Quando ontem referi que os dois inquilinos que por aqui andam não são de confiança, eu tinha razão. Em cada ovário há 10 folículos com menos de 10 mm. Digamos que a dormência continua por cá. Por causa disso, hoje não faço Orgalutran, retomo amanhã e mantenho 150 UI de Puregon. Sexta volto a fazer ecografia.
O resultado de hoje causa-me alguma preocupação, confesso.
Há novidades em relação à aspiração. Os tecidos foram enviados para Genética e o cariótipo do embrião era normal. No meu processo estava mencionado 46 XX, o que significa que era uma menina. Nada mais se sabe além disso. Esta era a resposta que eu queria obter para ter a certeza da transferência de apenas um embrião, se houver fecundação. Ver aquela nota escrita que transforma uma ideia assexuada de um aglomerado de células em algo concreto, deixou-me abatida. Tinha dentro de mim uma menina, a minha filha, que o meu próprio corpo arrancou. Ela era aquela manchinha preta que vi apenas uma vez, num dia em que fui às urgências, e nem o pai a chegou a ver. Essa é a melhor memória visual que conservo dela, as outras imagens do que sucedeu depois desse dia também as guardo na mente, com uma mágoa desmedida.
Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
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terça-feira, 24 de abril de 2018
domingo, 22 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 3
Se pressionar as zonas onde administrei as injeções deteto alguma sensibilidade. Há momentos em que tenho a sensação que há umas pontadinhas no ovário direito. Terça vou saber quem anda a trabalhar mais. Estou tranquila e o momento da injeção não tem aquela solenidade que a minha mente atribuía noutras ocasiões. Depois de terminar fico pensativa durante alguns segundos, porque o ato é tão mecânico que até julgo que me esqueci de alguma coisa. O sistema do Puregon é muito simples. Numa das estimulações em que usei o Menopur havia um ritual próprio da preparação, outro para a aspiração do líquido quando era a altura de administrar, o fármaco exigia mais atenção. Do Orgalutran, que vou fazer a partir de segunda, recordo-me que nas primeiras vezes tinha dificuldade em eliminar a bolha de ar sem expelir líquido, depois arranjei uma técnica rápida e infalível. A agulha desse é mais espessa e o produto provoca uma reação alérgica que, com o tempo, vai sendo cada vez mais ligeira.
A minha relação com as agulhas foi sempre pacífica. Desde pequenina faço colheita de sangue com regularidade e nunca me fez confusão ficar a ver a realização do processo. A altura mais complicada que tive com esses instrumentos perfurantes foi na segunda gravidez em que, dia sim, dia não, tinha de fazer beta e as enfermeiras iam sempre ao mesmo braço até eu começar a pedir para alternar. Logo que terminava a colheita a zona começava a inchar, ficar negra e doía. Com o avançar da idade, a minha pele está cada vez mais sensível. Esta semana, quando fiz análise à TSH e T4, o penso esteve no braço no máximo uma hora e ainda tenho a marca da reação à cola. Com perto de 30 anos comecei a manifestar alergia ao sol. Vivo numa terra de praia e não posso fazer mais que caminhadas na marginal. O chamado "trabalhar para o bronze" é incompatível com o meu bem estar. Essa atividade faz-me passar vários dias sem dormir, a desesperar com urticária e o corpo malhado com umas manchas vermelhas absurdamente quentes. De há uns anos para cá, desisti de procurar/tentar fórmulas milagrosas e simplesmente não faço praia. Um pequeno arranhão provoca um edema que perdura durante horas, com um relevo considerável. Penso já ter lido que o hipotiroidismo está relacionado com isto. Há 21 anos que faço tratamento para este problema. Ao ver o meu corpo reagir assim estou cada vez mais convicta que os embriões podem ser encarados como algo extremamente agressivo, daí depositar a única esperança que me resta na transferência de apenas um.
Esta tarde tive oportunidade de estar com vários dos meus sobrinhos do coração, quase todos nascidos depois de eu ter entrado nesta aventura. É bom vê-los a crescer, interagir, sentirem-se em família. Ao observar de longe, pensei que aquilo que realmente importa é que eles sejam felizes e se tornem pessoas de bem. No meio daquelas crianças todas não há filhos meus e se continuar a ser assim, só peço que tenha saúde para andar ainda algum tempo por cá a orgulhar-me das pessoinhas lindas em que se estão a tornar, tão puros, alegres, íntegros. Não somos todos iguais, a vida não traça as mesmas oportunidades aos indivíduos. Por mais que quisesse convencer-me do contrário há uns anos, a minha vida não vai passar pela maternidade. Estou em lágrimas a escrever isto, porque nunca quis que filhos meus morressem para me provar isso. Foi uma crueldade desnecessária e se calhar ainda vai tornar a acontecer.
A minha relação com as agulhas foi sempre pacífica. Desde pequenina faço colheita de sangue com regularidade e nunca me fez confusão ficar a ver a realização do processo. A altura mais complicada que tive com esses instrumentos perfurantes foi na segunda gravidez em que, dia sim, dia não, tinha de fazer beta e as enfermeiras iam sempre ao mesmo braço até eu começar a pedir para alternar. Logo que terminava a colheita a zona começava a inchar, ficar negra e doía. Com o avançar da idade, a minha pele está cada vez mais sensível. Esta semana, quando fiz análise à TSH e T4, o penso esteve no braço no máximo uma hora e ainda tenho a marca da reação à cola. Com perto de 30 anos comecei a manifestar alergia ao sol. Vivo numa terra de praia e não posso fazer mais que caminhadas na marginal. O chamado "trabalhar para o bronze" é incompatível com o meu bem estar. Essa atividade faz-me passar vários dias sem dormir, a desesperar com urticária e o corpo malhado com umas manchas vermelhas absurdamente quentes. De há uns anos para cá, desisti de procurar/tentar fórmulas milagrosas e simplesmente não faço praia. Um pequeno arranhão provoca um edema que perdura durante horas, com um relevo considerável. Penso já ter lido que o hipotiroidismo está relacionado com isto. Há 21 anos que faço tratamento para este problema. Ao ver o meu corpo reagir assim estou cada vez mais convicta que os embriões podem ser encarados como algo extremamente agressivo, daí depositar a única esperança que me resta na transferência de apenas um.
Esta tarde tive oportunidade de estar com vários dos meus sobrinhos do coração, quase todos nascidos depois de eu ter entrado nesta aventura. É bom vê-los a crescer, interagir, sentirem-se em família. Ao observar de longe, pensei que aquilo que realmente importa é que eles sejam felizes e se tornem pessoas de bem. No meio daquelas crianças todas não há filhos meus e se continuar a ser assim, só peço que tenha saúde para andar ainda algum tempo por cá a orgulhar-me das pessoinhas lindas em que se estão a tornar, tão puros, alegres, íntegros. Não somos todos iguais, a vida não traça as mesmas oportunidades aos indivíduos. Por mais que quisesse convencer-me do contrário há uns anos, a minha vida não vai passar pela maternidade. Estou em lágrimas a escrever isto, porque nunca quis que filhos meus morressem para me provar isso. Foi uma crueldade desnecessária e se calhar ainda vai tornar a acontecer.
quinta-feira, 19 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 1
The beginning! E que começo!
Hoje foi daquelas manhãs em que se chegava a um ponto em que já não havia posição possível para sentir conforto, mesmo não sendo o plástico das cadeiras desagradável de todo. Há partes do hospital a léguas (numa perspetiva negativa) das condições oferecidas pela zona de Medicina de Reprodução. A questão aqui é que saí às 15 horas quando a hora marcada para lá estar foi às 9h30. Olhei para os pulsos, tentada em fazer-lhes algo. Eram 11h50 quando passei para a sala de espera de ecografia. Às 13 horas chegou finalmente a minha vez de ir para a marquesa. Estava tão anestesiada da espera, que nem me apercebi do desconforto que ela proporciona às pernas. Já falei deste detalhe várias vezes. Tenho a certeza que quem passou largos minutos em escrutínio de catacumbas naquela marquesa, em concreto, sabe ao que me refiro. Quem me dera que fosse como a da sala das punções/transferências...
Começou a ecografia, passado um bocadinho disse a médica "Os seus ovários estão carregadinhos! Só num ovário estou a contar 21. É provável que hiperestimule. Sabe que com doses baixas os ovários podem não reagir, então a única hipótese é garantir que trabalhem, só que vão responder em excesso." Na folha de contagens estavam 21 potenciais candidatos de um lado e 26 do outro. A máquina de fazer pipocas vai voltar em força. Uau... Que entusiasmo estou a sentir só de me lembrar daquilo que passei. Tenho de me mentalizar que não me posso queixar, porque há muitas mulheres que gostavam de ter uma pequena fração daquilo que produzo, é a realidade. Mas dói e não é pouco. Acarreta também consequências chatas que demoram a normalizar. Além do mais pode não servir para nada. Com o cenário que se avizinha, por volta do início de agosto poderei fazer TEC.
Voltei em seguida para a sala de espera.
Algum tempo após a eco fomos chamados para a consulta e foi-nos entregue o plano de ataque para os próximos dias. Puregon 150 UI até segunda-feira, nesse mesmo dia acrescento Orgalutran. Por via oral é Acfol, Eutirox (esse é até partir para outra dimensão) e a novidade desta estimulação, o Cartia. Usei o Cartia em processos de transferência e agora também fará parte da estimulação. Não sei exatamente qual o seu contributo nesta fase, mas estou por tudo. Foram feitos pedidos de análises para atualização e voltei a bater na tecla da aspiração. A Diretora disse que ainda não havia nada e parecia que ia deixar o assunto morrer. Quando falei que estava a ponderar apresentar uma reclamação, porque me tinha sido garantido que o conteúdo foi para análise, lembraram-se que a amostra pode ter sido enviada para Genética em vez de Anatomia Patológica. Quando vai para este último departamento, os resultados são disponibilizados na base de dados, na Genética não é assim. Têm de entrar em contacto com eles. Como era hora de almoço ninguém iria atender, então ficou um lembrete no meu processo para ligarem para lá. Se na próxima terça souber que nada deu entrada, apresentarei reclamação. Perguntei se os embriões podiam ser congelados individualmente e expliquei que, uma vez que não sei o resultado da aspiração, vamos experimentar transferir apenas um embrião. Expliquei a minha desconfiança de o sistema imunitário rejeitar organismos estranhos e, quem sabe, transferindo apenas um embrião, estou a reduzir a hipótese de rejeição. A Drª S. disse que há situações de resposta imunitária em que os corticóides trazem vantagens, noutros casos até prejudicam e isso nunca se saberá. Questionei também se não se justificará usar o Lovenox. Apesar de não ter trombofilias não se opuseram, tendo em conta o elevado número de TEC que realizei sem resultados favoráveis. Relativamente à possibilidade de o embrião da última gravidez ter algum tipo de trissomia, caso haja confirmação, o hospital não oferece nenhum tipo de resposta na seleção de embriões, só fora. Foram dizendo que com 38 anos e todo o meu historial, as minhas hipóteses de sucesso são reduzidas.
Não saí abatida, porque não ouvi nada inesperado. Estou plenamente consciente de que será muito difícil alguma vez dar certo, é a realidade. As evidências dos próximos tempos serão a confirmação que esta luta não tem qualquer tipo de produtividade comigo.
Regressámos à sala de espera, depois fomos às enfermeiras.
Agora um pequeno momento de serviço público:
Há um shopping junto ao hospital e ao hotel Ibis, o Campus S. João. Tem uma farmácia com o mesmo nome do espaço e, mesmo sem sermos sócios da APF, temos 10% de desconto imediato nos injetáveis para estimulação. Foram 15€ a menos que paguei. Essa poupança já ajuda na aquisição da medicação que se toma em altura de transferências.
Estou a voltar à suposta "pontaria" em vasos com o Puregon. Sangro, mesmo fazendo prega e a agulha é finíssima. Não sei o motivo.
O dia foi cansativo, apesar da manhã ter sido uma verdadeira "seca", como dizem os miúdos.
Hoje foi daquelas manhãs em que se chegava a um ponto em que já não havia posição possível para sentir conforto, mesmo não sendo o plástico das cadeiras desagradável de todo. Há partes do hospital a léguas (numa perspetiva negativa) das condições oferecidas pela zona de Medicina de Reprodução. A questão aqui é que saí às 15 horas quando a hora marcada para lá estar foi às 9h30. Olhei para os pulsos, tentada em fazer-lhes algo. Eram 11h50 quando passei para a sala de espera de ecografia. Às 13 horas chegou finalmente a minha vez de ir para a marquesa. Estava tão anestesiada da espera, que nem me apercebi do desconforto que ela proporciona às pernas. Já falei deste detalhe várias vezes. Tenho a certeza que quem passou largos minutos em escrutínio de catacumbas naquela marquesa, em concreto, sabe ao que me refiro. Quem me dera que fosse como a da sala das punções/transferências...
Começou a ecografia, passado um bocadinho disse a médica "Os seus ovários estão carregadinhos! Só num ovário estou a contar 21. É provável que hiperestimule. Sabe que com doses baixas os ovários podem não reagir, então a única hipótese é garantir que trabalhem, só que vão responder em excesso." Na folha de contagens estavam 21 potenciais candidatos de um lado e 26 do outro. A máquina de fazer pipocas vai voltar em força. Uau... Que entusiasmo estou a sentir só de me lembrar daquilo que passei. Tenho de me mentalizar que não me posso queixar, porque há muitas mulheres que gostavam de ter uma pequena fração daquilo que produzo, é a realidade. Mas dói e não é pouco. Acarreta também consequências chatas que demoram a normalizar. Além do mais pode não servir para nada. Com o cenário que se avizinha, por volta do início de agosto poderei fazer TEC.
Voltei em seguida para a sala de espera.
Algum tempo após a eco fomos chamados para a consulta e foi-nos entregue o plano de ataque para os próximos dias. Puregon 150 UI até segunda-feira, nesse mesmo dia acrescento Orgalutran. Por via oral é Acfol, Eutirox (esse é até partir para outra dimensão) e a novidade desta estimulação, o Cartia. Usei o Cartia em processos de transferência e agora também fará parte da estimulação. Não sei exatamente qual o seu contributo nesta fase, mas estou por tudo. Foram feitos pedidos de análises para atualização e voltei a bater na tecla da aspiração. A Diretora disse que ainda não havia nada e parecia que ia deixar o assunto morrer. Quando falei que estava a ponderar apresentar uma reclamação, porque me tinha sido garantido que o conteúdo foi para análise, lembraram-se que a amostra pode ter sido enviada para Genética em vez de Anatomia Patológica. Quando vai para este último departamento, os resultados são disponibilizados na base de dados, na Genética não é assim. Têm de entrar em contacto com eles. Como era hora de almoço ninguém iria atender, então ficou um lembrete no meu processo para ligarem para lá. Se na próxima terça souber que nada deu entrada, apresentarei reclamação. Perguntei se os embriões podiam ser congelados individualmente e expliquei que, uma vez que não sei o resultado da aspiração, vamos experimentar transferir apenas um embrião. Expliquei a minha desconfiança de o sistema imunitário rejeitar organismos estranhos e, quem sabe, transferindo apenas um embrião, estou a reduzir a hipótese de rejeição. A Drª S. disse que há situações de resposta imunitária em que os corticóides trazem vantagens, noutros casos até prejudicam e isso nunca se saberá. Questionei também se não se justificará usar o Lovenox. Apesar de não ter trombofilias não se opuseram, tendo em conta o elevado número de TEC que realizei sem resultados favoráveis. Relativamente à possibilidade de o embrião da última gravidez ter algum tipo de trissomia, caso haja confirmação, o hospital não oferece nenhum tipo de resposta na seleção de embriões, só fora. Foram dizendo que com 38 anos e todo o meu historial, as minhas hipóteses de sucesso são reduzidas.
Não saí abatida, porque não ouvi nada inesperado. Estou plenamente consciente de que será muito difícil alguma vez dar certo, é a realidade. As evidências dos próximos tempos serão a confirmação que esta luta não tem qualquer tipo de produtividade comigo.
Regressámos à sala de espera, depois fomos às enfermeiras.
Agora um pequeno momento de serviço público:
Há um shopping junto ao hospital e ao hotel Ibis, o Campus S. João. Tem uma farmácia com o mesmo nome do espaço e, mesmo sem sermos sócios da APF, temos 10% de desconto imediato nos injetáveis para estimulação. Foram 15€ a menos que paguei. Essa poupança já ajuda na aquisição da medicação que se toma em altura de transferências.
Estou a voltar à suposta "pontaria" em vasos com o Puregon. Sangro, mesmo fazendo prega e a agulha é finíssima. Não sei o motivo.
O dia foi cansativo, apesar da manhã ter sido uma verdadeira "seca", como dizem os miúdos.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Dia 10 da FIV 1
Uma das etapas está concluída. Terminei oficialmente o Puregon e Orgalutran. Este último, hoje decidiu ser bastante resistente a atravessar a pele.
Amanhã encerro a temporada de injeções com Decapeptyl, às 22 horas.
Acordei melhor que ontem, não tive tonturas ao longo do dia, nem senti enjoos. A dor no peito e barriga atenuou um pouco.
Já disse hoje que estou feliz? Não?! Então digo: estou feliz e otimista!
Amanhã encerro a temporada de injeções com Decapeptyl, às 22 horas.
Acordei melhor que ontem, não tive tonturas ao longo do dia, nem senti enjoos. A dor no peito e barriga atenuou um pouco.
Já disse hoje que estou feliz? Não?! Então digo: estou feliz e otimista!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Dia 9 da FIV 1
Hoje foi dia de novidades mais ou menos previsíveis.
Estou a hiperestimular e tenho mais de 30 folículos! Não sei dados certos, porque vi a folha de longe e o espaço destinado aos folículos estava totalmente preenchido, sendo que dá para colocar 32 valores.
Ao contrário do que esperava a ecografia não foi dolorosa. Quem a fez foi um médico que nunca tinha visto naquele serviço. Perguntou-me se sentia dores, mal começou a fazer o exame. Como tenho muitos folículos é normal andar dorida.
Esta manhã acordei com tonturas e assim tenho estado durante o dia.
Ele disse-me para aguardar para ir ao gabinete da médica. A minha cabeça começou a traçar vários cenários possíveis. O primeiro era de que poderia ser para falar acerca da punção, depois tentei mentalizar-me que por algum motivo a FIV ia ser cancelada, imaginei também que os ovários tinham entrado em colapso e que a situação era irreversível. Como nunca consegui levar um tratamento até ao fim, a minha mente prepara-se mais depressa para um ponto final antes do tempo, do que para um progresso.
Quando entrámos no gabinete uma das médicas perguntou-me a brincar se sentia que estava a explodir. Eu respondi que tinha dores desde terça à noite. Alertou-me logo, receosa, de que não poderá ser feita transferência de embriões neste ciclo, devido à hiperestimulação. Devemos dar tempo aos ovários para recuperarem, até porque o risco de a situação piorar com a transferência é ainda maior.
Compreendo perfeitamente que tenha de ser assim, devemos ser racionais, mais do que nunca.
A punção vai ser feita na próxima segunda-feira. Em termos de terapêutica vou passar para 100 UI de Puregon e Orgalutran, hoje e amanhã. Por causa da hiperestimulação não vou aplicar Pregnyl, mas sim Decapeptyl (2 ampolas de pó para uma de líquido) no sábado, às 22h.
Apesar de sentir cada vez mais dor não consigo deixar de estar feliz!
Estou a hiperestimular e tenho mais de 30 folículos! Não sei dados certos, porque vi a folha de longe e o espaço destinado aos folículos estava totalmente preenchido, sendo que dá para colocar 32 valores.
Ao contrário do que esperava a ecografia não foi dolorosa. Quem a fez foi um médico que nunca tinha visto naquele serviço. Perguntou-me se sentia dores, mal começou a fazer o exame. Como tenho muitos folículos é normal andar dorida.
Esta manhã acordei com tonturas e assim tenho estado durante o dia.
Ele disse-me para aguardar para ir ao gabinete da médica. A minha cabeça começou a traçar vários cenários possíveis. O primeiro era de que poderia ser para falar acerca da punção, depois tentei mentalizar-me que por algum motivo a FIV ia ser cancelada, imaginei também que os ovários tinham entrado em colapso e que a situação era irreversível. Como nunca consegui levar um tratamento até ao fim, a minha mente prepara-se mais depressa para um ponto final antes do tempo, do que para um progresso.
Quando entrámos no gabinete uma das médicas perguntou-me a brincar se sentia que estava a explodir. Eu respondi que tinha dores desde terça à noite. Alertou-me logo, receosa, de que não poderá ser feita transferência de embriões neste ciclo, devido à hiperestimulação. Devemos dar tempo aos ovários para recuperarem, até porque o risco de a situação piorar com a transferência é ainda maior.
Compreendo perfeitamente que tenha de ser assim, devemos ser racionais, mais do que nunca.
A punção vai ser feita na próxima segunda-feira. Em termos de terapêutica vou passar para 100 UI de Puregon e Orgalutran, hoje e amanhã. Por causa da hiperestimulação não vou aplicar Pregnyl, mas sim Decapeptyl (2 ampolas de pó para uma de líquido) no sábado, às 22h.
Apesar de sentir cada vez mais dor não consigo deixar de estar feliz!
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Dia 1 da FIV 1
Fazendo um pequeno rewind à preparação... Iniciei Yasmin no primeiro dia da última menstruação e suspendi 14 dias depois, ou seja, a 5 de fevereiro. Desta vez não tive a hemorragia de privação.
Fomos esta manhã ao HSJ para fazer a ecografia, ter consulta, tirar sangue e ter uma mini-aula acerca de injetáveis.
A única informação que consegui captar durante a ecografia é que o meu endométrio está muito fino. Isso explica a ausência de menstruação.
Na consulta fomos informados acerca das diferenças entre IIU e FIV. Foram-nos também entregues as declarações de consentimento alertando para o risco de hiperestimulação e de gravidez gemelar. Tivemos também de indicar qual o número máximo de embriões a transferir, sendo que a legislação atual permite até três. Devíamos também mencionar se autorizávamos doação de embriões a outros casais inférteis e/ou para efeitos de estudos científicos e, no caso de consentirmos a doação a outros casais, se permitíamos a divulgação da nossa identificação.
Como tenho hipotiroidismo tive de fazer colheita de sangue para avaliar o nível de TSH.
Iniciei hoje o plano de tratamento com 150 UI de Puregon, às 21 horas. No dia 14, à mesma hora, começarei também a administrar Orgalutran. A partir de domingo serão então duas injeções, cada uma de um lado diferente da barriga.
No dia 16 farei ecografia de monitorização.
O Orgalutran vem em seringas individuais, com a preparação já feita. O maior cuidado a ter é na remoção do ar contido na ampola.
Para quem não tem uma ideia dos preços dos injetáveis aqui ficam os montantes dos que mencionei acima, com todas as comparticipações previstas:
Puregon 900 UI - 98,79€
Orgalutran 0,25 mg - 48,66€
Continuo a tomar Dikirogen que tem um custo aproximado de 35€/mês.
Vivi esta manhã com um distanciamento maior do que imaginava há um ano, pois a minha cabeça estava naquilo que se passava no seio familiar, com a morte da minha avó. A maior preocupação era conseguir sair do hospital a horas decentes para poder fazer a viagem até à terra e ir ao funeral.
Fomos esta manhã ao HSJ para fazer a ecografia, ter consulta, tirar sangue e ter uma mini-aula acerca de injetáveis.
A única informação que consegui captar durante a ecografia é que o meu endométrio está muito fino. Isso explica a ausência de menstruação.
Na consulta fomos informados acerca das diferenças entre IIU e FIV. Foram-nos também entregues as declarações de consentimento alertando para o risco de hiperestimulação e de gravidez gemelar. Tivemos também de indicar qual o número máximo de embriões a transferir, sendo que a legislação atual permite até três. Devíamos também mencionar se autorizávamos doação de embriões a outros casais inférteis e/ou para efeitos de estudos científicos e, no caso de consentirmos a doação a outros casais, se permitíamos a divulgação da nossa identificação.
Como tenho hipotiroidismo tive de fazer colheita de sangue para avaliar o nível de TSH.
Iniciei hoje o plano de tratamento com 150 UI de Puregon, às 21 horas. No dia 14, à mesma hora, começarei também a administrar Orgalutran. A partir de domingo serão então duas injeções, cada uma de um lado diferente da barriga.
No dia 16 farei ecografia de monitorização.
O Orgalutran vem em seringas individuais, com a preparação já feita. O maior cuidado a ter é na remoção do ar contido na ampola.
Para quem não tem uma ideia dos preços dos injetáveis aqui ficam os montantes dos que mencionei acima, com todas as comparticipações previstas:
Puregon 900 UI - 98,79€
Orgalutran 0,25 mg - 48,66€
Continuo a tomar Dikirogen que tem um custo aproximado de 35€/mês.
Vivi esta manhã com um distanciamento maior do que imaginava há um ano, pois a minha cabeça estava naquilo que se passava no seio familiar, com a morte da minha avó. A maior preocupação era conseguir sair do hospital a horas decentes para poder fazer a viagem até à terra e ir ao funeral.
sábado, 26 de dezembro de 2015
Primeira não-IIU
Desde que começou esta longa caminhada senti que algo concreto estava finalmente a acontecer.
Fui chamada para dar início à primeira tentativa de IIU, 5 meses após ter entrado para a lista de espera e não 3 ou 4 meses depois. Apesar das probabilidades serem reduzidas havia dentro de mim uma contida expectativa e apreensão em relação ao tratamento. Finalmente ia descobrir como os meus ovários iam responder aos injetáveis.
Toda a descrição que se segue aplica-se à metodologia usada no meu caso, enquanto utente do HSJ. A forma como cada processo é tratado depende da especificidade de cada paciente, havendo obviamente traços gerais comuns com outras mulheres que se submetem a tratamentos desta índole.
Compareci no hospital no terceiro dia de sangue vivo, a 3 de julho de 2015 (6.ª feira). Comecei por esperar a chamada para uma ecografia a fim de avaliar o estado dos ovários.
No HSJ somos atendidos pelo profissional que está de serviço naquele dia, o que significa que não há um médico fixo por paciente, ao contrário do que acontece na fase inicial, no pavilhão das consultas externas. Durante a ecografia há sempre várias pessoas presentes sejam médicos residentes ou estagiários.
A primeira impressão emitida pela médica que realizou a ecografia foi "os ovários são mesmo poliquísticos!".
Depois da ecografia voltei à sala de espera e aguardei por uma consulta. No gabinete estavam 3 ou 4 profissionais. A médica de serviço viu o meu processo e dado que já tinha passado algum tempo desde a última consulta mandou repetir análises. Aproveitou também avaliar os níveis de TSH, pois tinha aumentado a dose de Eutirox uns meses antes.
Fui informada que iria iniciar nesse mesmo dia a aplicação do injetável Puregon, numa primeira fase 50 UI, sempre às 21 horas. Fiquei de regressar ao hospital no dia 8 (4.ª feira) para monitorizar os ovários.
Voltei para a sala de espera para a recolha de sangue e uma explicação acerca da administração da injeção.
O Puregon é de fácil preparação e manuseio, devendo ser conservado no frigorífico. No hospital foi fornecido o kit com a caneta e algumas agulhas, pelo que na farmácia só é adquirida a ampola. Esta traz sempre um número de unidades adicionais e um guia de tratamento onde é possível fazer o controlo das doses administradas, bem como as que ainda estão contidas na ampola. Só acrescentei uma coluna onde registava de que lado da barriga tinha aplicado, pois convém alternar todos os dias.
Sobre o Puregon não tenho muito a dizer. A aplicação é simples e praticamente indolor. Cheguei a ficar com ligeiros hematomas mas não notei grandes alterações na barriga ou no meu estado de espírito.
Quando fui realizar a primeira ecografia após o início das injeções não houve crescimento de folículos. A dose foi aumentada para 75 UI e soube que teria de voltar a tomar Eutirox 100, pois a TSH estava com o valor de 0,07. Foi marcado regresso dois dias depois.
No dia 10 de julho (6.ª feira) o desânimo apoderou-se de mim. Era a segunda ecografia após início do tratamento, sempre que alguém me fazia ecografia ouvia a mesma expressão "os ovários são mesmo poliquísticos!". Estavam intocáveis, as injeções não resultavam... Mais uma vez a dose foi aumentada passando a injetar 100 UI. Prepararam-me para um eventual cancelamento caso na ecografia seguinte continuasse tudo igual. Foi sugerido que tentasse outra IIU iniciando as injeções com uma dose forte ou que ficasse inscrita para drilling ovárico, pois poderia ser uma boa alternativa para mim.
Dia 13 de julho foi formalizado o cancelamento. Extinguiu-se a pequena centelha que me acompanhou naqueles 10 dias em que uma fina agulha atravessou a minha pele. Perguntei se afinal era para tentar nova IIU ou o drilling. A médica optou por dar uma segunda hipótese a IIU.
Como o próximo ciclo seria em pleno mês de agosto e supostamente o laboratório não funcionava durante duas semanas, a segunda tentativa de IIU foi adiada para o fim desse mês.
Acerca do HSJ tenho algumas considerações a fazer. O Centro de Medicina da Reprodução tem uma excelente coordenação entre os diversos intervenientes (equipa médica, enfermagem e área administrativa). Considero também positiva a presença de mais do que um médico nas ecografias e consultas.
Quem sofrer de impaciência é levado ao limite de cada vez que lá vai, especialmente se for à segunda, quarta ou sexta-feira. Não é nada invulgar ficar uma manhã inteira nas salas de espera. Já me aconteceu ter ecografia marcada para as 10h30 e sair de lá às 14h45, porque é frequente haver apenas um médico de serviço. Posso dizer que de todas as vezes que lá estive, só num dia é que realmente fui atendida atempadamente, nuns impressionantes 15 minutos. Não sei se estes constrangimentos se deveram apenas ao facto de ser pleno verão ou se habitualmente é assim.
Do ponto de vista do atendimento médico, notei que não há muita preocupação em falar com os pacientes, contudo se formos nós a ter iniciativa de questionar, respondem às dúvidas. Esta postura contrasta com os comentários que se leem em fóruns e blogues acerca dos mesmos profissionais, quando estão a trabalhar em entidades do setor privado. Ao contrário do que vai aparecendo escrito sobre quem dirige o serviço, não tenho nada de negativo a apontar, pelo contrário.
Fui chamada para dar início à primeira tentativa de IIU, 5 meses após ter entrado para a lista de espera e não 3 ou 4 meses depois. Apesar das probabilidades serem reduzidas havia dentro de mim uma contida expectativa e apreensão em relação ao tratamento. Finalmente ia descobrir como os meus ovários iam responder aos injetáveis.
Toda a descrição que se segue aplica-se à metodologia usada no meu caso, enquanto utente do HSJ. A forma como cada processo é tratado depende da especificidade de cada paciente, havendo obviamente traços gerais comuns com outras mulheres que se submetem a tratamentos desta índole.
Compareci no hospital no terceiro dia de sangue vivo, a 3 de julho de 2015 (6.ª feira). Comecei por esperar a chamada para uma ecografia a fim de avaliar o estado dos ovários.
No HSJ somos atendidos pelo profissional que está de serviço naquele dia, o que significa que não há um médico fixo por paciente, ao contrário do que acontece na fase inicial, no pavilhão das consultas externas. Durante a ecografia há sempre várias pessoas presentes sejam médicos residentes ou estagiários.
A primeira impressão emitida pela médica que realizou a ecografia foi "os ovários são mesmo poliquísticos!".
Depois da ecografia voltei à sala de espera e aguardei por uma consulta. No gabinete estavam 3 ou 4 profissionais. A médica de serviço viu o meu processo e dado que já tinha passado algum tempo desde a última consulta mandou repetir análises. Aproveitou também avaliar os níveis de TSH, pois tinha aumentado a dose de Eutirox uns meses antes.
Fui informada que iria iniciar nesse mesmo dia a aplicação do injetável Puregon, numa primeira fase 50 UI, sempre às 21 horas. Fiquei de regressar ao hospital no dia 8 (4.ª feira) para monitorizar os ovários.
Voltei para a sala de espera para a recolha de sangue e uma explicação acerca da administração da injeção.
O Puregon é de fácil preparação e manuseio, devendo ser conservado no frigorífico. No hospital foi fornecido o kit com a caneta e algumas agulhas, pelo que na farmácia só é adquirida a ampola. Esta traz sempre um número de unidades adicionais e um guia de tratamento onde é possível fazer o controlo das doses administradas, bem como as que ainda estão contidas na ampola. Só acrescentei uma coluna onde registava de que lado da barriga tinha aplicado, pois convém alternar todos os dias.
Sobre o Puregon não tenho muito a dizer. A aplicação é simples e praticamente indolor. Cheguei a ficar com ligeiros hematomas mas não notei grandes alterações na barriga ou no meu estado de espírito.
Quando fui realizar a primeira ecografia após o início das injeções não houve crescimento de folículos. A dose foi aumentada para 75 UI e soube que teria de voltar a tomar Eutirox 100, pois a TSH estava com o valor de 0,07. Foi marcado regresso dois dias depois.
No dia 10 de julho (6.ª feira) o desânimo apoderou-se de mim. Era a segunda ecografia após início do tratamento, sempre que alguém me fazia ecografia ouvia a mesma expressão "os ovários são mesmo poliquísticos!". Estavam intocáveis, as injeções não resultavam... Mais uma vez a dose foi aumentada passando a injetar 100 UI. Prepararam-me para um eventual cancelamento caso na ecografia seguinte continuasse tudo igual. Foi sugerido que tentasse outra IIU iniciando as injeções com uma dose forte ou que ficasse inscrita para drilling ovárico, pois poderia ser uma boa alternativa para mim.
Dia 13 de julho foi formalizado o cancelamento. Extinguiu-se a pequena centelha que me acompanhou naqueles 10 dias em que uma fina agulha atravessou a minha pele. Perguntei se afinal era para tentar nova IIU ou o drilling. A médica optou por dar uma segunda hipótese a IIU.
Como o próximo ciclo seria em pleno mês de agosto e supostamente o laboratório não funcionava durante duas semanas, a segunda tentativa de IIU foi adiada para o fim desse mês.
Acerca do HSJ tenho algumas considerações a fazer. O Centro de Medicina da Reprodução tem uma excelente coordenação entre os diversos intervenientes (equipa médica, enfermagem e área administrativa). Considero também positiva a presença de mais do que um médico nas ecografias e consultas.
Quem sofrer de impaciência é levado ao limite de cada vez que lá vai, especialmente se for à segunda, quarta ou sexta-feira. Não é nada invulgar ficar uma manhã inteira nas salas de espera. Já me aconteceu ter ecografia marcada para as 10h30 e sair de lá às 14h45, porque é frequente haver apenas um médico de serviço. Posso dizer que de todas as vezes que lá estive, só num dia é que realmente fui atendida atempadamente, nuns impressionantes 15 minutos. Não sei se estes constrangimentos se deveram apenas ao facto de ser pleno verão ou se habitualmente é assim.
Do ponto de vista do atendimento médico, notei que não há muita preocupação em falar com os pacientes, contudo se formos nós a ter iniciativa de questionar, respondem às dúvidas. Esta postura contrasta com os comentários que se leem em fóruns e blogues acerca dos mesmos profissionais, quando estão a trabalhar em entidades do setor privado. Ao contrário do que vai aparecendo escrito sobre quem dirige o serviço, não tenho nada de negativo a apontar, pelo contrário.
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