domingo, 13 de janeiro de 2019

39

Ontem entrei nos 39 anos. Não estava entusiasmada, nem tive muito tempo para celebrar a data. Ainda imaginei que hoje pudesse dedicar-me ao ócio e sentir o sol de inverno a alimentar-me com vitamina D mas não tal não será possível. O improviso que comanda a "rotina" e me impede até de planear as 24 horas do próprio dia ditam que este não é definitivamente um fim de semana em que possa fazer algo por e para mim. Pode ser que nos 40 seja diferente. Estou viva e pronta para continuar a enfrentar o futuro, é o que interessa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Nada como iniciar o ano com uma visita ao HSJ

Desta vez não foi para mim mas aproveitei a viagem para resolver um assunto pendente.

A minha sogra foi hoje internada num contentor para ser submetida amanhã a uma intervenção de neurocirurgia, para remoção de um tumor no cerebelo. Aquele hospital tem espaços bastante assimétricos no que diz respeito à qualidade das instalações e há partes novas a serem construídas. A zona das ecografias de obstetrícia que foi onde fiz a histeroscopia, tem um ar decadente, o hospital de dia tem uma sala de espera assustadora (mais pela quantidade abismal de pessoas confinadas na sala de espera), há outros locais também caóticos e degradados por onde só estive de passagem para aceder a zonas que necessitava. Noutras áreas está bem apetrechado e cómodo. O pré-fabricado onde ela ficou tem vários equipamentos de ar condicionado em funcionamento e está estruturado para que os utentes não tenham uma estadia traumática do ponto de vista das infraestruturas. Esta perspetiva é de alguém externo, porque não sou eu que estou lá internada para analisar com mais cuidado. Não sei como funciona, por exemplo, na gestão dos banhos. O que se destaca de mais negativo é mesmo aquela sensação de se pisar um solo que a qualquer momento pode colapsar.

Eu e o meu marido aproveitámos a altura em que os meus sogros já tinham entrado para a admissão, para irmos ao "nosso" piso 3, casa dos últimos 4 anos. Fomos informar-nos do que devíamos fazer para termos relatórios ou cópias dos exames realizados até agora. A maravilhosa cicerone que sempre atende os casais com um sorriso, boa disposição e assertividade, aconselhou-nos a pedir fotocópias, porque os relatórios têm um atraso enorme. Neste momento as médicas estão a elaborar os relatórios pedidos em outubro. As cópias são bem mais rápidas e dando a indicação de que a consulta em Lisboa é em breve, mais cedo ainda conseguimos. Assim fizemos, fomos ao Atrium Hospitalidade, atendimento RAI, postos 11 e 12, destinados apenas a isso. O processo é simples, nem sequer somos nós que preenchemos formulários, porque fica automaticamente informatizado e é-nos dada cópia do pedido. Neste caso foram dois, um para mim e outro para o meu marido. Quando as fotocópias estiverem disponíveis, seremos contactados para ir lá levantar.

A nossa parte para já está tratada no hospital. A prioridade atualmente é mesmo a minha sogra. Apesar do cirurgião ter tranquilizado dizendo que a cirurgia não é muito complexa e praticamente não há possibilidade de recidiva, há sempre receio que algo não corra bem. Ainda não sabemos a duração previsível para o internamento, só nos informaram que está previsto operar amanhã de manhã.

A confirmação da data da intervenção só foi feita no final da semana passada, por isso ainda não temos bem presente de que nos encontramos num novo ano civil. Não fosse o meu aniversário na próxima semana, passava-me ao lado a mudança para 2019.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

3 anos na blogosfera

Esta casinha virtual completou três anos de existência nessa frenética rede que se apoderou do quotidiano de tantas pessoas.

Teve início num ano muito especial para mim, com boas memórias e também com o assinalar da reação do meu corpito aos injetáveis, numa abordagem um pouco mais profunda da PMA. Esta narrativa, ainda inacabada, aproxima-se das trezentas páginas, se todo o seu conteúdo for colocado num documento. Não imaginava que findo este tempo, TEC fosse o conceito dominante e que surgiria, com tanta frequência, o assunto perda gestacional. Olhando para mim e para a transformação que sofri nos últimos 3 anos, vejo que a balança evoluiu ao mesmo ritmo das palavras, a natureza tratou vigorosamente de mudar a cor do meu cabelo para dois tons, as minhas emoções mudaram (ainda não sei classificar bem em que medida) e encontro-me na mesma situação daquela altura: mãe de uma ideia.

Daqui a aproximadamente um mês vou embarcar na procura de algo diferente, gostaria até que se traduzisse em respostas, lá em Lisboa. Nos anos 50/60, o meu avô paterno fez também incursões à capital em busca de uma solução para um problema de saúde de um dos seus 10 filhos. Pelos relatos que o meu pai fazia da condição do seu irmão, suponho que sofresse de algum tipo de distrofia muscular em que nem se conseguia manter em pé. Arrastava-se e tinha um grande sentido de humor. Infelizmente faleceu com 12 anos. O meu pai falava sempre carinhosamente dele. As viagens que o meu avô fez, determinado em providenciar ajuda, foram em vão. Não sei se me vai acontecer o mesmo mas agora que me encontro perante este cenário em que praticamente é o meu último recurso, vou em frente. Só há uns dias é que me recordei deste episódio relacionado com o meu avô e o tio que nunca conheci. Admiro a sua força por fazê-lo, apesar das enormes dificuldades que enfrentava. Tratava-se de um filho, está tudo dito.

As viagens estão reservadas, vamos de comboio. Estou a cruzar os meus dedinhos para que a CP não faça greve.

Já que o ano se aproxima do fim vou aproveitar este post para desejar a todos uma saída de 2018 com paz no coração e uma entrada em 2019 com forças restabelecidas. Obrigada por estarem desse lado, pela vossa generosidade. Aos pequenos que entretanto nasceram, que reconheçam nas suas mães e pais o exemplo de determinação e tenacidade; aos homens e mulheres que estão nesta guerra injusta e procuram aqui alguma inspiração (se é que a transmito) lutem, lutem muito; aos curiosos que acompanham esta novela e felizmente não passam por esta tortura ou não precisam de enfrentar este bicho papão, são sempre bem vindos à minha humilde casa virtual, juro que tenho tentado escrever um final feliz mas a hora não chega. Vocês todos enchem-me o coração e aquecem a minha alma que por vezes anda moribunda.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Consulta agendada

Foi na sexta-feira que liguei para a CUF Descobertas e no início desta tarde recebi a chamada com a marcação da consulta. O privado tem uma rapidez processual a que já não estou acostumada. Habituei-me ao longo dos anos a aguardar, aguardar, aguardar, desesperar, até que o telefone toque. A consulta será no dia 1 de fevereiro de 2019, às 13 horas. Pareceu-me uma data razoável atendendo à hipotética procura que o médico tem. Agora é ver se é mais viável ir de comboio ou avião. A propósito de avião, alguém tem conhecimento se recentemente o primeiro voo matinal Porto-Lisboa, pela Ryanair, tem sido pontual? Já fiz essa viagem noutras alturas, sem qualquer inconveniente mas no verão passado houve atrasos descomunais para outras zonas, que chegaram a afetar-me nas férias.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Domingo, pois claro...

A intensificação das dores deixava adivinhar que estava para chegar e, em mais um domingo, apareceu. Que previsível...

Lisboa no horizonte

Após horas de pesquisa, não me sentia confiante em marcar consulta com algum profissional daqui do norte. A experiência que tive em hematologia não me deixou confortável para arriscar alguém que pudesse andar com suposições e principalmente silêncios, à semelhança do que tem acontecido até aqui.

Entrei em contacto com o Hospital CUF Descobertas para tentar marcar uma primeira consulta com o Dr. J. L., pois tinha lido que ele não aceita primeiras consultas (o que é, no mínimo, estranho). Quando fui atendida e referi que desejava marcar consulta, ouvi essa mesma história, no entanto pediram-me que aguardasse, para confirmarem se ele estaria recetivo a fazê-lo novamente. Claro que antes da "confirmação" solicitaram-me algumas informações sobre o que me levou a entrar em contacto com o hospital e se tive recomendação do Dr. J. por parte de alguém. Respondi que tento ser mãe há 7 anos, estou a ser acompanhada pela Unidade de Medicina de Reprodução do HSJ e que me encontro a passar pela quarta perda gestacional. Pessoalmente acho que este entrave é uma manobra de marketing ou então um filtro para não sobrecarregar a agenda do médico. Alguns minutos depois da música que me dava vontade de chorar ouvi do outro lado que sim, ele aceita novamente primeiras consultas. Estranho, não?! Será que é para nos sentirmos especiais e esperançosas? O único senão é que a administrativa ainda não começou a organização da agenda de 2019 e terei de aguardar que me contactem para indicar a data. A pessoa que me atendeu leu um pequeno parágrafo que sintetizava a descrição do meu caso para eu dizer se concordava/discordava ou se queria acrescentar alguma coisa. Quis também saber se a recomendação surgiu de algum médico ou paciente e confirmei que foi através de paciente. Aproveitei para dar umas informações adicionais como o número total de transferências realizadas e de embriões, assim como a altura em que as perdas têm ocorrido. Soube que quem organiza a agenda lê essa síntese. Inicialmente perguntaram se queria consulta de ginecologia ou obstetrícia, após o micro-resumo fui proposta para consulta de trombofilia. As marcações são efetuadas pelo juízo de valor daquelas palavrinhas que vão ser traduzidas numa espécie de prioridade? Até ao momento isto parece um pouco ficcionado e fora do planeta a que estou habituada. Aproveitei para esclarecer questões relacionadas com exames que deva levar, se posso fazer registos com a síntese dos procedimentos e é nisso que me tenho debruçado, já que tenho pouca coisa oficial na minha posse. Não tenho todos os relatórios das TEC, em alguns há erros de datas, copy paste descontextualizado e a informação é quase nula. Eu, na qualidade de paciente, acho que aquilo pouco ou nada diz, se eu fosse um profissional de saúde que quisesse tirar alguma conclusão a partir daquele documento ficaria a saber o mesmo. É impossível avaliar-se adequadamente alguém com um relatório daquela natureza. Do hospital o que me faz mais falta é o resultado dos cariótipos e da biópsia da histeroscopia (sobre isto nunca me disseram nada), só me prescreveram o antibiótico. Vou ver o que posso fazer em relação a isso. Se calhar arranjo consulta em Lisboa antes de conseguir essas cópias.

Já elaborei uma tabela em que, em apenas uma página, sintetizei tudo sobre as sete transferências. Incluí dados sobre os embriões, as datas em que os medicamentos começaram a ser introduzidos, resultados de beta, perdas de sangue, em que momentos foram feitos o estudo das trombofilias, histeroscopia e ecografias relevantes. Estou orgulhosa desse trabalho e espero que venha a ser útil. Vou elaborar outra tabela com algum histórico relativamente aos ciclos (neste caso ausência deles), hipotiroidismo, induções realizadas com citrato de clomifeno, IIU e FIV. Assim, em apenas uma folha, vou resumir 24 anos do meu sistema reprodutor. Este blogue foi uma ajuda gigante, facilitou muito mais do que se tivesse de reunir e analisar papeis.

Atualmente e desde há dois dias, sinto dores menstruais que hoje estão mais intensas mas até ao momento ainda não se traduziu em operação de limpeza. Este cedo anúncio indica que o útero não vai ser brando.

Estou a tentar reerguer-me e virar novamente a página desta coisa maldita que vai entrar comigo, daqui a umas semanas, nos 39 anos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Beta 3 - TEC 7

Mais um final, o quarto... O resultado foi negativo.

Segue-se nova reunião em janeiro para analisar o extraterrestre. Nessa altura entrarei em contacto com o HSJ para saber se há alguma coisa definida. Enquanto isso vou seguir a sugestão de procurar alguém especializado em abortos de repetição. Do que tenho visto na web, aqui pelo Porto não há ninguém que se dedique a essa área. Estou inclinada em marcar consulta com o Dr. Pedro Xavier mas não sei se será a melhor opção nesta área geográfica.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Atualização

Não deve faltar muito para me despedir do meu pequeno. Desde ontem à noite a tonalidade rosada tem feito parte da minha rotina. Também é típico desta altura, após o beta. As minhas perdas gestacionais têm sido precedidas por uma maior atividade intestinal e só agora é que estou a fazer essa associação, porque está a voltar a acontecer. Desde que comecei a ter os sinais coloridos, na semana passada, saio sempre de casa com um penso Tena Lady, daqueles bem generosos, para não ser apanhada desprevenida. Normalmente os episódios infelizes têm acontecido ao domingo, ao final da tarde. Da segunda vez estava na terrinha, em casa da minha mãe e na terceira vez, no meu lar.

Não me sinto segura nem motivada para tratar de assuntos natalícios. Tenho saído praticamente apenas para trabalhar, evitando andar sem necessidade, não vá o problema ser excesso de movimento. Desde que fiz esta transferência tenho sido mais comedida na minha atividade diária, em relação às outras vezes, no entanto não está a surtir efeito.

Isto está a tornar-se um maldito hábito que não fica mais fácil de aceitar. Não me conformo, é impossível encolher os ombros por achar que simplesmente aconteceu ou porque estava destinado ser assim.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Beta 2 - TEC 7

Que enredo mais estapafúrdio o meu percurso traça. O beta está a aumentar devagar, devagarinho. Onde já vi este filme? Não sei o valor concreto, porque a enfermeira não entrou em detalhes, só disse que era na ordem dos quarenta e tais. Foi também alertando que a probabilidade de resultar é praticamente nula e daqui a uma semana volto a colher sangue. Não perguntei nada sobre a medicação, vou continuar a tomar tudo normalmente. Sei perfeitamente qual o destino desta gravidez mas estou feliz pelo pequeno lutar com as poucas forças que tem, fruto da minha falta de capacidade para fazer algo por ele.

Curiosamente hoje os sintomas arrebitaram um pouco e as perdas diminuíram. De sábado a uma semana completarei 6 semanas, a altura em que tradicionalmente dá-se a viragem das minhas gravidezes. Se podia ser mais fácil? Poder, podia, mas não se trataria de mim, nem seria a mesma coisa... Viva a época natalícia que se avizinha!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Ideias soltas

Trabalhei todo o dia sem grande oportunidade para pensar no que está a acontecer, porque sou completa e constantemente absorvida e solicitada, o tempo integral. Quando cheguei a casa apercebi-me da minha exaustão. Estou cansada a vários níveis e desapontada comigo. Vou perdendo a capacidade de tomar decisões, porque não sei para onde me virar. Isto está a chegar a um nível anedótico e completamente ridículo.

Mais uma vez está a ocorrer um padrão. Na primeira TEC das FIV 1 e 2 os resultados foram negativos. Na segunda TEC de ambas as FIV os beta-hCG foram na ordem dos trinta e tal. Que ironias mais parvas e sem lógica nenhuma. Essas comparações não acrescentam nada a este mistério das gravidezes relâmpago. Se realmente se confirmar que se trata de outra gravidez bioquímica, desejo ao menos que o assunto encerre rapidamente para tentar passar um Natal mais despreocupado que o ano passado.

Hoje a tensão mamária está a fazer-se sentir com mais intensidade para me lembrar que só vai parar quando menstruar. Este constante incha e desincha provocado pela medicação irrita-me pela quantidade de vezes que aconteceu sem servir de nada. Não funciono pela via natural nem pela artificial. Com os embriões de FIV, o processo mais natural desta história, a novela terminou. Restam os dois manipulados (fruto de ICSI) que não sei no que podem dar.

Vou repousar, o meu cérebro está a entrar em modo de suspensão.

Beta 1 - TEC 7

Sim, beta 1. Só não acerto na chave do Euromilhões... O resultado foi um inebriante 32,20. Mais um nim. Tiveram o bom senso de pedir para repetir na quarta-feira. O meu lado bruxa adivinhadora diz que vai estar mais baixo e porquê? Desde ontem que tenho notado que a fome e a vontade de fazer xixi têm diminuído. Quando a fome diminui, diz-me a experiência que a gravidez já era.

A Diretora estava abatida enquanto eu, pelo contrário, sabia de antemão o que ia acontecer. Ela ficou surpreendida que quando tenho resultado positivo haja sempre perdas. Pode ser que essa informação a faça pensar em algo que esteja a falhar. Mantenho a medicação para o caso de haver um milagre. As médicas tinham uma ligeira esperança que o próximo valor duplicasse mas avisei-as para não contarem muito com isso devido às redução dos sintomas. Conheço-me e isso irrita-me.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Dia 13 - TEC 7

Poucas horas me separam do veredito. Será uma das datas que vai marcar o meu ano de 2018, qualquer que seja o resultado. Neste momento vários pensamentos vagueiam na minha mente e nenhum deles me traz segurança ou confiança. Durante muito tempo acreditava em mim, na minha capacidade de resolver as coisas. A infertilidade tirou-me o tapete, mostrou-me uma realidade diferente e desmotivante. Tem contribuído para que eu não acredite em algumas frases feitas que são fruto da experiência ancestral.

Amanhã vou fazer o beta com a mesma determinação de todas as outras vezes, por muito que isto me doa, porque não devia ser assim.

Leio carinhosamente todas as mensagens de incentivo das maravilhosas mulheres que partilham a sua emoção comigo. Pode parecer ingratidão não responder mas estou com uma disponibilidade muito limitada que me dá pouco tempo para descansar e até mesmo usufruir de uns minutos em família. É muito importante a vossa força e constatar que a Ciência está a dar cartas. Há também algo notório que é o facto de quem entra neste mundo, mesmo depois de conseguir deixar a besta K.O. continua de certa forma a viver a dor que a infertilidade causa.

Obrigada, mesmo, são fabulosas!

sábado, 1 de dezembro de 2018

Dia 12 - TEC 7

Às 8h era hora de colocar o Progeffik, fui à casa de banho e... esqueci-me completamente que precisava da primeira urina. Tratei da minha vida enquanto me mentalizava que não podia haver xixis durante pelo menos 4 horas. Como trabalhei até às 13h, ou seja, 5 horas depois, voltei a enfrentar a besta que me atormenta. Aquela canetazita inquisidora estava de frente para mim com aquele ar severo. Realizei a prova e enquanto aguardava se tinha sido aprovada ou reprovada, voltei a constatar que a linha tardou a aparecer. Ela surgiu, um pouquinho de nada mais escura que ontem. Não me apaziguou.

Adorava evitar pensar que se trata novamente de uma gravidez bioquímica. Adorava ser surpreendida com um desenrolar glorioso para afastar finalmente esta tormenta. As partidas nefastas têm persistido. Penso, no entanto, que eu permiti que estas acontecessem a partir do momento em que me envolvi nesta luta.

Sou cada vez mais questionada se não ponderamos a adoção. Não, não pretendemos fazê-lo. Esta resposta que parece curta e fria, tem no seu âmago várias considerações que vão ficar apenas entre nós.

Não vou fazer mais testes, irei aguardar pelo beta que não deverá acrescentar muito mais informação.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Dia 11 - TEC 7

Acordei esta manhã com perdas um pouco mais abundantes entre rosa e avermelhado que me deixaram alarmada. Essa situação só me aconteceu anteriormente depois de fazer beta, pouco antes de ocorrer já se sabe o quê. Ao longo do dia as perdas foram iguais às de ontem, ou seja, castanho claro. A bexiga tem enchido ainda mais rapidamente, uma vez por outra sinto uma dor, a fome também vai surgindo e a tranquilidade está a diminuir.

Diariamente venho almoçar a casa e estava determinada - mas também receosa - em comprar um ou mais testes para desvendar (ou não) o mistério. Fui a um Continente Bom Dia perto do meu palácio que tem uma micro-parafarmácia e não havia testes de gravidez, tinham esgotado. Quem sabe não seria um prenúncio.

Agora à noite, ao regressar do trabalho, comprei dois que são sensíveis para valores acima de 25 mIU/mL. Esta inteligência pura que vos escreve tomou coragem e enfrentou o monstro. Como referi anteriormente, as minhas idas ao WC têm sido assíduas, pelo que a urina não estava propriamente concentrada. Fui ficando furiosa à medida que o teste só mostrava a linha de controlo e do lado do teste, nada... As instruções dizem para ignorar resultados positivos após 10 minutos mas mais ou menos aos 5 minutos apareceu uma linha muito, muito clara do lado do teste. Estou/estive grávida, é um facto que já sabia. Agora vem o dilema. Deveria ter aguardado mais algum tempo para fazer o dito cujo, por isso é que deu tão claro? Tenho, como é costume, pouca hormona beta-HCG? Estarei novamente perante uma gravidez bioquímica que mal começou está a terminar? Amanhã de manhã vou usar o outro teste, talvez vá novamente à farmácia comprar mais um para fazer domingo de manhã ou aguardo por segunda, porque de nada vai servir andar neste controlo obsessivo.

Desde que comecei a ter estas perdas, o meu sono tem sido sempre invadido por sonhos relacionados com a gravidez. Nunca terminam bem. Imagine-se que até sonhei que expulsei um pequeno saco. O estupor do diabinho até nos sonhos me assombra.

Gosto tanto de tranquilidade e paz mas elas não querem nada comigo. Outra coisa que me está a enervar por antecipação é que no hospital só é feito um beta. Se der positivo, marcam logo a ecografia das 6 semanas e até lá vêm mais umas semanas de sufoco. Durante esse período tem sido costume ter hemorragias e/ou vou pensando que no dia em que chegar a esse grande marco que nunca assinalei devidamente, não se encontra qualquer espécie de vida.

Reitero que pior do que esperar pelo beta é o que se vive depois de um positivo. Há muita gente que não tem a noção da sorte que lhes calha quando só se preocupam em ter um resultado positivo, porque o resto é-lhes a seguir um dado quase adquirido. Quando leio dezenas de vezes mulheres a almejarem apenas o "tão desejado positivo" penso no meu percurso.

Já disse e repito para quem é pouco experiente nestas andanças ou não teve paciência para ler as centenas de páginas que compõem este blogue: um positivo não é garantia de NADA! Estou no décimo segundo embrião transferido, sétima TEC, quarta gravidez e o meu (anormal) histórico é prova disso.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Dia 10 - TEC 7

Como me sinto hoje? A frequência de idas à casinha para me ver livre dos líquidos tem aumentado, as perdas acastanhadas estão como ontem, algumas dores vão passando por cá, a fome anda de mãos dadas comigo e fui invadida por umas náuseas. Estou tentada em fazer um teste, no entanto, penso sempre na possibilidade de estar completamente iludida e passar o fim de semana furiosa e triste ao mesmo tempo, ou ficar eufórica com um positivo e na segunda dar de caras com um beta ali para os lados de uma gravidez bioquímica. Não sei o que fazer. O problema é que tenho 90% de certeza que o teste ia dar positivo. Raios! Não podia ser mais simples? Como diz o meu marido "estou como um burro em cima da ponte".

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Dia 9 - TEC 7

Estou bastante animada e porquê? Começaram as perdas! No passado ficava aterrada com isto. Ao fim de 7 TECs é um excelente indicador. A pontualidade britânica com que este fenómeno ocorre deixa-me surpreendida, porque ao longo da minha vida o meu sistema reprodutor foi sempre esquisitinho. Sempre que tive perdas de sangue nesta fase o beta foi positivo. O Xeidafome está de volta, noto que a bexiga está a ficar um pouco mais ativa e umas leves cólicas menstruais vão dando sinais. Se não estou grávida, a biologia está a pregar-me uma partida de mau gosto.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Dia 8 -TEC 7

A contagem decrescente vai começar lentamente. É nesta fase que costumam aparecer aquelas duas personagens que gostam de pousar nos meus ombros e sussurrar aos meus ouvidos. Há o inocente que só sabe dizer para não me preocupar, porque vai correr tudo bem. O outro diverte-se a rebaixar-me, insistindo na ideia de que, por mais malabarismos que faça, jamais vou conseguir dar a volta a isto. Este filho da mãe para já tem mostrado que a razão está do lado dele. É uma criaturinha desprezível e irritante!

Será que daqui a umas horas estarei a ver sangue?

Agora à noite senti algumas dores na barriga mas nada de muito expressivo. Não me posso esquecer que isso acontecia com mais frequência quando tomava três comprimidos de Estrofem e não dois, como tem sido nestas duas transferências.

Quero manter-me otimista mas é tão difícil...

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Dia 7 - TEC 7

Até agora, no meu histórico, não tem sido costume haver factos assinaláveis. A viragem significativa poderá ocorrer presumivelmente a partir de quarta-feira. Permanecendo depois dessa altura a ausência de sinais, será fácil prever o que vou ouvir daqui a uma semana. Eu sei que não sentir ou não ver nada (sangue) pode ser sinónimo de positivo, não me incomodava minimamente ser surpreendida dessa forma. De acordo com a minha experiência das três curtas gravidezes houve alguns padrões comuns antes do beta que foram pontadas fortes no útero, perdas de sangue e sensação de fome, esta última mesmo em cima do dia da análise ao sangue. As dores sucederam também em negativos, à exceção do que antecedeu esta transferência, em que nem parece que fiz TEC.

A fase que realmente me tira mais sono vai começar. Resta-me pois, aguardar que o tempo passe.

domingo, 25 de novembro de 2018

Dia 6 - TEC 7

Não tarda terá passado uma semana desde a TEC. Poderão surgir pequenas perdas de sangue nos próximos dias. Gostava que a época natalícia deste ano fosse pautada por uma energia diferente da do ano anterior. No final de 2017 fui assombrada pela proposta surreal de ser internada no dia de Natal ou de ano novo para fazer aspiração do que restava da minha menina. Acabei por fazê-lo a dois dias da véspera de Natal. O vazio que sentia era gigante enquanto permaneci todas aquelas horas na sala de dilatação. O meu corpo estava gélido e tentei a todo o custo distrair-me com uma revista básica de jogos que me acompanhou tantas vezes nas salas de espera, quer do serviço de Medicina de Reprodução, quer na urgência de Obstetrícia. Curiosamente comprei essa mesma revista no dia em que abortei pela segunda vez, para me manter ocupada enquanto aguardava por um beta que confirmasse que aquela gravidez estava definitivamente sentenciada. Vão perdurando detalhes na memória, olho para trás e penso como esta novela vai longa.

Dia 5 - TEC 7

O dia foi de muito trabalho, com os minutos todos controlados numa cadência que correu bem. Não houve nada de significativo em termos de sensações ou "sintomas", reinou o sossego. A presumível implantação poderá estar a acontecer, só tenho de aguardar.