Sei que chegarás
Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
sábado, 17 de janeiro de 2026
Atualizações
domingo, 28 de dezembro de 2025
Balanço de 2025
O ano começou com a expectativa de resolução rápida da litíase biliar. Está a demorar bem mais do que aquilo que me foi indicado e a perspetiva é que daqui a cerca de 9 semanas faça parte do passado. Não tem sido um período fácil, cada vez mais preciso de acabar com isto.
A partir do final de abril, seguindo-se maio e junho, gerou-se uma sequência de acontecimentos, um previsto (uma obra há muito desejada em casa), que teve de ser conjugado em simultâneo com um internamento de um familiar e outros episódios em catadupa. Daqui o que retiro como meu desejo para um estado de velhice que possa atingir é manter a lucidez, discernimento e autonomia. Sei que é sonhar alto, atendendo ao que cada vez mais constato, mas ainda não é proibido.
Voltámos aos lugares que nos trazem paz, onde num deles queremos construir algo que podemos chamar de nosso refúgio, sempre que nos der vontade de sair das confusões das filas e pessoas impacientes.
Não foi um ano de desapontamento com pessoas, foi tão somente o corroborar daquilo que está mais que patente há anos e não vai mudar.
Parece uma súmula muito sintética do que aconteceu, mas penso já ter dito que a minha vida é muito básica. Gostamos de sossego, de segunda a sexta levanto-me muito cedo e, por isso, deito-me cedo. Os fins de semana não são dados a loucuras, pois a nossa natureza é calma e além de nós os dois há família a precisar cada vez mais do nosso suporte. Basicamente aproveitamos os períodos de férias para desanuviar, enquanto nos é possível.
Passados mais de 5 anos sobre a nossa decisão, continuam a perguntar-me se não pretendemos adotar uma criança. Estamos muito bem e é isso que realmente nos importa, não o que os outros acham.
domingo, 30 de novembro de 2025
Sobre a minha menina de bigodes
Hoje o post é essencialmente sobre ela, a miúda que trouxe o mais belo dos sentimentos aos meus, aos nossos dias. Foi encontrada juntamente com um irmão na zona da Batalha, no Porto, indefesos, cegos de nascença, sujinhos, à sua sorte. Ela nasceu sem globos oculares. Teriam uns três meses quando alguém não lhes ficou indiferente e proporcionou-lhes alimento, cuidado e um teto onde pudessem experimentar uma vida diferente daquela que lhes estava destinada. Foram colocados para adoção, um casal amigo ficou com a miúda, mais reguila e comilona, o irmão foi para outra família. Quis o destino que eu não ficasse com ela logo que foi proposta para adoção, mas seis meses depois, tinha ela dez meses, acabou por entrar generosamente na minha vida. Tenho uma enorme gratidão por tudo o aprendi com ela e continuo a aprender. É verdadeiramente especial, de uma sensibilidade e ternura fora de série e, durante muito tempo, combinava todo o seu afeto e carinho com um lado travesso, inocente, de quem sabia muito bem como me fazer rir e admirar todas as capacidades que desenvolveu à custa da cegueira. É, atualmente, a gata mais velha que tive. Tem 14 anos e, desde há uns dois anos e qualquer coisa os hábitos traquinas foram desaparecendo, dando lugar a uma dependência ainda maior do nosso colo, carinho, descanso. Já não procura objetos para brincar, nos poucos momentos brincalhões ela praticamente exige a minha participação. Às vezes tento estimulá-la para ser mais ativa, nem sempre tenho sucesso. Se for para mimo está tudo bem. Ela mesma retribui com massagens, abraços apertados, turras, esfoliações intensas no meu rosto, temos momentos a duas de grande cumplicidade. Quando se deita em cima de mim, agora sente necessidade de pousar o focinho sobre o meu rosto. Antes bastava-lhe ter as patinhas a tocar-me na cara. Algumas rotinas mudaram, já não tenho uma sombra a acompanhar cada passo que dou. Estar deitada é a sua ocupação quase plena. Sempre que montava a árvore de Natal tinha a minha assistente em ação, a entrar e sair do túnel onde a árvore fica empacotada, a testar a qualidade dos ramos com a boca, a roubar uns elásticos, a personalizar a decoração da árvore retirando elementos que achava excessivos, a espalhar pela casa as provas dos seus crimes durante as semanas em que o elemento natalício ficava exibido na sala. Há dois anos começou a deixar a árvore descansar no seu canto, mas a parte da entrada e saída da embalagem ainda continuava, no dia da montagem. Hoje nem sequer acordou em toda a preparação da árvore. Entristeceu-me fazer essa constatação. Fisicamente não são ainda notórios sinais significativos do envelhecimento. A cor da pelagem está praticamente igual, a densidade do pêlo talvez esteja um pouco mais reduzida. Os bigodes já não são tão longos e as suas gengivas estão praticamente despovoadas. Tem dois pequeninos dentes superiores e um pequeno molar que me parece também brevemente cair. No que toca aos dentes, os problemas começaram cedo. A mãe dela deve ter tido uma gravidez miserável. Por possivelmente sentir desconforto na boca desde novinha, nunca vi a minha menina mastigar os alimentos. Habituou-se a comer como se engolisse comprimidos, um a um. Tirando a falta de olhos que nunca foi um drama para ela, os problemas dentários, uma infeção urinária e três deslocamentos de rótula resolvidos em minutos, a saúde dela tem estado bem. Daqui a dois meses vai fazer novamente análises para ver se continua tudo em ordem. Estou consciente de que ela está em idade geriátrica, mas continua a ser para mim a minha menina, a quem quero proporcionar tudo o que está ao meu alcance para que seja feliz e saudável. O seu coração maravilhoso continua a ver com a clareza de sempre e espero que continue a bater forte e certo, durante muito tempo.
sábado, 27 de setembro de 2025
Espera na ULSM
domingo, 7 de setembro de 2025
Deve ser em breve
Penso ter já referido que tenho um inquilino dentro de mim que anda a importunar-me há bastante tempo. Está a ser cada vez mais inconveniente, pelo que está mais que na hora de livrar-me dele. Tenho consulta de cirurgia gástrica agendada para o dia 24 deste mês e espero que a colecistectomia seja o mais breve possível. O calhau é grande, a má disposição surge mesmo que coma uma simples peça de fruta, faça uma caminhada mais vigorosa ou pratique aquagym. Acordo por vezes, de madrugada, com uma dor surreal na zona epigástrica, que dura uns minutos. A agonia tira-me o discernimento para perceber durante quanto tempo, em média, persiste aquele sofrimento que parece uma espécie de cãibra exacerbada sem contração de músculo algum. Da mesma forma que surge, sem aviso prévio, desaparece. É deveras estranho. A primeira vez que aconteceu estava sozinha, o meu marido estava a trabalhar de noite e, por sentir a dor muito próxima do coração, fiquei bastante assustada. Nessa altura já tinha alguma desconfiança de que pudesse ter uma pedra na vesícula, mas ainda não associava os sintomas.
Entrei para a lista de espera de consulta de cirurgia no dia 21 de janeiro, a minha médica de família dizia, confiante, que seria operada em menos de 6 meses, mas o Hospital Pedro Hispano está numa realidade diferente. Tenho esperança que em outubro seja submetida à laparoscopia para me sacarem este órgão. Não sei o que se seguirá, os organismos têm respostas diferentes às colecistectomias, espero que a minha qualidade de vida melhore.
Wish me luck!
sábado, 28 de junho de 2025
Praticamente 5 anos, já?!
Sim, daqui a um mês terão sido completados 5 anos desde o fim do período mais estranho e exaustivo que vivi. Pode parecer contraditório, mas ainda bem que terminou.
O futuro pós vida ativa é, cada vez mais, um tema sobre o qual nós os dois não estamos nada alheios, por várias razões. Dá-nos força para tentar ir aproveitando o tempo o melhor possível, enquanto não temos condicionamentos. Por outro lado continuamos a organizar-nos para sustentar reviravoltas que sabemos bem que não acontecem só aos outros.
Penso que nunca partilhei aqui, mas a velhice apoquenta-me. Não na perspetiva física ou da minha imagem. São o declínio do discernimento, da capacidade de percepção que me assustam. Gostava de conseguir manter-me sempre lúcida, de pés assentes na terra.
O meu marido diz muitas vezes que vai durar até aos 150 anos. Já lhe disse outras tantas que não quero acompanhá-lo em tal façanha se no percurso estiver privada de qualidade de vida, ao nível da saúde, e/ou a ser um fardo para alguém. Sei que só tenho 45 anos e para muitos não faz sentido pensar já neste assunto. Para mim é algo natural.
quinta-feira, 10 de abril de 2025
Uma luta solitária
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
Um estudo de enorme relevância
Tenho vindo a enfatizar ao longo dos anos a extrema importância da investigação. Está a ser desenvolvido um estudo que necessita de participantes, não é pedido nada de extraordinário e pode ter um impacto gigante nas perdas gestacionais recorrentes.
Infelizmente não posso contribuir, mas há tantas mulheres que o podem fazer!
A informação relativa a este estudo pode ser consultada em https://sigarra.up.pt/fmup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=95639
Divulguem o máximo que conseguirem.
domingo, 12 de janeiro de 2025
45
sábado, 20 de julho de 2024
Num estalar de dedos
Passaram 4 anos. Parece que foi ontem que publiquei uma das poucas fotos que estão perdidas aqui pelo blogue e que ditou o fim da era mais dura que atravessei. As marcas deixadas pelos anos de incerteza, angústia e desilusão têm atenuado e, ainda que não tivesse duvidado, permanece a convicção de que parar foi a melhor decisão.
quarta-feira, 1 de maio de 2024
15 anos de nós
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
Sobre o artigo
Estou a assimilar o retorno da publicação que a APFertilidade fez no Facebook relativamente ao artigo. Não sei se estou a interpretar corretamente, mas a temática é uma espécie de elefante na sala. Há uma vontade em falar sobre ela a plenos pulmões, no entanto existem fatores que reprimem esse ímpeto. Se formos analisar tudo o que envolve a infertilidade há um conjunto diversificado de tabus que assombram a forma como a enfrentamos. A sociedade que atua como um barómetro implacável, eleva a sensação de culpa e vergonha que nos acompanha na fase delicada dos tratamentos. Já não basta travarmos a nossa luta, acrescentamos ainda à equação "problemas" externos. Será mesmo a sociedade tão cruel ou nós é que damos demasiada importância àquilo que o outro pode achar a nosso respeito?
Do feedback que tive fiquei a perceber que deveria ter disponibilizado no blogue uma alternativa de contacto direto comigo. Como nunca desativei os comentários dos posts, pensei nestes anos todos que, no de caso de alguém querer comunicar comigo, o faria por aí. Estive hoje a ver que ferramentas o Blogger tem disponíveis e existe a possibilidade de preencher um formulário de contacto. Serei notificada no e-mail que tenho associado à conta e, a partir daí, poderei interagir com quem assim entender. Por uma questão de privacidade prefiro essa via a deixar visível um e-mail. Não significa que estou fechada a comunicações!
Tenho sentido um abraço gigantesco, contudo foi meu objetivo principal pôr a pensar. Não há regras para definir limites, dependem da vivência de cada um e de um enorme exercício de autoconhecimento.
Obrigada pelo carinho que tenho recebido ao longo destes anos. Gostava de um dia poder aqui divulgar que mais nada há a descobrir sobre medicina da reprodução e que todos os problemas têm uma solução fácil.
sábado, 13 de janeiro de 2024
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Eis-me chegada a uma nova capicua etária. Ontem foi um dia de sorrisos, despreocupações, uma lufada de ar fresco face ao stress vivido nos anos anteriores. Como gosto de tranquilidade e simplicidade!
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
+Fertilidade magazine - edição de janeiro de 2014
Foi hoje disponibilizada a edição da +Fertilidade magazine, desenvolvida pela Associação Portuguesa de Fertilidade, para a qual redigi um texto, no capítulo dos testemunhos. Algum tempo antes do convite para a participação na revista colaborei noutro projeto, a ser implementado por um grupo de investigadores, que conto divulgar logo que haja novos desenvolvimentos.
Fez-me bem escrever o artigo, fi-lo em muito pouco tempo. Sentir-me-ei extremamente feliz se trouxer algum conforto, a uma pessoa que seja.
sábado, 30 de dezembro de 2023
Súmula de 2023
O ano foi cansativo mas compensador. Não se desviou muito do que esperava.
Concluí a licenciatura e graças à aposta que fiz em voltar ao ensino superior, mudei de profissão. Trabalho a tempo inteiro, voltei a sentir-me útil. Só gozei verdadeiramente seis dias de férias, porque não pude requerer o estatuto de estudante-trabalhador e usei os outros seis na época de exames do segundo semestre.
Estou a ter possibilidade de me dedicar um pouco mais a mim, continuo lentamente a perder peso (até ao momento uns 14 kg desde a pior fase que registei), só o peito que cresceu ainda mais com os tratamentos é que não reduz um milímetro que seja.
Ando a tratar mais uma infeção respiratória, virou rotina anual.
O meu marido descobriu que tem mutação no Fator V de Leiden (heterozigótica), na sequência de tromboses que teve no passado e duas este ano, pouco espaçadas, após uma cirurgia às varizes que fez há um ano. O apixabano entrou permanentemente na vida dele. Por haver 50% de hipóteses de transmitir à descendência, a filhota vai fazer estudo genético. Ela tem 25 anos e é importante estar de prevenção.
A minha menina de bigodes tem 12 anos, já só tem 3 microdentes e continua a ser a reguila mais meiga e safada que tão bem me faz. Foi tosquiada pela primeira vez e o pêlo tem crescido a uma velocidade alucinante.
Sou uma felizarda por não estar angustiada como andei tanto tempo, permito-me sonhar e fazer novos planos para o futuro.
Participei em duas iniciativas relacionadas com o meu percurso na infertilidade e saúde mental, tive novo convite para ir a um programa de televisão (declinei outra vez, a minha opinião não mudou), em breve conto divulgar mais pormenores das minhas intervenções.
Desejo um excelente ano de 2024 a quem está desse lado, seja qual for a sua origem geográfica, todos são bem vindos. A paz e o sossego de espírito que almejo para mim espero que se estendam a quem anda inquieto.
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
Tempo e €€
Enquanto frequentei o serviço de PMA do HSJ este funcionava durante o período da manhã sendo que, em situações de punção e outras pontuais, a sua atividade poderia estender-se até às 14h/14h30. Foi encontrada uma forma de encurtar os cada vez mais longos tempos de espera que foram dilatando desde a pandemia. A RTP realizou uma reportagem sobre o assunto e pode ser visualizada aqui: https://www.rtp.pt/noticias/pais/hospital-sao-joao-procura-mudar-cenario-da-procriacao-medicamente-assistida_v1523520
Acredito que seja uma medida provisória até restabelecer a relativa "normalidade" pré-pandémica. Possivelmente esta alternativa é financeiramente mais económica que estabelecer protocolos com clínicas privadas para poder dar cumprimento ao que está legalmente previsto e que só acontece em Lisboa (no Hospital de Santa Maria e MAC, salvo erro). Aqui a norte sempre houve resistência e "desconhecimento" do mecanismo de encaminhamento para unidades de PMA privadas quando os tempos de espera ultrapassavam 12 meses.
Qualquer iniciativa para a redução dos tempos infinitos que só jogam contra a natureza é bem vinda.
Outra novidade está a ser preparada, relacionada com infertilidade. Logo que possa darei mais informações. Como tenho vindo a defender, tudo o que eu puder fazer para dar algum tipo de apoio, estarei presente.
quinta-feira, 28 de setembro de 2023
Tempo de antena
domingo, 30 de julho de 2023
Esclarecimento de dúvidas sobre a PMA em Portugal
domingo, 23 de julho de 2023
É oficial, licenciatura concluída 🎉
Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida 😃
Ainda não caí em mim que já vou ter tempo livre, serões descansada, sono tranquilo e ócio! O dia a dia improvisado vai terminar, vou estar disponível para mim e para os meus, os tempos que ainda pareciam de confinamento chegaram ao fim. Foram três anos exaustivos, mas tinha mesmo de enveredar por algo assim para que a transição da desilusão dos 8 anos e 8 meses para o que aí vem, me traga ânimo. Digamos que foi o tipo de luto que decidi realizar. Estou feliz, embora ainda não tenha despertado bem para a nova realidade, porque penso sempre que não tenho direito a dias melhores.
Há uma viagem na calha, daqui a uns meses, vamos ver se se concretiza.
Notei, nestes anos, um pouco do efeito do tempo no meu envelhecimento. Há que libertar do que já não importa, valorizar as pequeninas coisas e descobrir outras que nos provoquem rugas de felicidade.
