Sei que chegarás
Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
sábado, 2 de maio de 2026
Rescaldo da cirurgia
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
4.° dia pós-colecistectomia
Como sempre, o que narro representa exclusivamente a minha experiência.
Ontem fui trocar os pensos. Desde as primeiras horas comecei a apresentar vermelhidão onde os adesivos impermeáveis se encontravam colados. Já esperava esta reação, sempre que faço análises tiro o penso quase logo em seguida e, mesmo assim, o tempo é suficiente para ficar com marcas na pele. A cicatrização está a ocorrer favoravelmente, por outro lado estou com outro tipo de adesivos por causa da irritação na pele que já criou pequeninas feridas. Por não estar com pensos impermeáveis tenho de tomar banho "à gato" se é que me entendem. Estou agrafada, não sei se em todas as incisões. As dores que sentia ao movimentar estão a reduzir. A ingestão de gorduras encontra-se abaixo de 1 g/100 g de alimentos, no entanto ontem passei mal a seguir ao almoço. Tive diarreia acompanhada de muita dor, uma má disposição e fraqueza crescentes que culminaram a vomitar. Seguiu-se um alívio que durou menos de 5 minutos, interrompido por mais diarreia... Fui deitar-me, não tive mais indisposição o resto do dia.
Desde domingo caminho durante a manhã em espaços fechados, espero que daqui a uns dias as condições meteorológicas mo permitam fazer ao ar livre. Hoje, após o almoço, voltou a diarreia. Está a ser uma redescoberta e uma readaptação. O lado positivo é que, para já, aquele enjoo quase permanente que sentia, antes da cirurgia, está a deixar de fazer parte do meu quotidiano. Não tive também as dores excruciantes que me atormentavam de madrugada.
Quinta-feira volto a trocar os pensos.
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Era uma vez...
uma vesícula habitada por uma pedra. Esta sexta-feira 13 foi removida do corpo de uma criatura, saturada da sua existência. O dia tardou a chegar, mas finalmente aconteceu.
Todos os profissionais foram maravilhosos, sem exceção. O despertar da anestesia deu-se de forma atribulada, com um engasgamento bem sufocante, que já tive várias vezes ao longo da vida adulta, situação sobre a qual estou a aguardar consulta para tentar perceber a sua origem. Acordei com dor, fui medicada duas vezes, porque não aliviava. Estava também com rouquidão devido à intubação. Durante a cirurgia sonhei muito, não me consigo recordar do conteúdo. No recobro, onde estive pouco mais de duas horas, a pressão arterial foi diminuindo, assim como a saturação que chegou aos 92%.
Levaram-me para o quarto, acabei por lá estar sozinha, o que me possibilitou descansar de forma mais tranquila. A bexiga encheu subitamente, como ainda era cedo para fazer o primeiro levante, conheci pela primeira vez a estranha sensação do uso de uma aparadeira, deitada. Para o meu cérebro quebrar o gelo pensei nas incontáveis vezes em que as minhas entranhas foram inspecionadas, e no quanto a minha dignidade fora perdida, muito tempo antes. Imaginei também que reter a urina mais algumas horas até poder levantar-me iria aumentar o risco de ter uma infeção urinária. Fiz o que tinha a fazer, não foi agradável, o futuro trar-me-á situações piores. A racionalidade tem de prevalecer à pudidícia.
À uma da manhã fiz o primeiro levante para ir à casa de banho, foi tranquilo, tinha poucas dores, acordei várias vezes durante a noite mas, regra geral, descansei melhor do que estava à espera. Às 7h10 tomei medicação, em seguida chá e bolacha maria e tive alta antes das 9 horas.
Tenho quatro pequenas incisões, sinto comichão na zona dos adesivos, tomo analgésicos a cada 4 horas, estou condicionada nos movimentos e mais dorida que no hospital. Amanhã vou ao centro de saúde trocar os pensos. Tenho indicação para caminhar, o que tenho feito, devagar, não posso fazer esforços, durante uma semana não deverei ingerir gorduras e, até ao momento, o intestino não deu sinal de vida. Terei de fazer medicação caso continue inativo. No dia da cirurgia senti enjoo devido aos analgésicos que fiz no recobro e ontem à tarde também estive bastante enjoada.
Quando estou em repouso no sofá a minha terapeuta felina não sai do meu colo, tem outro colo onde se deitar e costuma frequentar, mas agora acha que a sua missão é não sair de cima de mim. Em 2021 também fez questão de acompanhar todo o meu isolamento no quarto, quando tive COVID. Enquanto escrevo este post ela está com o queixo pousado no meu braço.
É a primeira vez que estou de baixa médica. Espero que a minha qualidade de vida melhore relativamente à situação em que me encontrava. Estou a fazer reset ao meu sistema, pouco a pouco irei reiniciá-lo. Daqui a umas semanas deverei ter algumas informações sobre o que se passava cá dentro.
Cinco minutos antes de ir para o hospital recebi uma chamada espetacular do hospital veterinário. A minha menina não tem doença renal! Fui muito mais feliz para a cirurgia.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Sexta-feira 13
Ontem recebi uma chamada do hospital sobre a antecipação da data da colecistectomia. Sexta-feira, 13 de fevereiro, será o dia (só acredito depois de acordar da anestesia). Uma colega de trabalho disse-me que poderá ter havido rejeição por parte de alguns utentes devido ao simbolismo da data. Não descarto essa hipótese, só tenho a dizer que azar mesmo, é continuar a suportar a vesícula. Aceito de muito bom grado removê-la esta semana, se é à custa de superstições alheias, pois que seja.
Hoje estou mais animada em relação à saúde da minha menina. Desde que ela fez todas as análises e ecografia, o miar persistente acabou. Só o faz quando quer ir à caixa de areia, mas desde sempre teve necessidade de avisar o povo que o seu corpinho tem necessidades supremas. Tinha ficado acordado com a veterinária repetir as análises à T4 para se averiguar se de facto estava com hipertiroidismo. Felizmente está tudo bem a esse nível, a hormona está dentro da normalidade. Fez também outra colheita para se confirmar se está com doença renal e em que estádio. Saberei o resultado ainda esta semana. Não estou tão confiante em relação a essa parte, acredito que esteja no início.
Ela teve uma infeção urinária há sete anos, desde então come ração da marca Hill's Prescription Diet c/d Urinary Stress Feline + Metabolic. Durante algum tempo dei-lhe a versão sem componente de controlo do peso mas, em poucas semanas, passou de 4,200 kg para 6,300 kg. Ficou inerte e deixou de brincar. Percebia-se que tinha vontade de fazer as suas macacadas, mas devido ao aumento abrupto de peso, estendia-se no chão e só mexia as pontinhas dos dedos para tentar alcançar os brinquedos. Pesquisei sobre outras alternativas e vi que existia a versão metabólica. Falei com o veterinário acerca da inércia repentina, do aumento rápido de peso e ele justificou com a idade (tinha 7 anos na altura). Não fiquei convencida com a resposta e perguntei se podia experimentar a versão metabólica. Ele respondeu afirmativamente, então comecei a adaptação ao racionamento. Bastou perder 500 g para voltar a ser a menina rufia de outrora. Atualmente pesa 5,450 kg, apesar de, há anos, ingerir comida correspondente a um gato com pouco mais de 4 kg. Não sei qual o custo de um seguro de animais domésticos, a idade da minha miúda já não permite subscrever nenhum. Desconheço se compensa verdadeiramente. A alimentação dela é avultada, encomendo online a partir de uma loja espanhola. Em tempos conseguia por um valor mais ou menos "simpático" numa loja, também online, nacional, mas o preço foi disparando e a rutura de stock cada vez mais frequente. Procurei outras lojas mais certas do ponto de vista da disponibilidade além de mais económicas, acabei por fidelizar-me a essa loja espanhola com a qual nunca tive qualquer problema. Em lojas físicas é difícil conseguir encontrar a ração, além de que um rim começa a ser pouco para pagar o ouro que deve estar na composição daquele repasto. Uma eventual mudança para uma ração destinada a problemas renais é ainda mais cara. Felizmente tenho tido possibilidade de custear todos os encargos permanentes com a alimentação e higiene e, cada vez mais recorrentemente, despesas com consultas/exames.
Wish me luck! Espero que da próxima vez que escrever neste espacinho tenha uma peça a menos.
Volto em breve!
sábado, 17 de janeiro de 2026
Atualizações
domingo, 28 de dezembro de 2025
Balanço de 2025
O ano começou com a expectativa de resolução rápida da litíase biliar. Está a demorar bem mais do que aquilo que me foi indicado e a perspetiva é que daqui a cerca de 9 semanas faça parte do passado. Não tem sido um período fácil, cada vez mais preciso de acabar com isto.
A partir do final de abril, seguindo-se maio e junho, gerou-se uma sequência de acontecimentos, um previsto (uma obra há muito desejada em casa), que teve de ser conjugado em simultâneo com um internamento de um familiar e outros episódios em catadupa. Daqui o que retiro como meu desejo para um estado de velhice que possa atingir é manter a lucidez, discernimento e autonomia. Sei que é sonhar alto, atendendo ao que cada vez mais constato, mas ainda não é proibido.
Voltámos aos lugares que nos trazem paz, onde num deles queremos construir algo que podemos chamar de nosso refúgio, sempre que nos der vontade de sair das confusões das filas e pessoas impacientes.
Não foi um ano de desapontamento com pessoas, foi tão somente o corroborar daquilo que está mais que patente há anos e não vai mudar.
Parece uma súmula muito sintética do que aconteceu, mas penso já ter dito que a minha vida é muito básica. Gostamos de sossego, de segunda a sexta levanto-me muito cedo e, por isso, deito-me cedo. Os fins de semana não são dados a loucuras, pois a nossa natureza é calma e além de nós os dois há família a precisar cada vez mais do nosso suporte. Basicamente aproveitamos os períodos de férias para desanuviar, enquanto nos é possível.
Passados mais de 5 anos sobre a nossa decisão, continuam a perguntar-me se não pretendemos adotar uma criança. Estamos muito bem e é isso que realmente nos importa, não o que os outros acham.
domingo, 30 de novembro de 2025
Sobre a minha menina de bigodes
Hoje o post é essencialmente sobre ela, a miúda que trouxe o mais belo dos sentimentos aos meus, aos nossos dias. Foi encontrada juntamente com um irmão na zona da Batalha, no Porto, indefesos, cegos de nascença, sujinhos, à sua sorte. Ela nasceu sem globos oculares. Teriam uns três meses quando alguém não lhes ficou indiferente e proporcionou-lhes alimento, cuidado e um teto onde pudessem experimentar uma vida diferente daquela que lhes estava destinada. Foram colocados para adoção, um casal amigo ficou com a miúda, mais reguila e comilona, o irmão foi para outra família. Quis o destino que eu não ficasse com ela logo que foi proposta para adoção, mas seis meses depois, tinha ela dez meses, acabou por entrar generosamente na minha vida. Tenho uma enorme gratidão por tudo o aprendi com ela e continuo a aprender. É verdadeiramente especial, de uma sensibilidade e ternura fora de série e, durante muito tempo, combinava todo o seu afeto e carinho com um lado travesso, inocente, de quem sabia muito bem como me fazer rir e admirar todas as capacidades que desenvolveu à custa da cegueira. É, atualmente, a gata mais velha que tive. Tem 14 anos e, desde há uns dois anos e qualquer coisa os hábitos traquinas foram desaparecendo, dando lugar a uma dependência ainda maior do nosso colo, carinho, descanso. Já não procura objetos para brincar, nos poucos momentos brincalhões ela praticamente exige a minha participação. Às vezes tento estimulá-la para ser mais ativa, nem sempre tenho sucesso. Se for para mimo está tudo bem. Ela mesma retribui com massagens, abraços apertados, turras, esfoliações intensas no meu rosto, temos momentos a duas de grande cumplicidade. Quando se deita em cima de mim, agora sente necessidade de pousar o focinho sobre o meu rosto. Antes bastava-lhe ter as patinhas a tocar-me na cara. Algumas rotinas mudaram, já não tenho uma sombra a acompanhar cada passo que dou. Estar deitada é a sua ocupação quase plena. Sempre que montava a árvore de Natal tinha a minha assistente em ação, a entrar e sair do túnel onde a árvore fica empacotada, a testar a qualidade dos ramos com a boca, a roubar uns elásticos, a personalizar a decoração da árvore retirando elementos que achava excessivos, a espalhar pela casa as provas dos seus crimes durante as semanas em que o elemento natalício ficava exibido na sala. Há dois anos começou a deixar a árvore descansar no seu canto, mas a parte da entrada e saída da embalagem ainda continuava, no dia da montagem. Hoje nem sequer acordou em toda a preparação da árvore. Entristeceu-me fazer essa constatação. Fisicamente não são ainda notórios sinais significativos do envelhecimento. A cor da pelagem está praticamente igual, a densidade do pêlo talvez esteja um pouco mais reduzida. Os bigodes já não são tão longos e as suas gengivas estão praticamente despovoadas. Tem dois pequeninos dentes superiores e um pequeno molar que me parece também brevemente cair. No que toca aos dentes, os problemas começaram cedo. A mãe dela deve ter tido uma gravidez miserável. Por possivelmente sentir desconforto na boca desde novinha, nunca vi a minha menina mastigar os alimentos. Habituou-se a comer como se engolisse comprimidos, um a um. Tirando a falta de olhos que nunca foi um drama para ela, os problemas dentários, uma infeção urinária e três deslocamentos de rótula resolvidos em minutos, a saúde dela tem estado bem. Daqui a dois meses vai fazer novamente análises para ver se continua tudo em ordem. Estou consciente de que ela está em idade geriátrica, mas continua a ser para mim a minha menina, a quem quero proporcionar tudo o que está ao meu alcance para que seja feliz e saudável. O seu coração maravilhoso continua a ver com a clareza de sempre e espero que continue a bater forte e certo, durante muito tempo.
sábado, 27 de setembro de 2025
Espera na ULSM
domingo, 7 de setembro de 2025
Deve ser em breve
Penso ter já referido que tenho um inquilino dentro de mim que anda a importunar-me há bastante tempo. Está a ser cada vez mais inconveniente, pelo que está mais que na hora de livrar-me dele. Tenho consulta de cirurgia gástrica agendada para o dia 24 deste mês e espero que a colecistectomia seja o mais breve possível. O calhau é grande, a má disposição surge mesmo que coma uma simples peça de fruta, faça uma caminhada mais vigorosa ou pratique aquagym. Acordo por vezes, de madrugada, com uma dor surreal na zona epigástrica, que dura uns minutos. A agonia tira-me o discernimento para perceber durante quanto tempo, em média, persiste aquele sofrimento que parece uma espécie de cãibra exacerbada sem contração de músculo algum. Da mesma forma que surge, sem aviso prévio, desaparece. É deveras estranho. A primeira vez que aconteceu estava sozinha, o meu marido estava a trabalhar de noite e, por sentir a dor muito próxima do coração, fiquei bastante assustada. Nessa altura já tinha alguma desconfiança de que pudesse ter uma pedra na vesícula, mas ainda não associava os sintomas.
Entrei para a lista de espera de consulta de cirurgia no dia 21 de janeiro, a minha médica de família dizia, confiante, que seria operada em menos de 6 meses, mas o Hospital Pedro Hispano está numa realidade diferente. Tenho esperança que em outubro seja submetida à laparoscopia para me sacarem este órgão. Não sei o que se seguirá, os organismos têm respostas diferentes às colecistectomias, espero que a minha qualidade de vida melhore.
Wish me luck!
sábado, 28 de junho de 2025
Praticamente 5 anos, já?!
Sim, daqui a um mês terão sido completados 5 anos desde o fim do período mais estranho e exaustivo que vivi. Pode parecer contraditório, mas ainda bem que terminou.
O futuro pós vida ativa é, cada vez mais, um tema sobre o qual nós os dois não estamos nada alheios, por várias razões. Dá-nos força para tentar ir aproveitando o tempo o melhor possível, enquanto não temos condicionamentos. Por outro lado continuamos a organizar-nos para sustentar reviravoltas que sabemos bem que não acontecem só aos outros.
Penso que nunca partilhei aqui, mas a velhice apoquenta-me. Não na perspetiva física ou da minha imagem. São o declínio do discernimento, da capacidade de percepção que me assustam. Gostava de conseguir manter-me sempre lúcida, de pés assentes na terra.
O meu marido diz muitas vezes que vai durar até aos 150 anos. Já lhe disse outras tantas que não quero acompanhá-lo em tal façanha se no percurso estiver privada de qualidade de vida, ao nível da saúde, e/ou a ser um fardo para alguém. Sei que só tenho 45 anos e para muitos não faz sentido pensar já neste assunto. Para mim é algo natural.
quinta-feira, 10 de abril de 2025
Uma luta solitária
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
Um estudo de enorme relevância
Tenho vindo a enfatizar ao longo dos anos a extrema importância da investigação. Está a ser desenvolvido um estudo que necessita de participantes, não é pedido nada de extraordinário e pode ter um impacto gigante nas perdas gestacionais recorrentes.
Infelizmente não posso contribuir, mas há tantas mulheres que o podem fazer!
A informação relativa a este estudo pode ser consultada em https://sigarra.up.pt/fmup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=95639
Divulguem o máximo que conseguirem.
domingo, 12 de janeiro de 2025
45
sábado, 20 de julho de 2024
Num estalar de dedos
Passaram 4 anos. Parece que foi ontem que publiquei uma das poucas fotos que estão perdidas aqui pelo blogue e que ditou o fim da era mais dura que atravessei. As marcas deixadas pelos anos de incerteza, angústia e desilusão têm atenuado e, ainda que não tivesse duvidado, permanece a convicção de que parar foi a melhor decisão.
quarta-feira, 1 de maio de 2024
15 anos de nós
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
Sobre o artigo
Estou a assimilar o retorno da publicação que a APFertilidade fez no Facebook relativamente ao artigo. Não sei se estou a interpretar corretamente, mas a temática é uma espécie de elefante na sala. Há uma vontade em falar sobre ela a plenos pulmões, no entanto existem fatores que reprimem esse ímpeto. Se formos analisar tudo o que envolve a infertilidade há um conjunto diversificado de tabus que assombram a forma como a enfrentamos. A sociedade que atua como um barómetro implacável, eleva a sensação de culpa e vergonha que nos acompanha na fase delicada dos tratamentos. Já não basta travarmos a nossa luta, acrescentamos ainda à equação "problemas" externos. Será mesmo a sociedade tão cruel ou nós é que damos demasiada importância àquilo que o outro pode achar a nosso respeito?
Do feedback que tive fiquei a perceber que deveria ter disponibilizado no blogue uma alternativa de contacto direto comigo. Como nunca desativei os comentários dos posts, pensei nestes anos todos que, no de caso de alguém querer comunicar comigo, o faria por aí. Estive hoje a ver que ferramentas o Blogger tem disponíveis e existe a possibilidade de preencher um formulário de contacto. Serei notificada no e-mail que tenho associado à conta e, a partir daí, poderei interagir com quem assim entender. Por uma questão de privacidade prefiro essa via a deixar visível um e-mail. Não significa que estou fechada a comunicações!
Tenho sentido um abraço gigantesco, contudo foi meu objetivo principal pôr a pensar. Não há regras para definir limites, dependem da vivência de cada um e de um enorme exercício de autoconhecimento.
Obrigada pelo carinho que tenho recebido ao longo destes anos. Gostava de um dia poder aqui divulgar que mais nada há a descobrir sobre medicina da reprodução e que todos os problemas têm uma solução fácil.
sábado, 13 de janeiro de 2024
44
Eis-me chegada a uma nova capicua etária. Ontem foi um dia de sorrisos, despreocupações, uma lufada de ar fresco face ao stress vivido nos anos anteriores. Como gosto de tranquilidade e simplicidade!
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
+Fertilidade magazine - edição de janeiro de 2014
Foi hoje disponibilizada a edição da +Fertilidade magazine, desenvolvida pela Associação Portuguesa de Fertilidade, para a qual redigi um texto, no capítulo dos testemunhos. Algum tempo antes do convite para a participação na revista colaborei noutro projeto, a ser implementado por um grupo de investigadores, que conto divulgar logo que haja novos desenvolvimentos.
Fez-me bem escrever o artigo, fi-lo em muito pouco tempo. Sentir-me-ei extremamente feliz se trouxer algum conforto, a uma pessoa que seja.
sábado, 30 de dezembro de 2023
Súmula de 2023
O ano foi cansativo mas compensador. Não se desviou muito do que esperava.
Concluí a licenciatura e graças à aposta que fiz em voltar ao ensino superior, mudei de profissão. Trabalho a tempo inteiro, voltei a sentir-me útil. Só gozei verdadeiramente seis dias de férias, porque não pude requerer o estatuto de estudante-trabalhador e usei os outros seis na época de exames do segundo semestre.
Estou a ter possibilidade de me dedicar um pouco mais a mim, continuo lentamente a perder peso (até ao momento uns 14 kg desde a pior fase que registei), só o peito que cresceu ainda mais com os tratamentos é que não reduz um milímetro que seja.
Ando a tratar mais uma infeção respiratória, virou rotina anual.
O meu marido descobriu que tem mutação no Fator V de Leiden (heterozigótica), na sequência de tromboses que teve no passado e duas este ano, pouco espaçadas, após uma cirurgia às varizes que fez há um ano. O apixabano entrou permanentemente na vida dele. Por haver 50% de hipóteses de transmitir à descendência, a filhota vai fazer estudo genético. Ela tem 25 anos e é importante estar de prevenção.
A minha menina de bigodes tem 12 anos, já só tem 3 microdentes e continua a ser a reguila mais meiga e safada que tão bem me faz. Foi tosquiada pela primeira vez e o pêlo tem crescido a uma velocidade alucinante.
Sou uma felizarda por não estar angustiada como andei tanto tempo, permito-me sonhar e fazer novos planos para o futuro.
Participei em duas iniciativas relacionadas com o meu percurso na infertilidade e saúde mental, tive novo convite para ir a um programa de televisão (declinei outra vez, a minha opinião não mudou), em breve conto divulgar mais pormenores das minhas intervenções.
Desejo um excelente ano de 2024 a quem está desse lado, seja qual for a sua origem geográfica, todos são bem vindos. A paz e o sossego de espírito que almejo para mim espero que se estendam a quem anda inquieto.
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
Tempo e €€
Enquanto frequentei o serviço de PMA do HSJ este funcionava durante o período da manhã sendo que, em situações de punção e outras pontuais, a sua atividade poderia estender-se até às 14h/14h30. Foi encontrada uma forma de encurtar os cada vez mais longos tempos de espera que foram dilatando desde a pandemia. A RTP realizou uma reportagem sobre o assunto e pode ser visualizada aqui: https://www.rtp.pt/noticias/pais/hospital-sao-joao-procura-mudar-cenario-da-procriacao-medicamente-assistida_v1523520
Acredito que seja uma medida provisória até restabelecer a relativa "normalidade" pré-pandémica. Possivelmente esta alternativa é financeiramente mais económica que estabelecer protocolos com clínicas privadas para poder dar cumprimento ao que está legalmente previsto e que só acontece em Lisboa (no Hospital de Santa Maria e MAC, salvo erro). Aqui a norte sempre houve resistência e "desconhecimento" do mecanismo de encaminhamento para unidades de PMA privadas quando os tempos de espera ultrapassavam 12 meses.
Qualquer iniciativa para a redução dos tempos infinitos que só jogam contra a natureza é bem vinda.
Outra novidade está a ser preparada, relacionada com infertilidade. Logo que possa darei mais informações. Como tenho vindo a defender, tudo o que eu puder fazer para dar algum tipo de apoio, estarei presente.
