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domingo, 16 de dezembro de 2018
Domingo, pois claro...
A intensificação das dores deixava adivinhar que estava para chegar e, em mais um domingo, apareceu. Que previsível...
Lisboa no horizonte
Após horas de pesquisa, não me sentia confiante em marcar consulta com algum profissional daqui do norte. A experiência que tive em hematologia não me deixou confortável para arriscar alguém que pudesse andar com suposições e principalmente silêncios, à semelhança do que tem acontecido até aqui.
Entrei em contacto com o Hospital CUF Descobertas para tentar marcar uma primeira consulta com o Dr. J. L., pois tinha lido que ele não aceita primeiras consultas (o que é, no mínimo, estranho). Quando fui atendida e referi que desejava marcar consulta, ouvi essa mesma história, no entanto pediram-me que aguardasse, para confirmarem se ele estaria recetivo a fazê-lo novamente. Claro que antes da "confirmação" solicitaram-me algumas informações sobre o que me levou a entrar em contacto com o hospital e se tive recomendação do Dr. J. por parte de alguém. Respondi que tento ser mãe há 7 anos, estou a ser acompanhada pela Unidade de Medicina de Reprodução do HSJ e que me encontro a passar pela quarta perda gestacional. Pessoalmente acho que este entrave é uma manobra de marketing ou então um filtro para não sobrecarregar a agenda do médico. Alguns minutos depois da música que me dava vontade de chorar ouvi do outro lado que sim, ele aceita novamente primeiras consultas. Estranho, não?! Será que é para nos sentirmos especiais e esperançosas? O único senão é que a administrativa ainda não começou a organização da agenda de 2019 e terei de aguardar que me contactem para indicar a data. A pessoa que me atendeu leu um pequeno parágrafo que sintetizava a descrição do meu caso para eu dizer se concordava/discordava ou se queria acrescentar alguma coisa. Quis também saber se a recomendação surgiu de algum médico ou paciente e confirmei que foi através de paciente. Aproveitei para dar umas informações adicionais como o número total de transferências realizadas e de embriões, assim como a altura em que as perdas têm ocorrido. Soube que quem organiza a agenda lê essa síntese. Inicialmente perguntaram se queria consulta de ginecologia ou obstetrícia, após o micro-resumo fui proposta para consulta de trombofilia. As marcações são efetuadas pelo juízo de valor daquelas palavrinhas que vão ser traduzidas numa espécie de prioridade? Até ao momento isto parece um pouco ficcionado e fora do planeta a que estou habituada. Aproveitei para esclarecer questões relacionadas com exames que deva levar, se posso fazer registos com a síntese dos procedimentos e é nisso que me tenho debruçado, já que tenho pouca coisa oficial na minha posse. Não tenho todos os relatórios das TEC, em alguns há erros de datas, copy paste descontextualizado e a informação é quase nula. Eu, na qualidade de paciente, acho que aquilo pouco ou nada diz, se eu fosse um profissional de saúde que quisesse tirar alguma conclusão a partir daquele documento ficaria a saber o mesmo. É impossível avaliar-se adequadamente alguém com um relatório daquela natureza. Do hospital o que me faz mais falta é o resultado dos cariótipos e da biópsia da histeroscopia (sobre isto nunca me disseram nada), só me prescreveram o antibiótico. Vou ver o que posso fazer em relação a isso. Se calhar arranjo consulta em Lisboa antes de conseguir essas cópias.
Já elaborei uma tabela em que, em apenas uma página, sintetizei tudo sobre as sete transferências. Incluí dados sobre os embriões, as datas em que os medicamentos começaram a ser introduzidos, resultados de beta, perdas de sangue, em que momentos foram feitos o estudo das trombofilias, histeroscopia e ecografias relevantes. Estou orgulhosa desse trabalho e espero que venha a ser útil. Vou elaborar outra tabela com algum histórico relativamente aos ciclos (neste caso ausência deles), hipotiroidismo, induções realizadas com citrato de clomifeno, IIU e FIV. Assim, em apenas uma folha, vou resumir 24 anos do meu sistema reprodutor. Este blogue foi uma ajuda gigante, facilitou muito mais do que se tivesse de reunir e analisar papeis.
Atualmente e desde há dois dias, sinto dores menstruais que hoje estão mais intensas mas até ao momento ainda não se traduziu em operação de limpeza. Este cedo anúncio indica que o útero não vai ser brando.
Estou a tentar reerguer-me e virar novamente a página desta coisa maldita que vai entrar comigo, daqui a umas semanas, nos 39 anos.
Entrei em contacto com o Hospital CUF Descobertas para tentar marcar uma primeira consulta com o Dr. J. L., pois tinha lido que ele não aceita primeiras consultas (o que é, no mínimo, estranho). Quando fui atendida e referi que desejava marcar consulta, ouvi essa mesma história, no entanto pediram-me que aguardasse, para confirmarem se ele estaria recetivo a fazê-lo novamente. Claro que antes da "confirmação" solicitaram-me algumas informações sobre o que me levou a entrar em contacto com o hospital e se tive recomendação do Dr. J. por parte de alguém. Respondi que tento ser mãe há 7 anos, estou a ser acompanhada pela Unidade de Medicina de Reprodução do HSJ e que me encontro a passar pela quarta perda gestacional. Pessoalmente acho que este entrave é uma manobra de marketing ou então um filtro para não sobrecarregar a agenda do médico. Alguns minutos depois da música que me dava vontade de chorar ouvi do outro lado que sim, ele aceita novamente primeiras consultas. Estranho, não?! Será que é para nos sentirmos especiais e esperançosas? O único senão é que a administrativa ainda não começou a organização da agenda de 2019 e terei de aguardar que me contactem para indicar a data. A pessoa que me atendeu leu um pequeno parágrafo que sintetizava a descrição do meu caso para eu dizer se concordava/discordava ou se queria acrescentar alguma coisa. Quis também saber se a recomendação surgiu de algum médico ou paciente e confirmei que foi através de paciente. Aproveitei para dar umas informações adicionais como o número total de transferências realizadas e de embriões, assim como a altura em que as perdas têm ocorrido. Soube que quem organiza a agenda lê essa síntese. Inicialmente perguntaram se queria consulta de ginecologia ou obstetrícia, após o micro-resumo fui proposta para consulta de trombofilia. As marcações são efetuadas pelo juízo de valor daquelas palavrinhas que vão ser traduzidas numa espécie de prioridade? Até ao momento isto parece um pouco ficcionado e fora do planeta a que estou habituada. Aproveitei para esclarecer questões relacionadas com exames que deva levar, se posso fazer registos com a síntese dos procedimentos e é nisso que me tenho debruçado, já que tenho pouca coisa oficial na minha posse. Não tenho todos os relatórios das TEC, em alguns há erros de datas, copy paste descontextualizado e a informação é quase nula. Eu, na qualidade de paciente, acho que aquilo pouco ou nada diz, se eu fosse um profissional de saúde que quisesse tirar alguma conclusão a partir daquele documento ficaria a saber o mesmo. É impossível avaliar-se adequadamente alguém com um relatório daquela natureza. Do hospital o que me faz mais falta é o resultado dos cariótipos e da biópsia da histeroscopia (sobre isto nunca me disseram nada), só me prescreveram o antibiótico. Vou ver o que posso fazer em relação a isso. Se calhar arranjo consulta em Lisboa antes de conseguir essas cópias.
Já elaborei uma tabela em que, em apenas uma página, sintetizei tudo sobre as sete transferências. Incluí dados sobre os embriões, as datas em que os medicamentos começaram a ser introduzidos, resultados de beta, perdas de sangue, em que momentos foram feitos o estudo das trombofilias, histeroscopia e ecografias relevantes. Estou orgulhosa desse trabalho e espero que venha a ser útil. Vou elaborar outra tabela com algum histórico relativamente aos ciclos (neste caso ausência deles), hipotiroidismo, induções realizadas com citrato de clomifeno, IIU e FIV. Assim, em apenas uma folha, vou resumir 24 anos do meu sistema reprodutor. Este blogue foi uma ajuda gigante, facilitou muito mais do que se tivesse de reunir e analisar papeis.
Atualmente e desde há dois dias, sinto dores menstruais que hoje estão mais intensas mas até ao momento ainda não se traduziu em operação de limpeza. Este cedo anúncio indica que o útero não vai ser brando.
Estou a tentar reerguer-me e virar novamente a página desta coisa maldita que vai entrar comigo, daqui a umas semanas, nos 39 anos.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Beta 3 - TEC 7
Mais um final, o quarto... O resultado foi negativo.
Segue-se nova reunião em janeiro para analisar o extraterrestre. Nessa altura entrarei em contacto com o HSJ para saber se há alguma coisa definida. Enquanto isso vou seguir a sugestão de procurar alguém especializado em abortos de repetição. Do que tenho visto na web, aqui pelo Porto não há ninguém que se dedique a essa área. Estou inclinada em marcar consulta com o Dr. Pedro Xavier mas não sei se será a melhor opção nesta área geográfica.
Segue-se nova reunião em janeiro para analisar o extraterrestre. Nessa altura entrarei em contacto com o HSJ para saber se há alguma coisa definida. Enquanto isso vou seguir a sugestão de procurar alguém especializado em abortos de repetição. Do que tenho visto na web, aqui pelo Porto não há ninguém que se dedique a essa área. Estou inclinada em marcar consulta com o Dr. Pedro Xavier mas não sei se será a melhor opção nesta área geográfica.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Farta de sangue!
No próximo domingo vai fazer 4 semanas que tive a hemorragia surreal que ditou o fim de mais uma gravidez. Desde aí que tenho perdas e há cerca de duas semanas limitavam-se a um corrimento castanho com libertação esporádica de coágulos. Esta noite, porém, acordei com dores na zona dos rins que se prolongaram durante algumas horas. Quando me levantei regressou a expulsão de vários coágulos e sangue vivo, tal como naquela fatídica tarde de domingo. Ainda não tem a mesma abundância mas o ato de me levantar significa saída de conteúdo. Lamento a descrição mas é a realidade com que estou a dar de caras.
Pensava que na altura do Natal a situação estivesse sanada e pudesse "esquecer" um pouco o assunto. Ao invés de sentir uma felicidade interior por faltar pouco tempo para atingir as 12 semanas de gravidez, de cada vez que vou à casa de banho ou me mexo, recordo-me que mais uma vez perdi um filho.
Participo no fórum demaeparamae e hoje li uma notícia muito triste de uma lutadora que há 9 anos tenta ser mãe. No último tratamento que podia fazer pelo SNS engravidou de gémeos. Está a passar por uma dor inimaginável e neste momento resta uma mãe destroçada e uma pequena bebé a lutar por se manter mais algum tempo a desenvolver no útero. ju-ju-ju não sei se vais ler este post mas desejo, do fundo do coração, que agora tudo corra pelo melhor.
São estes episódios que tiram toda a tranquilidade a positivos e barreiras de 3 meses. Convença-se quem faz estas caminhadas que um positivo tem pouco significado.
Pensava que na altura do Natal a situação estivesse sanada e pudesse "esquecer" um pouco o assunto. Ao invés de sentir uma felicidade interior por faltar pouco tempo para atingir as 12 semanas de gravidez, de cada vez que vou à casa de banho ou me mexo, recordo-me que mais uma vez perdi um filho.
Participo no fórum demaeparamae e hoje li uma notícia muito triste de uma lutadora que há 9 anos tenta ser mãe. No último tratamento que podia fazer pelo SNS engravidou de gémeos. Está a passar por uma dor inimaginável e neste momento resta uma mãe destroçada e uma pequena bebé a lutar por se manter mais algum tempo a desenvolver no útero. ju-ju-ju não sei se vais ler este post mas desejo, do fundo do coração, que agora tudo corra pelo melhor.
São estes episódios que tiram toda a tranquilidade a positivos e barreiras de 3 meses. Convença-se quem faz estas caminhadas que um positivo tem pouco significado.
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Ecografia de 6 semanas, mas não para mim
Fui picar ponto, mais uma vez, para fazer aquela que seria a ecografia das primeiras grandes emoções, se a vida fosse bela. Como o sol nasceu para outros lados que não o meu, limitei-me a ver o útero com ar heterogéneo, ainda com restos no cenário que outrora acolhera vida. A hemorragia continua vigorosa, no entanto consigo fazer uma vida minimamente normal se recorrer a apêndices XL em tamanho e capacidade de absorção, caso queira passar mais do que alguns minutos sem fazer visita à casa de banho. O momento ecografia/consulta foi ao estilo do que o HSJ já me habituou. É quase como se estivesse de passagem, com uma conversa rápida, porque há muito serviço à espera lá fora. Sem nos ser perguntado se pretendemos arriscar mais uma estimulação, uma vez que carregamos uma bagagem penosa, a médica tratou logo de delinear o programa das próximas festas. Vou deixar terminar esta hemorragia, menstruar outra vez e aí vai ser apurado se o organismo foi eficiente na limpeza ou permaneceu alguma coisa. Se tudo estiver em ordem reanalisa-se todo o trajeto para procurar alguma ponta solta e parte-se para nova estimulação. Simples, certo? Eu acho assustador este pragmatismo que resulta de não se saber muito bem quem se tem à frente...
Perguntou-me várias vezes se se chegou a ver saquinho. Eu disse que sim, no entanto como ainda era cedo não se via o embrião. Rematou em seguida com uma afirmação que me deixou pensativa. Disse que o valor do beta foi baixinho, sendo preferível que ultrapasse 90. Com aquele resultado reduzido seria provável que o embrião tivesse anomalias nos cromossomas. Questionei se não era estranho acontecer nas três vezes em que engravidei. Ela não quis desenvolver mais o assunto, porque todo o processo tem de ser visto com atenção. Não houve nenhuma amostra que fosse para análise, por isso há menos pistas.
Domingo senti-me verdadeiramente impotente e revoltada. Tentava não me movimentar muito devido à ideia parva de achar que o embrião podia resolver fixar-se outra vez e conseguisse reverter a situação. Ficava aterrada de cada vez que ia à casa de banho e aqueles imensos e numerosos coágulos caiam automaticamente para o fundo da sanita sem ter qualquer hipótese de recolher, sei lá como, tudo o que saía dentro de mim para poder levar para análise. Sentia uma culpa gigantesca por nem sequer ter a capacidade de reservar a miséria que era expulsa do meu corpo. Mais uma vez pairava sobre mim a palavra "falhada", nem para isso servia. Cada centímetro que mexesse no corpo significava que a torneira abria sem piedade, o que reduzia as hipóteses de esclarecer o mistério da anomalia do embrião. Na única vez em que não houve dúvidas da existência de um saco gestacional, perdi a oportunidade de saber mais acerca dele. É irónico como este organismo que me define não tem iniciativa para menstruar mas a abortar é exímio.
Bom, parece que vêm aí novas temporadas desta novela surreal em que se tornou a infertilidade. I'll be back!
Perguntou-me várias vezes se se chegou a ver saquinho. Eu disse que sim, no entanto como ainda era cedo não se via o embrião. Rematou em seguida com uma afirmação que me deixou pensativa. Disse que o valor do beta foi baixinho, sendo preferível que ultrapasse 90. Com aquele resultado reduzido seria provável que o embrião tivesse anomalias nos cromossomas. Questionei se não era estranho acontecer nas três vezes em que engravidei. Ela não quis desenvolver mais o assunto, porque todo o processo tem de ser visto com atenção. Não houve nenhuma amostra que fosse para análise, por isso há menos pistas.
Domingo senti-me verdadeiramente impotente e revoltada. Tentava não me movimentar muito devido à ideia parva de achar que o embrião podia resolver fixar-se outra vez e conseguisse reverter a situação. Ficava aterrada de cada vez que ia à casa de banho e aqueles imensos e numerosos coágulos caiam automaticamente para o fundo da sanita sem ter qualquer hipótese de recolher, sei lá como, tudo o que saía dentro de mim para poder levar para análise. Sentia uma culpa gigantesca por nem sequer ter a capacidade de reservar a miséria que era expulsa do meu corpo. Mais uma vez pairava sobre mim a palavra "falhada", nem para isso servia. Cada centímetro que mexesse no corpo significava que a torneira abria sem piedade, o que reduzia as hipóteses de esclarecer o mistério da anomalia do embrião. Na única vez em que não houve dúvidas da existência de um saco gestacional, perdi a oportunidade de saber mais acerca dele. É irónico como este organismo que me define não tem iniciativa para menstruar mas a abortar é exímio.
Bom, parece que vêm aí novas temporadas desta novela surreal em que se tornou a infertilidade. I'll be back!
domingo, 19 de novembro de 2017
Malditos domingos
Vi o meu pai a sucumbir à vida num maldito domingo à tarde, outros dois domingos, sensivelmente à mesma hora, foram brindados com um dilúvio que ditava o fim de dois filhos meus. Hoje foi um desses dias.
Vim há pouco das urgências e o que resta no meu útero são coágulos. Estou com uma hemorragia como nunca tive. Cada movimento que faço é sinónimo de jatos de coágulos e sangue.
Depois das perdas que tive na quarta-feira elas cessaram e tudo corria harmoniosamente até ao início desta tarde em que, ao limpar-me, o papel ficou todo pintado. Duas horas mais tarde veio o inacreditável. Jorros e mais jorros de coágulos, um escorrer contínuo de sangue, sempre que dou um passo sai mais um jato. À partida o processo vai deixar o útero sem vestígios de gravidez.
Antes de ser chamada para o gabinete da médica fui à enfermeira que me perguntou se era a primeira gravidez. Disse-lhe que era a terceira, então quis saber que tipo de parto tive nas gravidezes anteriores. Quando respondi que nenhuma chegou ao fim ela lembrou-se que já lá tinha estado. No consultório após a confirmação do aborto, a médica aconselhou a que enquanto tivesse oportunidade de fazer ciclos de tratamento para não desistir. Este foi o passo mais longo que dei até ao momento, uma vez que já foi visto um saco. Preciso que chegue o dia 23 para dar um pouco de luz a toda a confusão que tenho dentro da cabeça.
Estou com dores e a desfazer-me. Por que é que tenho de passar por isto?
Vim há pouco das urgências e o que resta no meu útero são coágulos. Estou com uma hemorragia como nunca tive. Cada movimento que faço é sinónimo de jatos de coágulos e sangue.
Depois das perdas que tive na quarta-feira elas cessaram e tudo corria harmoniosamente até ao início desta tarde em que, ao limpar-me, o papel ficou todo pintado. Duas horas mais tarde veio o inacreditável. Jorros e mais jorros de coágulos, um escorrer contínuo de sangue, sempre que dou um passo sai mais um jato. À partida o processo vai deixar o útero sem vestígios de gravidez.
Antes de ser chamada para o gabinete da médica fui à enfermeira que me perguntou se era a primeira gravidez. Disse-lhe que era a terceira, então quis saber que tipo de parto tive nas gravidezes anteriores. Quando respondi que nenhuma chegou ao fim ela lembrou-se que já lá tinha estado. No consultório após a confirmação do aborto, a médica aconselhou a que enquanto tivesse oportunidade de fazer ciclos de tratamento para não desistir. Este foi o passo mais longo que dei até ao momento, uma vez que já foi visto um saco. Preciso que chegue o dia 23 para dar um pouco de luz a toda a confusão que tenho dentro da cabeça.
Estou com dores e a desfazer-me. Por que é que tenho de passar por isto?
terça-feira, 11 de julho de 2017
Beta 8 - fim de mais um capítulo
Ontem foi feita a derradeira colheita de sangue mas o hospital deve ter-se esquecido de me contactar, então hoje telefonei para saber se finalmente se confirmava um resultado negativo. De facto a hormona já cá não circula.
Estava a supor que não tivesse beta-hCG no sangue, porque acredite-se ou não, a minha gata é um detetor muito eficiente. Durante a fase em que a hormona apresentava valores positivos ela massajava-me a barriga e deitava-se ao longo da mesma, quando o seu hábito é deitar-se no meu peito. As massagens costuma normalmente reservá-las para o meu pescoço ou cabelo. Desde meados da semana passada deixou de dar prestar atenção à barriga.
Quinta-feira vou assinar o consentimento para a realização da histeroscopia e só então poderá ser feito o seu pedido.
A hemorragia cessou definitivamente no domingo, ou seja, durou 17 dias desde o início das perdas que anunciavam o aborto até ao fim de semana passado.
Dou por encerrada a TEC 4 e a ilusão de que o fim da tortura era possível.
Estava a supor que não tivesse beta-hCG no sangue, porque acredite-se ou não, a minha gata é um detetor muito eficiente. Durante a fase em que a hormona apresentava valores positivos ela massajava-me a barriga e deitava-se ao longo da mesma, quando o seu hábito é deitar-se no meu peito. As massagens costuma normalmente reservá-las para o meu pescoço ou cabelo. Desde meados da semana passada deixou de dar prestar atenção à barriga.
Quinta-feira vou assinar o consentimento para a realização da histeroscopia e só então poderá ser feito o seu pedido.
A hemorragia cessou definitivamente no domingo, ou seja, durou 17 dias desde o início das perdas que anunciavam o aborto até ao fim de semana passado.
Dou por encerrada a TEC 4 e a ilusão de que o fim da tortura era possível.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Beta 7
Pensava que ia agendar a histeroscopia mas o beta ainda está em 621. Daqui a uma semana faço a oitava colheita deste filme interminável que já ultrapassa a série Rocky. Tendo em conta que a hormona pode demorar até 6 semanas a desaparecer do corpo, poderei ter de fazer mais análises. É como se fosse picar o cartão ao hospital. Quando finalmente puder ser agendada a histeroscopia ainda terei de lá ir assinar um consentimento, porque esse exame é considerado ato cirúrgico.
A hemorragia está nos restinhos, daqui a dois dias já não deve haver vestígios de nada.
Aquilo que queria neste momento era encerrar definitivamente este capítulo para o luto não perpetuar indefinidamente. Posso dizer que estou bem, mas há situações que exigem um ponto final para proporcionar mais alívio. Esta é uma delas...
Outra coisa em que tenho pensado é que, o que me traria mais alguma esperança seria que na histeroscopia fosse encontrada alguma anomalia (pólipos ou miomas não detetados nas ecografias), de fácil resolução e que tivesse sido essa a causa das falhas de implantação. Se atender à hereditariedade não é impossível (a minha mãe tinha) e eu mesma tenho desenvolvido pólipos no estômago há muitos anos. Dar-me-ia mais alento esse diagnóstico do que estar tudo bem e ficar a pensar que o problema pode estar centrado nos mini-nós. A dúvida a esse nível persistirá sempre, porque não tenho condições financeiras para embarcar em tudo o que envolve uma PGS.
A hemorragia está nos restinhos, daqui a dois dias já não deve haver vestígios de nada.
Aquilo que queria neste momento era encerrar definitivamente este capítulo para o luto não perpetuar indefinidamente. Posso dizer que estou bem, mas há situações que exigem um ponto final para proporcionar mais alívio. Esta é uma delas...
Outra coisa em que tenho pensado é que, o que me traria mais alguma esperança seria que na histeroscopia fosse encontrada alguma anomalia (pólipos ou miomas não detetados nas ecografias), de fácil resolução e que tivesse sido essa a causa das falhas de implantação. Se atender à hereditariedade não é impossível (a minha mãe tinha) e eu mesma tenho desenvolvido pólipos no estômago há muitos anos. Dar-me-ia mais alento esse diagnóstico do que estar tudo bem e ficar a pensar que o problema pode estar centrado nos mini-nós. A dúvida a esse nível persistirá sempre, porque não tenho condições financeiras para embarcar em tudo o que envolve uma PGS.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Nova consulta
Uma vez que ontem fiz ecografia e o sexto beta, hoje a médica analisou as informações deixadas pelos colegas da urgência e achou que não era necessário repetir ecografia. Enquanto o beta não for negativo não poderá ser marcada a histeroscopia. Daqui a uma semana faço o sétimo e espero que seja o último beta desta jornada. Ficou a recomendação de que se tiver dores fortes ou aumento significativo da hemorragia, voltar à urgência.
Desta vez as dores menstruais estão bem presentes. De todas as menstruações que tive depois de uma TEC esta é, sem sombra de dúvidas, a mais abundante e dolorosa. Parece a primeira e única vez que menstruei espontaneamente, lá pelo ano de 1994. Este mau estar está a deixar-me mais abatida, pois faz-me pensar no motivo que o causou.
Somam-se 8 mini-nós nesta conta interminável. "Basta um" ouve-se e lê-se em todo o lado, "à terceira é de vez", "quando menos esperares, acontece". Sou adepta do "ver para crer"...
Desta vez as dores menstruais estão bem presentes. De todas as menstruações que tive depois de uma TEC esta é, sem sombra de dúvidas, a mais abundante e dolorosa. Parece a primeira e única vez que menstruei espontaneamente, lá pelo ano de 1994. Este mau estar está a deixar-me mais abatida, pois faz-me pensar no motivo que o causou.
Somam-se 8 mini-nós nesta conta interminável. "Basta um" ouve-se e lê-se em todo o lado, "à terceira é de vez", "quando menos esperares, acontece". Sou adepta do "ver para crer"...
domingo, 25 de junho de 2017
Bravo guerreiro
Como tinha referido na sexta-feira passada comecei a ter perdas. Iniciaram com um tom castanho, seguido de uma pasta com textura de creme de chocolate, ontem chegaram umas leves cólicas menstruais e hoje, após o almoço, o sangue vivo com vários coágulos. As dores aumentaram de intensidade, há muito tempo que não as sentia assim. Aguentei-me na terrinha até às 18h e quando regressei fui à urgência para me certificar que a proveniência da hemorragia era do útero e não de outro sítio qualquer.
A jovem médica que me atendeu, depois de observar e sentir as entranhas que libertavam coágulos fez ecografia e encontrou uma imagem que lhe parecia um pequeno saco com um descolamento. Mediu-o, procurou batimentos cardíacos mas não estava certa do que tinha à frente. Perguntou-me se não me importava que um colega mais velho viesse dar opinião. Não me importei, obviamente, então entrou um colega que devia ser quase da mesma idade, ambos mais novos que eu certamente. Ele parecia mais seguro que a colega e disse que aquelas manchas seriam coágulos a descolar, não havia líquido que indiciasse gravidez ectópica e o mais indicado seria fazer outro beta. O médico perguntou se já tínhamos jantado pois, como o resultado da análise ainda demorava pelo menos umas 2 horas, podíamos comer alguma coisa no centro comercial junto ao hospital. Assim o fizemos e regressámos à urgência. Neste momento o beta está em 1028, ou seja, estou a abortar. Amanhã de manhã estava previsto fazer ecografia, agora deverá ser encerrar este capítulo e marcar histeroscopia. As dores menstruais são contínuas, podiam dar algumas tréguas.
Este fim de semana tinha entrado nas hipotéticas 8 semanas. O meu bravo guerreiro aguentou-me muito tempo. Foi discreto, um pedacinho de coragem que ousou desafiar as probabilidades e quase me levou a crer em coisas transcendentais. Tornou-se a mais próxima materialização de um filho.
Enquanto lidava com a perda, iam chegando grávidas de 37 e 38 semanas com contrações, que suspeitavam encontrar-se em trabalho de parto e uma mulher bastante decidida que disse querer fazer uma IVG.
A vida, a morte (involuntária ou planeada) num mesmo piso, com expectativas e receios distintos. Um dia marcante na vida de uma pessoa, a rotina de quem lá trabalha.
A jovem médica que me atendeu, depois de observar e sentir as entranhas que libertavam coágulos fez ecografia e encontrou uma imagem que lhe parecia um pequeno saco com um descolamento. Mediu-o, procurou batimentos cardíacos mas não estava certa do que tinha à frente. Perguntou-me se não me importava que um colega mais velho viesse dar opinião. Não me importei, obviamente, então entrou um colega que devia ser quase da mesma idade, ambos mais novos que eu certamente. Ele parecia mais seguro que a colega e disse que aquelas manchas seriam coágulos a descolar, não havia líquido que indiciasse gravidez ectópica e o mais indicado seria fazer outro beta. O médico perguntou se já tínhamos jantado pois, como o resultado da análise ainda demorava pelo menos umas 2 horas, podíamos comer alguma coisa no centro comercial junto ao hospital. Assim o fizemos e regressámos à urgência. Neste momento o beta está em 1028, ou seja, estou a abortar. Amanhã de manhã estava previsto fazer ecografia, agora deverá ser encerrar este capítulo e marcar histeroscopia. As dores menstruais são contínuas, podiam dar algumas tréguas.
Este fim de semana tinha entrado nas hipotéticas 8 semanas. O meu bravo guerreiro aguentou-me muito tempo. Foi discreto, um pedacinho de coragem que ousou desafiar as probabilidades e quase me levou a crer em coisas transcendentais. Tornou-se a mais próxima materialização de um filho.
Enquanto lidava com a perda, iam chegando grávidas de 37 e 38 semanas com contrações, que suspeitavam encontrar-se em trabalho de parto e uma mulher bastante decidida que disse querer fazer uma IVG.
A vida, a morte (involuntária ou planeada) num mesmo piso, com expectativas e receios distintos. Um dia marcante na vida de uma pessoa, a rotina de quem lá trabalha.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Consulta
Foi o dia da consulta que marquei antes de saber em que filme esta gravidez se ia tornar. Primeiro fizemos o balanço do que sucedeu nestas últimas semanas. A prioridade é descobrir se a gravidez é ectópica. Caso não o seja, que cenários poderão esperar-se, sendo que o menos provável é o desenvolvimento normal da gravidez. A diretora ainda referiu a possibilidade de ser uma gravidez natural mas expliquei-lhe o motivo de ser impossível e ela concordou comigo.
Depois de analisada a situação da gravidez disse-lhe que marquei a consulta para vermos o que poderá ser feito, partindo do princípio que não tarda muito seguir-se-á outra TEC. Perguntei se havia limitações do hospital para se estudarem as causas deste insucesso ou se teria que o fazer fora. Ela respondeu que o que se faz fora também pode ser realizado lá. A questão é que não há muito a investigar. As trombofilias estão analisadas e o Cartia já foi prescrito empiricamente por não haver uma evidência que justificasse a sua extrema necessidade.
Outra questão que coloquei foi relativa à hipótese do meu sistema imunitário estar a rejeitar os embriões. Algo a tentar futuramente, é adicionar um corticoide, novamente numa base empírica.
No que diz respeito ao endométrio nunca houve problemas em este atingir a morfologia ideal para receber embriões. Foi-me questionado se já fiz histeroscopia e isso ainda não aconteceu. O próximo passo depois de mudar de capítulo vai ser fazer esse exame.
Uma causa para as falhas de implantação poderia ser a qualidade dos embriões, que não se aplica ao meu caso. São sempre bons e nunca houve problemas depois de serem retirados da criopreservação. Não significa, no entanto, que não tenham uma alteração nos cromossomas. Como tanto eu como o meu marido não temos nenhuma doença genética conhecida, o que nos restaria seria a PGS (Pre-implantation Genetic Screening). Desde logo a médica disse que o HSJ, nem qualquer outro hospital público tem dotação financeira para fazer esta técnica que ronda os 10 000 euros. Consiste em fazer-se uma estimulação e aos embriões resultantes retirar algumas células que serão posteriormente estudadas. Até aqui em nada difere de um DGPI. Em seguida recorrendo a marcadores tentam encontrar-se genes para as doenças mais comuns. É então feita a seleção dos embriões com mais hipóteses de sucesso. Pode dar-se a situação de haver embriões com alterações completamente compatíveis com uma vida normal. O que esse estudo não garante, como em qualquer transferência, é que vá resultar numa gravidez bem sucedida.
Um facto é que não são normais todas estas falhas, a Dra S. admitiu-o e agora eu e o meu marido vamos refletir acerca disto tudo.
Depois da consulta fui almoçar qualquer coisa à pressa. Quando cheguei ao trabalho fui à casa de banho e vi o que não queria. Estou com perdas iguais às que tive quando abortei da primeira vez. É noite de S. João com familiares do lado do meu marido, amanhã ele faz anos e domingo vou à terrinha ver a minha mãe com quem não estou desde a semana anterior à Páscoa.
Segunda-feira provavelmente já não se vai encontrar nada na ecografia.
Depois de analisada a situação da gravidez disse-lhe que marquei a consulta para vermos o que poderá ser feito, partindo do princípio que não tarda muito seguir-se-á outra TEC. Perguntei se havia limitações do hospital para se estudarem as causas deste insucesso ou se teria que o fazer fora. Ela respondeu que o que se faz fora também pode ser realizado lá. A questão é que não há muito a investigar. As trombofilias estão analisadas e o Cartia já foi prescrito empiricamente por não haver uma evidência que justificasse a sua extrema necessidade.
Outra questão que coloquei foi relativa à hipótese do meu sistema imunitário estar a rejeitar os embriões. Algo a tentar futuramente, é adicionar um corticoide, novamente numa base empírica.
No que diz respeito ao endométrio nunca houve problemas em este atingir a morfologia ideal para receber embriões. Foi-me questionado se já fiz histeroscopia e isso ainda não aconteceu. O próximo passo depois de mudar de capítulo vai ser fazer esse exame.
Uma causa para as falhas de implantação poderia ser a qualidade dos embriões, que não se aplica ao meu caso. São sempre bons e nunca houve problemas depois de serem retirados da criopreservação. Não significa, no entanto, que não tenham uma alteração nos cromossomas. Como tanto eu como o meu marido não temos nenhuma doença genética conhecida, o que nos restaria seria a PGS (Pre-implantation Genetic Screening). Desde logo a médica disse que o HSJ, nem qualquer outro hospital público tem dotação financeira para fazer esta técnica que ronda os 10 000 euros. Consiste em fazer-se uma estimulação e aos embriões resultantes retirar algumas células que serão posteriormente estudadas. Até aqui em nada difere de um DGPI. Em seguida recorrendo a marcadores tentam encontrar-se genes para as doenças mais comuns. É então feita a seleção dos embriões com mais hipóteses de sucesso. Pode dar-se a situação de haver embriões com alterações completamente compatíveis com uma vida normal. O que esse estudo não garante, como em qualquer transferência, é que vá resultar numa gravidez bem sucedida.
Um facto é que não são normais todas estas falhas, a Dra S. admitiu-o e agora eu e o meu marido vamos refletir acerca disto tudo.
Depois da consulta fui almoçar qualquer coisa à pressa. Quando cheguei ao trabalho fui à casa de banho e vi o que não queria. Estou com perdas iguais às que tive quando abortei da primeira vez. É noite de S. João com familiares do lado do meu marido, amanhã ele faz anos e domingo vou à terrinha ver a minha mãe com quem não estou desde a semana anterior à Páscoa.
Segunda-feira provavelmente já não se vai encontrar nada na ecografia.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Suspeitas confirmadas
- Sente-se bem? - perguntou-me a diretora do serviço.
- Estranhamente bem - respondi.
- Gravidez não é doença!
- Sim, eu sei, mas tenho dificuldade em acreditar que possa estar tudo bem.
- Teve perdas?
- Não, não aconteceu nada de anormal.
Começou a busca mas apesar das expressões faciais das três pessoas que estavam a olhar para o ecrã manterem-se neutras, percebi pelos cochichos que algo não estava bem. A determinada altura a procura expandiu para os ovários. Mal a ecografia iniciou vi que não encontravam nada.
- Não há nada no útero nem nas trompas, vai repetir o beta. Apesar de já ser tarde, faz na mesma a colheita de sangue e a Dra A.M. telefona-lhe à tarde para falar consigo. Temos de ver o que se está a passar. Tinha razão nas suas suspeitas. - finalizou a diretora.
Fui ter com a enfermeira à sala de recobro onde duas senhoras recuperavam da punção.
- Mais do mesmo? - questionou-me a enfermeira.
- Sim.
Não estou aterrada, não consigo chorar talvez por estar mais mentalizada que o mau iria sobrepor-se ao bom. Sinto-me em baixo e com vontade de me desligar daqui do meu quotidiano. Infelizmente isso só vai acontecer em agosto. Precisava disso agora. O meu marido ficou abatido, dizia que nunca esteve tão confiante como desta vez. Vamos apostar nos 4 embriões que sobram e depois refletir sobre o futuro, caso essas transferências não resultem.
Aguardo o telefonema da tarde para dar fim a mais uma gravidez relâmpago.
- Estranhamente bem - respondi.
- Gravidez não é doença!
- Sim, eu sei, mas tenho dificuldade em acreditar que possa estar tudo bem.
- Teve perdas?
- Não, não aconteceu nada de anormal.
Começou a busca mas apesar das expressões faciais das três pessoas que estavam a olhar para o ecrã manterem-se neutras, percebi pelos cochichos que algo não estava bem. A determinada altura a procura expandiu para os ovários. Mal a ecografia iniciou vi que não encontravam nada.
- Não há nada no útero nem nas trompas, vai repetir o beta. Apesar de já ser tarde, faz na mesma a colheita de sangue e a Dra A.M. telefona-lhe à tarde para falar consigo. Temos de ver o que se está a passar. Tinha razão nas suas suspeitas. - finalizou a diretora.
Fui ter com a enfermeira à sala de recobro onde duas senhoras recuperavam da punção.
- Mais do mesmo? - questionou-me a enfermeira.
- Sim.
Não estou aterrada, não consigo chorar talvez por estar mais mentalizada que o mau iria sobrepor-se ao bom. Sinto-me em baixo e com vontade de me desligar daqui do meu quotidiano. Infelizmente isso só vai acontecer em agosto. Precisava disso agora. O meu marido ficou abatido, dizia que nunca esteve tão confiante como desta vez. Vamos apostar nos 4 embriões que sobram e depois refletir sobre o futuro, caso essas transferências não resultem.
Aguardo o telefonema da tarde para dar fim a mais uma gravidez relâmpago.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Depuração
Começou na quinta-feira da semana passada. Ao contrário do que pensava está a ser bastante pacífica, marcada apenas por algumas dores no primeiro dia. Os coágulos são de pequenas dimensões, parece que nada de excecional aconteceu anteriormente.
Depois da primeira TEC o cenário era mais estranho, os coágulos abundavam em quantidade e tamanho.
Ia esquecer-me de referir que as perdas terminaram logo após a suspensão da medicação. Curioso, não? Li o folheto informativo de todos eles e nenhum refere a possibilidade de hemorragia.
Ora vislumbro com otimismo a chegada de janeiro, ora penso que esta seria a entrada na oitava semana, se não estou enganada (quero fugir um pouco das contas para atenuar a frustração).
Atrevi-me a comprar uma coisa na minha gravidez relâmpago. Não cheguei a usar ao aperceber-me do início das perdas. A tensão mamária estava a incomodar-me e tinha a sensação que a barriga ia rapidamente mostrar-se. Adquiri um creme simples que está fechado numa gaveta à espera de conhecer a luz do dia. Não o abri para evitar a oxidação prematura, pois os poucos minutos de felicidade que poderia ter foram constantemente abalados pelas palavras convictas que ecoavam na minha cabeça. Quando olhava para aquela embalagem pensava que tinha cometido um ato de masoquismo. Quem, no seu perfeito juízo, compraria um creme hidratante para aplicar numa barriga aliás, num corpo condenado desde o dia do positivo ao fracasso? Fi-lo, não sei porquê. Se calhar era a minha teimosa esperança a dizer que se o mantivesse imaculado até ter a certeza que não iria ser usado, serviria para cuidar de mim na gravidez resultante da TEC seguinte.
Prometo que se a próxima transferência não der em nada vou dar-lhe uso mesmo assim.
Depois da primeira TEC o cenário era mais estranho, os coágulos abundavam em quantidade e tamanho.
Ia esquecer-me de referir que as perdas terminaram logo após a suspensão da medicação. Curioso, não? Li o folheto informativo de todos eles e nenhum refere a possibilidade de hemorragia.
Ora vislumbro com otimismo a chegada de janeiro, ora penso que esta seria a entrada na oitava semana, se não estou enganada (quero fugir um pouco das contas para atenuar a frustração).
Atrevi-me a comprar uma coisa na minha gravidez relâmpago. Não cheguei a usar ao aperceber-me do início das perdas. A tensão mamária estava a incomodar-me e tinha a sensação que a barriga ia rapidamente mostrar-se. Adquiri um creme simples que está fechado numa gaveta à espera de conhecer a luz do dia. Não o abri para evitar a oxidação prematura, pois os poucos minutos de felicidade que poderia ter foram constantemente abalados pelas palavras convictas que ecoavam na minha cabeça. Quando olhava para aquela embalagem pensava que tinha cometido um ato de masoquismo. Quem, no seu perfeito juízo, compraria um creme hidratante para aplicar numa barriga aliás, num corpo condenado desde o dia do positivo ao fracasso? Fi-lo, não sei porquê. Se calhar era a minha teimosa esperança a dizer que se o mantivesse imaculado até ter a certeza que não iria ser usado, serviria para cuidar de mim na gravidez resultante da TEC seguinte.
Prometo que se a próxima transferência não der em nada vou dar-lhe uso mesmo assim.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Veredito
Numa rapidez atípica, assim que chegámos ao hospital dirigimo-nos, pela primeira vez os dois, para a sala de espera da zona de ecografia. Poucos minutos depois entrámos na sala da marquesa desconfortável.
O meu marido assistiu à caça do mini-nós perdido, contudo a busca foi infrutífera. Finda a pesquisa no útero o objetivo seguinte foi descartar uma gravidez ectópica. A esse nível também nada foi encontrado, felizmente. Os toques nos ovários foram tudo menos agradáveis.
Seguiu-se colheita de sangue para tirar qualquer dúvida existente relativamente à progressão/retrocesso da hormona beta-HCG.
Como é habitual em dia de beta, por volta das 12h30 regressámos ao HSJ para saber as notícias.
"Esteve quase lá mas ainda não foi suficiente. Teve o que se chama uma gravidez bioquímica. O valor da beta-HCG está a regredir."
Não foi nada que não estivesse à espera. Não sei explicar a razão mas à medida que os minutos passavam no consultório comecei a sentir um alívio o que, à primeira vista, parece uma crueldade. Passei de um estado de revolta e conformismo a um regresso de confiança. O facto de o desfecho ter sido formalizado trouxe-me o sossego que não senti nestas semanas desde o primeiro beta.
Olhando para o que aconteceu, com a cabeça mais fria, penso na hipótese mais frequente associada a este tipo de situação de aborto. Uma percentagem significativa destas perdas prematuras deve-se a uma seleção natural que o nosso corpo faz a embriões com problemas genéticos.
Foi-me entregue o relatório da TEC. A última medição realizada ao endométrio era de 8,3 mm de espessura. Relativamente à ecografia de hoje a cavidade uterina estava vazia, os ovários sem alterações, sem imagens anexiais suspeitas. O beta hoje foi de 29,82.
Agora as novidades. A próxima TEC será já em 2017. Inquiri, de forma intencional, se ia haver alterações no protocolo da sua preparação. A médica voltou com a história do Decapeptyl. Questionei qual o objetivo primordial desse fármaco e ela respondeu o que eu queria ouvir. Lá veio a justificação de garantir a inatividade dos ovários. Foi aí que referi que nunca menstruei com o Decapeptyl e há 22 anos que os meus ovários não trabalham espontaneamente. Finalmente alguém parou para me ouvir! Perante o que disse, a médica perguntou de quantos dias era o meu ciclo, ao que relembrei (pela n ésima vez) que não tenho ciclos, só medicada. Depois de todo este tempo e da minha insistência, uma das quatro especialistas por quem passamos, que até é a diretora do serviço, chegou à conclusão que o Decapapetyl não tem qualquer utilidade comigo!
Lutadoras: questionem uma, duas, três, quatro vezes, caso necessário, se alguma vez acharem que há algo no vosso acompanhamento que não faz sentido.
Após a brilhante conclusão ficou definido que vou induzir a menstruação com Provera (somos tu cá, tu lá há décadas), porque no meu caso não tenho outra hipótese. No terceiro dia desse ciclo farei ecografia e iniciarei automaticamente o Estrofem se assim for necessário. Vai ser uma espécie de ciclo natural, com a diferença que não haverá Pregnyl, porque eu não sou pessoa de ovular assim à balda!
O melhor disto é que ficou uma folhinha na parte da frente do meu processo com a indicação de não prescrever o Decapeptyl e o respetivo motivo, não fosse alguém tratar-me como um enlatado de uma máquina que faz sempre a mesma coisa.
Plano de ataque definido, vamos a datas. A primeira semana de janeiro está no horizonte, já à vista. Será aí que farei a primeira eco. É completamente possível nessa altura porque, para variar, quem manda nos meus pseudo-ciclos sou eu. Só preciso de fazer contas para prever, com um bom rigor, quando devo tomar o Provera para fazer acontecer magia vermelha. Vou atrever-me até a definir como objetivo a realização da TEC no dia em que completo 37 invernos, que é na segunda semana desse lindo mês. A transferência não será feita em dezembro pois haverá limpeza das condutas de ar condicionado no laboratório, que é obrigatória. É completamente compreensível essa situação e, por outro lado, o período natalício acaba por ser mais tranquilo.
Esta tempestade da gravidez ainda não terminou. Estou com perdas de sangue contínuas, embora pequenas, desde 2 de outubro. Poderei ainda sofrer dores intensas que não deverei ignorar, caso surjam. Desconfio também que daqui a uma semana, quando menstruar, haverá um dilúvio intercalado de enormes coágulos e sofrimento à mistura. A hemorragia não poderá prolongar-se por muito tempo sob pena de ficar anémica com tanta libertação de sangue ao longo de várias semanas consecutivas.
Em relação ao feedback neste período conturbado vou responder individualmente a cada guerreira que tanta força me tem dado, mas compreendam que já não será hoje. Estão no meu coração, não me esqueço de vocês e continuo sempre a emanar energia positiva para as vossas batalhas diárias.
Parte de mim está de luto, mas continuo na luta. A força anda aí.
O meu marido assistiu à caça do mini-nós perdido, contudo a busca foi infrutífera. Finda a pesquisa no útero o objetivo seguinte foi descartar uma gravidez ectópica. A esse nível também nada foi encontrado, felizmente. Os toques nos ovários foram tudo menos agradáveis.
Seguiu-se colheita de sangue para tirar qualquer dúvida existente relativamente à progressão/retrocesso da hormona beta-HCG.
Como é habitual em dia de beta, por volta das 12h30 regressámos ao HSJ para saber as notícias.
"Esteve quase lá mas ainda não foi suficiente. Teve o que se chama uma gravidez bioquímica. O valor da beta-HCG está a regredir."
Não foi nada que não estivesse à espera. Não sei explicar a razão mas à medida que os minutos passavam no consultório comecei a sentir um alívio o que, à primeira vista, parece uma crueldade. Passei de um estado de revolta e conformismo a um regresso de confiança. O facto de o desfecho ter sido formalizado trouxe-me o sossego que não senti nestas semanas desde o primeiro beta.
Olhando para o que aconteceu, com a cabeça mais fria, penso na hipótese mais frequente associada a este tipo de situação de aborto. Uma percentagem significativa destas perdas prematuras deve-se a uma seleção natural que o nosso corpo faz a embriões com problemas genéticos.
Foi-me entregue o relatório da TEC. A última medição realizada ao endométrio era de 8,3 mm de espessura. Relativamente à ecografia de hoje a cavidade uterina estava vazia, os ovários sem alterações, sem imagens anexiais suspeitas. O beta hoje foi de 29,82.
Agora as novidades. A próxima TEC será já em 2017. Inquiri, de forma intencional, se ia haver alterações no protocolo da sua preparação. A médica voltou com a história do Decapeptyl. Questionei qual o objetivo primordial desse fármaco e ela respondeu o que eu queria ouvir. Lá veio a justificação de garantir a inatividade dos ovários. Foi aí que referi que nunca menstruei com o Decapeptyl e há 22 anos que os meus ovários não trabalham espontaneamente. Finalmente alguém parou para me ouvir! Perante o que disse, a médica perguntou de quantos dias era o meu ciclo, ao que relembrei (pela n ésima vez) que não tenho ciclos, só medicada. Depois de todo este tempo e da minha insistência, uma das quatro especialistas por quem passamos, que até é a diretora do serviço, chegou à conclusão que o Decapapetyl não tem qualquer utilidade comigo!
Lutadoras: questionem uma, duas, três, quatro vezes, caso necessário, se alguma vez acharem que há algo no vosso acompanhamento que não faz sentido.
Após a brilhante conclusão ficou definido que vou induzir a menstruação com Provera (somos tu cá, tu lá há décadas), porque no meu caso não tenho outra hipótese. No terceiro dia desse ciclo farei ecografia e iniciarei automaticamente o Estrofem se assim for necessário. Vai ser uma espécie de ciclo natural, com a diferença que não haverá Pregnyl, porque eu não sou pessoa de ovular assim à balda!
O melhor disto é que ficou uma folhinha na parte da frente do meu processo com a indicação de não prescrever o Decapeptyl e o respetivo motivo, não fosse alguém tratar-me como um enlatado de uma máquina que faz sempre a mesma coisa.
Plano de ataque definido, vamos a datas. A primeira semana de janeiro está no horizonte, já à vista. Será aí que farei a primeira eco. É completamente possível nessa altura porque, para variar, quem manda nos meus pseudo-ciclos sou eu. Só preciso de fazer contas para prever, com um bom rigor, quando devo tomar o Provera para fazer acontecer magia vermelha. Vou atrever-me até a definir como objetivo a realização da TEC no dia em que completo 37 invernos, que é na segunda semana desse lindo mês. A transferência não será feita em dezembro pois haverá limpeza das condutas de ar condicionado no laboratório, que é obrigatória. É completamente compreensível essa situação e, por outro lado, o período natalício acaba por ser mais tranquilo.
Esta tempestade da gravidez ainda não terminou. Estou com perdas de sangue contínuas, embora pequenas, desde 2 de outubro. Poderei ainda sofrer dores intensas que não deverei ignorar, caso surjam. Desconfio também que daqui a uma semana, quando menstruar, haverá um dilúvio intercalado de enormes coágulos e sofrimento à mistura. A hemorragia não poderá prolongar-se por muito tempo sob pena de ficar anémica com tanta libertação de sangue ao longo de várias semanas consecutivas.
Em relação ao feedback neste período conturbado vou responder individualmente a cada guerreira que tanta força me tem dado, mas compreendam que já não será hoje. Estão no meu coração, não me esqueço de vocês e continuo sempre a emanar energia positiva para as vossas batalhas diárias.
Parte de mim está de luto, mas continuo na luta. A força anda aí.
domingo, 9 de outubro de 2016
Resignação
Após o turbilhão destas semanas e a constatação do fracasso está na hora de respirar fundo (mais uma vez), concluir o protocolo e seguir em frente.
Aquela fome que me acordava deixou de existir desde ontem e depois da ecografia passou a haver a libertação de pedacinhos muito pequenos de tecido que não quero pensar muito no que possam ser.
A emoção que julgamos que vai acontecer quando se faz uma transferência de embriões é relativamente acentuada na primeira vez. Depois de começarem os tropeções a expectativa vai surgindo em fases cada vez mais tardias. Não sei como vou estar da próxima vez, é tão estranho.
Estou a começar a erguer a cabeça, mentalizar-me para sexta-feira, preparar-me para colocar questões acerca do próximo plano de ataque.
Algum dia vai dar certo.
Aquela fome que me acordava deixou de existir desde ontem e depois da ecografia passou a haver a libertação de pedacinhos muito pequenos de tecido que não quero pensar muito no que possam ser.
A emoção que julgamos que vai acontecer quando se faz uma transferência de embriões é relativamente acentuada na primeira vez. Depois de começarem os tropeções a expectativa vai surgindo em fases cada vez mais tardias. Não sei como vou estar da próxima vez, é tão estranho.
Estou a começar a erguer a cabeça, mentalizar-me para sexta-feira, preparar-me para colocar questões acerca do próximo plano de ataque.
Algum dia vai dar certo.
sábado, 8 de outubro de 2016
Empty nest, so far
Depois de ontem não ter havido perdas de sangue, hoje elas voltaram, com a intensidade a que me tenho habituado. Às 20h30, contudo, passaram a sangue vivo.
Fomos às urgências de obstetrícia do HSJ onde fui logo atendida, ao contrário do que aconteceu na semana passada no Pedro Hispano. A hipotética gravidez deveria estar em 5 semanas e 4 dias o que, em situações normais, possibilitaria pelo menos a visualização do saco gestacional. Estavam duas médicas a observar o ecrã. Procuravam, procuravam, procuravam,... Estiveram a descartar a eventualidade de desenvolver uma gravidez ectópica.
Veredito: nada visível. Apenas algo muito, mas mesmo muito ténue que pode não ser nada. Segundo a médica ou o desenvolvimento está a ser lento e daqui a uns dois dias já será possível detetar alguma coisa ou então não há embrião. A única coisa que posso fazer é aguardar pela ecografia de dia 14 onde será feita uma avaliação definitiva. As hemorragias não indiciam nada de concreto, a razão para a sua existência é aquilo que tantas vezes se ouve. Pode ser bom ou mau sinal.
É muito triste o que está a acontecer mas em simultâneo é um alívio pois infelizmente é um pequeno peso que me sai de cima. Como deduzi ontem, o resultado de 1-2 semanas obtido no teste Clearblue mostra que a hormona beta-HCG está a desaparecer do corpo (que pode demorar de 4 a 6 semanas). Não posso dizer que foi bom enquanto durou, não me foi dada essa oportunidade. Foram 4 os filhos que perdemos até agora.
Fomos às urgências de obstetrícia do HSJ onde fui logo atendida, ao contrário do que aconteceu na semana passada no Pedro Hispano. A hipotética gravidez deveria estar em 5 semanas e 4 dias o que, em situações normais, possibilitaria pelo menos a visualização do saco gestacional. Estavam duas médicas a observar o ecrã. Procuravam, procuravam, procuravam,... Estiveram a descartar a eventualidade de desenvolver uma gravidez ectópica.
Veredito: nada visível. Apenas algo muito, mas mesmo muito ténue que pode não ser nada. Segundo a médica ou o desenvolvimento está a ser lento e daqui a uns dois dias já será possível detetar alguma coisa ou então não há embrião. A única coisa que posso fazer é aguardar pela ecografia de dia 14 onde será feita uma avaliação definitiva. As hemorragias não indiciam nada de concreto, a razão para a sua existência é aquilo que tantas vezes se ouve. Pode ser bom ou mau sinal.
É muito triste o que está a acontecer mas em simultâneo é um alívio pois infelizmente é um pequeno peso que me sai de cima. Como deduzi ontem, o resultado de 1-2 semanas obtido no teste Clearblue mostra que a hormona beta-HCG está a desaparecer do corpo (que pode demorar de 4 a 6 semanas). Não posso dizer que foi bom enquanto durou, não me foi dada essa oportunidade. Foram 4 os filhos que perdemos até agora.
Copo meio cheio ou meio vazio
Esta situação do teste que fiz de manhã faz-me pensar que se calhar mais valia ter ficado quieta e ter-me limitado a aguardar pela ecografia de dia 14.
Não sei exprimir como me sinto. É um misto de choque, desilusão, raiva, esperança muito reduzida, resignação, impotência, falta de chão,...
Tomei a decisão de esquecer qualquer tipo de teste qualitativo ou quantitativo até apurar, de uma vez por todas, o que se passa. Estou a fazer tudo direitinho como é suposto, não vá haver algo miraculoso.
Quem sabe não estou a fazer tempestade num copo de água? A única vez que alguém usou essa expressão para um membro da minha família "só" resultou no pior desfecho possível, passados 16 meses. Pode ser que agora seja só mesmo um alarmismo.
Porquê copo meio cheio?
Porque durante pelo menos, alguns dias, sei que houve vida cá dentro o que constitui um avanço. Pode ser um bom sinal para situações futuras.
Hoje andei de calculadora na mão a fazer estimativas de hipotéticos valores de beta, para esta altura, com base nos dois resultados que tive. Se estes aumentarem nas proporções previstas para este período, é plausível que o Clearblue não assinalasse 3 ou mais semanas, porque não atingiria as 2000 mUI/mL que o teste considera para este patamar. Isto significa que a minha gravidez pode não ser um caso totalmente perdido. Custa-me admitir esta hipótese mas é a última que me resta.
Ver o copo meio vazio
Na noite que antecedeu o beta tive o sonho de gravidez mais lúcido de sempre. Tinha realizado o beta, o resultado era positivo e sentia uma felicidade indescritível. A realidade foi mais amarga e trouxe-me até este limbo de emoções que poderá ter fim daqui a uma semana.
Quando saí ontem do trabalho fui à farmácia do Norteshopping comprar Estrofem e o famigerado Clearblue que me deixou num trapo. Apesar de ter estado o dia inteiro com algumas perdas de sangue, andava a precisar comprar um soutien mais confortável por causa destes últimos desenvolvimentos. Fui a uma loja experimentar um que acabei por não adquirir por ser pequeno, apesar de ser o maior tamanho. Atrevi-me em seguida a passar pelo corredor das lojas infantis. Não consegui sequer olhar para as montras, porque o desânimo era gigante. Aquela zona não me pertencia, era uma intrusa naquele meio. Finalizei a minha rápida incursão no shopping na loja Zippy, que está junto à escada rolante mais próxima do parque onde estacionei o carro. Entrei. Fui diretamente ao fundo da loja espreitar carrinhos e berços. Ao contrário do que é habitual em mim, não comecei com o meu espírito analítico a fazer comparações dos modelos expostos. Parecia que havia um calhau dentro do meu peito. Alguns segundos depois aquele ambiente estava a incomodar-me e apressei-me a sair em direção ao carro.
Às vezes parece que ando a brincar à maternidade. Faço uns tratamentos, as coisas vão rolando de diferentes formas mas no fim volta tudo à condição do nada. Vem aquele pensamento de que por mais malabarismos faça, ter um filho é um direito que me será sempre negado.
Não devia estar com toda esta carga negativa. Estou a ser injusta com quem me lê e dá tanto apoio. Perdoem-me.
Apesar destas desilusões me deitarem abaixo tenho discernimento suficiente para prosseguir a luta, mesmo que me arrase consecutivamente.
Melhores dias virão.
Para aumentar a incerteza em relação a tudo, hoje não houve praticamente perdas nem pontadas.
Não sei exprimir como me sinto. É um misto de choque, desilusão, raiva, esperança muito reduzida, resignação, impotência, falta de chão,...
Tomei a decisão de esquecer qualquer tipo de teste qualitativo ou quantitativo até apurar, de uma vez por todas, o que se passa. Estou a fazer tudo direitinho como é suposto, não vá haver algo miraculoso.
Quem sabe não estou a fazer tempestade num copo de água? A única vez que alguém usou essa expressão para um membro da minha família "só" resultou no pior desfecho possível, passados 16 meses. Pode ser que agora seja só mesmo um alarmismo.
Porquê copo meio cheio?
Porque durante pelo menos, alguns dias, sei que houve vida cá dentro o que constitui um avanço. Pode ser um bom sinal para situações futuras.
Hoje andei de calculadora na mão a fazer estimativas de hipotéticos valores de beta, para esta altura, com base nos dois resultados que tive. Se estes aumentarem nas proporções previstas para este período, é plausível que o Clearblue não assinalasse 3 ou mais semanas, porque não atingiria as 2000 mUI/mL que o teste considera para este patamar. Isto significa que a minha gravidez pode não ser um caso totalmente perdido. Custa-me admitir esta hipótese mas é a última que me resta.
Ver o copo meio vazio
Na noite que antecedeu o beta tive o sonho de gravidez mais lúcido de sempre. Tinha realizado o beta, o resultado era positivo e sentia uma felicidade indescritível. A realidade foi mais amarga e trouxe-me até este limbo de emoções que poderá ter fim daqui a uma semana.
Quando saí ontem do trabalho fui à farmácia do Norteshopping comprar Estrofem e o famigerado Clearblue que me deixou num trapo. Apesar de ter estado o dia inteiro com algumas perdas de sangue, andava a precisar comprar um soutien mais confortável por causa destes últimos desenvolvimentos. Fui a uma loja experimentar um que acabei por não adquirir por ser pequeno, apesar de ser o maior tamanho. Atrevi-me em seguida a passar pelo corredor das lojas infantis. Não consegui sequer olhar para as montras, porque o desânimo era gigante. Aquela zona não me pertencia, era uma intrusa naquele meio. Finalizei a minha rápida incursão no shopping na loja Zippy, que está junto à escada rolante mais próxima do parque onde estacionei o carro. Entrei. Fui diretamente ao fundo da loja espreitar carrinhos e berços. Ao contrário do que é habitual em mim, não comecei com o meu espírito analítico a fazer comparações dos modelos expostos. Parecia que havia um calhau dentro do meu peito. Alguns segundos depois aquele ambiente estava a incomodar-me e apressei-me a sair em direção ao carro.
Às vezes parece que ando a brincar à maternidade. Faço uns tratamentos, as coisas vão rolando de diferentes formas mas no fim volta tudo à condição do nada. Vem aquele pensamento de que por mais malabarismos faça, ter um filho é um direito que me será sempre negado.
Não devia estar com toda esta carga negativa. Estou a ser injusta com quem me lê e dá tanto apoio. Perdoem-me.
Apesar destas desilusões me deitarem abaixo tenho discernimento suficiente para prosseguir a luta, mesmo que me arrase consecutivamente.
Melhores dias virão.
Para aumentar a incerteza em relação a tudo, hoje não houve praticamente perdas nem pontadas.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Game Over
Grávida 1-2. Acho que diz tudo. Nem me dei ao trabalho de ir fazer outro beta.
Vou manter todos os cuidados e medicação como se nada tivesse acontecido, aguardar pela ecografia para saber se há alguma coisa a fazer relativamente à expulsão dos embriões e mentalizar-me que lá para janeiro ou fevereiro a saga volta a repetir-se.
Seria sorte a mais depois de cancelamentos, hiperestimulações e negativo conseguisse levar a cabo uma gravidez sem saber o que é uma perda gestacional. Ainda há algumas coisas que não aconteceram e em 4 palhetas posso conhecê-las todas. Se calhar os 12 embriões obtidos inicialmente nem chegam para tudo o que aí vem! A única coisa que me poderá travar será a idade, pois em teoria ainda tenho direito a duas FIV. Em janeiro já vão chegar os 37 anos...
Logo à noite escrevo mais um pouco.
Vou manter todos os cuidados e medicação como se nada tivesse acontecido, aguardar pela ecografia para saber se há alguma coisa a fazer relativamente à expulsão dos embriões e mentalizar-me que lá para janeiro ou fevereiro a saga volta a repetir-se.
Seria sorte a mais depois de cancelamentos, hiperestimulações e negativo conseguisse levar a cabo uma gravidez sem saber o que é uma perda gestacional. Ainda há algumas coisas que não aconteceram e em 4 palhetas posso conhecê-las todas. Se calhar os 12 embriões obtidos inicialmente nem chegam para tudo o que aí vem! A única coisa que me poderá travar será a idade, pois em teoria ainda tenho direito a duas FIV. Em janeiro já vão chegar os 37 anos...
Logo à noite escrevo mais um pouco.
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