Devagar, devagarinho, os folículos vão crescendo. Sexta-feira volto a fazer ecografia. A médica diz que ovários como os meus são perigosos, parecem bombas relógio. Não vou fazer alteração da medicação e ficar confiante de que este crescimento lento vá ser fundamental no bom amadurecimento dos ovócitos, para que a taxa de fecundação seja espetacular.
O ponto da situação é este:
Ovário esquerdo - 13, 13, 12, 11, 10, 10, 10mm
Ovário direito - 12, 12, 10mm
Vou manter-me serena, sei que as médicas estão a tomar decisões conscientes.
Gosto globalmente do acompanhamento que estou a ter no HSJ desde que viram que sou "diferente" da norma. O único aspeto negativo é a espera pelo atendimento, mas já me habituei a isso e prepararam-nos para tal. Tenho de fazer um post dedicado apenas à equipa e ao hospital, é mais que merecido.
Um grito mudo de alguém que viveu no submundo da INFERTILIDADE e (spoiler alert!) - acabou por mudar de rumo
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
terça-feira, 1 de outubro de 2019
PGT-A - Dia 9
Não sinto nada, o que aumenta o mistério sobre a atividade/inércia nas minhas profundezas.
Consultando a minha cábula digital, fiz na estimulação passada ecografia na mesma altura que farei amanhã e as notícias foram bem melhores que na eco anterior. Isso traz-me um pouquinho de ânimo mas não retira a preocupação. O objetivo desta estimulação era ter muitos folículos, uma boa taxa de fecundação e embriões fortes o suficiente para aguentar a cultura de 5 dias. A meta é ambiciosa, tenho plena consciência disso. Gostava que o meu corpo cooperasse nesse sentido mas pode ser tarde.
Nunca saberei se aqueles quase três anos de perda de tempo, até finalmente conseguir ser acompanhada no HSJ, seriam preponderantes para que o rumo desta história fosse diferente. Aconteceu, tenho de viver com isso. Tenho algumas condições clínicas que dificultam a concepção, são parte de mim. Não posso viver com raiva ou ódio em relação ao que sou.
Estou a poucos passos de conhecer o final deste meu livro. Não há muita coisa de que me arrependa nestes últimos oito anos. Olhando para trás, tenho dificuldade em pensar se voltaria a fazer tudo igual, porque estou exausta desta aventura interminável.
Consultando a minha cábula digital, fiz na estimulação passada ecografia na mesma altura que farei amanhã e as notícias foram bem melhores que na eco anterior. Isso traz-me um pouquinho de ânimo mas não retira a preocupação. O objetivo desta estimulação era ter muitos folículos, uma boa taxa de fecundação e embriões fortes o suficiente para aguentar a cultura de 5 dias. A meta é ambiciosa, tenho plena consciência disso. Gostava que o meu corpo cooperasse nesse sentido mas pode ser tarde.
Nunca saberei se aqueles quase três anos de perda de tempo, até finalmente conseguir ser acompanhada no HSJ, seriam preponderantes para que o rumo desta história fosse diferente. Aconteceu, tenho de viver com isso. Tenho algumas condições clínicas que dificultam a concepção, são parte de mim. Não posso viver com raiva ou ódio em relação ao que sou.
Estou a poucos passos de conhecer o final deste meu livro. Não há muita coisa de que me arrependa nestes últimos oito anos. Olhando para trás, tenho dificuldade em pensar se voltaria a fazer tudo igual, porque estou exausta desta aventura interminável.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
PGT-A - Dia 8
Mais uma ecografia feita. Os ovários estão carregadinhos de folículos, no entanto só 3 se estão a começar a evidenciar, do lado esquerdo. Mantém-se a esperança de que se gere um boom até quarta-feira. Os corajosos têm por enquanto 12, 12 e 11 mm. Começo a sentir algum peso na zona abdominal enquanto ando.
Quero não estar enganada, quero conseguir fazer uma punção em que se extraia alguma coisa com potencial. Desejo não passar pela desilusão de não haver fecundação. A maior ambição que tenho atualmente é de que se chegue ao ponto de poder aguardar pelo resultado da PGT-A. Aceito até um resultado que indique que não há embriões com viabilidade. Um tratamento ficar a meio gás é uma tremenda frustração. Já passei por isso várias vezes, sei quão mau é.
Quero não estar enganada, quero conseguir fazer uma punção em que se extraia alguma coisa com potencial. Desejo não passar pela desilusão de não haver fecundação. A maior ambição que tenho atualmente é de que se chegue ao ponto de poder aguardar pelo resultado da PGT-A. Aceito até um resultado que indique que não há embriões com viabilidade. Um tratamento ficar a meio gás é uma tremenda frustração. Já passei por isso várias vezes, sei quão mau é.
domingo, 29 de setembro de 2019
PGT-A - Dia 7
Reina a harmonia! Não deteto nenhuma atividade nos ovários. Na estimulação do ano passado comecei a sentir alguma coisa no décimo dia. Tinha feito a ecografia que antecedeu a punção. Em apenas 3 dias passei de uns folículos inferiores a 10mm para "milhentos", como referiu a médica, de tamanhos generosos.
A reação do meu corpo à estimulação vai mostrando os sinais da idade. Em 2016 por esta altura, com a mesma dosagem, já tinha dores, aumento de volume abdominal e foi necessário passar para 125UI. Em 2018 foi preciso suspender o Orgalutran e voltar a retomar, face à resposta tardia.
Poderei estar com a barriga um pouco inchada mas ainda não estou muito certa disso.
O dia de amanhã vai ser peculiar. Começo a manhã num hospital para fazer fisioterapia, em seguida vou para o HSJ. À tarde vou acompanhar o meu marido a outro hospital, porque daqui a uns meses vai fazer novamente cirurgia a hérnia inguinal bilateral. Em 2014 fez cirurgia aberta e em nenhum momento foi dada a indicação de que esse tipo de procedimento poderia trazer complicações devido à manipulação dos canais deferentes, causando infertilidade. Desta vez falámos com a médica do serviço de cirurgia sobre o assunto e a via laparoscópica é a mais segura, contudo não é certo que vá ser esse o procedimento. Está referenciada a preferência pela laparoscopia mas vai depender da existência de material apropriado na altura da intervenção e da disponibilidade da equipa. Uma bodega, portanto... A forma de intervenção não deveria depender deste tipo de condicionamentos. Como a cirurgia será daqui a cerca de 6 meses, não vai influenciar este tratamento. Contudo, supondo que a PGT-A não dê em nada, não faremos mais tratamentos de PMA, mas a porta não fica fechada para um "milagre" de uma gravidez espontânea. Não vou viver obcecada com isso, é certo, mas podendo deixar as vias desimpedidas, nunca se sabe.
A reação do meu corpo à estimulação vai mostrando os sinais da idade. Em 2016 por esta altura, com a mesma dosagem, já tinha dores, aumento de volume abdominal e foi necessário passar para 125UI. Em 2018 foi preciso suspender o Orgalutran e voltar a retomar, face à resposta tardia.
Poderei estar com a barriga um pouco inchada mas ainda não estou muito certa disso.
O dia de amanhã vai ser peculiar. Começo a manhã num hospital para fazer fisioterapia, em seguida vou para o HSJ. À tarde vou acompanhar o meu marido a outro hospital, porque daqui a uns meses vai fazer novamente cirurgia a hérnia inguinal bilateral. Em 2014 fez cirurgia aberta e em nenhum momento foi dada a indicação de que esse tipo de procedimento poderia trazer complicações devido à manipulação dos canais deferentes, causando infertilidade. Desta vez falámos com a médica do serviço de cirurgia sobre o assunto e a via laparoscópica é a mais segura, contudo não é certo que vá ser esse o procedimento. Está referenciada a preferência pela laparoscopia mas vai depender da existência de material apropriado na altura da intervenção e da disponibilidade da equipa. Uma bodega, portanto... A forma de intervenção não deveria depender deste tipo de condicionamentos. Como a cirurgia será daqui a cerca de 6 meses, não vai influenciar este tratamento. Contudo, supondo que a PGT-A não dê em nada, não faremos mais tratamentos de PMA, mas a porta não fica fechada para um "milagre" de uma gravidez espontânea. Não vou viver obcecada com isso, é certo, mas podendo deixar as vias desimpedidas, nunca se sabe.
sábado, 28 de setembro de 2019
PGT-A - Dia 6
Ando tão relaxada que só me lembrei da injeção às 22h em vez de administrar às 21h. Já me ia esquecer também de começar o Orgalutran. Não me vou autoflagelar por causa disso, até fico aliviada por estar assim. Só devo evitar perpetuar estes esquecimentos.
Matei "saudades" da agulha do Orgalutran e da teimosia que por vezes evidencia a atravessar a pele. Sinto o líquido a fervilhar ligeiramente aqui na zona. Está a fazer a sua magia, espero eu.
O meu querido pé direito está no seu inchaço de fim de semana. Estou a habituar-me de tal forma a isto, que já me custa a acreditar que ele vá deixar de ter este comportamento. Tenho dado folga da ortótese ao sábado, pois habitualmente estou em casa, mas ele parece não gostar. Vou ter de continuar a manter a minha pulseira eletrónica a fazer compressão.
Matei "saudades" da agulha do Orgalutran e da teimosia que por vezes evidencia a atravessar a pele. Sinto o líquido a fervilhar ligeiramente aqui na zona. Está a fazer a sua magia, espero eu.
O meu querido pé direito está no seu inchaço de fim de semana. Estou a habituar-me de tal forma a isto, que já me custa a acreditar que ele vá deixar de ter este comportamento. Tenho dado folga da ortótese ao sábado, pois habitualmente estou em casa, mas ele parece não gostar. Vou ter de continuar a manter a minha pulseira eletrónica a fazer compressão.
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
PGT-A - Dia 5
A ecografia está feita. Os folículos ainda estão pequeninos mas encontram-se em abundância. No ovário esquerdo há 26 e no direito 22. Amanhã começo o Orgalutran e segunda repito ecografia. Perspetiva-se que a qualquer momento os folículos cresçam descontroladamente.
Em relação ao relatório de anatomia patológica da biópsia que fiz em fevereiro, posso ficar tranquila. A questão que me apoquentava dos marcadores ilibam somente a existência de endometrite crónica. Não há nada transversal de caráter oncológico. Nos poucos minutos que esperei para saber o parecer que o profissional de Anatomia Patológica tinha dado à médica, o meu coração acelerou. Foi mais um peso que me saiu de cima.
Em relação ao relatório de anatomia patológica da biópsia que fiz em fevereiro, posso ficar tranquila. A questão que me apoquentava dos marcadores ilibam somente a existência de endometrite crónica. Não há nada transversal de caráter oncológico. Nos poucos minutos que esperei para saber o parecer que o profissional de Anatomia Patológica tinha dado à médica, o meu coração acelerou. Foi mais um peso que me saiu de cima.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
PGT-A - Dia 4
Daqui a cerca de 12h saberei se o Menopur está a despertar as criaturinhas adormecidas. Vai ser também revelada a medicação que irei introduzir gradualmente no protocolo.
Há mais de um mês que convivo diariamente com dores. Ando com uns problemas além do tornozelo, que estão a demorar a passar e que, mesmo enquanto durmo, me causam permanente dor. Não estou bem em nenhuma posição. Ao sofrimento natural acresce a fisioterapia, três vezes por semana. Lá faço ultrassom, eletroestimulação, massagem (o momento de tortura indescritível) e exercícios com elásticos, bola e outros dispositivos. Gostava que a dor me desse tréguas durante uns dias mas não, a hiperestimulação deve estar a preparar-se para vir em força. O meu corpo não anda numa boa fase. Em contrapartida recebi hoje o resultado da análise que fiz ontem à TSH e T4 e felizmente o acerto do Eutirox está a dar frutos, que alívio! Noto alguns efeitos da alteração no funcionamento da tiróide, principalmente no cabelo e pele. As hormonas são umas manipuladoras de primeira!
Há mais de um mês que convivo diariamente com dores. Ando com uns problemas além do tornozelo, que estão a demorar a passar e que, mesmo enquanto durmo, me causam permanente dor. Não estou bem em nenhuma posição. Ao sofrimento natural acresce a fisioterapia, três vezes por semana. Lá faço ultrassom, eletroestimulação, massagem (o momento de tortura indescritível) e exercícios com elásticos, bola e outros dispositivos. Gostava que a dor me desse tréguas durante uns dias mas não, a hiperestimulação deve estar a preparar-se para vir em força. O meu corpo não anda numa boa fase. Em contrapartida recebi hoje o resultado da análise que fiz ontem à TSH e T4 e felizmente o acerto do Eutirox está a dar frutos, que alívio! Noto alguns efeitos da alteração no funcionamento da tiróide, principalmente no cabelo e pele. As hormonas são umas manipuladoras de primeira!
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
PGT-A - Dia 3
A minha pele anda estranha de há uns anos para cá e reage a coisas insignificantes. Esta tarde apercebi-me de uma vermelhidão, não é hematoma, à volta do local da picada de ontem mas não tenho prurido. Sinto um incómodo quando encosto a barriga a algum sítio, no entanto não é ainda da atividade ovárica. É apenas o normal da administração das injeções. Estou a lembrar-me agora que quando suspendi o Lovenox em dezembro, os hematomas só desapareceram na totalidade três ou quatro meses depois.
Esta manhã fiz outra colheita de sangue, solicitada pelo endocrinologista, para avaliar se a alteração de Eutirox ao fim de semana é apropriada para normalizar os níveis de TSH. Daqui a dois dias saberei se o empurrãozinho que estou a dar aos ovários está a resultar.
O pé, esse, enfim...
Esta fase não tem uma dose de adrenalina muito acentuada basicamente porque não se notam evidências físicas. No meu caso elas existem devido à SOP. Possivelmente vão começar a manifestar-se no início da próxima semana.
Esta manhã fiz outra colheita de sangue, solicitada pelo endocrinologista, para avaliar se a alteração de Eutirox ao fim de semana é apropriada para normalizar os níveis de TSH. Daqui a dois dias saberei se o empurrãozinho que estou a dar aos ovários está a resultar.
O pé, esse, enfim...
Esta fase não tem uma dose de adrenalina muito acentuada basicamente porque não se notam evidências físicas. No meu caso elas existem devido à SOP. Possivelmente vão começar a manifestar-se no início da próxima semana.
terça-feira, 24 de setembro de 2019
PGT-A - Dia 2
Segunda injeção administrada. O Menopur não me é desconhecido, foi usado na estimulação da segunda tentativa de IIU que acabou cancelada por ter 7 ou 8 folículos dominantes.
Até agora só faço Eutirox, Ovusitol-D e Menopur. Como os tomo em períodos diferentes do dia, e é pouca coisa por enquanto, quase me esqueço dos dois últimos.
Ainda é muito cedo para sentir o frenesim de pipocas prestes a rebentar. O milho está a aquecer e espero que esta sementeira, praticamente quarentona, ainda tenha nutrientes suficientes para uma colheita de qualidade.
A fisioterapia continua, três vezes por semana. No sábado passado estive a fazer algumas tarefas domésticas que não exigiam um esforço extraordinário. O meu tornozelo não gostou e inchou bastante.
A ortótese é atualmente o meu porto seguro. Apelido-a carinhosamente de pulseira eletrónica, porque quando visto umas calças mais justas, vê-se uma proeminência da fivela elástica que prende à volta da perna, como se fosse um localizador. Tenho um enorme receio de fazer outra entorse, principalmente nesta fase de recuperação. Realizar uma cirurgia nesta zona não está nos meus planos mais imediatos, nem mesmo a longo prazo.
Na minha agenda tenho registado atualmente pouco mais que exames, consultas, análises, fisioterapia. Sim, escrevo numa agenda em papel. Prefiro ter esse tipo de informação anotado em algo palpável, onde possa virar páginas, do que andar a friccionar um ecrã, dependente de baterias para poder organizar o meu quotidiano. Gosto q.b. de tecnologia embora já tivesse mais interesse. Há coisas, no entanto, em que sou mais tradicional. Agendas para mim, têm de ser em papel, mas não serve qualquer uma. Aprecio determinadas formas de apresentar os dias da semana e as horas.
Até agora só faço Eutirox, Ovusitol-D e Menopur. Como os tomo em períodos diferentes do dia, e é pouca coisa por enquanto, quase me esqueço dos dois últimos.
Ainda é muito cedo para sentir o frenesim de pipocas prestes a rebentar. O milho está a aquecer e espero que esta sementeira, praticamente quarentona, ainda tenha nutrientes suficientes para uma colheita de qualidade.
A fisioterapia continua, três vezes por semana. No sábado passado estive a fazer algumas tarefas domésticas que não exigiam um esforço extraordinário. O meu tornozelo não gostou e inchou bastante.
A ortótese é atualmente o meu porto seguro. Apelido-a carinhosamente de pulseira eletrónica, porque quando visto umas calças mais justas, vê-se uma proeminência da fivela elástica que prende à volta da perna, como se fosse um localizador. Tenho um enorme receio de fazer outra entorse, principalmente nesta fase de recuperação. Realizar uma cirurgia nesta zona não está nos meus planos mais imediatos, nem mesmo a longo prazo.
Na minha agenda tenho registado atualmente pouco mais que exames, consultas, análises, fisioterapia. Sim, escrevo numa agenda em papel. Prefiro ter esse tipo de informação anotado em algo palpável, onde possa virar páginas, do que andar a friccionar um ecrã, dependente de baterias para poder organizar o meu quotidiano. Gosto q.b. de tecnologia embora já tivesse mais interesse. Há coisas, no entanto, em que sou mais tradicional. Agendas para mim, têm de ser em papel, mas não serve qualquer uma. Aprecio determinadas formas de apresentar os dias da semana e as horas.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Constatação
Chegámos ao piso de Medicina de Reprodução às 8h30 e a sala de espera esteve a meio da sua lotação durante um tempo considerável. Fui para a sala de espera de ecografia deviam ser 10h30. Estive lá algum tempo até ser chamada. Quando regressei à primeira sala deparei-me com uma fila que ia desde o secretariado até à porta, quase não havia lugar para sentar. Acho que nunca tinha visto tanta gente naquele espaço. Aos poucos o ambiente foi voltando à normalidade e reparei que as mulheres que lá estavam eram muito jovens, arriscaria dizer que uma parte significativa com menos de 30 anos.
Que mudança houve de um ano para outro!
Será que as pessoas estão mais informadas para a questão da infertilidade? Será que não houve aceitação durante muito tempo e agora se dão mais votos de confiança à medicina? Será que o estilo de vida tem contribuído para que, cada vez mais cedo, se tenha limitações na capacidade reprodutiva?
Tenho-me apercebido em diferentes quadrantes de mudanças na forma como a infertilidade é encarada. Claro que há sempre denominadores comuns mas notam-se diferenças, também devido a algumas inovações que foram surgindo e cujo feedback rapidamente se propagou pelos diversos canais disponíveis na internet. Tive oportunidade de assistir a essa evolução, porque não saio da cepa torta. Sou uma paleoinfértil que tem passado muitas (infinitas) horas a ler, ler, ler, pois a qualquer instante pode surgir a descoberta do século que me vai garantir que tudo vai correr de feição e não terei mais de me preocupar.
Que mudança houve de um ano para outro!
Será que as pessoas estão mais informadas para a questão da infertilidade? Será que não houve aceitação durante muito tempo e agora se dão mais votos de confiança à medicina? Será que o estilo de vida tem contribuído para que, cada vez mais cedo, se tenha limitações na capacidade reprodutiva?
Tenho-me apercebido em diferentes quadrantes de mudanças na forma como a infertilidade é encarada. Claro que há sempre denominadores comuns mas notam-se diferenças, também devido a algumas inovações que foram surgindo e cujo feedback rapidamente se propagou pelos diversos canais disponíveis na internet. Tive oportunidade de assistir a essa evolução, porque não saio da cepa torta. Sou uma paleoinfértil que tem passado muitas (infinitas) horas a ler, ler, ler, pois a qualquer instante pode surgir a descoberta do século que me vai garantir que tudo vai correr de feição e não terei mais de me preocupar.
PGT-A - Dia 1
Chegou o grande dia, o princípio do fim. Estava bem disposta mas dentro de mim há algumas preocupações.
Comecei com a habitual ecografia, seguida de consulta, ensino com a enfermeira e colheita de sangue.
Este processo tem um consentimento informado diferente dos tratamentos anteriores. Vão ser feitas algumas alterações na medicação, só soube por enquanto o que vou fazer até sexta. Esta estimulação será com Menopur 150UI e vou tomar Ovusitol-D. Depois da ecografia que faço no final da semana, saberei o que segue. A médica analisou a minha resposta às estimulações anteriores e prevê que a punção seja no dia 4 de outubro, como eu tinha também calculado em agosto.
Entreguei-lhe o relatório da biópsia que fiz no CUF Descobertas, apesar de ter enviado o mesmo por mail na altura em que o recebi. Como referi num post, havia uma menção no relatório sobre um marcador positivo que pode estar relacionado com linfoma. Além disso, nunca me saiu da cabeça que quando fiz despiste de trombofilias, uma parte significativa dos linfócitos tinha uma alteração. Devido a todos os antecedentes familiares de cancro que me assombram há muito tempo, linfoma incluído, falei do assunto à médica. Ela disse não conhecer aquele marcador e o que significa exatamente aquela frase, mas entende a minha preocupação. Ficou de mostrar a um colega especialista para dar o seu parecer.
Falei também do meu receio em relação à dificuldade real dos embriões evoluírem até ao quinto dia, uma vez que no ano passado, nenhum dos 11 que permaneceu em cultura chegou a esse patamar com sucesso. A médica respondeu que essa situação corrobora a tese da falta de qualidade e da forte possibilidade de anomalias.
Quanto à dosagem de Menopur, não faz sentido começar com uma dose mais baixa, pois os ovários certamente não iriam reagir. Assim teremos de contar com nova hiperestimulação.
Alertei para a alteração na TSH. Ficou o registo e deixei a médica preocupada, embora esta tenha tranquilizado quando se lembrou que não faria agora transferência. O compasso de espera até se conhecerem eventuais resultados do rastreio, será suficiente para normalizar a função tiroideia. Antes sequer de entrar no gabinete ela já tinha colocado na prescrição da análise que iria realizar a seguir o controlo de TSH, como é habitual. De qualquer maneira, quarta-feira vou repetir a análise que o endocrinologista mandou fazer.
Agora vou explicar todos os cenários possíveis, contando que há punção:
1 - Podem não haver ovócitos maduros e não há fecundação, pelo que resta como alternativa os dois mini-nós criopreservados. Não sei que estratégia seguiria depois desta possibilidade.
2 - Há fecundação e nenhum dos embriões, tanto os que já existem que vão ser descongelados, como os novos, apresenta qualidade adequada no quinto dia. Acaba tudo.
3 - Vitória! Conseguem-se sobreviventes no quinto dia mas a biópsia é fatal. O tratamento pode acabar ou não, depende do número de baixas.
3.1 - Temos resistentes! A PGT-A revela que são todos aneuploides. Acaba tudo.
3.2 - Temos resistentes! A PGT-A revela que há viabilidade num ou mais embriões. Segue(m)-se TEC.
3.2.1 - TEC realizada(s). Sucesso (gravidez com princípio, meio e final feliz) / Acaba tudo.
Como se vê, até chegar à parte do final feliz, vai ser uma aventura.
Espero sinceramente que, independentemente do final ser mais ou menos auspicioso, não me caia uma bomba no colo fruto da pequena frase do relatório da biópsia feita no CUF Descobertas. Seria a maior facada de todos estes anos.
Comecei com a habitual ecografia, seguida de consulta, ensino com a enfermeira e colheita de sangue.
Este processo tem um consentimento informado diferente dos tratamentos anteriores. Vão ser feitas algumas alterações na medicação, só soube por enquanto o que vou fazer até sexta. Esta estimulação será com Menopur 150UI e vou tomar Ovusitol-D. Depois da ecografia que faço no final da semana, saberei o que segue. A médica analisou a minha resposta às estimulações anteriores e prevê que a punção seja no dia 4 de outubro, como eu tinha também calculado em agosto.
Entreguei-lhe o relatório da biópsia que fiz no CUF Descobertas, apesar de ter enviado o mesmo por mail na altura em que o recebi. Como referi num post, havia uma menção no relatório sobre um marcador positivo que pode estar relacionado com linfoma. Além disso, nunca me saiu da cabeça que quando fiz despiste de trombofilias, uma parte significativa dos linfócitos tinha uma alteração. Devido a todos os antecedentes familiares de cancro que me assombram há muito tempo, linfoma incluído, falei do assunto à médica. Ela disse não conhecer aquele marcador e o que significa exatamente aquela frase, mas entende a minha preocupação. Ficou de mostrar a um colega especialista para dar o seu parecer.
Falei também do meu receio em relação à dificuldade real dos embriões evoluírem até ao quinto dia, uma vez que no ano passado, nenhum dos 11 que permaneceu em cultura chegou a esse patamar com sucesso. A médica respondeu que essa situação corrobora a tese da falta de qualidade e da forte possibilidade de anomalias.
Quanto à dosagem de Menopur, não faz sentido começar com uma dose mais baixa, pois os ovários certamente não iriam reagir. Assim teremos de contar com nova hiperestimulação.
Alertei para a alteração na TSH. Ficou o registo e deixei a médica preocupada, embora esta tenha tranquilizado quando se lembrou que não faria agora transferência. O compasso de espera até se conhecerem eventuais resultados do rastreio, será suficiente para normalizar a função tiroideia. Antes sequer de entrar no gabinete ela já tinha colocado na prescrição da análise que iria realizar a seguir o controlo de TSH, como é habitual. De qualquer maneira, quarta-feira vou repetir a análise que o endocrinologista mandou fazer.
Agora vou explicar todos os cenários possíveis, contando que há punção:
1 - Podem não haver ovócitos maduros e não há fecundação, pelo que resta como alternativa os dois mini-nós criopreservados. Não sei que estratégia seguiria depois desta possibilidade.
2 - Há fecundação e nenhum dos embriões, tanto os que já existem que vão ser descongelados, como os novos, apresenta qualidade adequada no quinto dia. Acaba tudo.
3 - Vitória! Conseguem-se sobreviventes no quinto dia mas a biópsia é fatal. O tratamento pode acabar ou não, depende do número de baixas.
3.1 - Temos resistentes! A PGT-A revela que são todos aneuploides. Acaba tudo.
3.2 - Temos resistentes! A PGT-A revela que há viabilidade num ou mais embriões. Segue(m)-se TEC.
3.2.1 - TEC realizada(s). Sucesso (gravidez com princípio, meio e final feliz) / Acaba tudo.
Como se vê, até chegar à parte do final feliz, vai ser uma aventura.
Espero sinceramente que, independentemente do final ser mais ou menos auspicioso, não me caia uma bomba no colo fruto da pequena frase do relatório da biópsia feita no CUF Descobertas. Seria a maior facada de todos estes anos.
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Sonhos, será que não vão passar disso?
Há muito tempo que não sonhava que estava grávida. Na noite passada voltou a acontecer. Encontrava-me no final da gravidez, não sabia muito bem como é que estava já naquele ponto sem me ter apercebido antes.
Tinha uma barriga relativamente pequena, o meu corpo só tinha aumentado nessa parte, fiquei contente por ter sido assim. A dada altura toquei do lado direito da barriga e senti uns ossinhos que me pareciam das mãos. Não sei se se consegue perceber com esse detalhe, mas no sonho era bem evidente. Comecei a refletir e constatei que estando no fim da gestação, nunca tinha detetado pontapés ou movimentos do pequeno.
Foi mais um sonho que me mostra como isto ainda me afeta. Daqui a uma semana começo as injeções. Será o princípio do fim.
Quarta-feira termino a pílula, estou com perdas castanhas e dores menstruais pontuais desde o décimo dia do ciclo.
Amanhã começo a fisioterapia. A lesão no tornozelo é grave. Não justifica ainda a realização de cirurgia mas os próximos tempos são cruciais. Outra entorse durante a recuperação não me vai livrar da sala de operações. Vou tratar da parte muscular para a tornar mais forte, uma vez que não posso contar com os ligamentos para me manter estável. Quem me vir a andar deve achar que está tudo bem, contudo o interior do tornozelo está caótico. Os dois lados foram afetados e há muita coisa antiga que se faz notar.
Tinha uma barriga relativamente pequena, o meu corpo só tinha aumentado nessa parte, fiquei contente por ter sido assim. A dada altura toquei do lado direito da barriga e senti uns ossinhos que me pareciam das mãos. Não sei se se consegue perceber com esse detalhe, mas no sonho era bem evidente. Comecei a refletir e constatei que estando no fim da gestação, nunca tinha detetado pontapés ou movimentos do pequeno.
Foi mais um sonho que me mostra como isto ainda me afeta. Daqui a uma semana começo as injeções. Será o princípio do fim.
Quarta-feira termino a pílula, estou com perdas castanhas e dores menstruais pontuais desde o décimo dia do ciclo.
Amanhã começo a fisioterapia. A lesão no tornozelo é grave. Não justifica ainda a realização de cirurgia mas os próximos tempos são cruciais. Outra entorse durante a recuperação não me vai livrar da sala de operações. Vou tratar da parte muscular para a tornar mais forte, uma vez que não posso contar com os ligamentos para me manter estável. Quem me vir a andar deve achar que está tudo bem, contudo o interior do tornozelo está caótico. Os dois lados foram afetados e há muita coisa antiga que se faz notar.
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Tiróide safada
As orientações relativas ao dito órgão em forma de borboleta, estão dadas. De segunda a sexta farei a dosagem de 100 microgramas, ao fim de semana será 150. Daqui a 3/4 semanas repito a análise para ver como ela reage. Espero que não se arme em esquisita, porque não tenho tempo para uma tiróide com manias de diva. Que tenha paciência, mas agora não dá!
Da resistência à insulina a situação está bem. Uns parâmetros vão controlando outros, é menos uma preocupação.
O fardo está mais leve, era do que precisava por enquanto.
Da resistência à insulina a situação está bem. Uns parâmetros vão controlando outros, é menos uma preocupação.
O fardo está mais leve, era do que precisava por enquanto.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Análises endocrinologia
Nos últimos anos tenho feito o controlo da função tiroideia no hospital, sempre que realizo algum tratamento ou através da médica de família, uma vez que tudo se tem mantido regular.
Há uns meses houve um problema na distribuição do Eutirox pelas farmácias, levando a que este esgotasse em muitas das dosagens que existem. Tomo o Eutirox 100 há uma dúzia de anos ou provavelmente mais. Antes disso era o Thyrax. Esse problema da falta de disponibilidade acabou por me afetar. A hipótese mais razoável que havia para conseguir garantir a dosagem de 100 microgramas de tiroxina sódica, da mesma marca, era adquirir uma embalagem de Eutirox 50 e, em vez de tomar 1 comprimido como faço habitualmente, tomaria 2 para a concentração estar correta. Foi essa opção que tomei e enquanto isso generalizaram-se rumores de que o Eutirox iria sair do mercado. Face a essa (des)informação decidi marcar consulta num novo endocrinologista para saber que medicamento passaria a tomar no caso do Eutirox deixar de ser comercializado. O profissional que escolhi tem como áreas de diferenciação assuntos que me pareciam mais valias para mim como amenorreia, hirsutismo, obesidade, diabetes. Quando terminei a embalagem de Eutirox 50 fui à farmácia, mentalizada para a possibilidade de já nem sequer haver esse disponível. Acabou afinal por voltar a ser feita reposição do 100. Ainda pensei em cancelar a consulta agendada pelo facto de o medicamento estar novamente no mercado mas optei por ir na mesma ao médico. Achei que deveria fazê-lo. Realizada a anamnese em que viajei novamente desde 1995 até à altura em que foi diagnosticado o hipotiroidismo, acabei por falar inevitavelmente da infertilidade. Saí do consultório com uma requisição de análises e uma receita de 3 caixas de Eutirox 100, pois dada a regularidade que persiste há mais de uma década, não seria de prever nenhuma alteração de relevo na TSH. Segundo o médico continuam a existir problemas na venda de algumas dosagens de Eutirox. Comprando as 3 embalagens ficaria abastecida para meio ano, precavendo assim rupturas de stock. Em relação às análises, além da função tiroideia o endocrinologista pediu um estudo da resistência à insulina, algo que nunca foi feito nestes 24 anos em que os problemas hormonais entraram na minha rotina.
Fiz a colheita e os resultados ficaram prontos ontem. Para minha surpresa a TSH está aumentada, um valor de 5,629 quando a referência é entre 0,550 e 4,780. A situação é inédita nestes anos todos depois de me ter mantido estável tanto tempo. Era a última coisa que esperava nesta altura do campeonato. Em relação à insulina e hemoglobina glicosada, penso que entendi o que significam as alterações, mas estou à espera do parecer do médico e a contar com a possibilidade de precisar de metformina. Enviei hoje um mail ao endocrinologista com relatórios de exames que tinha feito no passado e aguardo que me responda o mais rápido possível, porque a questão da TSH não devia estar a preocupar-me nesta altura.
Se for feita uma estimulação com TSH em excesso, o líquido folicular vai conter uma concentração muito elevada dessa hormona, prejudicando a maturação dos ovócitos. Tenho de começar imediatamente a fazer o acerto da tiroxina para não comprometer a colheita de ovócitos. Durante anos tomei bombas hormonais que não afetaram em nada a tiróide. Este ano, que não fiz nenhum tratamento, sou apanhada de surpresa com este desequilíbrio. Não consigo explicar...
Logo que o endocrinologista dê alguma resposta vou enviar também um mail ao Dr. JL da CUF Descobertas para saber se tem alguma recomendação para a fase da estimulação e/ou para a altura da preparação de uma eventual TEC.
Em relação ao tornozelo as coisas estão um pouco em stand-by, porque vou fazer uma RMN na próxima semana. Já não uso as canadianas mas isto não está muito bom. O ortopedista suspeita, pelo que viu no raio-X, que poderá haver uma fissura (não é este o termo correto). Vou continuar com a ortótese e mediante o exame, será definido o plano de fisioterapia.
O ano foi bastante pacífico em comparação com os anteriores. Não teve tempos infinitos passados em salas de espera, a correria entre as idas ao hospital e o trabalho, o estabelecimento de rotinas em que tomava uma variedade considerável de fármacos ou administração de injeções, as desilusões. Há muito tempo que o meu quotidiano não consistia em apenas tomar o Eutirox, que é uma necessidade que me vai acompanhar sempre. Os próximos meses vão ser intensos. Para ser diferente, acresce à PGT-A a recuperação desta entorse complicada.
O desenrolar do processo inerente à PGT-A dá para traduzir num fluxograma. Vários cenários podem acontecer e só há uma ramificação possível que chega ao sucesso. Todas as outras condições vão ter ao fracasso.
Estou de certa forma consciente que vai terminar como começou, ou seja, sem nada. É o mais provável. A chegada do fim está a trazer-me várias inseguranças. Não consegui ainda definir o que vou fazer depois disto, que metas traçar para o meu futuro. Sei que quero compensar os anos em que abdiquei de mim para realizar algo significativo por mim. Acho que tenho valor, contudo não tem sido aproveitado como realmente mereço. Foi uma opção que fiz para poder estar disponível todas as horas que dediquei à infertilidade.
Vou entrar na quarta década de vida. Estou a atribuir uma maior responsabilidade a essa transição do que quando entrei nos trinta, não sei porquê.
Como se pode ver, tenho um turbilhão dentro de mim. Preciso de me encontrar.
Há uns meses houve um problema na distribuição do Eutirox pelas farmácias, levando a que este esgotasse em muitas das dosagens que existem. Tomo o Eutirox 100 há uma dúzia de anos ou provavelmente mais. Antes disso era o Thyrax. Esse problema da falta de disponibilidade acabou por me afetar. A hipótese mais razoável que havia para conseguir garantir a dosagem de 100 microgramas de tiroxina sódica, da mesma marca, era adquirir uma embalagem de Eutirox 50 e, em vez de tomar 1 comprimido como faço habitualmente, tomaria 2 para a concentração estar correta. Foi essa opção que tomei e enquanto isso generalizaram-se rumores de que o Eutirox iria sair do mercado. Face a essa (des)informação decidi marcar consulta num novo endocrinologista para saber que medicamento passaria a tomar no caso do Eutirox deixar de ser comercializado. O profissional que escolhi tem como áreas de diferenciação assuntos que me pareciam mais valias para mim como amenorreia, hirsutismo, obesidade, diabetes. Quando terminei a embalagem de Eutirox 50 fui à farmácia, mentalizada para a possibilidade de já nem sequer haver esse disponível. Acabou afinal por voltar a ser feita reposição do 100. Ainda pensei em cancelar a consulta agendada pelo facto de o medicamento estar novamente no mercado mas optei por ir na mesma ao médico. Achei que deveria fazê-lo. Realizada a anamnese em que viajei novamente desde 1995 até à altura em que foi diagnosticado o hipotiroidismo, acabei por falar inevitavelmente da infertilidade. Saí do consultório com uma requisição de análises e uma receita de 3 caixas de Eutirox 100, pois dada a regularidade que persiste há mais de uma década, não seria de prever nenhuma alteração de relevo na TSH. Segundo o médico continuam a existir problemas na venda de algumas dosagens de Eutirox. Comprando as 3 embalagens ficaria abastecida para meio ano, precavendo assim rupturas de stock. Em relação às análises, além da função tiroideia o endocrinologista pediu um estudo da resistência à insulina, algo que nunca foi feito nestes 24 anos em que os problemas hormonais entraram na minha rotina.
Fiz a colheita e os resultados ficaram prontos ontem. Para minha surpresa a TSH está aumentada, um valor de 5,629 quando a referência é entre 0,550 e 4,780. A situação é inédita nestes anos todos depois de me ter mantido estável tanto tempo. Era a última coisa que esperava nesta altura do campeonato. Em relação à insulina e hemoglobina glicosada, penso que entendi o que significam as alterações, mas estou à espera do parecer do médico e a contar com a possibilidade de precisar de metformina. Enviei hoje um mail ao endocrinologista com relatórios de exames que tinha feito no passado e aguardo que me responda o mais rápido possível, porque a questão da TSH não devia estar a preocupar-me nesta altura.
Se for feita uma estimulação com TSH em excesso, o líquido folicular vai conter uma concentração muito elevada dessa hormona, prejudicando a maturação dos ovócitos. Tenho de começar imediatamente a fazer o acerto da tiroxina para não comprometer a colheita de ovócitos. Durante anos tomei bombas hormonais que não afetaram em nada a tiróide. Este ano, que não fiz nenhum tratamento, sou apanhada de surpresa com este desequilíbrio. Não consigo explicar...
Logo que o endocrinologista dê alguma resposta vou enviar também um mail ao Dr. JL da CUF Descobertas para saber se tem alguma recomendação para a fase da estimulação e/ou para a altura da preparação de uma eventual TEC.
Em relação ao tornozelo as coisas estão um pouco em stand-by, porque vou fazer uma RMN na próxima semana. Já não uso as canadianas mas isto não está muito bom. O ortopedista suspeita, pelo que viu no raio-X, que poderá haver uma fissura (não é este o termo correto). Vou continuar com a ortótese e mediante o exame, será definido o plano de fisioterapia.
O ano foi bastante pacífico em comparação com os anteriores. Não teve tempos infinitos passados em salas de espera, a correria entre as idas ao hospital e o trabalho, o estabelecimento de rotinas em que tomava uma variedade considerável de fármacos ou administração de injeções, as desilusões. Há muito tempo que o meu quotidiano não consistia em apenas tomar o Eutirox, que é uma necessidade que me vai acompanhar sempre. Os próximos meses vão ser intensos. Para ser diferente, acresce à PGT-A a recuperação desta entorse complicada.
O desenrolar do processo inerente à PGT-A dá para traduzir num fluxograma. Vários cenários podem acontecer e só há uma ramificação possível que chega ao sucesso. Todas as outras condições vão ter ao fracasso.
Estou de certa forma consciente que vai terminar como começou, ou seja, sem nada. É o mais provável. A chegada do fim está a trazer-me várias inseguranças. Não consegui ainda definir o que vou fazer depois disto, que metas traçar para o meu futuro. Sei que quero compensar os anos em que abdiquei de mim para realizar algo significativo por mim. Acho que tenho valor, contudo não tem sido aproveitado como realmente mereço. Foi uma opção que fiz para poder estar disponível todas as horas que dediquei à infertilidade.
Vou entrar na quarta década de vida. Estou a atribuir uma maior responsabilidade a essa transição do que quando entrei nos trinta, não sei porquê.
Como se pode ver, tenho um turbilhão dentro de mim. Preciso de me encontrar.
sábado, 24 de agosto de 2019
Ovodoação e ficção
No intervalo de aproximadamente uma semana passaram pela televisão pelo menos dois filmes relacionados com esta temática. Classificá-los-ei como estranhos, na medida em que se debruçam sobre algo comum: dadoras que se aproximam das famílias que usufruíram dos seus ovócitos, com o intuito de se apropriarem dos filhos dessas famílias. Algo de comum também nesses filmes é que as ditas dadoras não olham a meios para conseguirem o seu objetivo, chegando a cometer assassinatos sem qualquer problema. Acho uma forma infeliz de abordar a temática.
Os filmes a que me refiro são o Inconceivable e The Wrong Mother.
Os filmes a que me refiro são o Inconceivable e The Wrong Mother.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Datas
O plano de ataque está definido. Vou tomar pílula contínua até dia 18 de setembro e dia 23 de setembro temos de estar no hospital às 8h30, prontos para passar lá a manhã inteira. Esse é o dia do arranque das injeções. Realizada a estimulação - hiper, certamente - segue-se a punção e o desenvolvimento dos embriões até D5 (os novos e os dois que ainda tenho congelados em D3). Nessa altura é feita a biópsia aos mini-nós e a criopreservação dos mesmos. O departamento de Genética entra em ação e fará o rastreio de aneuploidias. Um mês a um mês e meio depois sabe-se o resultado e, correndo tudo de feição, prepara-se a TEC.
Poderá vir a ser o terceiro ano consecutivo em que a chegada da época natalícia é marcada por uma transferência. As últimas duas vezes não me deixaram boas memórias. Se chegar ao ponto de ter algum embrião para transferir, já será uma boa notícia. Pelas minhas contas, se houver TEC, saberei o resultado do beta o mais tardar na véspera de Natal.
Estes próximos 4 meses vão passar a voar. Enquanto isso irei provavelmente fazer fisioterapia mas só vou ter a certeza dos planos para o meu pé na próxima semana. A propósito do pé e tornozelo, atualmente as suas cores abrangem uma paleta vasta. A minha irmã diz que é uma espécie de unicórnio em que só falta o verde. Preocupa-me é que a mínima pressão em pontos específicos ainda causa dor acentuada. Aguarda-me um longo período de recuperação.
Poderá vir a ser o terceiro ano consecutivo em que a chegada da época natalícia é marcada por uma transferência. As últimas duas vezes não me deixaram boas memórias. Se chegar ao ponto de ter algum embrião para transferir, já será uma boa notícia. Pelas minhas contas, se houver TEC, saberei o resultado do beta o mais tardar na véspera de Natal.
Estes próximos 4 meses vão passar a voar. Enquanto isso irei provavelmente fazer fisioterapia mas só vou ter a certeza dos planos para o meu pé na próxima semana. A propósito do pé e tornozelo, atualmente as suas cores abrangem uma paleta vasta. A minha irmã diz que é uma espécie de unicórnio em que só falta o verde. Preocupa-me é que a mínima pressão em pontos específicos ainda causa dor acentuada. Aguarda-me um longo período de recuperação.
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Curtindo o verão
Como referi no post anterior estou a mover-me de forma alternativa. A última vez que estive em contacto com o exterior foi no domingo, quando regressei das férias e passei na urgência. Ontem comecei a ter sintomas de constipação e há pouco a febre voltou a apoderar-se de mim. Podia ser pior, eu sei, e é melhor que seja agora do que quando estiver a fazer a estimulação. Não significa que não dispensasse este bónus. Normalmente constipo em setembro, em agosto não me recordo se alguma vez aconteceu. Espero não acrescentar nada ao pacote.
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Experiência acumulada
Estou numa altura da vida em que vou dando conselhos que resultam das experiências que vou acumulando nesta passagem. Normalmente faço-o quando me pedem opinião, pois não quero ser invasiva.
Desta vez vou fazê-lo de forma espontânea, porque ocorreu no fim de semana um episódio que resultou de abordagens pouco apropriadas ao longo dos anos, que me estão a limitar na atualidade e irão condicionar o meu futuro. Não tem nada a ver com infertilidade, mas sim com algo bem corriqueiro como entorses. Neste momento tenho duas amigas novas, com as quais tento deslocar-me enquanto mantenho um pé suspenso. Vou andar assim pelo menos duas semanas às quais se segue um acompanhamento médico que vai tentar remediar os muitos estragos que há dentro do meu pé. Não foi a primeira, nem a segunda entorse. Aliás, perdi a conta à quantidade de vezes que este pé virou com calçado raso, em piso plano. A primeira vez, há vinte anos, em casa de chinelos, resultou num pé instantaneamente azul e gigante. Por várias razões, o único tratamento realizado foi a aplicação de Reumon Gel. A partir daí o pé nunca mais teve a mesma estabilidade. Quando ando em pisos irregulares não se passa nada. O meu marido até comentou que nunca fomos a tantos castelos como neste verão e nada aconteceu. Em piso plano e sapatilhas, deu-se a desgraça. Ouvi estiramento no tornozelo, o pé virou de uma forma absurda e não consegui apoiá-lo no chão durante uns segundos. Um edema do tamanho de uma bola de golfe surgiu nos instantes que se seguiram. Apliquei uma dose muito generosa de gelo e tomei um anti-inflamatório. Estava nas últimas horas das minhas férias e o hospital mais próximo encontrava-se a uma distância considerável. Optei por aguentar a noite e no regresso que acabou por ser antecipado umas horas, fui a um hospital perto de casa, já a pensar que o cenário do tornozelo e do pé não ia ser fabuloso. O médico disse que havia uma boa e uma má notícia. A boa é que não sofri fratura. A má é que aquilo que ele viu no raio-X é um acumular de desleixo que se não for devidamente tratado desta vez vai trazer consequências desagradáveis. Estou na eminência de começar a ter artrose. Coloquei um tornozelo elástico, aplico gelo várias vezes por dia, movo-me com o auxílio de canadianas, pois não posso apoiar o pé no chão e tenho consulta marcada para a especialidade de pé e tornozelo para saber o que aí vem.
Depois deste testamento o conselho que tenho a dar é que se fizerem alguma entorse, tratem imediatamente dela. Mesmo que pareça algo insignificante, vão ao médico. Não sabem como está o interior da estrutura que lesionaram. Antevejo que num futuro não muito longínquo vou começar a mancar e a necessitar de apoio auxiliar, porque o caos apropriou-se do meu pé/tornozelo.
Desta vez vou fazê-lo de forma espontânea, porque ocorreu no fim de semana um episódio que resultou de abordagens pouco apropriadas ao longo dos anos, que me estão a limitar na atualidade e irão condicionar o meu futuro. Não tem nada a ver com infertilidade, mas sim com algo bem corriqueiro como entorses. Neste momento tenho duas amigas novas, com as quais tento deslocar-me enquanto mantenho um pé suspenso. Vou andar assim pelo menos duas semanas às quais se segue um acompanhamento médico que vai tentar remediar os muitos estragos que há dentro do meu pé. Não foi a primeira, nem a segunda entorse. Aliás, perdi a conta à quantidade de vezes que este pé virou com calçado raso, em piso plano. A primeira vez, há vinte anos, em casa de chinelos, resultou num pé instantaneamente azul e gigante. Por várias razões, o único tratamento realizado foi a aplicação de Reumon Gel. A partir daí o pé nunca mais teve a mesma estabilidade. Quando ando em pisos irregulares não se passa nada. O meu marido até comentou que nunca fomos a tantos castelos como neste verão e nada aconteceu. Em piso plano e sapatilhas, deu-se a desgraça. Ouvi estiramento no tornozelo, o pé virou de uma forma absurda e não consegui apoiá-lo no chão durante uns segundos. Um edema do tamanho de uma bola de golfe surgiu nos instantes que se seguiram. Apliquei uma dose muito generosa de gelo e tomei um anti-inflamatório. Estava nas últimas horas das minhas férias e o hospital mais próximo encontrava-se a uma distância considerável. Optei por aguentar a noite e no regresso que acabou por ser antecipado umas horas, fui a um hospital perto de casa, já a pensar que o cenário do tornozelo e do pé não ia ser fabuloso. O médico disse que havia uma boa e uma má notícia. A boa é que não sofri fratura. A má é que aquilo que ele viu no raio-X é um acumular de desleixo que se não for devidamente tratado desta vez vai trazer consequências desagradáveis. Estou na eminência de começar a ter artrose. Coloquei um tornozelo elástico, aplico gelo várias vezes por dia, movo-me com o auxílio de canadianas, pois não posso apoiar o pé no chão e tenho consulta marcada para a especialidade de pé e tornozelo para saber o que aí vem.
Depois deste testamento o conselho que tenho a dar é que se fizerem alguma entorse, tratem imediatamente dela. Mesmo que pareça algo insignificante, vão ao médico. Não sabem como está o interior da estrutura que lesionaram. Antevejo que num futuro não muito longínquo vou começar a mancar e a necessitar de apoio auxiliar, porque o caos apropriou-se do meu pé/tornozelo.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Ronda final
Pensei que ia terminar o ano sem haver desenvolvimentos. Felizmente ligaram-me esta manhã a perguntar se estávamos dispostos a fazer tratamento em setembro. Perguntei se era para TEC ou PGT-A. É mesmo para o rastreio aos embriões, ainda me custa a crer. Já há equipamento, embora não na totalidade mas faz-se com o que há, porque não tarda faço 40 anos e já experimentaram com outras pessoas. Agora é tratar da indução da menstruação com Provera e no primeiro dia do ciclo inicio a pílula. Nessa altura ligo para o hospital para saber durante quanto tempo a vou tomar.
Tinha algumas coisas delineadas de caráter pessoal para iniciar em setembro. Vou ter de adiar e dedicar-me a isto de corpo e alma. Agora sim, é a última vez. Sinto alívio por estar a chegar a esta fase. Vários cenários podem ocorrer depois da estimulação mas a luz que procurei neste túnel interminável está muito próxima e pode chegar antes de completar 40 anos. A luz a que me refiro é a do fim, seja feliz ou não. Quero encerrar esta história e ficar em paz.
A máquina de pipocas vai trabalhar freneticamente, vou sofrer (muito) mas o mais importante não é o que vou penar, são todas as etapas de uma check list que quero que fique completa com sucesso. Há tantas pequenas montanhas a ultrapassar até conseguir fazer uma TEC depois disto, que é melhor não pensar muito (como se fosse possível)...
Tinha algumas coisas delineadas de caráter pessoal para iniciar em setembro. Vou ter de adiar e dedicar-me a isto de corpo e alma. Agora sim, é a última vez. Sinto alívio por estar a chegar a esta fase. Vários cenários podem ocorrer depois da estimulação mas a luz que procurei neste túnel interminável está muito próxima e pode chegar antes de completar 40 anos. A luz a que me refiro é a do fim, seja feliz ou não. Quero encerrar esta história e ficar em paz.
A máquina de pipocas vai trabalhar freneticamente, vou sofrer (muito) mas o mais importante não é o que vou penar, são todas as etapas de uma check list que quero que fique completa com sucesso. Há tantas pequenas montanhas a ultrapassar até conseguir fazer uma TEC depois disto, que é melhor não pensar muito (como se fosse possível)...
terça-feira, 4 de junho de 2019
Sem previsões...
O bloqueio continua e está relacionado com uma autorização que tarda a ser dada.
A administração do HSJ mudou recentemente e vários médicos têm pressionado no sentido de ser autorizada a vinda do famigerado equipamento a laser. Há uma quantidade considerável de casais que reúnem critérios para a realização de PGT-A, os pedidos estão aprovados, falta mesmo é a tecnologia. Estou em contagem decrescente para os 40 anos, essa meta que me parecia longínqua aproxima-se a um ritmo preocupante. Continuo com a vida parcialmente suspensa devido a este condicionamento hierárquico. O improviso que regula os dias vai persistir não sei por quanto tempo mais. A minha vida não evolui, só a idade.
It sucks!
A administração do HSJ mudou recentemente e vários médicos têm pressionado no sentido de ser autorizada a vinda do famigerado equipamento a laser. Há uma quantidade considerável de casais que reúnem critérios para a realização de PGT-A, os pedidos estão aprovados, falta mesmo é a tecnologia. Estou em contagem decrescente para os 40 anos, essa meta que me parecia longínqua aproxima-se a um ritmo preocupante. Continuo com a vida parcialmente suspensa devido a este condicionamento hierárquico. O improviso que regula os dias vai persistir não sei por quanto tempo mais. A minha vida não evolui, só a idade.
It sucks!
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