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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Há uma luzinha de esperança

Ligaram-me há minutos para fazer o balanço final. As biópsias foram feitas hoje. Dos 6 embriões desta estimulação 4 aguentaram. Dos dois que estavam congelados um degenerou e o outro desenvolveu, sendo também realizada biópsia. A bióloga não está muito confiante em relação a este último, porque sofreu várias agressões. Foi criopreservado, desvitrificado, biopsado e voltou a ser congelado. Mas, também como disse, nunca se sabe se ele não surpreende.

Sendo assim, será feito o rastreio a cinco embriões. A bióloga disse para não contar fazer TEC este ano. Estão com imenso trabalho e ela não tem a certeza do tempo que o departamento de Genética vai demorar a manifestar-se. Talvez em janeiro faça transferência, se houver boas notícias. Perguntei como seria no caso do resultado ser desastroso. Aí contactam-me e terei consulta para falarem comigo ou se preferir saber por telefone, informam-me.

Estou nervosa mas aliviada por mais uma etapa estar concluída.

Ontem e hoje tenho pontadas esporádicas no ovário direito, principalmente quando a bexiga está a ficar cheia. Os ovários devem continuar volumosos. As mamas estão túrgidas e pesadas, oxalá menstrue em breve.

Vou aproveitar esta semana para fazer a vacina da gripe, a diretora disse que não havia problema.

Sinto-me emocionada e agradecida por estar a ter esta oportunidade. Hoje choro lágrimas de alegria, há muito tempo que a vida não era generosa para mim nesta matéria.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Do meu estado atual

É com uma enorme leveza que escrevo neste momento. Só o facto de não estar em sofrimento acentuado, o ânimo é muito maior. O mau estar é praticamente nulo em relação às terríveis experiências anteriores. Acho que vou ter uma ótima noite. Não me parece que o estado vá piorar, até porque não vai haver transferência a fresco.

Em termos de excreção está tudo funcional, o que é um alívio. Lembro-me que após a primeira punção o meu intestino tirou férias quase duas semanas. Tomei uma medida extrema para tentar solucionar a situação sem recorrer à via farmacológica. Atualmente rio-me do que fiz, mas na altura estava desesperada. Sou intolerante à lactose e tenho SII (Síndrome do Intestino Irritável). Há determinados alimentos/pratos que me levam quase instantaneamente a descobrir onde é a casa de banho mais próxima. Alguns alimentos consegui identificar mas há muitas situações em que ainda não descobri o(s) culpado(s). A lactose combina esse efeito imediato com uma dor intensa e uma sensação de barriga insuflada que perduram por dias. Quando me apercebi da inatividade do meu cólon e vi que a obstipação estava convictamente instalada, decidi agir. Pensei atacar com um pingo feito de leite "normal". Acreditem que a quantidade de lactose presente num simples pingo, causa-me muitos estragos. Este ato iria trazer como consequência desagradável uma dor persistente intensa que não queria sentir, considerando que ainda estava sob o efeito da hiperestimulação. Desisti do plano da lactose e passei para o da SII. Há um prato que, nalguns locais e num em concreto, é tiro e queda para me fazer visitar o WC. É a famosa francesinha! A uns três quilómetros da minha casa encontra-se um restaurante pequeno, onde praticamente toda a gente come o mesmo, ou seja, a famosa sanduíche com carnes, queijo e coberta de molho. É boa, é poderosa! Tão poderosa que lembrando-me do que ela me causava, implorei ao meu marido para jantarmos no restaurante P., porque não sabia mais o que fazer para despertar o gigante adormecido. Então lá fomos, estava confiante que o meu plano ia resultar. Enganei-me redondamente! Comi a francesinha e não aconteceu nada... Fiquei com uma revolta imensa e mais preocupada ainda. Só uns três dias mais tarde é que o intestino deu sinal de vida. Curiosamente estive alguns anos sem ir àquele restaurante e quatro dias antes de iniciar esta estimulação regressei com um grupo de amigas. Estava de pé atrás e com razão, pois o raio da francesinha fez-me voltar a visitar as instalações sanitárias.

Voltando a este tratamento, estou mesmo confiante de que os ovócitos estão maduros o suficiente e com melhor qualidade que na estimulação anterior. Da outra vez foi um disparate, passar em apenas 3 dias, de folículos abaixo de 10mm para um estado praticamente pronto a puncionar. Hoje falaram-me várias vezes que me vão contactar quando chegar a altura de preparar a TEC. Partem do princípio que vai haver embriões para transferir, estão sempre muito mais otimistas que eu. Vou seguir no embalo e esperar pelo telefonema. Para que isso aconteça só tenho de ouvir boas notícias da bióloga. Amanhã vou perguntar-lhe como vou ter conhecimento do resultado do rastreio.

A diretora, as enfermeiras e a maravilhosa técnica administrativa ficaram realmente felizes por ter dito que esta punção correu de uma forma que nunca esperava. Vou guardar na memória cada uma delas com muito carinho.

PGT-A - Punção

Ainda me encontro na caminha do hospital. Que diferença! Fui medicada para as dores bem cedo para acordar melhor e de facto a mudança é abismal. Acordei dorida, mas nada comparado com as outras vezes. Não tenho a sensação de ter sido esmurrada nos maxilares. Falei previamente com a anestesista sobre essa situação, assim como do facto de na punção anterior ter dores abdominais, mesmo sedada.

Quando vinha a caminho do hospital comecei a sentir aquele peso incomodativo no fundo da barriga, característico do elevado volume dos ovários.

O meu marido foi neste momento tratar do seu contributo. Fui a única pessoa a fazer hoje punção, por isso o quarto do recobro foi só para mim. As dores são tão poucas que até me dei ao luxo de dormir. Fiz uma soneca considerável e soube maravilhosamente.

Foram recolhidos 16 ovócitos. É uma grande diferença em relação às outras vezes mas, não sei porquê, estou calma e confiante. Aqueles valores absurdos acima de vinte não me convenciam muito.

Irei escrever mais alguma coisa à tarde ou à noite.

sábado, 5 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 13

Encerrei as injeções de Menopur e Orgalutran, amanhã finalizo com o Decapeptyl. Foi a estimulação mais longa, mesmo assim a diferença não é muito significativa. Sinto-me como ontem, até estou bem. Tenho uma pequena esperança de que a punção e os dias seguintes vão ser um pouco mais fáceis de suportar do que tem acontecido.

Sendo a punção na terça, o domingo que lhe segue (13 de outubro) é mais uma data determinante, a do quinto dia dos mini-nós. Os already frozen deverão ser descongelados na sexta para poderem acompanhar os potenciais irmãos que vão estar cheios de gana para realizar divisão celular.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 12

As pipocas estão aí! Os folículos têm tamanhos heterogéneos mas ainda há tempo de alguns poderem vir a ser os tais. Não tenho a contagem detalhada contudo, pelo que vi, o ovário esquerdo tem 12 candidatos e o direito 10. Terça-feira é o dia da punção. As minhas amêndoas devem estar do tamanho de ameixas ou tangerinas e lá para segunda-feira deverei carregar no meu ventre duas laranjas em explosão eminente. Quando estou sentada consigo sentir que tenho cá dentro umas coisas volumosas e fazer a ecografia não foi a melhor das sensações. A andar também noto a presença dos ovários. Agora é sempre a piorar.

Vou manter Menopur e Orgalutran até amanhã. Domingo, como não podia deixar de ser, fecho a loja com Decapeptyl 0,1. Adio, adieu, acho que me vou livrar definitivamente destes três e das hiperestimulações. Será o fechar de uma das várias portas que estão abertas neste labirinto. Estou preparada para sofrer mais um pouco. Não tem sido de outra forma nos últimos dois meses, a um ritmo diário, em diferentes partes do corpo.

Depois da punção vem o próximo mistério: o do resultado da fecundação. Por enquanto estou radiante pelo degrau da estimulação ter resultado num agendamento de punção.

A enfermeira disse que os meus ovários fazem ver a muitas jovens. De que me tem servido isso? Se me tivesse calhado na rifa apenas um ou dois ovócitos na primeira FIV, que culminassem num filho, tinha ficado muito mais orgulhosa do que nos mais de 50 que me sacaram e que até agora não deram em nada.

Vou aguardar pelas cenas dos próximos capítulos, porque não tenho o dom da adivinhação.

terça-feira, 5 de março de 2019

Nada de endometrite

Fez no domingo uma semana que recebi o relatório da biópsia ao endométrio. Foi o próprio médico que mo enviou por mail. Disse que o resultado estava normal. Fiquei um pouco apreensiva em relação a uma frase que lá estava que nada tem a ver com a infertilidade mas fez soar o alarme daquilo que tanto me preocupa, que é a possibilidade de desenvolver algum tipo de cancro.

No documento havia a seguinte inscrição: "O estudo imuno-histoquímico com MUM-1 e CD138 apresenta raras células marcando com MUM-1, de morfologia linfóide e CD138 negativo."

Acerca deste excerto vou pedir esclarecimentos, porque de todos os tipos de cancro que têm surgido na minha família paterna (pai e vários tios), linfoma é um dos que já se manifestou. Não me esqueço também que quando fiz estudo de trombofilias, 38% dos linfócitos apresentava irregularidades. A par do facto de ter dificuldades em conseguir dar a volta à infertilidade ando, desde os 22 anos, a fazer rastreios. Fiz a primeira polipectomia gástrica com 27 anos em que, de uma só vez, foram removidos 6 pólipos do estômago. Até agora retirei 8 e nesse âmbito as coisas têm estado mais calmas. O historial familiar de cancro alarga a um espetro abrangente passando por diversas partes do corpo desde o cérebro, esófago/estômago, cólon, mama, sangue. O do meu pai começou no cólon e alastrou para o fígado. A extensão dos tumores que já tinham atingido o fígado e a sua dimensão levaram a que, desde o diagnóstico até à sua morte, tenha durado 16 meses. Posso estar apenas a criar macaquinhos no sótão mas sinto necessidade de tirar a limpo estas questões.

Perguntei ao Dr JL se deveria fazer mais algum exame, marcar nova consulta com ele ou se podíamos manter contacto via e-mail para se definir a estratégia para a próxima transferência. Recebi nova resposta neste passado domingo (percebi que deve ser o dia em que ele se dedica à interação eletrónica) e ficou combinado haver feedback de todo o processo por mail.

Neste momento aguardo que o hospital me ligue para dar início à toma da pílula ainda este mês, uma vez que me foi dito que se avançará para a estimulação em abril.

Tenho algumas preocupações, como é óbvio, em relação aos próximos tempos. A maior é acerca da capacidade dos embriões chegarem ao quinto dia. Isso não aconteceu no ano passado. Nenhum dos 11 que ficou em cultura após o congelamento dos 4 em D3 apresentou qualidade para ser criopreservado. Esse será um enorme desafio. Há também o próprio ato da biópsia dos embriões para fazer PGT-A, que pode causar a sua perda. Acresce a hipótese de aneuploidias que reduz ainda mais o número de embriões com potencial. Dou por mim a pensar que é possível não sobrar nada viável para transferir. A hiperestimulação também me deixa receosa. Fui aguentando as anteriores, com muitas dores e desconforto, as punções custaram bastante e a recuperação foi acontecendo devagarinho, sem ter havido internamento, torção dos ovários ou embolia pulmonar. A única coisa que ambiciono nesta fase, é que não seja pior que das outras vezes.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Fecundação

Soube há pouco novidades acerca das pequeninas vidas que se geraram desde o inferno que passei ontem e que ainda está ativo.

Dos 28 oócitos maduros recolhidos, 5 foram microinjetados e os restantes deixados autonomamente a trabalhar juntamente com os espermatozóides do maridão. O balanço, para já, é de 15 mini-nós a lutarem para se manter firmes e saudáveis até ao 3° dia e serem posteriormente colocados no fresco do azoto. Estou feliz por haver embriões, no entanto a quantidade perdeu significado depois de tudo o que aconteceu.

Esta punção bateu a anterior no que diz respeito a sofrimento. O dia de ontem foi muito difícil. Além de toda a dor que invadiu o meu corpo desde as costelas à pélvis, estou pisada no maxilar, dos dois lados, nas extremidades próximas dos lóbulos das orelhas. Parece que fui esmurrada de cada lado. A cor da pele está normal, não há inchaço, mas mal toco lá, que dores! Durante parte da noite tive de manter o tórax elevado com uma almofada adicional, porque tinha dificuldade a respirar. Era difícil permanecer na vertical. Por três vezes tive vontade de espirrar. Felizmente as tentativas falharam, pois o ato de encher o peito de ar para expulsar os espirros deram para antever a violência que se ia gerar nas entranhas. Hoje estou ligeiramente melhor mas longe de me sentir em condições para fazer uma vida normal. Continuo de repouso na cama, quietinha, é onde me sinto melhor.

É dia de aniversário para mim e o meu marido. Só há pouco é que me lembrei disso. Há 9 anos não imaginava que fosse estar assim neste dia. Estou a sofrer, mais uma vez, para lá do limite do razoável, a pensar que muito provavelmente este sacrifício não vai ser compensado. Ando a penar há anos por uma ideia que se calhar não passará disso. Tratar a infertilidade para mim dói a todos os níveis.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

FIV 2 - Punção

Que tortura esta! Não sou fã deste ato médico. Tenho a perceção que enquanto ainda dormia as dores tomavam conta de mim. Acordar para a realidade foi mau, muito mau. Como dói! Mais uma vez foram precisas duas doses de paracetamol para melhorar. Das costelas para cima e das pernas para baixo estou porreira. O que resta entre essas duas áreas, ui, ai, quero a minha mãe! Ovários dum raio, mal me consigo manter na vertical.

Esta máquina de pipocas que aqui vos escreve está assim, porque 28 folículos foram aspirados. Sim, 28! Não sei o balanço das outras 4 punções feitas lá hoje, mas as biólogas são capazes de ter algum trabalho nos próximos dias.

Neste momento em que me encontro nas palhas deitada, a minha barriga parece um peixe-balão em volume e rigidez. Devia ter folículos até às costelas, pois mesmo aí tenho dor.

Desta vez não me receitaram Dostinex. Dizem que como fiz Decapeptyl deve ser suficiente. Vou terminar a embalagem de Cartia e intercalar paracetamol com ibuprofeno.

Irei aguardar a menstruação e quando vier comunico para que se possa agendar a ecografia de reavaliação dos ovários. Amanhã vou ter notícias da fecundação. Felizmente é feriado, com o meu interior todo remexido seria muito difícil trabalhar nestas circunstâncias.

Agora vou descansar um pouco desta violência.

domingo, 29 de abril de 2018

FIV 2 - Dia 10

Decapeptyl injetado, a minha missão está concluída. Sinto alívio por não ter de passar mais por isto e, claro, receio que seja mais um esforço em vão.

Fisicamente não estou tão debilitada nesta fase como da outra vez, contudo, a dor está presente. O volume abdominal também aumentou, deitar-me para o lado direito incomoda bastante, andar de carro em piso irregular não causa uma sensação muito boa. Mesmo assim acho que não está tão mau como na estimulação de 2016.

Esta máquina de crescimento de folículos em tempo recorde vai entrar na reforma. A sua carreira foi peculiar e memorável, pelo menos para mim. Espero que nos próximos anos pense cada vez menos nos ovários e fique em paz com eles.

Começa a minha despedida a esta dinâmica de procura pela fertilidade. Os próximos dias trarão novamente preocupação mas, no que diz respeito a estimulações, coloquei um ponto final.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

FIV 2 - Dia 9

Acordei sem dores ou peso no fundo da barriga e dirigi-me ao hospital, mentalizada que me iam dizer que o ciclo seria cancelado.

Foi a Diretora quem fez a inspeção às entranhas. Logo no início da ecografia, começou a torcer o nariz. Foi analisar o outro ovário e torceu o nariz novamente. Convencida de que não tinha acontecido nada desde terça, perguntei "Não há nada, pois não?". Resposta dela : "São milhentos!" Na minha completa inocência supus que ainda estivessem pequenos. Iniciou a contagem. A dada altura, parou de fazer a ecografia. Estava a preparar-me para levantar quando a médica disse que ainda não tinha acabado. Como já não cabiam mais dados no ecrã, tinha de apontar na folha a informação do ovário direito. Depois de escrever tudo, fez a contagem no esquerdo. O endométrio estava com 8,4 mm mas como não vou fazer transferência neste ciclo, de nada importa. Quanto aos outros números:

Ovário esquerdo - 17, 17, 16, 16, 16, 15, 14, 14, 14, 13, 12, 10
Ovário direito - 18, 18, 17, 17, 16, 15, 15, 15, 15, 14, 14, 13

Tanto num ovário, como no outro, ainda há vários folículos pequeninos. Fiz colheita de sangue para avaliar o estradiol e a progesterona. Na outra estimulação não foi pedida esta análise.

Hoje faço a última dose de Puregon e Orgalutran, amanhã encerro as injeções com duas ampolas de Decapeptyl, às 22h30.

Segunda-feira, às 8 horas regresso ao hospital para fazer a punção. Somos pelo menos 5 candidatas a dormir um soninho, duas vão ter de ficar em macas, porque só há 3 camas. A medicação oral mantém-se e na manhã da punção só posso tomar o Eutirox.

Sentia-me bem até ao final da manhã. Os mega-ovários estão a fazer-se notar a uma velocidade galopante. Dá para perceber muito bem que a panela de fazer pipocas está em acesa atividade.

A técnica administrativa espreitou a minha folha de contagens e sorriu, porque comigo o exagero é uma constante. Ela disse que ia ficar conhecida como a Menina dos Congeladinhos. A esse respeito ainda não posso lançar foguetes, pois não se sabe como vai correr a fecundação. Trabalhei com azoto líquido algumas vezes, enquanto estudava na universidade, nunca imaginei que se tornasse tão preponderante na minha vida.

Na terça-feira passada não estava muito animada, hoje só tenho vontade de rir com este boom folicular. Que dois anormais! Felizmente é feriado no dia 1, assim poderei estar tranquila em casa e só irei trabalhar na quarta à tarde. Da outra vez voltei ao ativo no dia após a punção e qualquer movimento que cada fazia parecia rebentar-me por dentro. Só ao fim de uma semana é que deixei de sentir dor.

Uma etapa está cumprida, vamos ver como corre o resto.

sábado, 21 de abril de 2018

FIV 2 - Dia 2

Depois de passar os olhos pelo folheto informativo do Puregon percebi o motivo da prescrição do Cartia. Uma das possíveis complicações da Síndrome de Hiperestimulação Ovárica é a formação de coágulos que entram na corrente sanguínea. Obrigada, queridas médicas, estou-vos inteiramente grata!

A pica de ontem já me deixou ligeiramente marcada e hoje, milagrosamente não sangrei. Ainda é cedo para sentir alguma coisa diferente, daqui a uns dias não devo caber nas calças. Os vestidos vão ser os meus maiores aliados.

Comparando o meu corpo com a altura em que fiz a primeira FIV, estou num estado que apelido de "mais" em diversos aspetos: larga, pesada, cabelo branco, hirsutismo. Olho para mim e penso "ao ponto que chegaste!" Tenho uma parte muito relevante de culpa. Sinto-me desmotivada, revoltada. Quando o peso da infertilidade sair de cima dos meus ombros, nem vou acreditar. Estou presa há tanto tempo nisto, que acho que vou ter dificuldade em "descobrir-me" novamente. Preciso de dar um enorme suspiro de alívio por me livrar deste fardo.

Pode soar a ingratidão exprimir-me desta forma, quando estou a usufruir de uma oportunidade de dar um pontapé à infertilidade. Mas revolta-me ter de passar por algo tão contranatura; revolta-me ler diariamente notícias de atrocidades cometidas por progenitores que não sabem honrar o seu papel de pais; revolta-me ter de sofrer física e psicologicamente para tentar fintar uma doença malvada, sem ter garantias de que o vá conseguir; revolta-me ter perdido três filhos, como se alguém estivesse a fazer troça de mim; revolta-me saber que o sofrimento não terminou. Se calhar tudo isto não passa de egoísmo. Para finalizar, revolta-me a ambivalência que a infertilidade causa.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Dia 9 da FIV 1

Hoje foi dia de novidades mais ou menos previsíveis.

Estou a hiperestimular e tenho mais de 30 folículos! Não sei dados certos, porque vi a folha de longe e o espaço destinado aos folículos estava totalmente preenchido, sendo que dá para colocar 32 valores.

Ao contrário do que esperava a ecografia não foi dolorosa. Quem a fez foi um médico que nunca tinha visto naquele serviço. Perguntou-me se sentia dores, mal começou a fazer o exame. Como tenho muitos folículos é normal andar dorida.

Esta manhã acordei com tonturas e assim tenho estado durante o dia.

Ele disse-me para aguardar para ir ao gabinete da médica. A minha cabeça começou a traçar vários cenários possíveis. O primeiro era de que poderia ser para falar acerca da punção, depois tentei mentalizar-me que por algum motivo a FIV ia ser cancelada, imaginei também que os ovários tinham entrado em colapso e que a situação era irreversível. Como nunca consegui levar um tratamento até ao fim, a minha mente prepara-se mais depressa para um ponto final antes do tempo, do que para um progresso.

Quando entrámos no gabinete uma das médicas perguntou-me a brincar se sentia que estava a explodir. Eu respondi que tinha dores desde terça à noite. Alertou-me logo, receosa, de que não poderá ser feita transferência de embriões neste ciclo, devido à hiperestimulação. Devemos dar tempo aos ovários para recuperarem, até porque o risco de a situação piorar com a transferência é ainda maior.
Compreendo perfeitamente que tenha de ser assim, devemos ser racionais, mais do que nunca.

A punção vai ser feita na próxima segunda-feira. Em termos de terapêutica vou passar para 100 UI de Puregon e Orgalutran, hoje e amanhã. Por causa da hiperestimulação não vou aplicar Pregnyl, mas sim Decapeptyl (2 ampolas de pó para uma de líquido) no sábado, às 22h.

Apesar de sentir cada vez mais dor não consigo deixar de estar feliz!