terça-feira, 20 de setembro de 2016

Dia 4 - TEC 2

Sobre uma atualização do meu (não) estado, nada tenho a dizer. O dia de hoje, à semelhança do de ontem, foi em tudo igual ao de sábado, no que diz respeito ao meu bem-estar físico e psíquico.

Quero, no entanto, aproveitar o post para abordar um assunto em que estive a refletir durante o dia. Admito, de vez em quando há umas sinapses a acontecer nos neurónios que me restam...

Antes de criar este blog tinha elaborado umas grelhas anuais, em papel, nas quais registava todas as medicações introduzidas, datas de consultas, exames realizados e menstruações, para o caso de algum médico me questionar acerca do que já tinha sido feito para combater o bicho-papão. Era um instrumento frio, que me desanimava, pois já tinha algumas folhas A4 acumuladas de informação que parecia avulsa.

Pensei posteriormente fazer uma espécie de diário como as adolescentes da minha altura. Se eu tivesse escrito algum naquela época o seu conteúdo seria muito enfadonho. Passo a transcrever excertos do que lá iria constar:

"Meu querido diário, hoje perguntaram-me se já sou mulher, estou quase a fazer 15 anos e ainda não sei o que é menstruar";

Um ano depois... "Meu querido diário, fui fazer análises para tentar descobrir por que é que só menstruei uma vez";

"(...) estive 4 horas numa sala em Paços de Ferreira, à espera para fazer uma ecografia pélvica, porque é o sítio mais perto de casa onde se faz este exame. Vou mais uma vez procurar desvendar a razão da amenorreia";

"(...) a ginecologista disse-me que posso ter um tumor na hipófise ou hipotiroidismo. Querido diário, só tenho 16 anos, não é muito cedo para ouvir estas coisas?";

"(...) vim com o meu pai ao Porto fazer análises ao laboratório Dr. Campos Costa, ainda não se sabe ao certo o que tenho";

"A minha adolescência está a chegar ao fim, não a vivi, certamente nem me vai deixar saudades. Ainda por cima fiquei a saber com 15 anos que na idade adulta vou ter problemas se algum dia quiser ter filhos".

Depois de ponderar optei pela via da publicação on-line, como memória futura minha, da descendência que há-de vir e de quem ocupa parte do seu precioso tempo a ler o que para aqui vou escrevendo. Dá também bastante jeito como cábula, quando preciso de informação que já não me recordo com rigor.

É normal espreitar às vezes o alcance que estas palavrinhas têm na rede, através da ferramenta de estatística disponibilizada pelo Blogger. O número de visualizações é muito mais simpático do que poderia alguma vez imaginar, para um humilde espaço que ainda não completou um ano. Confesso que fiquei abismada com a expansão geográfica. Não escrevo com o intuito de atingir números, soa-me a objetivos organizacionais. Está muito acima disso. Quem compreender a pequena frase que está abaixo do título "Um grito mudo de alguém que vive no submundo da INFERTILIDADE", está sintonizado na mesma frequência que eu.

Tenho orgulho em receber feedback de grandes guerreiras desta injustiça da vida. Sei, contudo, que há pessoas "em silêncio", dentro e fora de Portugal, que acompanham a minha história. Acredito que em algum aspeto, por mais pequenino que seja, sentem o mesmo que eu. São normais os picos de alegria seguidos de descrença, as fases de incertezas, dúvidas, medos e confiança extrema. Uma luta é mesmo isso, é trabalhosa e leva à exaustão.
É também possível que nem todos os leitores deste blog estejam a passar pela infertilidade ou a tenham vivido mas a queiram entender, motivados por algo.

Independentemente da forma como aqui vieram parar merecem o meu profundo respeito. Espero levar-vos algum conforto.

4 comentários:

  1. Olá! :)

    Eu sou uma das pessoas que vai acompanhando o teu blog em silêncio.

    Também vivo no submundo da infertilidade e acho mesmo isso...que é um submundo! Ninguém quer ouvir falar acerca da infertilidade e, muito sinceramente, às vezes nem eu quero falar acerca disso! Mas a verdade é que é o nosso mundo! E sim, ler-te traz-me algum conforto! Obrigada :)

    Desejo mesmo que seja desta e que dia 28 tenhas a melhor das notícias! :)

    Um beijinho, Ana

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    1. Obrigada pela recetividade! Não te dou as boas vindas a esta casa pelo motivo que te trouxe cá mas folgo saber que te ajudo de alguma forma.

      Desejo que te vejas livre deste monstro o mais cedo possível.

      Um beijinho

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  2. Olá! Sou também daquelas que te vai seguindo em silêncio. Já estive várias vezes para comentar, mas nem sei porque não o fiz... O caminho da infertilidade é penoso, cheio de altos e baixos (demasiados baixos...), mas acredito que o ponto alto vai chegar para mim, para ti e para todas que mantêm a chama da esperança acesa (mesmo que haja dias em que parece que se quer apagar). Força! Estou a torcer para que o dia 28 seja daqueles dias a recordar para sempre como sendo um dia MTO bom :-)
    Beijinhos

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    1. Olá, PM!

      Devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para que a infertilidade não leve a melhor. Havemos todas de conseguir dar a volta a isto.

      Obrigada pela força e mantém-te na luta. Arranja formas de extravasar os pensamentos ruins que se vão acumulando, vais ver que ajuda o teu coração.

      Um beijinho

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