quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

20 anos de ausência

Faz hoje 20 anos, era um domingo ensolarado e, dentro do quarto, na casa que lutou para construir, o meu pai começou a agoniar. Os rins estavam a entrar em falência. Às 17h20 deu-se a libertação. Não vou entrar em mais detalhes...

Revivo quase diariamente as horas desse maldito domingo e, apesar da dor gigante de ter assistido a tudo, se há algo de bom que se possa retirar da experiência, é que ele não esteve sozinho. Nós, por outro lado, pudemos acompanhá-lo na profunda dor que ele sentia, porque além da componente física, excruciante, não partiu em paz. Estava frustrado, pois achava que não tinha cumprido tudo o que faltava para nos libertar de preocupações.

Foi a verdadeira confrontação com a finitude, um momento em que emergiram um nojo e ódio profundos pela vida e a perceção de que somos criaturas insignificantes perante a física, a química, a biologia. Antes desse acontecimento não vivia num mundo de purpurinas. A dor do silêncio transformou-me. Preparou-me para novos silêncios que se seguiram.

Não se supera.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

A ternura dos "entas"

Ontem completei mais uma translação ao Sol. A entrada nos "entas", iniciada em 2020, já está bem consolidada. Fui aprendendo com a vida a relativizar mais os acontecimentos, deixei de dar importância a pormenores que consumiam a minha beleza, a paciência para picuinhices reduziu drasticamente. Tenho esperança que ainda vou fazer umas coisas interessantes e sentir entusiasmo com novas descobertas.

Nos olhos começaram finalmente a aparecer algumas rugas acentuadas pelo sorriso, as madeixas brancas no cabelo vão multiplicando serenamente. As mazelas físicas mal resolvidas que foram surgindo ao longo dos anos dão por vezes sinais de vida, os problemas respiratórios diagnosticados logo na primeira consulta que tive, logo que nasci, vão voltando a acentuar-se, após um adormecimento aparente.

Quando era novinha, adorava ver e rever os álbuns fotográficos da família. Tenho algumas memórias registadas em suporte físico, maioritariamente tiradas quando vivia em França, onde revelar fotografias era mais acessível que em Portugal. Desde que me mudei para cá e até por volta dos 26 anos, parece que não existi. Da minha adolescência tenho umas apenas umas três fotografias tipo passe, por causa do cartão de estudante, dos tempos de universidade não tenho praticamente nada. Só quando comprei uma máquina fotográfica digital, penso que com 26 anos, é que voltei a ter registos. Apesar dos milhares de memórias estarem gravados em diversos suportes digitais, poucos são os que tomaram a forma de papel fotográfico. A diversidade e qualidade de imagem é imensa, comparativamente com os recursos limitados de que dispunha dantes, mas perdeu-se a magia da abertura de um álbum fotográfico, daquele barulho característico a virar cada página, do cuidado ao manipular as fotografias para não se estragarem. Fez ontem 43 anos que nasceu, algures em terras gaulesas, uma miúda com um ar assustador, toda arranhada na face, porque as suas mãozinhas não faziam outra coisa que não fosse desfazer a cara. Tenho uma cicatriz que se destaca na bochecha direita, feita por moi-même, no alto dos meus dois dias de idade. Durante muitos anos também se viam as que fiz no nariz, nesse mesmo dia, mas essas suavizaram depois dos 30 anos. Ainda atualmente, há alturas em que me apetece arrancar partes da cara, quando as alergias estão em alta. Há que manter a coerência!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

7 anos de casinha virtual

Criei esta casa virtual dois meses depois de me ter mudado para o lar que comprei. À semelhança do meu cantinho, localizado num sítio que adoro, e onde me sinto bem, também aqui o espaço é aconchegante. A minha casa física, tal como o blogue, anda a precisar de algumas melhorias, mas esse boost está dependente do papel pelo qual estou a lutar com afinco, que me permitirá encontrar a dignidade laboral que ficou perdida no passado. Quero sentir-me novamente autossuficiente, desespero por rotina (que achava aborrecida quando era mais jovem), necessito de tomar rédeas à vida e usufruí-la. Suprir o essencial, qual tamagoshi, tem sido o mote que me tem guiado desde... já nem me lembro.

Não ambiciono megalomanias, nem acho que tenha perfil para isso. Sou básica, na realidade. Há duas coisas que gostaria de concretizar, desde muito novinha e apesar de estar a um passo dos 43 anos, sinto que teria capacidade de realizar. Uma é aprender a tocar piano e outra é ser fluente em mais uma língua. Os meus pais não tinham possibilidade de suportar esse tipo de atividades. O meu percurso profissional, por outro lado, passou por uns dois ou três altos que eu sabia serem perenes, então aproveitei para criar uma almofada para os muitos baixos que surgiram. Priorizei o essencial. Tive entretanto perto de uma década de incerteza quando me entranhei na infertilidade, deixei de existir e mergulhei no improviso.

Ontem fiz uma visita, através do Google Maps, à pequena vila a 77 km a norte de Paris, onde vivi até aos 8 anos. Ainda sei os trajetos que fazia para ir para o Jardim de Infância e as escolas que frequentei, às padarias onde ia com o meu pai ou com a minha mãe, ao jardim público, à piscina municipal que me deixou com fobia durante mais de 20 anos, ao hipermercado... Lembro-me da neve chegar pelos joelhos e mesmo assim íamos para a escola, com calçado adequado para o efeito. A torre onde habitava, que era recente e imponente, apesar de pertencer a projetos de custo acessível, está atualmente desoladora. Há anos que se prevê a sua demolição. Gostava de lá voltar, há um aeroporto próximo, mas acho que iria ficar abatida. É mais uma das coisas que está latente, embora tenha esperança de que vou cumprir.

Quero fazer voluntariado numa associação de apoio a animais de uma forma regular. Quero voltar a fazer exercício na água. Na temporada de 2019/2020 frequentei aulas de hidroginástica e hidrobike até ao lockdown. Tinha estado alguns anos sem fazer atividade física na água, sabia que dali a pouco tempo ia finalizar os tratamentos e no final da primeira aula, na parte do relaxamento, a professora pôs a tocar a música Everglow dos Coldplay. Enquanto fazia os alongamentos as lágrimas começaram a correr pela minha cara. Tinha uma necessidade extrema de libertação e só me apercebi nesse momento.

Desta vez o post é sobre fazer o que ainda não foi feito. A fobia que adquiri na "natação", ainda em França, porque naquela altura não conseguia sequer flutuar, dissipou já eu tinha perto de 30 anos. Aprendi a nadar, era algo que sempre quis conseguir executar e transmite-me uma paz inigualável. Voltei para o ensino superior e estou prestes a finalizar outra licenciatura. Aliás, não fecho portas a voos de outro grau. Tentei ser mãe com diferentes fórmulas que não tiveram magia nenhuma, mas apesar da dificuldade que sabia que iria ter, não baixei de imediato os braços. Adotei a minha menina de bigodes que me trouxe uma alegria tremenda. Certamente existirão mais algumas coisas, ainda que de pequena dimensão, que procurei não deixar morrer.

O desafio que coloco é dar outra profundidade às resoluções de Ano Novo. Aí desse lado, há alguma coisa, bem longínqua no tempo, que ficou aparentemente esquecida mas que tem potencial para tomar a luz do dia?

Um bom ano de 2023, sem procrastinação!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Ho! Ho! Ho!

Nada de muito relevante tem acontecido por cá. Continuo na ânsia de terminar o curso, posso dizer que já estou em contagem decrescente. No final de fevereiro começo o estágio curricular, ando na fase de candidaturas a empresas. Simultaneamente com o estágio teremos também 4 unidades curriculares. Um dia da semana será integralmente passado na instituição de ensino superior para prática laboratorial e em outros dois dias, após o estágio, haverá aulas pós-laborais.

Sobre aquele episódio estranho que relatei em post anterior, a hemorragia de privação surgiu no ciclo seguinte, a tempo e horas. No mês após a regularização libertei os coágulos que se tinham acumulado e, desde então, não houve mais nenhuma anomalia.

Daqueles dois amiguinhos claviculares, cá continuam sobre o osso. Já fiz duas ecografias, estão pequenos, não constituem perigo e são o meu recuerdo das vacinas para a COVID-19. Reportei a situação na página do Infarmed no início do ano e alguns meses depois fui contactada por via telefónica para dar mais detalhes sobre a cronologia e o encaminhamento dado. Regra geral não me incomodam exceto em alguns momentos, durante a condução, porque o cinto de segurança toca exatamente na zona onde eles habitam. Levei também como bónus da vacina um gânglio intramamário para fazer companhia ao que está na outra mama.

A minha miúda de bigodes fez 11 anos, está quase desprovida de dentição e continua a surpreender-me com as aprendizagens que faz. Não tem olhos (nasceu sem eles) e está a 3 ou 4 dentes de ficar só com as gengivas. Vão faltando cada vez mais peças, mas está quase como nova 😀 Não deixa de ser a ternurenta rufia que me faz admirar cada bigode que lhe cai, cada mio que dá enquanto sonha, cada ronco que faz ao ressonar como gente grande que é, cada espirro convincente que se ouve em toda a casa, cada pêlo espalhado em todo o lado, cada abraço que me exige, cada esfoliação facial que me faz, cada massagem vigorosa que executa, cada espera numa esquina para me desafiar, cada chantagem em que se tornou mais refinada, cada momento em que mostra que entende tudo o que lhe digo.

Depois de dois anos com um Natal a meio gás, vai voltar a reunião de famílias em minha casa. É o vigésimo que vou passar sem o meu pai. Questiono-me muitas vezes como seria se ele estivesse vivo.

Estou numa paz relativa, porque o queria mesmo era já estar com o curso concluído para viver novas aventuras. Não faço pedidos ao Pai Natal e as 12 passas que ingiro na passagem de ano vão vazias de desejos, porque as coisas não caem do céu.

Desejo muita saúde a quem está desse lado, mil e um motivos para sorrir e que não perca a capacidade de sonhar.

Bom Natal!

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Reavivar de memórias

Disse, em tempos, que escolhi para minha ginecologista a Diretora do Serviço de PMA do HSJ. Após fazer exames de rotina, ela foi da opinião de que seria desadequado não menstruar. Como é da minha natureza não conseguir fazer a purga espontaneamente e para manter os ovários um pouco normais, passei a usar pílula em vez da medroxiprogesterona que tomei durante décadas. Uma vez que o colesterol estava elevado, pois ainda não tinha retomado as estatinas que fazia antes de toda a saga e não consigo normalizá-lo pela via da alimentação e atividade, passou a fazer parte do dia-a-dia a pílula Microgeste (este mês passei para a Minesse por rutura de stock).

Este meu corpinho é uma máquina anti-concecional por defeito e, tomando a pílula, será de esperar que seja infalível na inibição de ovulação. Contudo, este mês, pus em causa a minha incapacidade procriativa e equacionei a possibilidade de ter ocorrido o milagre pelo qual esperei tanto tempo. A hemorragia de privação deveria ter surgido domingo passado (eventualmente sábado) e até à data, nada... Estou com tensão mamária, ontem parecia sentir os ovários aumentados e, fora isso, nenhum sinal de alerta vermelho. Aconteceu-me algo semelhante há 14 ou 15 anos, mas nessa altura ainda tomava Provera. Tive na época um atraso de uma semana e acabei por perceber o motivo. Foi um ciclo repleto de coágulos, acompanhado de bastantes cólicas. Não foi aborto, pois só por obra divina teria engravidado. Há 3 e 2 meses praticamente não tive fluxo, embora a duração das borras tenha sido os habituais 7/8 dias. Acredito que deve estar na hora de libertar o que ficou acumulado.

Com o passar dos dias desta semana fui panicando, com um misto de pensamentos. Sonhei que fiz dois testes de gravidez que deram positivo e isso foi mexendo comigo. Desde que fechei o longo capítulo, nunca mais tinha sonhado com gravidez. Aguardei até ontem a ida à farmácia, porque o meu historial de beta-hCG baixo fez-me pensar que poderia acontecer algo como no passado e o teste não ter sensibilidade suficiente. Não sinto a fome desmesurada, não tenho perdas de sangue e sendo eu como sou (um caso perdido), estava quase certa de que não estava grávida. O "quase" é que me fez comprar o teste, porque faço medicação que não pode ser tomada em situação de gravidez, além de ter realizado uma mamografia no mês passado. O resultado: negativo convicto.

Por um lado fiquei tranquila, por outro gerou-se um conflito interior. Estou a uns meses de concluir a primeira fase da minha mudança de vida, completamente focada, a preparar-me para o futuro que me mentalizei ser isento de crias nossas. Se estivesse grávida, seria de risco, interrompendo todo o meu esforço. Iríamos ter de reformular os nossos objetivos de vida (ou não, dependendo da evolução da gravidez).

Resta-me aguardar que a hemorragia de privação surja e caso não venha, tenho de ver o que se passa.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Dois anos

A luta mais dura que deu o mote a este blogue terminou há 2 anos e o meu novo projeto completou o mesmo tempo. Concluí 23 unidades curriculares, não deixei nada em atraso. Faltam apenas 10 cadeiras para acumular outra licenciatura no meu cadastro.

Daqui a um mês vou iniciar-me na investigação, através de uma bolsa para a qual me candidatei e fui selecionada. Aguardei muito tempo por este tipo de oportunidade e embora seja de curta duração, deixa-me mais esperançosa relativamente ao futuro. Espero mesmo estar a fazer uma aposta acertada.

Agora é altura de recuperar a energia, fazer um check-up à saúde (há algo que preciso despistar) e aliviar as dores do corpo resultantes da má postura corporal, meses a fio.

Boas férias para quem as está a usufruir nesta altura ou o fará em breve. Para quem continua na labuta, desejo força para aguentar mais uns tempos!

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Na fronteira

Estou a cerca de 1 kg de passar da condição de obesa para mulher com excesso de peso. Tenho menos 11 kg que no meu pior estado. Noto-o em algumas roupas, basicamente só em calças, porque acima da cintura (excetuando costas e braços) não houve diminuição de um centímetro que fosse.

Não ando obcecada com a diminuição do peso, mas quero atingir um patamar que me traga menos riscos. Fico animada por estar a acontecer, pois ao longo dos anos, principalmente com a realização dos tratamentos, as mudanças surgiram a um ritmo galopante e pareciam irreversíveis. Lentamente continuo na descoberta de mim e de como sou, ainda que com alguma interferência artificial, fruto das minhas disfunções.

Encontro-me em isolamento, tocou-me a mim e assustava-me imenso a ideia de contrair Covid, devido ao meu historial de infeções respiratórias. A situação por enquanto está controlada, não sou um caso assintomático, e estou sempre com o receio de uma reviravolta. Aqui em casa, por enquanto, sou a única contemplada, embora estivéssemos todos presentes no local onde ocorreu o contágio.

Daqui a pouco mais de um mês completarei mais um ano da licenciatura, espero que continue com taxa de sucesso plena. Se se mantiver tudo bem, daqui a um ano estarei a finalizar o estágio e as cadeiras que terei em simultâneo. Conto que em julho ou setembro de 2023 (depende da data de apresentação final) esteja pronta para mais uma mudança de vida.

domingo, 22 de maio de 2022

O corpo pós-PMA

Faltam 2 meses para ter completado 2 anos desde que terminei o entupimento medicamentoso que a PMA exigiu. Tomei ao longo dos anos milhares de comprimidos, maioritariamente hormonais, injetei quantidades consideráveis de hormonas e enoxaparina e, em prol dos filhos que não consegui trazer ao mundo, andei anos sem tomar estatinas para baixar o colesterol que não consigo controlar apenas com a alimentação. Sempre que iniciava um tratamento novo, via o meu corpo a transformar-se. Se fosse numa estimulação, por ter ovários completamente disfuncionais, além das dores, tinha de lidar com um aumento do volume mamário, ascite e o resto do corpo globalmente mais "insuflado". Após as punções a ascite resolvia-se, as mamas diminuíam um pouco mas ficavam sempre maiores do que antes e o resto permanecia como estava.

Com as TEC, poucos dias após iniciar as suas preparações, voltava o aumento generalizado de volume, principalmente no peito. 
Desde os primórdios das induções infrutíferas com Dufine até ao fim dos tratamentos houve um aumento de cerca 14 kg.

Estou a perder peso, ainda muito longe do patamar que queria atingir, que é bem abaixo daquele com que iniciei a luta, mas há um problema que persiste. Perco volume em todo o lado exceto nas glândulas mamárias. Os exames de despiste que tenho feito mostram que tenho pouco tecido adiposo na zona. Quando fazia tratamentos revivia os momentos da adolescência em que sentia que o peito desenvolvia de dia para dia, com medo de que tal não fosse parar.

Se já tinha dificuldade em encontrar vestuário com que me sentisse confortável, agora mais complicado se torna. Com a perda de peso acentua-se cada vez a assimetria, condicionando aquilo que posso vestir. A vertente estética relacionada com o assunto incomoda-me, mas o pior é atrapalhar o dia-a-dia e ter suportar as dores na coluna. Não ponho de parte fazer uma redução, tenho de amadurecer a ideia.  Se fosse possível, cedia de bom grado metade do que tenho a quem está insatisfeito. Felizmente vai havendo um pouco mais de consciência por parte dos fabricantes para a existência de mulheres que necessitam de copas superiores ao C. Revoltava-me ir a lojas e perceber que quase todos os soutiens comercializados estavam completamente recheados de espuma. Na marca a quem sou fiel atualmente visto o 85F.

A caminhada da infertilidade deixou marcas a vários níveis, todos os dias as sinto.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Metade concluída com sucesso!

50% do curso está completo. Passou rapidamente, absorve-me mais do que aquilo que esperava e motiva-me saber que falta "pouco" para completar o resto. Em termos de complexidade considero que a minha primeira licenciatura foi mais exigente e do ponto de vista de duração, por ser pré-Bolonha, foi mais morosa. O principal obstáculo da que estou a fazer atualmente, é aquilo que já referi noutros posts, que é o tempo escasso para estudar. Ainda não houve alívio no ritmo contrarrelógio, até piorou este ano letivo. Não sei como será o semestre que inicia na próxima semana, mas não perspetivo alívio. Se calhar vai ser assim até terminar. Não vou ter qualquer saudosismo, ao contrário do que aconteceu na primeira experiência.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Mais experiente (para não dizer mais velha, calejada ou madura)

Eis-me há 42 anos a consumir recursos do planeta, a realizar um sem número de sinapses, a procurar ficar em paz, principalmente comigo. Estou cansada, no sentido literal da palavra, praticamente a bater as pestanas superiores nas inferiores, a desejar infinitamente que a opção que tomei ao voltar ao ensino superior, tenha retorno. Preciso que traga frutos, preciso não passar por um novo fiasco. Quero, acima de tudo, evitar colecionar fracassos sucessivos. Se isto também se revelar mais um esforço em vão, não sei como vou continuar a depositar confiança em mim, naquilo que acho que ainda posso fazer de relevante. 

Aquele ânimo que sentia na altura em que soube que fiquei com a vaga, está a dar lugar a um conjunto de reflexões acerca de Bolonha, do funcionamento da instituição e da maior dificuldade que estou a enfrentar, que é de simplesmente estudar. Aquilo que mais sinto falta é de ter oportunidade de estudar como acho que devo e como as unidades curriculares merecem. Estou a reformular as minhas expectativas e focada em concluir, à custa das apenas 24 horas do dia, a licenciatura no tempo devido. 

Quero ter um trabalho digno, deixar de ser um desenrasque nos momentos de aflição alheia, nunca sabendo se nas horas agendadas para apagar os fogos há desistências de última hora. Não havendo prestação de serviço, não há rendimento. A agenda que até aquele momento tinha um espaço reservado, passa a ter um hiato que poderia ter sido rentabilizado de outra forma, se houvesse o cuidado de avisar previamente da não comparência à marcação combinada. Não se consegue estruturar a vida desta forma. Se quando era mais nova a rotina maçava-me, posso dizer que desde há muito estou saturada do improviso permanente em que o meu quotidiano se tornou, assim como de organizar-me em função das solicitações de última hora, em que sou procurada como solução bem portuguesa do desenrasque. Há imensos setores de atividade que funcionam desta forma, a diferença é que a procura pela minha área é restrita e muito reduzida. Na maior parte das vezes não há uma intenção de continuidade. É meramente tentar conseguir que em uma ou duas horas se faça o milagre de substituir o trabalho que deveria ter sido desenvolvido durante meses e, de preferência, que seja baratinho. Muitas vezes evito pensar também em casos pontuais que apareceram ao longo dos anos, em que fiz préstimos, quando o suposto seria prestar serviços devidamente remunerados.

Acho que o meu feitio está a azedar nalguns aspetos...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

6 anos de blogue

Apesar de ter sido o ano mais mortiço da minha atividade por aqui, não quero que este espaço desapareça. Desde que me embrenhei na mudança de rumo, cuja fase inicial é bastante preenchida e vai ocupar-me, à partida, ainda mais um ano e meio, será de esperar que farei publicações ocasionais em vez de mais regulares. O que seguirá depois será a confrontação com uma nova vida.

Digamos que este intermezzo de 3 anos está a ser a transição entre o Eu que viveu uma fábula durante uns anos e a pessoa que quer envelhecer com lucidez, autonomia e, se possível, a achar que até valeu a pena cá andar. Uma das expressões que o meu pai mais usava era "quando a vida correr melhor..." e lá ia traçando metas de pequenas coisas que desejava alcançar. Nenhuma chegou a acontecer, porque o tempo dele esgotou-se muito antes. Não partiu em paz, pois considerava que não conseguiu deixar tudo devidamente preparado para nos poupar ao máximo de preocupações de caráter burocrático. Além dessa frustração debateu-se com dúvidas relacionadas com a fé. Questionava-se durante a noite do sentido da existência de um Deus que permitia o sofrimento. O meu pai trabalhava muito, não era uma pessoa de frequentar a igreja nem de manifestar a sua religiosidade, mas todos os anos ia à casa paroquial deixar a sua oferta monetária, além daquilo que dava na altura da Páscoa. Já falei aqui que a criaturinha que lhe fez o funeral mostrou durante toda a cerimónia (e noutros momentos) uma falta de caráter inexplicável. Não bastava todo o sofrimento que sentíamos por perdermos o nosso pai, ainda tivemos de ouvir repetidas vezes, na missa do funeral "Quem morre sem crer em Deus, morre desesperado". Essa foi a barbaridade que mais me marcou entre as inúmeras que ele foi proferindo, sem nunca nos ter visto na vida. Não houve uma palavra de conforto ou sequer um discurso oco inócuo. Em todos os momentos em que ele falava fora do que era ritual de leituras e rezas habituais nas missas, manteve prepotência e maldade, em que me questionei se estava realmente a ouvir bem ou se era apenas impressão minha. No final de tudo, depois de uma crise de asma que tive à saída do cemitério e uma ida à farmácia para ir comprar um inalador, porque me tinha esquecido do meu em Évora (onde estudava), perguntei à minha irmã se ela prestou atenção àquilo que o padre disse na missa. Cheguei à conclusão que não foi impressão minha, e de facto, no tempo todo, a criatura não parou de fazer comentários desagradáveis, sem conhecer a minha família. Se eu sentia revolta por tudo o que estava a viver, o funeral multiplicou o sentimento. Três anos depois deparei-me noutra freguesia com aquele energúmeno e o registo manteve-se, com novos alvos. Dessa vez saí porta fora, que era o que devia ter feito no funeral do meu pai. O que me impediu na altura era que queria protegê-lo (não sei de quê, não havia nada a fazer) e ficar perto dele.

A volta que isto deu num post que deveria ser sobre a minha permanência, ainda que bastante adormecida, na blogosfera. Para mim, que comecei a sofrer de verborreia desde há alguns anos, não me compatibilizo com a fast info que as redes sociais atuais e aplicações de comunicação instantânea preconizam ou daquelas coisas que à moda da Missão Impossível autodestroem-se passadas x horas. Instalei com relutância o WhatsApp no mês de outubro, porque os meus colegas de faculdade dizem que é muito útil. A verdade é que não ponho de parte desinstalar no próximo semestre, porque não lhe vejo ainda grandes vantagens e uso maioritariamente no computador quando tenho de fazer relatórios em grupo ou projetos. Para já não me tem facilitado muito a vida e traz o inconveniente de funcionar apenas ligado à internet, apesar de ser usado o contacto associado à operadora de rede móvel. No meu telemóvel raramente ligo o Wi-Fi ou dados móveis, porque para mim o importante é ter bateria para poder usar para chamadas, SMS e situações de emergência. Uma carga no meu equipamento dura, no mínimo, uma semana sem o desligar durante a noite. O uso de internet no telemóvel suga a bateria de tal forma que deixa de se poder contar com ele quando há uma necessidade premente. Chamem-me de velha que não me interessa. Se um dia precisarem de fazer um contacto urgente e não tiverem bateria, powerbank para desenrascar ou outra forma de realizar uma chamada, porque estiveram a usar o telemóvel para navegar nas ondas cibernéticas, talvez se pense que net no smartphone não faz assim tanta falta. Não me senti tentada a ter conta no Instagram, Twitter e outras redes sociais que eventualmente existem. Tenho conta no Facebook, mas é quase o mesmo que não ter, pois a minha atividade é reduzida. As redes sociais podem ter ajudado a perceber como escrever é importante, mas não trouxeram milagres de escrita, nem maior discernimento para a interpretação de conteúdos. Não consigo avaliar se globalmente trouxeram mais coisas más que boas. Pessoalmente não vejo grandes mais valias, daí o meu desinteresse. A cultura do like e dislike trouxe muita artificialidade aos nossos atos quotidianos e uma falsa ilusão do que é a perfeição. Num blogue não há incentivo ao like, quem tiver paciência para ler só visita se e quando quer. As mensagens não se autodestroem a não ser que o administrador as elimine. À semelhança das outras redes sociais, não se geram milagres da escrita, também se podem expor vidas "perfeitas" e coisas sem interesse nenhum. Considero, contudo, que a procura por esses conteúdos é mais intencional do que se houver um conjunto de páginas reunidas num mesmo espaço em que se leva com um feed de notícias e algoritmos tendenciosos.

Sei que o que escrevo atualmente é algo que se encontra à deriva, deixou de estar direcionado a um tema concreto, ao contrário do que aconteceu desde a sua génese até há pouco mais de dois anos. Paralelamente à infertilidade aconteciam outras coisas que não eram aqui exploradas, o que é perfeitamente normal e nem tudo era pesaroso, felizmente. Deixei de ter um grande fardo, passei a ocupar-me de outros assuntos aos quais acrescem os efeitos colaterais dessa carga que mantive em cima de mim durante muito tempo. Não seria certamente a pessoa que sou atualmente se não tivesse aguentado tudo aquilo. Desencadeou novas fraquezas e outros pontos fortes, transformou-me para sempre e fez-me perder um pouco a curiosidade no que poderá acontecer futuramente. Logo se vê o que virá.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Dos linfonodos

Desde que um grupo ligado ao ramo da saúde se apoderou de praticamente todas as clínicas que faziam exames complementares de diagnóstico aqui no norte, qual polvo, para se conseguir marcação de algum exame espera-se uma eternidade. A requisição passada pela médica tinha ecografia às partes moles (clavícula esquerda), esta não é comparticipada e também ecografia mamária, uma vez que os gânglios do lado esquerdo que drenam aquela zona tinham inflamado aquando a segunda dose. Cinco meses passados, seria de esperar que os linfonodos da clavícula deixassem de se sentir, certo? Errado! Ainda aqui estão, uns dias maiores outros mais pequenos, indolores, sobre o osso. Não sei se a origem deles é supra ou subclavicular. Arranjaram morada ali e por lá estão a fazer usucapião.

A data mais rápida que consegui há uns meses foi ontem, em Gondomar, e depois de procurar a clínica sem que nenhuma morada ou coordenada de GPS batesse certo, lá dei com o sítio, com o tradicional perguntar a alguém.

Confirma-se então a presença dos dois gânglios na clavícula esquerda e um gânglio "bónus" intramamário, desse lado. Só me apercebi da existência dele quando o ecógrafo passou por cima e senti bem que ele lá estava. Aparentemente estes ocupantes deslocados não inspiram cuidados adicionais. Em relação à mama direita nada foi dito. Quando em março fiz ecografia mamária e mamografia, foi detetado um gânglio na mama direita e nada na esquerda. Aguardo o relatório e depois volto a consultar a minha médica de família. Desde há umas três semanas, de vez em quando, há um gânglio supraclavicular do lado direito que gosta de mostrar que anda aí. Tenho de estar de olho nele também.

Nestes meses de silêncio, além do trabalho que o curso exige, da gestão do dia-a-dia com várias coisas em simultâneo, tenho andado a controlar as bolinhas que vão aparecendo no meu corpo, tratar de outra coisinha de que falarei daqui a uns tempos e ainda não me livrei totalmente dela e a mais recente, um acidente há quatro dias, em que uma alma distraída ou a olhar para algum ecrã de telemóvel enquanto conduzia, só parou o carro dela quando foi contra a traseira do meu. Tem sido deveras emocionante (sqn).

Anseio pelo dia em que o curso termina e espero verdadeiramente que seja daqui a uns 19 meses. Seguir-se-ão outras etapas, mas sinto uma necessidade enorme de dar um grande salto.

Apesar de 24 horas serem pouco para o que tenho a fazer diariamente, continuo a despender uma parte considerável dos meus pensamentos na tortura passada. É mais um conjunto de devaneios que acumulo, além da morte do meu pai, embora já tenham passado praticamente 19 anos. Tornou-se uma espécie de pacote que faz parte da minha rotina, não acrescenta nada de útil às necessidades diárias, mas cá anda a ocupar-me a mente.

Daqui a um mês e um dia faço 42 anos. Há alturas, contudo, em que parece que parei no tempo, pouco evoluí em vários setores ou até mesmo regredi. Eu não era uma pessoa propriamente sonhadora em relação a planos para o futuro. Não defini uma lista de objetivos como há quem faça. Idealizei poucas coisas e nada do que tem acontecido se assemelha ao que alguma vez imaginei. Tem dias em que me irrita ser adulta, enerva-me ter de tomar decisões, canso-me de mim mesma, questiono o sentido do que faço. Se calhar toda a gente tem um ou outro momento em que sente isto, mas no fundo sou uma privilegiada em muitos aspetos, é nisso que tenho de me focar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Vaniqa - primeiro feedback

Iniciei o tratamento no dia 14 de julho. O aconselhado é fazê-lo duas vezes por dia, num intervalo de 8 horas. Houve algumas situações pontuais em que só fiz uma aplicação diária e durante uma semana (quando fui de férias) não coloquei, porque o uso de máscara, calor e suor na cara não me faziam sentir muito confortável.

Como ainda não começaram as aulas, o meu tempo é praticamente 100% passado em casa, o que facilita a manutenção da rotina.

Tenho a dizer que estou surpreendida com o que está a acontecer. O estado de inflamação reduziu drasticamente, a pinça é usada muito menos vezes e aqueles pelos que estavam a começar a aparecer geograficamente mais expandidos têm-se mantido tímidos. Posso dizer que antes, na zona do queixo a média diária de pelos que removia com a pinça era de cerca de 20 ou até mais. No chamado buço havia alguns residentes que se destacavam dos demais pela sua espessura e agora é pouco habitual darem sinal de vida. Ainda estou cética que no queixo vão desaparecer na totalidade, eles são do Demo, a não ser que fizesse pílula contínua como no ano passado. Como isso não vai acontecer, só com o tempo vou perceber se estou enganada ou não.

Agora para que isto corra sobre rodas é estalar os dedos para que o Covid deixe de ser preocupação, desapareça de vez e se possam largar as máscaras que nos alteram o estado da pele. Já agora vou pedir a S. Pedro para que não nos brinde com dias muuuito quentes, para poder verificar o funcionamento do creme em toda a sua plenitude.

Balanço preliminar: sim senhor, comigo está a mostrar resultados promissores.

Lembro que é necessário receita médica para o adquirir, custa 48 euros e qualquer coisa, se não me engano. Ainda não consigo dizer quanto tempo dura uma embalagem, porque continuo a usar a primeira que comprei. Traz 30 g de creme e se não fosse tão dispendioso, besuntava também a zona pélvica para ver se domava a espécie invasora. Como nada é perfeito nesta vida, se abandonar o tratamento volta tudo ao mesmo ao fim de algumas semanas.

Findo o momento influencer (numa versão foleira, porque não tenho jeito para a coisa e sai-me do bolso), há mais ou menos novidades sobre os linfonodos. Tive teleconsulta com a médica de família. A minha opinião é de que se devem inteiramente à vacina, já ela é mais cautelosa e diz que não perco nada em fazer ecografia. Não lhe tiro a razão. Como tenho de realizar análises no início de novembro para avaliar o colesterol, vou ver se na altura em que as agendar os gânglios continuam iguais. Se sim, marco a ecografia. Caso contrário, faço só as análises que já estavam previstas. Durante este tempo, se eles aumentarem, faço ecografia sem pestanejar. Uma vez que a vacina da gripe vai estar ali pelo meio, para não interferir, mais uma vez, peço para administrar no braço direito, se não isto nunca mais acaba. Se houver uma terceira dose para Covid tenho de estudar a melhor estratégia.

Ontem fiquei a conhecer um outro tipo de dor. Estou com cistite, com tudo a que tenho direito, como disse a médica que me atendeu ontem na urgência.

Tive dor renal e inicialmente confundi com uma lombalgia que estava a parecer cada vez mais sinistra. É muito estranho nenhuma posição na cama trazer algum conforto ou alívio e foi assim que acordei às 6h da manhã de ontem, pouco tempo depois do céu ter aberto as goelas com uma trovoada como já não me recordava. Passei o dia com dores persistentes no fundo das costas, no entanto só ao fim da tarde é que percebi que não era na coluna mas sim um pouco deslocada para o lado esquerdo. Intrigava-me ter surgido repentinamente, porque a minha experiência em lombalgias é de um aumento progressivo ao longo dos dias e encontrava sempre uma determinada posição que me trazia algum alívio. Desta vez não. Troquei de colchão e almofada há poucas semanas e depois de ter acordado daquela forma estava desanimada, a pensar que o colchão novo estava a ficar insuportável como o anterior.

Fiz mais tarde a associação a rim, sem grande certeza, porque sábado passado comecei a ter sintomas de infeção urinária e esse foi o dia mais complicado. Mantive boa hidratação nos dias seguintes para ver se passava e pensava que a situação estava a reverter. Afinal os rins já estavam com complicações. Isto foi uma lição para mim e vou levar a sério futuras infeções urinárias, porque está visto que pode vir a correr mal a abordagem mais tradicional da ingestão da água.

Levei uma injeção de Voltaren e estou a fazer antibiótico. As dores não regressaram para já, o que é maravilhoso.

Esta experiência foi uma nova aprendizagem para conhecer mais um pouco o comportamento do meu corpo.

domingo, 29 de agosto de 2021

Dois "amiguinhos"

Os dois moradores da clavícula continuam por cá. Um é maior que o outro. Os axilares devem ter regredido e normalizado, no entanto é mais difícil de perceber. Nesta semana que inicia tenho uma consulta com a médica de família para definir a próxima etapa. Dia 31 faz um mês que fiz a segunda dose, no entanto eles já cá andam, pelo menos, desde o dia 10 de julho.

Continuo a achar que é tão somente o meu corpo a desenvolver resposta imunitária fomentada pela vacina, mas não posso desprezar a lentidão em torno do desaparecimento.

Li um artigo relacionado com isto, relacionado com a vacina da Pfizer, e a conclusão a que se chegou é que a vacina foi administrada acima do que seria mais indicado, podendo desenvolver também dor no ombro. Esse foi outro efeito colateral que senti.

O surgimento de linfonodos axilares é menos frequente que os claviculares e saíram-me as duas situações na rifa.

Desejo infinitamente que não passe disso, porque as outras possibilidades não são nada boas e enquadram-se na minha idade.

domingo, 1 de agosto de 2021

Pfizer BioNTech

Ontem foi-me administrada a segunda dose da vacina. Os linfonodos claviculares que apareceram uma semana após a primeira dose continuavam firmes e hirtos.
Na noite que sucedeu a nova vacinação ficou bem evidente um endurecimento da zona da injeção com um aumento da temperatura local. De vez em quando sinto algum prurido que tento ignorar para não rasgar a pele com a minha delicadeza. Quando me levantei de manhã dei conta que, além dos linfonodos da clavícula estarem mais volumosos e novamente sensíveis, sinto dor na axila, porque também aumentaram gânglios (não consigo perceber quantos). Tranquiliza-me que isto esteja a acontecer do lado da injeção. A enfermeira que me atendeu ontem é que não estava a contar que lhe apresentasse o aparecimento de linfonodos como efeito secundário, não sei porquê e disse para consultar um médico se ao fim de duas semanas não houvesse alterações. Ao meu marido, logo no dia seguinte à administração da segunda dose, apareceu-lhe um linfonodo supraclavicular.

Já percebi pela vacina da gripe que fiz no outono de 2018 que os meus gânglios demoram mais de um mês a deixar de se sentir. Não sei até que ponto uma resposta tão tardia é normal, mas lentidão no meu corpo é algo a que estou habituada.

Vou dar um mês para que isto dê sinais de regressão, uma vez que houve duas vacinas administradas num curto intervalo de tempo. Caso persista vou passar para a próxima etapa e verificar se há algo mais. Por enquanto estou serena em relação a este assunto, porém atenta.

sábado, 17 de julho de 2021

Hirsutismo - abordagem terapêutica

Em posts anteriores falei que o hirsutismo tem vindo a piorar. Tive no ano passado uma fase espetacular, em que pouco me incomodava, quando fiz pílula contínua durante uns meses, antes da TEC 9. Quando deixei de a tomar voltei ao ponto em que estava. O hirsutismo pode apresentar vários níveis de desenvolvimento, consoante a parte do corpo onde ele pode surgir. A escala de Ferriman e Gallwey sintetiza os estádios associados a este efeito da SOP. Aquando a participação no estudo clínico InOvulação, num dos documentos que preenchi no dia em que fui ao Hospital de Guimarães, tive de assinalar como este distúrbio se manifestava, de acordo com esta escala.

Há algum tempo, em conversa com a minha médica de família, perguntei-lhe se a depilação a laser teria viabilidade. Como sofro de flutuações hormonais constantes, poderia ser contraproducente investir numa técnica sem qualquer resultado. Foi aí que ela me falou de um creme específico para o hirsutismo, que poderia produzir resultados. Há a possibilidade de não ter qualquer efeito, mas nada como experimentar! A única contraindicação é que não pode ser usado em situação de gravidez. Como isso não é problema para mim, comecei a aplicá-lo esta semana, no dia 14. Pode demorar cerca de 8 semanas a começar a notar-se o seu efeito e não tem ação definitiva, ou seja, se deixar de usar, em 8 semanas volta-se à estaca zero.

Não aposto por enquanto em laser pelo investimento que iria acarretar nesta fase. Além disso, tenho mesmo de fazer teste antes de passar ao tratamento propriamente dito, porque a minha pele tem um comportamento totalmente imprevisível. O creme não é a coisa mais acessível do mundo, mas a sua duração e o gasto que lhe está associado não constitui uma despesa elevada enquanto aguardo por dias melhores do ponto de vista profissional. Tenho outras prioridades neste momento a que dar atenção. Este pormenor estético posso colmatá-lo com o creme por enquanto, partindo do princípio que ele até pode resultar. Caso não funcione, tenho de me resignar à pinça diária e às inflamações crónicas que se vão alastrando cada vez mais no rosto. O resto que está escondido não me incomoda tanto e demora mais tempo a regenerar. Para quem está curioso sobre o creme que pode restabelecer alguma normalidade, o seu nome comercial é Vaniqa.

Daqui a algum tempo darei feedback sobre o produto.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Missão cumprida!

Último exame realizado e, se tiver tudo correr bem, daqui a dois anos termino o curso. 2020/2021 foi desafiante, menos entusiasmante do que esperava, muito por culpa da pandemia. Uma das iniciativas que me fez candidatar para aquela instituição em concreto ficou suspensa, pelo segundo ano consecutivo, devido a quê? Exato, ao vírus... Não acredito que o próximo ano letivo funcione plenamente em regime presencial, o que não me agrada.
A propósito de percurso escolar e académico, uma das coisas que me apoquentava quando ingenuamente pensava que um dia ia ser mãe era: que decisões tomar? O que iria valorizar? Não rejeitava nenhum modelo, nem descartava liminarmente o ensino doméstico, pelo contrário.
Aconteceram duas situações caricatas no exame que realizei esta manhã. A professora ficou muito surpreendida (pela negativa), mas a mim não me chocaram. São o reflexo do que sabia que iria chegar ao ensino superior, mais cedo ou mais tarde, e os professores universitários estão a aperceber-se disso. Uma vez ou outra partilhei com alguns professores como andam as coisas no ensino básico e secundário. Tenho reparado que há do lado deles desconhecimento daquilo que tem sido o ensino obrigatório, principalmente nos que já têm filhos adultos.

Conhecendo o sistema por dentro, apercebi-me da responsabilidade que iria ter em mãos quando chegasse a altura de tratar da integração da minha cria numa instituição de ensino. Posso dizer que a natureza foi generosa comigo ao poupar-me desse tipo de preocupação. Querem ver que esse é o sentido que ia encontrar para tudo ter corrido mal? Aliviar-me dessa ralação?

Agora algo que não tem nada a ver com o que escrevi.
Fui vacinada no dia 3 deste mês (num sábado). Até à quarta-feira que se seguiu tinha aquela dor no braço que me impossibilitava de deitar para o lado que foi picado. Exatamente uma semana depois, ao desviar o cabelo para trás, toquei na clavícula e senti dor. Tenho dois gânglios bastante aumentados, exatamente em cima do osso, no lado em que fui vacinada. Aconteceu-me algo idêntico com uma vacina da gripe, no entanto nesse caso foi logo no dia seguinte e apenas num gânglio. Nessa altura demorou cerca de um mês a normalizar. No dia seguinte a esta recente inflamação dos gânglios acordei com dor na articulação do ombro e ainda cá anda. Quando hoje conduzi para ir fazer o exame na universidade, incomodou bastante o cinto de segurança a tocar de forma persistente naquela zona. Se ao menos eles estivessem na depressão junto à clavícula, não me apercebia tanto, mas mesmo por cima do osso, não é muito agradável. A minha médica de família disse para estar atenta nas próximas duas semanas e, caso não diminuam, terei de fazer ecografia. Dia 31 faço a segunda dose, por isso terei de dilatar esse prazo.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Num piscar de olhos, passou um ano

Daqui a uns dias faz um ano que iniciei a preparação da última TEC. Seguiu-se o soco final da valente tareia que consenti levar, quando achei que iria ser mãe à custa de um forte contributo científico. Como a minha capacidade para gerar uma vida é mortiça, os muitos empurrões não resultaram e deixei de viver, na verdadeira aceção da palavra. Não é que agora esteja living la vida loca, muito pelo contrário.
Tracei um plano para o pós-infertilidade, o meu desempenho no curso está a correr de feição, sinto-me globalmente bem, mas o pensamento continua pejado pelo que vivi. Pensei que tentar ocupar o meu cérebro ao máximo com outra licenciatura ajudasse a dispersar os pensamentos e suavizasse o luto. Quando o meu pai faleceu, em plena época de exames, foi no estudo que me refugiei. Não aliviou a dor, adiou o processo de luto. Atualmente estou a ser uma impostora para mim mesma, pois ando a camuflar a decepção. Não se sai de algo tão intenso com facilidade. Acabo por passar, mais tempo do que queria, a viajar no passado que me tatuou por dentro. Estou a perceber que será um estado se vai estender indeterminadamente. Não sei também até que ponto o isolamento social está a ter repercussões neste processo. A realidade é que não falo com ninguém sobre isto, nem estou com outras pessoas há demasiado tempo, tirando os meus familiares.

Espero que a transformação que estou a construir me traga frutos saborosos.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Em modo: palitos a segurarem as pálpebras

Anti-histamínico, estudo, trabalho e pouco/mau descanso são uma combinação perfeita para passar períodos do dia com as pestanas superiores a quererem cumprimentar as inferiores. As avaliações têm corrido a um ritmo um pouco mais espaçado que no semestre anterior, mas daqui a duas semanas começa a vir tudo encadeado. Não haverá tempo para desesperar, porque cada segundo a pensar na morte da bezerra, terá um efeito bola de neve difícil de recuperar.
A minha gata também está empenhada em formar-se em engenharia. "Assiste" às aulas online, deitada no meu colo. De vez em quando observa-se no pequeno retângulo do Zoom uma pata vinda de baixo a ir em direção ao meu queixo, para me fazer uma festinha. Noutras alturas ela abraça-me e faz-me esfoliações em direto, enquanto tento resolver exercícios. Já é conhecida no meio académico e dizem que a instituição deverá distingui-la no final do curso.

Ligo a câmara durante a atividade online. Sei quão desagradável é dar aulas para uma plateia de retângulos pretos com um nome escrito, com uma interação mínima por parte de quem está escondido por trás dos mesmos. Estou em crer que doravante seja definitivamente implementado regime misto, mantendo as aulas teóricas e possivelmente algumas teórico-práticas à distância.

Preciso de férias mentais, mais do que físicas.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Rastreio: check!

Foi dia de consulta de ginecologia para conhecer resultados de análises, ecografia mamária e mamografia. Relativamente às análises estou com um valor alarmante de colesterol. Há mais de uma década que não o consigo normalizar apenas com a alimentação. Enquanto realizei tratamentos suspendi a estatina e com o encerramento das piscinas tive de deixar a hidroginástica e a hidrobike. Vou encaminhar estas análises à médica de família para voltar a medicar-me para este fardo que não me larga. Vou apostar mais nas caminhadas, pois mesmo que volte a haver confinamento, posso manter esse tipo de atividade.

A menopausa parece não querer nada comigo durante muito tempo ainda. Por causa do valor do colesterol vou fazer uma pílula fraquinha, para não piorar mais a situação. Desta vez será Microgeste, vamos ver como me sentirei com ela.

Da parte mamária a situação está bem. O relatório faz menção a alguns pormenores mas por enquanto não há nada que careça de preocupação.

Daqui a um ano, se nada de relevante acontecer, volto a consultar nesta especialidade. A urgência neste momento é o colesterol.