As orientações relativas ao dito órgão em forma de borboleta, estão dadas. De segunda a sexta farei a dosagem de 100 microgramas, ao fim de semana será 150. Daqui a 3/4 semanas repito a análise para ver como ela reage. Espero que não se arme em esquisita, porque não tenho tempo para uma tiróide com manias de diva. Que tenha paciência, mas agora não dá!
Da resistência à insulina a situação está bem. Uns parâmetros vão controlando outros, é menos uma preocupação.
O fardo está mais leve, era do que precisava por enquanto.
Sei que chegarás
Um grito mudo de alguém que vive no submundo da INFERTILIDADE
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Análises endocrinologia
Nos últimos anos tenho feito o controlo da função tiroideia no hospital, sempre que realizo algum tratamento ou através da médica de família, uma vez que tudo se tem mantido regular.
Há uns meses houve um problema na distribuição do Eutirox pelas farmácias, levando a que este esgotasse em muitas das dosagens que existem. Tomo o Eutirox 100 há uma dúzia de anos ou provavelmente mais. Antes disso era o Thyrax. Esse problema da falta de disponibilidade acabou por me afetar. A hipótese mais razoável que havia para conseguir garantir a dosagem de 100 microgramas de tiroxina sódica, da mesma marca, era adquirir uma embalagem de Eutirox 50 e, em vez de tomar 1 comprimido como faço habitualmente, tomaria 2 para a concentração estar correta. Foi essa opção que tomei e enquanto isso generalizaram-se rumores de que o Eutirox iria sair do mercado. Face a essa (des)informação decidi marcar consulta num novo endocrinologista para saber que medicamento passaria a tomar no caso do Eutirox deixar de ser comercializado. O profissional que escolhi tem como áreas de diferenciação assuntos que me pareciam mais valias para mim como amenorreia, hirsutismo, obesidade, diabetes. Quando terminei a embalagem de Eutirox 50 fui à farmácia, mentalizada para a possibilidade de já nem sequer haver esse disponível. Acabou afinal por voltar a ser feita reposição do 100. Ainda pensei em cancelar a consulta agendada pelo facto de o medicamento estar novamente no mercado mas optei por ir na mesma ao médico. Achei que deveria fazê-lo. Realizada a anamnese em que viajei novamente desde 1995 até à altura em que foi diagnosticado o hipotiroidismo, acabei por falar inevitavelmente da infertilidade. Saí do consultório com uma requisição de análises e uma receita de 3 caixas de Eutirox 100, pois dada a regularidade que persiste há mais de uma década, não seria de prever nenhuma alteração de relevo na TSH. Segundo o médico continuam a existir problemas na venda de algumas dosagens de Eutirox. Comprando as 3 embalagens ficaria abastecida para meio ano, precavendo assim rupturas de stock. Em relação às análises, além da função tiroideia o endocrinologista pediu um estudo da resistência à insulina, algo que nunca foi feito nestes 24 anos em que os problemas hormonais entraram na minha rotina.
Fiz a colheita e os resultados ficaram prontos ontem. Para minha surpresa a TSH está aumentada, um valor de 5,629 quando a referência é entre 0,550 e 4,780. A situação é inédita nestes anos todos depois de me ter mantido estável tanto tempo. Era a última coisa que esperava nesta altura do campeonato. Em relação à insulina e hemoglobina glicosada, penso que entendi o que significam as alterações, mas estou à espera do parecer do médico e a contar com a possibilidade de precisar de metformina. Enviei hoje um mail ao endocrinologista com relatórios de exames que tinha feito no passado e aguardo que me responda o mais rápido possível, porque a questão da TSH não devia estar a preocupar-me nesta altura.
Se for feita uma estimulação com TSH em excesso, o líquido folicular vai conter uma concentração muito elevada dessa hormona, prejudicando a maturação dos ovócitos. Tenho de começar imediatamente a fazer o acerto da tiroxina para não comprometer a colheita de ovócitos. Durante anos tomei bombas hormonais que não afetaram em nada a tiróide. Este ano, que não fiz nenhum tratamento, sou apanhada de surpresa com este desequilíbrio. Não consigo explicar...
Logo que o endocrinologista dê alguma resposta vou enviar também um mail ao Dr. JL da CUF Descobertas para saber se tem alguma recomendação para a fase da estimulação e/ou para a altura da preparação de uma eventual TEC.
Em relação ao tornozelo as coisas estão um pouco em stand-by, porque vou fazer uma RMN na próxima semana. Já não uso as canadianas mas isto não está muito bom. O ortopedista suspeita, pelo que viu no raio-X, que poderá haver uma fissura (não é este o termo correto). Vou continuar com a ortótese e mediante o exame, será definido o plano de fisioterapia.
O ano foi bastante pacífico em comparação com os anteriores. Não teve tempos infinitos passados em salas de espera, a correria entre as idas ao hospital e o trabalho, o estabelecimento de rotinas em que tomava uma variedade considerável de fármacos ou administração de injeções, as desilusões. Há muito tempo que o meu quotidiano não consistia em apenas tomar o Eutirox, que é uma necessidade que me vai acompanhar sempre. Os próximos meses vão ser intensos. Para ser diferente, acresce à PGT-A a recuperação desta entorse complicada.
O desenrolar do processo inerente à PGT-A dá para traduzir num fluxograma. Vários cenários podem acontecer e só há uma ramificação possível que chega ao sucesso. Todas as outras condições vão ter ao fracasso.
Estou de certa forma consciente que vai terminar como começou, ou seja, sem nada. É o mais provável. A chegada do fim está a trazer-me várias inseguranças. Não consegui ainda definir o que vou fazer depois disto, que metas traçar para o meu futuro. Sei que quero compensar os anos em que abdiquei de mim para realizar algo significativo por mim. Acho que tenho valor, contudo não tem sido aproveitado como realmente mereço. Foi uma opção que fiz para poder estar disponível todas as horas que dediquei à infertilidade.
Vou entrar na quarta década de vida. Estou a atribuir uma maior responsabilidade a essa transição do que quando entrei nos trinta, não sei porquê.
Como se pode ver, tenho um turbilhão dentro de mim. Preciso de me encontrar.
Há uns meses houve um problema na distribuição do Eutirox pelas farmácias, levando a que este esgotasse em muitas das dosagens que existem. Tomo o Eutirox 100 há uma dúzia de anos ou provavelmente mais. Antes disso era o Thyrax. Esse problema da falta de disponibilidade acabou por me afetar. A hipótese mais razoável que havia para conseguir garantir a dosagem de 100 microgramas de tiroxina sódica, da mesma marca, era adquirir uma embalagem de Eutirox 50 e, em vez de tomar 1 comprimido como faço habitualmente, tomaria 2 para a concentração estar correta. Foi essa opção que tomei e enquanto isso generalizaram-se rumores de que o Eutirox iria sair do mercado. Face a essa (des)informação decidi marcar consulta num novo endocrinologista para saber que medicamento passaria a tomar no caso do Eutirox deixar de ser comercializado. O profissional que escolhi tem como áreas de diferenciação assuntos que me pareciam mais valias para mim como amenorreia, hirsutismo, obesidade, diabetes. Quando terminei a embalagem de Eutirox 50 fui à farmácia, mentalizada para a possibilidade de já nem sequer haver esse disponível. Acabou afinal por voltar a ser feita reposição do 100. Ainda pensei em cancelar a consulta agendada pelo facto de o medicamento estar novamente no mercado mas optei por ir na mesma ao médico. Achei que deveria fazê-lo. Realizada a anamnese em que viajei novamente desde 1995 até à altura em que foi diagnosticado o hipotiroidismo, acabei por falar inevitavelmente da infertilidade. Saí do consultório com uma requisição de análises e uma receita de 3 caixas de Eutirox 100, pois dada a regularidade que persiste há mais de uma década, não seria de prever nenhuma alteração de relevo na TSH. Segundo o médico continuam a existir problemas na venda de algumas dosagens de Eutirox. Comprando as 3 embalagens ficaria abastecida para meio ano, precavendo assim rupturas de stock. Em relação às análises, além da função tiroideia o endocrinologista pediu um estudo da resistência à insulina, algo que nunca foi feito nestes 24 anos em que os problemas hormonais entraram na minha rotina.
Fiz a colheita e os resultados ficaram prontos ontem. Para minha surpresa a TSH está aumentada, um valor de 5,629 quando a referência é entre 0,550 e 4,780. A situação é inédita nestes anos todos depois de me ter mantido estável tanto tempo. Era a última coisa que esperava nesta altura do campeonato. Em relação à insulina e hemoglobina glicosada, penso que entendi o que significam as alterações, mas estou à espera do parecer do médico e a contar com a possibilidade de precisar de metformina. Enviei hoje um mail ao endocrinologista com relatórios de exames que tinha feito no passado e aguardo que me responda o mais rápido possível, porque a questão da TSH não devia estar a preocupar-me nesta altura.
Se for feita uma estimulação com TSH em excesso, o líquido folicular vai conter uma concentração muito elevada dessa hormona, prejudicando a maturação dos ovócitos. Tenho de começar imediatamente a fazer o acerto da tiroxina para não comprometer a colheita de ovócitos. Durante anos tomei bombas hormonais que não afetaram em nada a tiróide. Este ano, que não fiz nenhum tratamento, sou apanhada de surpresa com este desequilíbrio. Não consigo explicar...
Logo que o endocrinologista dê alguma resposta vou enviar também um mail ao Dr. JL da CUF Descobertas para saber se tem alguma recomendação para a fase da estimulação e/ou para a altura da preparação de uma eventual TEC.
Em relação ao tornozelo as coisas estão um pouco em stand-by, porque vou fazer uma RMN na próxima semana. Já não uso as canadianas mas isto não está muito bom. O ortopedista suspeita, pelo que viu no raio-X, que poderá haver uma fissura (não é este o termo correto). Vou continuar com a ortótese e mediante o exame, será definido o plano de fisioterapia.
O ano foi bastante pacífico em comparação com os anteriores. Não teve tempos infinitos passados em salas de espera, a correria entre as idas ao hospital e o trabalho, o estabelecimento de rotinas em que tomava uma variedade considerável de fármacos ou administração de injeções, as desilusões. Há muito tempo que o meu quotidiano não consistia em apenas tomar o Eutirox, que é uma necessidade que me vai acompanhar sempre. Os próximos meses vão ser intensos. Para ser diferente, acresce à PGT-A a recuperação desta entorse complicada.
O desenrolar do processo inerente à PGT-A dá para traduzir num fluxograma. Vários cenários podem acontecer e só há uma ramificação possível que chega ao sucesso. Todas as outras condições vão ter ao fracasso.
Estou de certa forma consciente que vai terminar como começou, ou seja, sem nada. É o mais provável. A chegada do fim está a trazer-me várias inseguranças. Não consegui ainda definir o que vou fazer depois disto, que metas traçar para o meu futuro. Sei que quero compensar os anos em que abdiquei de mim para realizar algo significativo por mim. Acho que tenho valor, contudo não tem sido aproveitado como realmente mereço. Foi uma opção que fiz para poder estar disponível todas as horas que dediquei à infertilidade.
Vou entrar na quarta década de vida. Estou a atribuir uma maior responsabilidade a essa transição do que quando entrei nos trinta, não sei porquê.
Como se pode ver, tenho um turbilhão dentro de mim. Preciso de me encontrar.
sábado, 24 de agosto de 2019
Ovodoação e ficção
No intervalo de aproximadamente uma semana passaram pela televisão pelo menos dois filmes relacionados com esta temática. Classificá-los-ei como estranhos, na medida em que se debruçam sobre algo comum: dadoras que se aproximam das famílias que usufruíram dos seus ovócitos, com o intuito de se apropriarem dos filhos dessas famílias. Algo de comum também nesses filmes é que as ditas dadoras não olham a meios para conseguirem o seu objetivo, chegando a cometer assassinatos sem qualquer problema. Acho uma forma infeliz de abordar a temática.
Os filmes a que me refiro são o Inconceivable e The Wrong Mother.
Os filmes a que me refiro são o Inconceivable e The Wrong Mother.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Datas
O plano de ataque está definido. Vou tomar pílula contínua até dia 18 de setembro e dia 23 de setembro temos de estar no hospital às 8h30, prontos para passar lá a manhã inteira. Esse é o dia do arranque das injeções. Realizada a estimulação - hiper, certamente - segue-se a punção e o desenvolvimento dos embriões até D5 (os novos e os dois que ainda tenho congelados em D3). Nessa altura é feita a biópsia aos mini-nós e a criopreservação dos mesmos. O departamento de Genética entra em ação e fará o rastreio de aneuploidias. Um mês a um mês e meio depois sabe-se o resultado e, correndo tudo de feição, prepara-se a TEC.
Poderá vir a ser o terceiro ano consecutivo em que a chegada da época natalícia é marcada por uma transferência. As últimas duas vezes não me deixaram boas memórias. Se chegar ao ponto de ter algum embrião para transferir, já será uma boa notícia. Pelas minhas contas, se houver TEC, saberei o resultado do beta o mais tardar na véspera de Natal.
Estes próximos 4 meses vão passar a voar. Enquanto isso irei provavelmente fazer fisioterapia mas só vou ter a certeza dos planos para o meu pé na próxima semana. A propósito do pé e tornozelo, atualmente as suas cores abrangem uma paleta vasta. A minha irmã diz que é uma espécie de unicórnio em que só falta o verde. Preocupa-me é que a mínima pressão em pontos específicos ainda causa dor acentuada. Aguarda-me um longo período de recuperação.
Poderá vir a ser o terceiro ano consecutivo em que a chegada da época natalícia é marcada por uma transferência. As últimas duas vezes não me deixaram boas memórias. Se chegar ao ponto de ter algum embrião para transferir, já será uma boa notícia. Pelas minhas contas, se houver TEC, saberei o resultado do beta o mais tardar na véspera de Natal.
Estes próximos 4 meses vão passar a voar. Enquanto isso irei provavelmente fazer fisioterapia mas só vou ter a certeza dos planos para o meu pé na próxima semana. A propósito do pé e tornozelo, atualmente as suas cores abrangem uma paleta vasta. A minha irmã diz que é uma espécie de unicórnio em que só falta o verde. Preocupa-me é que a mínima pressão em pontos específicos ainda causa dor acentuada. Aguarda-me um longo período de recuperação.
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Curtindo o verão
Como referi no post anterior estou a mover-me de forma alternativa. A última vez que estive em contacto com o exterior foi no domingo, quando regressei das férias e passei na urgência. Ontem comecei a ter sintomas de constipação e há pouco a febre voltou a apoderar-se de mim. Podia ser pior, eu sei, e é melhor que seja agora do que quando estiver a fazer a estimulação. Não significa que não dispensasse este bónus. Normalmente constipo em setembro, em agosto não me recordo se alguma vez aconteceu. Espero não acrescentar nada ao pacote.
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Experiência acumulada
Estou numa altura da vida em que vou dando conselhos que resultam das experiências que vou acumulando nesta passagem. Normalmente faço-o quando me pedem opinião, pois não quero ser invasiva.
Desta vez vou fazê-lo de forma espontânea, porque ocorreu no fim de semana um episódio que resultou de abordagens pouco apropriadas ao longo dos anos, que me estão a limitar na atualidade e irão condicionar o meu futuro. Não tem nada a ver com infertilidade, mas sim com algo bem corriqueiro como entorses. Neste momento tenho duas amigas novas, com as quais tento deslocar-me enquanto mantenho um pé suspenso. Vou andar assim pelo menos duas semanas às quais se segue um acompanhamento médico que vai tentar remediar os muitos estragos que há dentro do meu pé. Não foi a primeira, nem a segunda entorse. Aliás, perdi a conta à quantidade de vezes que este pé virou com calçado raso, em piso plano. A primeira vez, há vinte anos, em casa de chinelos, resultou num pé instantaneamente azul e gigante. Por várias razões, o único tratamento realizado foi a aplicação de Reumon Gel. A partir daí o pé nunca mais teve a mesma estabilidade. Quando ando em pisos irregulares não se passa nada. O meu marido até comentou que nunca fomos a tantos castelos como neste verão e nada aconteceu. Em piso plano e sapatilhas, deu-se a desgraça. Ouvi estiramento no tornozelo, o pé virou de uma forma absurda e não consegui apoiá-lo no chão durante uns segundos. Um edema do tamanho de uma bola de golfe surgiu nos instantes que se seguiram. Apliquei uma dose muito generosa de gelo e tomei um anti-inflamatório. Estava nas últimas horas das minhas férias e o hospital mais próximo encontrava-se a uma distância considerável. Optei por aguentar a noite e no regresso que acabou por ser antecipado umas horas, fui a um hospital perto de casa, já a pensar que o cenário do tornozelo e do pé não ia ser fabuloso. O médico disse que havia uma boa e uma má notícia. A boa é que não sofri fratura. A má é que aquilo que ele viu no raio-X é um acumular de desleixo que se não for devidamente tratado desta vez vai trazer consequências desagradáveis. Estou na eminência de começar a ter artrose. Coloquei um tornozelo elástico, aplico gelo várias vezes por dia, movo-me com o auxílio de canadianas, pois não posso apoiar o pé no chão e tenho consulta marcada para a especialidade de pé e tornozelo para saber o que aí vem.
Depois deste testamento o conselho que tenho a dar é que se fizerem alguma entorse, tratem imediatamente dela. Mesmo que pareça algo insignificante, vão ao médico. Não sabem como está o interior da estrutura que lesionaram. Antevejo que num futuro não muito longínquo vou começar a mancar e a necessitar de apoio auxiliar, porque o caos apropriou-se do meu pé/tornozelo.
Desta vez vou fazê-lo de forma espontânea, porque ocorreu no fim de semana um episódio que resultou de abordagens pouco apropriadas ao longo dos anos, que me estão a limitar na atualidade e irão condicionar o meu futuro. Não tem nada a ver com infertilidade, mas sim com algo bem corriqueiro como entorses. Neste momento tenho duas amigas novas, com as quais tento deslocar-me enquanto mantenho um pé suspenso. Vou andar assim pelo menos duas semanas às quais se segue um acompanhamento médico que vai tentar remediar os muitos estragos que há dentro do meu pé. Não foi a primeira, nem a segunda entorse. Aliás, perdi a conta à quantidade de vezes que este pé virou com calçado raso, em piso plano. A primeira vez, há vinte anos, em casa de chinelos, resultou num pé instantaneamente azul e gigante. Por várias razões, o único tratamento realizado foi a aplicação de Reumon Gel. A partir daí o pé nunca mais teve a mesma estabilidade. Quando ando em pisos irregulares não se passa nada. O meu marido até comentou que nunca fomos a tantos castelos como neste verão e nada aconteceu. Em piso plano e sapatilhas, deu-se a desgraça. Ouvi estiramento no tornozelo, o pé virou de uma forma absurda e não consegui apoiá-lo no chão durante uns segundos. Um edema do tamanho de uma bola de golfe surgiu nos instantes que se seguiram. Apliquei uma dose muito generosa de gelo e tomei um anti-inflamatório. Estava nas últimas horas das minhas férias e o hospital mais próximo encontrava-se a uma distância considerável. Optei por aguentar a noite e no regresso que acabou por ser antecipado umas horas, fui a um hospital perto de casa, já a pensar que o cenário do tornozelo e do pé não ia ser fabuloso. O médico disse que havia uma boa e uma má notícia. A boa é que não sofri fratura. A má é que aquilo que ele viu no raio-X é um acumular de desleixo que se não for devidamente tratado desta vez vai trazer consequências desagradáveis. Estou na eminência de começar a ter artrose. Coloquei um tornozelo elástico, aplico gelo várias vezes por dia, movo-me com o auxílio de canadianas, pois não posso apoiar o pé no chão e tenho consulta marcada para a especialidade de pé e tornozelo para saber o que aí vem.
Depois deste testamento o conselho que tenho a dar é que se fizerem alguma entorse, tratem imediatamente dela. Mesmo que pareça algo insignificante, vão ao médico. Não sabem como está o interior da estrutura que lesionaram. Antevejo que num futuro não muito longínquo vou começar a mancar e a necessitar de apoio auxiliar, porque o caos apropriou-se do meu pé/tornozelo.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Ronda final
Pensei que ia terminar o ano sem haver desenvolvimentos. Felizmente ligaram-me esta manhã a perguntar se estávamos dispostos a fazer tratamento em setembro. Perguntei se era para TEC ou PGT-A. É mesmo para o rastreio aos embriões, ainda me custa a crer. Já há equipamento, embora não na totalidade mas faz-se com o que há, porque não tarda faço 40 anos e já experimentaram com outras pessoas. Agora é tratar da indução da menstruação com Provera e no primeiro dia do ciclo inicio a pílula. Nessa altura ligo para o hospital para saber durante quanto tempo a vou tomar.
Tinha algumas coisas delineadas de caráter pessoal para iniciar em setembro. Vou ter de adiar e dedicar-me a isto de corpo e alma. Agora sim, é a última vez. Sinto alívio por estar a chegar a esta fase. Vários cenários podem ocorrer depois da estimulação mas a luz que procurei neste túnel interminável está muito próxima e pode chegar antes de completar 40 anos. A luz a que me refiro é a do fim, seja feliz ou não. Quero encerrar esta história e ficar em paz.
A máquina de pipocas vai trabalhar freneticamente, vou sofrer (muito) mas o mais importante não é o que vou penar, são todas as etapas de uma check list que quero que fique completa com sucesso. Há tantas pequenas montanhas a ultrapassar até conseguir fazer uma TEC depois disto, que é melhor não pensar muito (como se fosse possível)...
Tinha algumas coisas delineadas de caráter pessoal para iniciar em setembro. Vou ter de adiar e dedicar-me a isto de corpo e alma. Agora sim, é a última vez. Sinto alívio por estar a chegar a esta fase. Vários cenários podem ocorrer depois da estimulação mas a luz que procurei neste túnel interminável está muito próxima e pode chegar antes de completar 40 anos. A luz a que me refiro é a do fim, seja feliz ou não. Quero encerrar esta história e ficar em paz.
A máquina de pipocas vai trabalhar freneticamente, vou sofrer (muito) mas o mais importante não é o que vou penar, são todas as etapas de uma check list que quero que fique completa com sucesso. Há tantas pequenas montanhas a ultrapassar até conseguir fazer uma TEC depois disto, que é melhor não pensar muito (como se fosse possível)...
terça-feira, 4 de junho de 2019
Sem previsões...
O bloqueio continua e está relacionado com uma autorização que tarda a ser dada.
A administração do HSJ mudou recentemente e vários médicos têm pressionado no sentido de ser autorizada a vinda do famigerado equipamento a laser. Há uma quantidade considerável de casais que reúnem critérios para a realização de PGT-A, os pedidos estão aprovados, falta mesmo é a tecnologia. Estou em contagem decrescente para os 40 anos, essa meta que me parecia longínqua aproxima-se a um ritmo preocupante. Continuo com a vida parcialmente suspensa devido a este condicionamento hierárquico. O improviso que regula os dias vai persistir não sei por quanto tempo mais. A minha vida não evolui, só a idade.
It sucks!
A administração do HSJ mudou recentemente e vários médicos têm pressionado no sentido de ser autorizada a vinda do famigerado equipamento a laser. Há uma quantidade considerável de casais que reúnem critérios para a realização de PGT-A, os pedidos estão aprovados, falta mesmo é a tecnologia. Estou em contagem decrescente para os 40 anos, essa meta que me parecia longínqua aproxima-se a um ritmo preocupante. Continuo com a vida parcialmente suspensa devido a este condicionamento hierárquico. O improviso que regula os dias vai persistir não sei por quanto tempo mais. A minha vida não evolui, só a idade.
It sucks!
terça-feira, 16 de abril de 2019
Não será também aos 39...
Pelo andar da carruagem não será aos 39 anos que serei mãe, nem em qualquer outra idade, tenho de me convencer disso. Não considero que tenha adiado a maternidade. Estou fora das estatísticas relativas à média de idade em que atualmente se investe nos projetos de parentalidade, fora das tentativas necessárias para se conseguir levar a uma gravidez a bom porto, fora do número médio de perdas gestacionais que afeta cada mulher, fora de muita coisa que envolve (in)fertilidade. Se a diferença nos pode tornar cool, esta é particularmente irritante e arrasadora. Se calhar já devia ter posto um termo a esta tortura há muito tempo. Aquilo que pode ser conotado a força, no meu caso poderá ser mera estupidez, é a conclusão a que chego.
segunda-feira, 15 de abril de 2019
À espera de laser
Aqui o espacinho está a modos que paradito, pois não há nada de transcendente a acontecer. Contactei esta manhã a Unidade de Medicina de Reprodução para saber se a PGT-A está para breve, uma vez que me tinham dito que em abril deveria arrancar com a nova estimulação. Ainda não sabem bem quando isso vai ocorrer, pois estão a aguardar a chegada de um equipamento de laser. Enquanto isso, a Drª A.M que está responsável pelas "inovações" na unidade de RMA vai alertar o serviço de Genética que já há um casal candidato em espera para se dar início ao processo. Só espero que o dispositivo venha antes de completar os 40 anos para ter direito a fazer estimulação e que a equipa esteja devidamente preparada para realizar a técnica.
Estou também a tentar perceber se vou voltar a menstruar, porque há cerca de 3 semanas senti dores e sensibilidade mamária que poderão ter sido fruto de uma ovulação.
Estou também a tentar perceber se vou voltar a menstruar, porque há cerca de 3 semanas senti dores e sensibilidade mamária que poderão ter sido fruto de uma ovulação.
domingo, 10 de março de 2019
Quem diria?!
Quem diria que 1 ano e 2 dias depois, seria surpreendida com a chegada da dita cuja que me falhou mais de 20 anos? Há umas semanas, não mais de duas, senti durante uns dias umas dores ligeiras no fundo das costas, como quando se está com o período. Achei estranho, mas como não visualizei nada, não dei importância. Hoje o alerta vermelho deu sinal e as dores são claramente menstruais. Fiz a aspiração em dezembro de 2017 e no dia da Mulher que se seguiu, fui contemplada com a chegada desse fenómeno que é a menstruação espontânea. Desta vez parei o Progeffik em dezembro, após o fim da gravidez e volto a dar de caras com uma realidade que me era desconhecida. O ET de 39 anos está cada vez mais estranho. A maior surpresa de todas era engravidar espontaneamente ou conseguir levar uma gravidez até ao fim.
terça-feira, 5 de março de 2019
Nada de endometrite
Fez no domingo uma semana que recebi o relatório da biópsia ao endométrio. Foi o próprio médico que mo enviou por mail. Disse que o resultado estava normal. Fiquei um pouco apreensiva em relação a uma frase que lá estava que nada tem a ver com a infertilidade mas fez soar o alarme daquilo que tanto me preocupa, que é a possibilidade de desenvolver algum tipo de cancro.
No documento havia a seguinte inscrição: "O estudo imuno-histoquímico com MUM-1 e CD138 apresenta raras células marcando com MUM-1, de morfologia linfóide e CD138 negativo."
Acerca deste excerto vou pedir esclarecimentos, porque de todos os tipos de cancro que têm surgido na minha família paterna (pai e vários tios), linfoma é um dos que já se manifestou. Não me esqueço também que quando fiz estudo de trombofilias, 38% dos linfócitos apresentava irregularidades. A par do facto de ter dificuldades em conseguir dar a volta à infertilidade ando, desde os 22 anos, a fazer rastreios. Fiz a primeira polipectomia gástrica com 27 anos em que, de uma só vez, foram removidos 6 pólipos do estômago. Até agora retirei 8 e nesse âmbito as coisas têm estado mais calmas. O historial familiar de cancro alarga a um espetro abrangente passando por diversas partes do corpo desde o cérebro, esófago/estômago, cólon, mama, sangue. O do meu pai começou no cólon e alastrou para o fígado. A extensão dos tumores que já tinham atingido o fígado e a sua dimensão levaram a que, desde o diagnóstico até à sua morte, tenha durado 16 meses. Posso estar apenas a criar macaquinhos no sótão mas sinto necessidade de tirar a limpo estas questões.
Perguntei ao Dr JL se deveria fazer mais algum exame, marcar nova consulta com ele ou se podíamos manter contacto via e-mail para se definir a estratégia para a próxima transferência. Recebi nova resposta neste passado domingo (percebi que deve ser o dia em que ele se dedica à interação eletrónica) e ficou combinado haver feedback de todo o processo por mail.
Neste momento aguardo que o hospital me ligue para dar início à toma da pílula ainda este mês, uma vez que me foi dito que se avançará para a estimulação em abril.
Tenho algumas preocupações, como é óbvio, em relação aos próximos tempos. A maior é acerca da capacidade dos embriões chegarem ao quinto dia. Isso não aconteceu no ano passado. Nenhum dos 11 que ficou em cultura após o congelamento dos 4 em D3 apresentou qualidade para ser criopreservado. Esse será um enorme desafio. Há também o próprio ato da biópsia dos embriões para fazer PGT-A, que pode causar a sua perda. Acresce a hipótese de aneuploidias que reduz ainda mais o número de embriões com potencial. Dou por mim a pensar que é possível não sobrar nada viável para transferir. A hiperestimulação também me deixa receosa. Fui aguentando as anteriores, com muitas dores e desconforto, as punções custaram bastante e a recuperação foi acontecendo devagarinho, sem ter havido internamento, torção dos ovários ou embolia pulmonar. A única coisa que ambiciono nesta fase, é que não seja pior que das outras vezes.
No documento havia a seguinte inscrição: "O estudo imuno-histoquímico com MUM-1 e CD138 apresenta raras células marcando com MUM-1, de morfologia linfóide e CD138 negativo."
Acerca deste excerto vou pedir esclarecimentos, porque de todos os tipos de cancro que têm surgido na minha família paterna (pai e vários tios), linfoma é um dos que já se manifestou. Não me esqueço também que quando fiz estudo de trombofilias, 38% dos linfócitos apresentava irregularidades. A par do facto de ter dificuldades em conseguir dar a volta à infertilidade ando, desde os 22 anos, a fazer rastreios. Fiz a primeira polipectomia gástrica com 27 anos em que, de uma só vez, foram removidos 6 pólipos do estômago. Até agora retirei 8 e nesse âmbito as coisas têm estado mais calmas. O historial familiar de cancro alarga a um espetro abrangente passando por diversas partes do corpo desde o cérebro, esófago/estômago, cólon, mama, sangue. O do meu pai começou no cólon e alastrou para o fígado. A extensão dos tumores que já tinham atingido o fígado e a sua dimensão levaram a que, desde o diagnóstico até à sua morte, tenha durado 16 meses. Posso estar apenas a criar macaquinhos no sótão mas sinto necessidade de tirar a limpo estas questões.
Perguntei ao Dr JL se deveria fazer mais algum exame, marcar nova consulta com ele ou se podíamos manter contacto via e-mail para se definir a estratégia para a próxima transferência. Recebi nova resposta neste passado domingo (percebi que deve ser o dia em que ele se dedica à interação eletrónica) e ficou combinado haver feedback de todo o processo por mail.
Neste momento aguardo que o hospital me ligue para dar início à toma da pílula ainda este mês, uma vez que me foi dito que se avançará para a estimulação em abril.
Tenho algumas preocupações, como é óbvio, em relação aos próximos tempos. A maior é acerca da capacidade dos embriões chegarem ao quinto dia. Isso não aconteceu no ano passado. Nenhum dos 11 que ficou em cultura após o congelamento dos 4 em D3 apresentou qualidade para ser criopreservado. Esse será um enorme desafio. Há também o próprio ato da biópsia dos embriões para fazer PGT-A, que pode causar a sua perda. Acresce a hipótese de aneuploidias que reduz ainda mais o número de embriões com potencial. Dou por mim a pensar que é possível não sobrar nada viável para transferir. A hiperestimulação também me deixa receosa. Fui aguentando as anteriores, com muitas dores e desconforto, as punções custaram bastante e a recuperação foi acontecendo devagarinho, sem ter havido internamento, torção dos ovários ou embolia pulmonar. A única coisa que ambiciono nesta fase, é que não seja pior que das outras vezes.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
Trabalho em curso
Esta manhã, enquanto me preparava para ir trabalhar, lembrei-me que até ao momento o HSJ não tinha dado novidades sobre o resto das fotocópias que faltava entregar. À hora de almoço o telemóvel deu sinal de vida, exatamente para me informar que podemos ir buscar as ditas.
Na caixa de correio, por outro lado, foi colocado um envelope da CUF Descobertas com uma fatura de Anatomia Patológica, à qual se encontrava anexada uma carta com a seguinte informação: "No seguimento do exame anatomo-patológico (...) houve a necessidade de realização de um exame complementar, baseado em reação laboratorial antigénio-anticorpo, que contribui para a caracterização da população celular da lesão estudada. O resultado é parte integrante do relatório definitivo emitido."
Hoje é quarta-feira e ainda não tinha notícias quando, hipoteticamente, saberia o resultado da biópsia duas semanas após a colheita do tecido. Esse prazo terminou na sexta-feira passada. Agora percebo o motivo de não saber de nada, ainda. Várias coisas me passaram pela cabeça quando li a cartinha anexada. Quando vi o que sugeria o Dr. Google a respeito do assunto, arrependi-me logo. Resta-me ter um pouco mais de paciência e esperar pela conclusão.
Na caixa de correio, por outro lado, foi colocado um envelope da CUF Descobertas com uma fatura de Anatomia Patológica, à qual se encontrava anexada uma carta com a seguinte informação: "No seguimento do exame anatomo-patológico (...) houve a necessidade de realização de um exame complementar, baseado em reação laboratorial antigénio-anticorpo, que contribui para a caracterização da população celular da lesão estudada. O resultado é parte integrante do relatório definitivo emitido."
Hoje é quarta-feira e ainda não tinha notícias quando, hipoteticamente, saberia o resultado da biópsia duas semanas após a colheita do tecido. Esse prazo terminou na sexta-feira passada. Agora percebo o motivo de não saber de nada, ainda. Várias coisas me passaram pela cabeça quando li a cartinha anexada. Quando vi o que sugeria o Dr. Google a respeito do assunto, arrependi-me logo. Resta-me ter um pouco mais de paciência e esperar pela conclusão.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Indo eu, indo eu
Assinalou-se mais um marco nesta viagem interminável que faço há não muito longe de uma década.
Não houve conclusões ainda, estranho seria se já as houvesse no primeiro contacto. Pelo desenrolar da consulta percebi que a estratégia inicial passará pela melhor preparação possível do endométrio, uma vez que a parte embrionária ficará a cargo do HSJ.
Não tinha na minha posse o resultado de anatomia patológica da biópsia da histeroscopia e como não voltei a repetir colheita de amostra depois de ter feito antibiótico durante 14 dias, consenti que me fosse feita nova recolha. O procedimento é desagradável, não vou estar com floreados. Foi um pouco menos penoso que da última vez. Enquanto agoniava por dentro, sentia o útero a contrair-se sempre que era agredido com aquela cânula de ar cândido. Infertilidade e sofrimento estão de mãos dadas. A dor emocional é muito complicada e quando vem acompanhada de dor física, essa consegue ser bem perversa. O que se pretende descobrir neste momento é se padeço de endometrite crónica.
Outra pista que foi dada seria que numa próxima TEC faria Lovenox 60 ou 80 devido ao meu peso. O médico considerou que o 40 era baixo, embora tenha percebido logo que foi prescrito numa base empírica. Da análise às trombofilias que fiz há uns anos está realmente tudo bem.
Ficou impressionado pela produtividade das estimulações, principalmente na minha idade e considera realmente sensato realizar PGT-A.
Cada questão que colocou fez todo o sentido para mim. Ainda bem que tinha feito as minhas tabelas, porque quis saber ao pormenor em que transferências fiz aspirina, corticoide, enoxaparina, que dosagens e o resultado dessas TEC. Consegui responder a tudo, exceto à questão de anatomia patológica da histeroscopia, porque nunca fui informada.
Aconselho então a quem algum dia considere consultar este médico ou qualquer outro fora da unidade onde é acompanhado que registe tudo à medida que realize tratamentos. Consegui sintetizar em duas tabelas todo o meu percurso, desde que comecei a frequentar consultas de infertilidade. Era de fácil análise, o que me facilitou imenso a ser rápida a responder sem ter de remexer em folhas e mais folhas.
Daqui a umas duas semanas vou receber o resultado da biópsia e possivelmente o Dr. J. entrará em contacto comigo para me dizer o que se segue.
Aquela sensação de que me encontrava numa linha de montagem desapareceu.
Não houve conclusões ainda, estranho seria se já as houvesse no primeiro contacto. Pelo desenrolar da consulta percebi que a estratégia inicial passará pela melhor preparação possível do endométrio, uma vez que a parte embrionária ficará a cargo do HSJ.
Não tinha na minha posse o resultado de anatomia patológica da biópsia da histeroscopia e como não voltei a repetir colheita de amostra depois de ter feito antibiótico durante 14 dias, consenti que me fosse feita nova recolha. O procedimento é desagradável, não vou estar com floreados. Foi um pouco menos penoso que da última vez. Enquanto agoniava por dentro, sentia o útero a contrair-se sempre que era agredido com aquela cânula de ar cândido. Infertilidade e sofrimento estão de mãos dadas. A dor emocional é muito complicada e quando vem acompanhada de dor física, essa consegue ser bem perversa. O que se pretende descobrir neste momento é se padeço de endometrite crónica.
Outra pista que foi dada seria que numa próxima TEC faria Lovenox 60 ou 80 devido ao meu peso. O médico considerou que o 40 era baixo, embora tenha percebido logo que foi prescrito numa base empírica. Da análise às trombofilias que fiz há uns anos está realmente tudo bem.
Ficou impressionado pela produtividade das estimulações, principalmente na minha idade e considera realmente sensato realizar PGT-A.
Cada questão que colocou fez todo o sentido para mim. Ainda bem que tinha feito as minhas tabelas, porque quis saber ao pormenor em que transferências fiz aspirina, corticoide, enoxaparina, que dosagens e o resultado dessas TEC. Consegui responder a tudo, exceto à questão de anatomia patológica da histeroscopia, porque nunca fui informada.
Aconselho então a quem algum dia considere consultar este médico ou qualquer outro fora da unidade onde é acompanhado que registe tudo à medida que realize tratamentos. Consegui sintetizar em duas tabelas todo o meu percurso, desde que comecei a frequentar consultas de infertilidade. Era de fácil análise, o que me facilitou imenso a ser rápida a responder sem ter de remexer em folhas e mais folhas.
Daqui a umas duas semanas vou receber o resultado da biópsia e possivelmente o Dr. J. entrará em contacto comigo para me dizer o que se segue.
Aquela sensação de que me encontrava numa linha de montagem desapareceu.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Expect the unexpected
A reunião foi intensa. Basicamente foi para darmos o nosso aval para participarmos em algo que vai começar a ser realizado no HSJ - PGT-A. Esta sigla substitui a que era usada antes na técnica de PGS. Pelo que me parece os critérios de acesso serão uma idade a partir dos 38 anos e falhas sucessivas de implantação. Pretende-se verificar a existência de aneuploidias nos embriões e evitar que esses que têm anomalias sejam transferidos provocando grande desgaste no casal. As médicas estão inclinadas para que a maioria dos nossos mini-nós tenha anomalias tendo em conta o número elevado de transferências mal sucedidas e os valores sempre baixos de beta-hCG.
A Diretora já tinha falado comigo sobre esta técnica quando falhou a TEC 4, mas na altura ela referiu que era apenas possível realizar no privado e o valor rondava os 10 mil euros. Para nos terem sugerido esta solução hoje, é porque o SNS deve estar a autorizar o procedimento.
A médica disse que a realização da técnica é muito recente no hospital, está praticamente em fase experimental, pelo que só em abril se partirá para o ataque. A minha participação no entanto vai ter um custo que é uma nova (hiper)estimulação. Neste momento tenho dois embriões D3 que daqui a algum tempo serão descongelados até atingirem D5 para poderem ser biopsados. A próxima estimulação será preparada no sentido de se obter o maior número possível de pequenotes e simultaneamente tentar não entrar em colapso com o descontrolo dos ovários. Os embriões resultantes daí vão também desenvolver até D5. Depois é aguardar uns tempos pelo resultado, recuperar do estado explosivo em que vou estar e ver se as minhas células e as do meu respetivo fizeram magia boa ou da negra.
Falei a respeito da consulta de amanhã e o motivo de a ter marcado. Vai haver uma espécie de sinergia em que irei dar feedback do que acontecerá em Lisboa para que todos possamos andar para a frente e arrumar este assunto. A escolha para a unidade pública que estaria ao meu lado nesta jornada, foi a mais acertada. Sempre achei que um dia ia chegar a essa conclusão. Mesmo que não dê em nada.
Agora burocracias... Num dos posts anteriores mencionei que pedi fotocópias dos exames que tinha feito no hospital para poder levar amanhã à capital. Pois, não recebi nada. Falei com a minha querida Super S. da receção e ela disse que não chegou nenhum pedido à Medicina de Reprodução. Fomos ao balcão do RAI onde tínhamos efetuado a requisição e não havia nada pronto. Já passava das 14 horas, ainda não tínhamos almoçado e a senhora que nos atendeu fez umas chamadas para tentar perceber o que se passava. Disse-nos que, se até às 15 horas ninguém nos telefonasse, poderíamos passar lá novamente às 15h30 para trazer algumas fotocópias que entretanto tivessem tirado. Às 15h20 ligaram-nos a dizer que havia alguns documentos que podíamos levantar. Não veio tudo. Do meu marido entregaram 6 cópias (dele não deve haver mais nada), minhas foram 40 fotocópias e um CD. Algum dia recebemos o resto. Pelo menos já veio o que mais queria.
Agora vou descansar, porque daqui a umas horas estou novamente acordada. Nem sei se vou dormir em condições. Já não vou a Lisboa há bastante tempo e, numa das últimas vezes que lá estive choveu torrencialmente. Amanhã vai ser um dia deveras abençoado.
A Diretora já tinha falado comigo sobre esta técnica quando falhou a TEC 4, mas na altura ela referiu que era apenas possível realizar no privado e o valor rondava os 10 mil euros. Para nos terem sugerido esta solução hoje, é porque o SNS deve estar a autorizar o procedimento.
A médica disse que a realização da técnica é muito recente no hospital, está praticamente em fase experimental, pelo que só em abril se partirá para o ataque. A minha participação no entanto vai ter um custo que é uma nova (hiper)estimulação. Neste momento tenho dois embriões D3 que daqui a algum tempo serão descongelados até atingirem D5 para poderem ser biopsados. A próxima estimulação será preparada no sentido de se obter o maior número possível de pequenotes e simultaneamente tentar não entrar em colapso com o descontrolo dos ovários. Os embriões resultantes daí vão também desenvolver até D5. Depois é aguardar uns tempos pelo resultado, recuperar do estado explosivo em que vou estar e ver se as minhas células e as do meu respetivo fizeram magia boa ou da negra.
Falei a respeito da consulta de amanhã e o motivo de a ter marcado. Vai haver uma espécie de sinergia em que irei dar feedback do que acontecerá em Lisboa para que todos possamos andar para a frente e arrumar este assunto. A escolha para a unidade pública que estaria ao meu lado nesta jornada, foi a mais acertada. Sempre achei que um dia ia chegar a essa conclusão. Mesmo que não dê em nada.
Agora burocracias... Num dos posts anteriores mencionei que pedi fotocópias dos exames que tinha feito no hospital para poder levar amanhã à capital. Pois, não recebi nada. Falei com a minha querida Super S. da receção e ela disse que não chegou nenhum pedido à Medicina de Reprodução. Fomos ao balcão do RAI onde tínhamos efetuado a requisição e não havia nada pronto. Já passava das 14 horas, ainda não tínhamos almoçado e a senhora que nos atendeu fez umas chamadas para tentar perceber o que se passava. Disse-nos que, se até às 15 horas ninguém nos telefonasse, poderíamos passar lá novamente às 15h30 para trazer algumas fotocópias que entretanto tivessem tirado. Às 15h20 ligaram-nos a dizer que havia alguns documentos que podíamos levantar. Não veio tudo. Do meu marido entregaram 6 cópias (dele não deve haver mais nada), minhas foram 40 fotocópias e um CD. Algum dia recebemos o resto. Pelo menos já veio o que mais queria.
Agora vou descansar, porque daqui a umas horas estou novamente acordada. Nem sei se vou dormir em condições. Já não vou a Lisboa há bastante tempo e, numa das últimas vezes que lá estive choveu torrencialmente. Amanhã vai ser um dia deveras abençoado.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
Chamada inesperada
Esta tarde, após as 15 horas, o meu telemóvel deu sinal de atividade vinda do HSJ. Pensei que fosse para informar que as fotocópias que solicitámos estavam prontas, mas o motivo era outro. A equipa analisou o processo e querem reunir connosco no dia 31 (véspera da consulta na CUF Descobertas). Não faço ideia do teor da conversa quando há ainda dois embriões congelados e até ao momento não houve esse tipo de iniciativa. Espero que não seja uma espécie de inquirição por irmos a Lisboa, como se estivéssemos a passar algum atestado de incompetência à equipa ou ao hospital. Pretendo, com a opinião de alguém externo, conciliar estratégias/ideias e não segmentá-las, para que haja coerência de procedimentos com um único fim.
Admito que há pormenores que não me têm deixado totalmente satisfeita com o acompanhamento e sei que os mesmos aconteceram por entupimento do serviço. Falarei sobre eles à Diretora se considerar oportuno. Esses detalhes não põem em causa as capacidades técnicas ou o domínio científico da equipa médica mas ajudam a rotular negativamente o serviço público. Ainda nem sequer estava estabelecido o plano de termos filhos, eu já tinha eleito o HSJ como o local onde queria ver concretizado o desejo de maternidade. Não me perguntem o porquê de ser lá e não noutro centro público aqui da zona, não sei explicar. Nunca cogitei que o CMIN, o Centro Hospitalar de Gaia ou o Hospital de Guimarães tivessem resolvido o meu problema alienígeno. Há algo anormal em mim, só quero ver se outra mente pensa fora da caixa.
Tenho lido tanto ao longo dos anos, à procura de pistas, respostas, casos semelhantes ao meu, mas desde há uns meses fui vencida pela exaustão. Mais uma vez corroboro que vai haver um fim, não muito distante, em que poderei respirar fundo, eventualmente chorar, fazer o luto do tempo que dediquei à infertilidade, fazer o luto pelos meus filhos, libertar-me destas amarras e redefinir objetivos para a vida.
Admito que há pormenores que não me têm deixado totalmente satisfeita com o acompanhamento e sei que os mesmos aconteceram por entupimento do serviço. Falarei sobre eles à Diretora se considerar oportuno. Esses detalhes não põem em causa as capacidades técnicas ou o domínio científico da equipa médica mas ajudam a rotular negativamente o serviço público. Ainda nem sequer estava estabelecido o plano de termos filhos, eu já tinha eleito o HSJ como o local onde queria ver concretizado o desejo de maternidade. Não me perguntem o porquê de ser lá e não noutro centro público aqui da zona, não sei explicar. Nunca cogitei que o CMIN, o Centro Hospitalar de Gaia ou o Hospital de Guimarães tivessem resolvido o meu problema alienígeno. Há algo anormal em mim, só quero ver se outra mente pensa fora da caixa.
Tenho lido tanto ao longo dos anos, à procura de pistas, respostas, casos semelhantes ao meu, mas desde há uns meses fui vencida pela exaustão. Mais uma vez corroboro que vai haver um fim, não muito distante, em que poderei respirar fundo, eventualmente chorar, fazer o luto do tempo que dediquei à infertilidade, fazer o luto pelos meus filhos, libertar-me destas amarras e redefinir objetivos para a vida.
domingo, 13 de janeiro de 2019
39
Ontem entrei nos 39 anos. Não estava entusiasmada, nem tive muito tempo para celebrar a data. Ainda imaginei que hoje pudesse dedicar-me ao ócio e sentir o sol de inverno a alimentar-me com vitamina D mas não tal não será possível. O improviso que comanda a "rotina" e me impede até de planear as 24 horas do próprio dia ditam que este não é definitivamente um fim de semana em que possa fazer algo por e para mim. Pode ser que nos 40 seja diferente. Estou viva e pronta para continuar a enfrentar o futuro, é o que interessa.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Nada como iniciar o ano com uma visita ao HSJ
Desta vez não foi para mim mas aproveitei a viagem para resolver um assunto pendente.
A minha sogra foi hoje internada num contentor para ser submetida amanhã a uma intervenção de neurocirurgia, para remoção de um tumor no cerebelo. Aquele hospital tem espaços bastante assimétricos no que diz respeito à qualidade das instalações e há partes novas a serem construídas. A zona das ecografias de obstetrícia que foi onde fiz a histeroscopia, tem um ar decadente, o hospital de dia tem uma sala de espera assustadora (mais pela quantidade abismal de pessoas confinadas na sala de espera), há outros locais também caóticos e degradados por onde só estive de passagem para aceder a zonas que necessitava. Noutras áreas está bem apetrechado e cómodo. O pré-fabricado onde ela ficou tem vários equipamentos de ar condicionado em funcionamento e está estruturado para que os utentes não tenham uma estadia traumática do ponto de vista das infraestruturas. Esta perspetiva é de alguém externo, porque não sou eu que estou lá internada para analisar com mais cuidado. Não sei como funciona, por exemplo, na gestão dos banhos. O que se destaca de mais negativo é mesmo aquela sensação de se pisar um solo que a qualquer momento pode colapsar.
Eu e o meu marido aproveitámos a altura em que os meus sogros já tinham entrado para a admissão, para irmos ao "nosso" piso 3, casa dos últimos 4 anos. Fomos informar-nos do que devíamos fazer para termos relatórios ou cópias dos exames realizados até agora. A maravilhosa cicerone que sempre atende os casais com um sorriso, boa disposição e assertividade, aconselhou-nos a pedir fotocópias, porque os relatórios têm um atraso enorme. Neste momento as médicas estão a elaborar os relatórios pedidos em outubro. As cópias são bem mais rápidas e dando a indicação de que a consulta em Lisboa é em breve, mais cedo ainda conseguimos. Assim fizemos, fomos ao Atrium Hospitalidade, atendimento RAI, postos 11 e 12, destinados apenas a isso. O processo é simples, nem sequer somos nós que preenchemos formulários, porque fica automaticamente informatizado e é-nos dada cópia do pedido. Neste caso foram dois, um para mim e outro para o meu marido. Quando as fotocópias estiverem disponíveis, seremos contactados para ir lá levantar.
A nossa parte para já está tratada no hospital. A prioridade atualmente é mesmo a minha sogra. Apesar do cirurgião ter tranquilizado dizendo que a cirurgia não é muito complexa e praticamente não há possibilidade de recidiva, há sempre receio que algo não corra bem. Ainda não sabemos a duração previsível para o internamento, só nos informaram que está previsto operar amanhã de manhã.
A confirmação da data da intervenção só foi feita no final da semana passada, por isso ainda não temos bem presente de que nos encontramos num novo ano civil. Não fosse o meu aniversário na próxima semana, passava-me ao lado a mudança para 2019.
A minha sogra foi hoje internada num contentor para ser submetida amanhã a uma intervenção de neurocirurgia, para remoção de um tumor no cerebelo. Aquele hospital tem espaços bastante assimétricos no que diz respeito à qualidade das instalações e há partes novas a serem construídas. A zona das ecografias de obstetrícia que foi onde fiz a histeroscopia, tem um ar decadente, o hospital de dia tem uma sala de espera assustadora (mais pela quantidade abismal de pessoas confinadas na sala de espera), há outros locais também caóticos e degradados por onde só estive de passagem para aceder a zonas que necessitava. Noutras áreas está bem apetrechado e cómodo. O pré-fabricado onde ela ficou tem vários equipamentos de ar condicionado em funcionamento e está estruturado para que os utentes não tenham uma estadia traumática do ponto de vista das infraestruturas. Esta perspetiva é de alguém externo, porque não sou eu que estou lá internada para analisar com mais cuidado. Não sei como funciona, por exemplo, na gestão dos banhos. O que se destaca de mais negativo é mesmo aquela sensação de se pisar um solo que a qualquer momento pode colapsar.
Eu e o meu marido aproveitámos a altura em que os meus sogros já tinham entrado para a admissão, para irmos ao "nosso" piso 3, casa dos últimos 4 anos. Fomos informar-nos do que devíamos fazer para termos relatórios ou cópias dos exames realizados até agora. A maravilhosa cicerone que sempre atende os casais com um sorriso, boa disposição e assertividade, aconselhou-nos a pedir fotocópias, porque os relatórios têm um atraso enorme. Neste momento as médicas estão a elaborar os relatórios pedidos em outubro. As cópias são bem mais rápidas e dando a indicação de que a consulta em Lisboa é em breve, mais cedo ainda conseguimos. Assim fizemos, fomos ao Atrium Hospitalidade, atendimento RAI, postos 11 e 12, destinados apenas a isso. O processo é simples, nem sequer somos nós que preenchemos formulários, porque fica automaticamente informatizado e é-nos dada cópia do pedido. Neste caso foram dois, um para mim e outro para o meu marido. Quando as fotocópias estiverem disponíveis, seremos contactados para ir lá levantar.
A nossa parte para já está tratada no hospital. A prioridade atualmente é mesmo a minha sogra. Apesar do cirurgião ter tranquilizado dizendo que a cirurgia não é muito complexa e praticamente não há possibilidade de recidiva, há sempre receio que algo não corra bem. Ainda não sabemos a duração previsível para o internamento, só nos informaram que está previsto operar amanhã de manhã.
A confirmação da data da intervenção só foi feita no final da semana passada, por isso ainda não temos bem presente de que nos encontramos num novo ano civil. Não fosse o meu aniversário na próxima semana, passava-me ao lado a mudança para 2019.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
3 anos na blogosfera
Esta casinha virtual completou três anos de existência nessa frenética rede que se apoderou do quotidiano de tantas pessoas.
Teve início num ano muito especial para mim, com boas memórias e também com o assinalar da reação do meu corpito aos injetáveis, numa abordagem um pouco mais profunda da PMA. Esta narrativa, ainda inacabada, aproxima-se das trezentas páginas, se todo o seu conteúdo for colocado num documento. Não imaginava que findo este tempo, TEC fosse o conceito dominante e que surgiria, com tanta frequência, o assunto perda gestacional. Olhando para mim e para a transformação que sofri nos últimos 3 anos, vejo que a balança evoluiu ao mesmo ritmo das palavras, a natureza tratou vigorosamente de mudar a cor do meu cabelo para dois tons, as minhas emoções mudaram (ainda não sei classificar bem em que medida) e encontro-me na mesma situação daquela altura: mãe de uma ideia.
Daqui a aproximadamente um mês vou embarcar na procura de algo diferente, gostaria até que se traduzisse em respostas, lá em Lisboa. Nos anos 50/60, o meu avô paterno fez também incursões à capital em busca de uma solução para um problema de saúde de um dos seus 10 filhos. Pelos relatos que o meu pai fazia da condição do seu irmão, suponho que sofresse de algum tipo de distrofia muscular em que nem se conseguia manter em pé. Arrastava-se e tinha um grande sentido de humor. Infelizmente faleceu com 12 anos. O meu pai falava sempre carinhosamente dele. As viagens que o meu avô fez, determinado em providenciar ajuda, foram em vão. Não sei se me vai acontecer o mesmo mas agora que me encontro perante este cenário em que praticamente é o meu último recurso, vou em frente. Só há uns dias é que me recordei deste episódio relacionado com o meu avô e o tio que nunca conheci. Admiro a sua força por fazê-lo, apesar das enormes dificuldades que enfrentava. Tratava-se de um filho, está tudo dito.
As viagens estão reservadas, vamos de comboio. Estou a cruzar os meus dedinhos para que a CP não faça greve.
Já que o ano se aproxima do fim vou aproveitar este post para desejar a todos uma saída de 2018 com paz no coração e uma entrada em 2019 com forças restabelecidas. Obrigada por estarem desse lado, pela vossa generosidade. Aos pequenos que entretanto nasceram, que reconheçam nas suas mães e pais o exemplo de determinação e tenacidade; aos homens e mulheres que estão nesta guerra injusta e procuram aqui alguma inspiração (se é que a transmito) lutem, lutem muito; aos curiosos que acompanham esta novela e felizmente não passam por esta tortura ou não precisam de enfrentar este bicho papão, são sempre bem vindos à minha humilde casa virtual, juro que tenho tentado escrever um final feliz mas a hora não chega. Vocês todos enchem-me o coração e aquecem a minha alma que por vezes anda moribunda.
Teve início num ano muito especial para mim, com boas memórias e também com o assinalar da reação do meu corpito aos injetáveis, numa abordagem um pouco mais profunda da PMA. Esta narrativa, ainda inacabada, aproxima-se das trezentas páginas, se todo o seu conteúdo for colocado num documento. Não imaginava que findo este tempo, TEC fosse o conceito dominante e que surgiria, com tanta frequência, o assunto perda gestacional. Olhando para mim e para a transformação que sofri nos últimos 3 anos, vejo que a balança evoluiu ao mesmo ritmo das palavras, a natureza tratou vigorosamente de mudar a cor do meu cabelo para dois tons, as minhas emoções mudaram (ainda não sei classificar bem em que medida) e encontro-me na mesma situação daquela altura: mãe de uma ideia.
Daqui a aproximadamente um mês vou embarcar na procura de algo diferente, gostaria até que se traduzisse em respostas, lá em Lisboa. Nos anos 50/60, o meu avô paterno fez também incursões à capital em busca de uma solução para um problema de saúde de um dos seus 10 filhos. Pelos relatos que o meu pai fazia da condição do seu irmão, suponho que sofresse de algum tipo de distrofia muscular em que nem se conseguia manter em pé. Arrastava-se e tinha um grande sentido de humor. Infelizmente faleceu com 12 anos. O meu pai falava sempre carinhosamente dele. As viagens que o meu avô fez, determinado em providenciar ajuda, foram em vão. Não sei se me vai acontecer o mesmo mas agora que me encontro perante este cenário em que praticamente é o meu último recurso, vou em frente. Só há uns dias é que me recordei deste episódio relacionado com o meu avô e o tio que nunca conheci. Admiro a sua força por fazê-lo, apesar das enormes dificuldades que enfrentava. Tratava-se de um filho, está tudo dito.
As viagens estão reservadas, vamos de comboio. Estou a cruzar os meus dedinhos para que a CP não faça greve.
Já que o ano se aproxima do fim vou aproveitar este post para desejar a todos uma saída de 2018 com paz no coração e uma entrada em 2019 com forças restabelecidas. Obrigada por estarem desse lado, pela vossa generosidade. Aos pequenos que entretanto nasceram, que reconheçam nas suas mães e pais o exemplo de determinação e tenacidade; aos homens e mulheres que estão nesta guerra injusta e procuram aqui alguma inspiração (se é que a transmito) lutem, lutem muito; aos curiosos que acompanham esta novela e felizmente não passam por esta tortura ou não precisam de enfrentar este bicho papão, são sempre bem vindos à minha humilde casa virtual, juro que tenho tentado escrever um final feliz mas a hora não chega. Vocês todos enchem-me o coração e aquecem a minha alma que por vezes anda moribunda.
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
Consulta agendada
Foi na sexta-feira que liguei para a CUF Descobertas e no início desta tarde recebi a chamada com a marcação da consulta. O privado tem uma rapidez processual a que já não estou acostumada. Habituei-me ao longo dos anos a aguardar, aguardar, aguardar, desesperar, até que o telefone toque. A consulta será no dia 1 de fevereiro de 2019, às 13 horas. Pareceu-me uma data razoável atendendo à hipotética procura que o médico tem. Agora é ver se é mais viável ir de comboio ou avião. A propósito de avião, alguém tem conhecimento se recentemente o primeiro voo matinal Porto-Lisboa, pela Ryanair, tem sido pontual? Já fiz essa viagem noutras alturas, sem qualquer inconveniente mas no verão passado houve atrasos descomunais para outras zonas, que chegaram a afetar-me nas férias.
Subscrever:
Mensagens (Atom)