Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
quinta-feira, 28 de setembro de 2023
Tempo de antena
domingo, 30 de julho de 2023
Esclarecimento de dúvidas sobre a PMA em Portugal
domingo, 23 de julho de 2023
É oficial, licenciatura concluída 🎉
Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida 😃
Ainda não caí em mim que já vou ter tempo livre, serões descansada, sono tranquilo e ócio! O dia a dia improvisado vai terminar, vou estar disponível para mim e para os meus, os tempos que ainda pareciam de confinamento chegaram ao fim. Foram três anos exaustivos, mas tinha mesmo de enveredar por algo assim para que a transição da desilusão dos 8 anos e 8 meses para o que aí vem, me traga ânimo. Digamos que foi o tipo de luto que decidi realizar. Estou feliz, embora ainda não tenha despertado bem para a nova realidade, porque penso sempre que não tenho direito a dias melhores.
Há uma viagem na calha, daqui a uns meses, vamos ver se se concretiza.
Notei, nestes anos, um pouco do efeito do tempo no meu envelhecimento. Há que libertar do que já não importa, valorizar as pequeninas coisas e descobrir outras que nos provoquem rugas de felicidade.
quinta-feira, 20 de julho de 2023
A 9,5 valores de uma meta
sábado, 25 de março de 2023
O sol começa a brilhar
Ainda estou a processar esta última semana e meia. Iniciei o estágio no dia 22 de fevereiro e a 14 de março fui convidada a trabalhar na empresa, já a partir de abril. Uma das colaboradoras vai ficar até ao final do próximo mês, estiveram a avaliar-me naqueles poucos dias em que estive a apoiar as várias áreas do departamento onde me encontro e viram que tinha perfil para lá trabalhar. Encontro-me em formação com ela, a partir de terça-feira começo a entrar no mesmo turno. O que estava inicialmente delineado seria desenvolver o tema do meu relatório de estágio noutro departamento, a partir de 16 de março. Devido a esta situação, que ainda não está formalizada, gerou-se então mudança de planos quanto ao tema a trabalhar, mas a empresa já entrou em contacto com a instituição onde estou a estudar, informando-os do assunto. Quando fui à entrevista durante a fase de seleção de potenciais empresas do meu interesse, percebi que lá haveria uma forte possibilidade de conseguir trabalho após a conclusão do curso, ao contrário de outros locais.
Quis muito ter alguma tranquilidade, pois vivi anos conturbados. Com o aproximar do fim do curso preocupava-me como iria correr a procura de trabalho devido à idade, ao background profissional que poderia ser irrelevante para as empresas que, aliado à idade, levaria a afastar uma eventual contratação. Pensei seriamente, vezes sem conta, se seria uma boa aposta formar-me novamente. Não queria passar por outro fiasco. Felizmente, posso acreditar que consegui atravessar essa montanha. Independentemente disso, a minha principal meta é ter o certificado na mão, ainda que a conclusão da licenciatura esteja envolta de uma responsabilidade acrescida.
Não só eu fiquei mais tranquila, como a minha mãe. Acho que ela finalmente percebeu que este novo caminho que comecei a trilhar em 2020 me vai trazer mais estabilidade do que se continuasse a insistir em manter-me na minha área de formação inicial, que era o que ela queria. O amor à profissão, por si só, não coloca comida na mesa, não paga as contas. A situação piorou quando passei a trabalhar a tempo parcial, por valores hora baixos, para poder ter as manhãs disponíveis sempre que precisasse de ir ao hospital. E foram mais de cem manhãs, em cinco anos...
Aparentemente, desta vez, é um esforço que está a ser compensado e espero que a médio/longo prazo continue a trazer frutos.
É um alívio, precisava mesmo disto!
domingo, 12 de março de 2023
Reta final
Aquele que pretendo que seja o último semestre, o da conclusão do primeiro plano de reestruturação pós-infertilidade, iniciou no mês passado. Comecei o estágio curricular num laboratório a 20 km de casa e está a ser uma lufada de ar fresco sentir-me útil, ainda que como rookie. Para a instituição seria pouco emocionante e leve ter apenas o estágio. Para apimentar mais a reta final e não ficarmos mal habituados depois da sobrecarga que foi todo o curso, além dos 4 dias completos de estágio, há mais um com aulas laboratoriais das 8h10 às 18h, com 1h10 de almoço e 10 minutos de intervalo, às 10h. Além disso, às terças e quintas-feiras saio do estágio na esperança de não ficar retida na VCI para ir às aulas das 18h10 às 22h30, com pausa de 40 minutos para jantar, às 20h. Acrescem os variados relatórios, um projeto, quase tudo para ser entregue e apresentado num intervalo de poucos dias. A saga finaliza com a entrega do relatório final do estágio, exames e a prova final do estágio, algures durante a época de exames.
Nos fins de semana tenho os meus momentos Master Chef para a preparação das marmitas dos dias vindouros. Preciso de 7 em cada semana, pois quando tenho aulas pós-laborais necessito de trazer comigo almoço e jantar. Como há noites em que a competição por microondas pode ser feroz na instituição, opto por preparar para esses jantares pratos que podem ser consumidos frios. Uma vez que há frigorífico na empresa onde estou a estagiar, posso conservar os alimentos no frio durante o dia.
Faltam 19 semanas para, espero eu, respirar de alívio e começar a aproveitar um pouco melhor o tempo em que cá ando, com um trabalho digno. De acordo com a informação do portal da Segurança Social Direta, daqui a 24 anos e 4 meses reunirei condições para começar a usufruir da pensão de velhice, sem penalizações. Ainda tenho de ser produtiva durante um bom tempo.
Luta atrás de luta, está a chegar a hora de deixar de me sentir um parasita.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2023
20 anos de ausência
Faz hoje 20 anos, era um domingo ensolarado e, dentro do quarto, na casa que lutou para construir, o meu pai começou a agoniar. Os rins estavam a entrar em falência. Às 17h20 deu-se a libertação. Não vou entrar em mais detalhes...
Revivo quase diariamente as horas desse maldito domingo e, apesar da dor gigante de ter assistido a tudo, se há algo de bom que se possa retirar da experiência, é que ele não esteve sozinho. Nós, por outro lado, pudemos acompanhá-lo na profunda dor que ele sentia, porque além da componente física, excruciante, não partiu em paz. Estava frustrado, pois achava que não tinha cumprido tudo o que faltava para nos libertar de preocupações.
Foi a verdadeira confrontação com a finitude, um momento em que emergiram um nojo e ódio profundos pela vida e a perceção de que somos criaturas insignificantes perante a física, a química, a biologia. Antes desse acontecimento não vivia num mundo de purpurinas. A dor do silêncio transformou-me. Preparou-me para novos silêncios que se seguiram.
Não se supera.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
A ternura dos "entas"
Ontem completei mais uma translação ao Sol. A entrada nos "entas", iniciada em 2020, já está bem consolidada. Fui aprendendo com a vida a relativizar mais os acontecimentos, deixei de dar importância a pormenores que consumiam a minha beleza, a paciência para picuinhices reduziu drasticamente. Tenho esperança que ainda vou fazer umas coisas interessantes e sentir entusiasmo com novas descobertas.
Nos olhos começaram finalmente a aparecer algumas rugas acentuadas pelo sorriso, as madeixas brancas no cabelo vão multiplicando serenamente. As mazelas físicas mal resolvidas que foram surgindo ao longo dos anos dão por vezes sinais de vida, os problemas respiratórios diagnosticados logo na primeira consulta que tive, logo que nasci, vão voltando a acentuar-se, após um adormecimento aparente.
Quando era novinha, adorava ver e rever os álbuns fotográficos da família. Tenho algumas memórias registadas em suporte físico, maioritariamente tiradas quando vivia em França, onde revelar fotografias era mais acessível que em Portugal. Desde que me mudei para cá e até por volta dos 26 anos, parece que não existi. Da minha adolescência tenho umas apenas umas três fotografias tipo passe, por causa do cartão de estudante, dos tempos de universidade não tenho praticamente nada. Só quando comprei uma máquina fotográfica digital, penso que com 26 anos, é que voltei a ter registos. Apesar dos milhares de memórias estarem gravados em diversos suportes digitais, poucos são os que tomaram a forma de papel fotográfico. A diversidade e qualidade de imagem é imensa, comparativamente com os recursos limitados de que dispunha dantes, mas perdeu-se a magia da abertura de um álbum fotográfico, daquele barulho característico a virar cada página, do cuidado ao manipular as fotografias para não se estragarem. Fez ontem 43 anos que nasceu, algures em terras gaulesas, uma miúda com um ar assustador, toda arranhada na face, porque as suas mãozinhas não faziam outra coisa que não fosse desfazer a cara. Tenho uma cicatriz que se destaca na bochecha direita, feita por moi-même, no alto dos meus dois dias de idade. Durante muitos anos também se viam as que fiz no nariz, nesse mesmo dia, mas essas suavizaram depois dos 30 anos. Ainda atualmente, há alturas em que me apetece arrancar partes da cara, quando as alergias estão em alta. Há que manter a coerência!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
7 anos de casinha virtual
Criei esta casa virtual dois meses depois de me ter mudado para o lar que comprei. À semelhança do meu cantinho, localizado num sítio que adoro, e onde me sinto bem, também aqui o espaço é aconchegante. A minha casa física, tal como o blogue, anda a precisar de algumas melhorias, mas esse boost está dependente do papel pelo qual estou a lutar com afinco, que me permitirá encontrar a dignidade laboral que ficou perdida no passado. Quero sentir-me novamente autossuficiente, desespero por rotina (que achava aborrecida quando era mais jovem), necessito de tomar rédeas à vida e usufruí-la. Suprir o essencial, qual tamagoshi, tem sido o mote que me tem guiado desde... já nem me lembro.
Não ambiciono megalomanias, nem acho que tenha perfil para isso. Sou básica, na realidade. Há duas coisas que gostaria de concretizar, desde muito novinha e apesar de estar a um passo dos 43 anos, sinto que teria capacidade de realizar. Uma é aprender a tocar piano e outra é ser fluente em mais uma língua. Os meus pais não tinham possibilidade de suportar esse tipo de atividades. O meu percurso profissional, por outro lado, passou por uns dois ou três altos que eu sabia serem perenes, então aproveitei para criar uma almofada para os muitos baixos que surgiram. Priorizei o essencial. Tive entretanto perto de uma década de incerteza quando me entranhei na infertilidade, deixei de existir e mergulhei no improviso.
Ontem fiz uma visita, através do Google Maps, à pequena vila a 77 km a norte de Paris, onde vivi até aos 8 anos. Ainda sei os trajetos que fazia para ir para o Jardim de Infância e as escolas que frequentei, às padarias onde ia com o meu pai ou com a minha mãe, ao jardim público, à piscina municipal que me deixou com fobia durante mais de 20 anos, ao hipermercado... Lembro-me da neve chegar pelos joelhos e mesmo assim íamos para a escola, com calçado adequado para o efeito. A torre onde habitava, que era recente e imponente, apesar de pertencer a projetos de custo acessível, está atualmente desoladora. Há anos que se prevê a sua demolição. Gostava de lá voltar, há um aeroporto próximo, mas acho que iria ficar abatida. É mais uma das coisas que está latente, embora tenha esperança de que vou cumprir.
Quero fazer voluntariado numa associação de apoio a animais de uma forma regular. Quero voltar a fazer exercício na água. Na temporada de 2019/2020 frequentei aulas de hidroginástica e hidrobike até ao lockdown. Tinha estado alguns anos sem fazer atividade física na água, sabia que dali a pouco tempo ia finalizar os tratamentos e no final da primeira aula, na parte do relaxamento, a professora pôs a tocar a música Everglow dos Coldplay. Enquanto fazia os alongamentos as lágrimas começaram a correr pela minha cara. Tinha uma necessidade extrema de libertação e só me apercebi nesse momento.
Desta vez o post é sobre fazer o que ainda não foi feito. A fobia que adquiri na "natação", ainda em França, porque naquela altura não conseguia sequer flutuar, dissipou já eu tinha perto de 30 anos. Aprendi a nadar, era algo que sempre quis conseguir executar e transmite-me uma paz inigualável. Voltei para o ensino superior e estou prestes a finalizar outra licenciatura. Aliás, não fecho portas a voos de outro grau. Tentei ser mãe com diferentes fórmulas que não tiveram magia nenhuma, mas apesar da dificuldade que sabia que iria ter, não baixei de imediato os braços. Adotei a minha menina de bigodes que me trouxe uma alegria tremenda. Certamente existirão mais algumas coisas, ainda que de pequena dimensão, que procurei não deixar morrer.
O desafio que coloco é dar outra profundidade às resoluções de Ano Novo. Aí desse lado, há alguma coisa, bem longínqua no tempo, que ficou aparentemente esquecida mas que tem potencial para tomar a luz do dia?
Um bom ano de 2023, sem procrastinação!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
Ho! Ho! Ho!
Nada de muito relevante tem acontecido por cá. Continuo na ânsia de terminar o curso, posso dizer que já estou em contagem decrescente. No final de fevereiro começo o estágio curricular, ando na fase de candidaturas a empresas. Simultaneamente com o estágio teremos também 4 unidades curriculares. Um dia da semana será integralmente passado na instituição de ensino superior para prática laboratorial e em outros dois dias, após o estágio, haverá aulas pós-laborais.
Sobre aquele episódio estranho que relatei em post anterior, a hemorragia de privação surgiu no ciclo seguinte, a tempo e horas. No mês após a regularização libertei os coágulos que se tinham acumulado e, desde então, não houve mais nenhuma anomalia.
Daqueles dois amiguinhos claviculares, cá continuam sobre o osso. Já fiz duas ecografias, estão pequenos, não constituem perigo e são o meu recuerdo das vacinas para a COVID-19. Reportei a situação na página do Infarmed no início do ano e alguns meses depois fui contactada por via telefónica para dar mais detalhes sobre a cronologia e o encaminhamento dado. Regra geral não me incomodam exceto em alguns momentos, durante a condução, porque o cinto de segurança toca exatamente na zona onde eles habitam. Levei também como bónus da vacina um gânglio intramamário para fazer companhia ao que está na outra mama.
A minha miúda de bigodes fez 11 anos, está quase desprovida de dentição e continua a surpreender-me com as aprendizagens que faz. Não tem olhos (nasceu sem eles) e está a 3 ou 4 dentes de ficar só com as gengivas. Vão faltando cada vez mais peças, mas está quase como nova 😀 Não deixa de ser a ternurenta rufia que me faz admirar cada bigode que lhe cai, cada mio que dá enquanto sonha, cada ronco que faz ao ressonar como gente grande que é, cada espirro convincente que se ouve em toda a casa, cada pêlo espalhado em todo o lado, cada abraço que me exige, cada esfoliação facial que me faz, cada massagem vigorosa que executa, cada espera numa esquina para me desafiar, cada chantagem em que se tornou mais refinada, cada momento em que mostra que entende tudo o que lhe digo.
Depois de dois anos com um Natal a meio gás, vai voltar a reunião de famílias em minha casa. É o vigésimo que vou passar sem o meu pai. Questiono-me muitas vezes como seria se ele estivesse vivo.
Estou numa paz relativa, porque o queria mesmo era já estar com o curso concluído para viver novas aventuras. Não faço pedidos ao Pai Natal e as 12 passas que ingiro na passagem de ano vão vazias de desejos, porque as coisas não caem do céu.
Desejo muita saúde a quem está desse lado, mil e um motivos para sorrir e que não perca a capacidade de sonhar.
Bom Natal!
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
Reavivar de memórias
Disse, em tempos, que escolhi para minha ginecologista a Diretora do Serviço de PMA do HSJ. Após fazer exames de rotina, ela foi da opinião de que seria desadequado não menstruar. Como é da minha natureza não conseguir fazer a purga espontaneamente e para manter os ovários um pouco normais, passei a usar pílula em vez da medroxiprogesterona que tomei durante décadas. Uma vez que o colesterol estava elevado, pois ainda não tinha retomado as estatinas que fazia antes de toda a saga e não consigo normalizá-lo pela via da alimentação e atividade, passou a fazer parte do dia-a-dia a pílula Microgeste (este mês passei para a Minesse por rutura de stock).
Este meu corpinho é uma máquina anti-concecional por defeito e, tomando a pílula, será de esperar que seja infalível na inibição de ovulação. Contudo, este mês, pus em causa a minha incapacidade procriativa e equacionei a possibilidade de ter ocorrido o milagre pelo qual esperei tanto tempo. A hemorragia de privação deveria ter surgido domingo passado (eventualmente sábado) e até à data, nada... Estou com tensão mamária, ontem parecia sentir os ovários aumentados e, fora isso, nenhum sinal de alerta vermelho. Aconteceu-me algo semelhante há 14 ou 15 anos, mas nessa altura ainda tomava Provera. Tive na época um atraso de uma semana e acabei por perceber o motivo. Foi um ciclo repleto de coágulos, acompanhado de bastantes cólicas. Não foi aborto, pois só por obra divina teria engravidado. Há 3 e 2 meses praticamente não tive fluxo, embora a duração das borras tenha sido os habituais 7/8 dias. Acredito que deve estar na hora de libertar o que ficou acumulado.
Com o passar dos dias desta semana fui panicando, com um misto de pensamentos. Sonhei que fiz dois testes de gravidez que deram positivo e isso foi mexendo comigo. Desde que fechei o longo capítulo, nunca mais tinha sonhado com gravidez. Aguardei até ontem a ida à farmácia, porque o meu historial de beta-hCG baixo fez-me pensar que poderia acontecer algo como no passado e o teste não ter sensibilidade suficiente. Não sinto a fome desmesurada, não tenho perdas de sangue e sendo eu como sou (um caso perdido), estava quase certa de que não estava grávida. O "quase" é que me fez comprar o teste, porque faço medicação que não pode ser tomada em situação de gravidez, além de ter realizado uma mamografia no mês passado. O resultado: negativo convicto.
Por um lado fiquei tranquila, por outro gerou-se um conflito interior. Estou a uns meses de concluir a primeira fase da minha mudança de vida, completamente focada, a preparar-me para o futuro que me mentalizei ser isento de crias nossas. Se estivesse grávida, seria de risco, interrompendo todo o meu esforço. Iríamos ter de reformular os nossos objetivos de vida (ou não, dependendo da evolução da gravidez).
Resta-me aguardar que a hemorragia de privação surja e caso não venha, tenho de ver o que se passa.
quinta-feira, 28 de julho de 2022
Dois anos
A luta mais dura que deu o mote a este blogue terminou há 2 anos e o meu novo projeto completou o mesmo tempo. Concluí 23 unidades curriculares, não deixei nada em atraso. Faltam apenas 10 cadeiras para acumular outra licenciatura no meu cadastro.
Daqui a um mês vou iniciar-me na investigação, através de uma bolsa para a qual me candidatei e fui selecionada. Aguardei muito tempo por este tipo de oportunidade e embora seja de curta duração, deixa-me mais esperançosa relativamente ao futuro. Espero mesmo estar a fazer uma aposta acertada.
Agora é altura de recuperar a energia, fazer um check-up à saúde (há algo que preciso despistar) e aliviar as dores do corpo resultantes da má postura corporal, meses a fio.
Boas férias para quem as está a usufruir nesta altura ou o fará em breve. Para quem continua na labuta, desejo força para aguentar mais uns tempos!
quarta-feira, 15 de junho de 2022
Na fronteira
Estou a cerca de 1 kg de passar da condição de obesa para mulher com excesso de peso. Tenho menos 11 kg que no meu pior estado. Noto-o em algumas roupas, basicamente só em calças, porque acima da cintura (excetuando costas e braços) não houve diminuição de um centímetro que fosse.
Não ando obcecada com a diminuição do peso, mas quero atingir um patamar que me traga menos riscos. Fico animada por estar a acontecer, pois ao longo dos anos, principalmente com a realização dos tratamentos, as mudanças surgiram a um ritmo galopante e pareciam irreversíveis. Lentamente continuo na descoberta de mim e de como sou, ainda que com alguma interferência artificial, fruto das minhas disfunções.
Encontro-me em isolamento, tocou-me a mim e assustava-me imenso a ideia de contrair Covid, devido ao meu historial de infeções respiratórias. A situação por enquanto está controlada, não sou um caso assintomático, e estou sempre com o receio de uma reviravolta. Aqui em casa, por enquanto, sou a única contemplada, embora estivéssemos todos presentes no local onde ocorreu o contágio.
Daqui a pouco mais de um mês completarei mais um ano da licenciatura, espero que continue com taxa de sucesso plena. Se se mantiver tudo bem, daqui a um ano estarei a finalizar o estágio e as cadeiras que terei em simultâneo. Conto que em julho ou setembro de 2023 (depende da data de apresentação final) esteja pronta para mais uma mudança de vida.
domingo, 22 de maio de 2022
O corpo pós-PMA
sábado, 26 de fevereiro de 2022
Metade concluída com sucesso!
50% do curso está completo. Passou rapidamente, absorve-me mais do que aquilo que esperava e motiva-me saber que falta "pouco" para completar o resto. Em termos de complexidade considero que a minha primeira licenciatura foi mais exigente e do ponto de vista de duração, por ser pré-Bolonha, foi mais morosa. O principal obstáculo da que estou a fazer atualmente, é aquilo que já referi noutros posts, que é o tempo escasso para estudar. Ainda não houve alívio no ritmo contrarrelógio, até piorou este ano letivo. Não sei como será o semestre que inicia na próxima semana, mas não perspetivo alívio. Se calhar vai ser assim até terminar. Não vou ter qualquer saudosismo, ao contrário do que aconteceu na primeira experiência.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Mais experiente (para não dizer mais velha, calejada ou madura)
Eis-me há 42 anos a consumir recursos do planeta, a realizar um sem número de sinapses, a procurar ficar em paz, principalmente comigo. Estou cansada, no sentido literal da palavra, praticamente a bater as pestanas superiores nas inferiores, a desejar infinitamente que a opção que tomei ao voltar ao ensino superior, tenha retorno. Preciso que traga frutos, preciso não passar por um novo fiasco. Quero, acima de tudo, evitar colecionar fracassos sucessivos. Se isto também se revelar mais um esforço em vão, não sei como vou continuar a depositar confiança em mim, naquilo que acho que ainda posso fazer de relevante.
Aquele ânimo que sentia na altura em que soube que fiquei com a vaga, está a dar lugar a um conjunto de reflexões acerca de Bolonha, do funcionamento da instituição e da maior dificuldade que estou a enfrentar, que é de simplesmente estudar. Aquilo que mais sinto falta é de ter oportunidade de estudar como acho que devo e como as unidades curriculares merecem. Estou a reformular as minhas expectativas e focada em concluir, à custa das apenas 24 horas do dia, a licenciatura no tempo devido.
Quero ter um trabalho digno, deixar de ser um desenrasque nos momentos de aflição alheia, nunca sabendo se nas horas agendadas para apagar os fogos há desistências de última hora. Não havendo prestação de serviço, não há rendimento. A agenda que até aquele momento tinha um espaço reservado, passa a ter um hiato que poderia ter sido rentabilizado de outra forma, se houvesse o cuidado de avisar previamente da não comparência à marcação combinada. Não se consegue estruturar a vida desta forma. Se quando era mais nova a rotina maçava-me, posso dizer que desde há muito estou saturada do improviso permanente em que o meu quotidiano se tornou, assim como de organizar-me em função das solicitações de última hora, em que sou procurada como solução bem portuguesa do desenrasque. Há imensos setores de atividade que funcionam desta forma, a diferença é que a procura pela minha área é restrita e muito reduzida. Na maior parte das vezes não há uma intenção de continuidade. É meramente tentar conseguir que em uma ou duas horas se faça o milagre de substituir o trabalho que deveria ter sido desenvolvido durante meses e, de preferência, que seja baratinho. Muitas vezes evito pensar também em casos pontuais que apareceram ao longo dos anos, em que fiz préstimos, quando o suposto seria prestar serviços devidamente remunerados.
Acho que o meu feitio está a azedar nalguns aspetos...
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
6 anos de blogue
Apesar de ter sido o ano mais mortiço da minha atividade por aqui, não quero que este espaço desapareça. Desde que me embrenhei na mudança de rumo, cuja fase inicial é bastante preenchida e vai ocupar-me, à partida, ainda mais um ano e meio, será de esperar que farei publicações ocasionais em vez de mais regulares. O que seguirá depois será a confrontação com uma nova vida.
Digamos que este intermezzo de 3 anos está a ser a transição entre o Eu que viveu uma fábula durante uns anos e a pessoa que quer envelhecer com lucidez, autonomia e, se possível, a achar que até valeu a pena cá andar. Uma das expressões que o meu pai mais usava era "quando a vida correr melhor..." e lá ia traçando metas de pequenas coisas que desejava alcançar. Nenhuma chegou a acontecer, porque o tempo dele esgotou-se muito antes. Não partiu em paz, pois considerava que não conseguiu deixar tudo devidamente preparado para nos poupar ao máximo de preocupações de caráter burocrático. Além dessa frustração debateu-se com dúvidas relacionadas com a fé. Questionava-se durante a noite do sentido da existência de um Deus que permitia o sofrimento. O meu pai trabalhava muito, não era uma pessoa de frequentar a igreja nem de manifestar a sua religiosidade, mas todos os anos ia à casa paroquial deixar a sua oferta monetária, além daquilo que dava na altura da Páscoa. Já falei aqui que a criaturinha que lhe fez o funeral mostrou durante toda a cerimónia (e noutros momentos) uma falta de caráter inexplicável. Não bastava todo o sofrimento que sentíamos por perdermos o nosso pai, ainda tivemos de ouvir repetidas vezes, na missa do funeral "Quem morre sem crer em Deus, morre desesperado". Essa foi a barbaridade que mais me marcou entre as inúmeras que ele foi proferindo, sem nunca nos ter visto na vida. Não houve uma palavra de conforto ou sequer um discurso oco inócuo. Em todos os momentos em que ele falava fora do que era ritual de leituras e rezas habituais nas missas, manteve prepotência e maldade, em que me questionei se estava realmente a ouvir bem ou se era apenas impressão minha. No final de tudo, depois de uma crise de asma que tive à saída do cemitério e uma ida à farmácia para ir comprar um inalador, porque me tinha esquecido do meu em Évora (onde estudava), perguntei à minha irmã se ela prestou atenção àquilo que o padre disse na missa. Cheguei à conclusão que não foi impressão minha, e de facto, no tempo todo, a criatura não parou de fazer comentários desagradáveis, sem conhecer a minha família. Se eu sentia revolta por tudo o que estava a viver, o funeral multiplicou o sentimento. Três anos depois deparei-me noutra freguesia com aquele energúmeno e o registo manteve-se, com novos alvos. Dessa vez saí porta fora, que era o que devia ter feito no funeral do meu pai. O que me impediu na altura era que queria protegê-lo (não sei de quê, não havia nada a fazer) e ficar perto dele.
A volta que isto deu num post que deveria ser sobre a minha permanência, ainda que bastante adormecida, na blogosfera. Para mim, que comecei a sofrer de verborreia desde há alguns anos, não me compatibilizo com a fast info que as redes sociais atuais e aplicações de comunicação instantânea preconizam ou daquelas coisas que à moda da Missão Impossível autodestroem-se passadas x horas. Instalei com relutância o WhatsApp no mês de outubro, porque os meus colegas de faculdade dizem que é muito útil. A verdade é que não ponho de parte desinstalar no próximo semestre, porque não lhe vejo ainda grandes vantagens e uso maioritariamente no computador quando tenho de fazer relatórios em grupo ou projetos. Para já não me tem facilitado muito a vida e traz o inconveniente de funcionar apenas ligado à internet, apesar de ser usado o contacto associado à operadora de rede móvel. No meu telemóvel raramente ligo o Wi-Fi ou dados móveis, porque para mim o importante é ter bateria para poder usar para chamadas, SMS e situações de emergência. Uma carga no meu equipamento dura, no mínimo, uma semana sem o desligar durante a noite. O uso de internet no telemóvel suga a bateria de tal forma que deixa de se poder contar com ele quando há uma necessidade premente. Chamem-me de velha que não me interessa. Se um dia precisarem de fazer um contacto urgente e não tiverem bateria, powerbank para desenrascar ou outra forma de realizar uma chamada, porque estiveram a usar o telemóvel para navegar nas ondas cibernéticas, talvez se pense que net no smartphone não faz assim tanta falta. Não me senti tentada a ter conta no Instagram, Twitter e outras redes sociais que eventualmente existem. Tenho conta no Facebook, mas é quase o mesmo que não ter, pois a minha atividade é reduzida. As redes sociais podem ter ajudado a perceber como escrever é importante, mas não trouxeram milagres de escrita, nem maior discernimento para a interpretação de conteúdos. Não consigo avaliar se globalmente trouxeram mais coisas más que boas. Pessoalmente não vejo grandes mais valias, daí o meu desinteresse. A cultura do like e dislike trouxe muita artificialidade aos nossos atos quotidianos e uma falsa ilusão do que é a perfeição. Num blogue não há incentivo ao like, quem tiver paciência para ler só visita se e quando quer. As mensagens não se autodestroem a não ser que o administrador as elimine. À semelhança das outras redes sociais, não se geram milagres da escrita, também se podem expor vidas "perfeitas" e coisas sem interesse nenhum. Considero, contudo, que a procura por esses conteúdos é mais intencional do que se houver um conjunto de páginas reunidas num mesmo espaço em que se leva com um feed de notícias e algoritmos tendenciosos.
Sei que o que escrevo atualmente é algo que se encontra à deriva, deixou de estar direcionado a um tema concreto, ao contrário do que aconteceu desde a sua génese até há pouco mais de dois anos. Paralelamente à infertilidade aconteciam outras coisas que não eram aqui exploradas, o que é perfeitamente normal e nem tudo era pesaroso, felizmente. Deixei de ter um grande fardo, passei a ocupar-me de outros assuntos aos quais acrescem os efeitos colaterais dessa carga que mantive em cima de mim durante muito tempo. Não seria certamente a pessoa que sou atualmente se não tivesse aguentado tudo aquilo. Desencadeou novas fraquezas e outros pontos fortes, transformou-me para sempre e fez-me perder um pouco a curiosidade no que poderá acontecer futuramente. Logo se vê o que virá.
sábado, 11 de dezembro de 2021
Dos linfonodos
Desde que um grupo ligado ao ramo da saúde se apoderou de praticamente todas as clínicas que faziam exames complementares de diagnóstico aqui no norte, qual polvo, para se conseguir marcação de algum exame espera-se uma eternidade. A requisição passada pela médica tinha ecografia às partes moles (clavícula esquerda), esta não é comparticipada e também ecografia mamária, uma vez que os gânglios do lado esquerdo que drenam aquela zona tinham inflamado aquando a segunda dose. Cinco meses passados, seria de esperar que os linfonodos da clavícula deixassem de se sentir, certo? Errado! Ainda aqui estão, uns dias maiores outros mais pequenos, indolores, sobre o osso. Não sei se a origem deles é supra ou subclavicular. Arranjaram morada ali e por lá estão a fazer usucapião.
A data mais rápida que consegui há uns meses foi ontem, em Gondomar, e depois de procurar a clínica sem que nenhuma morada ou coordenada de GPS batesse certo, lá dei com o sítio, com o tradicional perguntar a alguém.
Confirma-se então a presença dos dois gânglios na clavícula esquerda e um gânglio "bónus" intramamário, desse lado. Só me apercebi da existência dele quando o ecógrafo passou por cima e senti bem que ele lá estava. Aparentemente estes ocupantes deslocados não inspiram cuidados adicionais. Em relação à mama direita nada foi dito. Quando em março fiz ecografia mamária e mamografia, foi detetado um gânglio na mama direita e nada na esquerda. Aguardo o relatório e depois volto a consultar a minha médica de família. Desde há umas três semanas, de vez em quando, há um gânglio supraclavicular do lado direito que gosta de mostrar que anda aí. Tenho de estar de olho nele também.
Nestes meses de silêncio, além do trabalho que o curso exige, da gestão do dia-a-dia com várias coisas em simultâneo, tenho andado a controlar as bolinhas que vão aparecendo no meu corpo, tratar de outra coisinha de que falarei daqui a uns tempos e ainda não me livrei totalmente dela e a mais recente, um acidente há quatro dias, em que uma alma distraída ou a olhar para algum ecrã de telemóvel enquanto conduzia, só parou o carro dela quando foi contra a traseira do meu. Tem sido deveras emocionante (sqn).
Anseio pelo dia em que o curso termina e espero verdadeiramente que seja daqui a uns 19 meses. Seguir-se-ão outras etapas, mas sinto uma necessidade enorme de dar um grande salto.
Apesar de 24 horas serem pouco para o que tenho a fazer diariamente, continuo a despender uma parte considerável dos meus pensamentos na tortura passada. É mais um conjunto de devaneios que acumulo, além da morte do meu pai, embora já tenham passado praticamente 19 anos. Tornou-se uma espécie de pacote que faz parte da minha rotina, não acrescenta nada de útil às necessidades diárias, mas cá anda a ocupar-me a mente.
Daqui a um mês e um dia faço 42 anos. Há alturas, contudo, em que parece que parei no tempo, pouco evoluí em vários setores ou até mesmo regredi. Eu não era uma pessoa propriamente sonhadora em relação a planos para o futuro. Não defini uma lista de objetivos como há quem faça. Idealizei poucas coisas e nada do que tem acontecido se assemelha ao que alguma vez imaginei. Tem dias em que me irrita ser adulta, enerva-me ter de tomar decisões, canso-me de mim mesma, questiono o sentido do que faço. Se calhar toda a gente tem um ou outro momento em que sente isto, mas no fundo sou uma privilegiada em muitos aspetos, é nisso que tenho de me focar.
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
Vaniqa - primeiro feedback
Iniciei o tratamento no dia 14 de julho. O aconselhado é fazê-lo duas vezes por dia, num intervalo de 8 horas. Houve algumas situações pontuais em que só fiz uma aplicação diária e durante uma semana (quando fui de férias) não coloquei, porque o uso de máscara, calor e suor na cara não me faziam sentir muito confortável.
Como ainda não começaram as aulas, o meu tempo é praticamente 100% passado em casa, o que facilita a manutenção da rotina.
Tenho a dizer que estou surpreendida com o que está a acontecer. O estado de inflamação reduziu drasticamente, a pinça é usada muito menos vezes e aqueles pelos que estavam a começar a aparecer geograficamente mais expandidos têm-se mantido tímidos. Posso dizer que antes, na zona do queixo a média diária de pelos que removia com a pinça era de cerca de 20 ou até mais. No chamado buço havia alguns residentes que se destacavam dos demais pela sua espessura e agora é pouco habitual darem sinal de vida. Ainda estou cética que no queixo vão desaparecer na totalidade, eles são do Demo, a não ser que fizesse pílula contínua como no ano passado. Como isso não vai acontecer, só com o tempo vou perceber se estou enganada ou não.
Agora para que isto corra sobre rodas é estalar os dedos para que o Covid deixe de ser preocupação, desapareça de vez e se possam largar as máscaras que nos alteram o estado da pele. Já agora vou pedir a S. Pedro para que não nos brinde com dias muuuito quentes, para poder verificar o funcionamento do creme em toda a sua plenitude.
Balanço preliminar: sim senhor, comigo está a mostrar resultados promissores.
Lembro que é necessário receita médica para o adquirir, custa 48 euros e qualquer coisa, se não me engano. Ainda não consigo dizer quanto tempo dura uma embalagem, porque continuo a usar a primeira que comprei. Traz 30 g de creme e se não fosse tão dispendioso, besuntava também a zona pélvica para ver se domava a espécie invasora. Como nada é perfeito nesta vida, se abandonar o tratamento volta tudo ao mesmo ao fim de algumas semanas.
Findo o momento influencer (numa versão foleira, porque não tenho jeito para a coisa e sai-me do bolso), há mais ou menos novidades sobre os linfonodos. Tive teleconsulta com a médica de família. A minha opinião é de que se devem inteiramente à vacina, já ela é mais cautelosa e diz que não perco nada em fazer ecografia. Não lhe tiro a razão. Como tenho de realizar análises no início de novembro para avaliar o colesterol, vou ver se na altura em que as agendar os gânglios continuam iguais. Se sim, marco a ecografia. Caso contrário, faço só as análises que já estavam previstas. Durante este tempo, se eles aumentarem, faço ecografia sem pestanejar. Uma vez que a vacina da gripe vai estar ali pelo meio, para não interferir, mais uma vez, peço para administrar no braço direito, se não isto nunca mais acaba. Se houver uma terceira dose para Covid tenho de estudar a melhor estratégia.
Ontem fiquei a conhecer um outro tipo de dor. Estou com cistite, com tudo a que tenho direito, como disse a médica que me atendeu ontem na urgência.
Tive dor renal e inicialmente confundi com uma lombalgia que estava a parecer cada vez mais sinistra. É muito estranho nenhuma posição na cama trazer algum conforto ou alívio e foi assim que acordei às 6h da manhã de ontem, pouco tempo depois do céu ter aberto as goelas com uma trovoada como já não me recordava. Passei o dia com dores persistentes no fundo das costas, no entanto só ao fim da tarde é que percebi que não era na coluna mas sim um pouco deslocada para o lado esquerdo. Intrigava-me ter surgido repentinamente, porque a minha experiência em lombalgias é de um aumento progressivo ao longo dos dias e encontrava sempre uma determinada posição que me trazia algum alívio. Desta vez não. Troquei de colchão e almofada há poucas semanas e depois de ter acordado daquela forma estava desanimada, a pensar que o colchão novo estava a ficar insuportável como o anterior.
Fiz mais tarde a associação a rim, sem grande certeza, porque sábado passado comecei a ter sintomas de infeção urinária e esse foi o dia mais complicado. Mantive boa hidratação nos dias seguintes para ver se passava e pensava que a situação estava a reverter. Afinal os rins já estavam com complicações. Isto foi uma lição para mim e vou levar a sério futuras infeções urinárias, porque está visto que pode vir a correr mal a abordagem mais tradicional da ingestão da água.
Levei uma injeção de Voltaren e estou a fazer antibiótico. As dores não regressaram para já, o que é maravilhoso.
Esta experiência foi uma nova aprendizagem para conhecer mais um pouco o comportamento do meu corpo.
domingo, 29 de agosto de 2021
Dois "amiguinhos"
Os dois moradores da clavícula continuam por cá. Um é maior que o outro. Os axilares devem ter regredido e normalizado, no entanto é mais difícil de perceber. Nesta semana que inicia tenho uma consulta com a médica de família para definir a próxima etapa. Dia 31 faz um mês que fiz a segunda dose, no entanto eles já cá andam, pelo menos, desde o dia 10 de julho.
Continuo a achar que é tão somente o meu corpo a desenvolver resposta imunitária fomentada pela vacina, mas não posso desprezar a lentidão em torno do desaparecimento.
Li um artigo relacionado com isto, relacionado com a vacina da Pfizer, e a conclusão a que se chegou é que a vacina foi administrada acima do que seria mais indicado, podendo desenvolver também dor no ombro. Esse foi outro efeito colateral que senti.
O surgimento de linfonodos axilares é menos frequente que os claviculares e saíram-me as duas situações na rifa.
Desejo infinitamente que não passe disso, porque as outras possibilidades não são nada boas e enquadram-se na minha idade.