Cheguei hoje ao limite que tinha sido colocado para averiguar se menstruava ou não e o facto é que voltei ao meu normal. Não aconteceu nada. Pela via das dúvidas, antes de entrar em contacto com o hospital, fiz um teste de gravidez que comprei ontem, não fosse ter ocorrido um milagre. Não ia arriscar tomar medicação estando grávida. O resultado foi obviamente negativo, nem tinha qualquer esperança do contrário.
O decorrer da chamada é que me deixou surpreendida. Em vez de começar a tomar alguma coisa para menstruar vou fazer ecografia na próxima terça-feira, porque poderá não ser necessário tomar nada antes da TEC. Compreendo a mudança de planos e não fico desagradada, pelo contrário.
É suposto que para a TEC o corpo não tenha nenhum óvulo pronto a ser fecundado e à partida cumpro essa condição. Na ecografia que fiz a 22 de março o endométrio estava trilaminar com 8 milímetros e pouco. Atualmente devo ter condições de hotel 5 estrelas! Parece-me que a transferência está à porta e seria uma altura excelente. Se não puder ser agora, que remédio tenho eu, se não aguardar.
Foi uma pequena lufada de ar fresco!
Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
sexta-feira, 8 de abril de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
Trocar por miúdos
Analisando o rumo deste blogue vejo que falta algo. Tenho vindo a descrever a perspetiva dos acontecimentos que tenho atravessado, no entanto por trás da minha vivência há fundamentos a explorar.
A minha formação académica está relacionada com ciência, contudo estou longe de ser especializada na área da infertilidade, nem quero ter o pretensiosismo de me afirmar extremamente conhecedora do assunto.
Durante muito tempo tenho vindo a estudar informação que permitiu esclarecer algumas dúvidas que me foram surgindo. Dado que há sempre muitas questões que precisamos clarificar, julgo pertinente desmistificar algumas das siglas que já referi e os fatores a elas inerentes, tentando usar uma linguagem de fácil compreensão. Tentarei não cometer imprecisões científicas e sempre que verificar algo errado tratarei imediatamente de proceder à devida correção.
Em posts futuros irei explanar alguns pontos de caráter técnico relacionados com a infertilidade mas obviamente não deixarei de parte os episódios da minha novela!
A minha formação académica está relacionada com ciência, contudo estou longe de ser especializada na área da infertilidade, nem quero ter o pretensiosismo de me afirmar extremamente conhecedora do assunto.
Durante muito tempo tenho vindo a estudar informação que permitiu esclarecer algumas dúvidas que me foram surgindo. Dado que há sempre muitas questões que precisamos clarificar, julgo pertinente desmistificar algumas das siglas que já referi e os fatores a elas inerentes, tentando usar uma linguagem de fácil compreensão. Tentarei não cometer imprecisões científicas e sempre que verificar algo errado tratarei imediatamente de proceder à devida correção.
Em posts futuros irei explanar alguns pontos de caráter técnico relacionados com a infertilidade mas obviamente não deixarei de parte os episódios da minha novela!
terça-feira, 22 de março de 2016
Luz verde
Fiz esta manhã a ecografia para reavaliar o estado dos ovários e as notícias são animadoras.
Está tudo em condições para preparar a transferência dos meus pequenotes.
O endométrio está trilaminar e a médica disse que é bem provável que vá menstruar nos próximos dias. Os ovários voltaram ao seu tamanho normal, poliquísticos como sempre.
As orientações foram de que deverei aguardar a chegada da menstruação até ao dia 8 de abril. Se isso acontecer, no primeiro dia irei entrar em contacto com o hospital para avisar, caso contrário naquela data deverei dizer que não aconteceu nada e assim dar início à medicação para induzir o período.
No 21º dia do ciclo vou levar uma injeção de Decapeptyl, cerca de duas semanas depois menstruo e a partir daí começo o Estrofem para tornar o ambiente acolhedor para a TEC.
No dia da TEC eu e o meu marido vamos assinar uma declaração para autorizar o descongelamento de embriões.
Se não me estou a enganar nas contas a transferência só deverá ocorrer no mês de junho.
Está tudo em condições para preparar a transferência dos meus pequenotes.
O endométrio está trilaminar e a médica disse que é bem provável que vá menstruar nos próximos dias. Os ovários voltaram ao seu tamanho normal, poliquísticos como sempre.
As orientações foram de que deverei aguardar a chegada da menstruação até ao dia 8 de abril. Se isso acontecer, no primeiro dia irei entrar em contacto com o hospital para avisar, caso contrário naquela data deverei dizer que não aconteceu nada e assim dar início à medicação para induzir o período.
No 21º dia do ciclo vou levar uma injeção de Decapeptyl, cerca de duas semanas depois menstruo e a partir daí começo o Estrofem para tornar o ambiente acolhedor para a TEC.
No dia da TEC eu e o meu marido vamos assinar uma declaração para autorizar o descongelamento de embriões.
Se não me estou a enganar nas contas a transferência só deverá ocorrer no mês de junho.
quinta-feira, 17 de março de 2016
Tranquilidade
Encontro-me naquela altura em que nada sucede, pois Cronos é quem manda neste momento.
Permanece um resquício da hiperestimulação que é a inércia do meu cólon. Quando o rei faz anos, lá se lembra de dar sinais de vida. Fora isso e algum peso que ainda cá anda, sinto-me bem.
Terça-feira é dia de novidades sobre os meus ovários. Sei que vou estar praticamente operacional, porque fiz um pacto com eles.
Se se lembrarem de serem relativamente normais, por volta do fim de semana ovularei. Sinceramente se não acontecer, posso dar-me ao luxo de não ficar aborrecida.
Há muito tempo que não tomava tão pouca medicação. Voltei à minha rotina de apenas um comprimido diário de Eutirox.
A minha dúzia dá-me forças para enfrentar o que o futuro (muito próximo) me reserva.
Permanece um resquício da hiperestimulação que é a inércia do meu cólon. Quando o rei faz anos, lá se lembra de dar sinais de vida. Fora isso e algum peso que ainda cá anda, sinto-me bem.
Terça-feira é dia de novidades sobre os meus ovários. Sei que vou estar praticamente operacional, porque fiz um pacto com eles.
Se se lembrarem de serem relativamente normais, por volta do fim de semana ovularei. Sinceramente se não acontecer, posso dar-me ao luxo de não ficar aborrecida.
Há muito tempo que não tomava tão pouca medicação. Voltei à minha rotina de apenas um comprimido diário de Eutirox.
A minha dúzia dá-me forças para enfrentar o que o futuro (muito próximo) me reserva.
segunda-feira, 7 de março de 2016
Just like a teen
Do ponto de vista etário tenho 36 anos, ontem experimentei a sensação de estar em 1994. Se durante todos estes anos não tivesse tomado nada para menstruar e alguém me perguntasse a duração dos meus ciclos, eu diria que o único que tive foi de 21 anos, 5 meses e dois dias.
Ontem quando acordei, apercebi-me que veio o período, após 4 dias de um corrimento rosado. Está a repetir-se a abundância de fluxo, só falta verificar se também vai perdurar por 9 dias.
Depois disto sinto-me invencível! (estou a cair no exagero...)
Na sequência deste acontecimento inédito recordei-me do que a enfermeira me disse no dia da punção, antes de ir embora. Não é impossível engravidar de forma natural até ao dia da TEC. De facto não é, atendendo a que a punção funcionou como um mini-drilling e não posso descartar a eventualidade de ovular daqui a umas semanas.
Claro que não vou depositar todas as minhas esperanças nesta suposição até porque, felizmente, estou numa posição confortável, pois a minha dúzia de guerreirinhos já é uma realidade. A descongelação pode correr mal, sim, mas considero que seria uma verdadeira catástrofe se nenhum vingasse.
Ontem quando acordei, apercebi-me que veio o período, após 4 dias de um corrimento rosado. Está a repetir-se a abundância de fluxo, só falta verificar se também vai perdurar por 9 dias.
Depois disto sinto-me invencível! (estou a cair no exagero...)
Na sequência deste acontecimento inédito recordei-me do que a enfermeira me disse no dia da punção, antes de ir embora. Não é impossível engravidar de forma natural até ao dia da TEC. De facto não é, atendendo a que a punção funcionou como um mini-drilling e não posso descartar a eventualidade de ovular daqui a umas semanas.
Claro que não vou depositar todas as minhas esperanças nesta suposição até porque, felizmente, estou numa posição confortável, pois a minha dúzia de guerreirinhos já é uma realidade. A descongelação pode correr mal, sim, mas considero que seria uma verdadeira catástrofe se nenhum vingasse.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Uma dúzia de possibilidades
Neste fim de semana melhorei substancialmente, pois praticamente deixei de sentir as dores resultantes da estimulação e punção.
Há pouco recebi a notícia que daqueles 3 embriões que tinham permanecido em cultura, houve 2 que também foram criopreservados. Nunca imaginei que alguma vez pudesse conseguir este feito. São, no total, 12 hipóteses de atingir a meta. Mesmo assim continua a dúvida se será suficiente.
O próximo passo importante será dia 22 de março constatar que estou novamente operacional e fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que o(s) embrião(ões) fiquem agradavelmente surpreendidos com o conforto que lhes posso proporcionar.
A centelha de esperança está a avivar.
Há pouco recebi a notícia que daqueles 3 embriões que tinham permanecido em cultura, houve 2 que também foram criopreservados. Nunca imaginei que alguma vez pudesse conseguir este feito. São, no total, 12 hipóteses de atingir a meta. Mesmo assim continua a dúvida se será suficiente.
O próximo passo importante será dia 22 de março constatar que estou novamente operacional e fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que o(s) embrião(ões) fiquem agradavelmente surpreendidos com o conforto que lhes posso proporcionar.
A centelha de esperança está a avivar.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Crionews
Extra! Extra! Há novidades sobre os mini-herois!
O azoto líquido está a preservar 10 mini-nós, mas restam 3 em cultura a ver se ainda vão conseguir fazer companhia aos irmãos.
Se o processo fosse convertido numa checklist validava mais uma etapa.
Quando a bióloga me perguntou se já estava recuperada da punção apercebi-me que este passo idealmente deveria estar concluído. Infelizmente não, no entanto é normal. Continuo com dores e ainda com volume abdominal aumentado, embora tenha perdido rigidez. Quando estou deitada e me viro para o lado direito, o que sinto é muito mau. Desde ontem à noite tenho um corrimento ligeiramente rosado.
Estes dias tem parecido que os elevadores do meu prédio são brutos quando param nalgum andar. Quando carrego as pastas para ir trabalhar noto que a zona abdominal também é exercitada. Andar de carro consegue ser desagradável ao transpor uma linha de metro ou em zonas de piso irregular. Caminhar obviamente incomoda, porque tenho a sensação que o meu interior tem tudo solto.
Se não me sentir bem e começar a faltar o ar devo dirigir-me às urgências.
As dores não me tiram a confiança que eu tenho que em maio o desfecho vai ser muito feliz.
O azoto líquido está a preservar 10 mini-nós, mas restam 3 em cultura a ver se ainda vão conseguir fazer companhia aos irmãos.
Se o processo fosse convertido numa checklist validava mais uma etapa.
Quando a bióloga me perguntou se já estava recuperada da punção apercebi-me que este passo idealmente deveria estar concluído. Infelizmente não, no entanto é normal. Continuo com dores e ainda com volume abdominal aumentado, embora tenha perdido rigidez. Quando estou deitada e me viro para o lado direito, o que sinto é muito mau. Desde ontem à noite tenho um corrimento ligeiramente rosado.
Estes dias tem parecido que os elevadores do meu prédio são brutos quando param nalgum andar. Quando carrego as pastas para ir trabalhar noto que a zona abdominal também é exercitada. Andar de carro consegue ser desagradável ao transpor uma linha de metro ou em zonas de piso irregular. Caminhar obviamente incomoda, porque tenho a sensação que o meu interior tem tudo solto.
Se não me sentir bem e começar a faltar o ar devo dirigir-me às urgências.
As dores não me tiram a confiança que eu tenho que em maio o desfecho vai ser muito feliz.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Notas soltas
O post de hoje é uma miscelânia de pequenos pensamentos.
A minha condição física atual é idêntica à de ontem, com uma única diferença. Uma vez que o paracetamol e o ibuprofeno não atenuavam em nada as dores, hoje experimentei não tomar nada. O resultado era o que esperava, ou seja, não passei a sentir mais dores mas também pouco ou nada melhorei.
Não me vou entupir com medicação desnecessária, porque basta o Dostinex para a hiperestimulação, além daquilo que normalmente uso no quotidiano.
Se reunir os folhetos informativos de todas as drogas que tomei nas últimas semanas, o panorama é assustador principalmente pelos possíveis efeitos secundários. Não vou sobrecarregar o organismo com mais químicos, ainda mais se estes não surtem efeito.
Hoje não tive notícias para saber a evolução dos meus 13 guerreiros, o que é compreensível. Tal como nós, também eles têm o seu tempo para reagir e não fazia sentido dar informações pouco concretas se ainda não estavam reunidas as condições para serem criopreservados. Acredito que amanhã ou, no máximo, na sexta terei (boas) novidades. Penso neles com carinho e tenho a certeza que não vão desistir facilmente. 50% do material genético é meu, por isso sei que vão dar luta!
A infertilidade pode ter momentos de sucesso mas, no reverso da medalha, há alturas em que a felicidade é efémera e dá lugar à eterna interrogação PORQUÊ?. Estou a acompanhar a dor de uma guerreira valente cujo tratamento não teve o fim que sonhou. Nada do que diga pode confortar o que vai naquele coração, contudo apesar de não ter passado (ainda) por um desfecho da mesma natureza, sei que não é fácil. Fica o meu abraço solidário, porém esperançoso de que vamos ser companheiras virtuais de barrigas empinadas.
Para terminar as notas soltas de hoje quero dar uma palavra de esperança a todos os que enfrentam uma batalha do género da nossa. Não vou dizer que estes 4 anos e tal têm sido um mar de rosas, pelo contrário. Tem havido muito sofrimento físico e psicológico mas quando penso que as melhores vitórias são aquelas em que mais obstáculos temos a ultrapassar, as forças são retemperadas e só tenho vontade de dizer "venha de lá o próximo desafio, estou aqui!".
A minha condição física atual é idêntica à de ontem, com uma única diferença. Uma vez que o paracetamol e o ibuprofeno não atenuavam em nada as dores, hoje experimentei não tomar nada. O resultado era o que esperava, ou seja, não passei a sentir mais dores mas também pouco ou nada melhorei.
Não me vou entupir com medicação desnecessária, porque basta o Dostinex para a hiperestimulação, além daquilo que normalmente uso no quotidiano.
Se reunir os folhetos informativos de todas as drogas que tomei nas últimas semanas, o panorama é assustador principalmente pelos possíveis efeitos secundários. Não vou sobrecarregar o organismo com mais químicos, ainda mais se estes não surtem efeito.
Hoje não tive notícias para saber a evolução dos meus 13 guerreiros, o que é compreensível. Tal como nós, também eles têm o seu tempo para reagir e não fazia sentido dar informações pouco concretas se ainda não estavam reunidas as condições para serem criopreservados. Acredito que amanhã ou, no máximo, na sexta terei (boas) novidades. Penso neles com carinho e tenho a certeza que não vão desistir facilmente. 50% do material genético é meu, por isso sei que vão dar luta!
A infertilidade pode ter momentos de sucesso mas, no reverso da medalha, há alturas em que a felicidade é efémera e dá lugar à eterna interrogação PORQUÊ?. Estou a acompanhar a dor de uma guerreira valente cujo tratamento não teve o fim que sonhou. Nada do que diga pode confortar o que vai naquele coração, contudo apesar de não ter passado (ainda) por um desfecho da mesma natureza, sei que não é fácil. Fica o meu abraço solidário, porém esperançoso de que vamos ser companheiras virtuais de barrigas empinadas.
Para terminar as notas soltas de hoje quero dar uma palavra de esperança a todos os que enfrentam uma batalha do género da nossa. Não vou dizer que estes 4 anos e tal têm sido um mar de rosas, pelo contrário. Tem havido muito sofrimento físico e psicológico mas quando penso que as melhores vitórias são aquelas em que mais obstáculos temos a ultrapassar, as forças são retemperadas e só tenho vontade de dizer "venha de lá o próximo desafio, estou aqui!".
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Notícias da fecundação
Fui contactada há instantes para saber o ponto da situação relativamente à fecundação.
Afinal foram retirados 25 ovócitos mas 3 degeneraram. Dos que sobraram, 13 fecundaram e agora a bióloga vai ver quantos vão evoluir e estar em condições de serem congelados.
As dores continuam mas penso que não estou a piorar. Vai ser complicado logo à tarde ir trabalhar.
Até ao momento o sofrimento está a compensar e há 13 pequeninas vidas a dar o seu máximo para aguentarem a próxima provação.
Afinal foram retirados 25 ovócitos mas 3 degeneraram. Dos que sobraram, 13 fecundaram e agora a bióloga vai ver quantos vão evoluir e estar em condições de serem congelados.
As dores continuam mas penso que não estou a piorar. Vai ser complicado logo à tarde ir trabalhar.
Até ao momento o sofrimento está a compensar e há 13 pequeninas vidas a dar o seu máximo para aguentarem a próxima provação.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Punção
Cá estou, de repouso, após a punção desta manhã. Não me sinto revigorada, pelo contrário. Isto é violento.
Cheguei ao hospital às 8h30 e pouco tempo depois fui chamada para colocar um catéter e os adesivos no peito para monitorizar os sinais vitais durante o procedimento.
Aguardei que fosse realizada uma punção a outra utente e a seguir entrei no vestiário.
Já na sala própria foi introduzido o espéculo e provavelmente o equipamento para a punção. Sei que doeu mas é normal tendo em conta o estado dos ovários.
Após a administração do anestésico apaguei quase logo, nem me apercebi de sonolência súbita. Durante o procedimento sonhei, já não me recordo com o quê.
O meu marido diz que estive meia hora a 40 minutos até ir para o recobro. Dei conta de uma movimentação da cama que foi quando me levaram para o recobro e então acordei. Passei para outra cama e aí senti como estava. Tinha dores intensas, a enfermeira recomendou que me deitasse para o lado direito com os joelhos dobrados para cima.
Passou algum tempo e o analgésico não estava a resultar. Foi administrado outro medicamento. Aliviou temporariamente até que as dores voltaram. Pareceu-me sentir que a bexiga estava a ficar cheia. Perguntei se podia ir à casa de banho e resolvi o problema. A bexiga fazia pressão na barriga, daí o regresso das dores.
Como a hiperestimulação ainda pode agravar vou tomar Dostinex à noite e enquanto sentir dores tomo paracetamol e ibuprofeno. Tenho de estar atenta ao agravamento dos sintomas. Se piorar deverei dirigir-me às urgências de obstetrícia.
Agora os números, estamos a 22 de fevereiro e foram retirados 22 folículos. Amanhã vou ter novidades relativamente à fecundação e a transferência está prevista para maio para poder recompor-me. Não esperava que fosse tanto tempo mas é por um bom motivo.
Dia 22 de março tenho ecografia para reavaliar o estado dos pequenos guerreiros que tiveram um trabalho extenuante desde 10 de fevereiro.
Cheguei ao hospital às 8h30 e pouco tempo depois fui chamada para colocar um catéter e os adesivos no peito para monitorizar os sinais vitais durante o procedimento.
Aguardei que fosse realizada uma punção a outra utente e a seguir entrei no vestiário.
Já na sala própria foi introduzido o espéculo e provavelmente o equipamento para a punção. Sei que doeu mas é normal tendo em conta o estado dos ovários.
Após a administração do anestésico apaguei quase logo, nem me apercebi de sonolência súbita. Durante o procedimento sonhei, já não me recordo com o quê.
O meu marido diz que estive meia hora a 40 minutos até ir para o recobro. Dei conta de uma movimentação da cama que foi quando me levaram para o recobro e então acordei. Passei para outra cama e aí senti como estava. Tinha dores intensas, a enfermeira recomendou que me deitasse para o lado direito com os joelhos dobrados para cima.
Passou algum tempo e o analgésico não estava a resultar. Foi administrado outro medicamento. Aliviou temporariamente até que as dores voltaram. Pareceu-me sentir que a bexiga estava a ficar cheia. Perguntei se podia ir à casa de banho e resolvi o problema. A bexiga fazia pressão na barriga, daí o regresso das dores.
Como a hiperestimulação ainda pode agravar vou tomar Dostinex à noite e enquanto sentir dores tomo paracetamol e ibuprofeno. Tenho de estar atenta ao agravamento dos sintomas. Se piorar deverei dirigir-me às urgências de obstetrícia.
Agora os números, estamos a 22 de fevereiro e foram retirados 22 folículos. Amanhã vou ter novidades relativamente à fecundação e a transferência está prevista para maio para poder recompor-me. Não esperava que fosse tanto tempo mas é por um bom motivo.
Dia 22 de março tenho ecografia para reavaliar o estado dos pequenos guerreiros que tiveram um trabalho extenuante desde 10 de fevereiro.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Véspera da punção
Hoje foi dia de folga de injetáveis e a preparação psicológica para a entrada na próxima fase.
Noto alguma melhoria na dor, embora o volume no abdómen permaneça, assim como a rigidez.
As recomendações dadas para o dia de amanhã foram realizar jejum a partir da meia-noite, não ingerir nada de manhã (nem mesmo água). Como preciso de tomar Eutirox diariamente terei de o fazer a seco. Não posso saltar o comprimido de amanhã, porque se houver alguma complicação relacionada diminuição da frequência cardíaca saberão que não é por falta de tiroxina.
Para o hospital não se deve levar qualquer tipo de adorno (aneis, pulseiras, fios...), a roupa deve ser confortável e fácil de vestir. Devem levar-se umas cuecas adicionais (que permitam suportar os pensos gigantescos que há no hospital) e um par de meias quentes para que os pés não fiquem muito frios.
Nos últimos dias só me tenho sentido bem com vestidos, porque as calças exercem muita pressão na barriga causando mais dor, além de que servem-me a custo.
Tive um tête-à-tête com as minhas pipocas para que amanhã se portem com dignidade, porque a minha dedicação na luta contra a infertilidade é demasiado séria. Os ovários tiveram umas férias de duas décadas e está na hora de provarem que não são dois inúteis que andam a ocupar espaço. Se da punção de amanhã resultar a mudança que tanto desejo, juro que nunca mais os insultarei.
O dia de amanhã vai marcar uma viragem em relação a todos os tratamentos cancelados.
Noto alguma melhoria na dor, embora o volume no abdómen permaneça, assim como a rigidez.
As recomendações dadas para o dia de amanhã foram realizar jejum a partir da meia-noite, não ingerir nada de manhã (nem mesmo água). Como preciso de tomar Eutirox diariamente terei de o fazer a seco. Não posso saltar o comprimido de amanhã, porque se houver alguma complicação relacionada diminuição da frequência cardíaca saberão que não é por falta de tiroxina.
Para o hospital não se deve levar qualquer tipo de adorno (aneis, pulseiras, fios...), a roupa deve ser confortável e fácil de vestir. Devem levar-se umas cuecas adicionais (que permitam suportar os pensos gigantescos que há no hospital) e um par de meias quentes para que os pés não fiquem muito frios.
Nos últimos dias só me tenho sentido bem com vestidos, porque as calças exercem muita pressão na barriga causando mais dor, além de que servem-me a custo.
Tive um tête-à-tête com as minhas pipocas para que amanhã se portem com dignidade, porque a minha dedicação na luta contra a infertilidade é demasiado séria. Os ovários tiveram umas férias de duas décadas e está na hora de provarem que não são dois inúteis que andam a ocupar espaço. Se da punção de amanhã resultar a mudança que tanto desejo, juro que nunca mais os insultarei.
O dia de amanhã vai marcar uma viragem em relação a todos os tratamentos cancelados.
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Dia 11 da FIV 1
Missão cumprida!
O Decapeptyl já cá está. Aquela seringa a abarrotar impõe respeito, mas a aplicação é fácil. Sinto uma ligeira comichão no local da injeção embora não seja nada de preocupante.
Fiz o que estava ao meu alcance, só me resta aguardar pela punção e o coup de foudre que se vai gerar entre as dezenas de candidatos e os milhões de guerreiros, lá para os lados da placa de Petri.
Espero que o laboratório tenha uma música ambiente sugestiva para aumentar o potencial de romance e para que as futuras dezenas de crias não se queixem de uma certa frieza na conceção.
Que seja o que as forças intermoleculares quiserem.
O Decapeptyl já cá está. Aquela seringa a abarrotar impõe respeito, mas a aplicação é fácil. Sinto uma ligeira comichão no local da injeção embora não seja nada de preocupante.
Fiz o que estava ao meu alcance, só me resta aguardar pela punção e o coup de foudre que se vai gerar entre as dezenas de candidatos e os milhões de guerreiros, lá para os lados da placa de Petri.
Espero que o laboratório tenha uma música ambiente sugestiva para aumentar o potencial de romance e para que as futuras dezenas de crias não se queixem de uma certa frieza na conceção.
Que seja o que as forças intermoleculares quiserem.
Balanço intercalar
Quando leio aquilo que fui escrevendo nestas últimas semanas apercebo-me da rápida evolução que estes milagres químicos provocam.
Passei da incógnita relativamente à resposta ovárica para uma situação de hiperestimulação. Há mais de trinta candidatos a potenciais ovócitos, embriões, FILHOS...
Somos caixinhas de surpresas para nós mesmos. É próprio da natureza humana querermos ter controlo sobre o que nos envolve. A infertilidade consegue trocar-nos as voltas e reduzir-nos à nossa condição de seres vivos. Não há planos a curto ou médio prazo. Existe o imediato e a vida rege-se à escala do minuto quando nos submetemos aos tratamentos. O improviso e os planos de A a Z tomam conta do nosso quotidiano pois só existe uma prioridade que é cumprir os horários das injeções, ecografias, consultas. A vida a dois também é controlada. A união do casal é crucial para aligeirar todo o desgaste que este tipo de processo implica.
A infertilidade faz-nos procurar ânimo e força aos locais mais recônditos do nosso interior. Passamos a relativizar muito mais o que nos vai acontecendo ao longo da vida. Passa a dar-se mais importância a pequenas coisas, porque as mini vitórias que podem surgir ao longo dos tratamentos sabem à maior das concretizações.
Acredito que nos torna pessoas mais fortes e melhores.
Passei da incógnita relativamente à resposta ovárica para uma situação de hiperestimulação. Há mais de trinta candidatos a potenciais ovócitos, embriões, FILHOS...
Somos caixinhas de surpresas para nós mesmos. É próprio da natureza humana querermos ter controlo sobre o que nos envolve. A infertilidade consegue trocar-nos as voltas e reduzir-nos à nossa condição de seres vivos. Não há planos a curto ou médio prazo. Existe o imediato e a vida rege-se à escala do minuto quando nos submetemos aos tratamentos. O improviso e os planos de A a Z tomam conta do nosso quotidiano pois só existe uma prioridade que é cumprir os horários das injeções, ecografias, consultas. A vida a dois também é controlada. A união do casal é crucial para aligeirar todo o desgaste que este tipo de processo implica.
A infertilidade faz-nos procurar ânimo e força aos locais mais recônditos do nosso interior. Passamos a relativizar muito mais o que nos vai acontecendo ao longo da vida. Passa a dar-se mais importância a pequenas coisas, porque as mini vitórias que podem surgir ao longo dos tratamentos sabem à maior das concretizações.
Acredito que nos torna pessoas mais fortes e melhores.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Dia 10 da FIV 1
Uma das etapas está concluída. Terminei oficialmente o Puregon e Orgalutran. Este último, hoje decidiu ser bastante resistente a atravessar a pele.
Amanhã encerro a temporada de injeções com Decapeptyl, às 22 horas.
Acordei melhor que ontem, não tive tonturas ao longo do dia, nem senti enjoos. A dor no peito e barriga atenuou um pouco.
Já disse hoje que estou feliz? Não?! Então digo: estou feliz e otimista!
Amanhã encerro a temporada de injeções com Decapeptyl, às 22 horas.
Acordei melhor que ontem, não tive tonturas ao longo do dia, nem senti enjoos. A dor no peito e barriga atenuou um pouco.
Já disse hoje que estou feliz? Não?! Então digo: estou feliz e otimista!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Dia 9 da FIV 1
Hoje foi dia de novidades mais ou menos previsíveis.
Estou a hiperestimular e tenho mais de 30 folículos! Não sei dados certos, porque vi a folha de longe e o espaço destinado aos folículos estava totalmente preenchido, sendo que dá para colocar 32 valores.
Ao contrário do que esperava a ecografia não foi dolorosa. Quem a fez foi um médico que nunca tinha visto naquele serviço. Perguntou-me se sentia dores, mal começou a fazer o exame. Como tenho muitos folículos é normal andar dorida.
Esta manhã acordei com tonturas e assim tenho estado durante o dia.
Ele disse-me para aguardar para ir ao gabinete da médica. A minha cabeça começou a traçar vários cenários possíveis. O primeiro era de que poderia ser para falar acerca da punção, depois tentei mentalizar-me que por algum motivo a FIV ia ser cancelada, imaginei também que os ovários tinham entrado em colapso e que a situação era irreversível. Como nunca consegui levar um tratamento até ao fim, a minha mente prepara-se mais depressa para um ponto final antes do tempo, do que para um progresso.
Quando entrámos no gabinete uma das médicas perguntou-me a brincar se sentia que estava a explodir. Eu respondi que tinha dores desde terça à noite. Alertou-me logo, receosa, de que não poderá ser feita transferência de embriões neste ciclo, devido à hiperestimulação. Devemos dar tempo aos ovários para recuperarem, até porque o risco de a situação piorar com a transferência é ainda maior.
Compreendo perfeitamente que tenha de ser assim, devemos ser racionais, mais do que nunca.
A punção vai ser feita na próxima segunda-feira. Em termos de terapêutica vou passar para 100 UI de Puregon e Orgalutran, hoje e amanhã. Por causa da hiperestimulação não vou aplicar Pregnyl, mas sim Decapeptyl (2 ampolas de pó para uma de líquido) no sábado, às 22h.
Apesar de sentir cada vez mais dor não consigo deixar de estar feliz!
Estou a hiperestimular e tenho mais de 30 folículos! Não sei dados certos, porque vi a folha de longe e o espaço destinado aos folículos estava totalmente preenchido, sendo que dá para colocar 32 valores.
Ao contrário do que esperava a ecografia não foi dolorosa. Quem a fez foi um médico que nunca tinha visto naquele serviço. Perguntou-me se sentia dores, mal começou a fazer o exame. Como tenho muitos folículos é normal andar dorida.
Esta manhã acordei com tonturas e assim tenho estado durante o dia.
Ele disse-me para aguardar para ir ao gabinete da médica. A minha cabeça começou a traçar vários cenários possíveis. O primeiro era de que poderia ser para falar acerca da punção, depois tentei mentalizar-me que por algum motivo a FIV ia ser cancelada, imaginei também que os ovários tinham entrado em colapso e que a situação era irreversível. Como nunca consegui levar um tratamento até ao fim, a minha mente prepara-se mais depressa para um ponto final antes do tempo, do que para um progresso.
Quando entrámos no gabinete uma das médicas perguntou-me a brincar se sentia que estava a explodir. Eu respondi que tinha dores desde terça à noite. Alertou-me logo, receosa, de que não poderá ser feita transferência de embriões neste ciclo, devido à hiperestimulação. Devemos dar tempo aos ovários para recuperarem, até porque o risco de a situação piorar com a transferência é ainda maior.
Compreendo perfeitamente que tenha de ser assim, devemos ser racionais, mais do que nunca.
A punção vai ser feita na próxima segunda-feira. Em termos de terapêutica vou passar para 100 UI de Puregon e Orgalutran, hoje e amanhã. Por causa da hiperestimulação não vou aplicar Pregnyl, mas sim Decapeptyl (2 ampolas de pó para uma de líquido) no sábado, às 22h.
Apesar de sentir cada vez mais dor não consigo deixar de estar feliz!
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Dia 8 da FIV 1
Como é que caracterizo o meu estado? D-O-L-O-R-O-S-O, contudo feliz!
À mínima pressão na zona dos ovários, apercebo-me facilmente qual deles está em acesa labuta - é o direito. A ecografia de ontem já assim o mostrava.
Daqui a umas horas deverei ter um veredito acerca da data da punção através da qual o melhor de mim verá a luz do dia durante algum tempo. Este voltará depois ao interior da morada das próximas 40 semanas, fundido com o melhor daquele que ousou atrever-se a partilhar a sua vida comigo.
Até já, minhas pipocas!
À mínima pressão na zona dos ovários, apercebo-me facilmente qual deles está em acesa labuta - é o direito. A ecografia de ontem já assim o mostrava.
Daqui a umas horas deverei ter um veredito acerca da data da punção através da qual o melhor de mim verá a luz do dia durante algum tempo. Este voltará depois ao interior da morada das próximas 40 semanas, fundido com o melhor daquele que ousou atrever-se a partilhar a sua vida comigo.
Até já, minhas pipocas!
Dia 7 da FIV 1
Chegou a tão aguardada ecografia e com ela as boas notícias. Tenho um conjunto de folículos que está a transformar-se em pequenas pipocas.
A ecografia foi mais penosa do que têm sido as injeções. Cada toque nos ovários denunciava a atividade que eles têm manifestado.
O resultado da ecografia foi o seguinte:
Espessura do endométrio: 6,4 mm
Folículos:
Ovário esquerdo - 12, 11, 10, 10, 10 mm
Ovário direito - 15, 13, 13, 12, 12, 11, 10, 10 mm
Tendo em conta o resultado destes dias em que tenho aplicado 150 UI de Puregon e o risco de hiperestimular, a dose dos próximos dois dias vai ser de 125 UI.
O volume abdominal aumentou e sinto dores nos ovários. Diria que, olhando para mim de perfil, pareço estar com 3 a 4 meses de gravidez. Quando apliquei as injeções, ontem à noite, comecei a sentir instantaneamente a barriga bastante dorida. Passei o dia de hoje com dores nos ovários e peito que intensificam ao caminhar, andar de carro, elevador, ao sentar. Sinceramente não me importo nada, porque significa que os ovários estão mais atarefados que nunca. Trabalhem que é para isso que cá estão! Tiveram um sono muito profundo e nestes 21 anos andei demasiado tempo a pensar neles.
A médica que me atendeu hoje passou uma receita de Puregon 600 UI. Quando me dirigi à farmácia soube que aquela dosagem está esgotada e os fornecedores não têm stock disponível. Transitei de um estado de alegria para uma enorme preocupação. Não podia comprometer este tratamento estando numa fase tão importante. Fui a outra farmácia na esperança de haver uma caixa perdida num cantinho mas foi em vão. Ouvi a mesma resposta o que me deixou ainda mais nervosa. Questionei se seria possível adquirir ainda hoje uma ampola de outra dosagem, inferior de preferência. Responderam-me que talvez fosse possível Puregon 300. Depois do farmacêutico ter entrado em contacto com a médica do HSJ para perguntar se eu podia comprar uma embalagem na condição de na próxima consulta ela me passar a receita adequada, houve luz verde e foi realizada a encomenda para hoje à noite. Paguei a embalagem sem a comparticipação e quando for entregar a receita correta à farmácia serei ressarcida do valor excedente.
Perguntei hoje à enfermeira acerca dos sangramentos que têm acontecido com o Puregon. Ela diz que se deve ao facto de atingir vasos. É muita coincidência em 7 dias atingir sempre vasos, porque nunca pico exatamente no mesmo local. Com o Orgalutran ainda não houve essa pontaria.
A próxima ecografia é na quinta-feira, 18 de fevereiro.
Parece que levei uma sova nalgumas partes do corpo, mas não troco esta sensação (maravilhosa devido ao que envolve) pelo vazio que sinto há tanto tempo.
A ecografia foi mais penosa do que têm sido as injeções. Cada toque nos ovários denunciava a atividade que eles têm manifestado.
O resultado da ecografia foi o seguinte:
Espessura do endométrio: 6,4 mm
Folículos:
Ovário esquerdo - 12, 11, 10, 10, 10 mm
Ovário direito - 15, 13, 13, 12, 12, 11, 10, 10 mm
Tendo em conta o resultado destes dias em que tenho aplicado 150 UI de Puregon e o risco de hiperestimular, a dose dos próximos dois dias vai ser de 125 UI.
O volume abdominal aumentou e sinto dores nos ovários. Diria que, olhando para mim de perfil, pareço estar com 3 a 4 meses de gravidez. Quando apliquei as injeções, ontem à noite, comecei a sentir instantaneamente a barriga bastante dorida. Passei o dia de hoje com dores nos ovários e peito que intensificam ao caminhar, andar de carro, elevador, ao sentar. Sinceramente não me importo nada, porque significa que os ovários estão mais atarefados que nunca. Trabalhem que é para isso que cá estão! Tiveram um sono muito profundo e nestes 21 anos andei demasiado tempo a pensar neles.
A médica que me atendeu hoje passou uma receita de Puregon 600 UI. Quando me dirigi à farmácia soube que aquela dosagem está esgotada e os fornecedores não têm stock disponível. Transitei de um estado de alegria para uma enorme preocupação. Não podia comprometer este tratamento estando numa fase tão importante. Fui a outra farmácia na esperança de haver uma caixa perdida num cantinho mas foi em vão. Ouvi a mesma resposta o que me deixou ainda mais nervosa. Questionei se seria possível adquirir ainda hoje uma ampola de outra dosagem, inferior de preferência. Responderam-me que talvez fosse possível Puregon 300. Depois do farmacêutico ter entrado em contacto com a médica do HSJ para perguntar se eu podia comprar uma embalagem na condição de na próxima consulta ela me passar a receita adequada, houve luz verde e foi realizada a encomenda para hoje à noite. Paguei a embalagem sem a comparticipação e quando for entregar a receita correta à farmácia serei ressarcida do valor excedente.
Perguntei hoje à enfermeira acerca dos sangramentos que têm acontecido com o Puregon. Ela diz que se deve ao facto de atingir vasos. É muita coincidência em 7 dias atingir sempre vasos, porque nunca pico exatamente no mesmo local. Com o Orgalutran ainda não houve essa pontaria.
A próxima ecografia é na quinta-feira, 18 de fevereiro.
Parece que levei uma sova nalgumas partes do corpo, mas não troco esta sensação (maravilhosa devido ao que envolve) pelo vazio que sinto há tanto tempo.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Dia 6 da FIV 1
Fisicamente começo a sentir o acumular destes dias de injeções.
A reação alérgica ao Orgalutran foi mais reduzida, contudo a barriga está a mostrar-me que estas agressões diárias com injetáveis são contranatura. Na última tentativa de IIU foi apenas no final, desta vez é bem mais cedo, talvez fruto das doses que têm sido administradas.
Para além dos pequenos hematomas, noto algum aumento de volume na zona abdominal, uma ligeira dor no local onde tenho aplicado as injeções, para além de sensibilidade nessa zona quando lhe toco e alguma rigidez no tecido.
Finalmente vou fazer a ecografia amanhã de manhã e irei ver se este processo anda a resultar.
Isto é a sério, já não se trata de uma miragem. A hora da verdade está a aproximar-se.
A reação alérgica ao Orgalutran foi mais reduzida, contudo a barriga está a mostrar-me que estas agressões diárias com injetáveis são contranatura. Na última tentativa de IIU foi apenas no final, desta vez é bem mais cedo, talvez fruto das doses que têm sido administradas.
Para além dos pequenos hematomas, noto algum aumento de volume na zona abdominal, uma ligeira dor no local onde tenho aplicado as injeções, para além de sensibilidade nessa zona quando lhe toco e alguma rigidez no tecido.
Finalmente vou fazer a ecografia amanhã de manhã e irei ver se este processo anda a resultar.
Isto é a sério, já não se trata de uma miragem. A hora da verdade está a aproximar-se.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Dia 5 da FIV 1
Nice to meet you, Orgalutran!
Tenho no lado esquerdo da barriga os sinais da invasão do Orgalutran. Vermelhidão local, prurido, uma pequena tumefação na zona da picada. A maior espessura da agulha comparativamente com a do Puregon notou-se na ligeira resistência oferecida aquando iniciei a administração do dito, contudo não foi doloroso.
Sou propensa a desenvolver reações alérgicas a algumas coisas com relativa facilidade e esta foi instantânea. A bula refere para a frequência de casos, especialmente na primeira aplicação.
A minha barriga está a ficar enfeitada com marcas de picas e tons azulados de hematomas.
Amanhã há mais!
Tenho no lado esquerdo da barriga os sinais da invasão do Orgalutran. Vermelhidão local, prurido, uma pequena tumefação na zona da picada. A maior espessura da agulha comparativamente com a do Puregon notou-se na ligeira resistência oferecida aquando iniciei a administração do dito, contudo não foi doloroso.
Sou propensa a desenvolver reações alérgicas a algumas coisas com relativa facilidade e esta foi instantânea. A bula refere para a frequência de casos, especialmente na primeira aplicação.
A minha barriga está a ficar enfeitada com marcas de picas e tons azulados de hematomas.
Amanhã há mais!
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Dia 4 da FIV 1
Os meus ovários andam a entreter-se (espero eu) com um valor acumulado de 600 UI de Puregon e estão a postos para amanhã receberem Orgalutran.
Continua a imperar a serenidade, não sinto nada de diferente. Já me apareceu entretanto um pequenito hematoma para dar algum colorido à zona abdominal.
Começo a acusar alguma preocupação com o que poderá ser visualizado no ecrã durante a ecografia da próxima terça-feira. Se tiver folículos a crescer já vou encarar como uma pequena vitória. Tenho esperança que desta vez vou conseguir levar um tratamento até ao fim.
Continua a imperar a serenidade, não sinto nada de diferente. Já me apareceu entretanto um pequenito hematoma para dar algum colorido à zona abdominal.
Começo a acusar alguma preocupação com o que poderá ser visualizado no ecrã durante a ecografia da próxima terça-feira. Se tiver folículos a crescer já vou encarar como uma pequena vitória. Tenho esperança que desta vez vou conseguir levar um tratamento até ao fim.
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