segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ideias acerca do eterno porquê

Tive o momento libertador que precisava, a dois, que deu algum alento para pensar no que me poderei focar em seguida. Ainda tenho 6 embriões, o que significa algumas hipóteses de dar outro rumo a estes finais infelizes.

Aquilo que antevejo é que chegando o mês de abril o hospital deve entrar em contacto para dar início ao ciclo de preparação da TEC 4. Eventualmente vão bater na tecla do Decapeptyl, substituir este pela pílula depois de lhes refrescar a memória sobre a minha relação com aquele injetável. Claro que vou manter a minha proposta de recorrer ao velho Provera. Enfim, imagino que vão acrescentar zero, transformando-me outra vez naquele enlatado igual a tantos outros. Peço desculpa pela abordagem mas é mais ou menos assim que tem acontecido.

Como não estou disposta a repetir fórmulas que não funcionam vou dar umas 3 a 4 semanas ao hospital para fazer a tal análise do processo, em equipa, que quero acreditar que vá efetivamente acontecer. Não havendo nenhuma comunicação da parte deles durante esse período vou eu fazê-lo para colocar as questões que queria ver esclarecidas hoje e ver a viabilidade de investigar outra coisa que me ocorreu esta tarde.

O meu corpo tem reações estranhas e exageradas em algumas situações. O sistema imunitário reage demasiado em situações simples, o que me faz pensar se os embriões não estarão a ser interpretados como um corpo estranho que deve ser expulso sem dó, nem piedade. Depois de uma breve pesquisa vi que o organismo da mulher, em condições normais de uma gravidez, "desativa um chip" que habitualmente rejeita elementos quando não os considera como sendo dele. Esta alteração imunológica permite que o embrião se desenvolva no ambiente materno, apesar de 50% do seu código genético não ser oriundo da progenitora. A pensar nesta possibilidade, nas ovodoações tenta-se garantir compatibilidade entre os genes da dadora e recetora para que as falhas de implantação ou abortos espontâneos sejam minimizados.

Quando andei a fazer despiste às trombofilias apresentei alterações nos linfócitos em número e morfologia, que foi interpretado pela hematologista como uma infeção à qual não deu importância. E se não for irrelevante? Haverá alguma relação com esta ideia da rejeição dos embriões? Realizei as análises cerca de 6 semanas após o aborto, quem sabe aquele parâmetro ainda era uma consequência que estava a ser detetada. Estarei a ter um raciocínio descabido?

Após mais algumas pesquisas vi que em Portugal não se fala muito desta temática (para variar) mas no Brasil há muitas referências. Existe um teste chamado Crossmatch que vai avaliar esta questão da incompatibilidade da mãe com o embrião. Não há consenso relativamente a este assunto, no entanto verifica-se que quando o resultado desse teste é negativo é possível criar uma vacina com os linfócitos do pai, aplicada num mínimo de 3 doses espaçadas, de maneira que o organismo da mãe produza os anticorpos necessários para combater aquela resposta indesejada. O embrião passa depois a ser aceite como algo que é totalmente compatível com a mãe. A literatura sugere que esta técnica poderá trazer alguns inconvenientes como o desenvolvimento de doenças autoimunes na recetora da vacina, nomeadamente lúpus. Poderei estar a entrar num raciocínio que nada tem a ver com a minha situação, mas é algo que desejo abordar no hospital. Se aquilo que "googlei" estiver correto, o HSJ é o único hospital público do país que realiza esta análise.

Outras ideias que também vagueiam pela minha cabeça são possíveis anomalias genéticas dos mini-nós. Não sei até que ponto estando eles criopreservados será viável realizar DGPI sem saber o que procurar ainda. O polimorfismo do PAI-1 detetado anteriormente e que foi ignorado, se calhar deve ser tomado em conta.

Para já são estes pontos que desejo esclarecer para perceber se há alguma lógica no que digo e se há abertura do hospital para ir um pouco além em relação ao que tem sido feito. Não quero que me fechem a porta daqui a um ano saindo com a sensação de que o HSJ é mais limitado do que pensava. Para isso bastou-me o Pedro Hispano, mas fui obrigada a passar por esse para aceder ao que considerava o supra-sumo público da infertilidade no norte.

Como se pode ver não fiquei satisfeita com aquele telefonema de breves segundos desta tarde. Obviamente o resultado não me deixou feliz mas, acima de tudo, a comunicação que eu esperava cara a cara com quem de direito não chegou a existir, suscitando-me mais dúvidas do que aquelas que tinha. Vou ter de resolver essa parte para traçar os próximos planos que estão ao meu alcance.

Outra questão que me surgiu foi a espera de 4 meses para nova TEC. É para dar descanso ao corpo? Aproveitar este tempo para delinearem algum plano de intervenção? Excesso de serviço no hospital? Aposto mais na última hipótese, mas poderá ser o meu mau feitio a dar de si.

14 comentários:

  1. Fico contente por te ver a reagir :)

    É isso mesmo... questiona o porquê e não desistir!

    Beijinho

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  2. Acho que fazes bem em perguntar e esclarecer todas as tuas dúvidas. Também fui perguntando, apesar de não ser comigo, e eis o que me responderam (vale o que vale querida), em relação ao parâmetro nas análises depois do aborto podia ser precisamente pelo aborto, o teu corpo tinha efectivamente acabado de expulsar um feto por isso seria natural ainda teres esses valores alterados. Em relação às anomalias genéticas, o que me disseram foi que existem milhares delas sendo impossível ir à procura no escuro, não existiriam sequer células suficientes para testar tudo. Disseram-me também que, os tratamentos de fertilização ficam efectivamente muito caros para o Sistema Nacional de Saúde e que são feitos com muito rigor e que não te fariam nada que não achassem ser o mais adequado...
    Mas percebo as tuas duvidas e acho mesmo que deves esclarecer tudo e insistir para mais respostas. Sou defensora do SNS a 100% mas sei que às vezes um bocadinho de pressão faz diferença, faz pensar mais fora da caixa!
    Desculpa o testamento querida mas olha não consegui ficar indiferente à tua situação e tendo cá em casa a quem perguntar não resisti :)

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  3. PL,
    Se calhar escreveste sobre isso no passado, mas alguem te explicou alguma vez o motivo por não menstruares nunca a não ser com indutores/drogas/hormonas sintéticas?
    Não fiques sem respostas agora, vai "atrás deles". Muita força.

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  4. Pat como já te disse o meu médico recomenda tomar um corticoide (medrol ou lepicortinolo) depois da transferência exatamente para os anticorpos não pensarem que o embrião é um corpo estranho e o expulsarem. A toma é feita apenas 5dias que são os essenciais no tempo da suposta implantação do embrião.
    No meu caso resultou. Embora nada seja garantido não faz mal tentar. Também penso que por menor que seja o risco da tua mutação de trombofilia (Eu também tenho um gene heterozigotico) deviam prescrever a aspirina gr para evitar qualquer coágulo que inviabilize a gravidez. Como não faz mal penso que é o recomendado.
    Fazes muito bem tentar eslarecer as tuas dúvidas todas , tens todo o direito.

    Força linda
    Emviasde

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  5. Olá Pat,
    Passei o dia a pensar em ti e queria ser um pouco intrometida.
    Há uns tempos uns amigos falaram-me de um super médico de uma clinica aí do Norte (COGI). Tal como eles fizeram, eu também enviei um email a contar todas as minhas perdas, e tratamentos sem sucesso, fiz menção aos exames que já tinha feito etc etc, enfim contem a historia toda.
    No caso dos meus amigos, o Dr está a fazer o estudo juntamente com um grupo de trabalho, no meu caso, respondeu logo ao mail mas acabamos por nos decidir pela clinica GINEMED.
    Tomo a ousadia de te deixar aqui o mail para onde poderás enviar (mario.sousa-266@netcabo.pt )

    Não perdes nada, tenta pelo menos, e receberás uma resposta, pode ser?
    Da tua companheira de TEC's, Bolinha

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  6. https://www.facebook.com/pg/pontodafertilidade/about/

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  7. PL... fico sem palavras.
    Admiro e valorizo a tua coragem. A tua cabeça não para, e assim não parem as palavras que sairão da tua boca na procura/validação de informação junto do HSJ. Tem que haver uma explicação. Tem que ser possível fazer diferente.
    Aguardo por notícias tuas.
    Um beijinho

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  8. Minha querida mt boa sorte nesta caminhada que bem sei como é....passei primeiramente pela maternidade Júlio Dinis onde fiz apenas um tratamento de icsi (beta positivo de 102) que terminou mal passado umas semanas. Ainda tive direito a internamento por uma má reação a uma medicamento. Após isto mudei me para o privado (clinica AB) e numa outra icsi com um protocolo muito mais adaptado a mim recebi um beta fantástico de 1146! Com isto quero dizer, acredite sempre!!!! Um desses embriões será especial e vai dar lhe a maior alegria do mundo!! Muita força!

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  9. Olá. Quero te desejar muita força para a tua caminhada rumo ao teu sonho! Regularmente venho aqui ver como andas. E é notável ver a força que tens, nunca desistas do teu positivo, porque tal como tu, sei que um dia chegará :) eu também andei em tratamentos para tentar engravidar e graças a Deus correu tudo muito bem, consegui o meu positivo no IVI Lisboa. Muitos beijinhos e vou estar sempre deste lado a mandar-te energias positivas :)

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  10. Olá, li o seu testemunho no forum de Mae para Mae. Sou um caso parecido - não tenho período durante IMENSO tempo. Desde sempre. Também me diziam que ia ter imensa dificuldade em engravidar. Fiz um quisto de 9 cm em 3 semanas ao segundo ciclo de Dufine. Não pude sequer tentar engravidar durante 1 ano depois disso. Passado 1 ano, voltei a tentar. Sempre sem o período. 5 meses depois comecei a tomar Thyrax recomendada pela endocrinologista e a fazer uma dieta super rígida (sem gluten, sem açúcar nenhum, sem tomate, sem trigo, sem álcool) indicada por um homeopata que trabalha em parceria com esta endocrinologista. 20 dias depois engravidei naturalmente (não estava nada à espera - não senti nada nem sequer sei ao certo quando engravidei de tal forma que demorei 7 semanas a decidir fazer um teste para perceber "que moinhas eram aquelas" - pensava que era finalmente o período a aparecer). Tenho uma filhota amorosa (e levada da breca) com 3 anos e estou há um ano a tentar novamente. Tudo igual, sem período, com thyrax mas mais descontraída com a dieta (ter um filho pequenino é cansativo e para mim comer bem e descontraída é um escape). Nunca fui gordinha, agora então desde que a minha filha nasceu ainda estou mais magra (peso 50 Kgs...). Mas tenho todo o quadro de SOP. Comecei a tomar metformina este mês a ver se ajuda e continuo com cuidado com a alimentação. Descontraída - claro que já tenho uma filha - que cada vez mais me apercebo que foi um pequeno milagre. Mas isto tudo para lhe dizer que pequenos milagres existem. Todos os dias. O seu há-de acontecer (mais cedo do que espera). E olhe que tenho um casal amigo que depois de 3 anos de tentativas, 3 FIV's e sem causa de infertilidade aparente engravidou precisamente quando desistiram. No mês seguinte. Os nossos filhos têm 1 mês e meio de diferença. Vai correr bem consigo. Força!

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  11. Querida PL, tenho vindo aqui procurar por ti.
    4 meses de pausa... será agora em abril que inicias a preparação para nova TEC? QUe novidades tens?
    Estou sempre a torcer por ti.
    Um beijinho

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  12. Bolinha,
    Então Pat, já começo a ficar preocupada.
    Xi coração

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  13. Pat como estás? Nunca mais trouxeste noticias.

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