Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
sexta-feira, 2 de julho de 2021
Num piscar de olhos, passou um ano
sexta-feira, 4 de junho de 2021
Em modo: palitos a segurarem as pálpebras
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Rastreio: check!
Foi dia de consulta de ginecologia para conhecer resultados de análises, ecografia mamária e mamografia. Relativamente às análises estou com um valor alarmante de colesterol. Há mais de uma década que não o consigo normalizar apenas com a alimentação. Enquanto realizei tratamentos suspendi a estatina e com o encerramento das piscinas tive de deixar a hidroginástica e a hidrobike. Vou encaminhar estas análises à médica de família para voltar a medicar-me para este fardo que não me larga. Vou apostar mais nas caminhadas, pois mesmo que volte a haver confinamento, posso manter esse tipo de atividade.
A menopausa parece não querer nada comigo durante muito tempo ainda. Por causa do valor do colesterol vou fazer uma pílula fraquinha, para não piorar mais a situação. Desta vez será Microgeste, vamos ver como me sentirei com ela.
Da parte mamária a situação está bem. O relatório faz menção a alguns pormenores mas por enquanto não há nada que careça de preocupação.
Daqui a um ano, se nada de relevante acontecer, volto a consultar nesta especialidade. A urgência neste momento é o colesterol.
segunda-feira, 22 de março de 2021
Cabelos brancos
quinta-feira, 18 de março de 2021
Reencontro
Fui à consulta e foi bom rever a minha agora ginecologista. Sem rotatividade, num ambiente diferente do HSJ, com um âmbito distinto do que me levou a conhecê-la. Elegia-a por ter sido a primeira pessoa que realmente me ouviu e vi nela muito mais do que os vários relatos que se ouvem. Não há qualquer mágoa relativamente ao que aconteceu. Sei separar as águas das burocracias, das imposições superiores, das limitações a que o hospital está sujeito e da disfuncionalidade que me acompanha. Numa curta conversa fiquei a admirar ainda mais aquela equipa. O humanismo que procuramos dentro daquelas paredes existe, mais do que nós conseguimos ver. É feito de pessoas que tantas vezes são apelidadas de frias, desinteressadas. Não brilham porque as asas são-lhes cortadas, não são devidamente valorizadas por força de um sistema cuja filosofia é: faz muito, que em compensação dou-te uma mão cheia de nada.
Sábado vou fazer análises, para ter uma ideia se a menopausa está a bater à porta uma vez que, não menstruando, não consigo adivinhar, a não ser que surjam outros sintomas que possam ser sugestivos. Farei também análise a outros parâmetros hormonais e os triviais. Fiz ecografia e trouxe "fotos" para casa. Qualquer dia emolduro as minhas flores de lótus. Continuam grandes, com uma excentricidade irritante e como ela própria disse, de nada valeram. Para mim são dois imbecis. O endométrio estava fino comme d'habitude, esse só atinge o seu esplendor à custa de químicos, tal como os dois inúteis. Por estar discreto, ao contrário dos exibicionistas volumosos, não é urgente descamá-lo. À partida, em vez de progestagénios, deverei tomar a pílula para controlar um bocadinho as feras e ver se os sintomas de SOP atenuam um pouco. De vez em quando farei análises para atestar se estou ou não na menopausa. Fiquei a saber que o Provera, que tomei durante décadas, está descontinuado.
Daqui a uma semana irei realizar uma ecografia mamária e fazer a minha estreia em mamografia. Espero que, além do tamanho que me atrapalha, as duas criaturas que vão ser inspecionadas não me tragam outro tipo de inconvenientes.
sexta-feira, 5 de março de 2021
Terminou um semestre, faltam 5
Terminou ontem, para mim, a época de exames do 1.° semestre e segunda-feira começa o 2.°. Passou de forma rápida, a um ritmo frenético. Desta vez e, por enquanto, será integralmente online. É deprimente. Imagino que para os miúdos que não estão a conhecer o ensino superior de outra forma, sem ser em contexto pandémico, não vá ficar aquela nostalgia que tive oportunidade de vivenciar.
Já tenho alguma dificuldade em crer que vá passar algum tempo do curso sem interferência da pandemia. Desde há um ano que a palavra Covid passou a integrar o nosso quotidiano. O curso é de 3 anos e um semestre já lá vai. O meu mantra é: foca-te, só faltam 5 semestres!
Fora isso, o que há de novo? Felizmente está tudo bem, o bichito manteve-se afastado da minha família, até ao momento. Sou especialista em confinamento desde sempre (os meus pais foram uns visionários) e passo facilmente 3 semanas enfiada em casa. Só não estou mais tempo de forma ininterrupta, porque o milagre da multiplicação de alimentos não sucede dentro da minha casa. Outro tipo de milagre também não se deu aqui, mas sobre esse capítulo já estou conformada. A propósito, comecei esta semana a preparação intensiva para a primavera, com tudo a que tenho direito. Tive consulta de imunoalergologia, então abasteci-me na farmácia de mais alguns amigos. Estou a providenciar que a minha qualidade de vida melhora, conseguindo coabitar harmoniosamente com todos os agentes alergénicos que me infernizam, meses a fio. Finalmente, após quase uma década, vou passar um ano sem desejar que a sua metade desapareça para me sentir bem.
Vou aproveitar para confessar uma coisa. Durante estes meses todos, desde julho de 2020, não tomei Provera para induzir hemorragias de privação. Deixei andar, porque pensei que ia ter alguma disponibilidade ao longo do semestre para ir a uma consulta de ginecologia. Não menstruei, que é aquilo em que me saio melhor, entretanto soube hoje como vai ser o meu horário do segundo semestre. Tenho as quintas-feiras à tarde livres. A Diretora do serviço de Medicina de Reprodução do HSJ dá consultas numa unidade privada perto da minha casa, então marquei consulta com ela no dia 18. Decidi há muito que queria que fosse ela a acompanhar-me depois de deixar o hospital. Tenho 41 anos, não sei se a abordagem medicamentosa que devo fazer atualmente na parte "menstrual" é a mesma que fiz ao longo das décadas. Ainda há umas semanas me pus a pensar no sentido de manter cá os ovários, porque do ponto de vista dos efeitos da SOP as coisas não têm melhorado, pelo contrário. O problema é que isto resulta da interação com o hipotálamo, que também não funciona de forma adequada. Remover os ovários não resolveria a situação por si só, na medida em que o hipotálamo não é coisa que se possa tirar. Aqueles dois vão sacanear-me até à exaustão.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Dos neurónios que ainda andam por cá
Estou numa pausa de alguns minutos no meu estudo. Com a suspensão da atividade letiva presencial nos estabelecimentos de ensino, gerou-se uma reviravolta inicial na forma como iríamos ser avaliados, na sequência de um despacho emitido pela Presidência da instituição onde estou a estudar. Foi de tal modo absurdo que rapidamente deu origem a uma petição em que, alunos e professores, se insurgiram contra o mesmo. Essa reação acabou por ser levada em conta e a época de exames passou por ser adiada apenas uma semana em relação ao calendário inicial, em vez de transitar para o final do 2.º semestre, como foi indicado no tal despacho surreal.
Para já as coisas estão globalmente a correr (muito) bem, exceto uma cadeira que não faço a mínima ideia com o que contar. Nunca me aconteceu em tantos anos ir para uma avaliação de uma unidade curricular sem ter conhecimento do resultado da frequência anterior. Quinta-feira passada fiz o terceiro teste sem saber a nota do segundo. Essa avaliação foi realizada no dia 17 de dezembro, hoje é dia 1 de fevereiro e nada sabemos. Se isso acontecesse no exercício da minha atividade profissional daria lugar a várias reclamações e pedidos de satisfação por parte de alunos, encarregados de educação, direção e eventualmente direção regional, se fosse realizada exposição por alguém. Organizei o meu cronograma de forma a efetuar estudo antecipado para essa cadeira no caso de ter de ir a exame, porque já estou a prever que só teremos conhecimento dos resultados em cima do acontecimento e não quero ser apanhada de surpresa. Não é algo que me deixe satisfeita mas mais vale jogar pelo seguro.
Posso estar com os segundos contados em tudo o que faço diariamente mas há algo de que não me consigo descolar que é dos anos que antecederam esta etapa. Acho que me envolvi demasiado e é estranho não fazer mais parte da minha rotina. Passou meio ano desde que tudo terminou e revivo esse tempo como se tivesse começado ontem. Pensei que o manter a cabeça, o mais ocupada possível, fosse dissipar lentamente os pensamentos mas não está a resultar. Não é arrependimento ou um sofrimento desmedido, porque estou resolvida, mas há um bloqueio que não me deixa viver um dia sem pensar em todos os outros que me trouxeram até esta fase da vida. Disse várias vezes que o que vivi foi uma espécie de tortura e houve momentos muito violentos que não sei como consegui encará-los com lucidez, sem desmoronar por completo. Preciso de dias mais solarengos, menos confinados, pois fechei-me ainda mais na minha casca com esta maior clausura.
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
Terráquea há 41 anos
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
Mudança de país em criança - a minha experiência
Desde muito pequena sou fascinada por gatos, não sei porquê. Quando ainda vivia fora do país deliciava-me a ver os gatinhos de uma senhora que vivia em frente ao meu prédio. Eu e a minha irmã perguntávamos muitas vezes à nossa mãe se quando viéssemos para Portugal iríamos ter um gato. Ela prometia-nos que sim, então a motivação para deixarmos a vida que conhecíamos para trás aumentava com a esperança de que íamos concretizar um sonho. No verão de 1988 deu-se a vinda para um país cuja língua compreendia e falava com alguma fluência mas que eu não sabia escrever. Recordo-me perfeitamente da primeira palavra que escrevi em português. A minha mãe estava a preparar as caixas para a mudança e ela identificava, por fora de cada uma, a categoria do conteúdo. Houve uma em que perguntou se queria que fosse eu a escrever: brinquedos. Não soletrou, esperou que com os conhecimentos que tinha de francês e a componente oral de português que eu dominava, chegasse à conclusão da forma como a palavra se escrevia e consegui. Esse momento marcou-me, talvez porque representou o início da despedida de uma vida que sabia desde sempre que seria provisória naquele local. França foi o país onde nasci e construí uma pequenina parte da minha essência. Ainda faço por preservar alguns costumes que me trazem uma sensação de um conforto que me remete a tempos que iriam deixar de existir. Estávamos restritos à nossa bolha familiar causada pela distância geográfica às raízes dos meus pais, embora tivesse também família a viver perto de nós, lá em França.
A vinda para cá foi uma espécie de Regresso ao Futuro mas ao contrário. A aldeia onde nos fixámos (no Minho), por exemplo, fica a uns escassos 3 km de uma freguesia de outro concelho onde a distribuição de eletricidade só começou a ser feita por volta de 1990. Lá na minha terrinha só havia uma estrada em alcatrão cujo troço tinha cerca de 700 m, o resto era em terra batida. Na escola primária os miúdos levavam "bolos" nas mãos com réguas de madeira grossa (nunca percebi o motivo para chamarem as reguadas de bolos), puxões de orelhas, vergastadas com canas de milho onde calhasse, chapadas na cara (daquelas em que a mão é lançada, vinda bem de trás). Na cataquese o padre batia com uma cana de milho se alguém olhasse para o lado. Havia vários costumes e crenças que não compreendia. Quando uma criança tinha uma dor num dente era normal colocar-lhe um algodão embebido em aguardente e mandá-la para a escola assim, logo pela manhã. O chocolate sabia-me a sabão, porque o que se vendia habitualmente cá era um sucedâneo. Vários dos produtos que eu consumia em França começaram a tornar-se populares por aqui, muitos anos depois de ter vindo. Com os desenhos animados era a mesma coisa. Após confrontar-me com a realidade portuguesa acabei por me adaptar, no entanto, causava-me confusão a importância que se dava a coisas que a meu ver eram totalmente descabidas, sem o mínimo de raciocínio crítico. Perceber que há quem tenha convicção que os piolhos surgem por geração espontânea ou por se comer a parte da castanha onde ela germina, continua a deixar-me incrédula.
Nunca tinha ouvido falar de bruxedos, maus olhados e de rituais para combater malfeitorias planeadas por terceiros, que envolvem sal, dentes de alho, patas de coelho, fitas vermelhas penduradas nos retrovisores dos carros e muitas outras coisas.
Sei que em todo o lado há crenças dos mais variados tipos, baseadas sabe-se lá em quê. O que está aqui a ser analisado é o ter recebido em tão pouco tempo, tanta informação diferente e acostumar-me a uma realidade distinta, que me parecia um retrocesso civilizacional.
Durante um ano fui conhecida na escola como a Patrícia Francesa. No ano seguinte deixei de o ser, porque passou a haver o Filipe Francês :) Muitas vezes na hora do recreio eu era o extraterrestre que estava ser descoberto pelos colegas e que servia de robô tradutor. Aquilo que mais ouvia era "como é que se diz... em francês?" As minhas coleguinhas de turma adoravam ver o material escolar que usava. Enquanto eu sentia que vivia num passado que não me era familiar onde nasci, elas viam em mim o futuro. Este contraste é muito interessante e representativo de algumas sensações que temos, por exemplo, quando viajamos.
Em pouco mais de um mês aprendi a escrever português. Devo-o a uma excelente professora que tive na 3.ª e 4 .ª classes. O primeiro texto que li para a turma era sobre a Covilhã, logo na primeira aula. Dei conta nessa altura que tinha dificuldade em dizer "lhã".
No início não percebia o que é que o pronome "lhe" fazia acoplado a um verbo, como no caso de "deu-lhe", então perguntei à minha professora que tinha algum conhecimento e interesse em francês, qual era a equivalência que tinha.
Não conseguia dizer em condições o nome Rui e uma prima ria-se à brava à conta disso. Tinha tendência para o pronunciar como se houvesse um acento tónico na letra i.
Aprendi muito sobre Portugal naqueles dois anos na primária e não me canso de dizer quão fabulosa foi aquela professora. Na mudança de país é habitual atrasar-se um ano na escola. Em condições normais deveria integrar a 3.ª classe mas fui inicialmente para a 2.ª. As professoras que tive eram medianas e não puxavam suficientemente por mim. Agiam como se estivesse no mesmo patamar dos meus colegas quando eu não tinha um conhecimento adequado da língua. A diretora da escola (responsável pela turma de 3.º ano) achou que a minha adaptação estava a ser rápida e beneficiaria mais se não atrasasse. No primeiro período estava na 2.ª classe, terminadas as férias de Natal passei para a 3.ª, que era a turma dela. Foi o melhor que me aconteceu, não tenho dúvida.
Nesse verão em que vim para Portugal, uma gata vadia que estava numa casa desabitada em frente àquela onde residia, teve filhotes. Eu e a minha irmã ficávamos agarradas à rede que a vedava a ver os pequenotes a brincar. Numa tarde, ambas fomos à casa de uma prima que vivia na vizinhança e, quando chegámos a casa, tínhamos uma surpresa. A nossa mãe apanhou o primeiro minorca que veio brincar com um pauzinho que ela começou a mexer, junto ao postigo onde se refugiavam. A promessa foi cumprida e a minha admiração por gatos tornou-se incomensurável.
domingo, 3 de janeiro de 2021
Bizarro? Para mim, não.
Em 2009 uma estação de rádio de Guimarães promoveu o sorteio de um "Funeral de Sonho". Não faltaram candidatos e, se quisesse, o feliz contemplado poderia ceder o seu prémio a alguém (ainda vivo).
Alerto que o conteúdo deste post poderá ser creepy para alguns e quero, desde já, dizer que não há mensagens subliminares ou qualquer intenção da minha parte em atentar contra a minha vida. Estou muito bem, mesmo!
Diria que após a morte do meu pai e perante tudo o que aconteceu, desde o velório dentro de casa (durante dois dias) até ao momento sublime da missa do funeral em que me contive para não mandar calar a abécula (a criatura que exercia funções de sacerdote da terrinha) ou atirar-lhe um castiçal à testa, penso às vezes no meu "funeral de sonho". O meu pai dizia que queria ser enterrado no quintal e compreendo a perspetiva dele.
À semelhança do meu casamento, gostava que houvesse minimalismo. Não me sinto confortável com focos apontados a mim em vida, não será na morte que vou querer mediatismo. Desejo que ninguém tenha trabalho comigo depois de já cá não estar a azucrinar ninguém, logo a cremação é a melhor alternativa. Há muito que digo que a minha última residência vai ser num pote mas, pensando melhor, se for possível não ceder cinzas a familiares prefiro, para não terem de pensar o que fazer com elas. Ir para um cemitério vai também contra o meu ideal.
Se é para seguir num tapete rolante para o forno do tanatório, não é necessário um caixão todo rebuscado. NÃO QUERO uma cerimónia religiosa, bem como qualquer símbolo religioso! Acerca de flores, também dispenso. Se normalmente não consigo aguentar muito tempo no meio delas, há que manter-me fiel a mim mesma depois de apagar (ainda desato a espirrar ou a ficar cheia de congestão nasal). Roupa preta, desaprovo. Fiquei traumatizada de ver a minha mãe, anos a fio, a combinar preto com preto.
Quem quiser desrespeitar-me, é só fazer o contrário disto tudo. Não terá nenhuma consequência, porque não vou andar a assombrar ninguém. Olhando bem para a minha lista de exigências, pareço uma daquelas celebridades que quer um camarim com ar dos Himalaias, uma banheira com água do Kilimanjaro e 750 toalhas dobradas com orientação para norte.
Acerca da abécula que falei mais acima, dois anos depois do funeral tornei a estar numa missa presidida por sua excelência, numa situação profissional, noutra freguesia, porque não aguentou muito tempo na minha. Como a estupidez daquele ser é crónica, começou outra vez a fazer aquilo em que ele é melhor, que é ser um palerma. Saí porta fora, em plena missa, enquanto ele continuava com o seu sarcasmo a roçar a má formação, dirigido aos alvos daquele dia. Depois de mim, várias pessoas abandonaram a igreja, incrédulas com a boçalidade daquele energúmeno que viram pela primeira vez.
Se temos possibilidade de idealizar enquanto as nossas faculdades mentais estão boas, porque não? Há duas ou três pessoas a quem já partilhei para saberem o que fazer quando chegar a altura, se tiverem realmente intenção de ir de acordo com a minha vontade.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Venha 2021, seja lá o que isso significa
Nós somos como livros, analisamos a vida como se ela fosse dividida em capítulos. Estes podem estar associados a períodos um pouco alargados, a anos concretos, a acontecimentos.
Antes de termos entrado em 2020 eu olhava para o número e achava-o bonito. Não sei se por ter nascido num dia par de um ano par enfim, coisas sem qualquer importância. Apesar de simpatizar com o aspeto do número, sabia que a carga associada à entrada no ano em causa ia ser decisiva no projeto da minha existência que se veio a tornar um flop. O encerramento desse fracasso ocorreu com alguma atribulação fruto da pandemia, de uma forma seca. Não caí sobre uma rede, esbardalhei-me diretamente no chão, rastejei até encontrar algo a que me agarrar e tenho estado a reerguer-me. Há mazelas das quais me estou a recuperar, porque não vivi a infertilidade com ligeireza. Poucas semanas depois do tombo comecei a lutar pelo plano de recuperação que andava a delinear, caso se confirmasse que todo o meu esforço tinha sido em vão e consegui dar-lhe início.
Para mim a entrada num novo ano implica praticamente a mudança para um incremento de um ano na minha idade. Daqui a uns dias o meu contador muda para 41 e estará quase concluído o primeiro semestre do projeto que tentará transformar em dias um pouco melhores aqueles que irei viver no seio da família.
Em 2020 parei de tentar ser mãe, a minha filhota do coração licenciou-se e começou a trabalhar, fui tia pela primeira vez, comecei nova licenciatura, passei ainda mais tempo em casa.
Não vou fazer grandes resoluções de ano novo. Ambiciono concretizar com sucesso os meus compromissos diários, ter força para suportar adversidades que espero que não surjam e ser agradavelmente surpreendida com coisas inesperadas.
Quero, acima de tudo, saúde para todos.
Bom 2021!
domingo, 27 de dezembro de 2020
Entrevista completa (Semana da Tiróide - maio de 2020)
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
5 anos na blogosfera
Bom Natal
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
Em contrarrelógio
Contrarrelógio é o sinónimo que traduz Bolonha combinado com Covid. Não sei qual será a minha perceção sobre o tempo se a palavra Covid deixar de fazer parte do nosso quotidiano e souber o que é estudar no século XXI sem aulas e avaliações à distância, motivadas por uma pandemia.
24 horas são insuficientes para tudo o que há a fazer diariamente, tenho até remorsos de dormir, basicamente porque o tempo para estudar é quase inexistente. A quantidade de tarefas praticamente diárias e o tempo que é necessário dispensar-lhes, absorvem substancialmente aquilo que pensava que ia conseguir fazer que é, estudar. Pelos vistos é uma exigência de Bolonha e da avaliação "contínua" que lhe está inerente. O problema é que com avaliações das quais só esta semana tive folga, o estudo para cada cadeira é feito a correr, como tudo o resto. Há aulas que parecem uma prova de ciclismo. Compreendo a rapidez, porque com aulas teóricas de 50 minutos, tem de se dar matéria como se o mundo acabasse no dia seguinte.
Benditos feriados que possibilitaram diversificar um pouco o leque de estudo. Como as aulas iniciaram apenas a 6 de outubro (graças ao Covid), as férias de Natal começam a 24 de dezembro. A interrupção dura 5 dias úteis e logo a 6 de janeiro retomo a saga semanal de avaliações e tudo o que é necessário executar diariamente, culminando com quatro avaliações na última semana de janeiro.
Tenho permanentemente tendência para comparar a atualidade com a experiência universitária que tive há muuuuito tempo, na era pré-Bolonha e está a ser bastante diferente. Em termos de grau de complexidade não estou a sentir dificuldades de maior. Há, para já, apenas uma cadeira que me está a preocupar. Se não fosse este desejo de que os dias tivessem o dobro do tempo para poder dedicar-me a tudo, da forma que eu queria, sentir-me-ia com sensação de missão controlada. Não tenho o mesmo entusiasmo de há 22 anos, pois estou a correr um tremendo risco mas estou extremamente comprometida com este objetivo. As máscaras, os distanciamentos, os curtos tempos presenciais e os Zooms com 70 pessoas identificadas com pequenos ecrãs negros, não ajudam às dinâmicas sociais. Há pessoas da minha turma que não sei se algum dia vou conhecer. Sei o nome de pouco mais de meia dúzia, porque as oportunidades para trocar impressões são escassas. É muito estranha esta época que estamos a viver.
Meti-me nisto e vou cumprir tudo, da melhor forma que conseguir. Acho que nesta missão não vou falhar.
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
9 anos
Fui ler o que escrevi há um ano e há coisas às quais hoje consigo dar uma resposta. Houve embriões euplóides mas nem essa aparente vantagem lhes valeu. No ano em que entrei na casa dos 40 encerrámos a nossa luta. O melhor de nós não chegou e não aguentámos mais desilusões. Apesar do desgosto, foi possível terminar dentro do período que me era mais favorável para a mudança de página, não tornando o estrago emocional ainda maior.
Perdi muito desde que começámos esta história, mais do que imaginava quando tudo começou. Só saberia disso vivendo-o, por isso não me arrependo. Aquilo que lamento realmente é que os meus filhos tenham partido sem culpa de nada. Cresci, mudei, acredito que, em parte, devido à falta de sentido em tudo o que nos envolveu neste caminho incerto da infertilidade. Não consigo encontrar uma explicação lógica para o que sucedeu e que ninguém se atreva a dizer que o destino estava traçado para que assim fosse.
Há 9 anos havia algo dentro de mim que me dizia que o meu percurso não ia ser banal e de fácil resolução. Excedeu exponencialmente a estranheza que já sentia por não funcionar como o padrão que conhecia. Em determinadas alturas odiei-me, agora só tenho de aceitar a anormalidade que me caracteriza.
Em várias ocasiões falei dos sonhos. Na noite passada sonhei que tive uma consulta com a Diretora do serviço para ter a alta presencial que não chegou a acontecer. Não voltei a sonhar que estava grávida ou que já era mãe e não sabia, como tantas vezes aconteceu.
Todos os dias penso neste passado surrealista. Por outro lado, continuo sem qualquer dúvida de que era a altura de parar. Não há nenhum "e se?" latente numa qualquer pasta oculta da minha mente.
No ano passado estava a fazer fisioterapia, atualmente continuo lesionada mas consigo fazer uma vida praticamente normal. De vez em quando o meu tornozelo começa a latejar sem mais nem menos, mesmo que tenha estado pouco tempo de pé. Ainda na semana passada aconteceu isso e inchou ligeiramente.
Com o termo dos tratamentos decidi investir em mim, voltei a estudar e daqui a uns dias começam avaliações. Apesar de praticamente não existir qualquer ócio na minha vida, sinto-me mais tranquila do que quando havia listas de espera, tinha de aguardar por chamadas ou andava no lufa-lufa dos tratamentos. Agora detenho um controlo sobre mim que antes não possuía.
Daqui a um ano não farei nenhum post sobre 10 anos. Este é o remate da saga dos aniversários relacionados com a infertilidade. Mais uma amarra está libertada.
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
Bodas de couro ou trigo
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
Em ambientação
Está instalada a dinâmica das aulas, estou em fase de habituação e a tentar antecipar-me em tudo o que me é possível para poder perceber se tenho dúvidas em alguma coisa, antes que se avolume o trabalho. As terças-feiras são duras. Apesar de me encontrar no conforto do lar, toda a manhã é passada com ensino online, à tarde repete-se a dose, tendo a agravante dessa aula ter sempre um questionário para responder em grupo. Este começa ainda dentro do período da aula e estende-se na(s) hora(s) seguintes, porque tem de ser submetido até uma ou duas horas após o seu termo. Ontem, por exemplo, o dia começou às 9h10 e terminou às 19h, sendo que aproveitei o tempo de almoço para adiantar mais algumas coisas. Depois de jantar ainda estive à volta de um projeto para uma das unidades curriculares. Todas as terças vão ter esta dinâmica.
Além disso, ainda tenho a vida para lá do curso ocupada parcialmente com algum trabalho remunerado e o outro que passa despercebido.
É dose... Ou não, pois há correntes que defendem que o trabalho intelectual é trabalho da treta e que apenas as aulas bastam para cumprir os requisitos. No fundo, só o trabalho braçal cansa. Conheço as duas vertentes e sei dar-lhes o devido valor. Não posso é esperar que pensem como eu.
O patamar que estou a estabelecer para mim, não é de cumprimento de mínimos. Pretendo que o curso que me traga uma mudança para melhor e, para atingir esse objetivo, qualquer segundo é precioso.
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
Fantasmas
sábado, 3 de outubro de 2020
Rufam os tambores
Terça-feira será o regresso às aulas. Não vai acontecer como seria ideal, as circunstâncias atuais assim o obrigam. Cerca de 50% da atividade letiva decorrerá na modalidade online. O material necessário está pronto a ser usado (também não é preciso grande coisa), a cabeça está fresquinha, a motivação bem alta, só falta começar!
Entraram 60 e tal alunos pelo concurso nacional de acesso ao ensino superior. Não sei quantos há de contingentes especiais. Foram criadas 11 turmas com horários distintos para acautelar o distanciamento. Pelo que parece, para já, o horário é bastante jeitoso. Apesar de não ter solicitado o estatuto de trabalhador-estudante, vou manter ocupado parte do tempo disponível com atividade independente que já desenvolvia. Deverei também voltar a prestar serviços numa instituição onde passei dias muito felizes.
Vai ser estranho estar tão perto do HSJ a tentar concretizar um projeto de vida que surgiu depois de, o que me levou lá, ter falhado. Estou lentamente a cortar o cordão umbilical que me uniu àquela parte da Circunvalação.
O maior desafio vai ser conciliar a vida familiar, com o trabalho (ainda que poucas horas semanais) e o curso. Desta vez não estou sozinha a 400 km de casa.