Chegou o último fim de semana que antecede o beta. A ausência de sinais fisiológicos permanece. Estou curiosa para saber o que isto significa. A rotina medicamentosa está completamente entranhada e pode permanecer por muitas semanas, que não me importo nada.
Estou a entrar nos 6 anos e 8 meses de luta. Fala-se na crise dos 7 anos nas relações dos casais. Neste caso, os 7 anos de frente a frente com esta doença maldita, serão o fim desta guerra em que vou erguer a bandeira branca.
Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
domingo, 1 de julho de 2018
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Dia 8 - TEC 6
Está a ser muito estranho descrever a evolução desta TEC. Os dias, no que toca a este assunto, são recheados de uma total neutralidade. Hoje não foi exceção. Começo até a sentir-me constrangida de vir cá dar "novidades". Estou mal habituada pelas experiências anteriores. Parece que estou sempre a bater na mesma tecla mas a maior surpresa até agora desta TEC é a sensação de que não fiz nada há uma semana. Estive, contudo, completamente consciente a ver o catéter a chegar ao endométrio no qual foi depositado o líquido onde se encontrava o embrião. A bióloga verificou como sempre, no final, se havia algo na cânula. Pergunto-me se aquelas pontadas fortíssimas que sentira nas transferências anteriores eram fruto de excesso de Estrofem. Até nos negativos era invadida por essas dores.
A contagem decrescente vai começar. O tempo está a andar a passo de caracol mas uma semana já lá vai.
A contagem decrescente vai começar. O tempo está a andar a passo de caracol mas uma semana já lá vai.
quinta-feira, 28 de junho de 2018
Dia 7 - TEC 6
Novo dia, nada novo. Vou-me entupindo de medicação, apenas. Se a magia aconteceu começa a ser altura da hormona beta-hCG invadir o corpito. Nas duas últimas vezes comecei a ter perdas no dia 9 e resultado positivo. Devia ser o famoso sangramento de nidação.
Daqui a uma semana, por esta hora, já estarão dadas as novidades relativamente ao veredito da primeira TEC desta FIV. Sei que não devo comparar as minhas experiências anteriores, porque este universo infértil não tem nada de uniforme. Somos movidas, contudo, por aquela busca de conforto, por algo familiar, pelo refugiar num mecanismo de defesa que não faz rigorosamente nada, porque sofre-se sempre. Se calhar era muito mais fácil se fosse como aqueles testes académicos feitos a computador em que, quando acaba o tempo definido para a sua realização, sabe-se automaticamente se se está aprovado ou reprovado. Fazia-se a TEC e o resultado saía na hora. A realidade não é assim. Aquelas duas pequenas personagens que gostam de pairar, junto a cada ombro, a sussurrar aos nossos ouvidos, vão minando o cérebro ora com frases motivadoras, ora com escárnio, toldando a clarividência. O meu marido não é nada assim e às vezes isso enerva-me. Ele é que age bem, não eu.
Daqui a uma semana, por esta hora, já estarão dadas as novidades relativamente ao veredito da primeira TEC desta FIV. Sei que não devo comparar as minhas experiências anteriores, porque este universo infértil não tem nada de uniforme. Somos movidas, contudo, por aquela busca de conforto, por algo familiar, pelo refugiar num mecanismo de defesa que não faz rigorosamente nada, porque sofre-se sempre. Se calhar era muito mais fácil se fosse como aqueles testes académicos feitos a computador em que, quando acaba o tempo definido para a sua realização, sabe-se automaticamente se se está aprovado ou reprovado. Fazia-se a TEC e o resultado saía na hora. A realidade não é assim. Aquelas duas pequenas personagens que gostam de pairar, junto a cada ombro, a sussurrar aos nossos ouvidos, vão minando o cérebro ora com frases motivadoras, ora com escárnio, toldando a clarividência. O meu marido não é nada assim e às vezes isso enerva-me. Ele é que age bem, não eu.
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Dia 6 - TEC 6
Se em outras ocasiões começava a ter pontadas na barriga, com positivos ou não, desta vez não sinto rigorosamente nada. Isto leva-me a perspetivar um grande negativo. Outra hipótese é os dois comprimidos de Estrofem, em vez de três, estarem a ditar esta diferença relativamente a todas as outras TEC. Mesmo que não resulte pretendo continuar a tentar um embrião de cada vez.
Quero manter-me otimista mas começa a ser difícil. Antevejo que a mudança que queria fazer a uma área da minha vida, que tenho vindo a prejudicar, não vai acontecer para que consiga manter-me disponível para novas transferências. Tenho de pensar que em mais ou menos um ano este assunto da infertilidade fica arrumado definitivamente e depois sim, poderei dedicar-me a outros projetos.
Quero manter-me otimista mas começa a ser difícil. Antevejo que a mudança que queria fazer a uma área da minha vida, que tenho vindo a prejudicar, não vai acontecer para que consiga manter-me disponível para novas transferências. Tenho de pensar que em mais ou menos um ano este assunto da infertilidade fica arrumado definitivamente e depois sim, poderei dedicar-me a outros projetos.
terça-feira, 26 de junho de 2018
Dia 5 - TEC 6
Os efeitos da medicação ainda não se fazem sentir. Não tarda muito, o meu estado insuflado, ao nível da poitrine, será ainda mais gigantesco do que aquilo que normalmente é, fruto do Progeffik. No que diz respeito à minha amiga gastrite, que me acompanha sempre nas TEC, desta vez ainda não deu sinais. Associo essa alteração à redução dos comprimidos de Estrofem ou, quem sabe, estou mais calma.
Lembrei-me há pouco que na folha onde as médicas registam a informação da transferência, ao contrário das outras 5 vezes em que indicavam a SOP como causa desta coisa do demo, agora assinalam infertilidade inexplicada. De facto, face ao que aconteceu nos últimos 2 anos, estou realmente naquele limbo da estranheza, do desconhecido. É um género de purgatório da infertilidade em que poderei ficar eternamente.
Veio-me agora também à mente que há exatamente 8 meses, quando nos casámos, estava um dia de outono maravilhoso que mais parecia verão. Hoje estiveram 20°C e um vento fresco que não abonam a favor da suposta época em que nos encontramos.
Lembrei-me há pouco que na folha onde as médicas registam a informação da transferência, ao contrário das outras 5 vezes em que indicavam a SOP como causa desta coisa do demo, agora assinalam infertilidade inexplicada. De facto, face ao que aconteceu nos últimos 2 anos, estou realmente naquele limbo da estranheza, do desconhecido. É um género de purgatório da infertilidade em que poderei ficar eternamente.
Veio-me agora também à mente que há exatamente 8 meses, quando nos casámos, estava um dia de outono maravilhoso que mais parecia verão. Hoje estiveram 20°C e um vento fresco que não abonam a favor da suposta época em que nos encontramos.
segunda-feira, 25 de junho de 2018
Dia 4 - TEC 6
Mais 24 horas passaram. Não me ocorrem ainda pensamentos derrotistas, mas também não perco muito tempo a refletir sobre o que poderá estar a acontecer cá dentro.
Faltam 10 dias para saber o que me reserva o futuro ou não, como é costume. Sei que, se engravidar, as fatídicas 6 semanas vão coincidir exatamente com a altura em que estarei numa ilha no Atlântico. É, tradicionalmente uma época traumática para mim em que também se realiza a ecografia na qual se tem vislumbrado o nada. Bem, o melhor é afastar-me de ideias malucas e viver minuto a minuto.
Estou a tentar definir um pouco a minha vida quando terminar o verão, tudo depende desta TEC. It sucks!
Faltam 10 dias para saber o que me reserva o futuro ou não, como é costume. Sei que, se engravidar, as fatídicas 6 semanas vão coincidir exatamente com a altura em que estarei numa ilha no Atlântico. É, tradicionalmente uma época traumática para mim em que também se realiza a ecografia na qual se tem vislumbrado o nada. Bem, o melhor é afastar-me de ideias malucas e viver minuto a minuto.
Estou a tentar definir um pouco a minha vida quando terminar o verão, tudo depende desta TEC. It sucks!
domingo, 24 de junho de 2018
Dia 3 - TEC 6
Hoje é dia de aniversário do paizinho da minha filhota (enteada), da minha menina peluda longa de comprimento e de bigodaça e dos 28 mini-nós que fecundaram. Apesar da data, ele não se chama João.
Se não tivesse de me lembrar dos horários de medicação e de fazer alguns ajustes alimentares, passaria despercebido que fiz uma transferência.
Apesar de ontem não ter cometido qualquer excesso alimentar, de há uns dois anos para cá noto que o meu estômago não tem a mesma tolerância de antes. Quando algo foge um pouco à regra no tipo de alimento ingerido, no dia seguinte sinto-me nauseada. A esta hora permaneço nesse estado, contudo tenho a esperança de amanhã já estar normal. Sardinha assada à noite começa a tornar-se pouco recomendável.
Segunda é dia de regresso ao trabalho. Foi bom a TEC ter sido numa sexta para desanuviar a cabeça. Se tudo continuar sobre rodas, os próximos dias serão cruciais. Vendo bem as coisas cada fração de segundo é crucial. Da ventura ao descalabro não é preciso mais que um momento para que algo significativo aconteça. Para não estar permanentemente a pensar nisso o melhor é arranjar formas de manter a mente afastada, o que é difícil quando se tem de fazer medicação a cada 8 horas.
Se não tivesse de me lembrar dos horários de medicação e de fazer alguns ajustes alimentares, passaria despercebido que fiz uma transferência.
Apesar de ontem não ter cometido qualquer excesso alimentar, de há uns dois anos para cá noto que o meu estômago não tem a mesma tolerância de antes. Quando algo foge um pouco à regra no tipo de alimento ingerido, no dia seguinte sinto-me nauseada. A esta hora permaneço nesse estado, contudo tenho a esperança de amanhã já estar normal. Sardinha assada à noite começa a tornar-se pouco recomendável.
Segunda é dia de regresso ao trabalho. Foi bom a TEC ter sido numa sexta para desanuviar a cabeça. Se tudo continuar sobre rodas, os próximos dias serão cruciais. Vendo bem as coisas cada fração de segundo é crucial. Da ventura ao descalabro não é preciso mais que um momento para que algo significativo aconteça. Para não estar permanentemente a pensar nisso o melhor é arranjar formas de manter a mente afastada, o que é difícil quando se tem de fazer medicação a cada 8 horas.
Dia 2 - TEC 6
Foi noite de S. João aqui no norte. O meu marido proibiu-me de realizar qualquer atividade. Ao menos pude tratar da saúde das sardinhas que tão bem me souberam. Coube-me a tarefa de aprovar a quantidade de pimento assado que ele podia comer para que a noite corresse bem. Num balão depositei os pensamentos nas minhas pequenas luzinhas que cedo se extinguiram. Noutro foquei-me no mini-nós que poderá ainda estar a lutar no duro ambiente que tem de enfrentar. Foi um dia feliz, num ambiente caloroso.
sexta-feira, 22 de junho de 2018
TEC 6
Eu e o meu pequeno estamos recolhidos em casa. A bexiga estava vazia, apesar de ter bebido quase 1 litro de água, mas viu-se bem o endométrio e o catéter. Fomos depois almoçar ao shopping aqui perto de casa e demos uma voltinha muito calma.
The chosen one é topo de gama, não perdeu uma única célula. Perguntei se era resultante da FIV ou ICSI e a bióloga disse que era da FIV. Preferiu assim por não ter sofrido qualquer manipulação. Acredita que um dia vai aparecer o certo.
Fui esperançosa, na sala havia um rádio ligado e foi a primeira vez que fiz uma transferência com direito a música. Transmitiu-me paz e a ideia que pode ser que alguma vez corra bem. Quem fez o procedimento foi a Diretora por quem tenho uma grande estima. Em jeito de brincadeira meteu-se comigo a dizer que eu deveria ter bebido cerveja, pois assim a bexiga enchia instantaneamente. Ela estava mesmo bem disposta e comentava com as estagiárias que o meu cadastro lá já é grande. Antes de vir embora, a técnica administrativa aconselhou-me a cheirar os dois manjericos que estão na receção para dar sorte e cumpri à risca para que o mini-nós fique completamente imbuído das energias positivas que toda a gente me transmitiu hoje.
5 de julho será o dia da verdade desta TEC. Vou manter-me fiel ao conhecimento da realidade apenas nessa data. Quem espera há quase 7 anos por um dia mágico aguenta bem pelo resultado do beta.
The chosen one é topo de gama, não perdeu uma única célula. Perguntei se era resultante da FIV ou ICSI e a bióloga disse que era da FIV. Preferiu assim por não ter sofrido qualquer manipulação. Acredita que um dia vai aparecer o certo.
Fui esperançosa, na sala havia um rádio ligado e foi a primeira vez que fiz uma transferência com direito a música. Transmitiu-me paz e a ideia que pode ser que alguma vez corra bem. Quem fez o procedimento foi a Diretora por quem tenho uma grande estima. Em jeito de brincadeira meteu-se comigo a dizer que eu deveria ter bebido cerveja, pois assim a bexiga enchia instantaneamente. Ela estava mesmo bem disposta e comentava com as estagiárias que o meu cadastro lá já é grande. Antes de vir embora, a técnica administrativa aconselhou-me a cheirar os dois manjericos que estão na receção para dar sorte e cumpri à risca para que o mini-nós fique completamente imbuído das energias positivas que toda a gente me transmitiu hoje.
5 de julho será o dia da verdade desta TEC. Vou manter-me fiel ao conhecimento da realidade apenas nessa data. Quem espera há quase 7 anos por um dia mágico aguenta bem pelo resultado do beta.
terça-feira, 19 de junho de 2018
TEC 6 agendada
Foi dia de ecografia e confirmou-se novamente que o meu endométrio responde bem ao Estrofem. Para variar estava com uns esbeltos 9,2 mm. Na próxima sexta vou então receber o meu embrião proveniente da magia biológica mais recente, com ADN mais maduro e experiente. Há um misto de expectativa e pessimismo, sentimentos antagónicos característicos deste processo. É a sexta vez que passo por isto, se houver descongelamento favorável. Será o décimo primeiro inquilino que vai passar por cá. Espero que não lhe dê ordem de despejo fora do tempo.
Uma das médicas estagiárias estava a procurar no meio de toda a papelada que recheia o meu processo o consentimento desta TEC, para confirmar se já estava assinado e o número de embriões a transferir. Eu disse que desta vez a aposta era apenas num e a Diretora comentou "fazem bem". Ao contrário das outras vezes em que, a partir desta fase, passava a tomar 3 comprimidos diários de Estrofem, desta vez mantenho dois, porque o endométrio cresce bem. O Progeffik foi introduzido esta tarde, com periodicidade a cada 8 horas.
Dizem que à terceira é de vez. Quem sabe não é ao dobro da terceira?
Sexta à tarde ficarei de papo para o ar e sábado é noite de S. João. Vou estar sossegadinha a degustar sardine on carvon, sem loucuras (é o meu estado normal) e domingo é aniversário do pai da criança. Este dia será igualmente zen, até porque não sei como lhe vai cair o jantar da noite anterior. Os pimentos e azeitonas são um problema quando ele se lembra que gosta muito. Os meus avisos constantes caem muitas vezes em saco roto.
Estou em falta com as minhas estimadas leitoras e companheiras de luta. A partir de quinta estarei mais disponível para passar um tempinho por cá.
Uma das médicas estagiárias estava a procurar no meio de toda a papelada que recheia o meu processo o consentimento desta TEC, para confirmar se já estava assinado e o número de embriões a transferir. Eu disse que desta vez a aposta era apenas num e a Diretora comentou "fazem bem". Ao contrário das outras vezes em que, a partir desta fase, passava a tomar 3 comprimidos diários de Estrofem, desta vez mantenho dois, porque o endométrio cresce bem. O Progeffik foi introduzido esta tarde, com periodicidade a cada 8 horas.
Dizem que à terceira é de vez. Quem sabe não é ao dobro da terceira?
Sexta à tarde ficarei de papo para o ar e sábado é noite de S. João. Vou estar sossegadinha a degustar sardine on carvon, sem loucuras (é o meu estado normal) e domingo é aniversário do pai da criança. Este dia será igualmente zen, até porque não sei como lhe vai cair o jantar da noite anterior. Os pimentos e azeitonas são um problema quando ele se lembra que gosta muito. Os meus avisos constantes caem muitas vezes em saco roto.
Estou em falta com as minhas estimadas leitoras e companheiras de luta. A partir de quinta estarei mais disponível para passar um tempinho por cá.
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Ao ataque!
Não menstruei após o Decapeptyl, como é costume. Fiz ecografia esta manhã, o endométrio estava linear, prontinho a receber o Estrofem. Recomecei os dois comprimidos diários, volto ao Cartia e a dúvida das médicas era em relação ao Lepicortinolo. Há casos em que traz vantagens, noutros tem um efeito contrário ao pretendido. Elas receiam que eu seja desses casos. Quando disse que foi na TEC do corticoide que se viu um saquinho sem qualquer dúvida, a médica decidiu arriscar novamente no Lepicortinolo. Falei outra vez no Lovenox e, para já, não acham que possa trazer benefícios. Na próxima terça-feira volto a fazer ecografia.
Mais um ano letivo finda e agora é altura de tratar da preparação de alunos para o exame nacional. O horário de trabalho está organizado de outra forma e estou fisicamente cansada. Ando muito absorvida nesta missão mas neles acresce o sentimento de responsabilidade e o medo de bloquearem em algo tão determinante na definição das suas escolhas. Daqui a uma semana será o famigerado exame de 11° ano. A partir daí estarei mais disponível para passar cá mais vezes e arrebitar um pouco a atividade escrita.
Mais um ano letivo finda e agora é altura de tratar da preparação de alunos para o exame nacional. O horário de trabalho está organizado de outra forma e estou fisicamente cansada. Ando muito absorvida nesta missão mas neles acresce o sentimento de responsabilidade e o medo de bloquearem em algo tão determinante na definição das suas escolhas. Daqui a uma semana será o famigerado exame de 11° ano. A partir daí estarei mais disponível para passar cá mais vezes e arrebitar um pouco a atividade escrita.
quarta-feira, 30 de maio de 2018
Em modo pré-TEC 6
Ovários normalizados, é chegada a hora de preparar o ciclo da TEC 6 ou TEC 1.2. Vai ficar a designação TEC 6 para facilitar a leitura. A minha nádega está a queixar-se do Decapeptyl, aquele que tem efeito de redundância nos meus ovários naturalmente bloqueados. Os próximos dias serão passados em diferentes estados desagradáveis. Assumo com todas as letras: NÃO GOSTO DO DECAPEPTYL 3,75! Tenho direito a manifestar-me.
Face ao meu passado com o dito injetável quis saber o plano B se, à semelhança das duas vezes em que fui submetida a este protocolo, não menstruar. O plano A, partindo do pressuposto que a hemorragia de privação surge, consiste em iniciar dois comprimidos diários de Estrofem e ao nono dia do ciclo fazer ecografia. Se num prazo de 10 a 15 dias não houver alerta vermelho, entrarei em contacto com o hospital e agendar-se-á ecografia. Supondo que os ovários estejam devidamente bloqueados e o endométrio fino, iniciarei o Estrofem. Nada foi adiantado em relação à segunda parte do protocolo, que é a que me preocupa mais.
O consentimento para o descongelamento de 1 embrião está assinado. Prevejo que a TEC vá acontecer perto do S. João. Vai haver tripla influência do S. João nesta transferência: a época, o nome do hospital e o pai da criança que faz anos no dia do Santo que tem um cordeiro no colo. A fórmula mágica vai estar nesse triângulo, tenho dito!
A realidade é que o meu nível de confiança está neutro. Elas mandam (as médicas), eu cumpro.
Há mais de duas semanas que tenho enxaquecas diariamente a chatear-me. Não sei se é do efeito primavera que me altera o equilíbrio físico, deste tempo estúpido que não estabiliza ou a visão. Segunda-feira vou ao oftalmologista ver se a idade anda a deixar marcas nos olhinhos.
Face ao meu passado com o dito injetável quis saber o plano B se, à semelhança das duas vezes em que fui submetida a este protocolo, não menstruar. O plano A, partindo do pressuposto que a hemorragia de privação surge, consiste em iniciar dois comprimidos diários de Estrofem e ao nono dia do ciclo fazer ecografia. Se num prazo de 10 a 15 dias não houver alerta vermelho, entrarei em contacto com o hospital e agendar-se-á ecografia. Supondo que os ovários estejam devidamente bloqueados e o endométrio fino, iniciarei o Estrofem. Nada foi adiantado em relação à segunda parte do protocolo, que é a que me preocupa mais.
O consentimento para o descongelamento de 1 embrião está assinado. Prevejo que a TEC vá acontecer perto do S. João. Vai haver tripla influência do S. João nesta transferência: a época, o nome do hospital e o pai da criança que faz anos no dia do Santo que tem um cordeiro no colo. A fórmula mágica vai estar nesse triângulo, tenho dito!
A realidade é que o meu nível de confiança está neutro. Elas mandam (as médicas), eu cumpro.
Há mais de duas semanas que tenho enxaquecas diariamente a chatear-me. Não sei se é do efeito primavera que me altera o equilíbrio físico, deste tempo estúpido que não estabiliza ou a visão. Segunda-feira vou ao oftalmologista ver se a idade anda a deixar marcas nos olhinhos.
segunda-feira, 14 de maio de 2018
Nervoso miudinho
Na noite da passada sexta-feira veio a senhora M. Sem piedade, abundante e alguma dor à mistura. Comuniquei o evento esta manhã, como fora combinado, e a ecografia foi agendada para dia 30, às 10h, 21° dia do ciclo. Quando me foi dito que o meu marido devia ir, fiquei surpresa. Ora, se os ovários estiverem restabelecidos, iremos assinar o consentimento para fazer TEC. Não estava à espera que fosse já! Fui invadida por um medo e pensei logo se podia interferir com as férias que tenho marcadas desde o início do ano. À partida não. Mesmo que engravide, as 6 semanas críticas onde tudo corre mal terão já passado. Não poderei dizer o mesmo das 8 semanas que também causaram problemas na segunda gravidez. O segundo pensamento foi dedicado à medicação. Embora só me vá ausentar 4 dias, numa primeira fase, se usar Lovenox vou ter de pedir uma declaração para mostrar no aeroporto e andar com seringas, ampolas, além de não esquecer o Progeffik a cada 8 horas e toda a parafernália de outras coisas que vou tomar.
Também importante: pensos, dos gigantes. Seria tão bom não ter de pensar nisso mas é inevitável.
Estarei isenta desse tipo de preocupações se o resultado for negativo ou nenhum embrião tiver descongelado bem, mas triste por ter perdido uma oportunidade de mudar o destino.
Também importante: pensos, dos gigantes. Seria tão bom não ter de pensar nisso mas é inevitável.
Estarei isenta desse tipo de preocupações se o resultado for negativo ou nenhum embrião tiver descongelado bem, mas triste por ter perdido uma oportunidade de mudar o destino.
domingo, 6 de maio de 2018
Balanço gelado
Hoje, dia da Mãe, recebi notícias.
O balanço final é de 4 mini-nós criopreservados ao terceiro dia, a iniciar a compactação. Segundo a bióloga são mesmo muito bons. Os restantes permaneceram em cultura até D5 mas não apresentaram qualidade suficiente para serem congelados. Os 4 resistentes destacaram-se, sem qualquer dúvida, em relação aos restantes 11. Perguntei o motivo de ser realizada microinjeção em alguns. Como viram o meu historial de insucesso, acharam que a ICSI poderia trazer benefícios na qualidade dos embriões, dado que na última vez resultaram todos de FIV. No quarteto há 2 mini-nós fruto da FIV (um classe A e outro classe B) e os outros 2 resultaram da ICSI e são classe A. Verificaram também que em relação ao resultado do espermograma que o meu marido realizou (há 5 anos), os valores atuais encontram-se no limite do necessário para que haja taxa de sucesso. A bióloga é da opinião que ainda não terá condicionado a fecundação.
Estou entusiasmada e preocupada ao mesmo tempo. Apesar da minha determinação em transferir um embrião de cada vez, penso sempre no que poderá acontecer ao proceder à descongelação. O fim está mesmo próximo e tenho de me mentalizar que pode ocorrer a situação de não haver sequer uma TEC daqui a uns 3 meses. No máximo, em aproximadamente um ano, termina este tormento. Doravante cada etapa pode ser a última oportunidade. É assustador perceber isso, por outro lado aproximo-me do ponto em que digo "acabou a tortura".
Aproveito muitas vezes o sossego da noite para pensar, pensar, pensar e hoje não foi exceção. Refleti sobre como será a dinâmica cá em casa, daqui a um ano. Imagino que poderão ser alteradas algumas coisas na casa que comprámos a pensar na possibilidade da nossa família alargar. À medida que os filmes vão passando há sempre uma vozinha irritante a dizer que sou uma parva, porque não vai ser preciso fazer nada. Que esta FIV/ICSI é só para me dar mais uma lição que eu não tenho direito a ser Mãe. Que andei a perder anos de sanidade mental e a transfigurar-me apenas por uma ideia. Que pensarei sempre em como seriam os filhos que perdi e questionarei se teria capacidade para os ajudar a serem íntegros e felizes. Que houve magia 28 vezes no ambiente estéril de um laboratório só para me magoar, porque não me era destinada a maternidade. Como odeio essa vozinha!
Perdoem-me mas não consigo pronunciar-me sobre a efeméride. É melindroso fazê-lo sem magoar alguém. Um conselho para quem está no mesmo barco que eu e queira que as horas passem a voar para que chegue o dia de amanhã: desliguem-se das redes sociais e dos meios de comunicação, em geral. Esqueçam este blogue por hoje.
O balanço final é de 4 mini-nós criopreservados ao terceiro dia, a iniciar a compactação. Segundo a bióloga são mesmo muito bons. Os restantes permaneceram em cultura até D5 mas não apresentaram qualidade suficiente para serem congelados. Os 4 resistentes destacaram-se, sem qualquer dúvida, em relação aos restantes 11. Perguntei o motivo de ser realizada microinjeção em alguns. Como viram o meu historial de insucesso, acharam que a ICSI poderia trazer benefícios na qualidade dos embriões, dado que na última vez resultaram todos de FIV. No quarteto há 2 mini-nós fruto da FIV (um classe A e outro classe B) e os outros 2 resultaram da ICSI e são classe A. Verificaram também que em relação ao resultado do espermograma que o meu marido realizou (há 5 anos), os valores atuais encontram-se no limite do necessário para que haja taxa de sucesso. A bióloga é da opinião que ainda não terá condicionado a fecundação.
Estou entusiasmada e preocupada ao mesmo tempo. Apesar da minha determinação em transferir um embrião de cada vez, penso sempre no que poderá acontecer ao proceder à descongelação. O fim está mesmo próximo e tenho de me mentalizar que pode ocorrer a situação de não haver sequer uma TEC daqui a uns 3 meses. No máximo, em aproximadamente um ano, termina este tormento. Doravante cada etapa pode ser a última oportunidade. É assustador perceber isso, por outro lado aproximo-me do ponto em que digo "acabou a tortura".
Aproveito muitas vezes o sossego da noite para pensar, pensar, pensar e hoje não foi exceção. Refleti sobre como será a dinâmica cá em casa, daqui a um ano. Imagino que poderão ser alteradas algumas coisas na casa que comprámos a pensar na possibilidade da nossa família alargar. À medida que os filmes vão passando há sempre uma vozinha irritante a dizer que sou uma parva, porque não vai ser preciso fazer nada. Que esta FIV/ICSI é só para me dar mais uma lição que eu não tenho direito a ser Mãe. Que andei a perder anos de sanidade mental e a transfigurar-me apenas por uma ideia. Que pensarei sempre em como seriam os filhos que perdi e questionarei se teria capacidade para os ajudar a serem íntegros e felizes. Que houve magia 28 vezes no ambiente estéril de um laboratório só para me magoar, porque não me era destinada a maternidade. Como odeio essa vozinha!
Perdoem-me mas não consigo pronunciar-me sobre a efeméride. É melindroso fazê-lo sem magoar alguém. Um conselho para quem está no mesmo barco que eu e queira que as horas passem a voar para que chegue o dia de amanhã: desliguem-se das redes sociais e dos meios de comunicação, em geral. Esqueçam este blogue por hoje.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Novidades? Há no Continente...
O título define o meu grau de conhecimento acerca dos mini-nós que ousaram dar alguma esperança. Aquilo que contei no post anterior é a informação mais recente que tenho. Não, ninguém me disse absolutamente mais nada. O telemóvel não tocou ontem, nem hoje. Liguei para o hospital mas o resultado foi o de grande parte das vezes, ou seja, não consegui que a chamada fosse atendida. Estou a estranhar este silêncio. É costume haver informação acerca dos embriões congelados ao terceiro dia e se ficam ainda alguns em cultura, dizem ao 6° ou 7° dia o resultado final. Será que decidiram deixar os embriões desenvolver até aos 5 dias? Não é habitual fazerem isso lá. Sei que são muitos mas estou em completa ignorância neste momento e possivelmente vou continuar assim até segunda.
Quanto ao meu corpito, acho que a recuperação está a ser mais rápida. Acredito que no início da próxima semana já esteja bem. O inchaço na barriga vai demorar mais tempo mas o facto de o intestino estar a trabalhar deixa-me deveras feliz. Pode ter sido o Dostinex que me causou obstipação durante quase duas semanas. Desta vez não o estou a tomar.
Fazendo uma comparação entre as duas FIV, a primeira foi mais incomodativa no pré-punção. A partir da punção esta foi pior nos dois primeiros dias.
Quanto ao meu corpito, acho que a recuperação está a ser mais rápida. Acredito que no início da próxima semana já esteja bem. O inchaço na barriga vai demorar mais tempo mas o facto de o intestino estar a trabalhar deixa-me deveras feliz. Pode ter sido o Dostinex que me causou obstipação durante quase duas semanas. Desta vez não o estou a tomar.
Fazendo uma comparação entre as duas FIV, a primeira foi mais incomodativa no pré-punção. A partir da punção esta foi pior nos dois primeiros dias.
terça-feira, 1 de maio de 2018
Fecundação
Soube há pouco novidades acerca das pequeninas vidas que se geraram desde o inferno que passei ontem e que ainda está ativo.
Dos 28 oócitos maduros recolhidos, 5 foram microinjetados e os restantes deixados autonomamente a trabalhar juntamente com os espermatozóides do maridão. O balanço, para já, é de 15 mini-nós a lutarem para se manter firmes e saudáveis até ao 3° dia e serem posteriormente colocados no fresco do azoto. Estou feliz por haver embriões, no entanto a quantidade perdeu significado depois de tudo o que aconteceu.
Esta punção bateu a anterior no que diz respeito a sofrimento. O dia de ontem foi muito difícil. Além de toda a dor que invadiu o meu corpo desde as costelas à pélvis, estou pisada no maxilar, dos dois lados, nas extremidades próximas dos lóbulos das orelhas. Parece que fui esmurrada de cada lado. A cor da pele está normal, não há inchaço, mas mal toco lá, que dores! Durante parte da noite tive de manter o tórax elevado com uma almofada adicional, porque tinha dificuldade a respirar. Era difícil permanecer na vertical. Por três vezes tive vontade de espirrar. Felizmente as tentativas falharam, pois o ato de encher o peito de ar para expulsar os espirros deram para antever a violência que se ia gerar nas entranhas. Hoje estou ligeiramente melhor mas longe de me sentir em condições para fazer uma vida normal. Continuo de repouso na cama, quietinha, é onde me sinto melhor.
É dia de aniversário para mim e o meu marido. Só há pouco é que me lembrei disso. Há 9 anos não imaginava que fosse estar assim neste dia. Estou a sofrer, mais uma vez, para lá do limite do razoável, a pensar que muito provavelmente este sacrifício não vai ser compensado. Ando a penar há anos por uma ideia que se calhar não passará disso. Tratar a infertilidade para mim dói a todos os níveis.
Dos 28 oócitos maduros recolhidos, 5 foram microinjetados e os restantes deixados autonomamente a trabalhar juntamente com os espermatozóides do maridão. O balanço, para já, é de 15 mini-nós a lutarem para se manter firmes e saudáveis até ao 3° dia e serem posteriormente colocados no fresco do azoto. Estou feliz por haver embriões, no entanto a quantidade perdeu significado depois de tudo o que aconteceu.
Esta punção bateu a anterior no que diz respeito a sofrimento. O dia de ontem foi muito difícil. Além de toda a dor que invadiu o meu corpo desde as costelas à pélvis, estou pisada no maxilar, dos dois lados, nas extremidades próximas dos lóbulos das orelhas. Parece que fui esmurrada de cada lado. A cor da pele está normal, não há inchaço, mas mal toco lá, que dores! Durante parte da noite tive de manter o tórax elevado com uma almofada adicional, porque tinha dificuldade a respirar. Era difícil permanecer na vertical. Por três vezes tive vontade de espirrar. Felizmente as tentativas falharam, pois o ato de encher o peito de ar para expulsar os espirros deram para antever a violência que se ia gerar nas entranhas. Hoje estou ligeiramente melhor mas longe de me sentir em condições para fazer uma vida normal. Continuo de repouso na cama, quietinha, é onde me sinto melhor.
É dia de aniversário para mim e o meu marido. Só há pouco é que me lembrei disso. Há 9 anos não imaginava que fosse estar assim neste dia. Estou a sofrer, mais uma vez, para lá do limite do razoável, a pensar que muito provavelmente este sacrifício não vai ser compensado. Ando a penar há anos por uma ideia que se calhar não passará disso. Tratar a infertilidade para mim dói a todos os níveis.
segunda-feira, 30 de abril de 2018
FIV 2 - Punção
Que tortura esta! Não sou fã deste ato médico. Tenho a perceção que enquanto ainda dormia as dores tomavam conta de mim. Acordar para a realidade foi mau, muito mau. Como dói! Mais uma vez foram precisas duas doses de paracetamol para melhorar. Das costelas para cima e das pernas para baixo estou porreira. O que resta entre essas duas áreas, ui, ai, quero a minha mãe! Ovários dum raio, mal me consigo manter na vertical.
Esta máquina de pipocas que aqui vos escreve está assim, porque 28 folículos foram aspirados. Sim, 28! Não sei o balanço das outras 4 punções feitas lá hoje, mas as biólogas são capazes de ter algum trabalho nos próximos dias.
Neste momento em que me encontro nas palhas deitada, a minha barriga parece um peixe-balão em volume e rigidez. Devia ter folículos até às costelas, pois mesmo aí tenho dor.
Desta vez não me receitaram Dostinex. Dizem que como fiz Decapeptyl deve ser suficiente. Vou terminar a embalagem de Cartia e intercalar paracetamol com ibuprofeno.
Irei aguardar a menstruação e quando vier comunico para que se possa agendar a ecografia de reavaliação dos ovários. Amanhã vou ter notícias da fecundação. Felizmente é feriado, com o meu interior todo remexido seria muito difícil trabalhar nestas circunstâncias.
Agora vou descansar um pouco desta violência.
Esta máquina de pipocas que aqui vos escreve está assim, porque 28 folículos foram aspirados. Sim, 28! Não sei o balanço das outras 4 punções feitas lá hoje, mas as biólogas são capazes de ter algum trabalho nos próximos dias.
Neste momento em que me encontro nas palhas deitada, a minha barriga parece um peixe-balão em volume e rigidez. Devia ter folículos até às costelas, pois mesmo aí tenho dor.
Desta vez não me receitaram Dostinex. Dizem que como fiz Decapeptyl deve ser suficiente. Vou terminar a embalagem de Cartia e intercalar paracetamol com ibuprofeno.
Irei aguardar a menstruação e quando vier comunico para que se possa agendar a ecografia de reavaliação dos ovários. Amanhã vou ter notícias da fecundação. Felizmente é feriado, com o meu interior todo remexido seria muito difícil trabalhar nestas circunstâncias.
Agora vou descansar um pouco desta violência.
domingo, 29 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 11
Estou satisfeita por chegar a esta fase. Apesar de barriguda e dorida, a passar novamente por este mau estar, a ausência de trabalho dos ovários durante a minha vida reprodutiva é compensada por colheitas anormais de folículos. Seguem-se dias, meses de incertezas a somar a todo o tempo que entretanto tratou de me envelhecer o corpo e reduzir a esperança. Não sou a mesma que era em 2011. Tenho dificuldade em explicar o que mudou em mim, porém estou diferente, sinto-o. Não imaginava ainda estar nesta fase da vida a começar outro tratamento. Desilude-me... O tempo parou e passou a voar. Este antagonismo é estranho mas traduz a confusão que está instalada na mente. A infertilidade é uma treta, aniquila o equilíbrio.
Tenho de agradecer a cada uma por todo o apoio. Irei tratar logo que me seja possível. Paralelamente a isto estou com uns problemas técnicos cá em casa que espero não dêem muita preocupação e trabalho de esfregona. Os próximos dias vão ser penosos e inundações não são compatíveis com um corpo debilitado.
Tenho de agradecer a cada uma por todo o apoio. Irei tratar logo que me seja possível. Paralelamente a isto estou com uns problemas técnicos cá em casa que espero não dêem muita preocupação e trabalho de esfregona. Os próximos dias vão ser penosos e inundações não são compatíveis com um corpo debilitado.
FIV 2 - Dia 10
Decapeptyl injetado, a minha missão está concluída. Sinto alívio por não ter de passar mais por isto e, claro, receio que seja mais um esforço em vão.
Fisicamente não estou tão debilitada nesta fase como da outra vez, contudo, a dor está presente. O volume abdominal também aumentou, deitar-me para o lado direito incomoda bastante, andar de carro em piso irregular não causa uma sensação muito boa. Mesmo assim acho que não está tão mau como na estimulação de 2016.
Esta máquina de crescimento de folículos em tempo recorde vai entrar na reforma. A sua carreira foi peculiar e memorável, pelo menos para mim. Espero que nos próximos anos pense cada vez menos nos ovários e fique em paz com eles.
Começa a minha despedida a esta dinâmica de procura pela fertilidade. Os próximos dias trarão novamente preocupação mas, no que diz respeito a estimulações, coloquei um ponto final.
Fisicamente não estou tão debilitada nesta fase como da outra vez, contudo, a dor está presente. O volume abdominal também aumentou, deitar-me para o lado direito incomoda bastante, andar de carro em piso irregular não causa uma sensação muito boa. Mesmo assim acho que não está tão mau como na estimulação de 2016.
Esta máquina de crescimento de folículos em tempo recorde vai entrar na reforma. A sua carreira foi peculiar e memorável, pelo menos para mim. Espero que nos próximos anos pense cada vez menos nos ovários e fique em paz com eles.
Começa a minha despedida a esta dinâmica de procura pela fertilidade. Os próximos dias trarão novamente preocupação mas, no que diz respeito a estimulações, coloquei um ponto final.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
FIV 2 - Dia 9
Acordei sem dores ou peso no fundo da barriga e dirigi-me ao hospital, mentalizada que me iam dizer que o ciclo seria cancelado.
Foi a Diretora quem fez a inspeção às entranhas. Logo no início da ecografia, começou a torcer o nariz. Foi analisar o outro ovário e torceu o nariz novamente. Convencida de que não tinha acontecido nada desde terça, perguntei "Não há nada, pois não?". Resposta dela : "São milhentos!" Na minha completa inocência supus que ainda estivessem pequenos. Iniciou a contagem. A dada altura, parou de fazer a ecografia. Estava a preparar-me para levantar quando a médica disse que ainda não tinha acabado. Como já não cabiam mais dados no ecrã, tinha de apontar na folha a informação do ovário direito. Depois de escrever tudo, fez a contagem no esquerdo. O endométrio estava com 8,4 mm mas como não vou fazer transferência neste ciclo, de nada importa. Quanto aos outros números:
Ovário esquerdo - 17, 17, 16, 16, 16, 15, 14, 14, 14, 13, 12, 10
Ovário direito - 18, 18, 17, 17, 16, 15, 15, 15, 15, 14, 14, 13
Tanto num ovário, como no outro, ainda há vários folículos pequeninos. Fiz colheita de sangue para avaliar o estradiol e a progesterona. Na outra estimulação não foi pedida esta análise.
Hoje faço a última dose de Puregon e Orgalutran, amanhã encerro as injeções com duas ampolas de Decapeptyl, às 22h30.
Segunda-feira, às 8 horas regresso ao hospital para fazer a punção. Somos pelo menos 5 candidatas a dormir um soninho, duas vão ter de ficar em macas, porque só há 3 camas. A medicação oral mantém-se e na manhã da punção só posso tomar o Eutirox.
Sentia-me bem até ao final da manhã. Os mega-ovários estão a fazer-se notar a uma velocidade galopante. Dá para perceber muito bem que a panela de fazer pipocas está em acesa atividade.
A técnica administrativa espreitou a minha folha de contagens e sorriu, porque comigo o exagero é uma constante. Ela disse que ia ficar conhecida como a Menina dos Congeladinhos. A esse respeito ainda não posso lançar foguetes, pois não se sabe como vai correr a fecundação. Trabalhei com azoto líquido algumas vezes, enquanto estudava na universidade, nunca imaginei que se tornasse tão preponderante na minha vida.
Na terça-feira passada não estava muito animada, hoje só tenho vontade de rir com este boom folicular. Que dois anormais! Felizmente é feriado no dia 1, assim poderei estar tranquila em casa e só irei trabalhar na quarta à tarde. Da outra vez voltei ao ativo no dia após a punção e qualquer movimento que cada fazia parecia rebentar-me por dentro. Só ao fim de uma semana é que deixei de sentir dor.
Uma etapa está cumprida, vamos ver como corre o resto.
Foi a Diretora quem fez a inspeção às entranhas. Logo no início da ecografia, começou a torcer o nariz. Foi analisar o outro ovário e torceu o nariz novamente. Convencida de que não tinha acontecido nada desde terça, perguntei "Não há nada, pois não?". Resposta dela : "São milhentos!" Na minha completa inocência supus que ainda estivessem pequenos. Iniciou a contagem. A dada altura, parou de fazer a ecografia. Estava a preparar-me para levantar quando a médica disse que ainda não tinha acabado. Como já não cabiam mais dados no ecrã, tinha de apontar na folha a informação do ovário direito. Depois de escrever tudo, fez a contagem no esquerdo. O endométrio estava com 8,4 mm mas como não vou fazer transferência neste ciclo, de nada importa. Quanto aos outros números:
Ovário esquerdo - 17, 17, 16, 16, 16, 15, 14, 14, 14, 13, 12, 10
Ovário direito - 18, 18, 17, 17, 16, 15, 15, 15, 15, 14, 14, 13
Tanto num ovário, como no outro, ainda há vários folículos pequeninos. Fiz colheita de sangue para avaliar o estradiol e a progesterona. Na outra estimulação não foi pedida esta análise.
Hoje faço a última dose de Puregon e Orgalutran, amanhã encerro as injeções com duas ampolas de Decapeptyl, às 22h30.
Segunda-feira, às 8 horas regresso ao hospital para fazer a punção. Somos pelo menos 5 candidatas a dormir um soninho, duas vão ter de ficar em macas, porque só há 3 camas. A medicação oral mantém-se e na manhã da punção só posso tomar o Eutirox.
Sentia-me bem até ao final da manhã. Os mega-ovários estão a fazer-se notar a uma velocidade galopante. Dá para perceber muito bem que a panela de fazer pipocas está em acesa atividade.
A técnica administrativa espreitou a minha folha de contagens e sorriu, porque comigo o exagero é uma constante. Ela disse que ia ficar conhecida como a Menina dos Congeladinhos. A esse respeito ainda não posso lançar foguetes, pois não se sabe como vai correr a fecundação. Trabalhei com azoto líquido algumas vezes, enquanto estudava na universidade, nunca imaginei que se tornasse tão preponderante na minha vida.
Na terça-feira passada não estava muito animada, hoje só tenho vontade de rir com este boom folicular. Que dois anormais! Felizmente é feriado no dia 1, assim poderei estar tranquila em casa e só irei trabalhar na quarta à tarde. Da outra vez voltei ao ativo no dia após a punção e qualquer movimento que cada fazia parecia rebentar-me por dentro. Só ao fim de uma semana é que deixei de sentir dor.
Uma etapa está cumprida, vamos ver como corre o resto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)