sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Dia 11 - TEC 7

Acordei esta manhã com perdas um pouco mais abundantes entre rosa e avermelhado que me deixaram alarmada. Essa situação só me aconteceu anteriormente depois de fazer beta, pouco antes de ocorrer já se sabe o quê. Ao longo do dia as perdas foram iguais às de ontem, ou seja, castanho claro. A bexiga tem enchido ainda mais rapidamente, uma vez por outra sinto uma dor, a fome também vai surgindo e a tranquilidade está a diminuir.

Diariamente venho almoçar a casa e estava determinada - mas também receosa - em comprar um ou mais testes para desvendar (ou não) o mistério. Fui a um Continente Bom Dia perto do meu palácio que tem uma micro-parafarmácia e não havia testes de gravidez, tinham esgotado. Quem sabe não seria um prenúncio.

Agora à noite, ao regressar do trabalho, comprei dois que são sensíveis para valores acima de 25 mIU/mL. Esta inteligência pura que vos escreve tomou coragem e enfrentou o monstro. Como referi anteriormente, as minhas idas ao WC têm sido assíduas, pelo que a urina não estava propriamente concentrada. Fui ficando furiosa à medida que o teste só mostrava a linha de controlo e do lado do teste, nada... As instruções dizem para ignorar resultados positivos após 10 minutos mas mais ou menos aos 5 minutos apareceu uma linha muito, muito clara do lado do teste. Estou/estive grávida, é um facto que já sabia. Agora vem o dilema. Deveria ter aguardado mais algum tempo para fazer o dito cujo, por isso é que deu tão claro? Tenho, como é costume, pouca hormona beta-HCG? Estarei novamente perante uma gravidez bioquímica que mal começou está a terminar? Amanhã de manhã vou usar o outro teste, talvez vá novamente à farmácia comprar mais um para fazer domingo de manhã ou aguardo por segunda, porque de nada vai servir andar neste controlo obsessivo.

Desde que comecei a ter estas perdas, o meu sono tem sido sempre invadido por sonhos relacionados com a gravidez. Nunca terminam bem. Imagine-se que até sonhei que expulsei um pequeno saco. O estupor do diabinho até nos sonhos me assombra.

Gosto tanto de tranquilidade e paz mas elas não querem nada comigo. Outra coisa que me está a enervar por antecipação é que no hospital só é feito um beta. Se der positivo, marcam logo a ecografia das 6 semanas e até lá vêm mais umas semanas de sufoco. Durante esse período tem sido costume ter hemorragias e/ou vou pensando que no dia em que chegar a esse grande marco que nunca assinalei devidamente, não se encontra qualquer espécie de vida.

Reitero que pior do que esperar pelo beta é o que se vive depois de um positivo. Há muita gente que não tem a noção da sorte que lhes calha quando só se preocupam em ter um resultado positivo, porque o resto é-lhes a seguir um dado quase adquirido. Quando leio dezenas de vezes mulheres a almejarem apenas o "tão desejado positivo" penso no meu percurso.

Já disse e repito para quem é pouco experiente nestas andanças ou não teve paciência para ler as centenas de páginas que compõem este blogue: um positivo não é garantia de NADA! Estou no décimo segundo embrião transferido, sétima TEC, quarta gravidez e o meu (anormal) histórico é prova disso.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Dia 10 - TEC 7

Como me sinto hoje? A frequência de idas à casinha para me ver livre dos líquidos tem aumentado, as perdas acastanhadas estão como ontem, algumas dores vão passando por cá, a fome anda de mãos dadas comigo e fui invadida por umas náuseas. Estou tentada em fazer um teste, no entanto, penso sempre na possibilidade de estar completamente iludida e passar o fim de semana furiosa e triste ao mesmo tempo, ou ficar eufórica com um positivo e na segunda dar de caras com um beta ali para os lados de uma gravidez bioquímica. Não sei o que fazer. O problema é que tenho 90% de certeza que o teste ia dar positivo. Raios! Não podia ser mais simples? Como diz o meu marido "estou como um burro em cima da ponte".

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Dia 9 - TEC 7

Estou bastante animada e porquê? Começaram as perdas! No passado ficava aterrada com isto. Ao fim de 7 TECs é um excelente indicador. A pontualidade britânica com que este fenómeno ocorre deixa-me surpreendida, porque ao longo da minha vida o meu sistema reprodutor foi sempre esquisitinho. Sempre que tive perdas de sangue nesta fase o beta foi positivo. O Xeidafome está de volta, noto que a bexiga está a ficar um pouco mais ativa e umas leves cólicas menstruais vão dando sinais. Se não estou grávida, a biologia está a pregar-me uma partida de mau gosto.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Dia 8 -TEC 7

A contagem decrescente vai começar lentamente. É nesta fase que costumam aparecer aquelas duas personagens que gostam de pousar nos meus ombros e sussurrar aos meus ouvidos. Há o inocente que só sabe dizer para não me preocupar, porque vai correr tudo bem. O outro diverte-se a rebaixar-me, insistindo na ideia de que, por mais malabarismos que faça, jamais vou conseguir dar a volta a isto. Este filho da mãe para já tem mostrado que a razão está do lado dele. É uma criaturinha desprezível e irritante!

Será que daqui a umas horas estarei a ver sangue?

Agora à noite senti algumas dores na barriga mas nada de muito expressivo. Não me posso esquecer que isso acontecia com mais frequência quando tomava três comprimidos de Estrofem e não dois, como tem sido nestas duas transferências.

Quero manter-me otimista mas é tão difícil...

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Dia 7 - TEC 7

Até agora, no meu histórico, não tem sido costume haver factos assinaláveis. A viragem significativa poderá ocorrer presumivelmente a partir de quarta-feira. Permanecendo depois dessa altura a ausência de sinais, será fácil prever o que vou ouvir daqui a uma semana. Eu sei que não sentir ou não ver nada (sangue) pode ser sinónimo de positivo, não me incomodava minimamente ser surpreendida dessa forma. De acordo com a minha experiência das três curtas gravidezes houve alguns padrões comuns antes do beta que foram pontadas fortes no útero, perdas de sangue e sensação de fome, esta última mesmo em cima do dia da análise ao sangue. As dores sucederam também em negativos, à exceção do que antecedeu esta transferência, em que nem parece que fiz TEC.

A fase que realmente me tira mais sono vai começar. Resta-me pois, aguardar que o tempo passe.

domingo, 25 de novembro de 2018

Dia 6 - TEC 7

Não tarda terá passado uma semana desde a TEC. Poderão surgir pequenas perdas de sangue nos próximos dias. Gostava que a época natalícia deste ano fosse pautada por uma energia diferente da do ano anterior. No final de 2017 fui assombrada pela proposta surreal de ser internada no dia de Natal ou de ano novo para fazer aspiração do que restava da minha menina. Acabei por fazê-lo a dois dias da véspera de Natal. O vazio que sentia era gigante enquanto permaneci todas aquelas horas na sala de dilatação. O meu corpo estava gélido e tentei a todo o custo distrair-me com uma revista básica de jogos que me acompanhou tantas vezes nas salas de espera, quer do serviço de Medicina de Reprodução, quer na urgência de Obstetrícia. Curiosamente comprei essa mesma revista no dia em que abortei pela segunda vez, para me manter ocupada enquanto aguardava por um beta que confirmasse que aquela gravidez estava definitivamente sentenciada. Vão perdurando detalhes na memória, olho para trás e penso como esta novela vai longa.

Dia 5 - TEC 7

O dia foi de muito trabalho, com os minutos todos controlados numa cadência que correu bem. Não houve nada de significativo em termos de sensações ou "sintomas", reinou o sossego. A presumível implantação poderá estar a acontecer, só tenho de aguardar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Dia 4 - TEC 7

Nas últimas 24 horas não houve sinais de sangue. Algumas vezes senti umas ligeiras dores do género das menstruais e o volume das mamas está a começar a aumentar. Não é novidade nenhuma, quer nos positivos que tive, como nos negativos, por isso a minha expectativa não mudou. A TEC mais atípica até agora foi a anterior.

Esta semana passou a voar, oxalá a próxima também seja assim para em breve poder ter algo mais definido sobre os tempos que se seguem (como se fosse fácil fazê-lo). O plano mais imediato é a marcação de férias. Costumamos tratar do assunto muito cedo para ser mais económico mas, como sempre, desde que entramos neste mundo obscuro, tenho de fazer contas às semanas. Semanas de hipotéticas gestações, supostas DPP, previsões acerca de datas de TEC, possíveis períodos pós-parto, semanas críticas de 6 e 8 semanas de gravidez que me trouxeram más experiências enfim, assuntos que arrastam consigo a infertilidade, mesmo quando planear férias é sinónimo de idealizar coisas boas. Se esta TEC finalmente trouxer frutos e tudo seguir harmoniosamente, não haverá marcação de férias, porque o nascimento será na primeira quinzena de agosto. Nunca desejei passar um último trimestre de gravidez em pleno verão, mas não posso ser esquisita. Não sou daquelas mulheres que consegue planear, ainda antes de conceber, o minuto em que vai parir, por uma questão de jeito. Esse é um luxo que está totalmente fora do meu alcance.

O resultado do beta irá determinar se vamos efetivamente "laurear a pevide" no verão ou aguentar os cavalos mediante a evolução das semanas seguintes. Não sei se somos só nós que fazemos assim no que toca ao planeamento das férias. No meio deste caos gosto sempre de ter pequenos planos definidos para não ter uma sensação permanente que a minha vida está descarrilada.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Dia 3 - TEC 7

Continuo calma e confiante de que permaneço acompanhada de uma pequena vida irreverente, a multiplicar-se a bom ritmo.

Quando vim almoçar fui à casa de banho e fiz aquilo que instintivamente se torna frequente sempre que mergulhamos no mundo das transferências, que é analisar se há sangue. Para minha surpresa, apercebi-me da presença de uma coisinha minúscula sobre a qual não tive qualquer dúvida tratar-se de uma perda hemática. Pode ser um vestígio do ato médico, pois é muito cedo para se dar a nidação. A suposta altura em que esta poderá acontecer será no fim de semana.

A rotina medicamentosa ainda não está completamente interiorizada. Como são menos comprimidos, dou por mim a pensar se não estará a faltar nada mas chego sempre à conclusão que tenho tomado tudo direitinho. No total são "apenas" 8 considerando neste cálculo o Progeffik, e há ainda o bónus da enoxaparina.

Vou tentar manter-me positiva e confiar um pouco mais na capacidade do meu corpo conseguir ser bem sucedido nesta árdua tarefa.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Dia 2 - TEC 7

É impressionante como estou a passar por isto pela sétima vez. Sou uma repetente que teima em não progredir, raios me partam!

A gastrite está ao rubro há umas semanas, a barriga não está tão colorida como eu imaginava que fosse ficar. Felizmente uma em cada duas injeções não resulta em hematoma. Na primeira semana de Lovenox sentia um ardor intenso que começava pouco depois de administrar o líquido, quando este se estava a espalhar pela barriga. Essa sensação durava alguns minutos, mas atualmente a situação está mais suave.

Vou regressar ao trabalho com uma esperança vã de que irei manter-me serena e não necessitarei de me levantar permanentemente, nem ser solicitada simultaneamente por 5 ou 6 pessoas para executar algo... para ontem... Vou inspirar e expirar muito calmamente.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

TEC 7

Eu e o meu mais recente inquilino encontramo-nos no conforto do lar. Trata-se de um pequeno guerreiro que aguentou bem o frio, não perdeu uma única célula e mostrou garra ao exibir as suas habilidades ao começar a mudar a sua organização. Os pais estão orgulhosos do seu desempenho. Os seus dois irmãos continuam, por isso, no fresco.

Se na transferência anterior a bexiga tardou a encher, desta vez tive de ir à casa de banho esvaziar um pouquinho, uns dois minutos antes da TEC, para não haver um acidente. Pensei que não ia controlar a saída parcial ou até exagerar no volume libertado mas quando a determinação é grande, consegue-se até dominar o ato fisiológico! Mesmo assim, durante os 15 minutos deitada na marquesa, ansiei que o tempo passasse rápido para poder vestir-me novamente e ficar finalmente nas nuvens.

Foi passada uma receita de 6 caixas de Lovenox. Quando vi aquela quantidade fiquei assustada com o nível de confiança implícito naquela folha. 36 seringas vai bastante além da data do beta. Não vou ser desmancha prazeres e começar a imaginar os milhentos cenários que me assolam nestas alturas. Reconheço que esta TEC está a mexer comigo, inclusivamente sonhei na noite passada que me tinha esquecido de tomar o antibiótico, estava desleixada na preparação da bexiga e aconteceu mais alguma coisa que não estava a correr de feição. Quando acordei só pensei que nada daquilo iria ser real.

A medicação é para manter integralmente, vou ficar em casa hoje e amanhã e dia 3 de dezembro há beta.

Desejo muita magia da boa dentro do meu t0.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

TEC 7 agendada

O meu endométrio cresceu rapidamente como sempre e a classificação atribuída hoje foi de "maravilhoso". Tem 8,7 mm, ou seja, está no ponto para receber o 12° mini-nós. Vou manter a dose de Estrofem, porque dois comprimidos são mais que suficientes para o ninho estar fofo. Amanhã à noite inicio o Progeffik de 8 em 8 horas, o Lovenox é para continuar, assim como tudo o resto que tomo. A última novidade é a azitromicina (antibiótico) que vou fazer de manhã, no dia da TEC, numa toma única de 2 comprimidos.

A transferência será feita no dia 20, próxima terça, um ano e um dia após o último aborto em que jorrei incessantemente e me senti a mais reles criatura.

A propósito de antibióticos, foi curiosamente na TEC de há um ano que fiz antecipadamente 14 dias de amoxicilina na sequência da tortuosa biópsia que realizei aquando a histeroscopia.

A próxima etapa é aguardar serenamente que o embrião da palheta escolhida pela biológa evolua bem.

Quero muito que resulte. Sou o raio de uma pedra dura que, por mais água que me caia em cima, ainda não fiz jus ao provérbio.

domingo, 11 de novembro de 2018

Lovenox - a estreia

Em fim-de-semana de castanhas, mau tempo, frio e constipação, estreei-me ontem na administração daquele que quero que me acompanhe durante os próximos 12 meses. Ansiei por este momento, ao longo de TECs consecutivas, e esta alteração de protocolo trouxe-me alguma esperança. Poderá não passar de mais um balde de água fria. Tenho, contudo, de me agarrar a qualquer coisa que me tire desta descrença em mim que transformou uma parte significativa do tempo que tenho passado aqui pelo planeta.

A primeira marca já cá canta, pequena, redondinha e vermelha. Vou tornar-me numa espécie de caderneta onde vou colecionar cromos coloridos de diferentes tamanhos. Nada disso me importa, para ser sincera.

Atualmente encontro-me a tomar dois comprimidos de Estrofem, ácido fólico, aspirina 150 mg, Lovenox 40 e o meu bom e velho amigo Eutirox que há-de perecer comigo.

Sexta-feira, dia 16, farei mais uma ecografia. Estou a adiantar trabalho na medida do possível, porque prevejo que a TEC vá coincidir com mais um pico de trabalho e stress. Nessa altura terei de abrandar o ritmo de alguma forma, daí estar a preparar material para todos os contratempos que surgem quando a atividade laboral está ao rubro.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

7 anos

Como me custa perceber que passou tanto tempo... Este fardo está cada vez mais pesado e desconexo. Gostava de olhar para trás e não me arrepender de ter dedicado estes anos todos a uma utopia pois, até ao momento, não passa disso. É normal ao longo da vida realizarem-se sacrifícios em prol de um objetivo. A frustração acontece quando se constata que de nada vale a dedicação e persistência se o propósito não é atingido. Estou frustrada há muito tempo.

Não sei como será o meu estado de espírito daqui a um ano, se estarei a escrever um post intitulado "8 anos". De uma coisa tenho a certeza, não sou a mesma pessoa que era em novembro de 2011. Estou diferente, não sei se melhor ou pior.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

TEC 7 prepara-te, estou a caminho!

Após aguardar as horas da praxe pela ecografia, fui matar saudades da marquesa. O endométrio estava com 6 mm e os ovários tinham o ar sinistro de sempre. Feita a pergunta tradicional da duração dos meus ciclos, ouvi a pérola que me deixa furiosa. "Vai fazer o Decapeptyl." Após dizer, mais uma vez, que não menstruo com aquilo, a médica estava confiante que com os 6 mm muito provavelmente iria menstruar, embora houvesse uma hipótese remota de a espessura regredir (não seria inédito comigo).

Regressei à sala de espera a ferver, a pensar que os 4 meses necessários para que finalmente se pensasse em algo diferente, não tinham resultado em nada de novo. Só me lembrava que se me avisassem antecipadamente que ia voltar tudo ao mesmo, podia ter aproveitado setembro ou outubro para ir a uma clínica pedir outra opinião.

Algum tempo depois fui chamada para consulta. Ainda no corredor a Dra A. M. quis confirmar se era eu que não menstruava. Senti-me um ser humano, finalmente, após perto de 4 anos a ser acompanhada naquela unidade. Ser humano no sentido em que estavam a falar de mim, em particular, e não de "enlatados" que entram na linha de produção do vira o disco e toca o mesmo. Viram o registo da espessura do endométrio e falaram em Decapeptyl, ao que mencionei logo a ineficácia. Sugeriram Provera, como se eu nunca tivesse tentado tal medicamento mas prontifiquei-me a dizer que com esse nunca falhou.

Dei então hoje início ao ácido fólico, Provera e ao segundo dia do ciclo introduzo mais medicação. Serão dois comprimidos de Estrofem, aspirina (desta vez 150 mg) e a novidade, Lovenox 40! Finalmente a enoxaparina que eu sugerira noutras ocasiões e puseram sempre de parte. Não referiram o corticoide. Devem suspeitar que sou dos casos em que o efeito é contrário ao pretendido.

Aproveitei para perguntar relativamente à progesterona que poderia ser insuficiente, só através de análise se poderia aferir e no caso de ser baixa ter-se-ia de recorrer à via intramuscular. A diretora disse logo que lá isso não é feito. Acha até que exageram na quantidade de progesterona que prescrevem.

Quando o alerta vermelho chegar cá ligo para o hospital e por volta do sétimo dia do ciclo faço nova ecografia.

A descongelação é o que me preocupa mais neste momento.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Enfim contactada!

Classifico estes últimos 4 meses como um slow motion que parecia não terminar. Finalmente a equipa viu, reviu, remexeu, fez malabarismos com o meu processo. Nesta manhã em que tentei diversas vezes ligar para o hospital sem sucesso, quando pegava nas minhas coisas para vir almoçar a casa, o meu telemóvel estava a vibrar. Vi que a chamada era do hospital. Atendi imediatamente e do outro lado falava uma das enfermeiras do serviço. Disse-me para eu organizar a minha vida e escolher quando queria ir ao hospital. Quando tivesse definido data ligaria depois para o HSJ. Respondi na hora que amanhã ou sexta estava perfeito. Viram a agenda para amanhã e ficou marcada ecografia para as 10h para se poder tratar da preparação da TEC. Numa das vezes que contactei para saber se havia notícias dei a indicação que a última vez que menstruei foi quando parei o Progeffik (após o negativo da TEC 6). A enfermeira viu essa anotação e assim evitou-se o questionário do costume.

Fiquei com a pulga atrás da orelha e com a sensação que nada de novo vai ser feito. Pode ser impressão minha mas amanhã já esclareço as dúvidas.

Ando há uns dias com a minha gastrite de estimação on fire. Desta vez sei que é do stress causado tanto pelo trabalho, como pelo vazio de notícias neste tempo todo. À partida, do ponto de vista laboral, as próximas duas semanas vão ser um bocadinho mais calmas para contrastar com o constante reset cerebral e as mil e uma solicitações em simultâneo que a minha atividade exigiu no último mês.

Espero manter-me serena a todos os níveis.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Quando as mudanças surgem

Há dois meses fui a uma entrevista na perspetiva de colaborar num projeto desenvolvido por umas investigadoras de uma instituição de ensino superior do Porto. Iria prestar serviços durante os meses de outubro e novembro, a tempo parcial, mantendo a atividade que já desempenhava noutro local. Tive de ser franca quanto à hipótese de não estar tão disponível como esperado, devido aos tratamentos. A equipa estava sensível para a situação, até porque vários elementos passaram pela infertilidade, embora durante menos tempo que eu. Fui selecionada e apesar de estar consciente que esta experiência poderia coincidir com a realização de nova TEC aceitei arriscar, pois tem sido uma constante conjugar uma mudança com a rotina do hospital. Tem de ser, caso contrário a palavra estagnação teria tomado por completo a minha vida.

Há umas duas semanas pensei com os meus botões que seria uma boa ideia voltar à universidade no próximo ano letivo. Ainda não sabia muito bem em que modalidade e área, então fui ver as necessidades do mercado. Houve um anúncio que me prendeu a atenção pela possibilidade imediata de me proporcionar uma situação laboral mais confortável do que aquela que tinha até então. Nestes últimos anos trabalhei a tempo parcial, em regime de prestação de serviços, para compatibilizar com os tratamentos. Houve pelo meio hipóteses de trabalhar noutros locais, na minha área de formação. Não me senti, contudo, moralmente capaz de aceitar tendo, por exemplo, de me ausentar do serviço logo no dia seguinte à minha apresentação, fazê-lo outra vez na mesma semana e novamente duas semanas depois... Seria injusto tratando-se ainda por cima de uma substituição temporária. Abdiquei de oportunidades e adequei a minha vida profissional ao projeto de maternidade que cada vez mais considero uma ideia. Esta ideia sugou-me e dificilmente se irá materializar. Financeiramente levou-me a um limiar que nunca imaginei atingir com esta idade. Não tinha qualquer hipótese de ser autossuficiente se estivesse sozinha. Mas não estou só neste processo. Somos dois e embora o meu marido dissesse que estávamos a fazer o que devíamos para levar a água ao nosso moinho e que o trabalho dele nos possibilitava levar uma vida digna, não me sentia bem estar anos a fio a viver desta forma. Tendo em conta esta situação arrisquei responder ao anúncio, que correspondia a uma proposta de trabalho a tempo inteiro, com contrato. Fui contactada no dia seguinte e nessa mesma tarde fui entrevistada. Mais uma vez abordei a questão dos tratamentos para perceber a abertura que havia em relação às ausências (que sempre tentei que fossem o mais breve possível). Caso fosse manifestada alguma relutância, punha logo de parte a proposta. Não foi isso que aconteceu. Do outro lado houve compreensão. Expliquei em traços gerais em que circunstâncias é que precisaria de faltar e, convenhamos, não deve acontecer muito mais vezes. Tive de responder se aceitava ou não ficar com o lugar e decidi que sim.

A ideia do regresso ao ensino superior ficou em suspenso. Gostava imenso de o fazer mas não estou ralada com isso, temos de fazer opções.

Quanto a TECs não há nada a dizer. A suposta reunião em que o meu processo seria novamente discutido foi na quarta-feira passada e a ordem é aguardar uma chamada. O meu telemóvel anda tão sossegado que, de vez em quando, pego noutro telefone e ligo para o meu número para saber se está a funcionar. Desde o dia do último negativo paira na minha cabeça um som idêntico ao que é usado para simbolizar a brisa dos locais onde não acontece nada. Ainda pensei que em agosto fosse acontecer alguma coisa, à semelhança do ano passado em que fiz a histeroscopia. Mas não, ninguém se manifestou do lado de lá da Circunvalação. Se as transferências se estavam a fazer menos espaçadas, como me foi dito, então deve ter havido uma reviravolta e vigoram novamente os vários meses. A frequência comigo tem sido a cada 4 meses. Agora com esta ausência de notícias começo a duvidar até que seja feita em outubro, quando completam 4 meses desde a TEC 6. Estamos a 18 de setembro e se fosse para fazer um scratching endometrial suponho que fosse por esta altura.

Ah, ia-me esquecendo de contar. Aquela fase de adolescência que tive em fevereiro e março, pouco tempo depois da aspiração, já passou. Sou novamente eu, a amenorreica, a disfuncional, que menstruou pela última vez no dia 9 de julho, depois de suspender o Progeffik.

Vamos entrar no último trimestre de 2018 e até agora, neste ano civil, fiz apenas uma TEC. Não imaginava que nesta altura fosse estar tão parada ao nível dos tratamentos. 4 meses separam-me dos 39 anos e custa-me perceber isso. Estou desanimada por ver que não falta muito para o ano terminar. A sensação que tenho é que foram dados mais passos para trás do que para a frente. Estes meses, desde a última transferência, têm custado imenso a passar pela incógnita da decisão da famigerada reunião. E a tortura continua com o silêncio do telefone. Não há conclusões acerca de nada, não há datas nem planos que me tenham sido comunicados. A dúvida sobre tudo o que aconteceu nestes quase 7 anos é cada vez maior. Preciso que isto chegue ao fim, seja ele qual for.

terça-feira, 17 de julho de 2018

40 semanas

Era uma vez um casal que, um dia após ter contraído matrimónio, realizou mais uma transferência de embriões. Esse ato médico resultou na terceira gravidez, desse mesmo casal, num intervalo de 13 meses. Hoje, algures no mundo, alguém completa 40 semanas desse estado de graça. Não é o casal referido no início, porque a Mãe Natureza (soberana) entendeu que eles não o merecem.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Beta - TEC 6

Como contava, o resultado foi negativo. A Diretora disse que o meu caso é complicado e não foi tomada nenhuma decisão sobre o que se segue, porque vão discutir em reunião. Não estou arrasada, era o que esperava apenas.

Penso que virá um scratching endometrial. É algo que também fazem lá e nunca foi tentado comigo. O mais parecido que houve foi a biópsia na histeroscopia, em que engravidei na TEC que fiz a seguir. Virá mais uma dose de sofrimento, não sei se melhor ou pior que a biópsia. Parece que ainda não passei o suficiente para isto dar a volta.

O embrião era excelente e como tenho vindo a dizer, o problema é quando colocam os pequenotes em contacto comigo.

A próxima transferência deverá ser por volta de setembro. Vou manter outra vez em águas de bacalhau os meus planos, para continuar a conseguir compatibilizar a minha vida com o corridinho ao hospital.

Não irei precisar de viajar, daqui a uns dias, munida de medicamentos e pensos XXL para o caso de haver outro aborto.

A única orientação, para já, é aguardar uma chamada que vai acontecer depois de deliberarem alguma coisa. Normalmente é à quarta-feira de manhã que reunem.

Obrigada a todas pelo carinho e o tempo que dispensam da vossa vida para acompanharem esta trajetória completamente irregular.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Dia 13 - TEC 6

Aqui estou, novamente, a umas horas de conhecer mais um resultado. No passado cheguei a iludir-me com alguns sinais que posteriormente se revelaram como efeitos secundários. Hoje houve pouquíssimos instantes em que senti uma ligeira pressão no útero. Admito que, atendendo ao que não notei durante esta espera, um positivo chorudo deixar-me-á atónita. Pézinhos bem colados à terra é o que se exige nesta fase. Em qualquer fase, para ser mais realista. Não sei bem o que pensar, sentir, planear. O que preciso mesmo é de fazer a colheita de sangue e saber se sim, nim ou não.

Mal saiba o resultado e esteja de volta a casa, dou notícias, como sempre fiz.