Nem sei bem por onde começar. A saga das dores continua a infernizar-me. Já fiz a endoscopia, várias biópsias durante a mesma, foram removidos mais 4 pólipos, permanecendo uns quantos pequeninos que daqui a uns tempos terão de sair. As dores essas, têm passado por algumas nuances. Agora não se limitam ao repouso. Tive uma vez, às 7h da manhã, ao começar a trabalhar, mas até foi fácil de suportar, outra a caminho do trabalho, enquanto conduzia às 6 e qualquer coisa da manhã, perto da Ponte da Arrábida, uma vez à tarde, como passageira e o pináculo de duração e intensidade foi ontem, 15 minutos depois de jantar. Bateu o desespero, não sabia quão mais doloroso se podia tornar e estive 10 minutos em completa agonia. Cinco minutos depois desse sofrimento atroz, veio nova ronda, igualmente dolorosa, contudo mais breve.
No início da tarde tinha tido mais uma consulta a propósito deste inferno que me atormenta há 2 anos e meio. Como havia a dúvida se o que estou a ter são crises cardíacas ou espasmos no esófago, porque a dor de um enfarte é idêntica à dos espasmos, a minha médica de família disse para ligar para o 112, assim seria possível avaliar marcadores específicos para o despiste de evento cardíaco dentro de uma janela horária razoável. Ainda em pleno sofrimento consegui falar com os operadores que me atenderam e durante a chamada a dor desapareceu. Cerca de 15 minutos depois chegou um carro da VMER, o médico fez-me um ECG, passado pouco tempo veio uma ambulância e segui para o hospital. O médico do INEM disse que estava com a pressão arterial elevada, que poderia ser motivada pelo stress da situação, mas estava convicto que a dor não seria de origem cardíaca. Fui à triagem às 21h50, foi-me atribuída pulseira amarela e fui atendida por um médico cerca de 1h40 depois da triagem. Mais uma vez suspeitou-se de espasmos no esófago, no entanto, fiz análises e um raio-X para descartar pneumotórax. Fiquei com mais uma evidência de que a parte cardíaca não está relacionada com as dores, nem tinha nenhum pneumotórax. Fiz medicação e por volta das 3h da manhã saí da urgência.
Os próximos desenvolvimentos vão acontecer nesta semana que se aproxima, em que vou fazer mais análises, tenho consulta de gastroenterologia e consulta com a médica de família.
Esta tarde tive também consulta com a cirurgiã que me fez a colecistectomia. Falei desta situação e foram uns minutos bastante emocionais. Confesso que é desesperante não ter ainda um diagnóstico definitivo, não saber quando volto a agonizar e esta mudança de padrão na forma como acontece preocupa-me, principalmente porque conduzo maioritariamente em autoestrada, VCI e se sou acometida por algo com a dimensão de ontem, será muito difícil não ter um acidente. A médica acha que estou com uma depressão, não é a primeira pessoa que mo diz. Aquilo que realmente sinto é cansaço pela imprevisibilidade, pela agonia que não sei até onde pode ir e quanto tempo vai durar e preciso verdadeiramente de um diagnóstico definitivo para poder perceber como melhorar. Antes da colecistectomia tive 16 crises em dois anos, nestes quatro meses e meio tive outras 16. Atendendo a que isto se assemelha a um enfarte, como é que se consegue aguentar com leveza 32 "enfartes"? Não é algo sobre o qual só falei com os médicos após a operação, já me queixava antes das dores excruciantes, só que o bode expiatório dos cálculos na vesícula faziam desvalorizar e praticamente não prestar atenção ao que eu dizia acerca deste assunto. A verdade é que até eu mesma pensava que essa fosse a causa.
Mudando de assunto... A minha menina andava nos últimos tempos com um comportamento diferente. Voltou a miar com alguma frequência com volume significativo, começou a deitar-se no chão, encostada ao dispensador automático da comida. Reparei também que quando a chamava, não fazia o habitual que era levantar a cabeça e após dizer-lhe "anda cá", vinha direitinha na minha direção. Relembro que a minha gata nasceu sem olhos, mas o seu sentido de orientação é fenomenal. Agora, por mais que a chamasse, ora não ouvia, ou quando ouvia girava a cabeça para o lado esquerdo e a orelha direita não reagia ao som. Além disso, tinha dificuldade a encontrar-me. Comecei a perceber que provavelmente a mudança para junto do dispensador fosse para sentir a vibração da comida a cair para a taça, uma vez que já não ouvia quando estava refastelada na sala, por exemplo. Pensei que o hipertiroidismo pudesse ter voltado, além da perda auditiva, principalmente no ouvido direito. Levámo-la ao hospital veterinário onde é acompanhada, fez análises e, felizmente, não há alterações na tiróide. Não se pode dizer o mesmo da parte renal. Está no estadio 2 de doença renal e com início de hipertensão. Em relação aos ouvidos, tem uma inflamação no ouvido esquerdo e uma otite, de origem bacteriana, no direito. Estou a tratá-la, sexta-feira vai colher urina e depois será agendada nova monitorização da pressão arterial para se averiguar a viabilidade de iniciar terapêutica para hipertensão. A ração também vai ser alterada, daqui a algum tempo, quando a comida que ela ainda tem estiver quase a terminar, iremos fazer a transição para a nova (que deve ter mais umas pepitas de metais nobres, porque é ainda mais cara).
Durante muitos anos, não tinha despesas veterinárias de maior, pois foi sempre saudável. Também não era habitual falar-se de seguros de saúde para animais então, até há algum tempo, não reflectia acerca da pertinência deste tipo de proteção. Ela vai fazer 15 anos em setembro, já não existe a possibilidade de contratualizar um seguro. O luxo de ter um animal de estimação repercute-se no IVA de 23% que é cobrado em praticamente tudo o que envolve o cuidado com eles.
Mete-me dó vê-la a queixar-se algumas vezes de dor. Ao mesmo tempo não perde aquelas demonstrações de carinho connosco, o querer o nosso colo, o perdão fácil, mesmo quando lhe limpo os ouvidos e injeto o corticoide no lado direito, os cada vez mais raros momentos em que mostra que ainda há uma miúda rebelde dentro do corpo sempre estendido no sofá, no chão, num colo, numa cadeira, colada ao dispensador ou a beber água, deitada.
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