domingo, 15 de fevereiro de 2026

Era uma vez...

uma vesícula habitada por uma pedra. Esta sexta-feira 13 foi removida do corpo de uma criatura, saturada da sua existência. O dia tardou a chegar, mas finalmente aconteceu.

Todos os profissionais foram maravilhosos, sem exceção. O despertar da anestesia deu-se de forma atribulada, com um engasgamento bem sufocante, que já tive várias vezes ao longo da vida adulta, situação sobre a qual estou a aguardar consulta para tentar perceber a sua origem. Acordei com dor, fui medicada duas vezes, porque não aliviava. Estava também com rouquidão devido à intubação. Durante a cirurgia sonhei muito, não me consigo recordar do conteúdo. No recobro, onde estive pouco mais de duas horas, a pressão arterial foi diminuindo, assim como a saturação que chegou aos 92%.

Levaram-me para o quarto, acabei por lá estar sozinha, o que me possibilitou descansar de forma mais tranquila. A bexiga encheu subitamente, como ainda era cedo para fazer o primeiro levante, conheci pela primeira vez a estranha sensação do uso de uma aparadeira, deitada. Para o meu cérebro quebrar o gelo pensei nas incontáveis vezes em que as minhas entranhas foram inspecionadas, e no quanto a minha dignidade fora perdida, muito tempo antes. Imaginei também que reter a urina mais algumas horas até poder levantar-me iria aumentar o risco de ter uma infeção urinária. Fiz o que tinha a fazer, não foi agradável, o futuro trar-me-á situações piores. A racionalidade tem de prevalecer à pudidícia.

À uma da manhã fiz o primeiro levante para ir à casa de banho, foi tranquilo, tinha poucas dores, acordei várias vezes durante a noite mas, regra geral, descansei melhor do que estava à espera. Às 7h10 tomei medicação, em seguida chá e bolacha maria e tive alta antes das 9 horas.

Tenho quatro pequenas incisões, sinto comichão na zona dos adesivos, tomo analgésicos a cada 4 horas, estou condicionada nos movimentos e mais dorida que no hospital. Amanhã vou ao centro de saúde trocar os pensos. Tenho indicação para caminhar, o que tenho feito, devagar, não posso fazer esforços, durante uma semana não deverei ingerir gorduras e, até ao momento, o intestino não deu sinal de vida. Terei de fazer medicação caso continue inativo. No dia da cirurgia senti enjoo devido aos analgésicos que fiz no recobro e ontem à tarde também estive bastante enjoada.

Quando estou em repouso no sofá a minha terapeuta felina não sai do meu colo, tem outro colo onde se deitar e costuma frequentar, mas agora acha que a sua missão é não sair de cima de mim. Em 2021 também fez questão de acompanhar todo o meu isolamento no quarto, quando tive COVID. Enquanto escrevo este post ela está com o queixo pousado no meu braço.

É a primeira vez que estou de baixa médica. Espero que a minha qualidade de vida melhore relativamente à situação em que me encontrava. Estou a fazer reset ao meu sistema, pouco a pouco irei reiniciá-lo. Daqui a umas semanas deverei ter algumas informações sobre o que se passava cá dentro.

Cinco minutos antes de ir para o hospital recebi uma chamada espetacular do hospital veterinário. A minha menina não tem doença renal! Fui muito mais feliz para a cirurgia.

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