Regressei ao trabalho no dia 12 de março, ainda sentia alguma dor nas incisões e condicionamento na realização de determinados movimentos, principalmente a agachar-me. Durante perto de um mês depois do regresso não me senti a 100%, mas as melhorias foram sendo cada vez mais evidentes. Do ponto de vista gastrointestinal, só há umas três semanas comecei a normalizar. Até aí, quase todos os dias, mal terminava de almoçar, tinha de ir à casa de banho, porque o intestino reagia imediatamente. Nunca tive constrangimentos nas outras refeições.
Referi em posts anteriores que antes da cirurgia era acometida por dores excruciantes que me acordavam de madrugada. Tive dezasseis episódios desses antes da colecistectomia e estava convencida de que seria dos cálculos. Sim, cálculos, afinal eram três, tendo o maior dois centímetros. A vesícula ultrapassava os 14 cm e, segundo a cirurgiã, estava mesmo na hora de a tirar. Na consulta pré-operatória o cirurgião referiu que a dor poderia de facto dever-se ao estado da vesícula, mas só depois da cirurgia se iria perceber se era ou não. Se a dor voltasse ponderar-se-ia refluxo ou alguma condição cardíaca. Cerca de uma semana após a ida ao bloco pareceu-me que ia iniciar o aperto no peito, mas como ainda estava agrafada, desvalorizei e pensei que pudesse ser o incómodo nas incisões, porque os dias iam ficando cada vez difíceis de suportar, principalmente no corte na zona da boca do estômago. Dois dias depois voltei a ter a mesma sensação e julguei, mais uma vez, que era impressão minha. Cerca de um mês depois da colecistectomia, para meu completo desalento, despertei com a dita cuja, em seu pleno esplendor. Fiquei completamente arrasada. Na semana seguinte, seguiram-se outra vez minutos de agonia em que, mesmo que me levante o aperto persiste, acabando por passar. Desde então, em dois meses, tive sete crises. Depois da segunda vez fui a uma consulta no centro de saúde. Comecei a tomar pantoprazol, passei a dormir com duas almofadas, fiz um ecocardiograma com Doppler e uma prova de esforço. Aparentemente não há nenhuma condição cardíaca que justifique as dores. Note-se que, desde essa consulta, senti a dor cinco vezes.
Fui esta quinta-feira a um gastroenterologista que me disse poder estar a ter espasmos no esófago. Suspendi o pantoprazol e estou a tomar uns comprimidos para modular a acidez. Ele disse para elevar a cabeceira da cama, mas como a estrutura não tem pés, comprei hoje uma almofada em cunha com a elevação recomendada. Vou fazer uma endoscopia no dia 3 de junho (espero eu, porque é dia de greve geral, não sei se a clínica onde vou vai aderir) para se avaliar se há uma situação de esofagite ou outra questão. O último exame a realizar, caso se justifique, é uma manometria esofágica. Confesso que há noites em que tenho receio de dormir. Desperto muitas vezes, fico imenso tempo acordada. Durante a semana levanto-me diariamente às 5h50, normalmente deito-me às 22h30, ou até antes, e tenho dormido entre duas a três horas por noite. As dores de espasmos esofágicos são muitas vezes confundidas com angina de peito. A frequência aumentou significativamente desde a cirurgia. As dezasseis vezes que senti antes foi num período de cerca de dois anos e em apenas dois meses já foram sete. Esta situação desanimou-me. Por um lado estou contente por não andar constantemente enjoada, como era antes. O intestino está a readaptar-se, o que é bom. Noto que não é preciso abusar na ingestão de gordura para sentir indisposição, mas nesta fase ainda é normal. O regresso daquela dor... Desiludiu-me muito.
Não sei o que aí vem, espero que haja um veredito bem sustentado. A dúvida permanente deixa-me apreensiva. Espero que não seja mais um episódio com ausência de respostas, como já aconteceu naquele passado que motivou a criação deste espaço.
Já agora, alguém desse lado passou por algo semelhante?