terça-feira, 16 de abril de 2019

Não será também aos 39...

Pelo andar da carruagem não será aos 39 anos que serei mãe, nem em qualquer outra idade, tenho de me convencer disso. Não considero que tenha adiado a maternidade. Estou fora das estatísticas relativas à média de idade em que atualmente se investe nos projetos de parentalidade, fora das tentativas necessárias para se conseguir levar a uma gravidez a bom porto, fora do número médio de perdas gestacionais que afeta cada mulher, fora de muita coisa que envolve (in)fertilidade. Se a diferença nos pode tornar cool, esta é particularmente irritante e arrasadora. Se calhar já devia ter posto um termo a esta tortura há muito tempo. Aquilo que pode ser conotado a força, no meu caso poderá ser mera estupidez, é a conclusão a que chego.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

À espera de laser

Aqui o espacinho está a modos que paradito, pois não há nada de transcendente a acontecer. Contactei esta manhã a Unidade de Medicina de Reprodução para saber se a PGT-A está para breve, uma vez que me tinham dito que em abril deveria arrancar com a nova estimulação. Ainda não sabem bem quando isso vai ocorrer, pois estão a aguardar a chegada de um equipamento de laser. Enquanto isso, a Drª A.M que está responsável pelas "inovações" na unidade de RMA vai alertar o serviço de Genética que já há um casal candidato em espera para se dar início ao processo. Só espero que o dispositivo venha antes de completar os 40 anos para ter direito a fazer estimulação e que a equipa esteja devidamente preparada para realizar a técnica.

Estou também a tentar perceber se vou voltar a menstruar, porque há cerca de 3 semanas senti dores e sensibilidade mamária que poderão ter sido fruto de uma ovulação.

domingo, 10 de março de 2019

Quem diria?!

Quem diria que 1 ano e 2 dias depois, seria surpreendida com a chegada da dita cuja que me falhou mais de 20 anos? Há umas semanas, não mais de duas, senti durante uns dias umas dores ligeiras no fundo das costas, como quando se está com o período. Achei estranho, mas como não visualizei nada, não dei importância. Hoje o alerta vermelho deu sinal e as dores são claramente menstruais. Fiz a aspiração em dezembro de 2017 e no dia da Mulher que se seguiu, fui contemplada com a chegada desse fenómeno que é a menstruação espontânea. Desta vez parei o Progeffik em dezembro, após o fim da gravidez e volto a dar de caras com uma realidade que me era desconhecida. O ET de 39 anos está cada vez mais estranho. A maior surpresa de todas era engravidar espontaneamente ou conseguir levar uma gravidez até ao fim.

terça-feira, 5 de março de 2019

Nada de endometrite

Fez no domingo uma semana que recebi o relatório da biópsia ao endométrio. Foi o próprio médico que mo enviou por mail. Disse que o resultado estava normal. Fiquei um pouco apreensiva em relação a uma frase que lá estava que nada tem a ver com a infertilidade mas fez soar o alarme daquilo que tanto me preocupa, que é a possibilidade de desenvolver algum tipo de cancro.

No documento havia a seguinte inscrição: "O estudo imuno-histoquímico com MUM-1 e CD138 apresenta raras células marcando com MUM-1, de morfologia linfóide e CD138 negativo."

Acerca deste excerto vou pedir esclarecimentos, porque de todos os tipos de cancro que têm surgido na minha família paterna (pai e vários tios), linfoma é um dos que já se manifestou. Não me esqueço também que quando fiz estudo de trombofilias, 38% dos linfócitos apresentava irregularidades. A par do facto de ter dificuldades em conseguir dar a volta à infertilidade ando, desde os 22 anos, a fazer rastreios. Fiz a primeira polipectomia gástrica com 27 anos em que, de uma só vez, foram removidos 6 pólipos do estômago. Até agora retirei 8 e nesse âmbito as coisas têm estado mais calmas. O historial familiar de cancro alarga a um espetro abrangente passando por diversas partes do corpo desde o cérebro, esófago/estômago, cólon, mama, sangue. O do meu pai começou no cólon e alastrou para o fígado. A extensão dos tumores que já tinham atingido o fígado e a sua dimensão levaram a que, desde o diagnóstico até à sua morte, tenha durado 16 meses. Posso estar apenas a criar macaquinhos no sótão mas sinto necessidade de tirar a limpo estas questões.

Perguntei ao Dr JL se deveria fazer mais algum exame, marcar nova consulta com ele ou se podíamos manter contacto via e-mail para se definir a estratégia para a próxima transferência. Recebi nova resposta neste passado domingo (percebi que deve ser o dia em que ele se dedica à interação eletrónica) e ficou combinado haver feedback de todo o processo por mail.

Neste momento aguardo que o hospital me ligue para dar início à toma da pílula ainda este mês, uma vez que me foi dito que se avançará para a estimulação em abril.

Tenho algumas preocupações, como é óbvio, em relação aos próximos tempos. A maior é acerca da capacidade dos embriões chegarem ao quinto dia. Isso não aconteceu no ano passado. Nenhum dos 11 que ficou em cultura após o congelamento dos 4 em D3 apresentou qualidade para ser criopreservado. Esse será um enorme desafio. Há também o próprio ato da biópsia dos embriões para fazer PGT-A, que pode causar a sua perda. Acresce a hipótese de aneuploidias que reduz ainda mais o número de embriões com potencial. Dou por mim a pensar que é possível não sobrar nada viável para transferir. A hiperestimulação também me deixa receosa. Fui aguentando as anteriores, com muitas dores e desconforto, as punções custaram bastante e a recuperação foi acontecendo devagarinho, sem ter havido internamento, torção dos ovários ou embolia pulmonar. A única coisa que ambiciono nesta fase, é que não seja pior que das outras vezes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Trabalho em curso

Esta manhã, enquanto me preparava para ir trabalhar, lembrei-me que até ao momento o HSJ não tinha dado novidades sobre o resto das fotocópias que faltava entregar. À hora de almoço o telemóvel deu sinal de vida, exatamente para me informar que podemos ir buscar as ditas.

Na caixa de correio, por outro lado, foi colocado um envelope da CUF Descobertas com uma fatura de Anatomia Patológica, à qual se encontrava anexada uma carta com a seguinte informação: "No seguimento do exame anatomo-patológico (...) houve a necessidade de realização de um exame complementar, baseado em reação laboratorial antigénio-anticorpo, que contribui para a caracterização da população celular da lesão estudada. O resultado é parte integrante do relatório definitivo emitido."
Hoje é quarta-feira e ainda não tinha notícias quando, hipoteticamente, saberia o resultado da biópsia duas semanas após a colheita do tecido. Esse prazo terminou na sexta-feira passada. Agora percebo o motivo de não saber de nada, ainda. Várias coisas me passaram pela cabeça quando li a cartinha anexada. Quando vi o que sugeria o Dr. Google a respeito do assunto, arrependi-me logo. Resta-me ter um pouco mais de paciência e esperar pela conclusão.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Indo eu, indo eu

Assinalou-se mais um marco nesta viagem interminável que faço há não muito longe de uma década.

Não houve conclusões ainda, estranho seria se já as houvesse no primeiro contacto. Pelo desenrolar da consulta percebi que a estratégia inicial passará pela melhor preparação possível do endométrio, uma vez que a parte embrionária ficará a cargo do HSJ.

Não tinha na minha posse o resultado de anatomia patológica da biópsia da histeroscopia e como não voltei a repetir colheita de amostra depois de ter feito antibiótico durante 14 dias, consenti que me fosse feita nova recolha. O procedimento é desagradável, não vou estar com floreados. Foi um pouco menos penoso que da última vez. Enquanto agoniava por dentro, sentia o útero a contrair-se sempre que era agredido com aquela cânula de ar cândido. Infertilidade e sofrimento estão de mãos dadas. A dor emocional é muito complicada e quando vem acompanhada de dor física, essa consegue ser bem perversa. O que se pretende descobrir neste momento é se padeço de endometrite crónica.

Outra pista que foi dada seria que numa próxima TEC faria Lovenox 60 ou 80 devido ao meu peso. O médico considerou que o 40 era baixo, embora tenha percebido logo que foi prescrito numa base empírica. Da análise às trombofilias que fiz há uns anos está realmente tudo bem.

Ficou impressionado pela produtividade das estimulações, principalmente na minha idade e considera realmente sensato realizar PGT-A.

Cada questão que colocou fez todo o sentido para mim. Ainda bem que tinha feito as minhas tabelas, porque quis saber ao pormenor em que transferências fiz aspirina, corticoide, enoxaparina, que dosagens e o resultado dessas TEC. Consegui responder a tudo, exceto à questão de anatomia patológica da histeroscopia, porque nunca fui informada.

Aconselho então a quem algum dia considere consultar este médico ou qualquer outro fora da unidade onde é acompanhado que registe tudo à medida que realize tratamentos. Consegui sintetizar em duas tabelas todo o meu percurso, desde que comecei a frequentar consultas de infertilidade. Era de fácil análise, o que me facilitou imenso a ser rápida a responder sem ter de remexer em folhas e mais folhas.

Daqui a umas duas semanas vou receber o resultado da biópsia e possivelmente o Dr. J. entrará em contacto comigo para me dizer o que se segue.

Aquela sensação de que me encontrava numa linha de montagem desapareceu.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Expect the unexpected

A reunião foi intensa. Basicamente foi para darmos o nosso aval para participarmos em algo que vai começar a ser realizado no HSJ - PGT-A. Esta sigla substitui a que era usada antes na técnica de PGS. Pelo que me parece os critérios de acesso serão uma idade a partir dos 38 anos e falhas sucessivas de implantação. Pretende-se verificar a existência de aneuploidias nos embriões e evitar que esses que têm anomalias sejam transferidos provocando grande desgaste no casal. As médicas estão inclinadas para que a maioria dos nossos mini-nós tenha anomalias tendo em conta o número elevado de transferências mal sucedidas e os valores sempre baixos de beta-hCG.

A Diretora já tinha falado comigo sobre esta técnica quando falhou a TEC 4, mas na altura ela referiu que era apenas possível realizar no privado e o valor rondava os 10 mil euros. Para nos terem sugerido esta solução hoje, é porque o SNS deve estar a autorizar o procedimento.

A médica disse que a realização da técnica é muito recente no hospital, está praticamente em fase experimental, pelo que só em abril se partirá para o ataque. A minha participação no entanto vai ter um custo que é uma nova (hiper)estimulação. Neste momento tenho dois embriões D3 que daqui a algum tempo serão descongelados até atingirem D5 para poderem ser biopsados. A próxima estimulação será preparada no sentido de se obter o maior número possível de pequenotes e simultaneamente tentar não entrar em colapso com o descontrolo dos ovários. Os embriões resultantes daí vão também desenvolver até D5. Depois é aguardar uns tempos pelo resultado, recuperar do estado explosivo em que vou estar e ver se as minhas células e as do meu respetivo fizeram magia boa ou da negra.

Falei a respeito da consulta de amanhã e o motivo de a ter marcado. Vai haver uma espécie de sinergia em que irei dar feedback do que acontecerá em Lisboa para que todos possamos andar para a frente e arrumar este assunto. A escolha para a unidade pública que estaria ao meu lado nesta jornada, foi a mais acertada. Sempre achei que um dia ia chegar a essa conclusão. Mesmo que não dê em nada.

Agora burocracias... Num dos posts anteriores mencionei que pedi fotocópias dos exames que tinha feito no hospital para poder levar amanhã à capital. Pois, não recebi nada. Falei com a minha querida Super S. da receção e ela disse que não chegou nenhum pedido à Medicina de Reprodução. Fomos ao balcão do RAI onde tínhamos efetuado a requisição e não havia nada pronto. Já passava das 14 horas, ainda não tínhamos almoçado e a senhora que nos atendeu fez umas chamadas para tentar perceber o que se passava. Disse-nos que, se até às 15 horas ninguém nos telefonasse, poderíamos passar lá novamente às 15h30 para trazer algumas fotocópias que entretanto tivessem tirado. Às 15h20 ligaram-nos a dizer que havia alguns documentos que podíamos levantar. Não veio tudo. Do meu marido entregaram 6 cópias (dele não deve haver mais nada), minhas foram 40 fotocópias e um CD. Algum dia recebemos o resto. Pelo menos já veio o que mais queria.

Agora vou descansar, porque daqui a umas horas estou novamente acordada. Nem sei se vou dormir em condições. Já não vou a Lisboa há bastante tempo e, numa das últimas vezes que lá estive choveu torrencialmente. Amanhã vai ser um dia deveras abençoado.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Chamada inesperada

Esta tarde, após as 15 horas, o meu telemóvel deu sinal de atividade vinda do HSJ. Pensei que fosse para informar que as fotocópias que solicitámos estavam prontas, mas o motivo era outro. A equipa analisou o processo e querem reunir connosco no dia 31 (véspera da consulta na CUF Descobertas). Não faço ideia do teor da conversa quando há ainda dois embriões congelados e até ao momento não houve esse tipo de iniciativa. Espero que não seja uma espécie de inquirição por irmos a Lisboa, como se estivéssemos a passar algum atestado de incompetência à equipa ou ao hospital. Pretendo, com a opinião de alguém externo, conciliar estratégias/ideias e não segmentá-las, para que haja coerência de procedimentos com um único fim.

Admito que há pormenores que não me têm deixado totalmente satisfeita com o acompanhamento e sei que os mesmos aconteceram por entupimento do serviço. Falarei sobre eles à Diretora se considerar oportuno. Esses detalhes não põem em causa as capacidades técnicas ou o domínio científico da equipa médica mas ajudam a rotular negativamente o serviço público. Ainda nem sequer estava estabelecido o plano de termos filhos, eu já tinha eleito o HSJ como o local onde queria ver concretizado o desejo de maternidade. Não me perguntem o porquê de ser lá e não noutro centro público aqui da zona, não sei explicar. Nunca cogitei que o CMIN, o Centro Hospitalar de Gaia ou o Hospital de Guimarães tivessem resolvido o meu problema alienígeno. Há algo anormal em mim, só quero ver se outra mente pensa fora da caixa.

Tenho lido tanto ao longo dos anos, à procura de pistas, respostas, casos semelhantes ao meu, mas desde há uns meses fui vencida pela exaustão. Mais uma vez corroboro que vai haver um fim, não muito distante, em que poderei respirar fundo, eventualmente chorar, fazer o luto do tempo que dediquei à infertilidade, fazer o luto pelos meus filhos, libertar-me destas amarras e redefinir objetivos para a vida.

domingo, 13 de janeiro de 2019

39

Ontem entrei nos 39 anos. Não estava entusiasmada, nem tive muito tempo para celebrar a data. Ainda imaginei que hoje pudesse dedicar-me ao ócio e sentir o sol de inverno a alimentar-me com vitamina D mas não tal não será possível. O improviso que comanda a "rotina" e me impede até de planear as 24 horas do próprio dia ditam que este não é definitivamente um fim de semana em que possa fazer algo por e para mim. Pode ser que nos 40 seja diferente. Estou viva e pronta para continuar a enfrentar o futuro, é o que interessa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Nada como iniciar o ano com uma visita ao HSJ

Desta vez não foi para mim mas aproveitei a viagem para resolver um assunto pendente.

A minha sogra foi hoje internada num contentor para ser submetida amanhã a uma intervenção de neurocirurgia, para remoção de um tumor no cerebelo. Aquele hospital tem espaços bastante assimétricos no que diz respeito à qualidade das instalações e há partes novas a serem construídas. A zona das ecografias de obstetrícia que foi onde fiz a histeroscopia, tem um ar decadente, o hospital de dia tem uma sala de espera assustadora (mais pela quantidade abismal de pessoas confinadas na sala de espera), há outros locais também caóticos e degradados por onde só estive de passagem para aceder a zonas que necessitava. Noutras áreas está bem apetrechado e cómodo. O pré-fabricado onde ela ficou tem vários equipamentos de ar condicionado em funcionamento e está estruturado para que os utentes não tenham uma estadia traumática do ponto de vista das infraestruturas. Esta perspetiva é de alguém externo, porque não sou eu que estou lá internada para analisar com mais cuidado. Não sei como funciona, por exemplo, na gestão dos banhos. O que se destaca de mais negativo é mesmo aquela sensação de se pisar um solo que a qualquer momento pode colapsar.

Eu e o meu marido aproveitámos a altura em que os meus sogros já tinham entrado para a admissão, para irmos ao "nosso" piso 3, casa dos últimos 4 anos. Fomos informar-nos do que devíamos fazer para termos relatórios ou cópias dos exames realizados até agora. A maravilhosa cicerone que sempre atende os casais com um sorriso, boa disposição e assertividade, aconselhou-nos a pedir fotocópias, porque os relatórios têm um atraso enorme. Neste momento as médicas estão a elaborar os relatórios pedidos em outubro. As cópias são bem mais rápidas e dando a indicação de que a consulta em Lisboa é em breve, mais cedo ainda conseguimos. Assim fizemos, fomos ao Atrium Hospitalidade, atendimento RAI, postos 11 e 12, destinados apenas a isso. O processo é simples, nem sequer somos nós que preenchemos formulários, porque fica automaticamente informatizado e é-nos dada cópia do pedido. Neste caso foram dois, um para mim e outro para o meu marido. Quando as fotocópias estiverem disponíveis, seremos contactados para ir lá levantar.

A nossa parte para já está tratada no hospital. A prioridade atualmente é mesmo a minha sogra. Apesar do cirurgião ter tranquilizado dizendo que a cirurgia não é muito complexa e praticamente não há possibilidade de recidiva, há sempre receio que algo não corra bem. Ainda não sabemos a duração previsível para o internamento, só nos informaram que está previsto operar amanhã de manhã.

A confirmação da data da intervenção só foi feita no final da semana passada, por isso ainda não temos bem presente de que nos encontramos num novo ano civil. Não fosse o meu aniversário na próxima semana, passava-me ao lado a mudança para 2019.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

3 anos na blogosfera

Esta casinha virtual completou três anos de existência nessa frenética rede que se apoderou do quotidiano de tantas pessoas.

Teve início num ano muito especial para mim, com boas memórias e também com o assinalar da reação do meu corpito aos injetáveis, numa abordagem um pouco mais profunda da PMA. Esta narrativa, ainda inacabada, aproxima-se das trezentas páginas, se todo o seu conteúdo for colocado num documento. Não imaginava que findo este tempo, TEC fosse o conceito dominante e que surgiria, com tanta frequência, o assunto perda gestacional. Olhando para mim e para a transformação que sofri nos últimos 3 anos, vejo que a balança evoluiu ao mesmo ritmo das palavras, a natureza tratou vigorosamente de mudar a cor do meu cabelo para dois tons, as minhas emoções mudaram (ainda não sei classificar bem em que medida) e encontro-me na mesma situação daquela altura: mãe de uma ideia.

Daqui a aproximadamente um mês vou embarcar na procura de algo diferente, gostaria até que se traduzisse em respostas, lá em Lisboa. Nos anos 50/60, o meu avô paterno fez também incursões à capital em busca de uma solução para um problema de saúde de um dos seus 10 filhos. Pelos relatos que o meu pai fazia da condição do seu irmão, suponho que sofresse de algum tipo de distrofia muscular em que nem se conseguia manter em pé. Arrastava-se e tinha um grande sentido de humor. Infelizmente faleceu com 12 anos. O meu pai falava sempre carinhosamente dele. As viagens que o meu avô fez, determinado em providenciar ajuda, foram em vão. Não sei se me vai acontecer o mesmo mas agora que me encontro perante este cenário em que praticamente é o meu último recurso, vou em frente. Só há uns dias é que me recordei deste episódio relacionado com o meu avô e o tio que nunca conheci. Admiro a sua força por fazê-lo, apesar das enormes dificuldades que enfrentava. Tratava-se de um filho, está tudo dito.

As viagens estão reservadas, vamos de comboio. Estou a cruzar os meus dedinhos para que a CP não faça greve.

Já que o ano se aproxima do fim vou aproveitar este post para desejar a todos uma saída de 2018 com paz no coração e uma entrada em 2019 com forças restabelecidas. Obrigada por estarem desse lado, pela vossa generosidade. Aos pequenos que entretanto nasceram, que reconheçam nas suas mães e pais o exemplo de determinação e tenacidade; aos homens e mulheres que estão nesta guerra injusta e procuram aqui alguma inspiração (se é que a transmito) lutem, lutem muito; aos curiosos que acompanham esta novela e felizmente não passam por esta tortura ou não precisam de enfrentar este bicho papão, são sempre bem vindos à minha humilde casa virtual, juro que tenho tentado escrever um final feliz mas a hora não chega. Vocês todos enchem-me o coração e aquecem a minha alma que por vezes anda moribunda.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Consulta agendada

Foi na sexta-feira que liguei para a CUF Descobertas e no início desta tarde recebi a chamada com a marcação da consulta. O privado tem uma rapidez processual a que já não estou acostumada. Habituei-me ao longo dos anos a aguardar, aguardar, aguardar, desesperar, até que o telefone toque. A consulta será no dia 1 de fevereiro de 2019, às 13 horas. Pareceu-me uma data razoável atendendo à hipotética procura que o médico tem. Agora é ver se é mais viável ir de comboio ou avião. A propósito de avião, alguém tem conhecimento se recentemente o primeiro voo matinal Porto-Lisboa, pela Ryanair, tem sido pontual? Já fiz essa viagem noutras alturas, sem qualquer inconveniente mas no verão passado houve atrasos descomunais para outras zonas, que chegaram a afetar-me nas férias.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Domingo, pois claro...

A intensificação das dores deixava adivinhar que estava para chegar e, em mais um domingo, apareceu. Que previsível...

Lisboa no horizonte

Após horas de pesquisa, não me sentia confiante em marcar consulta com algum profissional daqui do norte. A experiência que tive em hematologia não me deixou confortável para arriscar alguém que pudesse andar com suposições e principalmente silêncios, à semelhança do que tem acontecido até aqui.

Entrei em contacto com o Hospital CUF Descobertas para tentar marcar uma primeira consulta com o Dr. J. L., pois tinha lido que ele não aceita primeiras consultas (o que é, no mínimo, estranho). Quando fui atendida e referi que desejava marcar consulta, ouvi essa mesma história, no entanto pediram-me que aguardasse, para confirmarem se ele estaria recetivo a fazê-lo novamente. Claro que antes da "confirmação" solicitaram-me algumas informações sobre o que me levou a entrar em contacto com o hospital e se tive recomendação do Dr. J. por parte de alguém. Respondi que tento ser mãe há 7 anos, estou a ser acompanhada pela Unidade de Medicina de Reprodução do HSJ e que me encontro a passar pela quarta perda gestacional. Pessoalmente acho que este entrave é uma manobra de marketing ou então um filtro para não sobrecarregar a agenda do médico. Alguns minutos depois da música que me dava vontade de chorar ouvi do outro lado que sim, ele aceita novamente primeiras consultas. Estranho, não?! Será que é para nos sentirmos especiais e esperançosas? O único senão é que a administrativa ainda não começou a organização da agenda de 2019 e terei de aguardar que me contactem para indicar a data. A pessoa que me atendeu leu um pequeno parágrafo que sintetizava a descrição do meu caso para eu dizer se concordava/discordava ou se queria acrescentar alguma coisa. Quis também saber se a recomendação surgiu de algum médico ou paciente e confirmei que foi através de paciente. Aproveitei para dar umas informações adicionais como o número total de transferências realizadas e de embriões, assim como a altura em que as perdas têm ocorrido. Soube que quem organiza a agenda lê essa síntese. Inicialmente perguntaram se queria consulta de ginecologia ou obstetrícia, após o micro-resumo fui proposta para consulta de trombofilia. As marcações são efetuadas pelo juízo de valor daquelas palavrinhas que vão ser traduzidas numa espécie de prioridade? Até ao momento isto parece um pouco ficcionado e fora do planeta a que estou habituada. Aproveitei para esclarecer questões relacionadas com exames que deva levar, se posso fazer registos com a síntese dos procedimentos e é nisso que me tenho debruçado, já que tenho pouca coisa oficial na minha posse. Não tenho todos os relatórios das TEC, em alguns há erros de datas, copy paste descontextualizado e a informação é quase nula. Eu, na qualidade de paciente, acho que aquilo pouco ou nada diz, se eu fosse um profissional de saúde que quisesse tirar alguma conclusão a partir daquele documento ficaria a saber o mesmo. É impossível avaliar-se adequadamente alguém com um relatório daquela natureza. Do hospital o que me faz mais falta é o resultado dos cariótipos e da biópsia da histeroscopia (sobre isto nunca me disseram nada), só me prescreveram o antibiótico. Vou ver o que posso fazer em relação a isso. Se calhar arranjo consulta em Lisboa antes de conseguir essas cópias.

Já elaborei uma tabela em que, em apenas uma página, sintetizei tudo sobre as sete transferências. Incluí dados sobre os embriões, as datas em que os medicamentos começaram a ser introduzidos, resultados de beta, perdas de sangue, em que momentos foram feitos o estudo das trombofilias, histeroscopia e ecografias relevantes. Estou orgulhosa desse trabalho e espero que venha a ser útil. Vou elaborar outra tabela com algum histórico relativamente aos ciclos (neste caso ausência deles), hipotiroidismo, induções realizadas com citrato de clomifeno, IIU e FIV. Assim, em apenas uma folha, vou resumir 24 anos do meu sistema reprodutor. Este blogue foi uma ajuda gigante, facilitou muito mais do que se tivesse de reunir e analisar papeis.

Atualmente e desde há dois dias, sinto dores menstruais que hoje estão mais intensas mas até ao momento ainda não se traduziu em operação de limpeza. Este cedo anúncio indica que o útero não vai ser brando.

Estou a tentar reerguer-me e virar novamente a página desta coisa maldita que vai entrar comigo, daqui a umas semanas, nos 39 anos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Beta 3 - TEC 7

Mais um final, o quarto... O resultado foi negativo.

Segue-se nova reunião em janeiro para analisar o extraterrestre. Nessa altura entrarei em contacto com o HSJ para saber se há alguma coisa definida. Enquanto isso vou seguir a sugestão de procurar alguém especializado em abortos de repetição. Do que tenho visto na web, aqui pelo Porto não há ninguém que se dedique a essa área. Estou inclinada em marcar consulta com o Dr. Pedro Xavier mas não sei se será a melhor opção nesta área geográfica.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Atualização

Não deve faltar muito para me despedir do meu pequeno. Desde ontem à noite a tonalidade rosada tem feito parte da minha rotina. Também é típico desta altura, após o beta. As minhas perdas gestacionais têm sido precedidas por uma maior atividade intestinal e só agora é que estou a fazer essa associação, porque está a voltar a acontecer. Desde que comecei a ter os sinais coloridos, na semana passada, saio sempre de casa com um penso Tena Lady, daqueles bem generosos, para não ser apanhada desprevenida. Normalmente os episódios infelizes têm acontecido ao domingo, ao final da tarde. Da segunda vez estava na terrinha, em casa da minha mãe e na terceira vez, no meu lar.

Não me sinto segura nem motivada para tratar de assuntos natalícios. Tenho saído praticamente apenas para trabalhar, evitando andar sem necessidade, não vá o problema ser excesso de movimento. Desde que fiz esta transferência tenho sido mais comedida na minha atividade diária, em relação às outras vezes, no entanto não está a surtir efeito.

Isto está a tornar-se um maldito hábito que não fica mais fácil de aceitar. Não me conformo, é impossível encolher os ombros por achar que simplesmente aconteceu ou porque estava destinado ser assim.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Beta 2 - TEC 7

Que enredo mais estapafúrdio o meu percurso traça. O beta está a aumentar devagar, devagarinho. Onde já vi este filme? Não sei o valor concreto, porque a enfermeira não entrou em detalhes, só disse que era na ordem dos quarenta e tais. Foi também alertando que a probabilidade de resultar é praticamente nula e daqui a uma semana volto a colher sangue. Não perguntei nada sobre a medicação, vou continuar a tomar tudo normalmente. Sei perfeitamente qual o destino desta gravidez mas estou feliz pelo pequeno lutar com as poucas forças que tem, fruto da minha falta de capacidade para fazer algo por ele.

Curiosamente hoje os sintomas arrebitaram um pouco e as perdas diminuíram. De sábado a uma semana completarei 6 semanas, a altura em que tradicionalmente dá-se a viragem das minhas gravidezes. Se podia ser mais fácil? Poder, podia, mas não se trataria de mim, nem seria a mesma coisa... Viva a época natalícia que se avizinha!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Ideias soltas

Trabalhei todo o dia sem grande oportunidade para pensar no que está a acontecer, porque sou completa e constantemente absorvida e solicitada, o tempo integral. Quando cheguei a casa apercebi-me da minha exaustão. Estou cansada a vários níveis e desapontada comigo. Vou perdendo a capacidade de tomar decisões, porque não sei para onde me virar. Isto está a chegar a um nível anedótico e completamente ridículo.

Mais uma vez está a ocorrer um padrão. Na primeira TEC das FIV 1 e 2 os resultados foram negativos. Na segunda TEC de ambas as FIV os beta-hCG foram na ordem dos trinta e tal. Que ironias mais parvas e sem lógica nenhuma. Essas comparações não acrescentam nada a este mistério das gravidezes relâmpago. Se realmente se confirmar que se trata de outra gravidez bioquímica, desejo ao menos que o assunto encerre rapidamente para tentar passar um Natal mais despreocupado que o ano passado.

Hoje a tensão mamária está a fazer-se sentir com mais intensidade para me lembrar que só vai parar quando menstruar. Este constante incha e desincha provocado pela medicação irrita-me pela quantidade de vezes que aconteceu sem servir de nada. Não funciono pela via natural nem pela artificial. Com os embriões de FIV, o processo mais natural desta história, a novela terminou. Restam os dois manipulados (fruto de ICSI) que não sei no que podem dar.

Vou repousar, o meu cérebro está a entrar em modo de suspensão.

Beta 1 - TEC 7

Sim, beta 1. Só não acerto na chave do Euromilhões... O resultado foi um inebriante 32,20. Mais um nim. Tiveram o bom senso de pedir para repetir na quarta-feira. O meu lado bruxa adivinhadora diz que vai estar mais baixo e porquê? Desde ontem que tenho notado que a fome e a vontade de fazer xixi têm diminuído. Quando a fome diminui, diz-me a experiência que a gravidez já era.

A Diretora estava abatida enquanto eu, pelo contrário, sabia de antemão o que ia acontecer. Ela ficou surpreendida que quando tenho resultado positivo haja sempre perdas. Pode ser que essa informação a faça pensar em algo que esteja a falhar. Mantenho a medicação para o caso de haver um milagre. As médicas tinham uma ligeira esperança que o próximo valor duplicasse mas avisei-as para não contarem muito com isso devido às redução dos sintomas. Conheço-me e isso irrita-me.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Dia 13 - TEC 7

Poucas horas me separam do veredito. Será uma das datas que vai marcar o meu ano de 2018, qualquer que seja o resultado. Neste momento vários pensamentos vagueiam na minha mente e nenhum deles me traz segurança ou confiança. Durante muito tempo acreditava em mim, na minha capacidade de resolver as coisas. A infertilidade tirou-me o tapete, mostrou-me uma realidade diferente e desmotivante. Tem contribuído para que eu não acredite em algumas frases feitas que são fruto da experiência ancestral.

Amanhã vou fazer o beta com a mesma determinação de todas as outras vezes, por muito que isto me doa, porque não devia ser assim.

Leio carinhosamente todas as mensagens de incentivo das maravilhosas mulheres que partilham a sua emoção comigo. Pode parecer ingratidão não responder mas estou com uma disponibilidade muito limitada que me dá pouco tempo para descansar e até mesmo usufruir de uns minutos em família. É muito importante a vossa força e constatar que a Ciência está a dar cartas. Há também algo notório que é o facto de quem entra neste mundo, mesmo depois de conseguir deixar a besta K.O. continua de certa forma a viver a dor que a infertilidade causa.

Obrigada, mesmo, são fabulosas!