga ache que ele até pode desenvolver favoravelmente ao ser desvitrificado. Pessoalmente não deposito muita esperança nesse, vou mentalizar-me que talvez consiga fazer duas transferências. Quero muito conseguir colocar um fim a isto durante este ano. Vou sujeitar-me a mais bombas hormonais, e a todas as flutuações que elas me causam, para ficar bem resolvida comigo mas esta história está a perder todo o sentido. Desejo que o tempo passe rapidamente para transferir o mini-nós número 13.
domingo, 12 de janeiro de 2020
Quatro décadas
Ando por cá há 40 anos. Não sinto que tenha passado assim tanto tempo, acho que dentro de mim ainda há muita juventude. A letra daquela música "Ternura dos quarenta" não encaixa com a minha forma de ver a vida. Entro nesta nova década com otimismo, despreocupada por ter abandonado os trintas que, tal como as décadas anteriores deixaram as suas marcas (boas e menos boas). Estou curiosa com o que aí vem mas sei que nem sempre tudo será bom. Não fico amedrontada por amadurecer, gosto de aprender com a experiência.
Há algumas certezas sobre o quero em mim: serenidade, clarividência, racionalidade, ponderação.
Há algumas certezas sobre o quero em mim: serenidade, clarividência, racionalidade, ponderação.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
Acerca da TEC 8 em ciclo "natural"
Esta indicação no meu processo surgiu na sequência da conversa que tive com a enfermeira, no dia em que soube o resultado do rastreio. A orientação inicial que estava a ser dada era no intuito de recorrer ao Decapeptyl mas após ter mencionado a falta de hemorragia de privação, sempre que foi administrado, é que se passou ao plano do Provera. Suponho que terá partido da enfermeira deixar a nota de ciclo natural, pois não tive de aguardar que ela falasse com alguma das médicas. Este protocolo será para mim inédito. Não faço ideia se o meu endométrio consegue evoluir sozinho sem estrogénio exógeno. Normalmente inicio a toma no segundo dia do ciclo e em cerca de uma semana fica pronto a receber embriões. Acho que não preciso de me preocupar, porque através da ecografia que vou fazer no dia 16 devem ver se vou precisar de compensar com Estrofem. Nesse caso, o que já era pouco natural por ter sido necessário Provera, passará a ter um twist, como um programa de culinária.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
TEC 8 em ciclo "natural"
O hospital está informado da chegada da dita hemorragia e foi reagendada a ecografia. Será no 9° dia do ciclo, ou seja, a 16 de janeiro. Não sei o que esperar do comportamento do endométrio, só o tempo o dirá. Resta aguardar que não haja percalços pelo caminho. Enquanto nada acontece, terei de deixar em stand-by algumas situações que estão dependentes do resultado da TEC e que julgava debruçar-me sobre elas mais cedo.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
Alerta vermelho
Comprei o teste no início da tarde e vai ficar por usar durante uns tempos. Quatro horas depois, o alerta vermelho perdeu a timidez.
Amanhã de manhã vou telefonar ao hospital para serem refeitos os planos. É possível que ainda tenha de lá ir, horas depois, para fazer ecografia. Parece que isto vai começar a encarreirar.
Amanhã de manhã vou telefonar ao hospital para serem refeitos os planos. É possível que ainda tenha de lá ir, horas depois, para fazer ecografia. Parece que isto vai começar a encarreirar.
TEC 8 este mês? Tenho as minhas dúvidas...
Não sei o que me aguarda. Segunda-feira e ontem, durante todo o dia, senti aquelas dores da chegada da menstruação. Ontem à tarde comecei a ter sinais da vinda de algo, que não passou de sangue muito diluído. Hoje mantém-se o padrão, à exceção da cor que passou a castanha. O último dia em que tomei Provera foi há uma semana.
Telefonei esta manhã para o hospital para saber o que fazer. A enfermeira deu a indicação de amanhã de manhã realizar um teste de gravidez e, se der positivo, ligo logo ao hospital para ser agendada ecografia de grávida (o meu cérebro deu uma gargalhada). Mesmo não se sabendo ainda o que está a acontecer, ficou já marcada uma ecografia para a próxima terça-feira (dia 14 de janeiro) para definição do que vai ser feito.
Não me sinto grávida, em comparação com as minhas experiências anteriores, embora saiba que os sintomas ou a sua ausência, valem o que valem.
Quando fiz a ecografia no estudo InOvulação, não havia qualquer indício de gravidez, ovulação ou outro fenómeno que não fosse de uns ovários estupidamente grandes, cravejados de folículos e um endométrio vazio de vida. Comecei o Provera no dia seguinte, ou seja, há 11 dias. Não estou grávida de certeza. Mesmo assim, para cumprir a indicação da enfermeira, amanhã vou acrescentar ao meu currículo mais um teste só com uma risca.
Estou mais velha, isso é certo, e o meu corpo manifesta formas próprias de dizer que está todo descontrolado. Domingo entro nos quarenta e, em vez de ter uma data de transferência agendada, tenho uma ecografia para ser definido o rumo do que se julgava minimamente alinhavado.
Ainda não me tinha estreado numa TEC enguiçada no arranque, chegou a oportunidade. Há outras nuances que não experimentei também, vou a tempo de as conhecer. Desta vez não me posso queixar de monotonia.
E não estou grávida, (quase) aposto um dedo.
Telefonei esta manhã para o hospital para saber o que fazer. A enfermeira deu a indicação de amanhã de manhã realizar um teste de gravidez e, se der positivo, ligo logo ao hospital para ser agendada ecografia de grávida (o meu cérebro deu uma gargalhada). Mesmo não se sabendo ainda o que está a acontecer, ficou já marcada uma ecografia para a próxima terça-feira (dia 14 de janeiro) para definição do que vai ser feito.
Não me sinto grávida, em comparação com as minhas experiências anteriores, embora saiba que os sintomas ou a sua ausência, valem o que valem.
Quando fiz a ecografia no estudo InOvulação, não havia qualquer indício de gravidez, ovulação ou outro fenómeno que não fosse de uns ovários estupidamente grandes, cravejados de folículos e um endométrio vazio de vida. Comecei o Provera no dia seguinte, ou seja, há 11 dias. Não estou grávida de certeza. Mesmo assim, para cumprir a indicação da enfermeira, amanhã vou acrescentar ao meu currículo mais um teste só com uma risca.
Estou mais velha, isso é certo, e o meu corpo manifesta formas próprias de dizer que está todo descontrolado. Domingo entro nos quarenta e, em vez de ter uma data de transferência agendada, tenho uma ecografia para ser definido o rumo do que se julgava minimamente alinhavado.
Ainda não me tinha estreado numa TEC enguiçada no arranque, chegou a oportunidade. Há outras nuances que não experimentei também, vou a tempo de as conhecer. Desta vez não me posso queixar de monotonia.
E não estou grávida, (quase) aposto um dedo.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
Delay
Quem tem ciclos naturais mais ou menos certinhos depara-se por vezes com atrasos que podem ter mil e uma causas. Quando se depende da via química para pôr o organismo a simular, é possível também haver atrasos. Sou unha e carne com o Provera há vinte e tal anos. Durante muito tempo, tinha a hemorragia de privação três dias após a sua suspensão. Depois passou a ser quatro dias. Em 2008 aconteceu uma vez ter de esperar 7 ou 8 dias, aos quais se sucedeu uma vigorosa expulsão de coágulos. Mas, regra geral, são quatro dias. Esse mesmo tempo terminou ontem. Contava telefonar esta manhã ao hospital para marcar a ecografia mas o alerta vermelho ainda não deu sinais. Só tenho aquela impressãozinha na barriga e no fundo das costas que me dizem que não deverá tardar a chegar. Acho que se seguirão dias dolorosos, com coágulos à mistura. Esperava fazer a TEC por volta dos dias 13 ou 14 mas será mais tarde. Tenho tempo. Se calhar a expectativa em relação a esta transferência está a interferir na ação do Provera ou então é algum desequilíbrio provocado pela época festiva que há dias terminou. Este arranque é marcado pelo gerúndio. Pode ser que termine o dia convicta de que terei uma chamada a fazer.
domingo, 29 de dezembro de 2019
4 anos na blogosfera
Este pequeno espaço completou 4 anos. Ao colo tenho a minha fã incondicional de farta pelagem, longos bigodes e autora de turras brutas e desajeitadas (que eu adoro). Neste colo continua a existir muito espaço. Ela não precisa de o partilhar com mais ninguém. Contorce-se até ficar de barriga para o ar, feliz por estarmos a ter um dos muitos momentos que são apenas nossos. Ela sentiu algumas das minhas gravidezes. Tem a mesma idade da minha luta. Quero envelhecer com ela ao meu lado. Quero que ela continue a ser feliz e saudável. Quero que mantenha a sua jovialidade e permaneça na missão de me desafiar diariamente para a traquinice. Que se esconda atrás do arranhador, cortinas ou portas. Que fique numa esquina da casa a fazer-me esperas, aquela bandida. Desde sempre sou fascinada por gatos. A minha miúda é fora de série, um dos melhores presentes que a vida me ofereceu.
Sou eternamente grata por a ter comigo mas não esqueço que a vida que ma trouxe é a mesma que me arrancou os meus filhos de dentro de mim; que não me deu oportunidade de conhecer outras formas de extravasar a emoção do peito; que não deixa a minha gata partilhar o seu calor e ternura com uma cria vinda de mim.
Há 4 anos ainda estava longe de saber o que iria suportar. Achava que muitos acontecimentos marcantes iriam ocorrer quando chegasse a 2020. Afinal de contas o tempo voou. Não houve muitas alterações com o passar dos anos, porque o foco persistiu, limitou e congelou a existência.
Tentei manter o objetivo do blogue. Sei que há muito conteúdo repetitivo mas quando parece que é dado um passo em frente, logo em seguida são dados dois para trás. Apercebi-me que a minha capacidade de síntese que tanto gostava enquanto estudava se transformou em verborreia. Este exacerbar de palavras pode afugentar quem possa ter alguma curiosidade em ler o blogue. Escrever tem atualmente, para mim, uma função terapêutica.
Sei que chegará o dia em que vou transformar o rumo do blogue mas não quero que perca a sua essência. Não pretendo abandoná-lo. Daqui a um ano logo se verá o que estarei a depositar nesta extensão dos meus pensamentos.
Sou eternamente grata por a ter comigo mas não esqueço que a vida que ma trouxe é a mesma que me arrancou os meus filhos de dentro de mim; que não me deu oportunidade de conhecer outras formas de extravasar a emoção do peito; que não deixa a minha gata partilhar o seu calor e ternura com uma cria vinda de mim.
Há 4 anos ainda estava longe de saber o que iria suportar. Achava que muitos acontecimentos marcantes iriam ocorrer quando chegasse a 2020. Afinal de contas o tempo voou. Não houve muitas alterações com o passar dos anos, porque o foco persistiu, limitou e congelou a existência.
Tentei manter o objetivo do blogue. Sei que há muito conteúdo repetitivo mas quando parece que é dado um passo em frente, logo em seguida são dados dois para trás. Apercebi-me que a minha capacidade de síntese que tanto gostava enquanto estudava se transformou em verborreia. Este exacerbar de palavras pode afugentar quem possa ter alguma curiosidade em ler o blogue. Escrever tem atualmente, para mim, uma função terapêutica.
Sei que chegará o dia em que vou transformar o rumo do blogue mas não quero que perca a sua essência. Não pretendo abandoná-lo. Daqui a um ano logo se verá o que estarei a depositar nesta extensão dos meus pensamentos.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
Participação no Estudo Clínico InOvulação
Quando fiz referência a este estudo manifestei que iria deslocar-me no final deste mês ao Hospital Senhora da Oliveira para iniciar a minha participação. Hoje foi o dia.
Fui atendida praticamente à hora agendada, o que de si já é um ponto favorável e senti-me muito bem recebida pela Dra. Vanessa Silva. A conversa fluiu com grande naturalidade e simplicidade. Como tínhamos comunicado algumas vezes por mail, o gelo estava mais que quebrado e foi bom ser ouvida acerca de algo que é uma pedra no meu sapato desde 1994.
Levei comigo a compilação de análises e ecografias que fiz desde a adolescência para se estudar o motivo da amenorreia. Quando tinha 16 anos, o meu nível de estradiol estava muito próximo de uma situação de hiperestimulação. Se calhar até teria sintomas mas nem reparava nisso. Só me recordo de sentir tonturas com muita frequência mas após iniciar a regularização da hormona TSH, já com 17 anos, a situação começou a atenuar, pelo que as tonturas não teriam nada a ver com o estradiol elevado.
Voltando à consulta, foi feita uma anamnese em que resumi em alguns minutos os últimos 25 anos, desde a menarca até à atualidade.
Passei em seguida para a ecografia. O extraterrestre (eu) exibiu toda a sua exuberância exótica interior (tanto 'ex' numa frase só!). A analogia que faço entre as imagens visualizadas no ecrã e algo mais gráfico é de que parecia que estávamos a observar umas cabeças de sementes de flores de lótus. As cavidades onde as sementes estão incrustadas são daquelas bem largas. O útero, em oposição àquele freak show ovárico, é belo, maravilhoso, um verdadeiro oásis que não se entende por que raio não aceita os embriões-capa-de-revista que lá estiveram. Tem um ar cândido, diria até celestial, mas tem sido um completo inútil, tal como os ovários que só funcionam sob ameaça. Pelo aspeto das minhas gónadas incomuns, a Dra Vanessa percebeu como as hiperestimulações devem ter sido complicadas e dolorosas. Ficou surpreendida por não ter sofrido torção dos ovários. Foi feita contagem dos folículos e esta miúda que vos escreve, que se encontra a cerca de duas semanas de se tornar quarentona, tinha 42 de um lado e, se não me engano, 35 no outro. Uma aberração, pois.
Falei que foi equacionada a possibilidade de ser realizado drilling antes das FIV. O que vou escrever em seguida pode ser importante para quem tem ovários poliquísticos e está no fim da linha, prestes a desistir. Supondo um cenário em que já não é possível realizar tratamentos, se está numa idade em que pensar na reserva ovárica deixa de fazer muito sentido e não constitui problema dedicar mais cerca de meio ano a queimar os últimos cartuxos, o drilling pode ser o derradeiro resquício de esperança para tentar uma gravidez natural. Não o pretendo fazer, mesmo que os 3 embriões não deem em nada. A minha decisão está mais que tomada.
Assinalei numa folha de que forma sou afetada pelo hirsutismo, selecionando uma escala ilustrada; foi registada a minha altura e o peso; mediu-se o perímetro da cintura, bem como da anca e realizou-se a medição da tensão arterial.
Foi frisado que o objetivo do estudo não é investigar as minhas falhas de implantação. Estou bem ciente disso, assim como sei que não terei qualquer benefício nesta participação, além de ter análises atuais. Outras mulheres, pelo contrário, poderão ter apoio que até lhes permita engravidar.
O conhecimento científico não cai do céu e há ainda muitos assuntos que carecem de investigação. Sem estudos de caso, compilação e análise de dados, avanço tecnológico e capacidade de interpretação da informação, torna-se difícil progredir no conhecimento.
Darei amanhã o próximo passo voltando a Guimarães para, desta vez, fazer análises. Do ponto de vista analítico serão avaliados os seguintes parâmetros: FSH, LH, Estradiol, Cortisol, Prolactina, TSH, T4 Livre, Testosterona, DHEA-S, Hormona anti-mülleriana, Leptina, Grelina, SHBG, Colesterol LDL, Colesterol HDL, Triglicerídeos, Glicose, Insulina e ACTH. Irei finalmente saber o valor da hormona anti-mülleriana que nunca foi pedido em todos estes anos, talvez por conta das imagens óbvias das ecografias.
Serei posteriormente informada de todos os resultados e a minha interação deverá manter-se à distância, ou seja, por via eletrónica. Este contributo faz-me sentir um pouco mais útil para outros, já que para mim é tarde e deixa-me com a sensação de dever cumprido. A minha passagem aqui pelo planeta faz um pouco mais de sentido se, pelo menos uma pessoa, tirar partido dos resultados da investigação.
Sobre o regresso ao Hospital de Guimarães, este não me é desconhecido, por maus motivos. O edifício onde fui à consulta esta tarde fica bem ao lado da unidade onde o meu pai foi acompanhado, em oncologia. A última vez que o levei àquele lado foi há praticamente 17 anos, dois dias antes de ter assistido à estupidez que é as células deixarem de funcionar, por mais que queiramos contrariar. O seu corpo resumia-se a pele, osso e barriga. O abdómen tinha de ser drenado semanalmente naquele hospital, uns 5 litros de cada vez, de um líquido claro resultante da falência do fígado provocada pelas metástases. Foi por isso que lá fui nessa altura. Ele já não tinha força para se manter em pé sozinho, por isso apoiava-se a nós para descer ou subir degraus, transportávamo-lo de cadeira de rodas dentro e fora de casa e eu pegava nele ao colo para o transferir para a cama. Esse período da minha vida teve um grande impacto na forma como encarei a infertilidade e todos os momentos desagradáveis que aconteceram entretanto.
Amanhã darei início ao Provera e conto menstruar no dia 5 de janeiro. Dia 6 ou 7 devo fazer ecografia e na semana seguinte, a TEC.
Enviei mail ao Dr. J. L. da CUF Descobertas para o colocar a par da recente estimulação e do rastreio de aneuploidias. A única recomendação que fez foi a de garantir um bom aporte de progesterona, por via vaginal.
2020 soa-me um número bom e 13 pode vir a ser o da sorte. Irei transferir o décimo terceiro mini-nós. É incrível como o pavio de esperança ainda arde, embora ténue. Aguardam-me semanas de bipolaridade. Se engravidar nesta transferência, gostava que fosse sem sangramentos de nidação, com um valor de beta chorudo e tudo a reinar na mais perfeita harmonia. Uma vez que fui contemplada com uma punção paradisíaca, em comparação com as anteriores, podia ter uma gravidez tranquila ao invés daquele sufoco permanente logo que tenho conhecimento de um resultado positivo. Não creio em nada ligado à transcendência, nem ando a pedir desejos a calhaus que se desintegram na atmosfera quando os avisto (meteoros). Ingiro as 12 passas despojada de pensamentos. Esta minha indiferença à crendice ou espiritualidade faz-me viver o processo com uma grande carga. Não sei como é que se pode deixar o desfecho nas mãos de alguma entidade aprisionada nos pensamentos. As células, os elementos químicos presentes nas mesmas e na forma como se combinam definem o sucesso ou o fracasso. A materialidade aliada às forças físicas cujas interações construíram a natureza e o Universo originam e destroem o que comummente chamamos de milagre da vida.
Fui atendida praticamente à hora agendada, o que de si já é um ponto favorável e senti-me muito bem recebida pela Dra. Vanessa Silva. A conversa fluiu com grande naturalidade e simplicidade. Como tínhamos comunicado algumas vezes por mail, o gelo estava mais que quebrado e foi bom ser ouvida acerca de algo que é uma pedra no meu sapato desde 1994.
Levei comigo a compilação de análises e ecografias que fiz desde a adolescência para se estudar o motivo da amenorreia. Quando tinha 16 anos, o meu nível de estradiol estava muito próximo de uma situação de hiperestimulação. Se calhar até teria sintomas mas nem reparava nisso. Só me recordo de sentir tonturas com muita frequência mas após iniciar a regularização da hormona TSH, já com 17 anos, a situação começou a atenuar, pelo que as tonturas não teriam nada a ver com o estradiol elevado.
Voltando à consulta, foi feita uma anamnese em que resumi em alguns minutos os últimos 25 anos, desde a menarca até à atualidade.
Passei em seguida para a ecografia. O extraterrestre (eu) exibiu toda a sua exuberância exótica interior (tanto 'ex' numa frase só!). A analogia que faço entre as imagens visualizadas no ecrã e algo mais gráfico é de que parecia que estávamos a observar umas cabeças de sementes de flores de lótus. As cavidades onde as sementes estão incrustadas são daquelas bem largas. O útero, em oposição àquele freak show ovárico, é belo, maravilhoso, um verdadeiro oásis que não se entende por que raio não aceita os embriões-capa-de-revista que lá estiveram. Tem um ar cândido, diria até celestial, mas tem sido um completo inútil, tal como os ovários que só funcionam sob ameaça. Pelo aspeto das minhas gónadas incomuns, a Dra Vanessa percebeu como as hiperestimulações devem ter sido complicadas e dolorosas. Ficou surpreendida por não ter sofrido torção dos ovários. Foi feita contagem dos folículos e esta miúda que vos escreve, que se encontra a cerca de duas semanas de se tornar quarentona, tinha 42 de um lado e, se não me engano, 35 no outro. Uma aberração, pois.
Falei que foi equacionada a possibilidade de ser realizado drilling antes das FIV. O que vou escrever em seguida pode ser importante para quem tem ovários poliquísticos e está no fim da linha, prestes a desistir. Supondo um cenário em que já não é possível realizar tratamentos, se está numa idade em que pensar na reserva ovárica deixa de fazer muito sentido e não constitui problema dedicar mais cerca de meio ano a queimar os últimos cartuxos, o drilling pode ser o derradeiro resquício de esperança para tentar uma gravidez natural. Não o pretendo fazer, mesmo que os 3 embriões não deem em nada. A minha decisão está mais que tomada.
Assinalei numa folha de que forma sou afetada pelo hirsutismo, selecionando uma escala ilustrada; foi registada a minha altura e o peso; mediu-se o perímetro da cintura, bem como da anca e realizou-se a medição da tensão arterial.
Foi frisado que o objetivo do estudo não é investigar as minhas falhas de implantação. Estou bem ciente disso, assim como sei que não terei qualquer benefício nesta participação, além de ter análises atuais. Outras mulheres, pelo contrário, poderão ter apoio que até lhes permita engravidar.
O conhecimento científico não cai do céu e há ainda muitos assuntos que carecem de investigação. Sem estudos de caso, compilação e análise de dados, avanço tecnológico e capacidade de interpretação da informação, torna-se difícil progredir no conhecimento.
Darei amanhã o próximo passo voltando a Guimarães para, desta vez, fazer análises. Do ponto de vista analítico serão avaliados os seguintes parâmetros: FSH, LH, Estradiol, Cortisol, Prolactina, TSH, T4 Livre, Testosterona, DHEA-S, Hormona anti-mülleriana, Leptina, Grelina, SHBG, Colesterol LDL, Colesterol HDL, Triglicerídeos, Glicose, Insulina e ACTH. Irei finalmente saber o valor da hormona anti-mülleriana que nunca foi pedido em todos estes anos, talvez por conta das imagens óbvias das ecografias.
Serei posteriormente informada de todos os resultados e a minha interação deverá manter-se à distância, ou seja, por via eletrónica. Este contributo faz-me sentir um pouco mais útil para outros, já que para mim é tarde e deixa-me com a sensação de dever cumprido. A minha passagem aqui pelo planeta faz um pouco mais de sentido se, pelo menos uma pessoa, tirar partido dos resultados da investigação.
Sobre o regresso ao Hospital de Guimarães, este não me é desconhecido, por maus motivos. O edifício onde fui à consulta esta tarde fica bem ao lado da unidade onde o meu pai foi acompanhado, em oncologia. A última vez que o levei àquele lado foi há praticamente 17 anos, dois dias antes de ter assistido à estupidez que é as células deixarem de funcionar, por mais que queiramos contrariar. O seu corpo resumia-se a pele, osso e barriga. O abdómen tinha de ser drenado semanalmente naquele hospital, uns 5 litros de cada vez, de um líquido claro resultante da falência do fígado provocada pelas metástases. Foi por isso que lá fui nessa altura. Ele já não tinha força para se manter em pé sozinho, por isso apoiava-se a nós para descer ou subir degraus, transportávamo-lo de cadeira de rodas dentro e fora de casa e eu pegava nele ao colo para o transferir para a cama. Esse período da minha vida teve um grande impacto na forma como encarei a infertilidade e todos os momentos desagradáveis que aconteceram entretanto.
Amanhã darei início ao Provera e conto menstruar no dia 5 de janeiro. Dia 6 ou 7 devo fazer ecografia e na semana seguinte, a TEC.
Enviei mail ao Dr. J. L. da CUF Descobertas para o colocar a par da recente estimulação e do rastreio de aneuploidias. A única recomendação que fez foi a de garantir um bom aporte de progesterona, por via vaginal.
2020 soa-me um número bom e 13 pode vir a ser o da sorte. Irei transferir o décimo terceiro mini-nós. É incrível como o pavio de esperança ainda arde, embora ténue. Aguardam-me semanas de bipolaridade. Se engravidar nesta transferência, gostava que fosse sem sangramentos de nidação, com um valor de beta chorudo e tudo a reinar na mais perfeita harmonia. Uma vez que fui contemplada com uma punção paradisíaca, em comparação com as anteriores, podia ter uma gravidez tranquila ao invés daquele sufoco permanente logo que tenho conhecimento de um resultado positivo. Não creio em nada ligado à transcendência, nem ando a pedir desejos a calhaus que se desintegram na atmosfera quando os avisto (meteoros). Ingiro as 12 passas despojada de pensamentos. Esta minha indiferença à crendice ou espiritualidade faz-me viver o processo com uma grande carga. Não sei como é que se pode deixar o desfecho nas mãos de alguma entidade aprisionada nos pensamentos. As células, os elementos químicos presentes nas mesmas e na forma como se combinam definem o sucesso ou o fracasso. A materialidade aliada às forças físicas cujas interações construíram a natureza e o Universo originam e destroem o que comummente chamamos de milagre da vida.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2019
Previsões astrológicas
Parece que 2020 vai ser o meu ano. A minha mãe contou-me que há dias uma taróloga afirmou num programa de televisão que as nativas de Capricórnio que andam a realizar tratamentos para engravidar vão concretizar o seu sonho. Questionei se a profissional esotérica era a Maya, uma vez que para previsões futebolísticas já mostrou capacidades adivinhatórias que não abonam a seu favor. Pelos vistos não era, por isso a minha esperança está restaurada (como se eu vivesse em função dessas "previsões").
O que ela achou caricato foi a especificidade da situação da infertilidade associada ao meu signo.
Se der para o torto vou poder atribuir o falhanço à falta de competência da criatura que se atreveu a proferir alarvidades na televisão. É sempre bom ter um saco de pancada que arque com as culpas.
O que ela achou caricato foi a especificidade da situação da infertilidade associada ao meu signo.
Se der para o torto vou poder atribuir o falhanço à falta de competência da criatura que se atreveu a proferir alarvidades na televisão. É sempre bom ter um saco de pancada que arque com as culpas.
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