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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

TEC 8 agendada

Mais uma vez o endométrio não me desiludiu com o seu espessamento. Hoje está com 9mm, em condições para receber o mini-nós número 13. A TEC vai ser na próxima segunda-feira, dia 3 de fevereiro e a análise de beta-hCG está prevista para o dia 17. Apesar do embrião ser de 6 dias (que a médica considerou como sendo de 5), a análise só vai ser feita 14 dias depois. Se for positivo e baixo nessa altura, saberei que virá mais uma das gravidezes a que já me habituei. Amanhã inicio o Progeffik às 16h. A medicação que estou a fazer é a mais simples possível, sem empirismos ou experiências. Temos uma carta na manga que é o facto do cariótipo do embrião ser aparentemente normal. Após a transferência compete ao meu corpito aceitá-lo e deixá-lo crescer feliz e direitinho.

Estou constipada, espero que até à TEC isto se resolva.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

TEC 8 - Em andamento

Longa manhã esta em que, às 9h30, estava a sala de espera cheia. Saí do hospital por volta das 14h. Fiz apenas uma ecografia e tive consulta. A médica estranhou não haver nenhum folículo dominante e relembrei que ela não devia contar com isso. Perguntou o motivo de estar a indicação de ciclo natural se comigo é impossível. Contei a conversa que tive com a enfermeira (a mesma que arrasou a minha primeira gravidez) e a médica tranquilizou dizendo que ainda vou a tempo de começar o Estrofem. Comentou que apesar de não haver nenhum folículo em crescimento tenho os ovários carregadinhos. Pois, aquelas bombinhas relógio só sabem ameaçar mas trabalhar sozinhas, não é com elas.

Conclusão: a nota que a enfermeira deixou no meu processo atrasou a TEC em algumas semanas. Iniciei hoje o Estrofem, faço já 3 comprimidos diários e dia 28 volto a realizar ecografia. Se a mensagem que transmiti ao telefone tivesse sido integralmente ouvida e apreendida, poderia estar a fazer transferência no final desta semana ou no início da próxima. Lá vou ter de adiar mais um bocadinho as decisões que tinha pendentes. Sendo assim, a TEC 8 será em fevereiro, quase um mês depois do que esperava.

Questionei a bióloga acerca dos embriões, porque queria saber se algum dos 3 era o desgraçado que foi congelado, descongelado, biopsado e congelado novamente. Das várias anotações que havia acerca dele, só retive uma palavra "caótico". O coitado teve uma vida desgraçada e por fim era aneuploide. Em relação aos que potencialmente serão viáveis, têm 6 dias, são de classe C e um deles tem alguma fragmentação, embora a bióloga ache que ele até pode desenvolver favoravelmente ao ser desvitrificado. Pessoalmente não deposito muita esperança nesse, vou mentalizar-me que talvez consiga fazer duas transferências. Quero muito conseguir colocar um fim a isto durante este ano. Vou sujeitar-me a mais bombas hormonais, e a todas as flutuações que elas me causam, para ficar bem resolvida comigo mas esta história está a perder todo o sentido. Desejo que o tempo passe rapidamente para transferir o mini-nós número 13.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

PGT-A - o veredito

Quando há minutos vi que estava a receber uma chamada do hospital, gerou-se um rufar de tambores mental. Vários resultados podiam ser divulgados. A voz do outro lado foi objetiva e disse logo que dos 5 embriões, 3 são normais. Que alívio! Estava a custar não saber quando é que ia ter notícias e a expectativa do resultado ainda tornava a espera muito pior. Se "quisesse" e já explico o motivo das aspas, podia fazer TEC ainda em dezembro mas não vai ser possível. O motivo para o adiamento é o malvado Decapeptyl. A enfermeira perguntou se já menstruei este mês (como habitual), respondi que não menstruo (como já respondi 1500 vezes), quis saber o que costumo fazer para menstruar, mencionei que recorria ao Provera. Ela deu a indicação para o iniciar ainda hoje e ao vigésimo primeiro dia do ciclo iria ao hospital fazer ecografia. Soou outra vez o alarme Decapeptyl. Recordei que o Decapeptyl não me faz nada, ela quis saber como se resolveu das outras vezes em que não foi administrado e reformulamos as contas. Chegou-se à conclusão que a TEC não poderá ser em dezembro, porque durante uns dias o serviço estará fechado (normalmente é feita limpeza das condutas do ar condicionado).

Ótimo! Até sinto satisfação por isso, não estava muito disposta a passar mais uma época natalícia assombrada. Os últimos dois anos não me deixam boas memórias. Transferências em janeiro têm resultado em negativo, mas aguento melhor que gravidezes daquelas manhosas que tive. Pelas minhas contas o candidato que vai ser transferido deverá ficar cá hospedado pela altura em que faço 40 anos.

Ficou combinado com a enfermeira que começo o Provera dia 28 de dezembro. Calha bem, porque no dia anterior vou ao Hospital de Guimarães participar no estudo InOvulação.

Agora que já tenho datas vou enviar novo mail ao Dr. J.L. do Hospital CUF Descobertas para saber que sugestões tem para me dar relativamente à TEC.

Havia algo dentro de mim que me dizia que a maior parte dos embriões seria euploide. 3 em 5 parece-me um resultado bom, atendendo à minha idade, só que isto adensa ainda mais o mistério para a razão de 12 embriões transferidos não terem resultado numa gravidez bem sucedida. Vou morrer sem saber a causa.

The end is near, 2020 deve ser o ano do fim. Vou manter a fórmula de transferir um embrião por TEC. A partir de agora virá sempre a dúvida da descongelação favorável e do que se lhe segue.

Se houver santinhos das TEC, espero que não me contemplem com nova gravidez bioquímica ou aborto, prefiro negativos. Acho que já fui castigada em demasia.

Não fosse estar este tempo do Demo, iria gritar de felicidade do alto da minha varanda, por saber que há células nossas com viabilidade e ter conhecimento de datas.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Há uma luzinha de esperança

Ligaram-me há minutos para fazer o balanço final. As biópsias foram feitas hoje. Dos 6 embriões desta estimulação 4 aguentaram. Dos dois que estavam congelados um degenerou e o outro desenvolveu, sendo também realizada biópsia. A bióloga não está muito confiante em relação a este último, porque sofreu várias agressões. Foi criopreservado, desvitrificado, biopsado e voltou a ser congelado. Mas, também como disse, nunca se sabe se ele não surpreende.

Sendo assim, será feito o rastreio a cinco embriões. A bióloga disse para não contar fazer TEC este ano. Estão com imenso trabalho e ela não tem a certeza do tempo que o departamento de Genética vai demorar a manifestar-se. Talvez em janeiro faça transferência, se houver boas notícias. Perguntei como seria no caso do resultado ser desastroso. Aí contactam-me e terei consulta para falarem comigo ou se preferir saber por telefone, informam-me.

Estou nervosa mas aliviada por mais uma etapa estar concluída.

Ontem e hoje tenho pontadas esporádicas no ovário direito, principalmente quando a bexiga está a ficar cheia. Os ovários devem continuar volumosos. As mamas estão túrgidas e pesadas, oxalá menstrue em breve.

Vou aproveitar esta semana para fazer a vacina da gripe, a diretora disse que não havia problema.

Sinto-me emocionada e agradecida por estar a ter esta oportunidade. Hoje choro lágrimas de alegria, há muito tempo que a vida não era generosa para mim nesta matéria.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Fecundação - primeiras informações

Já tenho novidades dos meus miúdos. Dos 16 ovócitos, 11 estavam maduros. Após a microinjeção há, neste momento, 6 embriões muito bons e outro que provavelmente não irá evoluir. Os outros dois mini-nós serão descongelados e deixados a desenvolver. Domingo é o dia das biópsias e só voltarei a ter notícias nessa altura.

Tenho esperança que vai haver embriões a resistir a todo o processo e sobre os quais poderei saber, daqui a umas intermináveis semanas, o resultado do rastreio.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Do meu estado atual

É com uma enorme leveza que escrevo neste momento. Só o facto de não estar em sofrimento acentuado, o ânimo é muito maior. O mau estar é praticamente nulo em relação às terríveis experiências anteriores. Acho que vou ter uma ótima noite. Não me parece que o estado vá piorar, até porque não vai haver transferência a fresco.

Em termos de excreção está tudo funcional, o que é um alívio. Lembro-me que após a primeira punção o meu intestino tirou férias quase duas semanas. Tomei uma medida extrema para tentar solucionar a situação sem recorrer à via farmacológica. Atualmente rio-me do que fiz, mas na altura estava desesperada. Sou intolerante à lactose e tenho SII (Síndrome do Intestino Irritável). Há determinados alimentos/pratos que me levam quase instantaneamente a descobrir onde é a casa de banho mais próxima. Alguns alimentos consegui identificar mas há muitas situações em que ainda não descobri o(s) culpado(s). A lactose combina esse efeito imediato com uma dor intensa e uma sensação de barriga insuflada que perduram por dias. Quando me apercebi da inatividade do meu cólon e vi que a obstipação estava convictamente instalada, decidi agir. Pensei atacar com um pingo feito de leite "normal". Acreditem que a quantidade de lactose presente num simples pingo, causa-me muitos estragos. Este ato iria trazer como consequência desagradável uma dor persistente intensa que não queria sentir, considerando que ainda estava sob o efeito da hiperestimulação. Desisti do plano da lactose e passei para o da SII. Há um prato que, nalguns locais e num em concreto, é tiro e queda para me fazer visitar o WC. É a famosa francesinha! A uns três quilómetros da minha casa encontra-se um restaurante pequeno, onde praticamente toda a gente come o mesmo, ou seja, a famosa sanduíche com carnes, queijo e coberta de molho. É boa, é poderosa! Tão poderosa que lembrando-me do que ela me causava, implorei ao meu marido para jantarmos no restaurante P., porque não sabia mais o que fazer para despertar o gigante adormecido. Então lá fomos, estava confiante que o meu plano ia resultar. Enganei-me redondamente! Comi a francesinha e não aconteceu nada... Fiquei com uma revolta imensa e mais preocupada ainda. Só uns três dias mais tarde é que o intestino deu sinal de vida. Curiosamente estive alguns anos sem ir àquele restaurante e quatro dias antes de iniciar esta estimulação regressei com um grupo de amigas. Estava de pé atrás e com razão, pois o raio da francesinha fez-me voltar a visitar as instalações sanitárias.

Voltando a este tratamento, estou mesmo confiante de que os ovócitos estão maduros o suficiente e com melhor qualidade que na estimulação anterior. Da outra vez foi um disparate, passar em apenas 3 dias, de folículos abaixo de 10mm para um estado praticamente pronto a puncionar. Hoje falaram-me várias vezes que me vão contactar quando chegar a altura de preparar a TEC. Partem do princípio que vai haver embriões para transferir, estão sempre muito mais otimistas que eu. Vou seguir no embalo e esperar pelo telefonema. Para que isso aconteça só tenho de ouvir boas notícias da bióloga. Amanhã vou perguntar-lhe como vou ter conhecimento do resultado do rastreio.

A diretora, as enfermeiras e a maravilhosa técnica administrativa ficaram realmente felizes por ter dito que esta punção correu de uma forma que nunca esperava. Vou guardar na memória cada uma delas com muito carinho.

PGT-A - Punção

Ainda me encontro na caminha do hospital. Que diferença! Fui medicada para as dores bem cedo para acordar melhor e de facto a mudança é abismal. Acordei dorida, mas nada comparado com as outras vezes. Não tenho a sensação de ter sido esmurrada nos maxilares. Falei previamente com a anestesista sobre essa situação, assim como do facto de na punção anterior ter dores abdominais, mesmo sedada.

Quando vinha a caminho do hospital comecei a sentir aquele peso incomodativo no fundo da barriga, característico do elevado volume dos ovários.

O meu marido foi neste momento tratar do seu contributo. Fui a única pessoa a fazer hoje punção, por isso o quarto do recobro foi só para mim. As dores são tão poucas que até me dei ao luxo de dormir. Fiz uma soneca considerável e soube maravilhosamente.

Foram recolhidos 16 ovócitos. É uma grande diferença em relação às outras vezes mas, não sei porquê, estou calma e confiante. Aqueles valores absurdos acima de vinte não me convenciam muito.

Irei escrever mais alguma coisa à tarde ou à noite.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 15

Às 8h vou estar no hospital para colocar o catéter, depois é aguardar pela minha vez para fazer a punção. Está a começar a chegar o nervoso miudinho, não pelas dores que vou sentir mas pelo aproximar das próximas etapas.

Trata-se do culminar de oito anos cheios de incertezas, desilusões, sofrimento. Passei milhares de horas a pesquisar, perdi a conta às noites em claro a pensar na vida, gastei muitos dias em salas de espera de hospitais. Deixei vários tubos de sangue para analisar, fiz uma quantidade de ecografias que jamais pensei que fosse realizar. Sacrifiquei a minha vida profissional para conseguir fazer tratamentos a cada 4 meses, tomei uma quantidade infindável de comprimidos, injetei-me com a mesma ligeireza com que realizo uma atividade banal do quotidiano.
Chorei, se chorei... Acabei por ficar sem lágrimas pela permanente deceção comigo. Ouvi muita coisa, desde palavras de motivação, incentivo e aconchego. Fui também variadíssimas vezes dissuadida a desistir, a procurar alternativas de tratamento ou aconselhada a ponderar outras formas de ser mãe. Foram-me ditas algumas palavras que dispensava ter ouvido. Os momentos baixos sobrepuseram-se aos altos, planeei o meu dia a dia em função dos tratamentos ou dos seus possíveis resultados, perdi o meu eu algures por aí. Perdi 4 filhos. Dezenas de embriões, os mini-nós, não conseguiram evoluir. Na vida além da infertilidade realizei algumas conquistas, vivi momentos felizes, amadureci. Passei a valorizar mais a simplicidade, aprimorei a forma de ver o que me rodeia, não me deixo deslumbrar facilmente com as coisas.

Validei uma grande aprendizagem com esta luta. Não temos noção da nossa capacidade para enfrentar situações menos boas até nos depararmos com elas. O motor desta luta é a esperança.

domingo, 6 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 14

Declaro encerrada a temporada de injeções!

Não sei se voltarei às picas numa possível TEC mas, por enquanto, a minha barriga em modo de coador vai descansar um pouco. Reparei desta vez que as veias nas mamas estão mais visíveis e tenho um bocadinho de tensão.

A atividade dos ovários está estranhamente branda, quase não percebo que tenho pipocas a eclodir cá dentro. Vou considerar que é um pequeno bónus para compensar todo o sofrimento que tenho vivido.

sábado, 5 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 13

Encerrei as injeções de Menopur e Orgalutran, amanhã finalizo com o Decapeptyl. Foi a estimulação mais longa, mesmo assim a diferença não é muito significativa. Sinto-me como ontem, até estou bem. Tenho uma pequena esperança de que a punção e os dias seguintes vão ser um pouco mais fáceis de suportar do que tem acontecido.

Sendo a punção na terça, o domingo que lhe segue (13 de outubro) é mais uma data determinante, a do quinto dia dos mini-nós. Os already frozen deverão ser descongelados na sexta para poderem acompanhar os potenciais irmãos que vão estar cheios de gana para realizar divisão celular.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 12

As pipocas estão aí! Os folículos têm tamanhos heterogéneos mas ainda há tempo de alguns poderem vir a ser os tais. Não tenho a contagem detalhada contudo, pelo que vi, o ovário esquerdo tem 12 candidatos e o direito 10. Terça-feira é o dia da punção. As minhas amêndoas devem estar do tamanho de ameixas ou tangerinas e lá para segunda-feira deverei carregar no meu ventre duas laranjas em explosão eminente. Quando estou sentada consigo sentir que tenho cá dentro umas coisas volumosas e fazer a ecografia não foi a melhor das sensações. A andar também noto a presença dos ovários. Agora é sempre a piorar.

Vou manter Menopur e Orgalutran até amanhã. Domingo, como não podia deixar de ser, fecho a loja com Decapeptyl 0,1. Adio, adieu, acho que me vou livrar definitivamente destes três e das hiperestimulações. Será o fechar de uma das várias portas que estão abertas neste labirinto. Estou preparada para sofrer mais um pouco. Não tem sido de outra forma nos últimos dois meses, a um ritmo diário, em diferentes partes do corpo.

Depois da punção vem o próximo mistério: o do resultado da fecundação. Por enquanto estou radiante pelo degrau da estimulação ter resultado num agendamento de punção.

A enfermeira disse que os meus ovários fazem ver a muitas jovens. De que me tem servido isso? Se me tivesse calhado na rifa apenas um ou dois ovócitos na primeira FIV, que culminassem num filho, tinha ficado muito mais orgulhosa do que nos mais de 50 que me sacaram e que até agora não deram em nada.

Vou aguardar pelas cenas dos próximos capítulos, porque não tenho o dom da adivinhação.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 11

Hoje, enquanto fazia uns exercícios na fisioterapia para simular piso irregular, comecei a ter algum desconforto nos ovários. Durante o resto do dia não voltei a sentir, porque andei essencialmente em locais planos. Fiquei um pouco mais expectante de que os ovários estejam menos sonolentos. Só vou saber amanhã de manhã, (in)felizmente não tenho capacidade para ver o que se passa cá dentro.

A par disto continua a saga da recuperação da entorse. Tive esta tarde consulta com a fisiatra, porque na próxima semana ia terminar o conjunto de sessões de fisioterapia inicialmente estabelecido. Como a evolução está a ser muito lenta, aguardam-me mais 4 semanas além desta que ainda tenho de fazer. Na primeira quinzena de novembro termino (ou não) a fisioterapia. Poderei ficar com sequelas permanentes mas pelo menos estou a tratar da parte muscular para o estrago ser suavizado. Vou continuar a manter a minha "pulseira eletrónica" durante mais uns tempos, evitar caminhadas longas, piso irregular, calçado pouco estável. Quem diria que um simples passo me ia dar este trabalho?

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 10

Devagar, devagarinho, os folículos vão crescendo. Sexta-feira volto a fazer ecografia. A médica diz que ovários como os meus são perigosos, parecem bombas relógio. Não vou fazer alteração da medicação e ficar confiante de que este crescimento lento vá ser fundamental no bom amadurecimento dos ovócitos, para que a taxa de fecundação seja espetacular.

O ponto da situação é este:

Ovário esquerdo - 13, 13, 12, 11, 10, 10, 10mm
Ovário direito - 12, 12, 10mm

Vou manter-me serena, sei que as médicas estão a tomar decisões conscientes.

Gosto globalmente do acompanhamento que estou a ter no HSJ desde que viram que sou "diferente" da norma. O único aspeto negativo é a espera pelo atendimento, mas já me habituei a isso e prepararam-nos para tal. Tenho de fazer um post dedicado apenas à equipa e ao hospital, é mais que merecido.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 9

Não sinto nada, o que aumenta o mistério sobre a atividade/inércia nas minhas profundezas.

Consultando a minha cábula digital, fiz na estimulação passada ecografia na mesma altura que farei amanhã e as notícias foram bem melhores que na eco anterior. Isso traz-me um pouquinho de ânimo mas não retira a preocupação. O objetivo desta estimulação era ter muitos folículos, uma boa taxa de fecundação e embriões fortes o suficiente para aguentar a cultura de 5 dias. A meta é ambiciosa, tenho plena consciência disso. Gostava que o meu corpo cooperasse nesse sentido mas pode ser tarde.

Nunca saberei se aqueles quase três anos de perda de tempo, até finalmente conseguir ser acompanhada no HSJ, seriam preponderantes para que o rumo desta história fosse diferente. Aconteceu, tenho de viver com isso. Tenho algumas condições clínicas que dificultam a concepção, são parte de mim. Não posso viver com raiva ou ódio em relação ao que sou.

Estou a poucos passos de conhecer o final deste meu livro. Não há muita coisa de que me arrependa nestes últimos oito anos. Olhando para trás, tenho dificuldade em pensar se voltaria a fazer tudo igual, porque estou exausta desta aventura interminável.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

PGT-A - Dia 8

Mais uma ecografia feita. Os ovários estão carregadinhos de folículos, no entanto só 3 se estão a começar a evidenciar, do lado esquerdo. Mantém-se a esperança de que se gere um boom até quarta-feira. Os corajosos têm por enquanto 12, 12 e 11 mm. Começo a sentir algum peso na zona abdominal enquanto ando.

Quero não estar enganada, quero conseguir fazer uma punção em que se extraia alguma coisa com potencial. Desejo não passar pela desilusão de não haver fecundação. A maior ambição que tenho atualmente é de que se chegue ao ponto de poder aguardar pelo resultado da PGT-A. Aceito até um resultado que indique que não há embriões com viabilidade. Um tratamento ficar a meio gás é uma tremenda frustração. Já passei por isso várias vezes, sei quão mau é.

domingo, 29 de setembro de 2019

PGT-A - Dia 7

Reina a harmonia! Não deteto nenhuma atividade nos ovários. Na estimulação do ano passado comecei a sentir alguma coisa no décimo dia. Tinha feito a ecografia que antecedeu a punção. Em apenas 3 dias passei de uns folículos inferiores a 10mm para "milhentos", como referiu a médica, de tamanhos generosos.

A reação do meu corpo à estimulação vai mostrando os sinais da idade. Em 2016 por esta altura, com a mesma dosagem, já tinha dores, aumento de volume abdominal e foi necessário passar para 125UI. Em 2018 foi preciso suspender o Orgalutran e voltar a retomar, face à resposta tardia.

Poderei estar com a barriga um pouco inchada mas ainda não estou muito certa disso.

O dia de amanhã vai ser peculiar. Começo a manhã num hospital para fazer fisioterapia, em seguida vou para o HSJ. À tarde vou acompanhar o meu marido a outro hospital, porque daqui a uns meses vai fazer novamente cirurgia a hérnia inguinal bilateral. Em 2014 fez cirurgia aberta e em nenhum momento foi dada a indicação de que esse tipo de procedimento poderia trazer complicações devido à manipulação dos canais deferentes, causando infertilidade. Desta vez falámos com a médica do serviço de cirurgia sobre o assunto e a via laparoscópica é a mais segura, contudo não é certo que vá ser esse o procedimento. Está referenciada a preferência pela laparoscopia mas vai depender da existência de material apropriado na altura da intervenção e da disponibilidade da equipa. Uma bodega, portanto... A forma de intervenção não deveria depender deste tipo de condicionamentos. Como a cirurgia será daqui a cerca de 6 meses, não vai influenciar este tratamento. Contudo, supondo que a PGT-A não dê em nada, não faremos mais tratamentos de PMA, mas a porta não fica fechada para um "milagre" de uma gravidez espontânea. Não vou viver obcecada com isso, é certo, mas podendo deixar as vias desimpedidas, nunca se sabe.

sábado, 28 de setembro de 2019

PGT-A - Dia 6

Ando tão relaxada que só me lembrei da injeção às 22h em vez de administrar às 21h. Já me ia esquecer também de começar o Orgalutran. Não me vou autoflagelar por causa disso, até fico aliviada por estar assim. Só devo evitar perpetuar estes esquecimentos.

Matei "saudades" da agulha do Orgalutran e da teimosia que por vezes evidencia a atravessar a pele. Sinto o líquido a fervilhar ligeiramente aqui na zona. Está a fazer a sua magia, espero eu.

O meu querido pé direito está no seu inchaço de fim de semana. Estou a habituar-me de tal forma a isto, que já me custa a acreditar que ele vá deixar de ter este comportamento. Tenho dado folga da ortótese ao sábado, pois habitualmente estou em casa, mas ele parece não gostar. Vou ter de continuar a manter a minha pulseira eletrónica a fazer compressão.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

PGT-A - Dia 4

Daqui a cerca de 12h saberei se o Menopur está a despertar as criaturinhas adormecidas. Vai ser também revelada a medicação que irei introduzir gradualmente no protocolo.

Há mais de um mês que convivo diariamente com dores. Ando com uns problemas além do tornozelo, que estão a demorar a passar e que, mesmo enquanto durmo, me causam permanente dor. Não estou bem em nenhuma posição. Ao sofrimento natural acresce a fisioterapia, três vezes por semana. Lá faço ultrassom, eletroestimulação, massagem (o momento de tortura indescritível) e exercícios com elásticos, bola e outros dispositivos. Gostava que a dor me desse tréguas durante uns dias mas não, a hiperestimulação deve estar a preparar-se para vir em força. O meu corpo não anda numa boa fase. Em contrapartida recebi hoje o resultado da análise que fiz ontem à TSH e T4 e felizmente o acerto do Eutirox está a dar frutos, que alívio! Noto alguns efeitos da alteração no funcionamento da tiróide, principalmente no cabelo e pele. As hormonas são umas manipuladoras de primeira!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

PGT-A - Dia 3

A minha pele anda estranha de há uns anos para cá e reage a coisas insignificantes. Esta tarde apercebi-me de uma vermelhidão, não é hematoma, à volta do local da picada de ontem mas não tenho prurido. Sinto um incómodo quando encosto a barriga a algum sítio, no entanto não é ainda da atividade ovárica. É apenas o normal da administração das injeções. Estou a lembrar-me agora que quando suspendi o Lovenox em dezembro, os hematomas só desapareceram na totalidade três ou quatro meses depois.

Esta manhã fiz outra colheita de sangue, solicitada pelo endocrinologista, para avaliar se a alteração de Eutirox ao fim de semana é apropriada para normalizar os níveis de TSH. Daqui a dois dias saberei se o empurrãozinho que estou a dar aos ovários está a resultar.

O pé, esse, enfim...

Esta fase não tem uma dose de adrenalina muito acentuada basicamente porque não se notam evidências físicas. No meu caso elas existem devido à SOP. Possivelmente vão começar a manifestar-se no início da próxima semana.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

PGT-A - Dia 2

Segunda injeção administrada. O Menopur não me é desconhecido, foi usado na estimulação da segunda tentativa de IIU que acabou cancelada por ter 7 ou 8 folículos dominantes.

Até agora só faço Eutirox, Ovusitol-D e Menopur. Como os tomo em períodos diferentes do dia, e é pouca coisa por enquanto, quase me esqueço dos dois últimos.

Ainda é muito cedo para sentir o frenesim de pipocas prestes a rebentar. O milho está a aquecer e espero que esta sementeira, praticamente quarentona, ainda tenha nutrientes suficientes para uma colheita de qualidade.

A fisioterapia continua, três vezes por semana. No sábado passado estive a fazer algumas tarefas domésticas que não exigiam um esforço extraordinário. O meu tornozelo não gostou e inchou bastante.
A ortótese é atualmente o meu porto seguro. Apelido-a carinhosamente de pulseira eletrónica, porque quando visto umas calças mais justas, vê-se uma proeminência da fivela elástica que prende à volta da perna, como se fosse um localizador. Tenho um enorme receio de fazer outra entorse, principalmente nesta fase de recuperação. Realizar uma cirurgia nesta zona não está nos meus planos mais imediatos, nem mesmo a longo prazo.

Na minha agenda tenho registado atualmente pouco mais que exames, consultas, análises, fisioterapia. Sim, escrevo numa agenda em papel. Prefiro ter esse tipo de informação anotado em algo palpável, onde possa virar páginas, do que andar a friccionar um ecrã, dependente de baterias para poder organizar o meu quotidiano. Gosto q.b. de tecnologia embora já tivesse mais interesse. Há coisas, no entanto, em que sou mais tradicional. Agendas para mim, têm de ser em papel, mas não serve qualquer uma. Aprecio determinadas formas de apresentar os dias da semana e as horas.