quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

TEC 8 este mês? Tenho as minhas dúvidas...

Não sei o que me aguarda. Segunda-feira e ontem, durante todo o dia, senti aquelas dores da chegada da menstruação. Ontem à tarde comecei a ter sinais da vinda de algo, que não passou de sangue muito diluído. Hoje mantém-se o padrão, à exceção da cor que passou a castanha. O último dia em que tomei Provera foi há uma semana.

Telefonei esta manhã para o hospital para saber o que fazer. A enfermeira deu a indicação de amanhã de manhã realizar um teste de gravidez e, se der positivo, ligo logo ao hospital para ser agendada ecografia de grávida (o meu cérebro deu uma gargalhada). Mesmo não se sabendo ainda o que está a acontecer, ficou já marcada uma ecografia para a próxima terça-feira (dia 14 de janeiro) para definição do que vai ser feito.

Não me sinto grávida, em comparação com as minhas experiências anteriores, embora saiba que os sintomas ou a sua ausência, valem o que valem.

Quando fiz a ecografia no estudo InOvulação, não havia qualquer indício de gravidez, ovulação ou outro fenómeno que não fosse de uns ovários estupidamente grandes, cravejados de folículos e um endométrio vazio de vida. Comecei o Provera no dia seguinte, ou seja, há 11 dias. Não estou grávida de certeza. Mesmo assim, para cumprir a indicação da enfermeira, amanhã vou acrescentar ao meu currículo mais um teste só com uma risca.

Estou mais velha, isso é certo, e o meu corpo manifesta formas próprias de dizer que está todo descontrolado. Domingo entro nos quarenta e, em vez de ter uma data de transferência agendada, tenho uma ecografia para ser definido o rumo do que se julgava minimamente alinhavado.

Ainda não me tinha estreado numa TEC enguiçada no arranque, chegou a oportunidade. Há outras nuances que não experimentei também, vou a tempo de as conhecer. Desta vez não me posso queixar de monotonia.

E não estou grávida, (quase) aposto um dedo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Delay

Quem tem ciclos naturais mais ou menos certinhos depara-se por vezes com atrasos que podem ter mil e uma causas. Quando se depende da via química para pôr o organismo a simular, é possível também haver atrasos. Sou unha e carne com o Provera há vinte e tal anos. Durante muito tempo, tinha a hemorragia de privação três dias após a sua suspensão. Depois passou a ser quatro dias. Em 2008 aconteceu uma vez ter de esperar 7 ou 8 dias, aos quais se sucedeu uma vigorosa expulsão de coágulos. Mas, regra geral, são quatro dias. Esse mesmo tempo terminou ontem. Contava telefonar esta manhã ao hospital para marcar a ecografia mas o alerta vermelho ainda não deu sinais. Só tenho aquela impressãozinha na barriga e no fundo das costas que me dizem que não deverá tardar a chegar. Acho que se seguirão dias dolorosos, com coágulos à mistura. Esperava fazer a TEC por volta dos dias 13 ou 14 mas será mais tarde. Tenho tempo. Se calhar a expectativa em relação a esta transferência está a interferir na ação do Provera ou então é algum desequilíbrio provocado pela época festiva que há dias terminou. Este arranque é marcado pelo gerúndio. Pode ser que termine o dia convicta de que terei uma chamada a fazer.

domingo, 29 de dezembro de 2019

4 anos na blogosfera

Este pequeno espaço completou 4 anos. Ao colo tenho a minha fã incondicional de farta pelagem, longos bigodes e autora de turras brutas e desajeitadas (que eu adoro). Neste colo continua a existir muito espaço. Ela não precisa de o partilhar com mais ninguém. Contorce-se até ficar de barriga para o ar, feliz por estarmos a ter um dos muitos momentos que são apenas nossos. Ela sentiu algumas das minhas gravidezes. Tem a mesma idade da minha luta. Quero envelhecer com ela ao meu lado. Quero que ela continue a ser feliz e saudável. Quero que mantenha a sua jovialidade e permaneça na missão de me desafiar diariamente para a traquinice. Que se esconda atrás do arranhador, cortinas ou portas. Que fique numa esquina da casa a fazer-me esperas, aquela bandida. Desde sempre sou fascinada por gatos. A minha miúda é fora de série, um dos melhores presentes que a vida me ofereceu.

Sou eternamente grata por a ter comigo mas não esqueço que a vida que ma trouxe é a mesma que me arrancou os meus filhos de dentro de mim; que não me deu oportunidade de conhecer outras formas de extravasar a emoção do peito; que não deixa a minha gata partilhar o seu calor e ternura com uma cria vinda de mim.

Há 4 anos ainda estava longe de saber o que iria suportar. Achava que muitos acontecimentos marcantes iriam ocorrer quando chegasse a 2020. Afinal de contas o tempo voou. Não houve muitas alterações com o passar dos anos, porque o foco persistiu, limitou e congelou a existência.

Tentei manter o objetivo do blogue. Sei que há muito conteúdo repetitivo mas quando parece que é dado um passo em frente, logo em seguida são dados dois para trás. Apercebi-me que a minha capacidade de síntese que tanto gostava enquanto estudava se transformou em verborreia. Este exacerbar de palavras pode afugentar quem possa ter alguma curiosidade em ler o blogue. Escrever tem atualmente, para mim, uma função terapêutica.

Sei que chegará o dia em que vou transformar o rumo do blogue mas não quero que perca a sua essência. Não pretendo abandoná-lo. Daqui a um ano logo se verá o que estarei a depositar nesta extensão dos meus pensamentos.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Participação no Estudo Clínico InOvulação

Quando fiz referência a este estudo manifestei que iria deslocar-me no final deste mês ao Hospital Senhora da Oliveira para iniciar a minha participação. Hoje foi o dia.

Fui atendida praticamente à hora agendada, o que de si já é um ponto favorável e senti-me muito bem recebida pela Dra. Vanessa Silva. A conversa fluiu com grande naturalidade e simplicidade. Como tínhamos comunicado algumas vezes por mail, o gelo estava mais que quebrado e foi bom ser ouvida acerca de algo que é uma pedra no meu sapato desde 1994.

Levei comigo a compilação de análises e ecografias que fiz desde a adolescência para se estudar o motivo da amenorreia. Quando tinha 16 anos, o meu nível de estradiol estava muito próximo de uma situação de hiperestimulação. Se calhar até teria sintomas mas nem reparava nisso. Só me recordo de sentir tonturas com muita frequência mas após iniciar a regularização da hormona TSH, já com 17 anos, a situação começou a atenuar, pelo que as tonturas não teriam nada a ver com o estradiol elevado.

Voltando à consulta, foi feita uma anamnese em que resumi em alguns minutos os últimos 25 anos, desde a menarca até à atualidade.

Passei em seguida para a ecografia. O extraterrestre (eu) exibiu toda a sua exuberância exótica interior (tanto 'ex' numa frase só!). A analogia que faço entre as imagens visualizadas no ecrã e algo mais gráfico é de que parecia que estávamos a observar umas cabeças de sementes de flores de lótus. As cavidades onde as sementes estão incrustadas são daquelas bem largas. O útero, em oposição àquele freak show ovárico, é belo, maravilhoso, um verdadeiro oásis que não se entende por que raio não aceita os embriões-capa-de-revista que lá estiveram. Tem um ar cândido, diria até celestial, mas tem sido um completo inútil, tal como os ovários que só funcionam sob ameaça. Pelo aspeto das minhas gónadas incomuns, a Dra Vanessa percebeu como as hiperestimulações devem ter sido complicadas e dolorosas. Ficou surpreendida por não ter sofrido torção dos ovários. Foi feita contagem dos folículos e esta miúda que vos escreve, que se encontra a cerca de duas semanas de se tornar quarentona, tinha 42 de um lado e, se não me engano, 35 no outro. Uma aberração, pois.

Falei que foi equacionada a possibilidade de ser realizado drilling antes das FIV. O que vou escrever em seguida pode ser importante para quem tem ovários poliquísticos e está no fim da linha, prestes a desistir. Supondo um cenário em que já não é possível realizar tratamentos, se está numa idade em que pensar na reserva ovárica deixa de fazer muito sentido e não constitui problema dedicar mais cerca de meio ano a queimar os últimos cartuxos, o drilling pode ser o derradeiro resquício de esperança para tentar uma gravidez natural. Não o pretendo fazer, mesmo que os 3 embriões não deem em nada. A minha decisão está mais que tomada.

Assinalei numa folha de que forma sou afetada pelo hirsutismo, selecionando uma escala ilustrada; foi registada a minha altura e o peso; mediu-se o perímetro da cintura, bem como da anca e realizou-se a medição da tensão arterial.

Foi frisado que o objetivo do estudo não é investigar as minhas falhas de implantação. Estou bem ciente disso, assim como sei que não terei qualquer benefício nesta participação, além de ter análises atuais. Outras mulheres, pelo contrário, poderão ter apoio que até lhes permita engravidar.
O conhecimento científico não cai do céu e há ainda muitos assuntos que carecem de investigação. Sem estudos de caso, compilação e análise de dados, avanço tecnológico e capacidade de interpretação da informação, torna-se difícil progredir no conhecimento.

Darei amanhã o próximo passo voltando a Guimarães para, desta vez, fazer análises. Do ponto de vista analítico serão avaliados os seguintes parâmetros: FSH, LH, Estradiol, Cortisol, Prolactina, TSH, T4 Livre, Testosterona, DHEA-S, Hormona anti-mülleriana, Leptina, Grelina, SHBG, Colesterol LDL, Colesterol HDL, Triglicerídeos, Glicose, Insulina e ACTH. Irei finalmente saber o valor da hormona anti-mülleriana que nunca foi pedido em todos estes anos, talvez por conta das imagens óbvias das ecografias.

Serei posteriormente informada de todos os resultados e a minha interação deverá manter-se à distância, ou seja, por via eletrónica. Este contributo faz-me sentir um pouco mais útil para outros, já que para mim é tarde e deixa-me com a sensação de dever cumprido. A minha passagem aqui pelo planeta faz um pouco mais de sentido se, pelo menos uma pessoa, tirar partido dos resultados da investigação.

Sobre o regresso ao Hospital de Guimarães, este não me é desconhecido, por maus motivos. O edifício onde fui à consulta esta tarde fica bem ao lado da unidade onde o meu pai foi acompanhado, em oncologia. A última vez que o levei àquele lado foi há praticamente 17 anos, dois dias antes de ter assistido à estupidez que é as células deixarem de funcionar, por mais que queiramos contrariar. O seu corpo resumia-se a pele, osso e barriga. O abdómen tinha de ser drenado semanalmente naquele hospital, uns 5 litros de cada vez, de um líquido claro resultante da falência do fígado provocada pelas metástases. Foi por isso que lá fui nessa altura. Ele já não tinha força para se manter em pé sozinho, por isso apoiava-se a nós para descer ou subir degraus, transportávamo-lo de cadeira de rodas dentro e fora de casa e eu pegava nele ao colo para o transferir para a cama. Esse período da minha vida teve um grande impacto na forma como encarei a infertilidade e todos os momentos desagradáveis que aconteceram entretanto.

Amanhã darei início ao Provera e conto menstruar no dia 5 de janeiro. Dia 6 ou 7 devo fazer ecografia e na semana seguinte, a TEC.

Enviei mail ao Dr. J. L. da CUF Descobertas para o colocar a par da recente estimulação e do rastreio de aneuploidias. A única recomendação que fez foi a de garantir um bom aporte de progesterona, por via vaginal.

2020 soa-me um número bom e 13 pode vir a ser o da sorte. Irei transferir o décimo terceiro mini-nós. É incrível como o pavio de esperança ainda arde, embora ténue. Aguardam-me semanas de bipolaridade. Se engravidar nesta transferência, gostava que fosse sem sangramentos de nidação, com um valor de beta chorudo e tudo a reinar na mais perfeita harmonia. Uma vez que fui contemplada com uma punção paradisíaca, em comparação com as anteriores, podia ter uma gravidez tranquila ao invés daquele sufoco permanente logo que tenho conhecimento de um resultado positivo. Não creio em nada ligado à transcendência, nem ando a pedir desejos a calhaus que se desintegram na atmosfera quando os avisto (meteoros). Ingiro as 12 passas despojada de pensamentos. Esta minha indiferença à crendice ou espiritualidade faz-me viver o processo com uma grande carga. Não sei como é que se pode deixar o desfecho nas mãos de alguma entidade aprisionada nos pensamentos. As células, os elementos químicos presentes nas mesmas e na forma como se combinam definem o sucesso ou o fracasso. A materialidade aliada às forças físicas cujas interações construíram a natureza e o Universo originam e destroem o que comummente chamamos de milagre da vida.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Previsões astrológicas

Parece que 2020 vai ser o meu ano. A minha mãe contou-me que há dias uma taróloga afirmou num programa de televisão que as nativas de Capricórnio que andam a realizar tratamentos para engravidar vão concretizar o seu sonho. Questionei se a profissional esotérica era a Maya, uma vez que para previsões futebolísticas já mostrou capacidades adivinhatórias que não abonam a seu favor. Pelos vistos não era, por isso a minha esperança está restaurada (como se eu vivesse em função dessas "previsões").

O que ela achou caricato foi a especificidade da situação da infertilidade associada ao meu signo.

Se der para o torto vou poder atribuir o falhanço à falta de competência da criatura que se atreveu a proferir alarvidades na televisão. É sempre bom ter um saco de pancada que arque com as culpas.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

PGT-A - o veredito

Quando há minutos vi que estava a receber uma chamada do hospital, gerou-se um rufar de tambores mental. Vários resultados podiam ser divulgados. A voz do outro lado foi objetiva e disse logo que dos 5 embriões, 3 são normais. Que alívio! Estava a custar não saber quando é que ia ter notícias e a expectativa do resultado ainda tornava a espera muito pior. Se "quisesse" e já explico o motivo das aspas, podia fazer TEC ainda em dezembro mas não vai ser possível. O motivo para o adiamento é o malvado Decapeptyl. A enfermeira perguntou se já menstruei este mês (como habitual), respondi que não menstruo (como já respondi 1500 vezes), quis saber o que costumo fazer para menstruar, mencionei que recorria ao Provera. Ela deu a indicação para o iniciar ainda hoje e ao vigésimo primeiro dia do ciclo iria ao hospital fazer ecografia. Soou outra vez o alarme Decapeptyl. Recordei que o Decapeptyl não me faz nada, ela quis saber como se resolveu das outras vezes em que não foi administrado e reformulamos as contas. Chegou-se à conclusão que a TEC não poderá ser em dezembro, porque durante uns dias o serviço estará fechado (normalmente é feita limpeza das condutas do ar condicionado).

Ótimo! Até sinto satisfação por isso, não estava muito disposta a passar mais uma época natalícia assombrada. Os últimos dois anos não me deixam boas memórias. Transferências em janeiro têm resultado em negativo, mas aguento melhor que gravidezes daquelas manhosas que tive. Pelas minhas contas o candidato que vai ser transferido deverá ficar cá hospedado pela altura em que faço 40 anos.

Ficou combinado com a enfermeira que começo o Provera dia 28 de dezembro. Calha bem, porque no dia anterior vou ao Hospital de Guimarães participar no estudo InOvulação.

Agora que já tenho datas vou enviar novo mail ao Dr. J.L. do Hospital CUF Descobertas para saber que sugestões tem para me dar relativamente à TEC.

Havia algo dentro de mim que me dizia que a maior parte dos embriões seria euploide. 3 em 5 parece-me um resultado bom, atendendo à minha idade, só que isto adensa ainda mais o mistério para a razão de 12 embriões transferidos não terem resultado numa gravidez bem sucedida. Vou morrer sem saber a causa.

The end is near, 2020 deve ser o ano do fim. Vou manter a fórmula de transferir um embrião por TEC. A partir de agora virá sempre a dúvida da descongelação favorável e do que se lhe segue.

Se houver santinhos das TEC, espero que não me contemplem com nova gravidez bioquímica ou aborto, prefiro negativos. Acho que já fui castigada em demasia.

Não fosse estar este tempo do Demo, iria gritar de felicidade do alto da minha varanda, por saber que há células nossas com viabilidade e ter conhecimento de datas.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Estudo clínico InOvulação

Está a decorrer um estudo sobre a disfunção do ciclo menstrual, apoiado pela Escola de Medicina da Universidade do Minho, Instituto de Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), Centro Clínico Académico de Braga e Hospital Senhora da Oliveira Guimarães. Apesar de o público-alvo previsto incluir mulheres entre os 18 e os 38 anos, foi-me permitida a participação. No final de dezembro estarei no Hospital Senhora da Oliveira para começar a dar o meu contributo.

Perguntar-me-ão o motivo para agora, no fim da linha, envolver-me nesta iniciativa. Certamente não me ajudará em nada, pois para mim já é tarde. Estou principalmente a pensar nas mulheres que, como eu, vão enfrentar este demónio da infertilidade e ainda nem sequer o sabem ou nasceram. Vão precisar de apoio e respostas. Neste momento tenho apoio de acordo com o que é conhecido atualmente, mas respostas não as conheço. Tudo o que me foi falado, fracasso após fracasso, baseia-se em suposições. Se hoje beneficiamos de PMA foi porque o conhecimento científico evoluiu. Para que ele seja mais completo, julgo ser um dever cívico participarmos. Vou gastar combustível e dinheiro em portagens para ir e vir de Guimarães, vou despender de tempo enquanto for para lá, mas sabem o quanto isso me importa nesta fase, em que profissionalmente estou praticamente a zeros? Nada. Felizmente os meus tostões ainda me permitem fazer isso. Alguém, algures no passado, fez o mesmo por mim. Poderei estar a prestar um contributo importante para as filhas ou outras familiares de quem me está a ler. É por isso que faço o apelo a quem reúna os critérios para participar neste estudo e lhe seja viável do ponto de vista logístico, que colabore. Poderá trazer vantagens para si e, em simultâneo, permite que se vá desvendando mais mistérios no âmbito da SOP e disfunções do ciclo menstrual.

Vou, excecionalmente, publicar duas imagens no blogue, com a devida autorização da Dra Vanessa Silva. Temos estabelecido uma comunicação salutar, tendo-me solicitado que publicitasse este estudo na minha casinha virtual.




O endereço que se segue tem mais informações acerca deste projeto
http://www.inovulacao.com

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

8 anos

Estou há perto de uma década a enfrentar o maior desafio que a vida me colocou à frente. Oito anos sem resultados. Quando me aventurei neste caminho não cogitei acerca do tempo que iria dedicar-me a esta causa. Inocentemente idealizei que 35 anos era o limite ideal para entrar no mundo da maternidade. A um passo dos 40 anos esta história ainda não acabou. Poderá terminar este mês, se da parte do Departamento de Genética as notícias não forem animadoras. Caso as nossas células se tenham entendido de forma biologicamente apropriada, a situação vai arrastar-se mais alguns meses, com aquela incógnita típica das transferências.

Daqui a umas duas semanas os meus pensamentos vão começar a estar direcionados para o resultado do rastreio por fazer um mês que a biópsia foi realizada. Até ao fim de novembro devo saber alguma coisa. A par disso estou a finalizar a fisioterapia ao pé. Vou ficar com sequelas às quais terei de me habituar. Ando também a efetuar outros exames por problemas que têm surgido. O fantasma oncológico e uma questão inflamatória que tem de ser esclarecida estão a ser investigados. Desde meados de agosto vou a hospitais/clínicas de diagnóstico com uma frequência quase diária (nos dias úteis). Além daquilo que está agendado ainda vou marcar mais dois exames aos quais se poderá seguir outro, só para uma das coisas que está a ser estudada. Na semana passada apareceu outra "surpresa" a que deverei estar atenta para ver se cresce, volta a doer ou desaparece. Estou a tratar disto tudo agora, enquanto não surge nenhum aviso de que farei alguma TEC. Aguardam-me algumas consultas, uma sedação no dia 14 e outros exames que não poderia fazer se estivesse numa fase de transferência.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Legitimidade?

Li uma notícia que, a ser verdade, carece de reflexão.

Uma mulher, provavelmente indiana, foi mãe aos 75 anos. Ela e o seu marido de 80 anos tinham já adotado uma criança mas há uns anos decidiram passar por um processo completo de gravidez. Realizaram uma FIV e a bebé nasceu às 30 semanas com 1,5kg. A gravidez foi complicada dado que a mãe tinha problemas pulmonares. A mãe teve alta, contudo a pequena ficou internada na neonatologia.

Tendo em conta esta notícia que não adianta mais informações, nem se sabe até que ponto o seu conteúdo é integralmente verdadeiro, surgem questões para as quais ainda não consegui emitir um juízo de valor. É legítimo que este casal enverede por um percurso desta natureza numa idade tão improvável? O supremo interesse da criança, como habitualmente se invoca, estará devidamente acautelado? Presumindo que a esperança de vida dos pais não será muito mais longa, o que terão pensado eles a esse respeito?

De uma coisa tenho a certeza, eu não o faria, daí gostar de conhecer a perspetiva deles. Se estou reticente em relação a mim mesma, porque o meu pai morreu com 54 anos, na situação deles, não arriscava mesmo. Se eles descobriram o elixir da eterna juventude a história seria diferente.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Há uma luzinha de esperança

Ligaram-me há minutos para fazer o balanço final. As biópsias foram feitas hoje. Dos 6 embriões desta estimulação 4 aguentaram. Dos dois que estavam congelados um degenerou e o outro desenvolveu, sendo também realizada biópsia. A bióloga não está muito confiante em relação a este último, porque sofreu várias agressões. Foi criopreservado, desvitrificado, biopsado e voltou a ser congelado. Mas, também como disse, nunca se sabe se ele não surpreende.

Sendo assim, será feito o rastreio a cinco embriões. A bióloga disse para não contar fazer TEC este ano. Estão com imenso trabalho e ela não tem a certeza do tempo que o departamento de Genética vai demorar a manifestar-se. Talvez em janeiro faça transferência, se houver boas notícias. Perguntei como seria no caso do resultado ser desastroso. Aí contactam-me e terei consulta para falarem comigo ou se preferir saber por telefone, informam-me.

Estou nervosa mas aliviada por mais uma etapa estar concluída.

Ontem e hoje tenho pontadas esporádicas no ovário direito, principalmente quando a bexiga está a ficar cheia. Os ovários devem continuar volumosos. As mamas estão túrgidas e pesadas, oxalá menstrue em breve.

Vou aproveitar esta semana para fazer a vacina da gripe, a diretora disse que não havia problema.

Sinto-me emocionada e agradecida por estar a ter esta oportunidade. Hoje choro lágrimas de alegria, há muito tempo que a vida não era generosa para mim nesta matéria.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Em recuperação

Tenho algum volume abdominal e as dores quase não existem. Está a incomodar-me mais a tensão mamária que só vai ficar resolvida quando menstruar. É tiro e queda.

Os maxilares estão um pouco doridos mas para ter esta sensação é porque, mais uma vez, foi realizada tração da mandíbula para melhorar a ventilação.

Voltei à fisioterapia, não tive dificuldade nos exercícios que exigiam um pouco de esforço na zona abdominal. Amanhã encerro a primeira ronda de 12 sessões e tenho mais uma consulta de ortopedia para reavaliação. Seguem-se outras tantas sessões de fisioterapia que vou realizar nas próximas 4 semanas.

Quero perguntar no HSJ se enquanto aguardo pelos resultados posso fazer a vacina da gripe. Durante as fases de preparação e de TECs que fiz em outonos anteriores ela desaconselhou. Agora que não estou a fazer nada, pode ser que não haja problema. Apesar de atualmente não estar em contacto com as fontes de contágio que me faziam ter gripes e constipações a um ritmo mensal, não sei o que me espera daqui a uns tempos.

Espero que os mini-nós estejam confortáveis e animados com as meioses. Foram muitas as oportunidades que as minhas células e as do meu marido deram entre si de se conjugarem, nem que fosse por algumas horas. 13 na primeira FIV, 15 na segunda e agora 11.

Só de ovócitos recolhidos foram no total 69, entre maduros e imaturos. Quando faço as contas a todos os números dos meus tratamentos e penso no que vivi até chegar aqui, parece algo irreal. Como é que consegui suportar isto tudo e não resultou sequer?

PMA no HSJ

Desde meados dos anos 90 que fui alertada para a necessidade de ajuda médica, caso pretendesse engravidar. Há muitos anos que estou ciente das listas de espera no serviço público, dos custos aproximados dos tratamentos e dos locais onde poderia realizá-los.

Mal tomámos a decisão de termos um filho, fui à minha médica de família manifestar essa intenção, porque eu necessitava de encaminhamento imediato. Tendo amenorreia (primária), o critério de um ano de relações desprotegidas até procurar ajuda especializada não se aplicava ao meu caso. O outro que indica apenas meio ano também não estava indicado, pois tinha apenas 31 anos. O HSJ era a minha escolha, tinha a convicção que por estar associado a uma universidade, poderia estar cientificamente mais avançado que outras unidades e eu pressentia que a minha situação não iria ser muito banal. Infelizmente vi-me obrigada a passar primeiro pelo HPH (da minha área de residência) tendo ocorrido falhas de encaminhamentos, consultas adiadas e tempos de empate, em que perdi perto de três anos até finalmente conseguir ir para o HSJ. Naquela altura uma médica de um local onde trabalhava disse que a partir dos 34 anos seria um pouco complicado ter acesso às consultas de PMA no HSJ, devido aos tempos de espera para os tratamentos pelo que restringiam o acesso. Felizmente não é assim, por isso quero tranquilizar quem não está a par da realidade.

Nas primeiras idas ao HSJ senti-me assoberbada. Primeiro porque nunca tinha lá ido e pode ser um autêntico labirinto para quem não conhece. Chegava com imenso tempo de antecedência para conseguir encontrar a horas os locais para fazer as colheitas de sangue. Ora eram nas consultas externas que é bastante confuso, ora na parte da Faculdade de Medicina, na área de Genética. Aí, para aceder a um corredor a dois metros de nós, não podíamos passar por uma porta à nossa frente. Tínhamos de ir ao piso -1 atravessar para o outro lado, depois subir, ou seja, uma confusão. Cada pessoa a quem pedíamos ajuda dava-nos uma indicação diferente e eu começava a pensar "no que raio me fui meter?".

Não fui muitas vezes ao pavilhão das consultas externas. Fiquei a saber que quando chegasse a altura de começar os tratamentos iria passar para o famoso piso 3 de Medicina de Reprodução. Quando veio essa fase perdi-me pelos corredores do hospital, pois apenas "dominava" a parte das consultas externas. Só quando saí do piso 3 pela primeira vez é que vi que ele tem um acesso super direto a partir do exterior, sem ter de passar pelos labirintos.

Chegados os primeiros tratamentos, fiquei um pouco desiludida com a falta de informações por parte da equipa médica. Fui percebendo com o tempo que a iniciativa teria de partir de mim para colocar questões, às quais nunca se negaram a responder, nem o fizeram com má vontade.

Desesperava com as horas infinitas na sala de espera mas apercebi-me que a máquina estava bem oleada, pois éramos chamados segundo uma ordem específica pelos diferentes profissionais. Só não acontecia numa sequência imediata. Havia e continua a haver vários regressos à sala de espera.

No dia em que iniciei a primeira FIV estava ansiosa. Tinha aguardado um ano por essa data e ao início da tarde era o funeral da minha avó. Sabia que ia fazer ecografia, ter consulta, realizar análises, ter ensino com a enfermeira e depois de sair do hospital ainda ia à farmácia comprar as injeções. Isso podia ocupar umas boas horas, às quais acrescia uma viagem de mais de 60km para ir ao funeral. Receava não conseguir chegar a tempo. Falei com a técnica administrativa que queria ir ao funeral e perguntei se era possível acelerarem um pouco. Foram todas impecáveis, fiquei muito tocada com o gesto delas, dado que tudo foi realizado praticamente de forma seguida.

Durante várias TEC notei que eram sempre colocadas as mesmas questões. Apesar de me reconhecerem nos corredores não se lembravam exatamente das minhas particularidades. Isso causou-me algum desânimo, uma vez que sentia que não estavam a prestar realmente atenção à diferença que estava a ocorrer face à maior parte das outras pessoas. Parecia que havia uma linha de montagem instalada e que sofriam da síndrome "Gabriela, Cravo e Canela", como dizia um professor que tive na universidade. O que ele pretendia exemplificar é que há pessoas que durante toda a sua carreira profissional trabalham da mesma forma, não estando abertos à mudança. A canção da Gal Costa referia "Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabriela".

A equipa médica tem quatro pessoas em permanência. Três são maravilhosas, há outra que não me impressiona. Esta última trabalha numa das clínicas privadas referenciadas na área da infertilidade. Se eu procurasse alguém para me acompanhar a título particular não a escolheria certamente. Bater sempre na tecla do Decapeptyl para a preparação das TEC e afirmar cheia de convicção que o endométrio está pronto a descamar em um ou dois dias, o que nunca acontece, não me deixa confortável em relação a ela. Do ponto de vista técnico, já me "engravidou" duas vezes, salvo erro e acho que me fez uma punção. Em relação à atenção ao utente, no que diz respeito em saber realmente quem tem à sua frente, ainda não me convenceu, lamento.

Com os sucessivos falhanços gerou-se uma mudança nas suas abordagens e começaram a ouvir-me. A primeira pessoa a fazê-lo foi a diretora, com a qual várias utentes não simpatizam minimamente. Pois eu digo, ela é ESPETACULAR. Depois disto terminar pretendo que seja a minha ginecologista. A médica mais jovem da equipa vai dar cartas na investigação e está à frente da inovação do serviço, no que diz respeito às técnicas. Ela não sofre da síndrome que mencionei uns parágrafos acima. Certamente ela está a ter esse destaque devido ao apoio do resto da equipa.

A equipa de enfermagem tanto é o aconchego, como a dose de boa disposição que levanta o astral de qualquer um. Só tive um momento menos bom na primeira gravidez com uma afirmação demasiado frontal mas realista.

Não tive muito contacto com as biólogas mas foram sempre afáveis e otimistas.

Por fim, a minha S. Não deixei para o fim por ser menos importante. O serviço sem ela não seria o mesmo. Ela é EXCECIONAL! É o rosto do piso 3 - desenrascada, atenta, atenciosa, interlocutora, o colinho quente que nos conforta, a claque que nos levanta quando estamos caídos ou à espera de um resultado. A função de técnica administrativa é muito pouco para aquilo que ela representa no serviço.

Face a todo o meu percurso fracassado e a todas as revisões feitas ao processo digo convictamente que hoje sabem quem sou. Os tratamentos são feitos à minha medida e vibram com cada etapa ultrapassada. A probabilidade de sair do HSJ da mesma forma que entrei é grande. Não é por isso que vou sentir ressentimentos em relação ao meu acompanhamento lá. Sei que os conhecimentos atuais no campo da infertilidade ainda têm muito a evoluir. O hospital e as unidades de PMA, em geral, estão a agir de acordo com aquilo que a ciência lhes oferece. A aposta no empirismo é uma forma de tentar suprir as lacunas. O buraco negro que é a infertilidade inexplicada não o será a médio ou longo prazo, assim espero.

O serviço público de PMA não é uma aberração como tantas vezes se lê ou vê em diferentes meios de comunicação. Há restrições em termos de idade, número limite de tratamentos e tempos de espera pouco compatíveis com a idade reprodutiva, é uma verdade. Como já exprimi noutro local que não este blogue, as unidades públicas conseguem por vezes fazer omeletes sem ovos. Há dias maus no público mas no privado também não é tudo um mar de rosas. Quem faz os locais são as pessoas.

Se tiver de fazer uma recomendação de um hospital público para realizar tratamentos de PMA, aconselho o HSJ. Quem o escolher tem, no entanto, de estar disposto a ter tempos de espera mais prolongados que nos outros hospitais do norte, mesmo assim são inferiores aos de Lisboa, por exemplo. Louvo quem consegue estar mais de um ano à espera.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Fecundação - primeiras informações

Já tenho novidades dos meus miúdos. Dos 16 ovócitos, 11 estavam maduros. Após a microinjeção há, neste momento, 6 embriões muito bons e outro que provavelmente não irá evoluir. Os outros dois mini-nós serão descongelados e deixados a desenvolver. Domingo é o dia das biópsias e só voltarei a ter notícias nessa altura.

Tenho esperança que vai haver embriões a resistir a todo o processo e sobre os quais poderei saber, daqui a umas intermináveis semanas, o resultado do rastreio.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Do meu estado atual

É com uma enorme leveza que escrevo neste momento. Só o facto de não estar em sofrimento acentuado, o ânimo é muito maior. O mau estar é praticamente nulo em relação às terríveis experiências anteriores. Acho que vou ter uma ótima noite. Não me parece que o estado vá piorar, até porque não vai haver transferência a fresco.

Em termos de excreção está tudo funcional, o que é um alívio. Lembro-me que após a primeira punção o meu intestino tirou férias quase duas semanas. Tomei uma medida extrema para tentar solucionar a situação sem recorrer à via farmacológica. Atualmente rio-me do que fiz, mas na altura estava desesperada. Sou intolerante à lactose e tenho SII (Síndrome do Intestino Irritável). Há determinados alimentos/pratos que me levam quase instantaneamente a descobrir onde é a casa de banho mais próxima. Alguns alimentos consegui identificar mas há muitas situações em que ainda não descobri o(s) culpado(s). A lactose combina esse efeito imediato com uma dor intensa e uma sensação de barriga insuflada que perduram por dias. Quando me apercebi da inatividade do meu cólon e vi que a obstipação estava convictamente instalada, decidi agir. Pensei atacar com um pingo feito de leite "normal". Acreditem que a quantidade de lactose presente num simples pingo, causa-me muitos estragos. Este ato iria trazer como consequência desagradável uma dor persistente intensa que não queria sentir, considerando que ainda estava sob o efeito da hiperestimulação. Desisti do plano da lactose e passei para o da SII. Há um prato que, nalguns locais e num em concreto, é tiro e queda para me fazer visitar o WC. É a famosa francesinha! A uns três quilómetros da minha casa encontra-se um restaurante pequeno, onde praticamente toda a gente come o mesmo, ou seja, a famosa sanduíche com carnes, queijo e coberta de molho. É boa, é poderosa! Tão poderosa que lembrando-me do que ela me causava, implorei ao meu marido para jantarmos no restaurante P., porque não sabia mais o que fazer para despertar o gigante adormecido. Então lá fomos, estava confiante que o meu plano ia resultar. Enganei-me redondamente! Comi a francesinha e não aconteceu nada... Fiquei com uma revolta imensa e mais preocupada ainda. Só uns três dias mais tarde é que o intestino deu sinal de vida. Curiosamente estive alguns anos sem ir àquele restaurante e quatro dias antes de iniciar esta estimulação regressei com um grupo de amigas. Estava de pé atrás e com razão, pois o raio da francesinha fez-me voltar a visitar as instalações sanitárias.

Voltando a este tratamento, estou mesmo confiante de que os ovócitos estão maduros o suficiente e com melhor qualidade que na estimulação anterior. Da outra vez foi um disparate, passar em apenas 3 dias, de folículos abaixo de 10mm para um estado praticamente pronto a puncionar. Hoje falaram-me várias vezes que me vão contactar quando chegar a altura de preparar a TEC. Partem do princípio que vai haver embriões para transferir, estão sempre muito mais otimistas que eu. Vou seguir no embalo e esperar pelo telefonema. Para que isso aconteça só tenho de ouvir boas notícias da bióloga. Amanhã vou perguntar-lhe como vou ter conhecimento do resultado do rastreio.

A diretora, as enfermeiras e a maravilhosa técnica administrativa ficaram realmente felizes por ter dito que esta punção correu de uma forma que nunca esperava. Vou guardar na memória cada uma delas com muito carinho.

PGT-A - Punção

Ainda me encontro na caminha do hospital. Que diferença! Fui medicada para as dores bem cedo para acordar melhor e de facto a mudança é abismal. Acordei dorida, mas nada comparado com as outras vezes. Não tenho a sensação de ter sido esmurrada nos maxilares. Falei previamente com a anestesista sobre essa situação, assim como do facto de na punção anterior ter dores abdominais, mesmo sedada.

Quando vinha a caminho do hospital comecei a sentir aquele peso incomodativo no fundo da barriga, característico do elevado volume dos ovários.

O meu marido foi neste momento tratar do seu contributo. Fui a única pessoa a fazer hoje punção, por isso o quarto do recobro foi só para mim. As dores são tão poucas que até me dei ao luxo de dormir. Fiz uma soneca considerável e soube maravilhosamente.

Foram recolhidos 16 ovócitos. É uma grande diferença em relação às outras vezes mas, não sei porquê, estou calma e confiante. Aqueles valores absurdos acima de vinte não me convenciam muito.

Irei escrever mais alguma coisa à tarde ou à noite.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 15

Às 8h vou estar no hospital para colocar o catéter, depois é aguardar pela minha vez para fazer a punção. Está a começar a chegar o nervoso miudinho, não pelas dores que vou sentir mas pelo aproximar das próximas etapas.

Trata-se do culminar de oito anos cheios de incertezas, desilusões, sofrimento. Passei milhares de horas a pesquisar, perdi a conta às noites em claro a pensar na vida, gastei muitos dias em salas de espera de hospitais. Deixei vários tubos de sangue para analisar, fiz uma quantidade de ecografias que jamais pensei que fosse realizar. Sacrifiquei a minha vida profissional para conseguir fazer tratamentos a cada 4 meses, tomei uma quantidade infindável de comprimidos, injetei-me com a mesma ligeireza com que realizo uma atividade banal do quotidiano.
Chorei, se chorei... Acabei por ficar sem lágrimas pela permanente deceção comigo. Ouvi muita coisa, desde palavras de motivação, incentivo e aconchego. Fui também variadíssimas vezes dissuadida a desistir, a procurar alternativas de tratamento ou aconselhada a ponderar outras formas de ser mãe. Foram-me ditas algumas palavras que dispensava ter ouvido. Os momentos baixos sobrepuseram-se aos altos, planeei o meu dia a dia em função dos tratamentos ou dos seus possíveis resultados, perdi o meu eu algures por aí. Perdi 4 filhos. Dezenas de embriões, os mini-nós, não conseguiram evoluir. Na vida além da infertilidade realizei algumas conquistas, vivi momentos felizes, amadureci. Passei a valorizar mais a simplicidade, aprimorei a forma de ver o que me rodeia, não me deixo deslumbrar facilmente com as coisas.

Validei uma grande aprendizagem com esta luta. Não temos noção da nossa capacidade para enfrentar situações menos boas até nos depararmos com elas. O motor desta luta é a esperança.

domingo, 6 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 14

Declaro encerrada a temporada de injeções!

Não sei se voltarei às picas numa possível TEC mas, por enquanto, a minha barriga em modo de coador vai descansar um pouco. Reparei desta vez que as veias nas mamas estão mais visíveis e tenho um bocadinho de tensão.

A atividade dos ovários está estranhamente branda, quase não percebo que tenho pipocas a eclodir cá dentro. Vou considerar que é um pequeno bónus para compensar todo o sofrimento que tenho vivido.

sábado, 5 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 13

Encerrei as injeções de Menopur e Orgalutran, amanhã finalizo com o Decapeptyl. Foi a estimulação mais longa, mesmo assim a diferença não é muito significativa. Sinto-me como ontem, até estou bem. Tenho uma pequena esperança de que a punção e os dias seguintes vão ser um pouco mais fáceis de suportar do que tem acontecido.

Sendo a punção na terça, o domingo que lhe segue (13 de outubro) é mais uma data determinante, a do quinto dia dos mini-nós. Os already frozen deverão ser descongelados na sexta para poderem acompanhar os potenciais irmãos que vão estar cheios de gana para realizar divisão celular.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 12

As pipocas estão aí! Os folículos têm tamanhos heterogéneos mas ainda há tempo de alguns poderem vir a ser os tais. Não tenho a contagem detalhada contudo, pelo que vi, o ovário esquerdo tem 12 candidatos e o direito 10. Terça-feira é o dia da punção. As minhas amêndoas devem estar do tamanho de ameixas ou tangerinas e lá para segunda-feira deverei carregar no meu ventre duas laranjas em explosão eminente. Quando estou sentada consigo sentir que tenho cá dentro umas coisas volumosas e fazer a ecografia não foi a melhor das sensações. A andar também noto a presença dos ovários. Agora é sempre a piorar.

Vou manter Menopur e Orgalutran até amanhã. Domingo, como não podia deixar de ser, fecho a loja com Decapeptyl 0,1. Adio, adieu, acho que me vou livrar definitivamente destes três e das hiperestimulações. Será o fechar de uma das várias portas que estão abertas neste labirinto. Estou preparada para sofrer mais um pouco. Não tem sido de outra forma nos últimos dois meses, a um ritmo diário, em diferentes partes do corpo.

Depois da punção vem o próximo mistério: o do resultado da fecundação. Por enquanto estou radiante pelo degrau da estimulação ter resultado num agendamento de punção.

A enfermeira disse que os meus ovários fazem ver a muitas jovens. De que me tem servido isso? Se me tivesse calhado na rifa apenas um ou dois ovócitos na primeira FIV, que culminassem num filho, tinha ficado muito mais orgulhosa do que nos mais de 50 que me sacaram e que até agora não deram em nada.

Vou aguardar pelas cenas dos próximos capítulos, porque não tenho o dom da adivinhação.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

PGT-A - Dia 11

Hoje, enquanto fazia uns exercícios na fisioterapia para simular piso irregular, comecei a ter algum desconforto nos ovários. Durante o resto do dia não voltei a sentir, porque andei essencialmente em locais planos. Fiquei um pouco mais expectante de que os ovários estejam menos sonolentos. Só vou saber amanhã de manhã, (in)felizmente não tenho capacidade para ver o que se passa cá dentro.

A par disto continua a saga da recuperação da entorse. Tive esta tarde consulta com a fisiatra, porque na próxima semana ia terminar o conjunto de sessões de fisioterapia inicialmente estabelecido. Como a evolução está a ser muito lenta, aguardam-me mais 4 semanas além desta que ainda tenho de fazer. Na primeira quinzena de novembro termino (ou não) a fisioterapia. Poderei ficar com sequelas permanentes mas pelo menos estou a tratar da parte muscular para o estrago ser suavizado. Vou continuar a manter a minha "pulseira eletrónica" durante mais uns tempos, evitar caminhadas longas, piso irregular, calçado pouco estável. Quem diria que um simples passo me ia dar este trabalho?