Que enredo mais estapafúrdio o meu percurso traça. O beta está a aumentar devagar, devagarinho. Onde já vi este filme? Não sei o valor concreto, porque a enfermeira não entrou em detalhes, só disse que era na ordem dos quarenta e tais. Foi também alertando que a probabilidade de resultar é praticamente nula e daqui a uma semana volto a colher sangue. Não perguntei nada sobre a medicação, vou continuar a tomar tudo normalmente. Sei perfeitamente qual o destino desta gravidez mas estou feliz pelo pequeno lutar com as poucas forças que tem, fruto da minha falta de capacidade para fazer algo por ele.
Curiosamente hoje os sintomas arrebitaram um pouco e as perdas diminuíram. De sábado a uma semana completarei 6 semanas, a altura em que tradicionalmente dá-se a viragem das minhas gravidezes. Se podia ser mais fácil? Poder, podia, mas não se trataria de mim, nem seria a mesma coisa... Viva a época natalícia que se avizinha!
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
Beta 1 - TEC 7
Sim, beta 1. Só não acerto na chave do Euromilhões... O resultado foi um inebriante 32,20. Mais um nim. Tiveram o bom senso de pedir para repetir na quarta-feira. O meu lado bruxa adivinhadora diz que vai estar mais baixo e porquê? Desde ontem que tenho notado que a fome e a vontade de fazer xixi têm diminuído. Quando a fome diminui, diz-me a experiência que a gravidez já era.
A Diretora estava abatida enquanto eu, pelo contrário, sabia de antemão o que ia acontecer. Ela ficou surpreendida que quando tenho resultado positivo haja sempre perdas. Pode ser que essa informação a faça pensar em algo que esteja a falhar. Mantenho a medicação para o caso de haver um milagre. As médicas tinham uma ligeira esperança que o próximo valor duplicasse mas avisei-as para não contarem muito com isso devido às redução dos sintomas. Conheço-me e isso irrita-me.
A Diretora estava abatida enquanto eu, pelo contrário, sabia de antemão o que ia acontecer. Ela ficou surpreendida que quando tenho resultado positivo haja sempre perdas. Pode ser que essa informação a faça pensar em algo que esteja a falhar. Mantenho a medicação para o caso de haver um milagre. As médicas tinham uma ligeira esperança que o próximo valor duplicasse mas avisei-as para não contarem muito com isso devido às redução dos sintomas. Conheço-me e isso irrita-me.
sábado, 1 de dezembro de 2018
Dia 12 - TEC 7
Às 8h era hora de colocar o Progeffik, fui à casa de banho e... esqueci-me completamente que precisava da primeira urina. Tratei da minha vida enquanto me mentalizava que não podia haver xixis durante pelo menos 4 horas. Como trabalhei até às 13h, ou seja, 5 horas depois, voltei a enfrentar a besta que me atormenta. Aquela canetazita inquisidora estava de frente para mim com aquele ar severo. Realizei a prova e enquanto aguardava se tinha sido aprovada ou reprovada, voltei a constatar que a linha tardou a aparecer. Ela surgiu, um pouquinho de nada mais escura que ontem. Não me apaziguou.
Adorava evitar pensar que se trata novamente de uma gravidez bioquímica. Adorava ser surpreendida com um desenrolar glorioso para afastar finalmente esta tormenta. As partidas nefastas têm persistido. Penso, no entanto, que eu permiti que estas acontecessem a partir do momento em que me envolvi nesta luta.
Sou cada vez mais questionada se não ponderamos a adoção. Não, não pretendemos fazê-lo. Esta resposta que parece curta e fria, tem no seu âmago várias considerações que vão ficar apenas entre nós.
Não vou fazer mais testes, irei aguardar pelo beta que não deverá acrescentar muito mais informação.
Adorava evitar pensar que se trata novamente de uma gravidez bioquímica. Adorava ser surpreendida com um desenrolar glorioso para afastar finalmente esta tormenta. As partidas nefastas têm persistido. Penso, no entanto, que eu permiti que estas acontecessem a partir do momento em que me envolvi nesta luta.
Sou cada vez mais questionada se não ponderamos a adoção. Não, não pretendemos fazê-lo. Esta resposta que parece curta e fria, tem no seu âmago várias considerações que vão ficar apenas entre nós.
Não vou fazer mais testes, irei aguardar pelo beta que não deverá acrescentar muito mais informação.
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Dia 11 - TEC 7
Acordei esta manhã com perdas um pouco mais abundantes entre rosa e avermelhado que me deixaram alarmada. Essa situação só me aconteceu anteriormente depois de fazer beta, pouco antes de ocorrer já se sabe o quê. Ao longo do dia as perdas foram iguais às de ontem, ou seja, castanho claro. A bexiga tem enchido ainda mais rapidamente, uma vez por outra sinto uma dor, a fome também vai surgindo e a tranquilidade está a diminuir.
Diariamente venho almoçar a casa e estava determinada - mas também receosa - em comprar um ou mais testes para desvendar (ou não) o mistério. Fui a um Continente Bom Dia perto do meu palácio que tem uma micro-parafarmácia e não havia testes de gravidez, tinham esgotado. Quem sabe não seria um prenúncio.
Agora à noite, ao regressar do trabalho, comprei dois que são sensíveis para valores acima de 25 mIU/mL. Esta inteligência pura que vos escreve tomou coragem e enfrentou o monstro. Como referi anteriormente, as minhas idas ao WC têm sido assíduas, pelo que a urina não estava propriamente concentrada. Fui ficando furiosa à medida que o teste só mostrava a linha de controlo e do lado do teste, nada... As instruções dizem para ignorar resultados positivos após 10 minutos mas mais ou menos aos 5 minutos apareceu uma linha muito, muito clara do lado do teste. Estou/estive grávida, é um facto que já sabia. Agora vem o dilema. Deveria ter aguardado mais algum tempo para fazer o dito cujo, por isso é que deu tão claro? Tenho, como é costume, pouca hormona beta-HCG? Estarei novamente perante uma gravidez bioquímica que mal começou está a terminar? Amanhã de manhã vou usar o outro teste, talvez vá novamente à farmácia comprar mais um para fazer domingo de manhã ou aguardo por segunda, porque de nada vai servir andar neste controlo obsessivo.
Desde que comecei a ter estas perdas, o meu sono tem sido sempre invadido por sonhos relacionados com a gravidez. Nunca terminam bem. Imagine-se que até sonhei que expulsei um pequeno saco. O estupor do diabinho até nos sonhos me assombra.
Gosto tanto de tranquilidade e paz mas elas não querem nada comigo. Outra coisa que me está a enervar por antecipação é que no hospital só é feito um beta. Se der positivo, marcam logo a ecografia das 6 semanas e até lá vêm mais umas semanas de sufoco. Durante esse período tem sido costume ter hemorragias e/ou vou pensando que no dia em que chegar a esse grande marco que nunca assinalei devidamente, não se encontra qualquer espécie de vida.
Reitero que pior do que esperar pelo beta é o que se vive depois de um positivo. Há muita gente que não tem a noção da sorte que lhes calha quando só se preocupam em ter um resultado positivo, porque o resto é-lhes a seguir um dado quase adquirido. Quando leio dezenas de vezes mulheres a almejarem apenas o "tão desejado positivo" penso no meu percurso.
Já disse e repito para quem é pouco experiente nestas andanças ou não teve paciência para ler as centenas de páginas que compõem este blogue: um positivo não é garantia de NADA! Estou no décimo segundo embrião transferido, sétima TEC, quarta gravidez e o meu (anormal) histórico é prova disso.
Diariamente venho almoçar a casa e estava determinada - mas também receosa - em comprar um ou mais testes para desvendar (ou não) o mistério. Fui a um Continente Bom Dia perto do meu palácio que tem uma micro-parafarmácia e não havia testes de gravidez, tinham esgotado. Quem sabe não seria um prenúncio.
Agora à noite, ao regressar do trabalho, comprei dois que são sensíveis para valores acima de 25 mIU/mL. Esta inteligência pura que vos escreve tomou coragem e enfrentou o monstro. Como referi anteriormente, as minhas idas ao WC têm sido assíduas, pelo que a urina não estava propriamente concentrada. Fui ficando furiosa à medida que o teste só mostrava a linha de controlo e do lado do teste, nada... As instruções dizem para ignorar resultados positivos após 10 minutos mas mais ou menos aos 5 minutos apareceu uma linha muito, muito clara do lado do teste. Estou/estive grávida, é um facto que já sabia. Agora vem o dilema. Deveria ter aguardado mais algum tempo para fazer o dito cujo, por isso é que deu tão claro? Tenho, como é costume, pouca hormona beta-HCG? Estarei novamente perante uma gravidez bioquímica que mal começou está a terminar? Amanhã de manhã vou usar o outro teste, talvez vá novamente à farmácia comprar mais um para fazer domingo de manhã ou aguardo por segunda, porque de nada vai servir andar neste controlo obsessivo.
Desde que comecei a ter estas perdas, o meu sono tem sido sempre invadido por sonhos relacionados com a gravidez. Nunca terminam bem. Imagine-se que até sonhei que expulsei um pequeno saco. O estupor do diabinho até nos sonhos me assombra.
Gosto tanto de tranquilidade e paz mas elas não querem nada comigo. Outra coisa que me está a enervar por antecipação é que no hospital só é feito um beta. Se der positivo, marcam logo a ecografia das 6 semanas e até lá vêm mais umas semanas de sufoco. Durante esse período tem sido costume ter hemorragias e/ou vou pensando que no dia em que chegar a esse grande marco que nunca assinalei devidamente, não se encontra qualquer espécie de vida.
Reitero que pior do que esperar pelo beta é o que se vive depois de um positivo. Há muita gente que não tem a noção da sorte que lhes calha quando só se preocupam em ter um resultado positivo, porque o resto é-lhes a seguir um dado quase adquirido. Quando leio dezenas de vezes mulheres a almejarem apenas o "tão desejado positivo" penso no meu percurso.
Já disse e repito para quem é pouco experiente nestas andanças ou não teve paciência para ler as centenas de páginas que compõem este blogue: um positivo não é garantia de NADA! Estou no décimo segundo embrião transferido, sétima TEC, quarta gravidez e o meu (anormal) histórico é prova disso.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Gostava de estar otimista, a sério que gostava
A tensão mamária chegou, o peito encontra-se ainda maior do que o habitual, o meu coração está dilacerado. Não consigo estar de outra forma. As perdas de sangue têm vindo a aumentar e se até ontem só se manifestavam vermelhas de manhã, sempre após o repouso noturno, hoje acordei com dois pequenos coágulos. Fiquei alarmada, não em demasia, até às 17h. O pior veio nessa altura quando passei a pingar sangue e caiu um coágulo com algo que me pareceu o meu pequeno saquinho. Estou de rastos, não tenho coragem de fazer beta ou outra ecografia até ao dia 23. Não há nada que consiga fazer para reverter a situação se realmente o que expulsei foi o nosso mini-nós.
O meu marido disse que se de facto abortei novamente temos de repensar o que realmente queremos e vamos fazer. Se optamos por uma pausa (na minha idade não faz sentido, não se deve ter lembrado), se arriscamos logo que possível outra FIV ou se ficamos por aqui. Apoia-me se me sentir psicologicamente pronta para continuar ou dar por terminada a maldita luta. Ele fica perplexo como é possível com 12 embriões e 5 transferências não resultar. Comigo não seria de esperar outra coisa.
Com toda a honestidade, se no dia 23 se confirmar o aborto, a minha disposição atual é encerrar definitivamente este assunto.
Para nós, enquanto casal, é algo que nos envolve há 6 anos, com muito sofrimento. Para mim, é uma questão que me perturba mensalmente há 23 anos. A maior parte da vida tenho convivido sistematicamente com a anormalidade que transformou o meu desenvolvimento numa coisa completamente artificial. Dei por mim hoje a pensar que gostava que o tempo avançasse uns 12 anos para estar na menopausa e finalmente sentir-me "em casa".
Hiperestimular novamente com 38 anos, fazer um determinado número de transferências, perder mais sabe-se lá quantos filhos, condicionar a vida em função de uma causa perdida vai ser demasiado para mim. Chamem-me fraca ou desistente, não me importo. Só quem calçou os meus sapatos pode emitir um juízo de valor. Não duvido das minhas competências como mãe, ia falhar em muitas coisas como qualquer ser humano, mas acho que teria tudo para cumprir muito bem esse papel. Vou viver com a eterna mágoa de não crescer a esse nível, nem de possibilitar que o meu marido tenha outro filho que possa amar. Tenho de ser racional e o mais sensato está à vista. Penso que será a primeira vez que vou desistir de algo e vai ser justamente naquilo que eu mais perspetivava que fosse fazer sentido na minha existência.
Possivelmente vou concluir no dia 23 que não podia ter falhado mais na escolha do nome deste blogue. Não o vou fazer desaparecer, é um registo de uma parte da minha história. Tenho de pensar que rumo dar a este espaço que tão bem me tem feito.
O meu marido disse que se de facto abortei novamente temos de repensar o que realmente queremos e vamos fazer. Se optamos por uma pausa (na minha idade não faz sentido, não se deve ter lembrado), se arriscamos logo que possível outra FIV ou se ficamos por aqui. Apoia-me se me sentir psicologicamente pronta para continuar ou dar por terminada a maldita luta. Ele fica perplexo como é possível com 12 embriões e 5 transferências não resultar. Comigo não seria de esperar outra coisa.
Com toda a honestidade, se no dia 23 se confirmar o aborto, a minha disposição atual é encerrar definitivamente este assunto.
Para nós, enquanto casal, é algo que nos envolve há 6 anos, com muito sofrimento. Para mim, é uma questão que me perturba mensalmente há 23 anos. A maior parte da vida tenho convivido sistematicamente com a anormalidade que transformou o meu desenvolvimento numa coisa completamente artificial. Dei por mim hoje a pensar que gostava que o tempo avançasse uns 12 anos para estar na menopausa e finalmente sentir-me "em casa".
Hiperestimular novamente com 38 anos, fazer um determinado número de transferências, perder mais sabe-se lá quantos filhos, condicionar a vida em função de uma causa perdida vai ser demasiado para mim. Chamem-me fraca ou desistente, não me importo. Só quem calçou os meus sapatos pode emitir um juízo de valor. Não duvido das minhas competências como mãe, ia falhar em muitas coisas como qualquer ser humano, mas acho que teria tudo para cumprir muito bem esse papel. Vou viver com a eterna mágoa de não crescer a esse nível, nem de possibilitar que o meu marido tenha outro filho que possa amar. Tenho de ser racional e o mais sensato está à vista. Penso que será a primeira vez que vou desistir de algo e vai ser justamente naquilo que eu mais perspetivava que fosse fazer sentido na minha existência.
Possivelmente vou concluir no dia 23 que não podia ter falhado mais na escolha do nome deste blogue. Não o vou fazer desaparecer, é um registo de uma parte da minha história. Tenho de pensar que rumo dar a este espaço que tão bem me tem feito.
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Para já, hipótese 2
Esta manhã voltei a ter sangue vermelho, ao longo do dia tornou a ser castanho. Regressei há pouco das urgências e, pela primeira vez, vi um saco gestacional. Tem 4 mm, segundo as médicas o seu tamanho é compatível com o tempo de gestação. Como entrei nas 5 semanas ainda não foi possível ver mais nada. As trompas estavam limpas, por isso tenho comigo apenas um mini-nós. Não há nada que possa fazer a não ser aguardar pelo dia 23 para ver se a evolução continua a ser regular. A forma do saco é normal, nunca gostei tanto de ver uma mancha preta num ecrã. Mal a médica começou a fazer a ecografia vi-o, foi mesmo especial, tenho pena que o meu marido estivesse do outro lado da cortina.
Disseram que já estou a tomar tanta coisa que não é necessário acrescentar mais nada. Segue-se outro período de 11 dias tal como o tempo de espera pelo beta. Este sim, vai parecer interminável. Nunca passei por um momento assim, nem acredito que tenho um saquinho! Eu vi-o, estava lá!
Aproveito mais uma vez para agradecer todas as mensagens e apoio, vocês são incansáveis e mais crentes que eu. Tenho levado tanto pontapé em relação a este assunto que me custa acreditar que alguma coisa boa possa acontecer. Quero tanto que as próximas 35 semanas me tragam alegria...
Peço desculpa por todo o alarmismo, devia ter-me contido, mas estas perdas não diferem dos episódios tristes do passado. Agora é continuar o dia-a-dia.
Disseram que já estou a tomar tanta coisa que não é necessário acrescentar mais nada. Segue-se outro período de 11 dias tal como o tempo de espera pelo beta. Este sim, vai parecer interminável. Nunca passei por um momento assim, nem acredito que tenho um saquinho! Eu vi-o, estava lá!
Aproveito mais uma vez para agradecer todas as mensagens e apoio, vocês são incansáveis e mais crentes que eu. Tenho levado tanto pontapé em relação a este assunto que me custa acreditar que alguma coisa boa possa acontecer. Quero tanto que as próximas 35 semanas me tragam alegria...
Peço desculpa por todo o alarmismo, devia ter-me contido, mas estas perdas não diferem dos episódios tristes do passado. Agora é continuar o dia-a-dia.
domingo, 12 de novembro de 2017
Confusão mental
Estes fenómenos (par)anormais tiram o equilíbrio que tanto prezo. O sangramento de ontem começou repentinamente em tons de vermelho, tive algumas dores menstruais e cheguei a pensar que iria começar o dilúvio. O fenómeno apocalíptico não aconteceu, foi substituído pelo fim das dores e um corrimento castanho que perdura. Dificilmente isto terminará bem, vai acontecer como na TEC 2.
Que ideias já tive acerca disto?
1 - acabou, à semelhança das outras vezes;
2 - é daqueles sangramentos fantasma que ninguém sabe ao certo o que significam, mas que não comprometem a gravidez;
3 - o meu útero está a passar por um processo de mega expansão;
4 - tratava-se de uma gravidez gemelar que ficou reduzida a um embrião;
5 - houve algum descolamento.
A hipótese 1 parece-me a mais óbvia. Mantenho toda a medicação que inclui 1 ovinho de Progeffik a cada 8h. Pior que a espera pelo beta são os dias que antecedem a primeira ecografia em que nunca foi encontrado nada que se assemelhasse a vida. O dia 23 nunca mais chega. Se calhar até lá a natureza dá o golpe final para não restarem dúvidas.
Que ideias já tive acerca disto?
1 - acabou, à semelhança das outras vezes;
2 - é daqueles sangramentos fantasma que ninguém sabe ao certo o que significam, mas que não comprometem a gravidez;
3 - o meu útero está a passar por um processo de mega expansão;
4 - tratava-se de uma gravidez gemelar que ficou reduzida a um embrião;
5 - houve algum descolamento.
A hipótese 1 parece-me a mais óbvia. Mantenho toda a medicação que inclui 1 ovinho de Progeffik a cada 8h. Pior que a espera pelo beta são os dias que antecedem a primeira ecografia em que nunca foi encontrado nada que se assemelhasse a vida. O dia 23 nunca mais chega. Se calhar até lá a natureza dá o golpe final para não restarem dúvidas.
sábado, 11 de novembro de 2017
Sem surpresas...
À semelhança da primeira gravidez, quatro dias depois do beta despeço-me das horas que privei com o meu filho. Sem qualquer aviso prévio, chegou o maldito fluido vermelho. As dores menstruais estão também a começar a manifestar-se. Daqui a menos de uma hora devem vir os jorros com os resquícios de ex-vida que me fez companhia desde o dia 27 de outubro.
Não vale a pena alimentar ilusões com betas na próxima semana, porque a hormona ainda vai continuar por cá uns dias. Já sei que dia 23 vão querer que faça colheita para dar por encerrado o assunto.
Estou furiosa com a vida.
Não vale a pena alimentar ilusões com betas na próxima semana, porque a hormona ainda vai continuar por cá uns dias. Já sei que dia 23 vão querer que faça colheita para dar por encerrado o assunto.
Estou furiosa com a vida.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Estranho estado
É a terceira gravidez em pouco mais de um ano e o que me apraz dizer sobre o assunto? Não tenho aquela fome louca das outras vezes, o intestino trabalha bem melhor que o habitual. Aquelas dores fortes incomodam-me cada vez menos e de há dois dias para cá sinto uma leve náusea. A tensão mamária ainda não se manifestou, a gastrite desperta às vezes. Estou naquela fase em que duvido de que haja vida a crescer dentro de mim por ainda ser muito cedo detetar outro tipo de manifestação. Vou fazer outro beta em meados da próxima semana. Já fiz as contas de valores previsíveis para os próximos dias. Acho que está mais que na hora de conseguirmos ter o(s) nosso(s) filho(s).
Mantenho o mesmo ritmo de trabalho, o que me deixa abstraída de pensamentos e sentimentos sobre o resultado desta TEC.
Mantenho o mesmo ritmo de trabalho, o que me deixa abstraída de pensamentos e sentimentos sobre o resultado desta TEC.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
De pés assentes na terra
Antes de desenvolver o que quer que seja quero agradecer, do fundo do coração, todas as felicitações e sinais de esperança de quem é mais que bem vindo a esta humilde casa. Vocês conseguem trazer-me aquele calorzinho aconchegante de que precisava nesta altura. Não tenho passado por momentos fáceis, a revolta tem andado a consumir-me e a tornar-me insensível.
De facto, fazendo todos os cálculos comparativos dos positivos obtidos até então, este é o melhor resultado. Poderei na próxima semana fazer outro beta para ter uma ideia intermédia de como estão a correr as coisas enquanto não chega o dia da ecografia. Não quero, contudo, ficar obcecada nem deslumbrada. Isto é um tímido começo que rapidamente pode terminar. Tenho de ser contida nas expectativas mas ao mesmo tempo deixar de lado a tendência derrotista que me leva a achar que vai correr sempre mal. Quando se está escaldado é difícil ver que o sol também pode nascer para nós.
Admito que suspeitava da gravidez, custou mais foi saber o valor. Mesmo tendo ideia de que viria um positivo estava determinada em avançar para outra FIV para a consciência ficar definitivamente tranquila. Uma das áreas da minha formação de base é a Química e é nela que neste momento estou a depositar as minhas esperanças para que o meu filho não seja rejeitado.
De facto, fazendo todos os cálculos comparativos dos positivos obtidos até então, este é o melhor resultado. Poderei na próxima semana fazer outro beta para ter uma ideia intermédia de como estão a correr as coisas enquanto não chega o dia da ecografia. Não quero, contudo, ficar obcecada nem deslumbrada. Isto é um tímido começo que rapidamente pode terminar. Tenho de ser contida nas expectativas mas ao mesmo tempo deixar de lado a tendência derrotista que me leva a achar que vai correr sempre mal. Quando se está escaldado é difícil ver que o sol também pode nascer para nós.
Admito que suspeitava da gravidez, custou mais foi saber o valor. Mesmo tendo ideia de que viria um positivo estava determinada em avançar para outra FIV para a consciência ficar definitivamente tranquila. Uma das áreas da minha formação de base é a Química e é nela que neste momento estou a depositar as minhas esperanças para que o meu filho não seja rejeitado.
Beta -TEC 5
Estranhamente não sonhei com nada relacionado com o dia de hoje.
Fiz colheita, soube o resultado e não sei o que pensar. O valor foi 62,74. Tudo bem que só passaram 11 dias. A médica estava mais otimista que eu. Dia 23 faço a ecografia e até lá vou limitar-me a cumprir as coisas sem refletir muito sobre o assunto. Disseram que nem sempre vai correr mal, oxalá estejam certas. Mantenho toda a medicação, serenidade e neutralidade para não me deixar afetar muito.
Fiz colheita, soube o resultado e não sei o que pensar. O valor foi 62,74. Tudo bem que só passaram 11 dias. A médica estava mais otimista que eu. Dia 23 faço a ecografia e até lá vou limitar-me a cumprir as coisas sem refletir muito sobre o assunto. Disseram que nem sempre vai correr mal, oxalá estejam certas. Mantenho toda a medicação, serenidade e neutralidade para não me deixar afetar muito.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Consulta
Foi o dia da consulta que marquei antes de saber em que filme esta gravidez se ia tornar. Primeiro fizemos o balanço do que sucedeu nestas últimas semanas. A prioridade é descobrir se a gravidez é ectópica. Caso não o seja, que cenários poderão esperar-se, sendo que o menos provável é o desenvolvimento normal da gravidez. A diretora ainda referiu a possibilidade de ser uma gravidez natural mas expliquei-lhe o motivo de ser impossível e ela concordou comigo.
Depois de analisada a situação da gravidez disse-lhe que marquei a consulta para vermos o que poderá ser feito, partindo do princípio que não tarda muito seguir-se-á outra TEC. Perguntei se havia limitações do hospital para se estudarem as causas deste insucesso ou se teria que o fazer fora. Ela respondeu que o que se faz fora também pode ser realizado lá. A questão é que não há muito a investigar. As trombofilias estão analisadas e o Cartia já foi prescrito empiricamente por não haver uma evidência que justificasse a sua extrema necessidade.
Outra questão que coloquei foi relativa à hipótese do meu sistema imunitário estar a rejeitar os embriões. Algo a tentar futuramente, é adicionar um corticoide, novamente numa base empírica.
No que diz respeito ao endométrio nunca houve problemas em este atingir a morfologia ideal para receber embriões. Foi-me questionado se já fiz histeroscopia e isso ainda não aconteceu. O próximo passo depois de mudar de capítulo vai ser fazer esse exame.
Uma causa para as falhas de implantação poderia ser a qualidade dos embriões, que não se aplica ao meu caso. São sempre bons e nunca houve problemas depois de serem retirados da criopreservação. Não significa, no entanto, que não tenham uma alteração nos cromossomas. Como tanto eu como o meu marido não temos nenhuma doença genética conhecida, o que nos restaria seria a PGS (Pre-implantation Genetic Screening). Desde logo a médica disse que o HSJ, nem qualquer outro hospital público tem dotação financeira para fazer esta técnica que ronda os 10 000 euros. Consiste em fazer-se uma estimulação e aos embriões resultantes retirar algumas células que serão posteriormente estudadas. Até aqui em nada difere de um DGPI. Em seguida recorrendo a marcadores tentam encontrar-se genes para as doenças mais comuns. É então feita a seleção dos embriões com mais hipóteses de sucesso. Pode dar-se a situação de haver embriões com alterações completamente compatíveis com uma vida normal. O que esse estudo não garante, como em qualquer transferência, é que vá resultar numa gravidez bem sucedida.
Um facto é que não são normais todas estas falhas, a Dra S. admitiu-o e agora eu e o meu marido vamos refletir acerca disto tudo.
Depois da consulta fui almoçar qualquer coisa à pressa. Quando cheguei ao trabalho fui à casa de banho e vi o que não queria. Estou com perdas iguais às que tive quando abortei da primeira vez. É noite de S. João com familiares do lado do meu marido, amanhã ele faz anos e domingo vou à terrinha ver a minha mãe com quem não estou desde a semana anterior à Páscoa.
Segunda-feira provavelmente já não se vai encontrar nada na ecografia.
Depois de analisada a situação da gravidez disse-lhe que marquei a consulta para vermos o que poderá ser feito, partindo do princípio que não tarda muito seguir-se-á outra TEC. Perguntei se havia limitações do hospital para se estudarem as causas deste insucesso ou se teria que o fazer fora. Ela respondeu que o que se faz fora também pode ser realizado lá. A questão é que não há muito a investigar. As trombofilias estão analisadas e o Cartia já foi prescrito empiricamente por não haver uma evidência que justificasse a sua extrema necessidade.
Outra questão que coloquei foi relativa à hipótese do meu sistema imunitário estar a rejeitar os embriões. Algo a tentar futuramente, é adicionar um corticoide, novamente numa base empírica.
No que diz respeito ao endométrio nunca houve problemas em este atingir a morfologia ideal para receber embriões. Foi-me questionado se já fiz histeroscopia e isso ainda não aconteceu. O próximo passo depois de mudar de capítulo vai ser fazer esse exame.
Uma causa para as falhas de implantação poderia ser a qualidade dos embriões, que não se aplica ao meu caso. São sempre bons e nunca houve problemas depois de serem retirados da criopreservação. Não significa, no entanto, que não tenham uma alteração nos cromossomas. Como tanto eu como o meu marido não temos nenhuma doença genética conhecida, o que nos restaria seria a PGS (Pre-implantation Genetic Screening). Desde logo a médica disse que o HSJ, nem qualquer outro hospital público tem dotação financeira para fazer esta técnica que ronda os 10 000 euros. Consiste em fazer-se uma estimulação e aos embriões resultantes retirar algumas células que serão posteriormente estudadas. Até aqui em nada difere de um DGPI. Em seguida recorrendo a marcadores tentam encontrar-se genes para as doenças mais comuns. É então feita a seleção dos embriões com mais hipóteses de sucesso. Pode dar-se a situação de haver embriões com alterações completamente compatíveis com uma vida normal. O que esse estudo não garante, como em qualquer transferência, é que vá resultar numa gravidez bem sucedida.
Um facto é que não são normais todas estas falhas, a Dra S. admitiu-o e agora eu e o meu marido vamos refletir acerca disto tudo.
Depois da consulta fui almoçar qualquer coisa à pressa. Quando cheguei ao trabalho fui à casa de banho e vi o que não queria. Estou com perdas iguais às que tive quando abortei da primeira vez. É noite de S. João com familiares do lado do meu marido, amanhã ele faz anos e domingo vou à terrinha ver a minha mãe com quem não estou desde a semana anterior à Páscoa.
Segunda-feira provavelmente já não se vai encontrar nada na ecografia.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Beta 5
À semelhança do que aconteceu nas análises anteriores o beta aumentou outra vez. Agora está em 1233, com uma evolução a uma taxa aproximada à que se tem verificado desde o beta 2. Ficou definido fazer nova ecografia na próxima segunda-feira pelas 9h, para acautelar a possibilidade de ter de ficar no hospital.
Suponho que a estratégia que elas delinearam foi dar tempo que o beta evolua até um valor que garanta um saco gestacional de boas dimensões, que não dê lugar a ambiguidades na sua localização. A questão do possível internamento ocorrerá provavelmente se se confirmar gravidez ectópica, anembrionária ou ausência de batimentos cardíacos no meu pequeno Nemo.
Mantém-se o plano de contingência a adotar em situação de dor aguda, desmaio ou hemorragia abundante.
A luta está feroz e de todas as fases que têm envolvido a TEC 4 esta é a que me está a dar mais força. Mesmo que não termine da melhor forma, dá-me mais ânimo para enfrentar novas batalhas.
Suponho que a estratégia que elas delinearam foi dar tempo que o beta evolua até um valor que garanta um saco gestacional de boas dimensões, que não dê lugar a ambiguidades na sua localização. A questão do possível internamento ocorrerá provavelmente se se confirmar gravidez ectópica, anembrionária ou ausência de batimentos cardíacos no meu pequeno Nemo.
Mantém-se o plano de contingência a adotar em situação de dor aguda, desmaio ou hemorragia abundante.
A luta está feroz e de todas as fases que têm envolvido a TEC 4 esta é a que me está a dar mais força. Mesmo que não termine da melhor forma, dá-me mais ânimo para enfrentar novas batalhas.
terça-feira, 20 de junho de 2017
À procura de...
Ainda não há total certeza de onde pára o embrião. A imagem não foi conclusiva para gravidez ectópica e no útero apareceu algo que poderá ser sugestivo de um saco gestacional, mas sem garantias. Caso o seja mantém-se a convicção de que a gravidez não vai evoluir, pois neste estágio, se o desenvolvimento estivesse adequado já deveria haver batimentos cardíacos.
Para dissipar as dúvidas em relação à localização do embrião mantém-se a colheita de sangue a cada dois dias para aferir a evolução do beta, enquanto este continuar a aumentar. Pode também a natureza tratar da expulsão durante este período. Amanhã regresso para nova colheita e sexta-feira devo repetir ecografia.
Parece que ando a alimentar vampiros. Vou oferecer o braço direito, porque a veia do esquerdo já acusa alguma selvajaria e precisa de uns dias para recuperar.
Apesar de ser improvável que a gravidez goze de boa saúde durante o tempo regulamentar de uma gestação, estou a estabelecer uma ligação emocional ao meu mini-nós, o qual apelo carinhosamente de Nemo. Ele está a ter a bravura de ficar comigo com a sua presença muito discreta. É corajoso e resistente à sua maneira. Deixa-me orgulhosa pela força que demonstra, pois a ver pelo perecimento dos seus 7 irmãos devo oferecer condições inóspitas à manutenção de uma vida humana. Devo ser uma espécie de Vénus, não a divindade, mas o planeta com a sua atmosfera agressiva de nuvens ácidas que desafiam a integridade do que lá pousar. Mais uma vez tive um daqueles sonhos relacionados com a fertilidade/maternidade. Neste, quando foi feita a ecografia, surpreendi aquela equipa inteira com o desenvolvimento de um embrião sentenciado que, ao contrário das expectativas deu uma volta que ninguém esperava. Acordei um pouco aliviada e menos pesarosa.
Para dissipar as dúvidas em relação à localização do embrião mantém-se a colheita de sangue a cada dois dias para aferir a evolução do beta, enquanto este continuar a aumentar. Pode também a natureza tratar da expulsão durante este período. Amanhã regresso para nova colheita e sexta-feira devo repetir ecografia.
Parece que ando a alimentar vampiros. Vou oferecer o braço direito, porque a veia do esquerdo já acusa alguma selvajaria e precisa de uns dias para recuperar.
Apesar de ser improvável que a gravidez goze de boa saúde durante o tempo regulamentar de uma gestação, estou a estabelecer uma ligação emocional ao meu mini-nós, o qual apelo carinhosamente de Nemo. Ele está a ter a bravura de ficar comigo com a sua presença muito discreta. É corajoso e resistente à sua maneira. Deixa-me orgulhosa pela força que demonstra, pois a ver pelo perecimento dos seus 7 irmãos devo oferecer condições inóspitas à manutenção de uma vida humana. Devo ser uma espécie de Vénus, não a divindade, mas o planeta com a sua atmosfera agressiva de nuvens ácidas que desafiam a integridade do que lá pousar. Mais uma vez tive um daqueles sonhos relacionados com a fertilidade/maternidade. Neste, quando foi feita a ecografia, surpreendi aquela equipa inteira com o desenvolvimento de um embrião sentenciado que, ao contrário das expectativas deu uma volta que ninguém esperava. Acordei um pouco aliviada e menos pesarosa.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Beta 4
Hoje o resultado foi 951. Amanhã faço uma ecografia de urgência, porque há uma elevada probabilidade de ser ectópica. Já se deverá encontrar alguma coisa.
Se esta evolução tivesse acontecido assim há umas duas ou três semanas era razoável. Nestas circunstâncias só um milagre justificaria um progresso adequado. Passei a barreira das 7 semanas de gestação e continuo a caminhar para o 1000.
Amanhã poderei ter uma resposta definida acerca deste mistério.
Se esta evolução tivesse acontecido assim há umas duas ou três semanas era razoável. Nestas circunstâncias só um milagre justificaria um progresso adequado. Passei a barreira das 7 semanas de gestação e continuo a caminhar para o 1000.
Amanhã poderei ter uma resposta definida acerca deste mistério.
terça-feira, 13 de junho de 2017
Um passo à frente?
Calma, é o primeiro apelo que tenho a fazer a vocês, maravilhosas companheiras! Está tudo bem comigo, a dinâmica de trabalho está diferente, porque nestas semanas tenho estado debruçada a preparar alunos para exame de nível secundário.
Estou quase a descobrir o que se anda a passar cá dentro e tenho dificuldade em manter-me otimista. Vou explicar agora os motivos.
1 - já me passou pela cabeça que quando fiz o beta (15 dias após a TEC), este poderia estar a regredir por ser outra gravidez bioquímica;
2 - os sintomas que tenho (peito maior e fome) podem ser meros efeitos secundários da medicação;
3 - ainda me custa a crer que tenha capacidade de gerar e manter uma vida em crescimento;
4 - tenho a sensação que ao fazer a ecografia se vai descobrir que os mini-nós pararam de desenvolver há algum tempo e o corpo ainda não deu sinais de que esteja a tentar expulsá-los;
5 - por fim, o chip ainda não está atualizado, porque é bom de mais para ser verdade, admito.
A minha curiosidade em relação ao dia de amanhã é superior à que tinha no dia 1 de junho, porque estou prestes a descobrir se mudei de nível neste jogo. Pelas minhas contas este fim de semana atingi as 6 semanas, pelo que é expectável que se veja alguma coisa do tamanho de uma ervilha, de preferência a piscar vigorosamente e, já agora no útero e não fora dele.
É a segunda vez na minha carreira de profissional de transferências que faço este tipo de ecografia, mas até agora não houve nenhum indício de que algo esteja mal. O meu marido está confiante de que tudo vai correr bem e não precisaremos de nos preocupar com mais TEC ou tratamentos. Queria tanto conseguir pensar assim...
Depois de acabar de escrever isto vou cruzar todos os meus dedinhos.
Estou quase a descobrir o que se anda a passar cá dentro e tenho dificuldade em manter-me otimista. Vou explicar agora os motivos.
1 - já me passou pela cabeça que quando fiz o beta (15 dias após a TEC), este poderia estar a regredir por ser outra gravidez bioquímica;
2 - os sintomas que tenho (peito maior e fome) podem ser meros efeitos secundários da medicação;
3 - ainda me custa a crer que tenha capacidade de gerar e manter uma vida em crescimento;
4 - tenho a sensação que ao fazer a ecografia se vai descobrir que os mini-nós pararam de desenvolver há algum tempo e o corpo ainda não deu sinais de que esteja a tentar expulsá-los;
5 - por fim, o chip ainda não está atualizado, porque é bom de mais para ser verdade, admito.
A minha curiosidade em relação ao dia de amanhã é superior à que tinha no dia 1 de junho, porque estou prestes a descobrir se mudei de nível neste jogo. Pelas minhas contas este fim de semana atingi as 6 semanas, pelo que é expectável que se veja alguma coisa do tamanho de uma ervilha, de preferência a piscar vigorosamente e, já agora no útero e não fora dele.
É a segunda vez na minha carreira de profissional de transferências que faço este tipo de ecografia, mas até agora não houve nenhum indício de que algo esteja mal. O meu marido está confiante de que tudo vai correr bem e não precisaremos de nos preocupar com mais TEC ou tratamentos. Queria tanto conseguir pensar assim...
Depois de acabar de escrever isto vou cruzar todos os meus dedinhos.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
5 semanas mais 1 ou 2 dias
É estranha a sensação de alguém dizer-nos que estamos grávidas quando não nos sentimos como tal. Sei que é cedo, há muito tempo para tomar consciência disso até aperceber-me que afinal (ainda) estou nesse estado. Esta conversa é para chegar aos famigerados sintomas que tantas vezes nos enganam. Se tivesse de afirmar convictamente que estava grávida, com base em sinais, seria há 4 meses e não agora. Pois é, os marotos dos efeitos secundários da medicação muitas vezes fazem das suas e andam a confundir-nos ou a criar ilusões. Muitas vezes, quando chega a hora da verdade, alguém dispara sobre nós um balde de gelo para acordarmos para a triste realidade.
Neste momento sinto-me normal (de acordo com os meus padrões), a gastrite tem-me dado férias, a tensão mamária é muito mais ligeira do que em transferências anteriores, o volume abdominal está igual, ao contrário da TEC 3 em que aumentou consideravelmente. Se calhar o peito está um pouco maior mas atribuo para já a responsabilidade ao Progeffik. Não tenho dores no útero nem perdas de sangue. Esta bizarria que é diferente do que aconteceu no passado é que me deixa com reservas em relação ao sucesso desta TEC. Se calhar agora é que estou como devia ser suposto nesta altura. Na vida real não costuma ser assim havendo até quem descobre que está grávida quando está em trabalho de parto?
Apesar de a 1 de junho estar oficialmente grávida, acho que só vou acreditar MESMO quando fizer a ecografia. Aquele pé que gosta de ficar atrás diz-me que esse fenómeno (gravidez) é algo que não me assiste. Que posso eu fazer, sou assim!
Vamos falando aqui por casa de como estão a correr os dias mas curiosamente ainda não abordámos assuntos de caráter logístico ou factos relacionados com o(s) nosso(s) filho(s). Acho que só teremos coragem de começar a pensar e pôr mãos à obra depois das 15 semanas.
Esta sexta-feira vou finalmente ter consulta com a minha médica de família. Foi preciso esperar 4 meses pela dita e se correr tudo bem não vou poder concretizar para já o objetivo da marcação que era ter uma requisição para realizar a endoscopia que tenho de fazer anualmente. Aliás, por causa desta sequência de tratamentos e transferências já deixei passar dois anos e meio, que para mim pode ser um pouco perigoso dado o meu historial clínico. Conjugar os tratamentos com o tempo que tenho de aguardar por consulta na médica de família e ainda agendar a endoscopia torna-se uma tarefa complicada quando tudo está dependente dos timings do SNS.
Como já afirmei em tempos, desejo que a gravidez seja acompanhada no HSJ e não na minha área de residência, pois o HPH não foi suficientemente correto quando fui seguida nas consultas de infertilidade. Vou referir isso na sexta-feira e tenho a certeza que a minha médica vai compreender. Não tenho nada contra ela, pelo contrário, há contudo coisas na unidade local de saúde da zona que deixam um pouco a desejar. As condições da maternidade e do acompanhamento do pai até podem ser mais interessantes que no HSJ mas aqueles 3 ou 4 dias da altura do parto não vão determinar a minha escolha face às várias semanas em que serei vigiada. Se alguém tiver experiência no seguimento pré-natal do HSJ que não se importe de partilhar, sou toda olhos :)
Neste momento sinto-me normal (de acordo com os meus padrões), a gastrite tem-me dado férias, a tensão mamária é muito mais ligeira do que em transferências anteriores, o volume abdominal está igual, ao contrário da TEC 3 em que aumentou consideravelmente. Se calhar o peito está um pouco maior mas atribuo para já a responsabilidade ao Progeffik. Não tenho dores no útero nem perdas de sangue. Esta bizarria que é diferente do que aconteceu no passado é que me deixa com reservas em relação ao sucesso desta TEC. Se calhar agora é que estou como devia ser suposto nesta altura. Na vida real não costuma ser assim havendo até quem descobre que está grávida quando está em trabalho de parto?
Apesar de a 1 de junho estar oficialmente grávida, acho que só vou acreditar MESMO quando fizer a ecografia. Aquele pé que gosta de ficar atrás diz-me que esse fenómeno (gravidez) é algo que não me assiste. Que posso eu fazer, sou assim!
Vamos falando aqui por casa de como estão a correr os dias mas curiosamente ainda não abordámos assuntos de caráter logístico ou factos relacionados com o(s) nosso(s) filho(s). Acho que só teremos coragem de começar a pensar e pôr mãos à obra depois das 15 semanas.
Esta sexta-feira vou finalmente ter consulta com a minha médica de família. Foi preciso esperar 4 meses pela dita e se correr tudo bem não vou poder concretizar para já o objetivo da marcação que era ter uma requisição para realizar a endoscopia que tenho de fazer anualmente. Aliás, por causa desta sequência de tratamentos e transferências já deixei passar dois anos e meio, que para mim pode ser um pouco perigoso dado o meu historial clínico. Conjugar os tratamentos com o tempo que tenho de aguardar por consulta na médica de família e ainda agendar a endoscopia torna-se uma tarefa complicada quando tudo está dependente dos timings do SNS.
Como já afirmei em tempos, desejo que a gravidez seja acompanhada no HSJ e não na minha área de residência, pois o HPH não foi suficientemente correto quando fui seguida nas consultas de infertilidade. Vou referir isso na sexta-feira e tenho a certeza que a minha médica vai compreender. Não tenho nada contra ela, pelo contrário, há contudo coisas na unidade local de saúde da zona que deixam um pouco a desejar. As condições da maternidade e do acompanhamento do pai até podem ser mais interessantes que no HSJ mas aqueles 3 ou 4 dias da altura do parto não vão determinar a minha escolha face às várias semanas em que serei vigiada. Se alguém tiver experiência no seguimento pré-natal do HSJ que não se importe de partilhar, sou toda olhos :)
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Ainda sobre o beta e a TEC 4
Agora que a poeira assentou um bocadinho aqui para estes lados, estou com mais discernimento e disponibilidade para acrescentar umas palavras.
Em primeiro lugar, não houve nenhuma noite pré-beta em que não tivesse sonhado sobre esse dia. Enquanto nas anteriores dava por mim já gravidíssima e era a última a aperceber que me encontrava nesse estado, desta vez foi diferente. Sonhei com um número concreto, 110. Falhei por pouco no valor. Ainda bem que foi quatro unidades superior e não inferior, mas andei lá muito próximo.
Ao falar com a médica, que foi a primeira que conheci naquele serviço e quem me realizou a transferência, ela parecia mais descansada pelo resultado do que eu.
Não explodi de alegria, porque ao longo dos anos fiquei formatada para receber más notícias. Disse-lhe que apesar de não parecer, era aquilo que mais queria ouvir na vida, só que me faltava mudar o chip para me adaptar à novidade.
A conversa com a enfermeira com quem estive depois da boa nova deixou-me com um estado de espírito muito diferente daquele com que fiquei em setembro passado.
Recuando a película para analisar esta TEC tentei manter a vida o mais normal possível. Ignorei aqueles mitos/conselhos que podem aumentar as hipóteses de sucesso. O abacaxi que podia ter consumido continua na natureza, a gelatina deve estar noutros frigoríficos que não o meu, physalis é saboroso mas não comprei desta vez e ainda pensei em arrefecer os pés, só que o calor não colaborou. A massagem mais fértil que recebi foi-me dada pela minha gata, exatamente em cima da barriga com toda a sua sabedoria e vigor. Os únicos momentos em que estive nas palhas deitada aconteceram quando tinha de dormir. Confesso que uma ou outra vez poderei ter pegado em coisas com 6 ou 7 kg. Fui trabalhar no dia seguinte à transferência e foi o melhor que fiz.
Assim como em pratos de culinária muito populares se tenta descobrir o misterioso segredo que no fundo, muitas vezes não existe, esta transferência, no que me compete, foi mais ou menos isso.
A maior diferença foi a introdução do Cartia e do Natalben. Nunca saberei esclarecer se foram esses os condimentos que deram sabor ao beta.
Estou de pés bem assentes no chão, com a plena consciência da dicotomia besta/bestial que pode acontecer num piscar de olhos.
Enquanto na TEC 3 estava inchada, sentia fome, cheguei a equacionar uma gravidez, desta vez só estou a ser incomodada pela gastrite.
Dia 14 volto ao hospital, pode ser que veja magia no ecrã!
Agradeço todo o carinho e ânimo que me têm sido dirigidos. Espero, mais que tudo na vida, que seja desta o final feliz que procuro há 5 anos e 7 meses. Não esquecerei nunca que o bicho papão anda aí a infernizar tanta gente merecedora de dias muitos melhores. Apesar do enorme abalo que traz para a vida tem-me ajudado certamente a encarar os problemas com uma perspetiva diferente.
Somos todos mais fortes do que aquilo que imaginamos.
Em primeiro lugar, não houve nenhuma noite pré-beta em que não tivesse sonhado sobre esse dia. Enquanto nas anteriores dava por mim já gravidíssima e era a última a aperceber que me encontrava nesse estado, desta vez foi diferente. Sonhei com um número concreto, 110. Falhei por pouco no valor. Ainda bem que foi quatro unidades superior e não inferior, mas andei lá muito próximo.
Ao falar com a médica, que foi a primeira que conheci naquele serviço e quem me realizou a transferência, ela parecia mais descansada pelo resultado do que eu.
Não explodi de alegria, porque ao longo dos anos fiquei formatada para receber más notícias. Disse-lhe que apesar de não parecer, era aquilo que mais queria ouvir na vida, só que me faltava mudar o chip para me adaptar à novidade.
A conversa com a enfermeira com quem estive depois da boa nova deixou-me com um estado de espírito muito diferente daquele com que fiquei em setembro passado.
Recuando a película para analisar esta TEC tentei manter a vida o mais normal possível. Ignorei aqueles mitos/conselhos que podem aumentar as hipóteses de sucesso. O abacaxi que podia ter consumido continua na natureza, a gelatina deve estar noutros frigoríficos que não o meu, physalis é saboroso mas não comprei desta vez e ainda pensei em arrefecer os pés, só que o calor não colaborou. A massagem mais fértil que recebi foi-me dada pela minha gata, exatamente em cima da barriga com toda a sua sabedoria e vigor. Os únicos momentos em que estive nas palhas deitada aconteceram quando tinha de dormir. Confesso que uma ou outra vez poderei ter pegado em coisas com 6 ou 7 kg. Fui trabalhar no dia seguinte à transferência e foi o melhor que fiz.
Assim como em pratos de culinária muito populares se tenta descobrir o misterioso segredo que no fundo, muitas vezes não existe, esta transferência, no que me compete, foi mais ou menos isso.
A maior diferença foi a introdução do Cartia e do Natalben. Nunca saberei esclarecer se foram esses os condimentos que deram sabor ao beta.
Estou de pés bem assentes no chão, com a plena consciência da dicotomia besta/bestial que pode acontecer num piscar de olhos.
Enquanto na TEC 3 estava inchada, sentia fome, cheguei a equacionar uma gravidez, desta vez só estou a ser incomodada pela gastrite.
Dia 14 volto ao hospital, pode ser que veja magia no ecrã!
Agradeço todo o carinho e ânimo que me têm sido dirigidos. Espero, mais que tudo na vida, que seja desta o final feliz que procuro há 5 anos e 7 meses. Não esquecerei nunca que o bicho papão anda aí a infernizar tanta gente merecedora de dias muitos melhores. Apesar do enorme abalo que traz para a vida tem-me ajudado certamente a encarar os problemas com uma perspetiva diferente.
Somos todos mais fortes do que aquilo que imaginamos.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Veredito
Numa rapidez atípica, assim que chegámos ao hospital dirigimo-nos, pela primeira vez os dois, para a sala de espera da zona de ecografia. Poucos minutos depois entrámos na sala da marquesa desconfortável.
O meu marido assistiu à caça do mini-nós perdido, contudo a busca foi infrutífera. Finda a pesquisa no útero o objetivo seguinte foi descartar uma gravidez ectópica. A esse nível também nada foi encontrado, felizmente. Os toques nos ovários foram tudo menos agradáveis.
Seguiu-se colheita de sangue para tirar qualquer dúvida existente relativamente à progressão/retrocesso da hormona beta-HCG.
Como é habitual em dia de beta, por volta das 12h30 regressámos ao HSJ para saber as notícias.
"Esteve quase lá mas ainda não foi suficiente. Teve o que se chama uma gravidez bioquímica. O valor da beta-HCG está a regredir."
Não foi nada que não estivesse à espera. Não sei explicar a razão mas à medida que os minutos passavam no consultório comecei a sentir um alívio o que, à primeira vista, parece uma crueldade. Passei de um estado de revolta e conformismo a um regresso de confiança. O facto de o desfecho ter sido formalizado trouxe-me o sossego que não senti nestas semanas desde o primeiro beta.
Olhando para o que aconteceu, com a cabeça mais fria, penso na hipótese mais frequente associada a este tipo de situação de aborto. Uma percentagem significativa destas perdas prematuras deve-se a uma seleção natural que o nosso corpo faz a embriões com problemas genéticos.
Foi-me entregue o relatório da TEC. A última medição realizada ao endométrio era de 8,3 mm de espessura. Relativamente à ecografia de hoje a cavidade uterina estava vazia, os ovários sem alterações, sem imagens anexiais suspeitas. O beta hoje foi de 29,82.
Agora as novidades. A próxima TEC será já em 2017. Inquiri, de forma intencional, se ia haver alterações no protocolo da sua preparação. A médica voltou com a história do Decapeptyl. Questionei qual o objetivo primordial desse fármaco e ela respondeu o que eu queria ouvir. Lá veio a justificação de garantir a inatividade dos ovários. Foi aí que referi que nunca menstruei com o Decapeptyl e há 22 anos que os meus ovários não trabalham espontaneamente. Finalmente alguém parou para me ouvir! Perante o que disse, a médica perguntou de quantos dias era o meu ciclo, ao que relembrei (pela n ésima vez) que não tenho ciclos, só medicada. Depois de todo este tempo e da minha insistência, uma das quatro especialistas por quem passamos, que até é a diretora do serviço, chegou à conclusão que o Decapapetyl não tem qualquer utilidade comigo!
Lutadoras: questionem uma, duas, três, quatro vezes, caso necessário, se alguma vez acharem que há algo no vosso acompanhamento que não faz sentido.
Após a brilhante conclusão ficou definido que vou induzir a menstruação com Provera (somos tu cá, tu lá há décadas), porque no meu caso não tenho outra hipótese. No terceiro dia desse ciclo farei ecografia e iniciarei automaticamente o Estrofem se assim for necessário. Vai ser uma espécie de ciclo natural, com a diferença que não haverá Pregnyl, porque eu não sou pessoa de ovular assim à balda!
O melhor disto é que ficou uma folhinha na parte da frente do meu processo com a indicação de não prescrever o Decapeptyl e o respetivo motivo, não fosse alguém tratar-me como um enlatado de uma máquina que faz sempre a mesma coisa.
Plano de ataque definido, vamos a datas. A primeira semana de janeiro está no horizonte, já à vista. Será aí que farei a primeira eco. É completamente possível nessa altura porque, para variar, quem manda nos meus pseudo-ciclos sou eu. Só preciso de fazer contas para prever, com um bom rigor, quando devo tomar o Provera para fazer acontecer magia vermelha. Vou atrever-me até a definir como objetivo a realização da TEC no dia em que completo 37 invernos, que é na segunda semana desse lindo mês. A transferência não será feita em dezembro pois haverá limpeza das condutas de ar condicionado no laboratório, que é obrigatória. É completamente compreensível essa situação e, por outro lado, o período natalício acaba por ser mais tranquilo.
Esta tempestade da gravidez ainda não terminou. Estou com perdas de sangue contínuas, embora pequenas, desde 2 de outubro. Poderei ainda sofrer dores intensas que não deverei ignorar, caso surjam. Desconfio também que daqui a uma semana, quando menstruar, haverá um dilúvio intercalado de enormes coágulos e sofrimento à mistura. A hemorragia não poderá prolongar-se por muito tempo sob pena de ficar anémica com tanta libertação de sangue ao longo de várias semanas consecutivas.
Em relação ao feedback neste período conturbado vou responder individualmente a cada guerreira que tanta força me tem dado, mas compreendam que já não será hoje. Estão no meu coração, não me esqueço de vocês e continuo sempre a emanar energia positiva para as vossas batalhas diárias.
Parte de mim está de luto, mas continuo na luta. A força anda aí.
O meu marido assistiu à caça do mini-nós perdido, contudo a busca foi infrutífera. Finda a pesquisa no útero o objetivo seguinte foi descartar uma gravidez ectópica. A esse nível também nada foi encontrado, felizmente. Os toques nos ovários foram tudo menos agradáveis.
Seguiu-se colheita de sangue para tirar qualquer dúvida existente relativamente à progressão/retrocesso da hormona beta-HCG.
Como é habitual em dia de beta, por volta das 12h30 regressámos ao HSJ para saber as notícias.
"Esteve quase lá mas ainda não foi suficiente. Teve o que se chama uma gravidez bioquímica. O valor da beta-HCG está a regredir."
Não foi nada que não estivesse à espera. Não sei explicar a razão mas à medida que os minutos passavam no consultório comecei a sentir um alívio o que, à primeira vista, parece uma crueldade. Passei de um estado de revolta e conformismo a um regresso de confiança. O facto de o desfecho ter sido formalizado trouxe-me o sossego que não senti nestas semanas desde o primeiro beta.
Olhando para o que aconteceu, com a cabeça mais fria, penso na hipótese mais frequente associada a este tipo de situação de aborto. Uma percentagem significativa destas perdas prematuras deve-se a uma seleção natural que o nosso corpo faz a embriões com problemas genéticos.
Foi-me entregue o relatório da TEC. A última medição realizada ao endométrio era de 8,3 mm de espessura. Relativamente à ecografia de hoje a cavidade uterina estava vazia, os ovários sem alterações, sem imagens anexiais suspeitas. O beta hoje foi de 29,82.
Agora as novidades. A próxima TEC será já em 2017. Inquiri, de forma intencional, se ia haver alterações no protocolo da sua preparação. A médica voltou com a história do Decapeptyl. Questionei qual o objetivo primordial desse fármaco e ela respondeu o que eu queria ouvir. Lá veio a justificação de garantir a inatividade dos ovários. Foi aí que referi que nunca menstruei com o Decapeptyl e há 22 anos que os meus ovários não trabalham espontaneamente. Finalmente alguém parou para me ouvir! Perante o que disse, a médica perguntou de quantos dias era o meu ciclo, ao que relembrei (pela n ésima vez) que não tenho ciclos, só medicada. Depois de todo este tempo e da minha insistência, uma das quatro especialistas por quem passamos, que até é a diretora do serviço, chegou à conclusão que o Decapapetyl não tem qualquer utilidade comigo!
Lutadoras: questionem uma, duas, três, quatro vezes, caso necessário, se alguma vez acharem que há algo no vosso acompanhamento que não faz sentido.
Após a brilhante conclusão ficou definido que vou induzir a menstruação com Provera (somos tu cá, tu lá há décadas), porque no meu caso não tenho outra hipótese. No terceiro dia desse ciclo farei ecografia e iniciarei automaticamente o Estrofem se assim for necessário. Vai ser uma espécie de ciclo natural, com a diferença que não haverá Pregnyl, porque eu não sou pessoa de ovular assim à balda!
O melhor disto é que ficou uma folhinha na parte da frente do meu processo com a indicação de não prescrever o Decapeptyl e o respetivo motivo, não fosse alguém tratar-me como um enlatado de uma máquina que faz sempre a mesma coisa.
Plano de ataque definido, vamos a datas. A primeira semana de janeiro está no horizonte, já à vista. Será aí que farei a primeira eco. É completamente possível nessa altura porque, para variar, quem manda nos meus pseudo-ciclos sou eu. Só preciso de fazer contas para prever, com um bom rigor, quando devo tomar o Provera para fazer acontecer magia vermelha. Vou atrever-me até a definir como objetivo a realização da TEC no dia em que completo 37 invernos, que é na segunda semana desse lindo mês. A transferência não será feita em dezembro pois haverá limpeza das condutas de ar condicionado no laboratório, que é obrigatória. É completamente compreensível essa situação e, por outro lado, o período natalício acaba por ser mais tranquilo.
Esta tempestade da gravidez ainda não terminou. Estou com perdas de sangue contínuas, embora pequenas, desde 2 de outubro. Poderei ainda sofrer dores intensas que não deverei ignorar, caso surjam. Desconfio também que daqui a uma semana, quando menstruar, haverá um dilúvio intercalado de enormes coágulos e sofrimento à mistura. A hemorragia não poderá prolongar-se por muito tempo sob pena de ficar anémica com tanta libertação de sangue ao longo de várias semanas consecutivas.
Em relação ao feedback neste período conturbado vou responder individualmente a cada guerreira que tanta força me tem dado, mas compreendam que já não será hoje. Estão no meu coração, não me esqueço de vocês e continuo sempre a emanar energia positiva para as vossas batalhas diárias.
Parte de mim está de luto, mas continuo na luta. A força anda aí.
sábado, 8 de outubro de 2016
Empty nest, so far
Depois de ontem não ter havido perdas de sangue, hoje elas voltaram, com a intensidade a que me tenho habituado. Às 20h30, contudo, passaram a sangue vivo.
Fomos às urgências de obstetrícia do HSJ onde fui logo atendida, ao contrário do que aconteceu na semana passada no Pedro Hispano. A hipotética gravidez deveria estar em 5 semanas e 4 dias o que, em situações normais, possibilitaria pelo menos a visualização do saco gestacional. Estavam duas médicas a observar o ecrã. Procuravam, procuravam, procuravam,... Estiveram a descartar a eventualidade de desenvolver uma gravidez ectópica.
Veredito: nada visível. Apenas algo muito, mas mesmo muito ténue que pode não ser nada. Segundo a médica ou o desenvolvimento está a ser lento e daqui a uns dois dias já será possível detetar alguma coisa ou então não há embrião. A única coisa que posso fazer é aguardar pela ecografia de dia 14 onde será feita uma avaliação definitiva. As hemorragias não indiciam nada de concreto, a razão para a sua existência é aquilo que tantas vezes se ouve. Pode ser bom ou mau sinal.
É muito triste o que está a acontecer mas em simultâneo é um alívio pois infelizmente é um pequeno peso que me sai de cima. Como deduzi ontem, o resultado de 1-2 semanas obtido no teste Clearblue mostra que a hormona beta-HCG está a desaparecer do corpo (que pode demorar de 4 a 6 semanas). Não posso dizer que foi bom enquanto durou, não me foi dada essa oportunidade. Foram 4 os filhos que perdemos até agora.
Fomos às urgências de obstetrícia do HSJ onde fui logo atendida, ao contrário do que aconteceu na semana passada no Pedro Hispano. A hipotética gravidez deveria estar em 5 semanas e 4 dias o que, em situações normais, possibilitaria pelo menos a visualização do saco gestacional. Estavam duas médicas a observar o ecrã. Procuravam, procuravam, procuravam,... Estiveram a descartar a eventualidade de desenvolver uma gravidez ectópica.
Veredito: nada visível. Apenas algo muito, mas mesmo muito ténue que pode não ser nada. Segundo a médica ou o desenvolvimento está a ser lento e daqui a uns dois dias já será possível detetar alguma coisa ou então não há embrião. A única coisa que posso fazer é aguardar pela ecografia de dia 14 onde será feita uma avaliação definitiva. As hemorragias não indiciam nada de concreto, a razão para a sua existência é aquilo que tantas vezes se ouve. Pode ser bom ou mau sinal.
É muito triste o que está a acontecer mas em simultâneo é um alívio pois infelizmente é um pequeno peso que me sai de cima. Como deduzi ontem, o resultado de 1-2 semanas obtido no teste Clearblue mostra que a hormona beta-HCG está a desaparecer do corpo (que pode demorar de 4 a 6 semanas). Não posso dizer que foi bom enquanto durou, não me foi dada essa oportunidade. Foram 4 os filhos que perdemos até agora.
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