terça-feira, 18 de setembro de 2018

Quando as mudanças surgem

Há dois meses fui a uma entrevista na perspetiva de colaborar num projeto desenvolvido por umas investigadoras de uma instituição de ensino superior do Porto. Iria prestar serviços durante os meses de outubro e novembro, a tempo parcial, mantendo a atividade que já desempenhava noutro local. Tive de ser franca quanto à hipótese de não estar tão disponível como esperado, devido aos tratamentos. A equipa estava sensível para a situação, até porque vários elementos passaram pela infertilidade, embora durante menos tempo que eu. Fui selecionada e apesar de estar consciente que esta experiência poderia coincidir com a realização de nova TEC aceitei arriscar, pois tem sido uma constante conjugar uma mudança com a rotina do hospital. Tem de ser, caso contrário a palavra estagnação teria tomado por completo a minha vida.

Há umas duas semanas pensei com os meus botões que seria uma boa ideia voltar à universidade no próximo ano letivo. Ainda não sabia muito bem em que modalidade e área, então fui ver as necessidades do mercado. Houve um anúncio que me prendeu a atenção pela possibilidade imediata de me proporcionar uma situação laboral mais confortável do que aquela que tinha até então. Nestes últimos anos trabalhei a tempo parcial, em regime de prestação de serviços, para compatibilizar com os tratamentos. Houve pelo meio hipóteses de trabalhar noutros locais, na minha área de formação. Não me senti, contudo, moralmente capaz de aceitar tendo, por exemplo, de me ausentar do serviço logo no dia seguinte à minha apresentação, fazê-lo outra vez na mesma semana e novamente duas semanas depois... Seria injusto tratando-se ainda por cima de uma substituição temporária. Abdiquei de oportunidades e adequei a minha vida profissional ao projeto de maternidade que cada vez mais considero uma ideia. Esta ideia sugou-me e dificilmente se irá materializar. Financeiramente levou-me a um limiar que nunca imaginei atingir com esta idade. Não tinha qualquer hipótese de ser autossuficiente se estivesse sozinha. Mas não estou só neste processo. Somos dois e embora o meu marido dissesse que estávamos a fazer o que devíamos para levar a água ao nosso moinho e que o trabalho dele nos possibilitava levar uma vida digna, não me sentia bem estar anos a fio a viver desta forma. Tendo em conta esta situação arrisquei responder ao anúncio, que correspondia a uma proposta de trabalho a tempo inteiro, com contrato. Fui contactada no dia seguinte e nessa mesma tarde fui entrevistada. Mais uma vez abordei a questão dos tratamentos para perceber a abertura que havia em relação às ausências (que sempre tentei que fossem o mais breve possível). Caso fosse manifestada alguma relutância, punha logo de parte a proposta. Não foi isso que aconteceu. Do outro lado houve compreensão. Expliquei em traços gerais em que circunstâncias é que precisaria de faltar e, convenhamos, não deve acontecer muito mais vezes. Tive de responder se aceitava ou não ficar com o lugar e decidi que sim.

A ideia do regresso ao ensino superior ficou em suspenso. Gostava imenso de o fazer mas não estou ralada com isso, temos de fazer opções.

Quanto a TECs não há nada a dizer. A suposta reunião em que o meu processo seria novamente discutido foi na quarta-feira passada e a ordem é aguardar uma chamada. O meu telemóvel anda tão sossegado que, de vez em quando, pego noutro telefone e ligo para o meu número para saber se está a funcionar. Desde o dia do último negativo paira na minha cabeça um som idêntico ao que é usado para simbolizar a brisa dos locais onde não acontece nada. Ainda pensei que em agosto fosse acontecer alguma coisa, à semelhança do ano passado em que fiz a histeroscopia. Mas não, ninguém se manifestou do lado de lá da Circunvalação. Se as transferências se estavam a fazer menos espaçadas, como me foi dito, então deve ter havido uma reviravolta e vigoram novamente os vários meses. A frequência comigo tem sido a cada 4 meses. Agora com esta ausência de notícias começo a duvidar até que seja feita em outubro, quando completam 4 meses desde a TEC 6. Estamos a 18 de setembro e se fosse para fazer um scratching endometrial suponho que fosse por esta altura.

Ah, ia-me esquecendo de contar. Aquela fase de adolescência que tive em fevereiro e março, pouco tempo depois da aspiração, já passou. Sou novamente eu, a amenorreica, a disfuncional, que menstruou pela última vez no dia 9 de julho, depois de suspender o Progeffik.

Vamos entrar no último trimestre de 2018 e até agora, neste ano civil, fiz apenas uma TEC. Não imaginava que nesta altura fosse estar tão parada ao nível dos tratamentos. 4 meses separam-me dos 39 anos e custa-me perceber isso. Estou desanimada por ver que não falta muito para o ano terminar. A sensação que tenho é que foram dados mais passos para trás do que para a frente. Estes meses, desde a última transferência, têm custado imenso a passar pela incógnita da decisão da famigerada reunião. E a tortura continua com o silêncio do telefone. Não há conclusões acerca de nada, não há datas nem planos que me tenham sido comunicados. A dúvida sobre tudo o que aconteceu nestes quase 7 anos é cada vez maior. Preciso que isto chegue ao fim, seja ele qual for.

terça-feira, 17 de julho de 2018

40 semanas

Era uma vez um casal que, um dia após ter contraído matrimónio, realizou mais uma transferência de embriões. Esse ato médico resultou na terceira gravidez, desse mesmo casal, num intervalo de 13 meses. Hoje, algures no mundo, alguém completa 40 semanas desse estado de graça. Não é o casal referido no início, porque a Mãe Natureza (soberana) entendeu que eles não o merecem.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Beta - TEC 6

Como contava, o resultado foi negativo. A Diretora disse que o meu caso é complicado e não foi tomada nenhuma decisão sobre o que se segue, porque vão discutir em reunião. Não estou arrasada, era o que esperava apenas.

Penso que virá um scratching endometrial. É algo que também fazem lá e nunca foi tentado comigo. O mais parecido que houve foi a biópsia na histeroscopia, em que engravidei na TEC que fiz a seguir. Virá mais uma dose de sofrimento, não sei se melhor ou pior que a biópsia. Parece que ainda não passei o suficiente para isto dar a volta.

O embrião era excelente e como tenho vindo a dizer, o problema é quando colocam os pequenotes em contacto comigo.

A próxima transferência deverá ser por volta de setembro. Vou manter outra vez em águas de bacalhau os meus planos, para continuar a conseguir compatibilizar a minha vida com o corridinho ao hospital.

Não irei precisar de viajar, daqui a uns dias, munida de medicamentos e pensos XXL para o caso de haver outro aborto.

A única orientação, para já, é aguardar uma chamada que vai acontecer depois de deliberarem alguma coisa. Normalmente é à quarta-feira de manhã que reunem.

Obrigada a todas pelo carinho e o tempo que dispensam da vossa vida para acompanharem esta trajetória completamente irregular.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Dia 13 - TEC 6

Aqui estou, novamente, a umas horas de conhecer mais um resultado. No passado cheguei a iludir-me com alguns sinais que posteriormente se revelaram como efeitos secundários. Hoje houve pouquíssimos instantes em que senti uma ligeira pressão no útero. Admito que, atendendo ao que não notei durante esta espera, um positivo chorudo deixar-me-á atónita. Pézinhos bem colados à terra é o que se exige nesta fase. Em qualquer fase, para ser mais realista. Não sei bem o que pensar, sentir, planear. O que preciso mesmo é de fazer a colheita de sangue e saber se sim, nim ou não.

Mal saiba o resultado e esteja de volta a casa, dou notícias, como sempre fiz.

Dia 12 - TEC 6

Mais do nada. Arrisco dizer que depois de amanhã vou ser confrontada com o terceiro negativo da carreira. É uma hipótese perfeitamente viável, faz parte destes processos, especialmente quando se aposta apenas num embrião. Aceito melhor esse resultado que o sufoco de um positivo que termina mal. O reverso da medalha é que isso significará manter a vida em suspenso até fazer nova TEC, mas aguento outro ano de sacrifício, porque será o último. Estou ávida de mudança, no entanto devo ter mais um pouco de paciência.

Sou seguida no HSJ desde dezembro de 2014. Desde essa altura não tem havido muitos períodos em branco. Têm sido anos intensos de constante descoberta e cada vez mais dúvidas. Tanto foi feito embora não pareça, porque o piso 3 tornou-se como que uma extensão da minha casa onde passo muitas horas. O Hospital Pedro Hispano foi um calhau no meu sapato. De encaminhamento em encaminhamento (com muita incompetência pelo meio), adiamentos de consultas e dificuldade em chegarem à conclusão que o Dufine não é a minha praia, perdi aquela juventude que podia ter dado uma mãozinha preciosa a tudo o que lhe sucedeu. Como não vale a pena chorar sobre o leite derramado, resta-me queimar os últimos cartuxos.

Na primeira consulta que tive no HSJ a médica disse "Não se preocupe que vai engravidar". Ela teve razão, pelo menos três vezes... Podia ter dito "Não se preocupe que vai conseguir ter um filho".

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Dia 11 - TEC 6

Julgo ter sentido algo semelhante a uma pequena dor menstrual, por duas vezes. De resto, tudo pacífico.

Faltam 3 dias para o primeiro beta de 2018. Este processo arrastou-se devido ao desenvolvimento irregular da última gravidez que me levou ao bloco, depois um momento teenager hormonalmente descontrolado atrasou um pouco mais o início da estimulação. A hiperestimulação essa, já contava com ela. O que me impressionou foi ter feito a transferência sensivelmente dois meses após a punção e não três, como em 2016.

Entrámos no mês 7 do ano, que choque! Não tarda, estamos de volta à época natalícia e quase de seguida os 39 anos chegam. Olho para trás e não vejo progresso. Ambicionava ser mãe pela primeira vez até aos 35 anos. Do desejo à realidade vai um conjunto de experiências fracassadas que me levaram a redefinir ideais. Não estou a matricular nenhuma cria na escola, pelo contrário, continuo a dedicar o meu quotidiano a uma ideia criada, nada palpável. Este vazio de matéria recebe mais amor, atenção e sacrifício que muitos filhos de gente que não merece o ar que consome ao planeta. Só posso estar a receber uma lição, penosa, porém vou ter de aprender algo com tudo o que tem acontecido desde novembro de 2011.

Dia 10 - TEC 6

Há muita informação que retive destes anos de consultas e tratamentos mas existem detalhes dos quais só me recordo quando vou ao histórico de posts publicados no blogue. Já me socorri várias vezes de dados aqui escritos. Dantes tinha registos em papel com as datas de consultas, alterações de medicação, menstruação, porque é frequente as médicas perguntarem. Se continuasse a recorrer a folhas ou agendas o manancial coletado seria vasto. Felizmente este registo digital tem a facilidade de armazenar tudo isso e muito mais, além de possibilitar a partilha da forma como vivo a infertilidade.

Nunca tive pretensões de ocultar ou amenizar aquilo que sinto. Acho que tem de se pôr fim à imagem de que a infertilidade é uma coisa sem importância que se resolve sempre. Que isto é fruto apenas de um estado de ansiedade e que, quando menos esperamos, ou seja, nuns instantes em que não estamos acometidos dessa dita ansiedade dá-se aquilo que toda a gente é naturalmente capaz. Falei já deste assunto nos primórdios do blogue mas passados todos estes anos, ainda oiço vindo da parte de pessoas bem próximas, a referência à dita ansiedade. Essa palavra também está incluída no rol das que gostava de banir do dicionário. Questiono-me por que é que em vez de estar a tomar 9 comprimidos por dia não passo apenas para 2: o Eutirox e um ansiolítico? Aparentemente seria este último o salvador da natalidade da comunidade infértil. Querem ver que a infertilidade é um estado psicológico e não um acometimento físico?

Dá para ver que continua sem acontecer nada de percetível por cá. Sim, comigo está tudo igual. A única coisa diferente é que falta menos tempo para o dia 5.

domingo, 1 de julho de 2018

Dia 9 - TEC 6

Chegou o último fim de semana que antecede o beta. A ausência de sinais fisiológicos permanece. Estou curiosa para saber o que isto significa. A rotina medicamentosa está completamente entranhada e pode permanecer por muitas semanas, que não me importo nada.

Estou a entrar nos 6 anos e 8 meses de luta. Fala-se na crise dos 7 anos nas relações dos casais. Neste caso, os 7 anos de frente a frente com esta doença maldita, serão o fim desta guerra em que vou erguer a bandeira branca.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Dia 8 - TEC 6

Está a ser muito estranho descrever a evolução desta TEC. Os dias, no que toca a este assunto, são recheados de uma total neutralidade. Hoje não foi exceção. Começo até a sentir-me constrangida de vir cá dar "novidades". Estou mal habituada pelas experiências anteriores. Parece que estou sempre a bater na mesma tecla mas a maior surpresa até agora desta TEC é a sensação de que não fiz nada há uma semana. Estive, contudo, completamente consciente a ver o catéter a chegar ao endométrio no qual foi depositado o líquido onde se encontrava o embrião. A bióloga verificou como sempre, no final, se havia algo na cânula. Pergunto-me se aquelas pontadas fortíssimas que sentira nas transferências anteriores eram fruto de excesso de Estrofem. Até nos negativos era invadida por essas dores.

A contagem decrescente vai começar. O tempo está a andar a passo de caracol mas uma semana já lá vai.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Dia 7 - TEC 6

Novo dia, nada novo. Vou-me entupindo de medicação, apenas. Se a magia aconteceu começa a ser altura da hormona beta-hCG invadir o corpito. Nas duas últimas vezes comecei a ter perdas no dia 9 e resultado positivo. Devia ser o famoso sangramento de nidação.

Daqui a uma semana, por esta hora, já estarão dadas as novidades relativamente ao veredito da primeira TEC desta FIV. Sei que não devo comparar as minhas experiências anteriores, porque este universo infértil não tem nada de uniforme. Somos movidas, contudo, por aquela busca de conforto, por algo familiar, pelo refugiar num mecanismo de defesa que não faz rigorosamente nada, porque sofre-se sempre. Se calhar era muito mais fácil se fosse como aqueles testes académicos feitos a computador em que, quando acaba o tempo definido para a sua realização, sabe-se automaticamente se se está aprovado ou reprovado. Fazia-se a TEC e o resultado saía na hora. A realidade não é assim. Aquelas duas pequenas personagens que gostam de pairar, junto a cada ombro, a sussurrar aos nossos ouvidos, vão minando o cérebro ora com frases motivadoras, ora com escárnio, toldando a clarividência. O meu marido não é nada assim e às vezes isso enerva-me. Ele é que age bem, não eu.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Dia 6 - TEC 6

Se em outras ocasiões começava a ter pontadas na barriga, com positivos ou não, desta vez não sinto rigorosamente nada. Isto leva-me a perspetivar um grande negativo. Outra hipótese é os dois comprimidos de Estrofem, em vez de três, estarem a ditar esta diferença relativamente a todas as outras TEC. Mesmo que não resulte pretendo continuar a tentar um embrião de cada vez.

Quero manter-me otimista mas começa a ser difícil. Antevejo que a mudança que queria fazer a uma área da minha vida, que tenho vindo a prejudicar, não vai acontecer para que consiga manter-me disponível para novas transferências. Tenho de pensar que em mais ou menos um ano este assunto da infertilidade fica arrumado definitivamente e depois sim, poderei dedicar-me a outros projetos.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Dia 5 - TEC 6

Os efeitos da medicação ainda não se fazem sentir. Não tarda muito, o meu estado insuflado, ao nível da poitrine, será ainda mais gigantesco do que aquilo que normalmente é, fruto do Progeffik. No que diz respeito à minha amiga gastrite, que me acompanha sempre nas TEC, desta vez ainda não deu sinais. Associo essa alteração à redução dos comprimidos de Estrofem ou, quem sabe, estou mais calma.

Lembrei-me há pouco que na folha onde as médicas registam a informação da transferência, ao contrário das outras 5 vezes em que indicavam a SOP como causa desta coisa do demo, agora assinalam infertilidade inexplicada. De facto, face ao que aconteceu nos últimos 2 anos, estou realmente naquele limbo da estranheza, do desconhecido. É um género de purgatório da infertilidade em que poderei ficar eternamente.

Veio-me agora também à mente que há exatamente 8 meses, quando nos casámos, estava um dia de outono maravilhoso que mais parecia verão. Hoje estiveram 20°C e um vento fresco que não abonam a favor da suposta época em que nos encontramos.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Dia 4 - TEC 6

Mais 24 horas passaram. Não me ocorrem ainda pensamentos derrotistas, mas também não perco muito tempo a refletir sobre o que poderá estar a acontecer cá dentro.

Faltam 10 dias para saber o que me reserva o futuro ou não, como é costume. Sei que, se engravidar, as fatídicas 6 semanas vão coincidir exatamente com a altura em que estarei numa ilha no Atlântico. É, tradicionalmente uma época traumática para mim em que também se realiza a ecografia na qual se tem vislumbrado o nada. Bem, o melhor é afastar-me de ideias malucas e viver minuto a minuto.

Estou a tentar definir um pouco a minha vida quando terminar o verão, tudo depende desta TEC. It sucks!

domingo, 24 de junho de 2018

Dia 3 - TEC 6

Hoje é dia de aniversário do paizinho da minha filhota (enteada), da minha menina peluda longa de comprimento e de bigodaça e dos 28 mini-nós que fecundaram. Apesar da data, ele não se chama João.

Se não tivesse de me lembrar dos horários de medicação e de fazer alguns ajustes alimentares, passaria despercebido que fiz uma transferência.

Apesar de ontem não ter cometido qualquer excesso alimentar, de há uns dois anos para cá noto que o meu estômago não tem a mesma tolerância de antes. Quando algo foge um pouco à regra no tipo de alimento ingerido, no dia seguinte sinto-me nauseada. A esta hora permaneço nesse estado, contudo tenho a esperança de amanhã já estar normal. Sardinha assada à noite começa a tornar-se pouco recomendável.

Segunda é dia de regresso ao trabalho. Foi bom a TEC ter sido numa sexta para desanuviar a cabeça. Se tudo continuar sobre rodas, os próximos dias serão cruciais. Vendo bem as coisas cada fração de segundo é crucial. Da ventura ao descalabro não é preciso mais que um momento para que algo significativo aconteça. Para não estar permanentemente a pensar nisso o melhor é arranjar formas de manter a mente afastada, o que é difícil quando se tem de fazer medicação a cada 8 horas.

Dia 2 - TEC 6

Foi noite de S. João aqui no norte. O meu marido proibiu-me de realizar qualquer atividade. Ao menos pude tratar da saúde das sardinhas que tão bem me souberam. Coube-me a tarefa de aprovar a quantidade de pimento assado que ele podia comer para que a noite corresse bem. Num balão depositei os pensamentos nas minhas pequenas luzinhas que cedo se extinguiram. Noutro foquei-me no mini-nós que poderá ainda estar a lutar no duro ambiente que tem de enfrentar. Foi um dia feliz, num ambiente caloroso.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

TEC 6

Eu e o meu pequeno estamos recolhidos em casa. A bexiga estava vazia, apesar de ter bebido quase 1 litro de água, mas viu-se bem o endométrio e o catéter. Fomos depois almoçar ao shopping aqui perto de casa e demos uma voltinha muito calma.


The chosen one
é topo de gama, não perdeu uma única célula. Perguntei se era resultante da FIV ou ICSI e a bióloga disse que era da FIV. Preferiu assim por não ter sofrido qualquer manipulação. Acredita que um dia vai aparecer o certo.

Fui esperançosa, na sala havia um rádio ligado e foi a primeira vez que fiz uma transferência com direito a música. Transmitiu-me paz e a ideia que pode ser que alguma vez corra bem. Quem fez o procedimento foi a Diretora por quem tenho uma grande estima. Em jeito de brincadeira meteu-se comigo a dizer que eu deveria ter bebido cerveja, pois assim a bexiga enchia instantaneamente. Ela estava mesmo bem disposta e comentava com as estagiárias que o meu cadastro lá já é grande. Antes de vir embora, a técnica administrativa aconselhou-me a cheirar os dois manjericos que estão na receção para dar sorte e cumpri à risca para que o mini-nós fique completamente imbuído das energias positivas que toda a gente me transmitiu hoje.

5 de julho será o dia da verdade desta TEC. Vou manter-me fiel ao conhecimento da realidade apenas nessa data. Quem espera há quase 7 anos por um dia mágico aguenta bem pelo resultado do beta.

terça-feira, 19 de junho de 2018

TEC 6 agendada

Foi dia de ecografia e confirmou-se novamente que o meu endométrio responde bem ao Estrofem. Para variar estava com uns esbeltos 9,2 mm. Na próxima sexta vou então receber o meu embrião proveniente da magia biológica mais recente, com ADN mais maduro e experiente. Há um misto de expectativa e pessimismo, sentimentos antagónicos característicos deste processo. É a sexta vez que passo por isto, se houver descongelamento favorável. Será o décimo primeiro inquilino que vai passar por cá. Espero que não lhe dê ordem de despejo fora do tempo.

Uma das médicas estagiárias estava a procurar no meio de toda a papelada que recheia o meu processo o consentimento desta TEC, para confirmar se já estava assinado e o número de embriões a transferir. Eu disse que desta vez a aposta era apenas num e a Diretora comentou "fazem bem". Ao contrário das outras vezes em que, a partir desta fase, passava a tomar 3 comprimidos diários de Estrofem, desta vez mantenho dois, porque o endométrio cresce bem. O Progeffik foi introduzido esta tarde, com periodicidade a cada 8 horas.

Dizem que à terceira é de vez. Quem sabe não é ao dobro da terceira?

Sexta à tarde ficarei de papo para o ar e sábado é noite de S. João. Vou estar sossegadinha a degustar sardine on carvon, sem loucuras (é o meu estado normal) e domingo é aniversário do pai da criança. Este dia será igualmente zen, até porque não sei como lhe vai cair o jantar da noite anterior. Os pimentos e azeitonas são um problema quando ele se lembra que gosta muito. Os meus avisos constantes caem muitas vezes em saco roto.

Estou em falta com as minhas estimadas leitoras e companheiras de luta. A partir de quinta estarei mais disponível para passar um tempinho por cá.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Ao ataque!

Não menstruei após o Decapeptyl, como é costume. Fiz ecografia esta manhã, o endométrio estava linear, prontinho a receber o Estrofem. Recomecei os dois comprimidos diários, volto ao Cartia e a dúvida das médicas era em relação ao Lepicortinolo. Há casos em que traz vantagens, noutros tem um efeito contrário ao pretendido. Elas receiam que eu seja desses casos. Quando disse que foi na TEC do corticoide que se viu um saquinho sem qualquer dúvida, a médica decidiu arriscar novamente no Lepicortinolo. Falei outra vez no Lovenox e, para já, não acham que possa trazer benefícios. Na próxima terça-feira volto a fazer ecografia.

Mais um ano letivo finda e agora é altura de tratar da preparação de alunos para o exame nacional. O horário de trabalho está organizado de outra forma e estou fisicamente cansada. Ando muito absorvida nesta missão mas neles acresce o sentimento de responsabilidade e o medo de bloquearem em algo tão determinante na definição das suas escolhas. Daqui a uma semana será o famigerado exame de 11° ano. A partir daí estarei mais disponível para passar cá mais vezes e arrebitar um pouco a atividade escrita.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Em modo pré-TEC 6

Ovários normalizados, é chegada a hora de preparar o ciclo da TEC 6 ou TEC 1.2. Vai ficar a designação TEC 6 para facilitar a leitura. A minha nádega está a queixar-se do Decapeptyl, aquele que tem efeito de redundância nos meus ovários naturalmente bloqueados. Os próximos dias serão passados em diferentes estados desagradáveis. Assumo com todas as letras: NÃO GOSTO DO DECAPEPTYL 3,75! Tenho direito a manifestar-me.

Face ao meu passado com o dito injetável quis saber o plano B se, à semelhança das duas vezes em que fui submetida a este protocolo, não menstruar. O plano A, partindo do pressuposto que a hemorragia de privação surge, consiste em iniciar dois comprimidos diários de Estrofem e ao nono dia do ciclo fazer ecografia. Se num prazo de 10 a 15 dias não houver alerta vermelho, entrarei em contacto com o hospital e agendar-se-á ecografia. Supondo que os ovários estejam devidamente bloqueados e o endométrio fino, iniciarei o Estrofem. Nada foi adiantado em relação à segunda parte do protocolo, que é a que me preocupa mais.

O consentimento para o descongelamento de 1 embrião está assinado. Prevejo que a TEC vá acontecer perto do S. João. Vai haver tripla influência do S. João nesta transferência: a época, o nome do hospital e o pai da criança que faz anos no dia do Santo que tem um cordeiro no colo. A fórmula mágica vai estar nesse triângulo, tenho dito!

A realidade é que o meu nível de confiança está neutro. Elas mandam (as médicas), eu cumpro.

Há mais de duas semanas que tenho enxaquecas diariamente a chatear-me. Não sei se é do efeito primavera que me altera o equilíbrio físico, deste tempo estúpido que não estabiliza ou a visão. Segunda-feira vou ao oftalmologista ver se a idade anda a deixar marcas nos olhinhos.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Nervoso miudinho

Na noite da passada sexta-feira veio a senhora M. Sem piedade, abundante e alguma dor à mistura. Comuniquei o evento esta manhã, como fora combinado, e a ecografia foi agendada para dia 30, às 10h, 21° dia do ciclo. Quando me foi dito que o meu marido devia ir, fiquei surpresa. Ora, se os ovários estiverem restabelecidos, iremos assinar o consentimento para fazer TEC. Não estava à espera que fosse já! Fui invadida por um medo e pensei logo se podia interferir com as férias que tenho marcadas desde o início do ano. À partida não. Mesmo que engravide, as 6 semanas críticas onde tudo corre mal terão já passado. Não poderei dizer o mesmo das 8 semanas que também causaram problemas na segunda gravidez. O segundo pensamento foi dedicado à medicação. Embora só me vá ausentar 4 dias, numa primeira fase, se usar Lovenox vou ter de pedir uma declaração para mostrar no aeroporto e andar com seringas, ampolas, além de não esquecer o Progeffik a cada 8 horas e toda a parafernália de outras coisas que vou tomar.
Também importante: pensos, dos gigantes. Seria tão bom não ter de pensar nisso mas é inevitável.

Estarei isenta desse tipo de preocupações se o resultado for negativo ou nenhum embrião tiver descongelado bem, mas triste por ter perdido uma oportunidade de mudar o destino.